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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mortificação




"Se unirmos as nossas ninharias - as insignificantes e as grandes contrariedades - aos grandes sofrimentos do Senhor-Vítima - a única Vítima é Ele! -, aumentará o seu valor, tornar-se-ão um tesouro e, então, tomaremos com gosto, com garbo, a Cruz de Cristo.

- E não haverá assim pena alguma que não se vença com rapidez; e não haverá nada nem ninguém que nos tire a paz e a alegria."(São Josemaria Escrivá – Forja – ponto 785)

......

Após a queda de Adão, todos os homens nasceram no pecado e ficaram, todos, desprovidos da glória de Deus. Isto consiste em dizer que todos estavam literalmente condenados a viver eternamente longe D’Ele. Não por vontade divina, mas por vontade do homem que decidiu desobedecer, tendo como consequência, a perda de todos os dons que o capacitava a ver e viver em Deus e com Deus. Mas o Senhor que é amor, o chamou novamente à vida, juntamente com Cristo, quando O enviou para que os remissem e remidos, pudessem ter de novo a graça perdida, sem a qual jamais tornariam a ve-LO.

Aquele que ouve Seu chamado e aceita Seu convite, recebe, pelo Batismo, a filiação divina. Este começa então o “seu exodo”, que consiste em sair do pecado, lutar contra ele, para viver em união com Deus, participando da Cruz do Senhor. Temos que sair desta terra para entrar no céu, portanto, temos que morrer, já que a morte, além de ser a consequência do pecado, é a condição necessária para nossa definitiva identificação com Cristo. ”Pois quem quiser ganhar a sua vida perde-la-á, o que, pelo contrário, perca sua vida por Mim, esse salva-la-a” (Lc 9,24) e segundo São Paulo, "não somos já devedores da carne, para vivermos segundo a carne, mas somos obrigados a viver segundo o espírito; e, se vivemos pelo espírito, andemos segundo o espírito", que nos imprime no coração a inclinação para a cruz e a força de a levar.

Para ser completa a vitória, não basta renunciar aos prazeres maus (o que é de preceito); é preciso ainda sacrificar os prazeres perigosos que conduzem quase infalivelmente ao pecado, em virtude do princípio: “quem ama o perigo, nele perecerá”; mais ainda, é necessário privar-se de alguns dos prazeres lícitos, a fim de robustecer assim a vontade contra a sedução do prazer perigoso: é que, efetivamente, quem quer que saboreia sem restrição todos os deleites permitidos, está bem perto de resvalar aos que o não são.

Para tanto, temos que nos desprender das coisas da terra e buscar as do céu, onde nossa vida está escondida com Cristo em Deus. A carta aos Hebreus XIII,14 nos diz que o Senhor não nos criou para construirmos aqui uma cidade definitiva, porque este mundo de provas é caminho para aquele mais excelente, que é morada de Deus, onde somos convidados a viver sem choro, sem dor, mas somente em eterno louvor, na posse do Amado, por qual suspiramos enquanto padecemos. Imitar e seguir a Cristo, deve ser nosso objetivo, para vivermos na esperança enquanto lutamos, nos despojando do velho homem, e nos revestindo do novo, que vai se forjando à imagem de Cristo.

O Filho Unigenito do Eterno Pai quis fazer-se homem, para que nós fossemos conformes a imagem do Filho de Deus e nos renovássemos segundo a imagem d'Aquele que nos criou. Pelo que, todos se gloriam de ter o nome de cristãos, não só hão de contemplar o nosso Divino salvador como um excelso e perfeitíssimo modelo de todas as virtudes, mas além disso, pelo solicito cuidado de evitar os pecados e pelos mais esmerado empenho em exercitar a virtude, hão de produzir de tal maneira nos seus costumes a doutrina e a vida de Jesus Cristo, que quando aparecer o Senhor serão feitos semelhantes a Ele na glória, vendo-O tal como é.“(Mystici Coprporis n. 21)

Morrer para o pecado e renascer para uma vida nova - “Pelo Batismo os homens são efetivamente enxertados no misterio pascal de Cristo: morrem com Ele, são sepultados com Ele e ressuscitados com Ele” (Sacrasantum Concílo n.5) -, eis nosso itinerário neste mundo, e para chegarmos a termo, haveremos de entrar numa luta de morte entre o homem velho com suas concuspicências e o novo, revestido de Cristo. Este haverá de lutar e vencer, para merecer a coroa de Glória que está destinada aos vencedores.. A vida eterna – a posse de Deus.

É bom saber que o homem regenerado, espiritual, cheio da graça, doada pelo divino Espírito que o enche, - graças aos méritos de Cristo -, tem tendências sobrenaturais e divinas, age com a ajuda das graças atuais em atos de santidade e justiça diante de Deus. Já o homem velho, natural, carnal, permanece, - apesar de toda graça presente, - com suas concuspicências, que são a todo momento intensificadas pelo demônio e o mundo, que o levam ao amor desordenado, na busca de prazeres ilícitos e que o afastam de Deus.

A luta se encontra exatamente entre eles, o velho resistindo para não morrer e o novo querendo crescer para a eternindade, e quanto nos custa esta luta sem fim! O cristão há de entender que é uma luta dígna e extremamente necessária, que nos fará caminhar na alegria esperançosa de uma linda recompensa – sim, porque o Senhor recompensa aqueles que O amam. São Paulo nos exorta: ”Se viverdes segundo a carne, morrereis, se porém, com o espírito mortificardes as obras da carne, vivereis” ( Rm 8, 13)

Quem então nos ajuda a mortificarmos as obras da carne tão nocicas e que são empecilhos à santidade? O próprio Espírito Santo, que sempre nos recorda que há prazeres que levam à morte, mostrando-nos que exatamente estes devem-se a todo custo sacrificar, para que se faça a santa vontade de Deus, que não é outra se não nos levar a viver em comunhão com Ele. É Ele que nos leva a buscar as coisas do alto, a desapegarmos dos bens, das paixões, dos prazeres ilícitos.

Aqui entra definitivamente a vontade, ela deve ser submetida à graça que O Senhor envia, mostrando o caminho reto, que é estreito, sabemos disso, mas certo. Por isso a necessidade de mortificar a vontade e até mesmo crucifica-la, para ganhar esta batalha dificílima, mas totalmente possível, já que o Senhor colabora com aquele que quer de fato busca-Lo no meio de toda dificuldade.

Esta luta não termina enquanto estivermos neste mundo e para nossa tristeza, nunca “mataremos” este velho homem, mas podemos subjulga-lo, mortifica-lo, enfraquece-lo, ao mesmo tempo que usando da mortificação dos sentidos internos e externos, vamos fortalecendo o novo homem até que ele chegue a estatura de Cristo, nosso modelo e nossa meta.
Ninguém vive para Cristo, sem se reformar a si mesmo e só se reforma e se governa com o combate das más tendências. Haveremos que desapegar de nossos erros, de nossos vícios, das criaturas, para nos orientarmos para Deus. Então saibam, que esta luta é extremamente necessária, mas chegará um momento em que aprenderemos a usar bem as armas que o Senhor nos dá, o inimigo tente a ver a força que temos e tende a enfraquecer os ataques. Humilhamos o inimigo pela nossa docilidade e disposição no combate e depois disso, ainda temos que vigiar e rezar muito, pois ele não descansa na luta contra nós.

É certo também, que no momento em que nos decidimos a nos mortificar é coisa ardua, mas depois vamos ganhando batalhas até chegar o dia da vitória final em Cristo Jesus, nosso Senhor.. Bendita seja a santíssima graça de Deus, sem ela não somos nada, mas com ela podemos destruir muralhas e os inimigos mortais de nossa alma. As armas que usamos são armas capazes de arrasar fortificações, já nos disse São Paulo, ele que nos ensinou que estas armas são para o combate e não para o descanso quando nos disse: ”Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé, não me resta mais que receber a coroa de justiça que me dará o Senhor.” ( Ef 6,10)

A mortificação é um dos meios que devemos usar, além da penitência, para purificar nossas faltas passadas e nos preservar das presentes e das futuras, para nossa total santificação, sem o qual ninguém verá o Senhor que é Santíssimo. A mortificação nos ajuda, diminuindo em nós o amor ao prazer, que é a fonte de nossos pecados - (O prazer não é mau em si; Deus permite-o, ordenando-o a fim superior, o bem honesto; se liga o prazer a certos atos bons, é para facilitar e nos atrair assim ao cumprimento do dever), - mas ele pode ser muito ruim quando o deixamos dominar nosso corpo, até chegarmos a nos perder para Deus, quando sucumbimos ao pecado mortal, aí perdemos também nossa alma que é aquela que tende e suspira pelo Deus Vivo.

A Mortificação, portanto, é um meio para viver a vida de filhos de Deus. Deixamos o que não é necessário - (e discernir isso é uma grande sabedoria – só com a graça de Deus e ela sempre nos leva a Cristo – o que Ele rejeitou, rejeitemos também, o que Ele amou, amemos também), - para entrarmos de posse do que realmente tem valor, já que são imperecíveis e eternos, que é a vida do próprio Deus.

E como nos ajuda Deus nesta vida para permanecermos fieis ao seu chamado a santidade e perseverança. Unidos aos méritos de Cristo, temos além de suas graças santíssimas, Nossa Senhora, os anjos e os santos que sempre estão a nosso favor.
Existe mortificações que são necessárias para não se perder a salvação, por isso a importância desta prática. Muitos se enveredam em pecados até que um dia, por não vigiarem e se mortificarem, rejeitando o mal, caem em pecado mortal, e como já estão endurecidos e surdos aos chamados de Deus, não se arrependem, podendo, como disse, perder a salvação.
Todas as vezes que se foge das ocasiões de pecado, tem-se a alma fortalecida e ela se compraz em buscar solidamente o que é bom, lícito e santo. A Igreja muito sabiamente nos prescreve algumas obrigações, para nos ajudar em nossas mortificações: Abstinência das sextas feiras, (que muitos pensam terem sido abolidas), o jejum Quaresmal, das Têmporas e Vigílias, e o cristão deve obediência a elas.

Precisamos fazer violência para entrar no Reino de Deus, se mortificar lutando contra as paixões e participando da união com Cristo. Como afirma São Clemente de Alexandria: O Reino dos Céus não pertence aos que dormem e vivem dando-se todos os gostos, mas aos que lutam contra si mesmos”(Quis dives salvetur, 21) Santa Tereza que se mortificava muito para fazer a vontade de Deus disse uma vez: “Nosso corpo tem essa manha, quanto mais o satisfazemos, mais necessidades inventa".

O que temos de aprender é que devemos nos utilizar das coisas criadas para glorificar a Deus e que elas foram nos dadas para nos servirem para este fim, mas infelizmente muitos tem colocado toda sua confiança e luta na busca destas mesmas coisas, como se elas fossem o fim último de suas vidas. Como se a felicidade dependesse do que se tem e quanto se tem. Se tornam cegos para Deus e chegam a cometer atrocidades para obte-las, tudo isso fruto da desordem causada pelo pecado. Infelizmente ainda se continua buscando o ter, o prazer, o ser, tal qual nosso primeiro pai Adão, depois da queda.

M. Oliver comparando a condição dos cristãos com Adão inocente diz que há uma grande diferença entre ambos. "Adão buscava a Deus, servia-O, adorava-O nas suas criaturas. Os cristãos, ao contrário, são obrigados a buscar a Deus pela fé, a servi-Lo e a adora-LO retirando de si mesmo, na sua santidade, separado de toda criatura”(Cat. Crietien, I.P.IV) .

Cristo nunca fugiu da dor e da Cruz, muito pelo contrário, Ele veio morrer porque quis e exatamente escolheu a Cruz por ser a morte mais ignominosa que existia, tudo por amor a nós. Sendo rico, se fez pobre, sendo dono do mundo passou penúrias. Poderia ter palácios, mas quis nascer numa estrebaria, foi humilde e obediente a ponto de deixar-se humilhar por suas criaturas que Ele mesmo havia criado por amor. Foi escravo, dócil tal uma ovelha e exatamente por isso, Deus O exaltou soberanamente dando-lhe o nome que está acima de todos os nomes e diante do qual todo joelho se dobra, inclusive nos infernos, para o tormento do adversário, que quer fazer perder os homens, justamente intigando neles sentimentos e desejos totalmente opostos ao de Cristo.

Os de Cristo levam à vitória, os dele levam a condenação.

Portanto, Cristo já nos ensinou que mortificar e morrer para o mundo é condição para se ter a vida. Se queremos segui-Lo cabe a nós carregarmos a nossa cruz e ainda ama-la. E só segue Jesus quem quer ser perfeito, como Ele é perfeito. O fraco logo desiste, porque muitas vezes acha que a força está nele, quando a força vem de Deus. O que Ele quer de nós, primeiramente, é o sim e depois que utilizemos a vontade fortalecida pela graça dele mesmo. A regra básica é esta, tudo que é inimigo de Cristo, é nosso inimigo também, portanto nada de andar de braços dados com o mundo, com o demônio e com nosso Eu vaidoso e endurecido. Rejeita-los, eis a sabedoria.

Interessante que pela cruz, eu e você podemos colaborar também para a salvação do mundo, quando oferecemos nossos sacrifícios e mortificações os unindo aos sofrimentos de Cristo, para obtermos graças para a Igreja. Isto é divino e muito nos estimula a lutar.

Jesus disse que cada dia basta o seu cuidado, isto vale tanto para a confiança em Deus como para nossas práticas de mortificação, porque além de lutar, temos que perseverar até o fim e para isso é urgente desapegarmos. Queridos, rejeitar o pecado é obrigação, é o meio ordinário para a santificação, já a mortificação é o que temos que fazer a mais para crescer na perfeição, pois este é o chamado de Deus para nós. Portanto, temos que ficar alertas para os obstáculos que se levantam para que não as cumpramos: o amor ao prazer e o medo da cruz, para não dizer pavor a ela. Não queremos sofrer, não queremos provações, não queremos dor, não queremos desprezo, muito pelo contrário, queremos boa vida, queremos reconhecimento, queremos que todos nos achem bons. Doce ilusão! temos que aprender e desejar sermos nada diante dos homens e do mundo, para sermos tudo para Deus. Não, não é facil, mas é preciso buscar este fim, pois a recompensa é explendidamente maravilhosa, que é a vida eterna no Céu!!

"Há alguns que querem ser humildes, mas sem serem desprezados; querem contentar-se com o que tem mais sem padecer necessidade; ser castos, mas sem mortificar o corpo; ser pacientes, mas sem que ninguém os ultraje. Quando procuram adquirir virtudes, e ao mesmo tempo fogem dos sacrifícios que as virtudes trazem consigo, assemelham-se aos que, fugindo do campo de batalha, quereriam ganhar a guerra vivendo comodamente na cidade” (São Gregório Magno - Moralia,7 ,28,34)
Temos que começar pelo pouco para podermos ser fiéis no muito, tudo por amor a Deus. Nas pequenas contrariedades, nas afrontas, nas injúrias, nas dores, em tudo nos mortificarmos, para tornarmos dóceis a Ele. Quando percebermos, estaremos já amando a cruz e até a desejando, como fizeram aqueles “loucos” dos santos que o mundo nunca entendeu, mas que hoje estão diante de Deus na alegria eterna. Se alegravam por saberem que Deus os permitiu sofrer afrontas... isto é coisa de Deus, que o mundo não conhece, mas que nós podemos ansiar e buscar.

Santa Tereza disse que ninguém pode enganar uma alma perfeita, porque ela sabe por experiência o valor das coisas terrenas. – os santos não foram enganados. Dizia ela às suas filhas espirituais: “coisa imperfeita me parece este queixar-mo-nos constantemente de males ligeiros; se podeis sofre-los, não o façais. O mal, quando é grave, queixa-se por si mesmo […]. Fraquesas e males de mulheres, esquecei-vos de os lamentar. Quem não perde o costume de queixar-se e de contar tudo, a não ser a Deus, nunca acabará […] Sabei sofrer um pouco por amor à Deus, sem que todos o saibam […]Não me refiro a males sérios […], mas aos pequenos males que se podem suportar de pé. Lembremo-nos dos nossos Santos Padres passados…Pensais que eram de ferro? Se não nos decidirmos a tragar de uma vez a morte e a falta da saúde, nunca faremos nada” (Santa Tereza Dávila – cit. em J. Urtega, Deus e os filhos, Quadrante, São Paulo, pag.52)

O que devemos mortificar? Haveremos para vencer, de mortificar tanto os sentidos externos como os internos, já que todo o homem deve ser mortificado, para se tornar um homem equilibrado, na busca daquilo que realmente importa para a salvação e perfeição. Portanto, mortificar o corpo é muito salutar, já que decaído é um inimigo muito perigoso, pois está conosco em todo lugar e nos influencia negativamente porque não liga em buscar os prazeres ilícitos e quando muito desordenado, rejeita de toda forma o que a inteligência e a vontade propõe, que é a rejeicão ao que ele ama e que é nocivo.

Nosso corpo é templo do Espírito Santo, e para O acolhe-lo bem deve estar em harmonia com o santo que nele habita. Devemos portanto vigiar sobre nossas posturas, roupas, - limpas e adequadas à idade e aos estados de vida, - para que não sejam causa de pecado nem para nós e muito menos para os outros. Alguns se impoe algumas mortificações que aos olhos de muitos chegam a ser exageros, mas para os que querem crescer de fato na santidade, no quebrantamento do seu eu, com a ajuda de um bom diretor espiritual, maceram o seu corpo usando cilícios, cadeias que apertam os rins, e escapulários de crina para a cintura.

Os olhos são a janela da alma, se eles são limpos todo teu corpo será limpo, nos disse Jesus. Mortificar a curiosidade dos olhos, os olhares maliciosos, rejeitando ver tudo o que pode destruir toda a luta iniciada é grande sabedoria, pois por eles, muitas portas de abrem. É preciso aprender a baixar a guarda, para não cair em tentação.

Os ouvidos e a boca também devem ser mortificados. Que luta travamos com este membro que como nos diz São Tiago, 3,5-6: "pode gloriar-se de grandes coisas. Considerai como uma pequena chama pode incendiar uma grande floresta! Também a língua é um fogo, um mundo de iniqüidade. A língua está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida.” Sim, ela é um mal irrequieto que ninguém pode domar, a não ser com muita luta e ajuda de Deus. Esta deve ser nossa meta: não ouvir e não falar nada que seja contra a caridade, à pureza, pois como disse São Paulo: as conversas más corrompem bons costumes.

Por isso, andai com o povo santo, com aqueles que querem contigo trilhar o mesmo caminho até Deus, isso falicitará os passos. Mas também temos que aprender a viver neste mundo com toda a sorte de tentações e chamados ao erro. Santos no meio do mundo, em todos os lugares, para que sejamos luz e sal nesta terra. Podemos falar também da gula, do tato, do olfato que são fontes também de pecados se não forem devidamente educados e mortificados.

Sobre os sentidos internos, devemos ter grande ocupação em mortificar nossa imaginação e memória, que são grandes fontes de desvaneios e que pode nos levar a pecar. Já nos alertou São João da Cruz: “Eu queria que aqueles que desejam ter vida interior entendessem de uma vez por todas quanto dano da memória, quando fazem muito uso dela; quantas tristezas e aflições vãs os fazem ter […] e quantas impurezas lhes deixam arraigadas no espírito. Além disso costumam distrair do verdadeiro recolhimento, que consiste em por toda a alma, segundo as suas potências, no único Bem incompreensível, e tirá-la de todas as coisas apreensíveis” (Subida do Monte Carmelo, 3,4,2.).

Rejeitar o que não seja santo e lícito imediatamente é a chave para não caírmos em suas garras. Um grande bem deve ser utilizado logo que percebemos que estamos entrando em suas garras: se utilizar de bons livros, trabalho, e ocupações normais, orações, canções e o que podemos fazer que tem um valor imenso para inverter a situação, é meditarmos a paixão de Cristo ou alguma cena do Evangelhos.

A Escolástica diz-nos que paixões são movimentos mais ou menos violentos do apetite sensitivo, o qual nos apresenta o bem enquanto apreendido pelos sentidos. São duas as expressões deste apetite: a concupiscência e a irascibilidade. A concupiscência, perante o bem simplesmente apreendido pode gerar: positivamente, as paixões do amor, do desejo e do gozo; e negativamente, as do ódio, aversão, fuga, tristeza e dor. A irascibilidade, perante o bem árduo ou o mal árduo, pode gerar: a paixão da esperança ou a do desespero; a da audácia ou a do temor; e a da paciência ou a da ira. As paixões exercem forte influência na vida física, intelectual e moral das pessoas, daí a necessidade de, pela educação, favorecer as boas e neutralizar as más. É trabalho árduo dos pais e educadores, incluindo as pessoas a quem se pede orientação espiritual. (Conforme Dom Manuel Franco Falcão – Enciclopédia popular).

O combate a elas é taambém uma luta dura, mas totalmente possível porque contamos com as ajudas de Deus, que são fortíssimas. Mas é preciso querer, educar e mortificar a vontade que é no homem a faculdade mestra, a rainha de todas as demais faculdades, a que as governa, é ela que, por ser livre, dá não somente aos seus atos próprios (ou ilícitos), mas ainda aos atos das outras faculdades que ela manda ( atos imperados). Regula-la é regular o homem todo. Se bem controlada, impera sobre todas as outras faculdades inferiores e as faz dóceis para obedecer a Deus. ( TANQUEREY, Adolph: A Vida Espiritual Explicada e Comentada. Anápolis: Aliança Missionária Eucarística Mariana, 2007. pg. 432).

Quem pode atrapalhar em nossa luta para educa-la? A irrefelexão antes de cada ação, quando agimos por impulso e quando não perguntamos o que Deus quer de nós naquela situação. A negligência, a preguiça, a indecisão, a paralizam ou a enfraquece. O medo de não conseguirmos nosso intento, quando nos esquecemos que Deus nos ajuda e colabora conosco na luta, faz que nossa vontade também se enfraqueca e muitas vezes sucumbimos.

Queridos, em útima análise, sempre, sempre, é com a graça de Deus que devemos contar, conscientes que sozinhos somos fracos e podemos nos perder diante de tantos ataques, portanto, devemos buscar sempre a humildade e a confiança neste Deus que nos ama. A renovação diária de nossos propósitos, as nossas orações, nossos clamores para que a graça de Deus nos ajude são muito importantes. Então nossa vontade será forte, será livre para agir no caminho reto, e não nos entregaremos as paixões, que nos acorrentam. Haveremos de vencer, nossa razão e nossa vontade haverão de triunfar sobre os instintos e sobre toda sensualidade que nos afasta de Deus. Assim se realizará o objetivo que havíamos assinado à mortificação: submeter os nossos sentidos e faculdades inferiores à vontade, e esta a Deus, nosso Pai santo e amado.

Esta foi uma das orações de São Thomas More no cárcere, bem poderia ser a nossa:

”Dai-me, meu bom Senhor, uma fé plena, uma esperança firme, e uma ardente caridade; um amor por Vós, meu Senhor, incomparavelmente maior do que o amor por mim mesmo, e que não me prenda a nada que Vos desagrade, mas que todos os meus amores se ordenem para Vós. Dai-me, meu Senhor, um desejo de estar convosco, não para evitar as calamidades deste pobre mundo, nem para evitar as penas do purgatório, nem sequer as do inferno, ou para alcançar as alegrias do céu, ou em consideração ao meu próprio proveito, mas simplesmente, por autêntico amor a Vós”.(Thomas More, Um hombre solo. Cartas desde la torre, - Rialp, Madrid, 1989, pag. 125)

Amém e que o Senhor nos ajude!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Doce Hóspede da Alma – Santifica-nos!




Caríssimos, como são maravilhosos, como são preciosos os dons de Deus! Vida imortal, esplêndida justiça, verdade liberta, fé intrépida, temperança santa: tudo isto nossa inteligência concebe. O que será então que se prepara para aqueles que O aguardam? O Santíssimo Artífice e Pai dos séculos é o único a conhecer a sua santidade e beleza. Portanto, a fim de participarmos dos dons prometidos, empreguemos todo empenho em sermos contados no número dos que esperam”
(São Clemente I – Papa e Mártir da Igreja – séc. I - AQUINO, Felipe – Alimento Sólido – Editora Canção Nova - Cachoeira Paulista - S. P – p. 23).

“Sede perfeitos como o Vosso Pai é perfeito” (Mt 5,48)

Conta-se que um cônego de Limoges, o Abade Guimabaud, falecido em 1944, tomara parte numa peregrinção a Roma quando ainda jovem sacerdote, tendo sido apresentado ao Papa Leão XIII pelo Vigário Geral, da forma seguinte: “Santitíssimo Padre, aqui está um sacerdote que leu todas as suas Encíclicas” – Qual prefere? Perguntou o Papa ao Abade – “A que trata do Espírito Santo”- Ah! continou Leão XIII, o Espírito Santo….o divino desconhecido!...”(PLUS, Raul – Em União com o Espírito Santo – Quadrante – Introdução)

Graças a Deus pode-se dizer que hoje o Espírito Santo não é mais o divino desconhecido, mas infelizmente podemos dizer, que muitos de nós desconhecemos toda riqueza de suas ações nas almas, que consiste em educa-las para a santidade. Saibamos bem que Deus nosso Pai, reservou para Si a santificação das almas que Ele tanto ama, já que as criou para Ele. E o faz de uma forma ordenada, silenciosa e eficaz, para levar a termo Seu desejo de elevar o homem à condição a que foi criado primeiramente, com toda riqueza de dons e dotes sobrenaturais. Deus quer que sejamos perfeitos, assim como Ele é perfeito, nada mais que isso.

Deus é quem faz os santos. A santificação é obra do amor e este amor é o próprio Deus que nos convida e age em nós para nos convertermos e nos santificarmos, portanto a alma resoluta que busca na docilidade deixar-se conduzir pelo Espírito, terá como recompensa o encontro com Deus.

Deus quis que o homem fizesse parte de Sua família, tornando-o um filho com direito à Sua herança. E para que isso não fosse apenas uma formalidade, deu-nos a participação de Sua vida divina, com uma qualidade criada e real, que nos faz participar já aqui na terra das luzes da fé, para um dia possui-Lo no céu pela visão beatífica de Si mesmo, amando-O como Ele é.
Para tanto, no dia do nosso Batismo, firmou-se entre Deus e nós um verdadeiro contrato. Neste Sacramento da Igreja, pelas suas águas regeneradoras e pelo Seu poder, efetivamente a Santíssima Trindade se derramou sobre nós : O amor do Pai e do Filho foi derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado. (Rm 5,5). Esse Amor é um amor substancial, imutável e eterno.

No Batismo recebemos os frutos da redenção operada por Cristo na Cruz. Ali somos purificados da mácula original, da falta da graça e dos bens perdidos por Adão, nosso pai terrestre, além de recebermos nossa adoação filial.

E tudo isso acontece pela ação da pessoa do Espírito Santo. Aquele que o Santo Padre chamou de divino desconhecido, e tanto quanto Jesus, tem seu calvário na medida em que não é conhecido, amado e sobretudo querido pelos homens, que Deus escolheu para serem seus filhos adotivos. Por Ele nos tornamos livres e por Ele decidimos por Deus. Ele nos vivifica, por isso é o autor da vida nova que o Senhor nos oferece. Jesus disse: Eis que faço novas todas as coisas. Queridos, pelo Espírito fazemos parte desta maravilha de Deus.

Sua obra magnífica consiste em nos fazer amar a Deus, nos liberta do amor do mundo e nos leva a nos conformarmos com Sua santa vontade.

É a Ele que devemos buscar para podermos cumprir nosso fim, vivendo na luta contra o pecado, perseverando até o dia final. Logicamente é a Santíssima Trindade que buscamos para sermos santos, mas esta obra é dada ao Divino Espírito por atribuição, já que nas obras do amor, Ele se faz presente e atua eficazmente. Mas é Deus todo, que opera em nós o Seu querer e executar.

O Espírito Santo, portanto, é o educador de nossas almas, de incomparável sabedoria e amor. Mestre na arte de conduzi-las e plasma-las de acordo com Sua vontade, Ele faz o que quer e quando quer, pois é o educador gratuito e liberal, e age porque é bom, não dependendo do mérito de ninguém. Só pede que esta alma se deixe conduzir por Ele, em função de sua natureza e segundo suas disposições, para leva-la ao acabamento total na graça e à qualidade de adultos na fé.

Ele é o princípio da santidade e nos faz voltar para Deus e quer nos unir a Ele de forma habitual e permanente . Ele nos purifica e nos da firmeza, fazendo com que desejemos sempre mais a ascenção ininterrupta para Deus, para fazer de nós, imagens perfeitas de nosso Pai.

Saibamos bem que é apenas no Espírito Santo que devemos esperar a santidade, que não nos será negada se a buscarmos diligentemente a cada dia, lutando tenazmente contra o pecado que nos afasta de Deus, pois nos diz as Escrituras que a alma que põe a confiança no Senhor, nunca será confundida (Sl 30,2). Como disse, Deus é quem faz os santos, portanto é Ele quem conduz ao que Ele mesmo nos propõe. É preciso que cada um conheça quando, de que maneira Ele age, para com o coração disponível viver esta vida de forma a subir sempre à presença do Senhor.

Nossa vida é uma caminhada para o alto e Deus mais do que ninguém nos quer ajudar nesta subida. Nosso fim consiste em ve-Lo, viver nEle e para Ele, mas podemos experimentar já aqui, esta vida de filhos, com toda a fecundidade que ela nos oferece. Já digo de antemão, que não depende dos sentimentos, mas do se deixar conduzir pelo Espírito Santo que nos foi dado. Saber, pela razão, de que maneira Ele nos conduz, para aceitarmos agradecidos Seu amor e Sua transformação.

Ora, se o Espirito nos foi dado, nos pertence e se nos pertence pode fazer com que nos tornemos santos, porque Ele é santo! Nossa limitação nunca alcançará esta misericórdia inefável e infinita!! Quanta vantagem tivemos quando o Senhor disse que era preciso que Ele fosse. Ficaríamos sem Ele, é certo, mas receberíamos o grande presente que nos seria concedido. O Espírito Santo é nosso amigo, nosso Consolador e nossa força nas provações da vida presente e quer levar a cabo na vida de cada um de nós, esta transformação maravilhosa que a cada dia nos transforma tal qual Ele é, e para qual fomos criados.

Mas quantos tem desperdiçado por desconhecimento esta graça bendita? Quantos tem se cansado na caminhada buscando se santificar com suas próprias forças, que são nada diante da força de Deus, desprezando Aquele que realmente santifica? Quantos tem sentindo sua vida vazia, crendo que tem desagradado a Deus, crendo que tem perdido tempo em orações infrutuosas, se sentindo como que inúteis diante de todo bem que sabem que Deus os convida a viver?

Assim já dizia Pierre Charles : Senhor, por que, para subir até Vós, não temos a mesma coragem com que galgamos montanhas? Por que havemos de temer a escalada do Vosso Sinai, para ir falar-Vos e contemplar- Vos face a face? Quando penso na imensidade do esforço sinto-me esmagado. Como farei para atingir o inacessível? Ah… Depois que descestes até à humanidade, há um caminho aberto para subir até Vós (Generosidades – Quadrante – São Paulo – 1991 - pag. 52)

Mas como de fato o Espírito Santo age em nós?

Segundo Tanquerey, “ao comunicar-nos uma participação da Sua vida, nos deu o Senhor todas as graças necessárias para a conservar e acrescentar. Ele por amor, ainda nos deu nessa Sua participação, a graça santificante onde somos modificados por Ele, de uma forma acidental, na nossa natureza e capacidade de ação, não nos torna Deus, mas deiformes, semelhantes a Ele, capaz de atingi-Lo pela visão beatífica, quando esta graça for transformada em glória e de O ver face a face, como Ele se vê a Si mesmo.

Participamos da natureza de Deus, Ele vem a nós com sua graça maravilhosa! Jesus não contente em reparar, pela Sua satisfação, a ofensa feita a Deus e de nos reconciliar com Ele, mereceu-nos todas as graças que havíamos perdido pelo pecado e outras ainda.

A Graça Santificante, que por si já diviniza e nos aperfeiçoa, vem com seu cortejo de virtudes infusas e dons do Espírito Santo, que colaboram mais ainda com este novo homem, o que se move e cresce com a ajuda de graças atuais,

Atuais e abundantes e que podemos crer até mais abundantes do que no estado se inocência, em virtude da palavra de São Paulo: ”ubi abundavit delictum, superabundavit gratia” - onde abundou o pecado, superabundou a graça - para que produza atos sobrenaturais, deiformes e meritórios de vida eterna, já que este, como dissemos, é o fim a que o homem foi criado e elevado como filho de Deus. (A Vida Espiritual - Explicada e Comentada - de Adolfh Tanquerey - Editora Permanência - Quinta Edição - Anápolis - 2007)).

Entendamos pois, que o homem em estado de graça, todos os seus atos, são realizados com ajuda de Deus. É Ele que opera em nós e por nós. Por isso, qualquer ação que fazemos, tem méritos de vida eterna. São Paulo, na carta aos Colossenses no cap. 3, vers 17 – nos diz que “tudo quanto fizermos, por palavras ou por obras, que façamos em Nome de Jesus Cristo dando por Ele, graças a Deus Pai.” Nossa caridade, nosso amor, nossos atos, nenhum deles são desperdiçados, pois o fazemos em Deus e para Deus. Ao abrirmos nossos olhos, saibamos que a menor de nossas ações devem ser oferecidas a Deus e devemos pedir que tudo naquele dia seja feito com Sua ajuda santíssima. Assim, nosso coração se torna um coração descansado, já que nos unimos a Deus que tudo realiza.

Santa Tereza disse uma vez, que se tivermos o desejo de fazer algo para Deus, Ele nos ajudará a faze-lo. O Senhor se compraz nisso. Nossa vida há de ser uma eterna oração se feita nesta união, por isso, temos paz em Deus.

É certo que, mesmo depois de nosso Batismo, estamos ainda de posse da concuspicência e das misérias da vida, mas temos agora a força necessária para combater e vencer as tentações, ficamos robustecidos nas virtudes e podendo, portanto, alcançar muitos merecimentos.

O Senhor põe diante de nossos olhos os exemplos de Jesus, com sua Cruz e estimula-nos a lutar. Já as graças atuais, que Ele nos mereceu, facilitam nossos esforços e vitórias. A medida que lutamos as concuspicências vão diminuindo, a nossa força de resistência vai aumentando e por fim chega a hora que muitas almas privilegiadas, são de tal modo confirmadas nas virtudes que, embora tenham liberdade para pecar, não cometem falta alguma de propósito deliberado.

Ah! Maravilhosa graça que nos enche de dons e virtudes, que nos permitirão levar a cabo atos sobrenaturais, para atingir a santidade que nos pede o Senhor. Deus nos faz a cada dia chegarmos mais perto de Sua beleza e pureza.

As virtudes infusas nos capacitam a agir de maneira sobrenatural, de julgar as coisas à luz da revelação divina e agir de acordo com que a fé nos mostra. Dispõe a nossa inteligencia e a nossa vontade para a união com Deus, mas não nos confere por si mesmas a facilidade de pensar e agir segundo as luzes da fé. Por isso é necessário que elas sejam reforçadas por hábitos moralmente bons, que se adquirem por atos correspondentes, realizados com intensidade e de maneira repetida. A ajuda das graças atuais que o Senhor não nega às almas que as pedem com o coração desejoso de ama-Lo e de servi-Lo, entra em ação, nos capacitando a chegarmos ao termo final.

E para receber estas graças atuais, são imprescindíveis os dons do Espírito Santo, que são disposições ou hábitos sobrenaturais que faz com que a alma elevada já à vida sobrenatuaral pela graça santificante, se torne capaz de receber estas inspirações divinas. Os dons portanto, intervem necessariamente em todo ato sobrenatural.

O Espírito que agora habita em nós, nos ajuda primeiramente a rejeitarmos de todas as formas o pecado, depois ilumina nossa mente para querermos e buscarmos as coisas do alto (A sua unção ensinar-vos-á tudo - 1 Jo 2,27). Nos ajuda a obedecermos os mandamentos e põe em nós o desejo da vida eterna, fazendo-nos assemelhar a Cristo. Aos Efésios Ele disse pela boca de São Paulo: “Fostes assinalados com o Espírito da promessa, que é o penhor da nossa herança (1,14). Ele é, com efeito, a garantia da vida eterna.

A alma cheia de Deus, conduzida pelo divino Espírito, eficazmente, pensa, julga e age em todas as circustâncias como fariam Cristo nosso Senhor ou sua santíssima mãe e aquela que assim se conduz, já se conduz santamente. Ela age como por instinto e com toda naturalidade, preocupada unicamente em amar a Deus, que é a caridade perfeita.

Diz o Catecismo n. 2005: Sendo, como é, de ordem sobrenatural, a graça escapa nossa experiência e só pode ser conhecida pela fé. Não podemos, pois, basear-nos nos nossos sentimentos nem nas nossas obras, para daí concluirmos que estamos justificados e salvos . No entanto, segundo a palavra do Senhor, que diz: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7, 20), a consideração dos benefícios de Deus na nossa vida e na vida dos santos oferece-nos uma garantia de que a graça de Deus opera em nós e nos incita a uma fé cada vez maior e a uma atitude de pobreza confiante.

Encontramos uma das mais belas ilustrações desta atitude na resposta de Santa Joana d'Arc a uma pergunta capciosa dos seus juízes eclesiásticos: “Interrogada sobre se sabe se está na graça de Deus, responde; "Se não estou, Deus nela me ponha: se estou, Deus nela me guarde" (Santa Joana D'Arc: Dito: Procès de condannation, ed. P. Tisset (Paris, 1969) p. 62.)

Tanquerey nos diz que não é qualquer impulso interior vago e difuso para agir de determinada forma que provém do Espírito Santo. É preciso antes que este seja nitidamente para realizar um ato bom, que a nossa consciência bem formada e informada aprove como estando perfeitamente de acordo com a lei de Deus naquelas circunstancias concretas. Para discernir se a moções provem dos dons, devemos aplicar o que nos ensinou o Senhor: “Pelos frutos os conhecereis”(Mt 7,20). São necessárias, via de regra, anos de oração regular e de exames de consciência para atingir um certo grau de conhecimento próprio e o que seria muito salutar é se encontrássemos um bom diretor espiritual.( A Vida Espiritual - Explicada e Comentada - de Adolfh Tanquerey - Editora Permanência - Quinta Edição - Anápolis - 2007)

É evidente que, se Deus operou tantas maravilhas, para nos comunicar uma participação da sua vida, devemos, da nossa parte, corresponder às suas amorosas antecipações, aceitar com reconhecimento essa vida, cultivá-la e preparar-nos assim para essa bem-aventurança eterna que coroa nossos esforços na terra.

É indubitável que Deus, que nos criou livres, respeita a nossa liberdade, e não nos santificará contra a nossa vontade; mas não cessa de nos exortar a que nos aproveitemos das graças que nos outorga tão liberalmente ”diuvantes autem exhortamur ne in vacuum gratiam Dei recipiatis: Exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão”

A vida que o Senhor nos dá é maravilhosa e conhece-la nos faz quere-la, deseja-la, não importando quanto esforço temos que empreender. Nossa alma sedenta suspira pela fonte das águas e se refresca nesta fonte. Podemos já viver aqui o céu de forma antecipada, se de fato, nos unirmos a Deus em oração, nos Sacramentos da Igreja, na participação da Santa Missa, nos nossos menores trabalhos e até na solidão.

Seremos como nos pediu o Senhor, luz e sal neste mundo e através de nossa conduta santa, o mundo poderá ver a presença de Deus e poderão reconhece-Lo para prestar-lhe tambem o louvor que Ele merece. Aliás, o mundo espera a manifestação dos filhos de Deus. O mundo espera nossas orações, nossos atos e nossas palavras, e será através de nós que poderão chegar à verdade que salva a todos – isto só é possível pela ação do Espírito Santo em nós.

Quando uma alma se enamora de Deus tem sempre o desejo de estar cheia de suas graças, as buscando diligentemente nos sacramentos da penitencia e eucaristia, e esta alma descansada rejubila-se e poderá cantar quando chegar a hora derradeira: “Que alegria quando me vieram dizer - Vamos subir à casa do Senhor”

Ali haverá festa e nós seremos os felizes convidados do Banquete do Cordeiro. Coragem, só temos uma vida pra viver de fé (Santa Terezinha) e ela valerá a pena quando o Vermos tal qual Ele É.( Sl 122)

Coloquemos nisso nossa esperança, e ela não engana!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Santo Agostinho - Atual e eficaz




Santo Agostinho é mesmo um santo de nossos tempos. Louvo a Deus que deu a ele a capacidade de entender as agruras humanas. Talvez por ter visto os dois lados e ter ansiado tanto pela graça, se colocou a serviço de Deus, e pode com tanta sabedoria traduzir em palavras aquilo que muitas vezes pensamos, mas nem chegamos a colocar no papel. E quando ao lermos um texto seu, muitas vezes nos deparamos com palavras que traduzem tudo que antes pensavamos.

Temos visto nestes últimos dias, a Igreja sendo atacada de todos os lados e sobretudo a pessoa do Papa. Tudo que ele fala, vira-se contra ele. Bento XVI é mestre em desafiar o mundo com sua voz bonita, pausada e cheia de conteúdo, já que expõe em todos os pronunciamentos a doutrina de Cristo que muitos estavam se esquecendo. Não foge da raia, nunca! Diz o que tem que dizer, doa a quem doer e tem se mostrado um homem com conhecimento impressionante das realidades dos paises e dos povos por onde passa. Toca nas feridas, para que os homens se vendo doentes, possam deixar que Deus, o médico dos médicos, os curem. Ele sabe por quem foi chamado e sabe perfeitamente o que fazer.

A Mídia, que tanto diz prezar pela verdade e imparcialidade, está dando um atestado de incompetência tamanha, ao divulgar, muitas vezes, descaradamente o contrário e deturpadamente tudo que o Santo Papa pronuncia. Os jovens, os ateus, os que protestam contra a Igreja de Cristo, todos se armam contra ela e contra seu chefe, sem ao menos ver o porque da Igreja falar o que fala. Todos sem excessão, tem brigado pela liberdade, pelo fazer o que se quer independente de leis, ordens, regras, já que contituem coersões insuportáveis, causa de traumas, depressoes, medos e sentimentos de culpa. E tem brigado muitas vezes com golpes baixos e mentirosos. O pai da mentira e do engano anda à solta e mais atuante do que nunca. Ele sabe que a verdade está vindo à tona e quer a todo custo cegar os homens. Pobres homens que caem a toda hora em suas teias.

Mas onde entra Santo Agostinho nesta reflexão? Pois não é que ele analisou a atitude humana, como se estivesse vivendo em nossos tempos? Vejam o que ele diz: “Na realidade, é desde a nascença que o homem anda doente, mas tem-se na conta de são. Ao receber a Lei - a Lei moral natural, cuja formulação mais simples e perfeita continuam a ser os dez Mandamentos - e ver-se incapaz de cumpri-la, passa a reconhecer essa doença moral e implora a intervenção do Médico; só deseja curar-se quando se dá conta da sua doença, e não chegaria nunca a conhecê-la se não percebesse que não consegue cumprir a Lei que lhe foi dada.

Tendem sempre a considerar--se inocentes, e o orgulho desta falsa inocência apenas agrava a culpa. Assim, foi para domar e desmascarar essa soberba que Deus nos deu a Lei. Reparemos bem nisto: a Lei foi-nos dada não tanto para nos curar da nossa doença moral, mas para pôr às claras a nossa soberba.

Portanto, não é quem nos corrige que faz com que o pecado exista; apenas põe em evidência o mal. Aquilo que os homens não querem ver é posto diante dos seus olhos, e o que gostariam tanto de esconder atrás das suas costas é pendurado nos seus pescoços, para que se olhem e se vejam. Enquanto se dedicarem ao mal, consideram-se bons, mas apenas porque não se deram ao trabalho de olhar para si mesmos. Repreendem os outros e não reparam em si mesmos. Acusam os outros e não se examinam. Colocam os outros diante dos seus olhos e a si próprios atrás das suas costas"
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Pudera Deus fazer estes homens ver a verdade para que se arrependam. E Ele, sabemos nós que O amamos, tem feito tudo para que todos se salvem ao descobrir esta verdade que tanto os incomoda. E que todos nós, rezemos e vigiemos, para não sermos nós também, frágeis pecadores, seduzidos pelo mal que assola o mundo.

Já o papa…que o Senhor interceda por ele, para que ele jamais desfaleça nesta caminhada ardua para qual foi chamado, que ele continue forte, na verdade, sendo luz e sal na Terra, para que através dele, Deus seja glorificado pelos homens que criou com tanto amor.

Bendito seja Deus por Bento XVI.

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terça-feira, 24 de março de 2009

O Divórcio




Como descreverei - pergunta um escritor dos primeiros séculos - a felicidade desse matrimônio que a Igreja une, que a entrega confirma, que a bênção sela, que os anjos proclamam, e que Deus Pai tem por celebrado?... Ambos os esposos são como irmãos, servos um do outro, sem que se dê entre eles separação alguma, nem na carne nem no espírito. Porque verdadeiramente são dois numa só carne, e onde há uma só carne deve haver um só espírito... Ao contemplar esses lares, Cristo se alegra e envia-lhes a sua paz; onde estão dois, ali está Ele também, e onde Ele está, não pode haver nada de mau .(São Josemariá Escrivá - É Cristo que passa - Ponto 29)



O fundamento em que assenta a grandeza e dignidade sobrenaturais do Matrimônio cristão é que este é “ projeção da união de Cristo com a Igreja, para a santificar, Ele que tem para com ela um pacto indissolúvel, a alimenta e cuida dela; a ela livre de toda mancha, a quis unida a Si e submissa pelo amor e pela fidelidade”. (Lumem gentium.N.6). Assim como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, assim os maridos, figura de Cristo devem amar as suas esposas e estas por sua vez devem se submenter de uma forma natural, como ao Senhor, pois “se o varão é a cabeça, a mulher é o coração e como aquele que tem primazia do governo, esta pode e deve reclamar para si, como coisa própria a primazia do amor.”(Casti connubii.n.10).

É designo de Deus que o homem e a mulher se complementem um ao outro, que se apoiem um no outro, que contribuam para o crescimento mútuo, assim o casal cumpre o fim estabelecido para ambos, que é a felicidade. Jesus ao tornar o matrimônio um sacramento, fazendo desta união uma sagrada união, o fez encerrando nele graças especiais que possibilitaria, dois seres tão diferentes nas virtudes e também nos defeitos se complementarem e viverem uma vida toda consagrados e santos, tentado em tudo fazer a vontade de Deus. ”A graça deste sacramento destina-se a aperfeiçoar o amor dos conjuges e a fortalecer a sua unidade indissolúvel ”(Lg 11). O maravilhoso deste sacramento é que além da graça santificante com que ele abunda a alma dos noivos, o Senhor dá também graças para todos os momentos de suas vidas e sempre que necessitarem, devem com fé e ardor recorrer a Cristo que estará sempre disposto a ouvir e dar sabedoria e docilidade, para que o amor e a paz, se manifeste ali, nesta famíla de Deus.

No casamento cristão, está ali o Senhor, que é a fonte das graças, dando-lhes forças e coragem de carregar a cruz O seguindo com alegria, mesmo com quedas, mas perdoando-se mutuamente, se amando num amor sobrenatural, delicado e profundo. Nesta alegria da vida familiar em Cristo, Ele dá aos esposos, já neste mundo, um antegozo do festim do Cordeiro”(Catecismo da Igreja Católica n. 1641 -2).

Com tanta ajuda, podemos entender porque o matrimônio é único e indissolúvel, porque e como somos capazes de nos mantermos fiéis até o fim, quando a partir do nosso sim, prometemos fidelidade em todas as circunstâncias da vida. Não separe o homem o que Deus uniu (Mt 19,6) . Mas o que temos visto muitas vezes no mundo é a precariedade do vínculo conjugal que leva a inúmeras separações e inclusive ao divórco dando a impressão que ele é a única saída para os conflitos que muitas vezes aparecem dentro da família . O Santo Padre o Papa João Paulo II ao falar as familias (Discurso à Rota Romana (28 de Janeiro de 2002) alertou sobre a “mentalidade divorcista”, que debilita e angustia os conjuges fazendo-os se render sem lutar, por puro desconhecimento do plano e das ajudas divina que os possibilitaria a ultrapassar mesmo as dificuldades mais sérias. Eis aqui a força do sacramento, que ao ser ignorado ou mesmo desconhecido, faz com que ao invés de se clamar a Deus pela graça, muitos que ainda se amam, se desesperam e deixam de lutar, levando o caos às famílias que muitas vezes se desintegram, passando por sofrimentos sem fim, tanto os cônjuges quanto os filhos.

O Papa ainda ressalta outros aspectos importantes que levam neste mundo secularizado, nesta mentalidade divorcista, a abundância de separacões: ”Nesta cultura, são citados de forma particular os limites econômicos, favorecidos pelo desmembramento das famílias, assim como uma falsa concepção da liberdade, o medo do compromisso, a prática da convivência, a "banalização do sexo", etc. Estilos de vida, modas, espectáculos e novelas televisivas que põem em discussão o valor do matrimônio e chegam mesmo a propagar a ideia de que o dom recíproco dos esposos até à morte é algo impossível, tornam frágil a instituição familiar e chegam a desqualificá-la em vantagem de outros "modelos" de pseudofamílias.”

Além disso, assistimos à invasão, por parte de um individualismo radical: vida econômica, concorrência cruel, competição em todos os campos. Sem dúvida, este individualismo não favorece o dom pessoal generoso, fiel e permanente. E não favorece nem sequer a solução das crises matrimoniais. Esta ideologia social de pseudoliberdade leva o indivíduo a agir sobretudo segundo os seus próprios prazeres, os seus interesses e a sua utilidade. O compromisso assumido em relação ao cônjuge adquire uma conotação de simples contrato que pode ser revisto de modo indefinido; a palavra dada só tem um valor limitado no tempo; não se responde pelos atos pessoais, senão diante de si mesmo. (Que seja imortal enquanto dure?)

Diante de tal situação a Igreja sente grande compaixão pelas pessoas que passam por todas estas dificuldades, mas ela sustenta, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo, que o divórcio não faz parte do plano de Deus e que não “reconhece como válida uma nova união se o primeiro casamento for válido. Se os divorciados se casam pela lei civil, ficam numa situação objetivamente contrária a lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística enquanto persistir tal situação. Pelo mesmo motivo, ficam impedidos de exercer certas responsabilidaes eclesiais. A reconciliação, por meio do sacramento da penitência, não pode ser dada senão àqueles que se arrependem de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometeram a viver a continência completa.”(Catecismo da Igreja Católica n. 1650), aqui não se trata de nenhuma discriminação, mas apenas de fidelidade absoluta à vontade de Cristo que restabeleceu e confiou a Igreja a indissolubilidade do matrimônio como dom do Criador.

Muitos sofrem deste mal, veem seu casamento desintegrado, mesmo tendo jurado diante do altar seu amor e sua fidelidade ao cônjuge, e que por motivos contrários à sua vontade foram abandonados, a Igreja os acolhe plenamente dando a eles o conhecimento da mensagem do matrimônio cristão, ajudando-os com a comunidade a suportarem castamente na fé o sofrimento da sua situação, sofrendo e amando as pessoas interessadas, para que posssam reconhecer no seu fardo o jugo suave e o fardo leve de Jesus. O seu fardo não é suave e leve enquanto pequeno ou insignificante, mas torna-se leve porque o Senhor – e juntamente com Ele toda a Igreja – o compartilha, sempre na verdade e no amor.

"Juntamente com o Sínodo, exorto vivamente os pastores e a inteira comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados, procurando, com caridade solícita, que eles não se considerem separados da Igreja, podendo, ou melhor devendo, enquanto batizados, participar de sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a freqüentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorarem, dia a dia, a graça de Deus. Reze por eles a Igreja, encoraje-os, mostre-se mãe misericordiosa e sustente-os na fé e na esperança." (Exortação Apostólica do Papa João Paulo II – A Missão da família cristã no mundo de hoje – Familiaris consortio)

O que fazer para os casais sejam fiéis até o fim, realizando em suas vidas a verdadeira vontade de Deus, mantendo-se unidos, numa família realmente feliz, tal a família de Nazaré? São João Crisóstomo nos ajuda com seus conselhos salutares destacando: ”a importância da infância, porque é quando se manifestam as inclinações ao vício e à virtude e, por isso, é nesta idade quando a lei de Deus tem que ser gravada do início na alma ‘como sobre uma tabela de cera’. A esta etapa “segue o mar da adolescência, onde os ventos sopram violentos, porque é quando cresce a concupiscência”. Em seus escritos, este Padre da Igreja aborda o período do noivado e o matrimônio e afirma que “os maridos bem preparados fecham o caminho ao divórcio. Tudo se desenvolve com alegria e se pode educar aos filhos na virtude. Depois, quando nasce a primeira criança se forma uma ponte; os três se convertem em uma só carne, porque o filho une as duas partes e os três constituem ‘uma família, uma pequena Igreja’”. (Catequese de Bento XVI sobre São João Crisóstomo)

“Não podemos deixar de dizer sobre a importância da oração, pois ela reforça a estabilidade e a firmeza espiritual da família, ajudando a fazer com que esta participe de fortaleza de Deus…É desta força do Espírito Santo que dimana a força interior das famílias, bem como o poder susceptível de as unificar no amor e na verdade’”O belo amor” aprende-se sobretudo rezando…Só em tal recolhimento é que opera o Espírito Santo, fonte do belo amor. Ele derrama este amor não só no coração de Maria e de José, mas também no coração dos esposos, dispostos a ouvirem a Palavra de Deus e a conservarem-na (Lc 8,15) O futuro de cada núcleo familiar depende deste “belo amor”( Carta às Famílias – 2 de fevereiro de 1994)

“O Rosário foi desde sempre também oração da família e pela família e muitos problemas contemporâneos sobretudo nas sociedades economicamente evoluídas, derivam do fato de ser cada vez mais difícil comunicar. Não conseguem estar juntos, e os raros momentos para isso acabam infelizmente absorvidos pelas imagens duma televisão. Retomar a recitação do Rosário em família significa inserir na vida diária imagens bem diferentes – as do mistério que salva: a imagem do Redentor, a imagem de sua Mãe Santíssima. A família, que reza unida o Rosário, reproduz em certa medida o clima da casa de Nazaré: põe-se Jesus no centro, partilham-se com Ele alegrias e sofrimentos, colocam-se nas suas mãos necessidades e projectos, e d'Ele se recebe a esperança e a força para o caminho” (Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae – João Paulo II)

E por fim, que nós casais cristãos, pela força do divino Espírito possamos dar “testemunho, nos múltiplos ambientes da sociedade, ao homem contemporâneo (em larga medida destruído na sua subjetividade, exausto numa vã busca de um amor “livre”, oposto ao verdadeiro amor conjugal, mediante uma imensidão de experiências fragmentadas) a real possibilidade de reencontro do ser humano consigo mesmo, de ajudá-lo a compreender a realidade de uma subjetividade plenamente realizada no matrimônio em Cristo Senhor. Somente nesta espécie de “choque” com a realidade, pode fazer emergir no coração, a saudade de uma pátria da qual toda pessoa guarda uma lembrança indelével. Aos homens e mulheres desenganados, que se perguntam cinicamente a si mesmos “pode vir algo de bom do coração humano?”, é preciso poder responder-lhes: “Vinde e vede o nosso matrimônio, a nossa família”. Este pode ser um ponto de partida decisivo, testemunho real com que a comunidade cristã, auxiliada pela graça de Deus manifesta a Sua misericórdia para com os homens. Pode-se constatar como sumamente positiva, em muitos ambientes, a considerável influência exercida pelos fiéis cristãos. Em razão de uma consciente opção de fé e vida, aparecem, em meio aos contemporâneos, como o fermento na massa, como a luz em meio às trevas. A atenção pastoral na sua preparação para o matrimônio e a família, e o acompanhamento na sua vida matrimonial e familiar é de fundamental importância para a vida da Igreja e do mundo”(Conselho Pontífício para a família – Família, Matrimônio e “Uniões de fato”)

Consagração da Família a Nossa Senhora das Mercês

Virgem Maria, Mãe das Mercês, com humildade acorremos a Vós, os membros desta família, certos de que não nos abandonais por causa de nossas limitações e faltas. Animados pelo vosso amor de Mãe, oferecemo-vos nosso corpo para que o purifiqueis, nossa alma para que a santifiqueis, o que somos e o que temos, consagrando tudo a Vós. Amparai, protegei, bendizei e guardai sob vossa maternal bondade a todos e a cada um dos membros desta família que se vos consagra totalmente a Vós. Ó Maria, Mãe e Senhora nossa das Mercês, apresentai-nos ao vosso Filho Jesus, para que, por vosso intermédio alcancemos, na terra, a sua Graça e depois a vida eterna. Amen.

"Não existe uma situação tão difícil que não possa ser enfrentada de modo adequado, quando se cultiva um clima de vida cristã coerente. O próprio amor, ferido pelo pecado, também é um amor redimido" (João Paulo II)

terça-feira, 17 de março de 2009

- Creio na Ressurreição da Carne -



“Eu, por minha parte, confessa Santo Inácio de Antioquia – sei muito bem e nisto ponho a minha fé que, depois da Sua Ressurreição, o Senhor permaneceu na Sua carne. E assim, quando Se apresentou a Pedro e aos companheiros, disse-lhes: Tocai-Me, palpai-Me e compreendei que não sou um espírito incorpório. E prontamente tocaram-No e acreditaram, ficando persuadidos da Sua carne e do Seu espírito (…). Mais ainda, depois da Sua Ressurreição comeu e bebeu com eles, como homem de carne que era, embora espiritualmente estivesse feito uma coisa com Seu Pai
. (Santo Inácio de Antioquia – Carta aos Esmirna, III, 1-3 – Padres apostólicos – Paulus –)


Nossa fé em Cristo e em tudo que Ele nos ensinou nos leva a crer que Ele para nos remir, se Encarnou no seio da Virgem Maria, padeceu sob Poncio Pilatos, foi morto e sepultado, mas que no terceiro dia ressuscitou.

Vemos pelos Evangelhos que Cristo ressuscitou à muitas pessoas, mas Sua Ressurreição difere das outras segundo São Tomás de Aquino, porque Cristo por ser Deus e homem, ressuscitou pelo Seu próprio poder. Sua divindade em nenhum momento se separou nem de Sua alma, nem de seu corpo. Cristo ressuscitou para uma vida gloriosa e incorruptível e foi em virtude de Sua Ressurreição que todos ressuscitaram: "Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram... assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida" (1Cor 15,20-22).( Exposição sobre o Credo – São Tomás de Aquino - )

Sua ressurreição é para nós motivo de júblilo, de esperança e estímulo para vivermos na santidade, esperando o dia de estarmos com Ele, também vivos na glória. ”Não tardes na conversão para o Senhor, e não a delongues dia por dia ”(Ecle 5,8).

A ressurreição de Cristo nos convida a sermos santos, chamados a todo instante a viver uma vida nova e para nos santificar, foi nos dado, pelo nosso Batismo, o Espírito Santo que veio então, habitar em nós. Ele é autor de toda santificação. Além desta graça da santificação que realiza nos filhos de Deus, Ele pelo seu poder ressuscitará os corpos. “ Cremos n’Aquele que dos mortos ressuscitou Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação” (Rom 4, 24-25). “Porque a morte veio por um homem, por um homem também virá a ressurreição dos mortos “(1 Cor 15,21).

Nele, os cristãos "experimentaram... as forças do mundo que há de vir" (Hb 6,5) e suas vidas são atraídas por Cristo ao seio da vida divina "a fim de que não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles" (2Cor 5,15)

“Que nos ensina a cruz de Cristo que é, em certo sentido, a última palavra da sua mensagem e da sua missão messiânica? Em certo sentido — note-se bem — porque não é ela ainda a última palavra da Aliança de Deus. A última palavra seria pronunciada na madrugada, quando, primeiro as mulheres e depois os Apóstolos, ao chegarem ao sepulcro de Cristo crucificado o vão encontrar vazio, e ouvem pela primeira vez este anúncio: “Ressuscitou”. Depois, repetirão aos outros tal anúncio e serão testemunhas de Cristo Ressuscitado. Este é o Filho de Deus que na sua ressurreição experimentou em si de modo radical a misericórdia, isto é, o amor do Pai que é mais forte do que a morte. “(Sua Santidade Papa João Paulo II – Dives in Misericórdia - sobre a Misericórdia Divina)

Cristo, "primogênito dentre os mortos" (Cl 1,18), é o princípio de nossa própria ressurreição, desde já pela justificação de nossa alma, mais tarde pela vivificação de nosso corpo”.( Catecismo da Igreja Católica)

A união entre Cristo e os cristãos, como membros de um mesmo corpo, onde Cristo é cabeça, constituem um único organismo. Por isso quando se afirma a Ressurreição de Jesus, é necessário afirmar a ressurreição dos justos, daqueles que morreram na graça de Deus. Jesus por ser o novo Adão mereceu a ressurreição de todos.”A Ressurreição de Cristo produziu a ressurreição dos nossos corpos, quer porque foi a causa eficiente deste misterio, quer porque todos devemos ressuscitar, a exemplo do Senhor. Deus se valeu da humanidade de Seu Filho como de instrumento eficiente. Por conseguinte, a Sua Ressurreição foi um instrumento para conseguir a nossa”.(Catecismo Romano, I,6,13)

A ressurreição passou, então, a ser o centro da nova fé e tornou-se o arremate de todo edifício doutrinal da Igreja Santa e Católica e mais tarde São Paulo vem afirmar: "Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã é a nossa fé”. (I Cor 15,14)

Para entendermos como se dá a ressurreição de nossa carne após nossa morte, no dia final, temos que compreender como Deus, nosso Pai, nos constituiu, e o fez de uma forma maravilhosa, já que somos obra de Suas mãos santíssimas e feitos à Sua imagem e semelhança.

O homem é uma ponte entre o mundo do espírito e o da matéria, formado de corpo e alma. A alma do homem é espírito, de natureza similar ao anjo; o seu corpo é matéria, similar em natureza aos animais. Porém, o homem náo é nem anjo nem animal. É um ser à parte por direito próprio, um ser com um pé no tempo e outro na eternidade. Os filósofos definem o homem como "animal racional", o que indica que sua alma é espiritual; e animal, o seu corpo físico.

O corpo e a alma não se unem de modo circunstancial. Foram feitos um para o outro, fundem-se, compenetram-se tão intimamente que, ao menos nesta vida, uma parte não pode existir sem a outra. A maravilha de nosso corpo mostra o poder e sabedoria de Deus. Mas ele é nada comparado com a magnitude da alma que é como dizemos, um espírito: é um ser inteligente e consciente, invisível e imaterial, não se divide, pois é uma substancia simples, portanto é imortal.

Quando nosso corpo estiver tão prostrado pela doença ou pelas lesões que não possa continuar a sua função, há a separação da alma e do corpo, o corpo cai na corrupção e a alma o abandonará – é a morte.

Mas a alma não morre, pois não pode ser destruída ou danificada. Ela depois do julgamento particular a que passará todo homem após sua morte, recebe o prêmio – por ter buscado a graça e uma vida santa de boas obras – ou a condenação – por não ter aceitado a Cristo e Sua morte, rejeitando até o fim a graça que Deus com tanta liberalidade dispôs para que esta vivesse eternamente em Sua presença.

A Igreja se preocupou em nomear o 11 artigo do Credo como:” Creio na Ressurreição da Carne”, para rebater a heresia de Himeneu e Fileto, o qual afirmavam eles que, quando a Escritura falando da ressurreição, não era para entender a ressurreicão corporal, mas da espiritual que faz ressurgir, da morte do pecado, para a vida da graça e inocência. O artigo do Credo portanto, exclui este erro e confirma a realidade da ressurreição corporal (Catecismo Romano 11 artigo – II – c – pag. 179)

O Apóstolo Paulo nos diz que o corpo semeado na corrupção, há de ressurgir incorruptível, (Icor 15,42). Os escritores eclesiásticos afirmam a reesurreição do corpo para se unir à alma, pois seria contrário à natureza, que as almas ficassem eternamente separadas, já que sendo imortais pemdem naturalmente a se conservarem unidas ao corpo.

São João Crisóstomo, em sua homilia ao povo de Antioquia, nos diz que a justiça divina também é um fator importante para se entender este assunto. Deus, justo juiz, estabeleceu penas para os maus e prêmios para os justos. Tendo o corpo servido ao homem como instrumento de prevaricação ou de santidade, devem participar dos premios ou dos castigos das almas, na proporção dos crimes ou das virtudes, que houverem praticado. (Io Chrysost Hom. 13 )

Quem irá ressucitar? Nos diz São Paulo que “assim como todos morreram em Adão, todos serão vivificados em Cristo”( I Cor 15,22). Todos, bons e maus hão de ressurgir dos mortos, mas nem todos terão a mesma sorte, “os que praticaram o bem, ressurgirão para a vida, os que praticaram o mal, ressurgirão para a condenação”(Jo 5,29).

Os que morreram em Cristo, nos diz São Paulo, ressuscitarão primeiro, e os que ficam serão arrebatados, por sobre as nuvens, para ir de encontro a Cristo nos ares”(I Tes 4,16).

Santo Ambrósio nos diz: “Nesse arrebatamento sobrevirá a morte. À semelhança de um sono, a alma se desprenderá para voltar ao corpo no mesmo instante. Ao serem arrebatadas morrerão. Chegando, porém, diante do Senhor, novamente receberão sua almas, em virtude da própria presença do Senhor, porquanto não pode haver mortos na companhia do Senhor”( Aug. de Civ. Deis XX 20)

Os corpos dos ressuscitados terão propriedades, à semelhança do corpo ressuscitado de Cristo, portanto ser-lhe-á restituído tudo o que pertença a integridade da natureza, as prendas, as excelências do homem como tal .

Santo Agostinho descreve-nos essa transformação de uma maneira interessante: "Nos corpos, diz ele, não restará então nenhuma deformidade. Era alguém muito nutrido e cheio de corpo, não retomará o mesmo volume. O que excede as proporções, é considerado supérfluo. Ao contrário, tudo o que velhice ou doença destruírem no corpo, será refeito pela divina virtude de Cristo. Tal acontece, por exemplo, com quem for de excessiva magreza, porque Cristo não Se limita a ressuscitar o corpo, mas repõe ao mesmo tempo o que [nele] definhou com as privações desta vida". ( Aug de civ. Deis XXII 19 ss)

Tudo em nós será restaurado à semelhança de Cristo, já que a ressurreição faz parte das grandes obras de Deus, em pé de igualdade com a própria Criação . Deus fez tudo perfeito no começo e tudo será perfeito no final. Santo Agostinho afirma que “não só aos mártires acontecerá estas maravilhas, mas a todos. Os mutilados, os degolados, todos terào restituídos seus corpos, mas terão as marcas tal qual ficou em Cristo a marca dos pregos.

São Tomás na Exposição ao Credo diz que porque os corpos serão incorruptíveis e imortais, não terão necessidade de alimento, nem usarão do sexo. Lê-se: na ressurreição nem os homens terão mulheres, nem as mulheres terão maridos,· mas serão como Anjos de Deus no Céu (Mt 22,30).

Quanto à idade, ele diz que todos ressurgirão na idade perfeita, nos trinta e dois anos. A razão disto é que, os que ainda não atingiram esta idade, não chegaram à idade perfeita, e, os velhos, já a ultrapassaram. Eis porque aos jovens e às crianças será acrescido o que falta, e, aos velhos, restituído. Lê-se: Até que cheguemos todos ... ao homem perfeito, na medida da plenitude da idade de Cristo (Ef 4,13).

Quanto aos maus, este também resuperarão seus membros, ainda que lhes caiba a culpa da amputação. Só que quanto maior for a restituição, maior serão os tormentos, pois ela não lhe acarreta felicidade, mas dores sem fim.

Todos, bons ou maus, serão imortais após a ressurreicão, pois por Cristo, pela Sua Cruz a morte foi vencida, foi o ultimo inimigo a bater. Mas os corpos dos justos terào como que adornos lhes conferindo uma nobreza a que nunca sonharam neste mundo: impassibilidade, sutileza (ou penetrabilidade), agilidade e claridade. Pois bem, se os corpos dos justos serão transformados e glorificados segundo o modelo do Corpo de Cristo

Entre os dons dos corpos ressuscitados dos santos estão:

Impassibilidade: Dom especial cuja virtude é impedir que os corpos sintam qualquer dor, sofrimento ou incômodo. “Semeia-se o corpo na corrupção, diz oApóstolo, e ressurgirá na incorruptibilidade” (I Cor. XV, 42). A impassibilidade não é comum aos condenados, cujos corpos podem, apesar de imperecíveis, podem padecer de todas as formas de sofrimento.

Claridade: Dom especial pelo qual os corpos dos Santos refulgirão como o sol. Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem-aventurança. Diz Nosso Senhor: “Os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai” (Mat. XIII, 43). Esse é o dom que às vezes o Apóstolo chama de “glória”.

Mas não devemos crer que todos sejam dotados da mesma claridade, como o serão da mesma incorruptibilidade. O fulgor do corpo ressuscitado será proporcional à santidade da alma. Diz São Paulo: “Uma é a claridade do sol, outra a das estrelas. Com efeito, uma estrela difere da outra em claridade. Assim acontecerá na ressurreição dos mortos” (I Cor XV, 41-42). Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem aventurança da alma. Vem a ser a participação da felicidade, de que goza a própria alma, pois nela recai uma parcela da felicidade divina

Sutileza: O corpo ficará inteiramente sujeito ao império da alma, prestando-lhe serviço, e executando suas ordens com prontidão. “Semeia-se um corpo animal, ressuscitará um corpo espiritual” (I Cor. XV, 44).

É bem notar que a sutilidade, de modo nenhum, implica que o corpo ressuscitado deixe de ser matéria para se converter em espírito; é matéria autêntica, contudo matéria mais intensamente penetrada pelo espírito; o que quer dizer: enriquecida de qualidades mais nobres dos que as que possui atualmente.

A expressão paulina “corpo espiritual” não significa senão corpo de matéria em que o Espírito Santo expande plenamente a vida e glória de Deus.

Explica Santo Agostinho: “Assim como o espírito, servindo à carne, é, com razão, dito carnal, assim a carne, servindo ao espírito, é adequadamente chamada espiritual, não porque se torne espírito, como julgam a alguns baseados em I Cor. XV...; mas porque se sujeitará ao espírito numa suma e admirável prontidão para obedecer... removido todo sentimento de dor, toda corruptibilidade e lentidão. Não somente o corpo não será tal como é agora no melhor estado de saúde, mas nem mesmo tal como foi nos primeiros homens antes do pecado.” (De civ. Dei 13, 20).

Agilidade: Devido ao dom da sutileza, poderão se mover para onde a alma queira. No Cristo ressuscitado tem-se claro exemplar de tal prerrogativa: com admirável facilidade o Senhor se transpunha de uma região a outra da Palestina.

Em conclusão, verifica-se que os quatro dotes distintivos dos corpos gloriosos derivam da perfeita harmonia que reinará entre carne e espírito no estado de consumação. A alma do justo, tendo entrado definitivamente no seu lugar de criatura sujeita ao Criador, aderindo a Deus com toda inteligência e afeto, será grandemente dignificada: adquirirá sobre os seres inferiores, a começar pelo próprio corpo, o domínio que em vão ela procuraria obter rompendo os seus vínculos de sujeição ao Senhor; doutra parte, por esse domínio que sobre o corpo exercerá a alma, o próprio corpo está nobilitado.

O primeiro homem, cobiçando dignidade e poder independentimente de Deus, perdeu todos os dotes, preternaturais e sobrenaturais, de que gozava no Paraíso; ora, eis que na restauração de todas as coisas Deus Se dignará não propriamente restituir os dons perdidos, mas ultrapassá-los, concedendo à criatura humana prerrogativas muito superiores às do primeiro Paraíso.

Ao contrário, os corpos daqueles que tiverem recusado a restauração trazida por Cristo, isto é, os corpos dos réprobos, que sofrerão as penas eternas, os seus corpos possuirão quatro qualidades más.

Serão obscuros, conforme se lê: Os seus rostos serão como fisionomias inflamadas (Is 13,8) serão como imagens hediondas do mais deplorável estado de alma.

Serão passíveis, mas jamais corrompidos, pois arderão para sempre no fogo e nunca serão consumidos. Lê-se: Os vermes nunca morrerão nos seus corpos, e o fogo neles nunca se extinguirá (Is 66,24).Crassos, resistentes aos impulsos da alma.

Serão pesados, porque as almas estarão como que acorrentadas. Lê-se: Para prender os seus reis com grilhões (SI 149,8).

Finalmente, os corpos e as almas serão, de certo modo, carnais. Lê-se: Os animais apodrecerão nos seus excrementos (Jl 1,17).Sào passíveis de dor.

Em uma palavra, serão expressão fiel da horrenda situação produzida na alma pelo ódio a Deus.

“Virá o dia da retribuição, quando os corpos ressurgirão e o homem inteiro receberá o que merecer... Assim como muito difere a alegria dos que sonham da alegria dos que estão acordados, assim grande diferença haverá entre a felicidade dos mortos e a dos ressuscitados; não porque as almas dos defuntos sejam induzidas em ilusões como as que dormem, mas porque uma coisa é o repouso das almas separadas dos corpos, outra coisa é a glória e a felicidade das almas unidas aos corpos celestes" (Santo Agostinho, Serm. 280, 5).

Podemos depois de todo o exposto, dar graças a Deus que não nos deixou na ignorância, já que Ele não esconde Seus mistérios aos pequenos. Pois quantos neste mundo tem perdido a vida pelo desconhecimento de tão grandes bens? Bendito seja Jesus, nosso Senhor, que nos mereceu o céu e que nos chama a vida juntamente com Ele. É preciso tirar bons frutos deste conhecimento, rejeitando a todo instante o pecado que nos alicia e mata e nos afasta de Deus, buscando solidamente o bem, na esperança de uma futura ressurreição.

Deus seja louvado!

Fonte de pesquisa: Catecismo Romano, A Fé Explicada - padre Leo Trese, Catecismo da Igreja Católica - Exposição sobre o Credo segundo São Tomás de Aquino e Escritos dos Santos.

sábado, 14 de março de 2009

Cristo: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem está no meio de Nós


Esta é uma fundamental verdade da fé, e por ela sabemos que a natureza humana e a natureza divina de Nosso Senhor Jesus Cristo nem se confundem, nem se separam. Formam, unidas a tal ponto, uma única Pessoa, a saber: a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.



Foi no IV Concílio Ecumênico, conhecido como Concílio de Calcedônia (convocado no ano 451), que a Igreja formalizou dogmaticamente esta verdade. Eis como os Padres Conciliares definiram as duas naturezas em Cristo (Sessão VI – 22/10/451):

”Seguindo, pois, os Santos Padres, unanimemente ensinamos que se deve confessar: "Um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito na Sua divindade e perfeito na Sua humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, [composto] de alma racional e de corpo; consubstancial ao Pai quanto à divindade, consubstancial a nós quanto à humanidade, “em tudo semelhante a nós, menos no pecado” (Heb 4,15); gerado do Pai antes dos séculos, segundo a divindade; e, nos últimos tempos, por nós e para a nossa salvação, [gerado] de Maria Virgem, Mãe de Deus, segundo a humanidade; que se deve reconhecer um só e mesmo Cristo Senhor, Filho Unigênito, em duas naturezas, sem confusão, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis, de nenhum modo suprimida a diferença das naturezas por causa de sua união, mas salvaguardada a propriedade de cada natureza e confluindo numa só Pessoa e hipostase, não separado ou dividido em duas pessoas, mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus-Verbo, Senhor Jesus Cristo, como outrora nos ensinaram sobre Ele os profetas e depois o próprio Jesus Cristo, e como nos transmitiu o símbolo dos Padres"

A encarnação de Jesus Cristo realiza-se na plenitude dos tempos, e com ela vivemos e antecipamos desde já aquilo que será a realidade final na ressurreição dos mortos.

Esta encarnação do Filho de Deus permite ver realizada uma síntese duradoura e definitiva que a mente humana, por si mesma, nem sequer poderia imaginar: “o Eterno entra no tempo, o Tudo esconde-se no fragmento. Deus assume o rosto do homem”. Deste modo a verdade expressa na revelação de Cristo, deixou de estar circunscrita a um restrito âmbito territorial e cultural, abrindo-se a todo homem e mulher que a queiram acolher como palavra definitivamente válida para dar sentido a existência. [Carta Encíclica Fides et Ratio, de Sua Santidade o Papa João Paulo II].

Ao depararmos com os Santos Evangelhos, vemos Cristo divino e humano, curando os homens e suas chagas, tanto físicas quanto espirituais. As multidões se acorriam a Ele porque no mais íntimo de seu ser buscavam o Eterno, Àquele que poderia tirá-los da escuridão em que se encontravam; porque todos, sem nenhuma exceção, haviam pecado e todos estavam privados da glória de Deus (Rom. 3, 23), e o Pai que tanto amou o mundo, porque este foi feito por Ele e de uma maneira perfeita - porque Ele é perfeito -, ao ver a humanidade desolada, fadada ao abismo e longe de sua face santa, enviou seu único Filho, para que todos os que n’Ele cressem, não perecessem, mas que fossem salvos por Ele.

Com efeito, só no Verbo de Deus feito carne se realizou a obra de nossa Redenção, e o instrumento da nossa salvação foi a Humanidade de Jesus – corpo e alma – na unidade da pessoa do Verbo [cf. Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II n.5]. Esta humanidade é o único caminho para a salvação dos homens e o meio insubstituível para nos unir com Deus. Jesus se fez homem como nós e não se prevaleceu somente de sua divindade, mas porque nos amou até o fim, quis fazer a vontade do Pai e pela obediência e entrega total de seu ser, veio para satisfazer a ofensa infinita da desobediência do homem feita à Deus que é Santíssimo, causa de toda ruína humana.

Sendo Deus, qualquer ato seu já seria suficiente para aplacar a ira divina e satisfazer toda ofensa, e como homem, poderia nos representar, porque entre nós, não havia um justo sequer, por isso Ele disse: Eis que venho, ó Deus, para fazer a Tua vontade (Sal 39, 7 ss), se encarnou , cumpriu toda a lei e se deu por inteiro, se fez vítima no silencio do seu amor, se fez cordeiro e como um foi levado ao matadouro, manifestando ali a face do verdadeiro Deus que é misericordioso, e que ama seus filhos desobedientes, porque sabe do que é que são feitos. O Pai, no Filho, pelo poder do Espírito Santo, estende a mão à humanidade perdida, entrega seu maior bem e abre através do corpo deste bem, as portas do céu. Consome-se, desgasta-se, morre, para que junto d’Ele, morra a morte, aquela que aprisiona todo ser. E vence o demônio, autor de toda mentira e da desgraça do homem.

A Cruz que era sinal de escândalo para o mundo se tornou para nós que cremos, sinal de salvação e de esperança, penhor da nossa Redenção eterna. Na cruz se deu a vitória da obediência sobre a desobediência, da humildade sobre o orgulho (raiz de todo pecado), da luz sobre as trevas.

Meditemos no Senhor, chagado dos pés à cabeça por amor de nós. Com frase que se aproxima da realidade, embora não consiga exprimi-la completamente, podemos repetir com um escritor de há séculos: O corpo de Jesus é um retábulo de dores. À vista de Cristo feito um farrapo, transformado num corpo inerte descido da Cruz e confiado a Sua Mãe, à vista desse Jesus destroçado, poder-se-ia concluir que esta cena é a exteriorização mais clara de uma derrota. Onde estão as massas que o seguiram e o Reino cuja vinda anunciava? Contudo, não temos diante dos olhos uma derrota, mas sim uma vitória: - está agora mais perto do que nunca o momento da Ressurreição, da manifestação da glória que Cristo conquistou com a Sua obediência” (Cristo que passa, n. 95)

“Quem é capaz de morrer quando queira, como Jesus morreu quando quis? Quem pode revestir-se da morte quando queira, como Ele Se despojou de Sua carne quando quis?(...) Quanto deve esperar-se ou temer-se o poder daquele que virá para julgar, quando tão grande apareceu no momento de morrer!” (Novo Testamento - Edição de Navarra p. 1411. Evangelho de São João)

Os méritos e as graças conquistadas na cruz, foram suficientes para redimir toda humanidade, e para dispensá-las aos homens, por quem Ele morreu, enquanto esteve na sua vida terrena, Jesus quis formar aqui uma Igreja, que apontaria para Ele e muito mais que isso, seria nela e por ela, que todos os homens conseguiriam se achegar de novo ao Pai, e como sem “fé é impossível agradar a Deus”(Hb 11,6), ninguém jamais pode ser justificado sem ela, nem conseguir a vida eterna, se nela não “perseverar até o fim” (Mt 10,22; 24,13). Ora, para que pudéssemos cumprir o dever de abraçar a verdadeira fé e nela perseverar constantemente, Deus instituiu, por meio do seu Filho Unigênito, esta Igreja, e a muniu com as notas manifestadas em sua instituição (Santa, Católica, Apostólica e Romana), para que pudesse ser reconhecida como guardiã e mestra da palavra revelada.

Nos três anos de seu ministério público, Jesus chamou 12 apóstolos que estariam com Ele, os formou, e deu a eles a tríplice missão da Igreja que é: Ensinar – “Ide, pois, ensinai a todos os povos [...]. Ensinando-os a observar todas as coisas que vos mandei “(Mt. 28,19-20). Santificar – “Batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28,19); Isto é o meu corpo [...]; fazei-o em memória de mim” (Lc. 22,19); Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos (Jo. 20,23); e governar em seu nome – “Se se recusar a ouvi-los, dize-o à Igreja. Se não ouvir a Igreja, considera-o como um gentio ou um publicano. [...] Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu; e tudo o que desatardes sobre a terra, será desatado no céu (Mt. 18,17-18); Quem vos ouve, a mim ouve, e quem vos despreza, a mim despreza (Lc. 10,16).

“Para manter a Igreja na pureza da fé transmitida pelos Apóstolos, Cristo quis conferir à sua Esposa uma participação na sua própria infalibilidade, Ele que é a Verdade.”Pelo sentido sobrenatural da fé, o Povo de Deus se atém indefectivelmente à fé, sob a guia do Magistério vivo da Igreja (cf. Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II. 12,DV 10).

“A missão do Magistério está ligada ao caráter definitivo da Aliança instaurada por Deus em Cristo como seu Povo; deve protegê-lo dos desvios e dos desfalecimentos e garantir-lhe a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé autêntica. O ofício pastoral do Magistério está assim ordenado ao cuidado. para que, o Povo de Deus permaneça na verdade que liberta. Para executar este serviço, Cristo dotou os pastores do carisma de infalibilidade em matéria de fé e de costumes” (TRESE, Léo. Fé Explicada p. 138)

Quando o Menino Deus veio ao mundo, iluminou a todos, porque o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e a estrela que indicava o caminho, brilhou para aqueles que procuravam Deus em seus corações, e a Ele, vieram os pastores, os reis magos, indicando que a todos foi oferecido o caminho, a salvação, a vida.

Já não há mais motivos para que os homens se percam, para que vivam nas trevas do pecado, pois todos, independente de raça, tribos e nações, poderão buscar o Senhor, já que Ele tem se deixado encontrar e está perto dos que o invocam com sinceridade.


“Deus, infinitamente Perfeito e Bem-Aventurado em si mesmo, em um desígno de pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo participar de sua vida bem-aventurada. Eis por que, desde sempre e em todo lugar, está perto do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-lo, a conhecê-lo e a amá-lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade de sua família, a Igreja”. [Catecismo da Igreja Católica – Prólogo]

O Pecado ainda está no mundo e este jaz no maligno, mas a graça, o poder de Deus dispensados através de seu Santo Espírito, que é o espírito da verdade, renova este mundo, revela Deus aos corações, e mostra aos homens que o mal não é vencedor de nada, porque este espírito santifica todo homem e o torna semelhante a Deus, já que põe em seus corações o germe do bem e do amor.

Este mesmo Espírito convoca os homens a verem de novo a estrela, sim, porque ela continua brilhando, mas hoje não mais leva os homens à manjedoura, porém à Igreja, constituída por Cristo, saída do seu lado direito, de suas chagas, de onde verteu sangue e água, para dar vida aos homens. Nela e somente nela, poderão como no tempo dos santos Evangelhos se encontrar com o mesmo Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem e poderem ter de novo, sua chagas curadas.

Ele mesmo quis e através do memorial de sua paixão, todos os dias, em todos os altares do mundo, se faz alimento e os homens poderão de novo recebê-lo, porque Ele quis se fazer desse modo para sustentar a todos, que pela fé se achegarem a Ele, nesta caminhada rumo a pátria celeste; onde não haverá mais choro nem dor, no entanto nos encontraremos face a face com Ele e gozaremos juntamente com os Santos, os anjos e Nossa Mãe Santíssima, de sua presença gloriosa, onde haverá louvores sem fim, e poderemos viver eternamente com Ele na glória.

Portanto, se quisermos nos encontrar com o Deus feito homem, temos que necessariamente nos aproximarmos - sem a mácula do pecado -, da mesa da Eucaristia, porque ali estará a cura, a graça e sobretudo o próprio autor da vida. E a vida que Ele nos oferece, é vida em abundância já aqui neste mundo. Busquemos o Reino de Deus e sua justiça e o resto nos será acrescentado, é promessa de Deus e nela confiamos. Amém.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sacramentos



Santos Sacramentos da Igreja, pelos quais tem início toda verdadeira Santidade pois se já começada, se submeta, e se perdida, se recobra totalmente.

O homem criado por Deus a Sua imagem e semelhança, desde sempre foi chamado a manter um relacionacionamento com Ele. Para tanto Deus se Revelou pelos profetas e nos últimos tempos, através de Seu Filho. Pela Revelação sabemos que Adão pecou e que todos ficaram privados da glória de Deus. Ainda por ela sabemos que na plenitude dos tempos Deus envia seu Filho pra resgatar este homem da condenação eterna a que estavam todos fadados, já que perderam pelo pecado original, a graça que os faria estar eternamente com Ele; e fez isso pelo sacrifício de Si mesmo, oferecendo-se em nosso favor. Ainda que Jesus Cristo tenha morrido por todos, nem todos participam do benefício de sua morte, mas somente aqueles a quem sejam comunicados os méritos de sua Paixão, porque, assim como nasceram os homens, efetivamente impuros, pois nasceram descendentes de Adão, e sendo concebidos pelo mesmo processo, contraem por esta descendência sua própria impureza, e do mesmo modo, se não renascessem por Jesus Cristo, jamais se salvariam, pois nesta regeneração é conferida a eles, pelo mérito de Sua paixão, a graça com que se tornam salvos.

O que a morte de Jesus significa, é que foi oferecida a infinita reparação pelo mal infinito da rebelião do homem contra Deus, foi pago um preço infinito para assegurar o fluxo ilimitado da graça que permite ao homem voltar a Deus e permanecer em união com Ele, durante toda a vida e a eterna. Deus, pelo Filho, nos fez dignos de entrar juntamente com os Santos na glória, nos tirou do poder das trevas e nos transferiu ao Reino de Seu Filho muito Amado, e é Nele que temos a redenção e o perdão dos pecados.

Os Evangelhos nos contam que na Cruz Jesus é perfurado por uma lança e do Seu lado direito brota sangue e água (Jo 19,34), Santo Agostinho e a tradição cristã vêem brotar os Sacramentos e a própria Igreja do lado aberto de Jesus: "Ali abria-se a porta da vida, donde manaram os Sacramentos da Igreja, sem os quais não se entra na verdadeira vida(...). Este segundo Adão adormeceu na Cruz para que dali fosse formada uma esposa que saiu do lado dAquele que dormia. Oh morte que dá vida aos mortos! Que coisa mais pura que este sangue? Que ferida mais salutar que esta?" (In Ioann Evang.,120,2 - Bíblia de Navarra, pag. 1412- 1413) .

Durante Sua vida pública as multidões se aglomeravam ao redor de Jesus para serem curadas. E eram curadas pelo Seu poder divino, servindo-se de Sua natureza humana, pois "somente ela, Sua Santíssima humanidade é o caminho para nossa salvação e o meio insubstituível para nos unir a Deus. Assim, pois, hoje nós podemos nos aproximar do Senhor por meio dos Sacramentos, de modo singular e eminente pela Eucaristia. Pelos Sacramentos flui também para nós, desde Deus através da Humanidade do Verbo, uma virtude que cura aqueles que os recebem com fé "(cfr. Suma Teológica, III,q.62,a.5).

Jesus enquanto esteve neste mundo, ao revelar a face misericordiosa de Deus, chama os apóstolos, os instrui e dá a eles poder de continuar aqui Sua missão até que Ele volte para entregar tudo ao Pai. No dia de Pentecostes, quando envia o Espirito Santo prometido, nasce a Igreja, inaugurando um tempo novo na “dispensação do mistério”: Cristo se manifesta, torna presente e comunica a Sua obra de salvação pela liturgia de Sua Igreja. Age nela e com ela pelos Sacramentos que instituiu Ele mesmo, para comunicar os frutos desta redenção maravilhosa. Cristo ressuscitado, ao dar o Espírito Santo, confere aos apóstolos o Seu poder de santificação, tornado-os assim, sinais sacramentais Dele mesmo. Estes, pelo poder do mesmo Espírito confere este poder aos seus sucessores, por isso a vida litúrgica é sacramental, para levar a efeito tão grande obra, através do qual Deus é glorificado e os homens santificados. Em todos os tempos e em todos os lugares, eis a grande misericóridia de Deus que não deixou os homens à deriva e fora de seu plano de amor.

Os Sacramentos são sinais sensíveis (palavras e ações), instituídos de modo permanente por Cristo, para santificar as almas, sendo acessíveis à nossa humanidade atual e realizam eficazmente a graça que significam, em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo presente na Igreja. Eles são como que “Forças que saem” do corpo de Cristo, sempre vivo e vivificante: ações do Espírito Santo que opera no seu corpo que é a Igreja, os Sacramentos são “as obras-primas de Deus”, na nova e eterna Aliança. ( Catecismo da Igreja Católica n.1116)

Lembremo-nos da cena daquela mulher, a hemorroísa, que depois de anos doente com um fluxo de sangue e após gastar tudo que tinha, foi até Jesus, e numa atitude humilde e reverente, consciente de que estava diante d’Aquele que tudo pode, caiu ao chão e apenas tocou na orla do seu manto…Jesus sente que uma força sai de Si e pergunta aos apóstolos: ”quem Me tocou?” Ora, havia ali uma multidão mas sómente nesta mulher saiu como que uma força…esta cena maravilhosa, diz o Catecismo que retrata os Sacramentos, onde Cristo mesmo vem em favor dos que a Ele se achegam confiantes. Os homens neste mundo tem a chance de obter cura, e libertação para seus males, tanto físicos quanto espirituais, quando buscam a Cristo presente nos Sacramentos que deixou à Sua Igreja, para serem administrados pelos Seus ministros. Assim estamos hoje, uma multidão pode falar de Cristo, buscar a Cristo, mas somente aquele que se achega aos Sacramentos, se achega à fonte da graça. Toda oração, toda união com os irmãos, todo louvor em comum, todo movimento ou pastoral, deve levar o cristão necessariamente aos Sacramentos, porque sem eles não há salvação, sobretudo a Eucaristia e o da Penitência, que são aqueles que vivificam a alma pela graça presente, logicamente depois do Batismo que o torna filho de Deus.

“As palavras e as acções de Jesus durante a sua vida oculta e o seu ministério público já eram salvíficas. Antecipavam o poder do seu mistério pascal. Anunciavam e preparavam o que Ele ia dar à Igreja quando tudo estivesse cumprido. Os mistérios da vida de Cristo são os fundamentos do que, de ora em diante, pelos ministros da sua Igreja, Cristo dispensa nos Sacramentos, porque “o que no nosso Salvador era visível, passou para os seus mistérios” (Catecismo da Igreja Católica n.1115). São Tomás de Aquino define assim as diferentes dimensões do sinal sacramental: «Sacramentum est et signum rememorativum eius quod praecessit, scilicet passionis Christi; et demonstrativum eius quod in nobis efficitur per Christi passionem, scilicet gratiae; et prognosticum, id est, praenuntiativum futurae gloriae – O sacramento é sinal rememorativo daquilo que o precedeu, ou seja, da paixão de Cristo; e demonstrativo daquilo que em nós a paixão de Cristo realiza, ou seja, da graça; e prognóstico, quer dizer, que anuncia de antemão a glória futura» (São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 60, a. 3 c.: Ed. Leon. 12, 6.)

O cristão é chamado à santidade, a ser justo, e este é aquele que se esforça sinceramente por cumprir a vontade do Pai, que se manifesta nos mandamentos, nos deveres de estado e na união da alma com Deus. São Jerônimo ao comentar que Nosso Senhor não exige que tenhamos um simples desejo vago de justiça, mas que tenhamos sede e fome dela, mostra-nos que devemos com todas as forças e ajuda de Deus, buscar aquilo que nos faz justos diante dEle. Quem quer de fato a santidade cristã tem que amar os meios que a Igreja, instrumento universal de salvação, oferece e ensina a viver todos os homens: frequência de Sacramentos, convivência intima com Deus na oração e fortaleza para cumprir os deveres familiares, profissionais e sociais. (Comm.in Matth.5,6)

«Os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do corpo de Cristo e, por fim, a prestar culto a Deus; como sinais, têm também a função de instruir. Não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam Sacramentos da fé». A fé da Igreja é anterior à fé do fiel, que é chamado a aderir a ela. Quando a Igreja celebra os Sacramentos, confessa a fé recebida dos Apóstolos. Daí o adágio antigo: «Lex orandi, lex credendi – A lei da oração é a lei da fé» (Ou: «Legem credendi lex statuat supplicandi – A lei da fé é determinada pela lei da oração», como diz Próspero de Aquitânia [século V]). A lei da oração é a lei da fé, a Igreja crê conforme reza. A liturgia é um elemento constitutivo da Tradição santa e viva (Catecismo n. 1123)

O Sacrossanto Concílio de Trento declarou que a Igreja tem o poder de, ao administrar os Sacramentos, determinar e mudar, sem lhes alterar a substância: Declara mais [este sagrado Concílio] que a Igreja sempre teve o poder de, ao administrar os Sacramentos, determinar e mudar, salva [sempre] a sua substância, o que julgar conveniente à utilidade dos que os recebem e à veneração dos mesmos Sacramentos, conforme a variedade dos tempos e lugares. Isto parece ter insinuado claramente o Apóstolo com estas palavras: ”Assim nos considere o homem como ministros de Cristo e dispenseiros dos mistérios de Deus ”(l Cor 4, l).

Os Sacramentos Instituídos por Cristo são sete: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Matrimônio, Ordem e Unção dos enfermos, sendo estes necessários `a salvação e são eficazes porque neles age o próprio Cristo, comunicando a graça inexistente pelo pecado (Batismo e confissão - Estes dois Sacramentos, chamam-se Sacramentos de mortos, ou. Atua ex opere operato : pelo próprio fato de a ação ser realizada). Fazendo uma analogia entre a vida natural e sobrenatural, podemos entender o porque deste número. “Para viver, conservar-se, levar uma vida útil a si mesmo e a sociedade, precisa o homem de sete coisas: nascer, crescer, nutrir-se; curar-se quando adoece; recuperar as forças perdidas; ser guiado na vida social, por chefes revestidos de poder e autoridade; conservar-se a si mesmo e ao genero humano, pela legitima propagação da espécie. O mesmo podemos dizer da vida espiritual que necessita de todas esta funções.” (Catecismo Romano)

“Os sacramentos pertencem à categoria dos meios, pelos quais se logra a salvação e a justificação “(Catecismo Romano II, IIIB) . Cristo os instituiu para facilitar a obtenção do fim ultimo do homem que é viver eternamente com Ele. Temos um caminho a seguir, mas precisamos de forças, de meios para conseguirmos o nosso intento, e para tanto Deus se utiliza de coisas visíveis para que a natureza humana perceba a graça invisível; as orações, os gestos e o objeto (agua, óleo, pão) constituem o sinal sensível. Estes nos mostram exteriormente, por certa imagem e semelhança, o que Deus opera interiormente, em nossa alma pelo Seu poder invisível. Todo cristão praticante confessa a eficácia dos sacramentos, pois como já disse, quem opera é Deus com Seu poder ilimitado e para comunicar a graça necessita da disposição e do preparo do homem. – “Os frutos dependem das disposições espirituais de quem os recebe, pelo que a Igreja insiste na necessidade da sua devida preparação”(cf. CDC 777,2)

Como vimos os sacramentos conferem a graça, a princípio a graça santificante, que é a vida sobrenatural, o partilhar da própria vida de Deus, que provém da inabitação do Espírito Santo em nós. O Batismo nos dá a graça que foi perdida pelo pecado original, estabelecendo a união com Deus perdida por Adão , e o Sacramento da Penitência, confere esta mesma graça caso a tenhamos perdido pelo pecado mortal.Os outros cinco Sacramentos, mais o da penitência caso o receba em estado de graça, aumentam a graça santificante, aumentando o nível de vitalidade espiritual, significando que aumenta a capacidade da alma para absorver o amor de Deus. (São chamados Sacramentos dos vivos). Além dela, cada Sacramento produz a chamada graça sacramental, que é característica de cada um deles e são ajudas de Deus às nossas necessidades particulares ou ao nosso estado de vida. Esta acrescenta a graça santificante sugundo São Tomás de Aquino, um vigor especial, destinado a produzir efeitos em relação com cada sacramento, ou segundo a doutrina universal, confere um direito a graças atuais especiais, que serão conferidas no tempo oportuno, para se cumprirem mais facilmente os deveres impostos pela recepção do Sacramento.

Além da graça santificante e sacramental, alguns Sacramentos conferem o que se chama de caráter, que é um sinal espiritual indelével, impresso na alma, pelo qual o homem é consagrado às coisas divinas e se distingue dos outros. Este capacita o homem para a recepção ou para o excercícios dos santos Mistérios. São eles: Batismo, Crisma, Ordem, não podendo por isso, ser reiterados na mesma pessoa.

Os Sacramentos só podem ser recebidos com dignidade, e por isso as disposições interiores são muito importantes, se não se torna infrutuoso, não conferindo por isso a graça santificante. Fora que eles devem ser recebidos como o que de fato são: Santíssimos, - portanto a devida instrução para os fieis é imprescindível, para que não aconteça de :” Dar aos cães o que é santo, nem lançar aos porcos as vossas pérolas”(Mt 7,6)

O Concílio de Trento nos ensina em sua sess.VI, cap7 que a quantidade da graça produzida pelos sacramentos depende juntamente de Deus e de nós. Segundo Tanquerey pag. 174 - Da nossa parte é preciso que tenhamos desejo de recebe-la, aliada a um arrependimento sincero de nossos pecados, fazendo assim com o sacramento opere de forma total e positiva, derramando em nós a graça. Pois aquele que com conhecimento recebe indignamente um Sacramento comete um sacrilégio

Ministro do Sacramento:

Os presbíteros, ministros dos Sacramentos

Deus, que é o único santo e santificação, quis unir a si, como companheiros e colaboradores, homens que servissem humildemente a obra da santificação. Donde vem que os presbíteros são consagrados por Deus, por meio do ministério dos Bispos, para que, feitos de modo.especial participantes do sacerdócio de Cristo, sejam na celebração sagrada ministros d'Aquele que na Liturgia exerce perenemente o seu ofício sacerdotal a nosso favor . Na verdade, introduzem os homens no Povo de Deus pelo Batismo; pelo sacramento da Penitência, reconciliam os pecadores com Deus e com a Igreja; com o óleo dos enfermos, aliviam os doentes; sobretudo com a celebração da missa, oferecem sacramentalmente o Sacrifício de Cristo. Em todos os Sacramentos, porém, como já nos tempos da Igreja primitiva testemunhou S. Inácio mártir, os presbíteros unem-se hieràrquicamente de diversos modos com o Bispo, e assim o tornam de algum modo presente em todas as assembleias dos fiéis .

”Tu amas-Me? Esta identificação amorosa com Cristo tem para nós, Bispos, outro lugar privilegiado no "munus sanctificandi", exercido in persona Christi Capitis na celebração dos Sacramentos. Sabemos que a Igreja, contra aqueles que vinculavam à santidade do ministro a própria validade dos Sacramentos, defendeu a sua eficácia ex opere operato. Era um modo de afirmar que Cristo está presente nos Sacramentos e opera para além da fragilidade do ministro. Mas, afirmando isto, é de igual modo evidente que a santidade do ministro é a condição mais natural para a celebração dos Sacramentos. A experiência pastoral mostra que há uma influência misteriosa que passa precisamente através do testemunho do ministro, quando nele resplandece íntima participação, envolvimento profundo, coerência total de fé e de vida. A santidade é algo que o povo de Deus percebe como que por instinto, e dela tem sede.”(Jubileu dos Bispos – Homilia de D. Giovanni Battista – Basílica de São João de Latrão, 6 de outubro de 2000).

Condições para a Administração dos Sacramentos - segundo Del Greco

Para a válida adminitração dos Sacramentos requer-se: O Poder divino e a devida intenção –

1 – O poder divino: Somente Deus de fato, pode comunicar a Graça interna à ação sacramental
2 – A devida intenção, porque aadministracão dos Sacramentos é um ato humano. O ministro deve ter pelo menos a intenção de fazer o que faz a Igreja. Este age em nome de Cristo, portanto, o Sacramento será válido na medida em que ele tem esta intenção, fazer em Nome de Cristo.

Para que o Sacramento seja válido, não se requer nem a fé, nem o estado de graça do ministro. Por isso o batismo realizado por um herege é válido se é administrado com a intencão e com o rito da Igreja.

Para a lícita administração dos Sacramentos requer-se:

1 – O estado de graça: a reverência para com o mesmo o requer. Um ministro que administra o Sacramento em pecado mortal, sem necessidade, peca mortalmente. Se não houve tempo de se confessar e se ele fez um ato de contrição perfeita, pode celebrar, deixando a confissão o mais breve possível.
2 – A intenção interna: Um Ministro voluntariamente distraído peca gravemente se a sua distração é causa de erros substanciais para o rito sagrado, por expo-los ao perigo de nulidade. Se ele executa uma ação externa incompatível com a interna, a administração torna-se inválida.
3 – A observância dos ritos e das cerimônias.
4 -A imunidade de censuras e irregularidaes. Um excomungado não pode licitamente confeccionar um Sacramento e administrá-los, a não ser se algum fiel lhe peça e se falte ministros para realiza-lo. Mas se ele for um excomungado vitando (Aquele que foi nominalmente excomungado pela santa Sé, mediante decreto e sentença pública) só em perigo de morte o poderá administra-lo.
5 – A devida licença.


Obrigação de negar os Sacramentos aos indignos

Entre os indignos estão incluídos: 1) os hereges e os cismáticoss, 2) os pecadores públicos, 3) os pecadores ocultos.

1 -É proibido ministrar os Sacramentos da Igreja hereges e cismáticos, mesmo se estes os pedem de boa fé, se antes não houverem abjurado os seus erros e se tiverem reconciliado com a Igreja (cân.731. -2). Sem a abjuração de seus erros, nem em perigo de morte se administrar os Sacramentos da Penitência e da Extrema-Unção aos hereges e cismáticos, mesmo só materialmente, se os pedem de boa fé (cfr. resposta do S. Ofício - de março de 1916 em DB. 2l81 a).
2 -Deve-se negar os Sacramentos a um pecador oculto quando os pede secretamente: não se pode, porém, negá-los quando o pedido é público. Assim requer a caridade e a religião. Mas se o sacerdote conhece a má disposição do penitente somente pela sua confissão, não lhe pode negar os Sacramentos; doutro modo, violado o sigilo sacramental.
3 – Deve-se negar os Sacramentos a um pecador público, que os peça privadamente, quer publicamente até que conste de sua emenda, penitência e reparação do escândalo (cân. 855-1)

Componentes essenciais dos Sacramentos:
Materia e Forma:

Cada Sacramento contém duas partes constitutivas: Uma com função de matéria: chama-se elemento. Outra tem o caráter de forma, que é a palavra. Santo Agoatinho nos diz: “Unindo-se a palavra ao elemento, daí nasce o Sacramento”(Aug. Tract. In Ioh. 80.3) Tanto elemento quanto a palavra são tidas por “coisas sensíveis” já que são percebidas por todos nós. São Paulo em Ef 5,25 -26 nos explica claramente ambas as partes: Cristo amou a Igreja e por ela Se entregou, a fim de santifica-la, purificando-a no banho de agua pela palavra da vida ” Ambas unidas dão a certeza de que houve de fato o Sacramento, pois hoje, na nova aliança, a forma da palavra é descrita de uma tal maneira, que se não for observada, deixa de ser Sacramento.


Diferença dos Sacramentos

1 -Quanto à necessidade: Todos os Sacramentos comportam em si uma virtude admirável e divina, mas nem todos são igualmente necessários, nem possuem a mesma graduacão e finalidade. Entre eles, tres são mais necessários, embora não o sejam por razões idênticas. Do Batismo declarou nosso Senhor ser absolutamente necessário para todos os homens: Quem não renascer da agua e do Espírito, não entrará no Reino de Deus

2 -Quanto à dignidade: A Eucaristia sobrepuja a todos os outros, sendo superior por santidade, número e grandeza de seus mistérios.

O Sujeito do Sacramento

O sujeito capaz dos Sacramentos é somente o “homo Viator”. Todavia nem todo homem é capaz de todos os Sacramentos. Somente aquele que não foi batizado é sujeito capaz do Batismo, sendo capaz de todos os outros Sacramentos qualquer batizado.

Para receber validamente os Sacramentos, não se requer nem o estado de graça nem a fé. Esta última porém se requer para o sacramento da Penitência., pois precisamos para recorrer a ele, uma dor sobrenatural que se tem por meio da fé. Para a validade dos outros sacramentos se requer o batismo, (aqui não basta o de desejo, mas o de água), pelo qual nos incorporamos à Igreja. Para aqueles que chegaram a idade da razão, se requer uma positiva e pessoal intenção.

Para receber licitamente os Sacramentos e com frutos, para os Sacramentos dos mortos se exige a atrição sobrenatural. E para os Sacramentos dos vivos se exige estado de graça, adquirida mediante a contrição perfeita ou pela absolvição sacramental.

Por fim, demos graças a Deus que no Filho nos abençoou e nos constituiu seu povo de predileção, dando-nos tudo para recebermos de Seus dons Santíssimos. Agradeçamos pela Igreja que continuará para sempre a obra de Cristo: ensinar aos homens as verdades acerca de Deus e a exigência de que se identifiquem com essas verdades, ajudando-nos sem cessar com a graça dos Sacramentos.