domingo, 12 de abril de 2009

Cristo Ressuscitou! Aleluia!!



Regina Coeli

Rainha do céu, alegrai-Vos, aleluia.
Porque quem merecestes trazer em vosso seio, aleluia,
Ressuscitou como disse, aleluia.
Rogai a Deus por nós, aleluia.
Exultai e alegrai-Vos, ó Virgem Maria, aleluia.
Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia.

Oremos.

Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do Vosso Filho Jesus Cristo, Senhor Nosso, concedei-nos, Vos suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria, alcancemos as alegrias da vida eterna. Por Cristo Senhor Nosso. Amém.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Homem é capaz de Deus - parte III


O conhecimento de Deus segundo a Igreja

36. «A Santa Igreja, nossa Mãe, atesta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido, com certeza, pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas» (12). Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade porque foi criado «à imagem de Deus» (Gn 1, 27).

37. Nas condições históricas em que se encontra, o homem experimenta, no entanto, muitas dificuldades para chegar ao conhecimento de Deus só com as luzes da razão:

«Com efeito, para falar com simplicidade, apesar de a razão humana poder verdadeiramente, pelas suas forças e luz naturais, chegar a um conhecimento verdadeiro e certo de um Deus pessoal, que protege e governa o mundo pela sua providência, bem como de uma lei natural inscrita pelo Criador nas nossas almas, há, contudo, bastantes obstáculos que impedem esta mesma razão de usar eficazmente e com fruto o seu poder natural, porque as verdades que dizem respeito a Deus e aos homens ultrapassam absolutamente a ordem das coisas sensíveis; e quando devem traduzir-se em actos e informar a vida, exigem que nos dêmos e renunciemos a nós próprios. O espírito humano, para adquirir semelhantes verdades, sofre dificuldade da parte dos sentidos e da imaginação, bem como dos maus desejos nascidos do pecado original. Daí deriva que, em tais matérias, os homens se persuadem facilmente da falsidade ou, pelo menos, da incerteza das coisas que não desejariam fossem verdadeiras» (Pio XII. Enc. Humani Generis: DS 387).

38. É por isso que o homem tem necessidade de ser esclarecido pela Revelação de Deus, não somente no que diz respeito ao que excede o seu entendimento, mas também sobre «as verdades religiosas e morais que, de si, não são inacessíveis à razão, para que possam ser, no estado actual do género humano, conhecidas por todos sem dificuldade, com uma certeza firme e sem mistura de erro» (14).

Resposta ao Bruno

****

Bruno, a paz!

Você pergunta aqui no meu blog, se fui quem respondeu a pergunta do leitor no VS sobre meu artigo: Cruz e Eucaristia, amor ao extremo.

Sim, Fábio, fui eu quem respondi. Utilizei como fonte: o Catecismo Romano, a Bíblia de Navarra e sobre o Padre Emanuel, utilizei uma parte de um texto de um irmão em Cristo, além de um pequeno texto de santo Agostinho.

A resposta está aqui:

http://www.veritatis.com.br/article/5674/leitor-fabio-faz-pergunta-sobre-artigo-da-ana-maria-bueno

Fique com Deus

Ana

Meditação sobre Cristo Crucificado por nós





Nesta Sexta-Feira Santa contemplamos Jesus Crucificado. Diversas perguntas poderiam aflorar em nossa mente num dia tão significativo como hoje.

Eu me perguntava: porque será que, eu e muitos outros, não nos comovemos profundamente diante de Jesus Crucificado?

Porque será que tantos cristãos e católicos buscam tantas outras diversões neste dia? Porque será que nunca fomos capazes

de derramar uma lágrima sequer diante de Cristo morto?

Confesso mais uma vez que esta interrogação me perseguiu durante estes últimos dias da Quaresma, e é a resposta para mim
mesmo que compartilho com vocês: nós não sabemos aquilatar o mistério da nossa salvação,não sabemos aquilatar neste mundo o que o pecado realiza em cada um de nós,não sabemos aquilatar a tragédia de um descompasso ou de um afastamento de Deus.

Nós não sabemos a gravidade do mal, também, posso continuar a dizer, que nós desconhecemos aquilo que perdemos, como também desconhecemos aquilo para o qual Jesus nos salvou exatamente com Sua Paixão, Morte e Ressurreição - em outras palavras, queremos confessar diante do Crucificado, nesta Sexta_Feira Santa, a nossa superficialidade, nossa incapacidade de adentrar no mistério de nossa própria Redenção. Não sabemos o que é um pecado, um afastamento de Deus, um inferno, não sabemos também o que é uma Vida Eterna para a qual fomos comprados e resgatados graças a Seu Sangue hoje derramado.

Porém conscientes de nossa fragilidade, superficialidade, nós poderíamos, ao menos hoje, deixar de lado tudo o mais, todas as outras preocupações, e quem sab ,hoje apenas, passar um bom tempo silenciosamente diante do Crucificado, tentando repetir,cada um para si o que S. Paulo escrevia na carta aos Gálatas : "Ele me amou e se entregou por mim"

Quem sabe, a custa de tanto repetir esta jaculatória diante de Cristo Crucificado, Deus nos concederá a graça de aquilatarmos o valor da Redenção de Jesus, a graça de aquilatarmos o estrago que fez em nós o pecado, e a Vida Eterna para a qual fomos salvos.

Pe. Fernando Cardoso

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O Homem é capaz de Deus - parte II


Os caminhos de acesso ao conhecimento de Deus

31. Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura Deus descobre certos «caminhos» de acesso ao conhecimento de Deus. Também se lhes chama «provas da existência de Deus» – não no sentido das provas que as ciências naturais indagam mas no de «argumentos convergentes e convincentes» que permitem chegar a verdadeiras certezas.

Estes «caminhos» para atingir Deus têm como ponto de partida criação: o mundo material e a pessoa humana.

32. O mundo: A partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode chegar-se ao conhecimento de Deu: como origem e fim do universo.

São Paulo afirma a respeito dos pagãos: «O que se pode conhecer de Deus manifesto para eles, porque Deus lho manifestou. Desde a criação do mundo, a perfeições invisíveis de Deus, o seu poder eterno e a sua divindade tornam-se pelas suas obras, visíveis à inteligência» (Rm 1, 19-20) (8).

E Santo Agostinho: «Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar interroga a beleza do ar que se dilata e difunde, interroga a beleza do céu [...] interroga todas estas realidades. Todas te respondem: Estás a ver como somo belas. A beleza delas é o seu testemunho de louvor [«confessio»]. Essas belezas sujeitas à mudança, quem as fez senão o Belo [«Ptdcher»], que não está sujeite à mudança?» ( Santo Agostinho, Sermão 241. 2: PL 38, 1134.).

33. O homem: Com a sua abertura à verdade e à beleza, com o seu sentido do bem moral, com a sua liberdade e a voz da sua consciência, com a sua ânsia de infinito e de felicidade, o homem interroga-se sobre a existência de Deus. Nestas aberturas, ele detecta sinais da sua alma espiritual. «Gérmen de eternidade que traz em si mesmo, irredutível à simples matéria» (10), a sua alma só em Deus pode ter origem.

34. O mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos, nem o seu primeiro princípio, nem o seu fim último, mas que participam do Ser-em-si, sem princípio nem fim. Assim, por estes diversos «caminhos», o homem pode ter acesso ao conhecimento da existência duma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, «e a que todos chamam Deus» (São Tomás de Aquino, Summa theologiae I. q. 2, a. 3, e: Ed. Leon. 4, 31.).

35. As faculdades do homem tornam-no capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar na sua intimidade, Deus quis revelar-Se ao homem e dar-lhe a graça de poder receber com fé esta revelação. Todavia, as provas da existência de Deus podem dispor para a fé e ajudar a perceber que a fé não se opõe à razão humana.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O homem é capaz de Deus


O desejo de Deus

27. O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso:

«A razão mais sublime da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o começo da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus: pois se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele, e por amor, constantemente conservado: nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e não se entregar ao seu Criador»(1).

28. De muitos modos, na sua história e até hoje, os homens exprimiram a sua busca de Deus em crenças e comportamentos religiosos (orações, sacrifícios, cultos, meditações, etc.). Apesar das ambiguidades de que podem enfermar, estas formas de expressão são tão universais que bem podemos chamar ao homem um ser religioso:

Deus «criou de um só homem todo o género humano, para habitar sobre a superfície da terra, e fixou períodos determinados e os limites da sua habitação, para que os homens procurassem a Deus e se esforçassem realmente por O atingir e encontrar. Na verdade, Ele não está longe de cada um de nós. É n'Ele que vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17, 26-28).

29. Mas esta «relação íntima e vital que une o homem a Deus»(2) pode ser esquecida, desconhecida e até explicitamente rejeitada pelo homem. Tais atitudes podem ter origens diversas (3) a revolta contra o mal existente no mundo, a ignorância ou a indiferença religiosas, as preocupações do mundo e das riquezas(4), o mau exemplo dos crentes, as correntes de pensamento hostis à religião e, finalmente, a atitude do homem pecador que, por medo, se esconde de Deus(5) e foge quando Ele o chama (6).

30. «Exulte o coração dos que procuram o Senhor» (Sl 105, 3). Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, Deus é que nunca deixa de chamar todo o homem a que O procure, para que encontre a vida e a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço da sua inteligência, a rectidão da sua vontade, «um coração recto», e também o testemunho de outros que o ensinam a procurar Deus.

"És grande, Senhor, e altamente louvável; grande é o teu poder e a tua sabedoria é sem medida. E o homem, pequena parcela da tua criação, pretende louvar-Te – precisamente ele que, revestido da sua condição mortal, traz em si o testemunho do seu pecado, o testemunho de que Tu resistes aos soberbos. Apesar de tudo, o homem, pequena parcela da tua criação, quer louvar-Te. Tu próprio a isso o incitas, fazendo com que ele encontre as suas delícias no teu louvor, porque nos fizeste para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti" (Santo Agostinho).

Fonte: Catecismo da Igreja Católica

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Graça Atual - Um grande presente de Deus


Fico impressionada com a bondade e disponibilidade do Senhor para nos conduzir a Ele. Muitas vezes, por ignorância, até achamos que a santidade depende somente de nossos esforços e lutas pessoais, mas ao estudar e compreender que é Deus que realiza em nós o querer e o executar e que é Ele quem desde o princípio age em nós nos elevando até Ele, como filhos adotivos em Jesus Cristo, só nos resta ficarmos estarrecidos e humildemente nos dobramos diante dEle em agradecimento profundo, nos propondo com nossa debilidade, mas com uma forte vontade, corresponder a esta maravilha, que vem dEle, e por Ele.

*****

Assim como na ordem da natureza necessitamos do concurso de Deus a passarmos da potência ao ato, assim na ordem sobrenatural não podemos pôr em ação as nossas faculdades sem o auxílio da graça atual

Noção: A graça atual é um auxílio sobrenatural e transitório que Deus nos dá para nos iluminar a inteligência e fortalecer a vontade na produção dos atos sobrenaturais.

a) Opera, diretamente sobre as nossas faculdades espirituais, a inteligência e a vontade, n. já unicamente para elevar essas faculdades à ordem sobrenatural, senão para as pôr em movimento, e lhes fazer produzir atos sobrenaturais.

Demos um exemplo: A- antes da justificação, ou infusão da graça habitual, a graça atual ilumina-nos acerca da malícia e dos temerosos efeitos do pecado, para nos levar a detestá-lo. B- Depois da justificação, mostra-nos, à luz da fé, a infinita beleza de Deus e a sua misericordiosa bondade, a fim de no-lo fazer amar de todo o coração.

b) Mas, a par destas graças interiores, há outras que se chamam exteriores, e que, atuando diretamente sobre os sentidos e faculdades sensitivas, atingem indiretamente as nossas faculdades espirituais, tanto mais que muitas vezes são acompanhadas de verdadeiros auxílios interiores.

Assim, a leitura dos Livros Santos ou duma obra cristã, a assistência a um sermão, a audição dum trecho de música religiosa, uma conversa boa são graças exteriores; é certo que, por si mesmas, não fortificam a vontade; mas produzem em nós impressões favoráveis, que movem a inteligência e a vontade e as inclinam para o bem sobrenaturaL

E por outro lado Deus acrescentar-Ihes-á muitas vezes moções interiores, que, iluminando a inteligência e fortificando a vontade, nos ajudarão poderosamente a nos convertermos ou tornarmos melhores. É o que podemos concluir daquela palavra do livro dos Atos dos Apóstolos, que nos mostra o Espírito Santo abrindo o coração duma mulher chamada Lídia, para que ela preste atenção à pregação de São Paulo.

Enfim, Deus, que sabe que nós nos elevamos do sensível ao espiritual, adapta-se à nossa fraqueza, e serve-se das coisas visíveis, para nos levar à virtude.

B) Seu modo de ação.

a) A graça atual influi sobre nós, de modo juntamente moral e físico: moralmente, pela persuasão e pelos atrativos, à maneira da mãe que, para ajudar o filho a andar, suavemente o chama e atrai, prometendo-lhe uma recompensa;

fisicamente, acrescentando forças novas às nossas faculdades, demasiado fracas para operar por si mesmas; tal a mãe que toma o filho nos braços e o ajuda não somente com a voz, senão também como gesto, a dar alguns passos para a frente.

b) Sob outro aspecto, a graça previne o nosso livre consentimento ou acompanha-o na realização do ato.

Assim, por exemplo, vem-me o pensamento de fazer um ato de amor de Deus, sem que eu tenha feito alguma para o suscitar: é uma graça preveniente, um bom pensamento que Deus me dá; se a recebo bem e me esforço por produzir esse amor, faço-o com o auxílio da graça adjuvante ou concomitante. Análoga a esta distinção é a graça operante, pela qual Deus atua em nós sem nós, e a da graça cooperante, pela qual Deus atua em nós e conosco, com a nossa livre cooperação.

C - Sua necessidade

O princípio geral é que a graça atual é ncessária para todo o ato sobrenatural, pois que deve haver proporção entre o efeito e o seu princípio.

Assim, quando se trata da conversão, isto é, da passagem do pecado mortal ao estado de graça, temos necessidade duma graça sobrenatural, para fazer os atos preparatórios de fé, esperança, penitência e amor, e até mesmo para o começo da fé, para aquele pio desejo de crer que é o seu primeiro passo.

É também pela graça atual que perseveramos no bem no decurso vida e até à hora da morte.

É que, na verdade, para isso:

I) é mister resistir às tentações que acometem até as almas justas e vezes são tão violentas e pertinazes que as não podemos vencer sem o auxílio de Deus. E assim Nosso Senhor recomenda a seus Apóstolos, até mesmo depois da última Ceia, que vigiem e orem, isto é, que se apoiem não somente nos seus próprios esforços, mas sobretudo na graça para não sucumbirem à tentação

Além disso, porém, é necessário cumprir todos os deveres; e o esforço enérgico, constante, que este cumprimento requer, não se pode sem o auxílio da graça: Aquele que em nós começou a obra da perfeição, é o único que a pode levar a bom termo «o Deus de toda a graça, que nos chamou em Jesus Cristo à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, Ele mesmo nos aperfeiçoará, fortificará e consolidará»( IPe 5,10)

Isto é sobretudo verdade, tratando-se da perseverança final que é um dom especial e um grande dom: morrer em estado de graça, a despeito de todas as tentações que nos vêm assaltar no último momento ou escapar a essas lutas por meio de morte súbita ou suave, em que a alma adormece no Senhor, é, na expressão dos Concílios, a graça das graças, que não se poderá nunca pedir demasiadamente, que não se pode merecer estritamente, mas que se pode obter pela oração e fiel cooperação com a graça, suppliciter emereri potest

c) E quem deseja não somente perseverar, senão crescer cada dia em santidade, evitar os pecados veniais de propósito deliberado e diminuir o número de faltas de fragilidade, não tem ainda que implorar instantemente os favores divinos? Pretender que podemos viver muito tempo sem cometer qualquer falta que retarde o nosso adiantamento espiritual, é ir contra a experiência das melhores almas que exprobram tão amargamente as próprias culpas, é contradizer a São João, que nos declara que se iludem grandemente aqueles que se imaginam sem pecado. « S: dixerimus quoniam peccatum non habemus, ipsi nos seducimus, et verj· tas non est in nobis ; é contradizer o Concílio de Trento, que condena aqueles que afirmam que o homem justificado pode, durante toda a sua vida, evitar as faltas veniais sem um privilégio especial de Deus .

A graça atual é-nos, pois necessária, ainda mesmo depois da justificação, e eis o motivo por que os nossos Livros Santos insistem tanto sobre a necessidade da oração, pela qual se obtém essa graça da misericórdia divina, como explicaremos mais tarde. Também a podemos obter pelos nossos atos meritórios, ou, por outros termos, pela nossa livre cooperação com a graça; é que, na verdade, quanto mais fiéis nos mostrarmos em aproveitar as graças atuais que nos são distribuídas tanto mais inclinado se sente Deus a nos conceder novas mercês.

Conclusão:

Se a vida intelectual está muito acima da vida vegetativa e sensitiva, a vida cristã transcende infinitamente a vida simplesmente natural. E na verdade, esta é devida ao homem, desde que Deus se resolve a cria-lo, ao passo que a vida da graça supera todas as atividades e merecimentos das mais perfeitas criaturas. Pois, quem poderia reclamar o direito de ser constituído filho adotivo de Deus, e templo do Espírito Santo, ou o privilégio de ver a Deus face a face, como Ele se vê a Si mesmo?

Devemos, pois, estimar esta vida mais que todos os bens criados e considerá-la como o tesouro escondido, para cuja aquisição ninguém deve hesitar em vender tudo o que possui.

Uma vez que se entrou na posse deste tesouro, é mister sacrificar tudo, antes que expor-se a perdê-lo. É a conclusão que tira o Papa São Leão: «Agnosce, o christiane, dignitatem tuam, et, divinae connatura e, noli in veterem vilitatem degeneri conversatione redire"

Ninguém mais que o cristão se deve respeitar a si mesmo, não certamente por causa dos próprios méritos, senão por causa desta vida divina de que participa, e por ser templo do Espírito Santo, templo sagrado cuja beleza não é licito contaminar: «Domum tuam decet sanctitudo in longitudinem dierum»

Mais ainda: devemos evidentemente utilizar, cultivar este organismo sobrenatural de que somos dotados. Se aprouve à divina Bondade nos elevar-nos a um estado superior, conceder-nos profusamente virtudes e dons que aperfeiçoam as nossas faculdades naturais, se nos oferece a cada instante a sua colaboração, para as fazermos render, seria mostrar-nos bem pouco reconhecidos à sua liberalidade rejeitar esses dons, não praticando senão atos naturalmente bons, ou não fazendo produzir mais que frutos imperfeitos à vinha da nossa alma.

Quanto mais generoso se mostrou o doador, tanto mais ativa e fecunda deve ser a a colaboração que de nós espera. Isto nos aparecerá mais claramente ainda, depois de estudarmos a parte de Jesus na vida cristã.

A Vida Espiritual - Explicada e Comentada - de Adolfh Tanquerey - Editora Permanência - Quinta Edição - Anápolis - 2007)

Deus seja louvado!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A Igreja dos Apóstolos



De Cristo até nós, passando pelos Apóstolos

Por que será que os católicos não chamam aos seus pastores “pregadores” ou “ministros”? Afinal de contas, o sacerdote católico é na verdade um pregador, se cumprir com o seu dever de comentar a Palavra de Deus durante a Santa Missa; e é também um ministro – a palavra “ministro”, na sua origem, significa “servo” – quando serve em nome de Cristo as almas que lhe estão confiadas, por exemplo ao administrar-lhes os Santos Sacramentos.

Mas o clérigo católico é muito mais do que um simples pregador ou ministro, porque, além de falar do púlpito, administrar os Sacramentos e servir o seu rebanho de diversas formas, oferece um sacrifício em nome de Cristo: o Santo Sacrifício da Missa. Por isso, recebe o nome de sacerdote, isto é, “aquele que oferece um sacrifício”.

Quando um protestante é constituído ministro, converte-se simplesmente num representante oficial da sua igreja e passa a estar oficialmente autorizado a pregar o Evangelho e a encarregar-se de uma determinada congregação de fiéis. Não ocorre nele nenhuma mudança real, já que não recebe nenhum poder que antes não tivesse. Pelo contrário, quando um católico recebe o Sacramento da Ordem, realiza-se nele uma grande mudança, porque recebe um poder maravilhoso que antes não tinha: o poder de converter o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, o poder de pronunciar as palavras mediante as quais o nosso Redentor renova constantemente o oferecimento que fez de Si mesmo ao Pai quando morreu na Cruz. É este poder que transforma um homem num sacerdote.

Este poder foi transmitido, sem perda de continuidade, de Cristo aos Seus Apóstolos, e destes a todos os sacerdotes de hoje. Foi na Última Ceia que Cristo ordenou sacerdotes os Seus Apóstolos. Depois de Ele mesmo ter convertido o pão e o vinho no Seu corpo e no Seu sangue, celebrando assim a primeira missa, pronunciou as palavras pelas quais uns homens recebiam, pela primeira vez na história, o Sacramento da Ordem: ”Fazei isto em memória de Mim”. Com essas palavras, impunha-lhes a obrigação de realizar essa mesma ação sagrada em perpétua memória d’Ele; e, com esse mandato, conferia-lhes também implicitamente o poder de cumpri-lo, o poder de fazer aquilo que Ele mesmo acabava de fazer.

Qualquer sacerdote católico de hoje, se tivesse o tempo e o dinheiro necessários para semelhante pesquisa, poderia estabelecer a linha ininterrúpta que une o seu sacerdócio ao do próprio Cristo. Em teoria, pelo menos, é possível fazê-lo; na prática, nem sempre é tão fácil assim, porque, ao longo destes quase dois mil anos, não faltaram incêndios e enchentes, guerras e catástrofes, em que pereceram inúmeros documentos. Mas o que interessa ressaltar aqui é que o poder vinculado ao sacerdócio foi transmitido de maneira direta e contínua de Cristo, através dos Apóstolos, até os bispos e sacerdotes atuais. Como uma corrente de ouro que liga entre si as contas de um rosário, o Sacramento da Ordem vincula entre si todas as sucessivas gerações de bispos e sacerdotes, ligando-as todas a Cristo. Isto é o que queremos dizer – pelo menos é parte do que queremos dizer – ao afirmarmos que a Igreja Católica é Apostólica.

Tal como os reis de outrora tinham de apresentar provas de seu sangue real para poderem aspirar ao trono, assim também qualquer igreja que aspire ao título de autêntica Igreja de Cristo tem de demostrar que descende direta e legitimamente dos Apóstolos. Noutras palavras, a apostolicidade é outro sinal distintivo da verdadeira Igreja de Cristo – e esse sinal, só o encontramos na Igreja Católica.”Quem vos ouve, a Mim ouve” (Lc 10,16), diz o Senhor dos Apóstolos, e as Suas palavras continuam a ecoar ao longo dos séculos. Somente a Igreja da qual emanam o poder e a autoridade dos Apóstolos é que tem o direito de falar de Cristo.

Igreja ou Bíblia

“Mostre-me tudo isso na Sagrada Escritura, e eu acreditarei em você”, poderá dizer-nos algum amigo não-católico. “Não creio em nada que não esteja escrito na Bíblia”, dir-nos-á outro. “ Nenhuma igreja vai dizer-me em que devo acreditar, só a Bíblia me basta”, afirmará ainda um terceiro. E não é raro que tenhamos que ouvir, dirigidas contra nós, acusações como esta: “Os católicos não lêem a Bíblia. São obrigados a acreditar em tudo que lhes contam os padres”.

Quando nos vemos diante de afirmação deste tipo, e se a pessoa que as faz relmente deseja conhecer a verdade, e não simplesmente discutir pelo gosto de auto-afirmar-se, há alguns pontos que poderemos esclarecer-lhe. Provavelmente, ainda não lhe ocorreu enfrentar-se com algumas perguntas elementares.

Em primeiro lugar, poderemos perguntar-lhe como é que ele sabe que Bíblia é a Palavra de Deus. Não há nenhuma passagem na própria Sagrada Escritura que o afirme explicitamente. Desde sempre, a única garantia que possuímos de que a Bíblia é um livro inspirado por Deus é…a palavra da Igreja Católica. Quem não crê na Igreja Católica não tem a menor razão para crer nas Escrituras. Foi a Igreja Católica que reuniu pacientemente, durante o primeiro século depois da vinda de Cristo, os escritos autênticos dos Apóstolos e discípulos do Senhor.

Foi a Igreja Católica que os separou cuidadosamente dos textos “apócrifos”, isto é, das epístolas e evangelhos falsamente atribuídos por pessoas bem intencionadas e dotadas de grande capacidade imaginativa, mas desprovidas da assistência divina. Foi a Igreja Católica que catalogou a pôs em ordem os livros que cosntituem o Novo Testamento, e os acrescentou aos livros inspirados do Antigo Testamento, redigidos pelos antigos patriarcas, profetas e historiadores do povo judeu. Por fim, foi a Igreja Católica que, depois de ter feito tudo isso, declarou solenemente: “Estas e somente estas são as Sagradas Escrituras; esta é a Palavra de Deus”.

Ora bem, a primeira igreja protestante nasceu mil e quinhentos anos depois de Cristo. Quando Lutero proclamou que a Escritura era a única fonte da verdade cristã, estava na verdade incorrendo numa contradição: por um lado, pretendia negar a Tradição católica; por outro, tinha de aceitar essa mesma Tradição, por ser ela a única fonte que lhe assegurava ser a Bíblia a Palavra de Deus…

Em segundo lugar, poderemos perguntar ao nosso amigo protestante: se Cristo desejava que nos guiássemos por um livro, e somente por esse livro, por que razão recomendou tantas vezes aos seus Apóstolos: Ide e pregai,ou Ide e ensinai? Por que não lhes disse: “Ide e Escrevei”? Com efeito, se é somente na Bíblia que encontramos a Palavra de Deus, que dizer dos primeiros cristãos? Será que não eram cristãos? Porque, na verdade, os Evangelhos e Epístolas somente começaram a ser escritos vários anos depois da Ascenção do Senhor aos Céus. E que dizer dos cristãos que viveram durante os mil e quatrocentos anos anteriores à invenção da imprensa, em que as Bíblias eram muito raras e tinham de ser copiadas à mão? Como podiam essas salvar a sua alma sem dispor de Bíblias para ler? E que dzer de todos esses nossos contemporânios que não sabem ler? Será que o Céu lhes está fechado porque a Bíblia é para ser um livro fechado?

Portanto, os católicos crêem na Sagrada Escritura e em cada palavra contida nela – creêm que é um livro inspirado por Deus -, mas crêem também na Palavra Viva, na voz igualmante inspirada da Igreja que Cristo fundou, e que tem a responsabilidade de interpretar a Bíblia em nome do Senhor. Aliás, a própria Escritura nos previne acerca da facilidade com que incorrem em erro os que tentam interpretá-la guiados unicamente pelo espírito próprio. Na sua segunda Epístola, São Pedro, referindo-se às Cartas de São Paulo, afirma: Há nelas algumas coisas difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes adulteram (como também as outras Escrituras) para a sua própria perdição (2 Pe 3,16). Com perdão da repetição: é a própria Bíblia que o diz!

Os católicos crêem na Bíblia, mas crêem também em outras coisas: crêem em tudo o que Cristo ensinou, em tudo o que os Apóstolos pregaram, mesmo que não tenha sido posto por escrito na Sagrada Escritura. Se reuníssemos todas as palavras do Senhor registradas pelos Evangelistas, e todas as suas frases recolhidas nas Epístolas – bem, talvez o Senhor não levasse mais de dois dias para pronunciá-las todas. Será que isso é tudo o que disse durante os seus três anos de ensino e pregação? Ou será que passou todo este tempo a repeti-las constantemente? Deixemos que seja o Apóstolo São João quem nos dê a resposta, com as palavras que põe no final do seu Evangelho: Muitas outras coisas há que Jesus fez, as quais, se se escrevessem uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros que seria preciso escrever(Jo 21,25).

Os Católicos crêem, por isso, que há dois canais através dos quais nos chega a Verdade divina: a Sagrada Escritura, tal como é interpretada pelo representante vivo de Cristo, que é a Igreja, e a Tradição. A Tradição consiste simplesmente naquele conjunto de verdades que foram ensinadas por Cristo e pregadas pelos Apóstolos, mas não foram recolhidas nos Evangelhos nem nas Epístolas. Essas verdades vêm sendo transmitidas de geração em geração pela Igreja, que as guarda cuidadosamente como um tesouro. Aliás, a sua principal responsabilidade, diante de Deus, consiste precisamente em custodiar e transmitir-nos (quer saibamos ler, quer não) o conjunto total das Verdades reveladas por Cristo.

A Igreja nunca nos manda crer em determinada afirmação – isto é, nunca “define um dogma”- sem ter a mais absoluta certeza de que a verdade que nos propõe foi defendida e ensinada pelos próprios Apóstolos, ou pelo menos deriva diretamente dos seus ensinamentos. A Igreja Católica não pode nem nunca poderá ensinar uma doutrina nova. Com a morte do último Apóstolo (São João), deixou de haver novos ensinamentos: nesse instante, Deus acabou de dizer tudo o que tinha a dizer-nos, a sua Revelação à humanidade encerrou-se nesse momento.

A Igreja fundada por Cristo tem de ser uma Igreja apostólica. Ou seja, tem de possuir os poderes espirituais que Cristo confiou aos seus Apóstolos; tem de ensinar todas as verdades que os Apóstolos pregaram. Historicamente, só existe uma Igreja dotada de todas as credenciais necessárias para garantir-lhe a apostolicidade: a Igreja Católica.


***

Fonte: A Sabedoria do Cristão – TRESE, Leo – Editora Quadrante - São Paulo 1992 .