segunda-feira, 23 de março de 2009

Sobre a Maneira de Ensinar - Papa Pio V




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Catecismo Romano

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A - Requisito

O primeiro requisito, ao que parece, é lembrarem-se, continuamente, que toda ciência do cristão se resume nesse ponto capital, ou antes, como se exprime Nosso Salvador:"Esta é a vida eterna, que só a Vós reconheçam como verdadeiro Deus, e a Jesus Cristo, que Vós enviastes

B - Conhecimento e ....

Por conseguinte, quem ensina procurará, em primeiro lugar, que todos queiram de coração conhecer a Jesus Cristo, e por sinal que crucificado; que tenham a firme persuasão e creiam com íntimo amor e respeito, que debaixo do céu não foi dado, aos homens outro nome pelo qual possamos salvar-nos, porque Ele mesmo é a propiação pelos nossos pecados.

C - ...Imitação de Cristo

Como só temos certeza de conhecê-lO, se observarmos os Seus mandamentos, a segunda obrigação, intimamente ligada à que acabamos de estatuir, é mostrar que os fiéis não devem viver no ócio e na preguiça, mas que devemos andar, como Ele mesmo andou, e com todo zelo de praticar a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a mansidão. Pois Cristo entregou-Se a Si mesmo, por nossa causa, a fim de nos remir de toda iniquidade, e purificar para Si um povo aceitável, zeloso na prática de boas obras.

D - Antes de tudo pelo amor a Deus e ao próximo

Nosso Senhor e Salvador não só ensinou, mas também mostrou com seu exemplo, que da caridade dependem a Lei e os Profetas. Mais tarde, o Apóstolos exprimiu-se nesse mesmo sentido, dizendo que a caridade é o fim do preceito e a consumação da Lei. Ninguém pode, pois, duvidar que é um dever, e dever primordial, incitarmos, com o maior zelo, o povo cristão ao amor de Deus em toda a Sua infinita bondade para conosco. Inflamado, assim, de amor divino, pode o povo assim elevar-se até o Bem sumo e perfeito. Sua posse constitui a verdadeira e sólida felicidade de quem pode exclamar com o Profeta: "Fora de Vós, que há para mim no céu, e que almejo eu sobre a terra?" Este é o "caminho mais excelente" que nos mostrava o Apóstolo, quando punha na caridade, que jamais desfalece, a razão de ser de sua pregação e cura de almas. Ao propormos alguma doutrina que tenha por objeto a fé, a esperança, ou qualquer ação obrigatória, devemos também encarecer, com muito empenho, o amor a Nosso Senhor. Então, os fiéis hão de reconhecer, sem titubear, que todas as obras de virtude e perfeição cristã, não pode ter outra fonte, nem outro termo, que não a própria caridade.

E - Adaptar-se aos Ouvintes

Se em toda instrução muito vai a questão de método, não se pode negar sua máxima importância na instrução cristã do povo. Cumpre, portanto, atender à idade, inteligência, costumes e padrão de vida das pessoas que ouvem. Quem ensina deve fazer-se tudo para todos, e lucrá-los todos para Cristo. Deve, pois, mostrar-se fiel e, a exemplo do servo bom e fiel, fazer-se digno de que o o ponha chefe de muitas coisas. Não imaginem que a seu cuidado foram entregues almas de um só feitio. Por conseguinte, não poderá instruí-las todas pela mesma cartilha, invariavelmente; nem servir-se do mesmo chavão para formar os fiéis na verdadeira piedade. Uns serão como que "crianças recém nascidas"; outros já cmneçaram a crescer em Cristo; outros enfim terão alcançado o vigor da idade. Devem, pois, s averiguar cuidadosamente, quem ainda precise de leite e quem tenha necessidade de comida mais forte. A cada um ministrarão o sustento doutrinário que mais for próprio para enrobustecer o espírito, "até chegarmos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado de varão perfeito, conforme a idade madura de Cristo".

F - A exemplo dos Apóstolos...

Dessa obrigação queria o Apóstolo dar a todos um exemplo em sua pessoa, quando se de
"devedor aos gregos e aos bárbaros, aos sábios e ignorantes". Certamente, assim falava para que os chamados a tal ministério reconhecesse a necessidade de acomodar-se à índole e à inteligência dos ouvintes, quando lhes explicam os mistérios da fé e os preceitos da vida cristã. Enquanto saciam com alimento espiritual os fiéis de formação mais adiantada, não deixem perecer de fome os pequeninos que pedem pão, sem haver quem lho parta. Ninguém esmoreça, contudo, no fervor de ensinar, se de vez em quando for preciso explicar aos ouvintes certas verdades mais simples e elementares. Estas não soem ser tratadas com interesse, mormente por espíritos que costumam pairar e repousar na contemplação de idéias muito elevadas.

G - ...e do próprio Cristo.

Se a própria Sabedoria do Eterno Pai baixou à terra para nos ensinar, na vileza da carne humana, as leis de uma vida toda celestial, quem não será levado, pelo amor de Cristo , a fazer-se pequeno no meio de seus irmãos? E qual mãe que amamenta os filhinhos, quem não desejará tanto a salvação do próximo, que esteja pronto, de si mesmo dizia o Apóstolo, não só a dar-lhe o Evangelho de Deus, mas até a própria vida?

H - Seguir os quatro pontos tradicionais...

Ora, toda a doutrina por ensinar ao fiéis, está contida na palavra de Deus. Reparte-se em [duas fontes], Escritura e Tradição, que dia e noite devem constituir objeto de reflexão para os pastores. Lembrar-se-ão, neste particular, da advertência de São Paulo a Timóteo. Todos os diretores de almas a considerarão como feita a si mesmo. Está concebida nos seguintes termos: ''Aplica-te à leitura, à exortação e ao ensino" "porquanto toda Escritura, divinamente inspirada, é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, e para educar na justiça. Desta arte chega homem de Deus à perfeição, habilitado que é para toda boa obra".

Sendo tão amplos e variados os elementos constitutivos da Revelação divina, não é fácil abrangê-los com a inteligência, nem guardá-los de memória, ainda que deles se tenha a devida compreensão. Em vista disso, para se seguir uma explicação rápida e satisfatória, no momento de ensinar, nossos maiores reduziram e distribuíram, com exímia prudência, toda a doutrina da salvação em quatro pontos capitais: Símbolo dos Apóstolos, Sacramentos, Decálogo e Oração Dominical.

A doutrina do Símbolo encerra tudo o que o magistério da Igreja nos propôe a crer, com relação a Deus, à criação e ao governo do mundo, à redenção do gênero humano, à recompensa dos bons e à punição dos maus. A doutrina dos sete Sacramentos abrange os sinais que são, por assim dizer, instrumentos para se conseguir a graça divina. O Decálogo descreve os Mandamentos, cujo fim é a caridade. Finalmente, a Oração dominical contém tudo o que o homem possa querer, esperar e pedir para a sua própria salvação.

I - que encerram todos os quesitos da instrução..

Explicados que forem estes quatro pontos, tidos como "lugares comuns" da Escritura, já não faltará quase nenhuma das verdades que o cristão deve saber para a sua instrução.


Em conclusão, pareceu-nos conveniente dar ainda um aviso prático. Todas as vezes que tiverem de interpretar algum lugar do Evangelho, ou qualquer outra passagem da Sagrada Escritura, saibam que sentido coincide com algum artigo dos quatro pontos mencionados. A esse ponto podem então recorrer, como a uma fonte doutrinária do trecho devem explicar [na Escritura].

J - ...e os sincronizam com a explicação do Evangelho

Se tiverem, por exemplo, de explanar o Evangelho do primeiro domingo do Advento: "Haverá sinais no sol e na lua, etc." ; encontrarão um comentário no artigo do Símbolo: "Há de vir a julgar os vivos e os mortos. Usando de tal expediente, o pastor de almas terá um só trabalho ensinar ao povo cristão o Símbolo e o Evangelho. Por conseguinte, em suas instruções e comentários, conservará o costume de sempre recorrer a esses quatro pontos capitais, que segundo a nossa opinião encerram a medula doutrinária de toda a Sagrada Escritura.

L - Seguir a ordem que melhor lhe parecer.

Quanto à disposição da matéria, tomará o esquema que mais próprio lhe parecer às pessoas, e às circunstâncias de tempo.De nossa parte, seguindo a autoridade dos Santos Padres que, para levarem os homens ao conhecimento de Cristo Nosso Senhor e de Sua doutrina, começavam pela doutrina da fé, havemos por bem explicar, antes de tudo, o que diz respeito a esta virtude.

terça-feira, 17 de março de 2009

- Creio na Ressurreição da Carne -



“Eu, por minha parte, confessa Santo Inácio de Antioquia – sei muito bem e nisto ponho a minha fé que, depois da Sua Ressurreição, o Senhor permaneceu na Sua carne. E assim, quando Se apresentou a Pedro e aos companheiros, disse-lhes: Tocai-Me, palpai-Me e compreendei que não sou um espírito incorpório. E prontamente tocaram-No e acreditaram, ficando persuadidos da Sua carne e do Seu espírito (…). Mais ainda, depois da Sua Ressurreição comeu e bebeu com eles, como homem de carne que era, embora espiritualmente estivesse feito uma coisa com Seu Pai
. (Santo Inácio de Antioquia – Carta aos Esmirna, III, 1-3 – Padres apostólicos – Paulus –)


Nossa fé em Cristo e em tudo que Ele nos ensinou nos leva a crer que Ele para nos remir, se Encarnou no seio da Virgem Maria, padeceu sob Poncio Pilatos, foi morto e sepultado, mas que no terceiro dia ressuscitou.

Vemos pelos Evangelhos que Cristo ressuscitou à muitas pessoas, mas Sua Ressurreição difere das outras segundo São Tomás de Aquino, porque Cristo por ser Deus e homem, ressuscitou pelo Seu próprio poder. Sua divindade em nenhum momento se separou nem de Sua alma, nem de seu corpo. Cristo ressuscitou para uma vida gloriosa e incorruptível e foi em virtude de Sua Ressurreição que todos ressuscitaram: "Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram... assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida" (1Cor 15,20-22).( Exposição sobre o Credo – São Tomás de Aquino - )

Sua ressurreição é para nós motivo de júblilo, de esperança e estímulo para vivermos na santidade, esperando o dia de estarmos com Ele, também vivos na glória. ”Não tardes na conversão para o Senhor, e não a delongues dia por dia ”(Ecle 5,8).

A ressurreição de Cristo nos convida a sermos santos, chamados a todo instante a viver uma vida nova e para nos santificar, foi nos dado, pelo nosso Batismo, o Espírito Santo que veio então, habitar em nós. Ele é autor de toda santificação. Além desta graça da santificação que realiza nos filhos de Deus, Ele pelo seu poder ressuscitará os corpos. “ Cremos n’Aquele que dos mortos ressuscitou Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação” (Rom 4, 24-25). “Porque a morte veio por um homem, por um homem também virá a ressurreição dos mortos “(1 Cor 15,21).

Nele, os cristãos "experimentaram... as forças do mundo que há de vir" (Hb 6,5) e suas vidas são atraídas por Cristo ao seio da vida divina "a fim de que não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles" (2Cor 5,15)

“Que nos ensina a cruz de Cristo que é, em certo sentido, a última palavra da sua mensagem e da sua missão messiânica? Em certo sentido — note-se bem — porque não é ela ainda a última palavra da Aliança de Deus. A última palavra seria pronunciada na madrugada, quando, primeiro as mulheres e depois os Apóstolos, ao chegarem ao sepulcro de Cristo crucificado o vão encontrar vazio, e ouvem pela primeira vez este anúncio: “Ressuscitou”. Depois, repetirão aos outros tal anúncio e serão testemunhas de Cristo Ressuscitado. Este é o Filho de Deus que na sua ressurreição experimentou em si de modo radical a misericórdia, isto é, o amor do Pai que é mais forte do que a morte. “(Sua Santidade Papa João Paulo II – Dives in Misericórdia - sobre a Misericórdia Divina)

Cristo, "primogênito dentre os mortos" (Cl 1,18), é o princípio de nossa própria ressurreição, desde já pela justificação de nossa alma, mais tarde pela vivificação de nosso corpo”.( Catecismo da Igreja Católica)

A união entre Cristo e os cristãos, como membros de um mesmo corpo, onde Cristo é cabeça, constituem um único organismo. Por isso quando se afirma a Ressurreição de Jesus, é necessário afirmar a ressurreição dos justos, daqueles que morreram na graça de Deus. Jesus por ser o novo Adão mereceu a ressurreição de todos.”A Ressurreição de Cristo produziu a ressurreição dos nossos corpos, quer porque foi a causa eficiente deste misterio, quer porque todos devemos ressuscitar, a exemplo do Senhor. Deus se valeu da humanidade de Seu Filho como de instrumento eficiente. Por conseguinte, a Sua Ressurreição foi um instrumento para conseguir a nossa”.(Catecismo Romano, I,6,13)

A ressurreição passou, então, a ser o centro da nova fé e tornou-se o arremate de todo edifício doutrinal da Igreja Santa e Católica e mais tarde São Paulo vem afirmar: "Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã é a nossa fé”. (I Cor 15,14)

Para entendermos como se dá a ressurreição de nossa carne após nossa morte, no dia final, temos que compreender como Deus, nosso Pai, nos constituiu, e o fez de uma forma maravilhosa, já que somos obra de Suas mãos santíssimas e feitos à Sua imagem e semelhança.

O homem é uma ponte entre o mundo do espírito e o da matéria, formado de corpo e alma. A alma do homem é espírito, de natureza similar ao anjo; o seu corpo é matéria, similar em natureza aos animais. Porém, o homem náo é nem anjo nem animal. É um ser à parte por direito próprio, um ser com um pé no tempo e outro na eternidade. Os filósofos definem o homem como "animal racional", o que indica que sua alma é espiritual; e animal, o seu corpo físico.

O corpo e a alma não se unem de modo circunstancial. Foram feitos um para o outro, fundem-se, compenetram-se tão intimamente que, ao menos nesta vida, uma parte não pode existir sem a outra. A maravilha de nosso corpo mostra o poder e sabedoria de Deus. Mas ele é nada comparado com a magnitude da alma que é como dizemos, um espírito: é um ser inteligente e consciente, invisível e imaterial, não se divide, pois é uma substancia simples, portanto é imortal.

Quando nosso corpo estiver tão prostrado pela doença ou pelas lesões que não possa continuar a sua função, há a separação da alma e do corpo, o corpo cai na corrupção e a alma o abandonará – é a morte.

Mas a alma não morre, pois não pode ser destruída ou danificada. Ela depois do julgamento particular a que passará todo homem após sua morte, recebe o prêmio – por ter buscado a graça e uma vida santa de boas obras – ou a condenação – por não ter aceitado a Cristo e Sua morte, rejeitando até o fim a graça que Deus com tanta liberalidade dispôs para que esta vivesse eternamente em Sua presença.

A Igreja se preocupou em nomear o 11 artigo do Credo como:” Creio na Ressurreição da Carne”, para rebater a heresia de Himeneu e Fileto, o qual afirmavam eles que, quando a Escritura falando da ressurreição, não era para entender a ressurreicão corporal, mas da espiritual que faz ressurgir, da morte do pecado, para a vida da graça e inocência. O artigo do Credo portanto, exclui este erro e confirma a realidade da ressurreição corporal (Catecismo Romano 11 artigo – II – c – pag. 179)

O Apóstolo Paulo nos diz que o corpo semeado na corrupção, há de ressurgir incorruptível, (Icor 15,42). Os escritores eclesiásticos afirmam a reesurreição do corpo para se unir à alma, pois seria contrário à natureza, que as almas ficassem eternamente separadas, já que sendo imortais pemdem naturalmente a se conservarem unidas ao corpo.

São João Crisóstomo, em sua homilia ao povo de Antioquia, nos diz que a justiça divina também é um fator importante para se entender este assunto. Deus, justo juiz, estabeleceu penas para os maus e prêmios para os justos. Tendo o corpo servido ao homem como instrumento de prevaricação ou de santidade, devem participar dos premios ou dos castigos das almas, na proporção dos crimes ou das virtudes, que houverem praticado. (Io Chrysost Hom. 13 )

Quem irá ressucitar? Nos diz São Paulo que “assim como todos morreram em Adão, todos serão vivificados em Cristo”( I Cor 15,22). Todos, bons e maus hão de ressurgir dos mortos, mas nem todos terão a mesma sorte, “os que praticaram o bem, ressurgirão para a vida, os que praticaram o mal, ressurgirão para a condenação”(Jo 5,29).

Os que morreram em Cristo, nos diz São Paulo, ressuscitarão primeiro, e os que ficam serão arrebatados, por sobre as nuvens, para ir de encontro a Cristo nos ares”(I Tes 4,16).

Santo Ambrósio nos diz: “Nesse arrebatamento sobrevirá a morte. À semelhança de um sono, a alma se desprenderá para voltar ao corpo no mesmo instante. Ao serem arrebatadas morrerão. Chegando, porém, diante do Senhor, novamente receberão sua almas, em virtude da própria presença do Senhor, porquanto não pode haver mortos na companhia do Senhor”( Aug. de Civ. Deis XX 20)

Os corpos dos ressuscitados terão propriedades, à semelhança do corpo ressuscitado de Cristo, portanto ser-lhe-á restituído tudo o que pertença a integridade da natureza, as prendas, as excelências do homem como tal .

Santo Agostinho descreve-nos essa transformação de uma maneira interessante: "Nos corpos, diz ele, não restará então nenhuma deformidade. Era alguém muito nutrido e cheio de corpo, não retomará o mesmo volume. O que excede as proporções, é considerado supérfluo. Ao contrário, tudo o que velhice ou doença destruírem no corpo, será refeito pela divina virtude de Cristo. Tal acontece, por exemplo, com quem for de excessiva magreza, porque Cristo não Se limita a ressuscitar o corpo, mas repõe ao mesmo tempo o que [nele] definhou com as privações desta vida". ( Aug de civ. Deis XXII 19 ss)

Tudo em nós será restaurado à semelhança de Cristo, já que a ressurreição faz parte das grandes obras de Deus, em pé de igualdade com a própria Criação . Deus fez tudo perfeito no começo e tudo será perfeito no final. Santo Agostinho afirma que “não só aos mártires acontecerá estas maravilhas, mas a todos. Os mutilados, os degolados, todos terào restituídos seus corpos, mas terão as marcas tal qual ficou em Cristo a marca dos pregos.

São Tomás na Exposição ao Credo diz que porque os corpos serão incorruptíveis e imortais, não terão necessidade de alimento, nem usarão do sexo. Lê-se: na ressurreição nem os homens terão mulheres, nem as mulheres terão maridos,· mas serão como Anjos de Deus no Céu (Mt 22,30).

Quanto à idade, ele diz que todos ressurgirão na idade perfeita, nos trinta e dois anos. A razão disto é que, os que ainda não atingiram esta idade, não chegaram à idade perfeita, e, os velhos, já a ultrapassaram. Eis porque aos jovens e às crianças será acrescido o que falta, e, aos velhos, restituído. Lê-se: Até que cheguemos todos ... ao homem perfeito, na medida da plenitude da idade de Cristo (Ef 4,13).

Quanto aos maus, este também resuperarão seus membros, ainda que lhes caiba a culpa da amputação. Só que quanto maior for a restituição, maior serão os tormentos, pois ela não lhe acarreta felicidade, mas dores sem fim.

Todos, bons ou maus, serão imortais após a ressurreicão, pois por Cristo, pela Sua Cruz a morte foi vencida, foi o ultimo inimigo a bater. Mas os corpos dos justos terào como que adornos lhes conferindo uma nobreza a que nunca sonharam neste mundo: impassibilidade, sutileza (ou penetrabilidade), agilidade e claridade. Pois bem, se os corpos dos justos serão transformados e glorificados segundo o modelo do Corpo de Cristo

Entre os dons dos corpos ressuscitados dos santos estão:

Impassibilidade: Dom especial cuja virtude é impedir que os corpos sintam qualquer dor, sofrimento ou incômodo. “Semeia-se o corpo na corrupção, diz oApóstolo, e ressurgirá na incorruptibilidade” (I Cor. XV, 42). A impassibilidade não é comum aos condenados, cujos corpos podem, apesar de imperecíveis, podem padecer de todas as formas de sofrimento.

Claridade: Dom especial pelo qual os corpos dos Santos refulgirão como o sol. Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem-aventurança. Diz Nosso Senhor: “Os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai” (Mat. XIII, 43). Esse é o dom que às vezes o Apóstolo chama de “glória”.

Mas não devemos crer que todos sejam dotados da mesma claridade, como o serão da mesma incorruptibilidade. O fulgor do corpo ressuscitado será proporcional à santidade da alma. Diz São Paulo: “Uma é a claridade do sol, outra a das estrelas. Com efeito, uma estrela difere da outra em claridade. Assim acontecerá na ressurreição dos mortos” (I Cor XV, 41-42). Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem aventurança da alma. Vem a ser a participação da felicidade, de que goza a própria alma, pois nela recai uma parcela da felicidade divina

Sutileza: O corpo ficará inteiramente sujeito ao império da alma, prestando-lhe serviço, e executando suas ordens com prontidão. “Semeia-se um corpo animal, ressuscitará um corpo espiritual” (I Cor. XV, 44).

É bem notar que a sutilidade, de modo nenhum, implica que o corpo ressuscitado deixe de ser matéria para se converter em espírito; é matéria autêntica, contudo matéria mais intensamente penetrada pelo espírito; o que quer dizer: enriquecida de qualidades mais nobres dos que as que possui atualmente.

A expressão paulina “corpo espiritual” não significa senão corpo de matéria em que o Espírito Santo expande plenamente a vida e glória de Deus.

Explica Santo Agostinho: “Assim como o espírito, servindo à carne, é, com razão, dito carnal, assim a carne, servindo ao espírito, é adequadamente chamada espiritual, não porque se torne espírito, como julgam a alguns baseados em I Cor. XV...; mas porque se sujeitará ao espírito numa suma e admirável prontidão para obedecer... removido todo sentimento de dor, toda corruptibilidade e lentidão. Não somente o corpo não será tal como é agora no melhor estado de saúde, mas nem mesmo tal como foi nos primeiros homens antes do pecado.” (De civ. Dei 13, 20).

Agilidade: Devido ao dom da sutileza, poderão se mover para onde a alma queira. No Cristo ressuscitado tem-se claro exemplar de tal prerrogativa: com admirável facilidade o Senhor se transpunha de uma região a outra da Palestina.

Em conclusão, verifica-se que os quatro dotes distintivos dos corpos gloriosos derivam da perfeita harmonia que reinará entre carne e espírito no estado de consumação. A alma do justo, tendo entrado definitivamente no seu lugar de criatura sujeita ao Criador, aderindo a Deus com toda inteligência e afeto, será grandemente dignificada: adquirirá sobre os seres inferiores, a começar pelo próprio corpo, o domínio que em vão ela procuraria obter rompendo os seus vínculos de sujeição ao Senhor; doutra parte, por esse domínio que sobre o corpo exercerá a alma, o próprio corpo está nobilitado.

O primeiro homem, cobiçando dignidade e poder independentimente de Deus, perdeu todos os dotes, preternaturais e sobrenaturais, de que gozava no Paraíso; ora, eis que na restauração de todas as coisas Deus Se dignará não propriamente restituir os dons perdidos, mas ultrapassá-los, concedendo à criatura humana prerrogativas muito superiores às do primeiro Paraíso.

Ao contrário, os corpos daqueles que tiverem recusado a restauração trazida por Cristo, isto é, os corpos dos réprobos, que sofrerão as penas eternas, os seus corpos possuirão quatro qualidades más.

Serão obscuros, conforme se lê: Os seus rostos serão como fisionomias inflamadas (Is 13,8) serão como imagens hediondas do mais deplorável estado de alma.

Serão passíveis, mas jamais corrompidos, pois arderão para sempre no fogo e nunca serão consumidos. Lê-se: Os vermes nunca morrerão nos seus corpos, e o fogo neles nunca se extinguirá (Is 66,24).Crassos, resistentes aos impulsos da alma.

Serão pesados, porque as almas estarão como que acorrentadas. Lê-se: Para prender os seus reis com grilhões (SI 149,8).

Finalmente, os corpos e as almas serão, de certo modo, carnais. Lê-se: Os animais apodrecerão nos seus excrementos (Jl 1,17).Sào passíveis de dor.

Em uma palavra, serão expressão fiel da horrenda situação produzida na alma pelo ódio a Deus.

“Virá o dia da retribuição, quando os corpos ressurgirão e o homem inteiro receberá o que merecer... Assim como muito difere a alegria dos que sonham da alegria dos que estão acordados, assim grande diferença haverá entre a felicidade dos mortos e a dos ressuscitados; não porque as almas dos defuntos sejam induzidas em ilusões como as que dormem, mas porque uma coisa é o repouso das almas separadas dos corpos, outra coisa é a glória e a felicidade das almas unidas aos corpos celestes" (Santo Agostinho, Serm. 280, 5).

Podemos depois de todo o exposto, dar graças a Deus que não nos deixou na ignorância, já que Ele não esconde Seus mistérios aos pequenos. Pois quantos neste mundo tem perdido a vida pelo desconhecimento de tão grandes bens? Bendito seja Jesus, nosso Senhor, que nos mereceu o céu e que nos chama a vida juntamente com Ele. É preciso tirar bons frutos deste conhecimento, rejeitando a todo instante o pecado que nos alicia e mata e nos afasta de Deus, buscando solidamente o bem, na esperança de uma futura ressurreição.

Deus seja louvado!

Fonte de pesquisa: Catecismo Romano, A Fé Explicada - padre Leo Trese, Catecismo da Igreja Católica - Exposição sobre o Credo segundo São Tomás de Aquino e Escritos dos Santos.

sábado, 14 de março de 2009

Cristo: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem está no meio de Nós


Esta é uma fundamental verdade da fé, e por ela sabemos que a natureza humana e a natureza divina de Nosso Senhor Jesus Cristo nem se confundem, nem se separam. Formam, unidas a tal ponto, uma única Pessoa, a saber: a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.



Foi no IV Concílio Ecumênico, conhecido como Concílio de Calcedônia (convocado no ano 451), que a Igreja formalizou dogmaticamente esta verdade. Eis como os Padres Conciliares definiram as duas naturezas em Cristo (Sessão VI – 22/10/451):

”Seguindo, pois, os Santos Padres, unanimemente ensinamos que se deve confessar: "Um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito na Sua divindade e perfeito na Sua humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, [composto] de alma racional e de corpo; consubstancial ao Pai quanto à divindade, consubstancial a nós quanto à humanidade, “em tudo semelhante a nós, menos no pecado” (Heb 4,15); gerado do Pai antes dos séculos, segundo a divindade; e, nos últimos tempos, por nós e para a nossa salvação, [gerado] de Maria Virgem, Mãe de Deus, segundo a humanidade; que se deve reconhecer um só e mesmo Cristo Senhor, Filho Unigênito, em duas naturezas, sem confusão, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis, de nenhum modo suprimida a diferença das naturezas por causa de sua união, mas salvaguardada a propriedade de cada natureza e confluindo numa só Pessoa e hipostase, não separado ou dividido em duas pessoas, mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus-Verbo, Senhor Jesus Cristo, como outrora nos ensinaram sobre Ele os profetas e depois o próprio Jesus Cristo, e como nos transmitiu o símbolo dos Padres"

A encarnação de Jesus Cristo realiza-se na plenitude dos tempos, e com ela vivemos e antecipamos desde já aquilo que será a realidade final na ressurreição dos mortos.

Esta encarnação do Filho de Deus permite ver realizada uma síntese duradoura e definitiva que a mente humana, por si mesma, nem sequer poderia imaginar: “o Eterno entra no tempo, o Tudo esconde-se no fragmento. Deus assume o rosto do homem”. Deste modo a verdade expressa na revelação de Cristo, deixou de estar circunscrita a um restrito âmbito territorial e cultural, abrindo-se a todo homem e mulher que a queiram acolher como palavra definitivamente válida para dar sentido a existência. [Carta Encíclica Fides et Ratio, de Sua Santidade o Papa João Paulo II].

Ao depararmos com os Santos Evangelhos, vemos Cristo divino e humano, curando os homens e suas chagas, tanto físicas quanto espirituais. As multidões se acorriam a Ele porque no mais íntimo de seu ser buscavam o Eterno, Àquele que poderia tirá-los da escuridão em que se encontravam; porque todos, sem nenhuma exceção, haviam pecado e todos estavam privados da glória de Deus (Rom. 3, 23), e o Pai que tanto amou o mundo, porque este foi feito por Ele e de uma maneira perfeita - porque Ele é perfeito -, ao ver a humanidade desolada, fadada ao abismo e longe de sua face santa, enviou seu único Filho, para que todos os que n’Ele cressem, não perecessem, mas que fossem salvos por Ele.

Com efeito, só no Verbo de Deus feito carne se realizou a obra de nossa Redenção, e o instrumento da nossa salvação foi a Humanidade de Jesus – corpo e alma – na unidade da pessoa do Verbo [cf. Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II n.5]. Esta humanidade é o único caminho para a salvação dos homens e o meio insubstituível para nos unir com Deus. Jesus se fez homem como nós e não se prevaleceu somente de sua divindade, mas porque nos amou até o fim, quis fazer a vontade do Pai e pela obediência e entrega total de seu ser, veio para satisfazer a ofensa infinita da desobediência do homem feita à Deus que é Santíssimo, causa de toda ruína humana.

Sendo Deus, qualquer ato seu já seria suficiente para aplacar a ira divina e satisfazer toda ofensa, e como homem, poderia nos representar, porque entre nós, não havia um justo sequer, por isso Ele disse: Eis que venho, ó Deus, para fazer a Tua vontade (Sal 39, 7 ss), se encarnou , cumpriu toda a lei e se deu por inteiro, se fez vítima no silencio do seu amor, se fez cordeiro e como um foi levado ao matadouro, manifestando ali a face do verdadeiro Deus que é misericordioso, e que ama seus filhos desobedientes, porque sabe do que é que são feitos. O Pai, no Filho, pelo poder do Espírito Santo, estende a mão à humanidade perdida, entrega seu maior bem e abre através do corpo deste bem, as portas do céu. Consome-se, desgasta-se, morre, para que junto d’Ele, morra a morte, aquela que aprisiona todo ser. E vence o demônio, autor de toda mentira e da desgraça do homem.

A Cruz que era sinal de escândalo para o mundo se tornou para nós que cremos, sinal de salvação e de esperança, penhor da nossa Redenção eterna. Na cruz se deu a vitória da obediência sobre a desobediência, da humildade sobre o orgulho (raiz de todo pecado), da luz sobre as trevas.

Meditemos no Senhor, chagado dos pés à cabeça por amor de nós. Com frase que se aproxima da realidade, embora não consiga exprimi-la completamente, podemos repetir com um escritor de há séculos: O corpo de Jesus é um retábulo de dores. À vista de Cristo feito um farrapo, transformado num corpo inerte descido da Cruz e confiado a Sua Mãe, à vista desse Jesus destroçado, poder-se-ia concluir que esta cena é a exteriorização mais clara de uma derrota. Onde estão as massas que o seguiram e o Reino cuja vinda anunciava? Contudo, não temos diante dos olhos uma derrota, mas sim uma vitória: - está agora mais perto do que nunca o momento da Ressurreição, da manifestação da glória que Cristo conquistou com a Sua obediência” (Cristo que passa, n. 95)

“Quem é capaz de morrer quando queira, como Jesus morreu quando quis? Quem pode revestir-se da morte quando queira, como Ele Se despojou de Sua carne quando quis?(...) Quanto deve esperar-se ou temer-se o poder daquele que virá para julgar, quando tão grande apareceu no momento de morrer!” (Novo Testamento - Edição de Navarra p. 1411. Evangelho de São João)

Os méritos e as graças conquistadas na cruz, foram suficientes para redimir toda humanidade, e para dispensá-las aos homens, por quem Ele morreu, enquanto esteve na sua vida terrena, Jesus quis formar aqui uma Igreja, que apontaria para Ele e muito mais que isso, seria nela e por ela, que todos os homens conseguiriam se achegar de novo ao Pai, e como sem “fé é impossível agradar a Deus”(Hb 11,6), ninguém jamais pode ser justificado sem ela, nem conseguir a vida eterna, se nela não “perseverar até o fim” (Mt 10,22; 24,13). Ora, para que pudéssemos cumprir o dever de abraçar a verdadeira fé e nela perseverar constantemente, Deus instituiu, por meio do seu Filho Unigênito, esta Igreja, e a muniu com as notas manifestadas em sua instituição (Santa, Católica, Apostólica e Romana), para que pudesse ser reconhecida como guardiã e mestra da palavra revelada.

Nos três anos de seu ministério público, Jesus chamou 12 apóstolos que estariam com Ele, os formou, e deu a eles a tríplice missão da Igreja que é: Ensinar – “Ide, pois, ensinai a todos os povos [...]. Ensinando-os a observar todas as coisas que vos mandei “(Mt. 28,19-20). Santificar – “Batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28,19); Isto é o meu corpo [...]; fazei-o em memória de mim” (Lc. 22,19); Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos (Jo. 20,23); e governar em seu nome – “Se se recusar a ouvi-los, dize-o à Igreja. Se não ouvir a Igreja, considera-o como um gentio ou um publicano. [...] Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu; e tudo o que desatardes sobre a terra, será desatado no céu (Mt. 18,17-18); Quem vos ouve, a mim ouve, e quem vos despreza, a mim despreza (Lc. 10,16).

“Para manter a Igreja na pureza da fé transmitida pelos Apóstolos, Cristo quis conferir à sua Esposa uma participação na sua própria infalibilidade, Ele que é a Verdade.”Pelo sentido sobrenatural da fé, o Povo de Deus se atém indefectivelmente à fé, sob a guia do Magistério vivo da Igreja (cf. Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II. 12,DV 10).

“A missão do Magistério está ligada ao caráter definitivo da Aliança instaurada por Deus em Cristo como seu Povo; deve protegê-lo dos desvios e dos desfalecimentos e garantir-lhe a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé autêntica. O ofício pastoral do Magistério está assim ordenado ao cuidado. para que, o Povo de Deus permaneça na verdade que liberta. Para executar este serviço, Cristo dotou os pastores do carisma de infalibilidade em matéria de fé e de costumes” (TRESE, Léo. Fé Explicada p. 138)

Quando o Menino Deus veio ao mundo, iluminou a todos, porque o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e a estrela que indicava o caminho, brilhou para aqueles que procuravam Deus em seus corações, e a Ele, vieram os pastores, os reis magos, indicando que a todos foi oferecido o caminho, a salvação, a vida.

Já não há mais motivos para que os homens se percam, para que vivam nas trevas do pecado, pois todos, independente de raça, tribos e nações, poderão buscar o Senhor, já que Ele tem se deixado encontrar e está perto dos que o invocam com sinceridade.


“Deus, infinitamente Perfeito e Bem-Aventurado em si mesmo, em um desígno de pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo participar de sua vida bem-aventurada. Eis por que, desde sempre e em todo lugar, está perto do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-lo, a conhecê-lo e a amá-lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade de sua família, a Igreja”. [Catecismo da Igreja Católica – Prólogo]

O Pecado ainda está no mundo e este jaz no maligno, mas a graça, o poder de Deus dispensados através de seu Santo Espírito, que é o espírito da verdade, renova este mundo, revela Deus aos corações, e mostra aos homens que o mal não é vencedor de nada, porque este espírito santifica todo homem e o torna semelhante a Deus, já que põe em seus corações o germe do bem e do amor.

Este mesmo Espírito convoca os homens a verem de novo a estrela, sim, porque ela continua brilhando, mas hoje não mais leva os homens à manjedoura, porém à Igreja, constituída por Cristo, saída do seu lado direito, de suas chagas, de onde verteu sangue e água, para dar vida aos homens. Nela e somente nela, poderão como no tempo dos santos Evangelhos se encontrar com o mesmo Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem e poderem ter de novo, sua chagas curadas.

Ele mesmo quis e através do memorial de sua paixão, todos os dias, em todos os altares do mundo, se faz alimento e os homens poderão de novo recebê-lo, porque Ele quis se fazer desse modo para sustentar a todos, que pela fé se achegarem a Ele, nesta caminhada rumo a pátria celeste; onde não haverá mais choro nem dor, no entanto nos encontraremos face a face com Ele e gozaremos juntamente com os Santos, os anjos e Nossa Mãe Santíssima, de sua presença gloriosa, onde haverá louvores sem fim, e poderemos viver eternamente com Ele na glória.

Portanto, se quisermos nos encontrar com o Deus feito homem, temos que necessariamente nos aproximarmos - sem a mácula do pecado -, da mesa da Eucaristia, porque ali estará a cura, a graça e sobretudo o próprio autor da vida. E a vida que Ele nos oferece, é vida em abundância já aqui neste mundo. Busquemos o Reino de Deus e sua justiça e o resto nos será acrescentado, é promessa de Deus e nela confiamos. Amém.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Religião do Amor, Religião da Cruz?


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Entrevista com Santo Agostinho de Hipona

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Tenho a impressão de que, hoje como ontem, o grande obstáculo para que muitas pessoas - sejamos sinceros: muitos cristãos - abracem de verdade o cristianismo é a Cruz. Com efeito, por que a religião do amor há de ser a religião da Cruz?

Santo Agostinho nos responde:

“ Era preciso mostrar ao homem quanto Deus nos amou e o que éramos quando nos amou: "quanto", para que não desesperássemos; "o que éramos", para que não nos ensoberbecêssemos. Gostaria de dizer ao ouvido de cada um: "A Vida eterna assumiu a morte, a Vida eterna quis morrer. Não morreu segundo o que era em Si mesma antes de morrer; morreu segundo O que tinha de comum contigo, depois de encarnada. De ti recebeu a natureza segundo a qual devia morrer por ti; e assumiu a morte para matar a tua morte. Escuta-me: és cristão, és membro de Cristo; considera bem o que és, pensa a que preço foste resgatado. Cristo quis padecer por ti. Ensinou-te a padecer, e ensinou-te padecendo Ele primeiro. Ter-lhe-iam parecido muito pouco as suas palavras, se não as tivesse acompanhado com o seu exemplo".

E como foi que nos ensinou? – o tom agora é intimo, dolorido. Como foi que nos ensinou? Pendia da cruz, e nós nos assanhávamos contra Ele; estava preso à cruz por ásperos cravos, mas não perdia a mansidão. Nós nos enfurecíamos contra Ele, ladrávamos à sua volta como cães e o insultávamos enquanto permanecia pendurado. Como loucos furiosos, atormentávamos o único Médico posto no meio de nós; e no entanto, pendurado, Ele nos curava. Pai, dizia, perdoa-lhes porque não sabem o que jazem. Pedia e pendia; e não descia, porque ia transformar o seu Sangue no remédio para esses loucos furiosos ...

Nós jazíamos mortos na nossa carne de pecado, e Cristo adaptou-se à semelhança da carne de pecado. Porque morreu quem não tinha razão para morrer; morreu o único livre dentre os mortos, porque toda a carne humana era certamente carne de pecado, e ... como é que essa carne haveria de reviver, se Aquele que não tinha pecado não se adaptasse ao morto, vindo até nós sob a semelhança da carne de pecado? Senhor, Tu padeceste por nós, não por Ti, porque não tinhas culpa, e te submeteste à pena para livrar-nos da culpa e da pena! Em conseqüência, também nós devemos recapacitar e dizer: [i]Senhor, compadece-te de mim; cura a minha alma, porque pequei contra Ti. [/i]Ó Senhor, dá-me sofrimentos, já que não poupaste o teu Unigênito. Ele foi atormentado, sem ter pecado, e eu ... Se foi retalhado Aquele que não tinha podridão, se a nossa própria Medicina não rejeitou o fogo medicinal, será razoável que nós nos revoltemos contra o Médico e Cirurgião, quer dizer, contra Aquele que nos cura do pecado através dos sofrimentos que nos permite padecer? Entregue- mo-nos em cheio nas mãos do Médico, pois Ele não erra, cortando a carne sã em vez da gangrenada; Ele conhece bem o que ausculta, conhece o vício por ter criado a natureza; conhece bem o que criou e teve de assumir por causa da nossa leviandade.


Não faltam, porém, aqueles que sustentam que isso de "tomar a Cruz" está ultrapassado, e que tudo o que signifique aceitar e buscar o sofrimento não passa de exagero neurótico.

“É preciso entender que foi o homem quem talhou para si mesmo um caminho áspero. Mas esse caminho foi percorrido primeiro por Cristo, no seu regresso para o Pai; e por isso Ele pode dizer-nos: Tome cada um a sua cruz e siga-me. Que significa isto? Que, quando começarmos a segui-lo nas suas virtudes e preceitos, encontraremos muitos que quererão contradizer-nos, muitos que lançarão obstáculos no nosso caminho, e muitos outros que tentarão dissuadir-nos de continuar, e tudo isso até entre aqueles que figuram como nossos companheiros de viagem rumo a Cristo. Devemos lembrar-nos de que, como nos dizem os Evangelhos, aqueles que proibiam os cegos de clamar por Cristo eram gente que caminhava ao lado dEle. Se queremos segui-lo, o melhor que podemos fazer é aceitar como cruzes as censuras, as coisas desagradáveis e todo o tipo de contradições; toleremos tudo, suportemos tudo, e não queiramos chegar logo ao fim. E, ao mesmo tempo, amemos o Único que não decepciona, o Único que não engana; amemo-lo porque é verdade o que promete, mesmo que não no-lo dê imediatamente e a fé ameace titubear. Resistamos, perseveremos, agüentemos, suportemos a demora: tudo isso é levar a nossa cruz. E se de verdade somos cristãos, esperemos tribulações neste mundo, não esperemos por tempos melhores: só nos estaríamos enganando. O que o Evangelho não nos prometeu, não o prometamos a nós mesmos. Quem perseverar com espírito ardente não esfriará na sua caridade; porque dá ouvidos Àquele que não se engana nem engana ninguém; e que nos prometeu a felicidade, não aqui, e sim nEle. E assim, quando tiverem passado todas as coisas desta terra, então poderemos esperar com firmeza que reinaremos com Ele por toda a eternidade

Renúncias, desapego, combate contra as paixões, sofrimentos, tribulações e cruzes ... Não será por causa da insistência nesses temas que muitos consideram a "visão cristã da vida" excessivamente ascética e dura, e dizem e escrevem que sufoca a alegria de viver?

“Os homens toleram de bom grado ser cortados e queimados para evitar o sofrimento de umas dores agudas, não digo já das penas eternas, mas de uma simples ferida um pouco mais grave. Para conseguir uma aposentadoria tranqüila, uma vida lânguida e incerta e de duração muito breve, o soldado - ... - suporta guerras cruéis; vive inquieto talvez durante muitos anos de trabalho, à espera unicamente de poder descansar um pouco. A que tempestades e tormentas não se expõem os mercadores -, só para conseguirem umas riquezas feitas de ar! Que calores, que frios, que precipícios e rios não enfrentam os caçadores, que escassez de comida e bebida, só para capturarem uma besta e satisfazerem assim nãouma necessidade, mas um capricho! Quantos incômodos de noites passadas em branco e de prazeres de que é preciso privar-se não suporta o estudante, não já para aprender a sabedoria, mas pelo dinheiro e pelas honras da vaidade, para aprender a fazer contas, a ler e a mentir com elegância! ... Em todas essas coisas, aqueles que não as amam sofrem com a dureza do que têm de padecer; e os que as amam padecem exatamente o mesmo na aparência, embora não sofram com a sua dureza. Por quê? Porque o amor torna fáceis e praticamente insignificantes todas as coisas duras e atrozes. Se, para evitar a miséria temporal, a ambição enfrenta trabalhos enormes, com quanto mais facilidade e decisão não fará a caridade o mesmo, quando se trata de evitar a miséria eterna e conseguir a paz duradoura!

Com razão diz-nos o Apóstolo Paulo, cheio de uma imensa alegria: Os padecimentos do tempo presente não têm proporção alguma com a glória jutura que se revelará em nós. Já se vê por que dizemos que o jugo de Cristo é suave e a sua carga leve. Se a vida cristã é dificil para os poucos que enveredam por ela, torna-se fácil para os que amam a Deus. Esses caminhos que parecem duros aos que "labutam" - aos que, kantianamente, só enxergam na vida cristã uma série de deveres a cumprir -, são suaves' para os que amam. Por isso, a divina Providência faz com que, o homem interior, que se renova de dia para dia, já não viva sob a Lei, mas sob a graça; libertado - pelo modo como as cumpre - da carga das inúmeras observâncias que constituíam um jugo pesado, mas muito conveniente para domar a sua dura cerviz - o seu orgulho intelectual, diríamos nós -, esse homem respira agora a facilidade de uma fé simples, de uma esperança boa e da santa caridade. Todos os incômodos impostos ao homem exterior tornam-se leves para o homem interior. Nada é tão fácil para uma vontade realmente boa como ser ela mesma, e isso basta para Deus


Que dizer então dessas pessoas, até bondosas, que cifram todo o seu ideal em poupar incomodidades e sofrimentos a si e aos outros? E, quando estão investidas em responsabilidade pelos outros, por serem pais, governantes, sacerdotes, evitam acima de tudo exigir condutas custosas àqueles que lhes estão confiados?

“Essas pessoas são como alguém que, para facilitar a vida dos pássaros, lhes cortasse as asas para aliviá-los do seu peso. Quanto mais peso lhes tirarem, mais presos os deixarão à terra! Porque lhe tiraram o peso, a ave já não voa; devolvam-lho, e voará até às nuvens! Assim é também o peso de Cristo; carreguem-no os homens, não sejam preguiçosos. Não dêem ouvidos aos que não querem arcar com ele; ponham-no aos ombros os que querem, e experimentarão como é leve, como é suave, como é alegre, como os arrebata para o céu, desprendendo-os da terra. Outras são as cargas que oprimem e esmagam; a de Cristo sustenta. Outra é a carga que pesa; a de Cristo é toda asas”

O senhor tocou já várias vezes num tema candente, o do amor. Podemos dizer que, segundo o seu modo de pensar, mais do que uma questão de cumprir umas leis morais, ou de aderir a um sistema de doutrinas, o cristianismo é questão de amor?

“É evidente: o verdadeiro amor consiste em aderír à verdade para viver na justiça. Ninguém desfruta daquilo que conhece se não o ama ... e ninguém persevera no cumprimento daquilo que ama senão com mais amor. Por outro lado, nenhum bem é perfeitamente conhecido se não for perfeitamente amado. Cada um será como for o seu amor. Amamos a terra? Seremos terra. Amamos a Deus? Que vou dizer que seremos Deus? Não ouso dizê-lo por mim mesmo, mas ouçamos a Escritura: Eu digo: deuses sois, e todos filhos do Altíssimo. Quando a alma vive na iniqüidade, está morta. Quando, pelo contrário, se torna justa, torna-se participante de uma outra vida distinta da sua; porque, elevando-se até Deus e unindo-se a Deus pelo amor, é justificada por Ele .


Fonte: Livro: Onde está Meu Deus? Editora quadrante

domingo, 8 de março de 2009

Mérito



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Fonte: A Fé Explicada - padre Léo Trese - Editora Quadrante.

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Certa vez, li na secção de pequenas notícias de um jornal, que um homem construiu uma casa para a sua família. Ele mesmo executou quase todas as obras, investindo todas as suas economias nos materiais. Quando a terminou, verificou com horror que se tinha enganado de propriedade e que a tinha construído no terreno de um vizinho. Este, tranquilamente se apossou-se da casa, enquanto o construtor não pôde fazer outra coisa senão chorar o dinheiro e o tempo perdidos.

Por lamentável que nos pareça a história deste homem, não chega a ter importância se a compararmos com a pessoa que vive sem a graça santificante. Por nobres e heróicos que sejam as suas acões, não tem valor aos olhos de Deus. Se não recebeu o Batismo ou está em pecado mortal, essa alma separada de Deus vive os seus dias em vão. As suas dores e tristezas, os seus sacrifícios e bondades, tudo está desprovido de valor eterno, desperdiça-se diante de Deus. Não existe mérito no que é esse faz.

Então, que é esse Mérito?

O Mérito foi definido como:

Aquela propriedade de uma obra boa que habilita quem a realiza a receber uma recompensa. Estou certo de que todos concordamos em afirmar que, em geral, agir bem exige certo esforço. É fácil ver que alimentar um faminto, doente ou fazer um favor ao próximo requer certo sacrifício pessoal. Vê-se facilmente que estas ações têm um valor, merecem, ao menos potencialmente, um recompensa. Mas esta recompensa não pode ser pedida a Deus se Ele não teve parte nessas ações, se não existe comunicação entre Deus e aquele que as faz. Se um operário não quer que o incluam na folha de pagamento, não poderá exigir seu salário, por mais que trabalhe.

Por isso, só a alma que está em graça santificante pode adquirir méritos pelas suas ações. É esse estado que dá valor de eternidade a uma ação. As ações humanas, se são puramente humanas, não têm nenhuma significação sobrenatural. Só adquirem valor divino r quando se tomam obras do próprio Deus. E as nossas ações são em certo sentido obra de Deus quando Ele está presente numa alma pela graça santificante.

Diante de Deus, em sentido estritamente jurídico, não há mérito da parte do homem. Entre Ele e nós, a desigualdade é infinita, pois dEle, que é nosso Criador, recebemos tudo. [...] Aliás, o próprio mérito do homem depende de Deus, pois as suas boas ações procedem, em Cristo, das inspirações e do auxílio do Espírito Santo [...] A caridade de Cristo em nós constitui a fonte de todos os nossos méritos diante de Deus. A graça, unindo-nos a Cristo com um amor ativo, assegura a qualidade sobrenatural dos nossos atos e, por conseguinte, o seu mérito tanto diante de Deus como diante dos homens. Os santos sempre tiveram viva consciência, de que seus méritos eram pura graça" (ns. 2007 e 2011; cf. ns.. 2571-85 e 2588-9). E isto é tão verdadeiro que a menor das nossas ações adquire valor sobrenatural quando a fazemos em união com Deus. Tudo o que Deus faz, ainda que o faça através de instrumentos livres, tem valor divino. Isto permite que a menor das nossas obras, desde que moralmente boa, seja meritória enquanto tivermos a intenção, ao menos habitual, de fazer tudo por Deus.

Se o mérito é "a propriedade de uma obra boa que habilita quem a realiza a receber uma recompensa", a pergunta imediata e lógica será: Que recompensa? As nossas ações sobrenaturalmente boas merecem o quê?

A recompensa é tripla:

1 - uma aumento de graça santificante
2- a vida eterna
3- maior glória no céu.

Sobre a segunda parte desta recompensa - a vida eterna - é interessante ressaltar um aspecto: para a criança batizada, o céu é uma herança que lhe cabe pela sua adoção como filha de Deus , incorporada em Cristo; mas para o cristão no uso da razão, o céu é tanto herança como recompensa que Deus promete aos que O servem.
Quanto ao terceiro elemento do prêmio - uma maior glória no céu - vemos que é consequência do primeiro. O nosso grau de glória dependerá do grau de união com Deus, da medida em que a graça santificante tiver empapado a nossa alma. A nossa capacidade de glória no céu crescerá tanto quanto crescer a graça em nós.

No entanto, para alcançarmos a vida eterna e o grau de glória que tenhamos merecido, devemos, é claro, morrer em estado de graça. O pecado mortal arrebata todos os nosso méritos, como a falência de um banco arruína as economias de toda uma vida. E não há maneira de adquirir méritos depois da morte, nem no purgatório, nem no inferno, nem sequer no céu. Esta vida - e só esta vida - é o tempo de prova, o tempo de merecer.

Mas é consolador saber que os méritos que podemos perder pelo pecado mortal se restauram tão logo a alma se reconcilia com Deus por um ato de contrição perfeita ou por uma confissão bem feita. Os méritos revivem no momento em que a graça santificante volta à alma. Em outras palavras, o pecador contrito não tem que começar de novo: o seu tesouro anterior de méritos não está perdido para sempre.

Pra você e pra mim, que siginifica na prática, viver em estado de graça santificante?

Para responder à questão, observemos dois homens que trabalham juntos no mesmo escritório. Para quem os observa casualmente, os dois são muito parecidos. Tem a mesma categoria de trabalho, ambos são casados e tem família, ambos levam essa vida que poderíamos qualificar como "respeitável". Um deles, porém, é o que chamaríamos de "indiferente". Não pratica nenhuma religião e poucas vezes, para não dizer nenhuma, pensa em Deus. A sua filosofia é que a felicidade de cada qual depende dele mesmo, e por isso, deve procurar tirar da vida tudo o que esta pode oferecer. "Se eu não o consigo - diz ele - ninguém fará por mim".

Não é um mau homem. Pelo contrário, em muitas coisas despesperta admiração. Trabalha como um escravo porque quer triunfar na vida e dar à família tudo o que haja de melhor. Dedica-se sinceramente aos seus: orgulhoso da mulher, a quem considera uma companheira encantadora e generosa, devotado filhos, nos quais vê uma prolongação de si mesmo. "Eles são a única imortalidade que me interessa", diz ele aos seus amigos. É um bom amigo, apreciado por todos os que o conhece, moderadamente generoso e consciente dos seus deveres cívicos. A sua laboriosidade, sinceridade, honradez e delicadeza não se baseiam em princípios religiosos: "Isso é decente ou honesto - explica -; tenho que fazê-lo por respeito a mim mesmo e aos outros".

Temos aqui em breves traços o retrato do homem "naturalmente" bom. Todos nós tropeçamos com ele alguma vez e, ao os externamente, enchemo-nos de vergonha pensando em mais de uma pessoa que se chama cristã, mas parece encontrar-se se muito abaixo na escala moral. E, apesar disso, sabemos que esse homem falha no mais importante. Não faz o que é decente, não se comporta com respeito por si mesmo e pelos seus, porque ignora a única coisa realmente necessária, o fim para que foi criado: amar a Deus e provar esse amor cumprindo vontade divina. Precisamente por ser tão bom em coisas menos transcendentais, a nossa compaixão por ele é maior, a nossa oração por ele mais compassiva.

Dirijamos agora a nossa atenção ao outro homem.

Eesse que trabalha sentado à mesa, diante de um computador ou no balcão contíguo. À primeira vista, parece uma cópia do primeiro; não há diferença: em posição, família, trabalho e personalidade. Mas existe uma diferença incalculável que os olhos não podem apreciar facilmente, porque reside na intenção. A vida do segundo não se baseia no "decente" ou no "respeito por si mesmo", ou, menos, não principalmente. Os afetos e aspirações naturais, partilha com todo o gênero humano, nele se transformam afetos e aspirações mais altos: o amor a Deus e o desejo de cumprir a sua Vontade.

A sua esposa não é apenas a companheira no lar; é também companheira no altar. Ele e ela estão associados a Deus e ajudam-se mutuamente a caminhar para a santidade, cooperam com Deus na criação de novos seres humanos destinados à glória eterna. O amor que dedica aos filhos não é a mera extensão do amor por si mesmo; vê-os como uma solene prova de confiança que Deus lhe dá, considera-se como simples administrador

O seu trabalho é mais do que uma oportunidade de ganhar a vida e progredir. É parte da sua paternidade sacerdotal, é meio para atender às necessidades materiais da sua família e parte do plano querido por Deus para ele. Realiza assim o melhor que pode o seu trabalho, porque compreende que ele próprio é um instrumento nas mãos de Deus para completar a obra da Criação no mundo.

"O trabalho humano procede imediatamente das pessoas criadas à imagem de Deus e chamadas a prolongar, umas para as outras, a obra da criação dominando a terra. O trabalho é, pois, um dever: Se algum de vós não quer trabalhar, também não coma (2 Tes 3, 10). O trabalho honra os dons do Criador e os talentos recebidos. Também pode ser redentor. Suportando em união com Jesus, o artesão de Nazaré e o crucificado do Calvário, o que o trabalho tem de penoso, o homem colabora de maneira com o Filho de Deus na sua obra redentora e mostra-se discípulo de Cristo, carregando a cruz de cada dia na atividade que é chamado a realizar. O trabalho pode ser um meio de santificação e uma animação das realidades terrenas no Espírito de Cristo" (CIC. n. 2427).

A Deus só pode oferecer o melhor, e este pensamento acompanha-o ao longo do dia. A sua cordialidade natural está impregnada de espírito de caridade; a sua generosidade, aperfeiçoada pelo desprendimento; a sua delicadeza, imbuída da compaixão de Cristo. Talvez não pense freqüentemente nestas coisas mas também não passa o dia dependente de si mesmo e das suas virtudes. Começou a jornada com o ponto de mira bem centrado: em Deus e longe de si. "Meu Deus - disse ele -, ofereço-te todos os meus pensamentos, palavras e ações, e as contrariedades de hoje ... " Talvez tenha dado ao seu dia o melhor dos com assistindo à missa.

Mas existe outra coisa que é imprescindível para fazer homem um homem autenticamente sobrenatural. A reta intenção é necessária, mas não basta. O seu dia deve não só dirigir-se a Deus, como deve ser vivido em união com Ele, para que tenha valor eterno. Em outras palavras, esse homem deve viver estado de graça santificante.

Em Cristo, a mais insignificante das ações tinha valor infinito, porque a sua natureza humana estava unida à sua natureza divina. Tudo o que Jesus fazia, Deus o fazia. De modo semelhante - mas só semelhante -, o mesmo se passa conosco.
Quando estamos em estado de graça, não possuímos a natureza divina, mas participamos da natureza de Deus, compartilhamos a vida divina - de uma maneira especial. Em conseqüência, qualquer coisa que façamos - exceto o pecado -, Deus o faz por nós.

Deus, presente presente na nossa alma, vai dando valor eterno a tudo o que fazemos.

As mais caseiras das ações - limpar o nariz da criança ou trocar uma lâmpada - merece um aumento de graça santificante e um grau mais alto de glória no céu, se a nossa vida está Deus.

Eis o que significa viver em estado de graça santificante, eis o que significa ser um homem sobrenatural.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sacramentos



Santos Sacramentos da Igreja, pelos quais tem início toda verdadeira Santidade pois se já começada, se submeta, e se perdida, se recobra totalmente.

O homem criado por Deus a Sua imagem e semelhança, desde sempre foi chamado a manter um relacionacionamento com Ele. Para tanto Deus se Revelou pelos profetas e nos últimos tempos, através de Seu Filho. Pela Revelação sabemos que Adão pecou e que todos ficaram privados da glória de Deus. Ainda por ela sabemos que na plenitude dos tempos Deus envia seu Filho pra resgatar este homem da condenação eterna a que estavam todos fadados, já que perderam pelo pecado original, a graça que os faria estar eternamente com Ele; e fez isso pelo sacrifício de Si mesmo, oferecendo-se em nosso favor. Ainda que Jesus Cristo tenha morrido por todos, nem todos participam do benefício de sua morte, mas somente aqueles a quem sejam comunicados os méritos de sua Paixão, porque, assim como nasceram os homens, efetivamente impuros, pois nasceram descendentes de Adão, e sendo concebidos pelo mesmo processo, contraem por esta descendência sua própria impureza, e do mesmo modo, se não renascessem por Jesus Cristo, jamais se salvariam, pois nesta regeneração é conferida a eles, pelo mérito de Sua paixão, a graça com que se tornam salvos.

O que a morte de Jesus significa, é que foi oferecida a infinita reparação pelo mal infinito da rebelião do homem contra Deus, foi pago um preço infinito para assegurar o fluxo ilimitado da graça que permite ao homem voltar a Deus e permanecer em união com Ele, durante toda a vida e a eterna. Deus, pelo Filho, nos fez dignos de entrar juntamente com os Santos na glória, nos tirou do poder das trevas e nos transferiu ao Reino de Seu Filho muito Amado, e é Nele que temos a redenção e o perdão dos pecados.

Os Evangelhos nos contam que na Cruz Jesus é perfurado por uma lança e do Seu lado direito brota sangue e água (Jo 19,34), Santo Agostinho e a tradição cristã vêem brotar os Sacramentos e a própria Igreja do lado aberto de Jesus: "Ali abria-se a porta da vida, donde manaram os Sacramentos da Igreja, sem os quais não se entra na verdadeira vida(...). Este segundo Adão adormeceu na Cruz para que dali fosse formada uma esposa que saiu do lado dAquele que dormia. Oh morte que dá vida aos mortos! Que coisa mais pura que este sangue? Que ferida mais salutar que esta?" (In Ioann Evang.,120,2 - Bíblia de Navarra, pag. 1412- 1413) .

Durante Sua vida pública as multidões se aglomeravam ao redor de Jesus para serem curadas. E eram curadas pelo Seu poder divino, servindo-se de Sua natureza humana, pois "somente ela, Sua Santíssima humanidade é o caminho para nossa salvação e o meio insubstituível para nos unir a Deus. Assim, pois, hoje nós podemos nos aproximar do Senhor por meio dos Sacramentos, de modo singular e eminente pela Eucaristia. Pelos Sacramentos flui também para nós, desde Deus através da Humanidade do Verbo, uma virtude que cura aqueles que os recebem com fé "(cfr. Suma Teológica, III,q.62,a.5).

Jesus enquanto esteve neste mundo, ao revelar a face misericordiosa de Deus, chama os apóstolos, os instrui e dá a eles poder de continuar aqui Sua missão até que Ele volte para entregar tudo ao Pai. No dia de Pentecostes, quando envia o Espirito Santo prometido, nasce a Igreja, inaugurando um tempo novo na “dispensação do mistério”: Cristo se manifesta, torna presente e comunica a Sua obra de salvação pela liturgia de Sua Igreja. Age nela e com ela pelos Sacramentos que instituiu Ele mesmo, para comunicar os frutos desta redenção maravilhosa. Cristo ressuscitado, ao dar o Espírito Santo, confere aos apóstolos o Seu poder de santificação, tornado-os assim, sinais sacramentais Dele mesmo. Estes, pelo poder do mesmo Espírito confere este poder aos seus sucessores, por isso a vida litúrgica é sacramental, para levar a efeito tão grande obra, através do qual Deus é glorificado e os homens santificados. Em todos os tempos e em todos os lugares, eis a grande misericóridia de Deus que não deixou os homens à deriva e fora de seu plano de amor.

Os Sacramentos são sinais sensíveis (palavras e ações), instituídos de modo permanente por Cristo, para santificar as almas, sendo acessíveis à nossa humanidade atual e realizam eficazmente a graça que significam, em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo presente na Igreja. Eles são como que “Forças que saem” do corpo de Cristo, sempre vivo e vivificante: ações do Espírito Santo que opera no seu corpo que é a Igreja, os Sacramentos são “as obras-primas de Deus”, na nova e eterna Aliança. ( Catecismo da Igreja Católica n.1116)

Lembremo-nos da cena daquela mulher, a hemorroísa, que depois de anos doente com um fluxo de sangue e após gastar tudo que tinha, foi até Jesus, e numa atitude humilde e reverente, consciente de que estava diante d’Aquele que tudo pode, caiu ao chão e apenas tocou na orla do seu manto…Jesus sente que uma força sai de Si e pergunta aos apóstolos: ”quem Me tocou?” Ora, havia ali uma multidão mas sómente nesta mulher saiu como que uma força…esta cena maravilhosa, diz o Catecismo que retrata os Sacramentos, onde Cristo mesmo vem em favor dos que a Ele se achegam confiantes. Os homens neste mundo tem a chance de obter cura, e libertação para seus males, tanto físicos quanto espirituais, quando buscam a Cristo presente nos Sacramentos que deixou à Sua Igreja, para serem administrados pelos Seus ministros. Assim estamos hoje, uma multidão pode falar de Cristo, buscar a Cristo, mas somente aquele que se achega aos Sacramentos, se achega à fonte da graça. Toda oração, toda união com os irmãos, todo louvor em comum, todo movimento ou pastoral, deve levar o cristão necessariamente aos Sacramentos, porque sem eles não há salvação, sobretudo a Eucaristia e o da Penitência, que são aqueles que vivificam a alma pela graça presente, logicamente depois do Batismo que o torna filho de Deus.

“As palavras e as acções de Jesus durante a sua vida oculta e o seu ministério público já eram salvíficas. Antecipavam o poder do seu mistério pascal. Anunciavam e preparavam o que Ele ia dar à Igreja quando tudo estivesse cumprido. Os mistérios da vida de Cristo são os fundamentos do que, de ora em diante, pelos ministros da sua Igreja, Cristo dispensa nos Sacramentos, porque “o que no nosso Salvador era visível, passou para os seus mistérios” (Catecismo da Igreja Católica n.1115). São Tomás de Aquino define assim as diferentes dimensões do sinal sacramental: «Sacramentum est et signum rememorativum eius quod praecessit, scilicet passionis Christi; et demonstrativum eius quod in nobis efficitur per Christi passionem, scilicet gratiae; et prognosticum, id est, praenuntiativum futurae gloriae – O sacramento é sinal rememorativo daquilo que o precedeu, ou seja, da paixão de Cristo; e demonstrativo daquilo que em nós a paixão de Cristo realiza, ou seja, da graça; e prognóstico, quer dizer, que anuncia de antemão a glória futura» (São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 60, a. 3 c.: Ed. Leon. 12, 6.)

O cristão é chamado à santidade, a ser justo, e este é aquele que se esforça sinceramente por cumprir a vontade do Pai, que se manifesta nos mandamentos, nos deveres de estado e na união da alma com Deus. São Jerônimo ao comentar que Nosso Senhor não exige que tenhamos um simples desejo vago de justiça, mas que tenhamos sede e fome dela, mostra-nos que devemos com todas as forças e ajuda de Deus, buscar aquilo que nos faz justos diante dEle. Quem quer de fato a santidade cristã tem que amar os meios que a Igreja, instrumento universal de salvação, oferece e ensina a viver todos os homens: frequência de Sacramentos, convivência intima com Deus na oração e fortaleza para cumprir os deveres familiares, profissionais e sociais. (Comm.in Matth.5,6)

«Os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do corpo de Cristo e, por fim, a prestar culto a Deus; como sinais, têm também a função de instruir. Não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam Sacramentos da fé». A fé da Igreja é anterior à fé do fiel, que é chamado a aderir a ela. Quando a Igreja celebra os Sacramentos, confessa a fé recebida dos Apóstolos. Daí o adágio antigo: «Lex orandi, lex credendi – A lei da oração é a lei da fé» (Ou: «Legem credendi lex statuat supplicandi – A lei da fé é determinada pela lei da oração», como diz Próspero de Aquitânia [século V]). A lei da oração é a lei da fé, a Igreja crê conforme reza. A liturgia é um elemento constitutivo da Tradição santa e viva (Catecismo n. 1123)

O Sacrossanto Concílio de Trento declarou que a Igreja tem o poder de, ao administrar os Sacramentos, determinar e mudar, sem lhes alterar a substância: Declara mais [este sagrado Concílio] que a Igreja sempre teve o poder de, ao administrar os Sacramentos, determinar e mudar, salva [sempre] a sua substância, o que julgar conveniente à utilidade dos que os recebem e à veneração dos mesmos Sacramentos, conforme a variedade dos tempos e lugares. Isto parece ter insinuado claramente o Apóstolo com estas palavras: ”Assim nos considere o homem como ministros de Cristo e dispenseiros dos mistérios de Deus ”(l Cor 4, l).

Os Sacramentos Instituídos por Cristo são sete: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Matrimônio, Ordem e Unção dos enfermos, sendo estes necessários `a salvação e são eficazes porque neles age o próprio Cristo, comunicando a graça inexistente pelo pecado (Batismo e confissão - Estes dois Sacramentos, chamam-se Sacramentos de mortos, ou. Atua ex opere operato : pelo próprio fato de a ação ser realizada). Fazendo uma analogia entre a vida natural e sobrenatural, podemos entender o porque deste número. “Para viver, conservar-se, levar uma vida útil a si mesmo e a sociedade, precisa o homem de sete coisas: nascer, crescer, nutrir-se; curar-se quando adoece; recuperar as forças perdidas; ser guiado na vida social, por chefes revestidos de poder e autoridade; conservar-se a si mesmo e ao genero humano, pela legitima propagação da espécie. O mesmo podemos dizer da vida espiritual que necessita de todas esta funções.” (Catecismo Romano)

“Os sacramentos pertencem à categoria dos meios, pelos quais se logra a salvação e a justificação “(Catecismo Romano II, IIIB) . Cristo os instituiu para facilitar a obtenção do fim ultimo do homem que é viver eternamente com Ele. Temos um caminho a seguir, mas precisamos de forças, de meios para conseguirmos o nosso intento, e para tanto Deus se utiliza de coisas visíveis para que a natureza humana perceba a graça invisível; as orações, os gestos e o objeto (agua, óleo, pão) constituem o sinal sensível. Estes nos mostram exteriormente, por certa imagem e semelhança, o que Deus opera interiormente, em nossa alma pelo Seu poder invisível. Todo cristão praticante confessa a eficácia dos sacramentos, pois como já disse, quem opera é Deus com Seu poder ilimitado e para comunicar a graça necessita da disposição e do preparo do homem. – “Os frutos dependem das disposições espirituais de quem os recebe, pelo que a Igreja insiste na necessidade da sua devida preparação”(cf. CDC 777,2)

Como vimos os sacramentos conferem a graça, a princípio a graça santificante, que é a vida sobrenatural, o partilhar da própria vida de Deus, que provém da inabitação do Espírito Santo em nós. O Batismo nos dá a graça que foi perdida pelo pecado original, estabelecendo a união com Deus perdida por Adão , e o Sacramento da Penitência, confere esta mesma graça caso a tenhamos perdido pelo pecado mortal.Os outros cinco Sacramentos, mais o da penitência caso o receba em estado de graça, aumentam a graça santificante, aumentando o nível de vitalidade espiritual, significando que aumenta a capacidade da alma para absorver o amor de Deus. (São chamados Sacramentos dos vivos). Além dela, cada Sacramento produz a chamada graça sacramental, que é característica de cada um deles e são ajudas de Deus às nossas necessidades particulares ou ao nosso estado de vida. Esta acrescenta a graça santificante sugundo São Tomás de Aquino, um vigor especial, destinado a produzir efeitos em relação com cada sacramento, ou segundo a doutrina universal, confere um direito a graças atuais especiais, que serão conferidas no tempo oportuno, para se cumprirem mais facilmente os deveres impostos pela recepção do Sacramento.

Além da graça santificante e sacramental, alguns Sacramentos conferem o que se chama de caráter, que é um sinal espiritual indelével, impresso na alma, pelo qual o homem é consagrado às coisas divinas e se distingue dos outros. Este capacita o homem para a recepção ou para o excercícios dos santos Mistérios. São eles: Batismo, Crisma, Ordem, não podendo por isso, ser reiterados na mesma pessoa.

Os Sacramentos só podem ser recebidos com dignidade, e por isso as disposições interiores são muito importantes, se não se torna infrutuoso, não conferindo por isso a graça santificante. Fora que eles devem ser recebidos como o que de fato são: Santíssimos, - portanto a devida instrução para os fieis é imprescindível, para que não aconteça de :” Dar aos cães o que é santo, nem lançar aos porcos as vossas pérolas”(Mt 7,6)

O Concílio de Trento nos ensina em sua sess.VI, cap7 que a quantidade da graça produzida pelos sacramentos depende juntamente de Deus e de nós. Segundo Tanquerey pag. 174 - Da nossa parte é preciso que tenhamos desejo de recebe-la, aliada a um arrependimento sincero de nossos pecados, fazendo assim com o sacramento opere de forma total e positiva, derramando em nós a graça. Pois aquele que com conhecimento recebe indignamente um Sacramento comete um sacrilégio

Ministro do Sacramento:

Os presbíteros, ministros dos Sacramentos

Deus, que é o único santo e santificação, quis unir a si, como companheiros e colaboradores, homens que servissem humildemente a obra da santificação. Donde vem que os presbíteros são consagrados por Deus, por meio do ministério dos Bispos, para que, feitos de modo.especial participantes do sacerdócio de Cristo, sejam na celebração sagrada ministros d'Aquele que na Liturgia exerce perenemente o seu ofício sacerdotal a nosso favor . Na verdade, introduzem os homens no Povo de Deus pelo Batismo; pelo sacramento da Penitência, reconciliam os pecadores com Deus e com a Igreja; com o óleo dos enfermos, aliviam os doentes; sobretudo com a celebração da missa, oferecem sacramentalmente o Sacrifício de Cristo. Em todos os Sacramentos, porém, como já nos tempos da Igreja primitiva testemunhou S. Inácio mártir, os presbíteros unem-se hieràrquicamente de diversos modos com o Bispo, e assim o tornam de algum modo presente em todas as assembleias dos fiéis .

”Tu amas-Me? Esta identificação amorosa com Cristo tem para nós, Bispos, outro lugar privilegiado no "munus sanctificandi", exercido in persona Christi Capitis na celebração dos Sacramentos. Sabemos que a Igreja, contra aqueles que vinculavam à santidade do ministro a própria validade dos Sacramentos, defendeu a sua eficácia ex opere operato. Era um modo de afirmar que Cristo está presente nos Sacramentos e opera para além da fragilidade do ministro. Mas, afirmando isto, é de igual modo evidente que a santidade do ministro é a condição mais natural para a celebração dos Sacramentos. A experiência pastoral mostra que há uma influência misteriosa que passa precisamente através do testemunho do ministro, quando nele resplandece íntima participação, envolvimento profundo, coerência total de fé e de vida. A santidade é algo que o povo de Deus percebe como que por instinto, e dela tem sede.”(Jubileu dos Bispos – Homilia de D. Giovanni Battista – Basílica de São João de Latrão, 6 de outubro de 2000).

Condições para a Administração dos Sacramentos - segundo Del Greco

Para a válida adminitração dos Sacramentos requer-se: O Poder divino e a devida intenção –

1 – O poder divino: Somente Deus de fato, pode comunicar a Graça interna à ação sacramental
2 – A devida intenção, porque aadministracão dos Sacramentos é um ato humano. O ministro deve ter pelo menos a intenção de fazer o que faz a Igreja. Este age em nome de Cristo, portanto, o Sacramento será válido na medida em que ele tem esta intenção, fazer em Nome de Cristo.

Para que o Sacramento seja válido, não se requer nem a fé, nem o estado de graça do ministro. Por isso o batismo realizado por um herege é válido se é administrado com a intencão e com o rito da Igreja.

Para a lícita administração dos Sacramentos requer-se:

1 – O estado de graça: a reverência para com o mesmo o requer. Um ministro que administra o Sacramento em pecado mortal, sem necessidade, peca mortalmente. Se não houve tempo de se confessar e se ele fez um ato de contrição perfeita, pode celebrar, deixando a confissão o mais breve possível.
2 – A intenção interna: Um Ministro voluntariamente distraído peca gravemente se a sua distração é causa de erros substanciais para o rito sagrado, por expo-los ao perigo de nulidade. Se ele executa uma ação externa incompatível com a interna, a administração torna-se inválida.
3 – A observância dos ritos e das cerimônias.
4 -A imunidade de censuras e irregularidaes. Um excomungado não pode licitamente confeccionar um Sacramento e administrá-los, a não ser se algum fiel lhe peça e se falte ministros para realiza-lo. Mas se ele for um excomungado vitando (Aquele que foi nominalmente excomungado pela santa Sé, mediante decreto e sentença pública) só em perigo de morte o poderá administra-lo.
5 – A devida licença.


Obrigação de negar os Sacramentos aos indignos

Entre os indignos estão incluídos: 1) os hereges e os cismáticoss, 2) os pecadores públicos, 3) os pecadores ocultos.

1 -É proibido ministrar os Sacramentos da Igreja hereges e cismáticos, mesmo se estes os pedem de boa fé, se antes não houverem abjurado os seus erros e se tiverem reconciliado com a Igreja (cân.731. -2). Sem a abjuração de seus erros, nem em perigo de morte se administrar os Sacramentos da Penitência e da Extrema-Unção aos hereges e cismáticos, mesmo só materialmente, se os pedem de boa fé (cfr. resposta do S. Ofício - de março de 1916 em DB. 2l81 a).
2 -Deve-se negar os Sacramentos a um pecador oculto quando os pede secretamente: não se pode, porém, negá-los quando o pedido é público. Assim requer a caridade e a religião. Mas se o sacerdote conhece a má disposição do penitente somente pela sua confissão, não lhe pode negar os Sacramentos; doutro modo, violado o sigilo sacramental.
3 – Deve-se negar os Sacramentos a um pecador público, que os peça privadamente, quer publicamente até que conste de sua emenda, penitência e reparação do escândalo (cân. 855-1)

Componentes essenciais dos Sacramentos:
Materia e Forma:

Cada Sacramento contém duas partes constitutivas: Uma com função de matéria: chama-se elemento. Outra tem o caráter de forma, que é a palavra. Santo Agoatinho nos diz: “Unindo-se a palavra ao elemento, daí nasce o Sacramento”(Aug. Tract. In Ioh. 80.3) Tanto elemento quanto a palavra são tidas por “coisas sensíveis” já que são percebidas por todos nós. São Paulo em Ef 5,25 -26 nos explica claramente ambas as partes: Cristo amou a Igreja e por ela Se entregou, a fim de santifica-la, purificando-a no banho de agua pela palavra da vida ” Ambas unidas dão a certeza de que houve de fato o Sacramento, pois hoje, na nova aliança, a forma da palavra é descrita de uma tal maneira, que se não for observada, deixa de ser Sacramento.


Diferença dos Sacramentos

1 -Quanto à necessidade: Todos os Sacramentos comportam em si uma virtude admirável e divina, mas nem todos são igualmente necessários, nem possuem a mesma graduacão e finalidade. Entre eles, tres são mais necessários, embora não o sejam por razões idênticas. Do Batismo declarou nosso Senhor ser absolutamente necessário para todos os homens: Quem não renascer da agua e do Espírito, não entrará no Reino de Deus

2 -Quanto à dignidade: A Eucaristia sobrepuja a todos os outros, sendo superior por santidade, número e grandeza de seus mistérios.

O Sujeito do Sacramento

O sujeito capaz dos Sacramentos é somente o “homo Viator”. Todavia nem todo homem é capaz de todos os Sacramentos. Somente aquele que não foi batizado é sujeito capaz do Batismo, sendo capaz de todos os outros Sacramentos qualquer batizado.

Para receber validamente os Sacramentos, não se requer nem o estado de graça nem a fé. Esta última porém se requer para o sacramento da Penitência., pois precisamos para recorrer a ele, uma dor sobrenatural que se tem por meio da fé. Para a validade dos outros sacramentos se requer o batismo, (aqui não basta o de desejo, mas o de água), pelo qual nos incorporamos à Igreja. Para aqueles que chegaram a idade da razão, se requer uma positiva e pessoal intenção.

Para receber licitamente os Sacramentos e com frutos, para os Sacramentos dos mortos se exige a atrição sobrenatural. E para os Sacramentos dos vivos se exige estado de graça, adquirida mediante a contrição perfeita ou pela absolvição sacramental.

Por fim, demos graças a Deus que no Filho nos abençoou e nos constituiu seu povo de predileção, dando-nos tudo para recebermos de Seus dons Santíssimos. Agradeçamos pela Igreja que continuará para sempre a obra de Cristo: ensinar aos homens as verdades acerca de Deus e a exigência de que se identifiquem com essas verdades, ajudando-nos sem cessar com a graça dos Sacramentos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cruz e Eucaristia - Amor ao extremo








A criação é obra do amor. Certamente, antes da Encarnação do Verbo, o homem podia duvidar que Deus o amava com ternura; porque, a rigor, a verdade desse fato, surpreendente e incrível, não era coisa que podíamos compreender na ordem natural. Mas depois que Ele nos revelou o seu segredo numa epifania de sangue, depois da morte de Jesus Cristo, quem poderia duvidar disso? Agora que a luz iluminou o nosso caminho compreendemos que, em todas as partes, Ele nos envolve com Seu amor irresistível. (Santo Afonso de Ligório - A prática do amor a Jesus Cristo - Editora Santuário - Ano 2002)


Quanto mais estudamos a doutrina de Cristo e as palavras dos santos que morreram por amor a Ele, mais entendemos que nossa santidade, aliás, toda nossa santidade e perfeição, consiste em amar nosso Redentor e Salvador, Jesus Cristo. O amor a Deus consiste na caridade que é o vínculo da perfeição e esta conserva todas as virtudes que fazem um homem perfeito. Santo Agostinho já dizia: "Ama e faz o que queres"

Se amamos a Deus, evitamos tudo que lhe desagrada e buscamos solidamente todo bem que é fazer de fato, tudo que lhe agrada. A história mostra, assim como toda criação e sobretudo cada um de nós, que Deus nos amou primeiro e tudo fez para demonstrar este amor eterno. Mas Ele num designo de pura bondade, não se contentando com tudo isso, deu-nos, para cativar nosso amor e compreendermos o Seu amor, Seu filho único e amado. Afinal, Deus que criou tudo do nada, e nos deu tantos dons, ao ver-nos mortos sem sua graça santíssima, levado por um amor excessivo, enviou este Filho para morrer por nós. "Mas Deus que é rico em misericórdia, pelo excessivo amor com que nos amou, quando ainda estávamos mortos por nossos pecados, nos vivificou juntamente com Cristo”(Ef 2,4-5)

Se Deus não poupou Seu próprio Filho, como não nos dará com Ele todas as coisas? (Rm 8,32). O Filho, por amor, deu-se a nós por inteiro, e para tanto se revestiu de carne – O Verbo de Deus se fez carne – para nos remir da morte eterna, recuperar a graça divina, o paraíso perdido. Eis aqui um Deus aniquilado! "Esvaziou-se a Si mesmo e assumiu a condição de servo tomando a semelhança humana”(Fl 2,7)

Jesus foi servo na dor, porque sem morrer nem sofrer, podia muito bem nos salvar. Mas não! Escolheu uma vida de aflições e desprezos e uma morte cruel e vergonhosa. Morreu numa Cruz, destinada aos criminosos: "Humilhou-se ainda mais e foi obediente até a morte e morte de Cruz”(Fl 2,8). Jesus escolheu morrer e sofrer simplesmente para mostrar o Seu infinito amor pelos pecadores e o desejou ardentemente, quando assim se expressava: “Devo receber o batismo, e quanto o desejo até que ele se realize” (Lc 12,50). Por isso a caridade de Cristo deve nos constranger e deve nos obrigar mesmo ama-lo. Como nos diz São Francisco de Sales: “Este sofrimento e morte de Cristo não é como que ter nosso coração debaixo de uma prensa?”(Tratado do amor de Deus) O que nos leva a compreender que devemos morrer para qualquer outro amor para viver no amor de Cristo.

Que loucura fez Deus diante da humanidade para se expor e morrer assim? Que vergonha para Sua grandeza. Quem fez isso? Pergunta São Bernardo. E responde: Foi o amor, que esqueceu sua dignidade. (Tractatus de caritate). É que o amor quando quer se fazer conhecido, não leva em conta aquilo que mais convém à dignidade da pessoa que ama, mas o que mais condiz manifestar-se à pessoa amada.

Se a fé não nos garantisse, quem poderia crer que Deus onipotente, Senhor de tudo, quis amar tanto os homens, parecendo até ficar fora de Si, por amor de nós? São Lourenço Justiniano dizia: “Vimos a própria sabedoria, o Verbo Encarnado enlouquecido por excessivo amor pelos homens”( Sermo im Nativ. Domini n. 4).

Devemos compreender que a origem do amor de Jesus Cristo para com os homens é sua caridade para com Deus. Ele mesmo disse aos Seus discípulos na Quinta feira Santa: "Para que o mundo saiba que amo o Pai levanta-vos e vamos”. Aqui também está a fonte de nosso amor, amar a tudo e a todos, mesmo nas dificuldades, por amor à Deus, que merece ser amado por tudo que nos fez.

Todos sofrimentos que Cristo se impôs para nos mostrar Seu amor, é muito menor que Seu amor distribuído, pois Ele amou muito mais do que sofreu. Somente por amor, Ele sofreu daquela maneira, e este amor, superou todo o sofrimento, o que nos leva a meditar na grandeza d” Aquele que amou até o fim. O maior sinal de amor é dar a vida pelos amigos e Jesus o fez, e este amor, quando se dá a conhecer, faz as pessoas saírem de si e ficarem estarrecidas e por isso muitas daquelas que compreendem este amor, sentem-se afervorar-se o coração, desejam o martírio, alegram-se nos sofrimentos, tem alívio nas dores. Passeiam nas brasas como se fossem rosas, desejam os tormentos, regozija-se com o que o mundo teme, abraçam o que o mundo detesta. Como nos diz Santo Ambrósio: "Para a pessoa unida à Cruz de Cristo, nenhuma coisa é mais consoladora e gloriosa do que trazer consigo os sinais de Jesus Crucificado.

Como pagar a Cristo este amor? São João de Ávila nos ajuda : "Ó grande amor, o que fizestes? Viestes para curar e me feristes? Viestes para me ensinar a viver e me tornastes semelhente a um louco? Ó sábia loucura, não viva mais eu sem vós! Senhor, quando vos vejo na Cruz, tudo me convida a amar: o madeiro, a vossa pessoa, as feridas de vosso corpo e principalmente o vosso amor. Tudo me convida a Vos amar e a não me esquecer mais de Vós”(Trattati del SS. Sacramento dell’Eucaristia).

Diante de tudo isso, devemos buscar meditar Sua paixão, pois é um poderoso meio de obter o perfeito amor a Jesus Cristo. Esta devoção nos consola, nos anima e nos enche de esperança e forças de lutar. Santo Agostinho nos diz: "Vale mais uma lágrima derramada ao lembrar da paixão, do que o jejum e água em cada semana

São Tomás de Aquino, mestre da Igreja, auxilia quem deseja chegar ao perfeito amor de Cristo e para isso nos mostra os meios adequados: Recordar continuamente dos benefícios divinos, gerais e particulares. Considerar a infinita bondade de Deus que está sempre nos fazendo o bem. Sempre nos ama e procura ser amado por nós. Evitar com cuidado tudo que O desagrada, por mínimo que seja. E por fim, renunciar a todos os bens sensíveis deste mundo: riquezas, honras e prazeres dos sentidos.

Um dia aconselharam a São Francisco de Assis, já doente, a ler um livro piedoso. Ele respondeu: “Meu livro é Jesus Crucificado” e disse: “ Quem não se enamora de Deus, vendo Cristo morto na Cruz, não se abrasará jamais”.

Como não se bastasse ter se tornado homem como nós e ter morrido na Cruz, Nosso Senhor, antes de deixar este mundo, quis deixar-nos a maior prova possível de Sua entrega. Ele nos deixou em memória de Seu amor nada mais nada menos que o Seu corpo, o Seu sangue, a Sua alma, a Sua divindade, Ele mesmo, todo, sem reservas.

Neste dom da Eucaristia – diz o Concilio de Trento – Cristo quis derramar todas as riquezas do amor que reservava para os homens. (Sess.XIII,c,2). Ele quis dar esse presente aos homens precisamente na noite em que eles lhe preparavam a morte. Esta é a maravilhosa prova de amor de Nosso Senhor a nós pecadores, e se algum dia duvidarmos dela, tenhamos neste Sacramento esta prova. Com tal garantia nas mãos, não podemos ter dúvidas de que Ele nos ama e muito!

São Bernardo chama este sacramento: “Amor dos amores”. É que este dom compreende todos os outros que o Senhor nos fez: A criação, a redenção, o destino ao Céu. Quando Jesus revelou a seus discípulos esse Sacramento que nos queria deixar, eles não puderam acreditar: “Como pode Ele nos dar a comer sua carne ?” Mas Jesus disse a eles: “Tomai e comei” – disse aos discípulos e por eles a todos nós, antes de morrer. Depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o Meu corpo que é dado por vós” Este alimento não é terreno, mas veio do céu para dar vida ao mundo. E para que todos pudessem recebe-lo, quis ficar sob as aparencias de pão, este a quem todos tem acesso.

As palavras de Cristo nos chama a ama-lo e a deseja-lo, e elas nos leva a desejar o paraíso quando O ouvimos dizer "Quem come a Minha carne viverá eternamente”. Também nos leva a rejeitar o mal quando nos diz: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós”.

Santo Tomás nos ajuda a compreender o porque deste desejo divino de estar conosco, é que os amigos, que se amam de coração, querem estar unidos de tal modo que formem uma só pessoa. Deus não só se dá a eles no reino eterno, mas já neste mundo se deixa possuir pelos homens na união mais íntima possível.

Ali, - como nos diz Santo Afonso de Ligório, ele está como atrás de um muro nos olhando e nos ajudando, até que chegue o dia, no paraíso, em que O veremos face a face. Devemos, portanto, estar certos de que uma pessoa não pode fazer nem pensar fazer coisa mais agradável a Jesus Cristo, de que comungar com as disposições convenientes a tão grande hóspede. Assim se une a Cristo, pois esta é a intenção do Senhor.

Fiquemos atentos a isto: disposições convenientes e não dignas, porque se estas fossem exigidas, quem poderia comungar? Só um outro Deus seria digno de receber um Deus. Basta que ordinariamente falando, devemos comungar em estado de graça e com vivo desejo de crescer no amor a Jesus Cristo. O Pai tudo colocou nas mãos do Filho e este quando vem até nós traz consigo imensos tesouros de graças.

O Concílio de Trento nos ensina que a comunhão é o remédio que nos livra dos pecados veniais, das nossas faltas cotidianas e nos preserva dos mortais. (Sess.XIII,c.2). Diz-nos que somos livres das falhas cotidianas porque, segundo Santo Tomás, por meio deste sacramento, o homem é estimulado a fazer atos de amor e por eles se apagam os pecados veniais. Somos preservados dos pecados mortais, porque a comunhão nos confere o aumento da graça que nos preserva das faltas graves. (Summa Theol. 3p,q.79,a.4)

Sobre isso escreveu Inocêncio III: "Jesus Cristo com Sua Paixão nos livrou do poder do pecado, mas com a Eucaristia nos livra do poder de pecar. Além disso, este sacramento inflama de modo especial as pessoas no amor de Deus.

Por fim, somos de fato felizes pelo Senhor não nos ter deixado na ignorância, o que nos impele a ama-lo sempre , tendo confianca de que Ele colabora conosco , podendo nós dizer a ele: "Em vossas mãos entrego meu espírito, Salva-me Senhor, Deus da verdade." Esta verdade que nos auxilia a recuperar a esperança do perdão e da salvação eterna. Que mistérios de esperança são para nós a Paixão de Cristo e o Sacramento da Eucaristia!

São Paulo nos exorta: "Aproximemo-nos com confiança do trono da graça a fim de conseguir misericórdia e alcançar a graça de de uma ajuda oportuna” . Este trono é a Cruz de Cristo e a fonta que jorra abundantemente é a Eucaristia. Puro dom de Deus!

……
Minhas meditações dos escritos de santo Afonso de Ligório – Fonte: A prática do amor a Jesus Cristo – Editora santuário – Tradução Pe. Gervásio Fabri – Ano – 2002.