quarta-feira, 22 de abril de 2009

Santa Bakhita - A escrava de Deus


O Catecismo da Igreja Católica, logo no seu início mostra como Deus ao criar o homem colocou dentro dele um desejo de encontra-Lo e O encontrando, teria satisfeito todos os desejos de seu coração, porque nasceria nele uma esperança de algo futuro, uma esperança de estar na posse deste amor lindo e perfeito.

Como nos diz Santo Agostinho: «Quando eu estiver todo em Ti, não mais haverá tristeza nem angústia; inteiramente repleta de Ti, a minha vida será vida plena”(Santo Agostinho, Confissões X, 28, 39: CCL 27, 175 (PL 32. 795).

Portanto, o homem tem dentro de si o desejo de saber de Deus, de conhece-LO, tem sede do eterno. Deus o chama a conhece-Lo atraves da criação e por fim através de Seu Filho amado, que enviou ao mundo para remir os homens.

Em seu n.32 diz assim: A partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode chegar-se ao conhecimento de Deus como origem e fim do universo. São Paulo afirma a respeito dos pagãos: «O que se pode conhecer de Deus manifesto para eles, porque Deus lho manifestou. Desde a criação do mundo, a perfeições invisíveis de Deus, o seu poder eterno e a sua divindade tornam-se pelas suas obras, visíveis à inteligência» (Rm 1, 19-20).

Ao ler este capítulo do Catecismo, fiquei a imaginar como em lugares tão distantes e em condições tão sofridas, pessoas são tocadas e descobrem a Deus, aderindo ao Seu chamado, apesar de toda dificuldade de comunicação. Me lembrei então de santa Josephina Bakhita, uma africana nascida no Darfur, Sudão, por volta de 1869 – apesar de ter sofrido horrores, por ter sido escrava e maltratada em demasia, olhava ao redor e suspirava por algo que estava acima de sua compreeensão. Santa Josephina Bakhita expressou tão singelamente o que via seus olhos e que fazia ansiar seu coração: Vendo o sol, a lua e as estrelas, dizia comigo mesma: Quem é o Patrão dessas coisas tão bonitas? E sentia uma vontade imensa de vê-Lo, conhecê-Lo e prestar-lhe homenagem"

Era a porta aberta para que o Senhor lhe enviasse uma graça maravilhosa que faria esta menina chegar ao conhecimento dEle e saciar a sede de paz, alegria e esperança em seu coração sofrido. Ou melhor, foi uma graça maravilhosa que fez Santa Bakhita olhar para as coisas criadas e suspirar pelo Seu criador. Deus se revela, atrai e depois de aceito mostra o caminho e para que todos que O reconheceram, para receber Suas graças santíssimas, leva-os à Sua Igreja. Santa Bakita nos faz ver, de forma muito clara, os caminhos claros que nos leva Deus Pai, para que neste mundo possamos ve-LO, conhece-LO, ama-LO e servi-lo, para com ajuda de suas graças santas, perseverarmos até o fim na fidelidade a Sua santa Vontade.

Nosso Papa Bento XVI em sua Encíclica Spe salvi nos mostra quem era Santa Bakhita e todo bem que Deus colocou em seu coração sofrido, mostrando a todos nós, que Ele quer que todos cheguem ao conhecimento do seu amor incondicional e se faça filho, independente de quem seja, de onde mora e de sua condição, afinal, Ele ama a todos e chama a todos para viver na santidade pondo nos corações uma esperança - que não engana - e que convida à perseverança e fidelidade. Vejamos:

"Aos nove anos de idade foi raptada pelos traficantes de escravos, espancada barbaramente e vendida cinco vezes nos mercados do Sudão. Por último, acabou escrava ao serviço da mãe e da esposa de um general, onde era diariamente seviciada até ao sangue; resultado disso mesmo foram as 144 cicatrizes que lhe ficaram para toda a vida. Finalmente, em 1882, foi comprada por um comerciante italiano para o cônsul Callisto Legnani que, ante a avançada dos mahdistas, voltou para a Itália. Aqui, depois de « patrões » tão terríveis que a tiveram como sua propriedade até agora, Bakhita acabou por conhecer um « patrão » totalmente diferente – no dialecto veneziano que agora tinha aprendido, chamava « paron » ao Deus vivo, ao Deus de Jesus Cristo. Até então só tinha conhecido patrões que a desprezavam e maltratavam ou, na melhor das hipóteses, a consideravam uma escrava útil.

Mas agora ouvia dizer que existe um « paron » acima de todos os patrões, o Senhor de todos os senhores, e que este Senhor é bom, a bondade em pessoa. Soube que este Senhor também a conhecia, tinha-a criado; mais ainda, amava-a. Também ela era amada, e precisamente pelo « Paron » supremo, diante do qual todos os outros patrões não passam de miseráveis servos. Ela era conhecida, amada e esperada; mais ainda, este Patrão tinha enfrentado pessoalmente o destino de ser flagelado e agora estava à espera dela « à direita de Deus Pai ». Agora ela tinha « esperança »; já não aquela pequena esperança de achar patrões menos cruéis, mas a grande esperança: eu sou definitivamente amada e aconteça o que acontecer, eu sou esperada por este Amor. Assim a minha vida é boa. Mediante o conhecimento desta esperança, ela estava « redimida », já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque sem Deus.

Por isso, quando quiseram levá-la de novo para o Sudão, Bakhita negou-se; não estava disposta a deixar-se separar novamente do seu « Paron ». A 9 de Janeiro de 1890, foi baptizada e crismada e recebeu a Sagrada Comunhão das mãos do Patriarca de Veneza. A 8 de Dezembro de 1896, em Verona, pronunciou os votos na Congregação das Irmãs Canossianas e desde então, a par dos serviços na sacristia e na portaria do convento, em várias viagens pela Itália procurou sobretudo incitar à missão: a libertação recebida através do encontro com o Deus de Jesus Cristo, sentia que devia estendê-la, tinha de ser dada também a outros, ao maior número possível de pessoas. A esperança, que nascera para ela e a « redimira », não podia guardá-la para si; esta esperança devia chegar a muitos, chegar a todos"

Santa Bakhita, foi canonizada em 2000 pelo papa João Paulo II, após o reconhecimento, pelo Vaticano, de um milagre de cura ocorrido em Santos, Brasil em 1992. Eva Tobias da Costa, que tinha diabetes, solicitou a intercessão de Josephina Bakhita para sanar suas feridas incuráveis. Após invocar a santa e esfregar a imagem nas feridas que tinha nas pernas, elas voltaram ao normal, curadas.

O episódio aconteceu em 27 de maio de 1992. As zonas das chagas permaneceram pigmentadas, como que para comprovar tal milagre. "A santa é tão querida que merecia uma igreja em sua homenagem aqui em Santos e é a primeira igreja para ela no Estado. Já são três anos de luta para construirmos", declarou o padre José Paulo, da Catedral.

Cerca de mil fiéis estiveram presentes na inauguração da primeira igreja do Estado de São Paulo em louvor a Santa Josefina Bakhita, no dia 04/02/2006. Na entrega do templo, à Rua República Portuguesa, 18 (Vila Mathias), foi celebrada Missa ao ar livre pelo Bispo Diocesano Don Jacyr Francisco Braido, auxiliado pelo Pe. José Paulo, pároco da nova capela.

Sua festa é celebrada no dia 8 de fevereiro.

Sua vida foi toda vivida na humildade e no serviço e quando já não era mais jovem, ainda achou forças para servir. Sua história dramática, às vezes trágica, impressionava. Mas os anos pesam e ela sofre de bronquite asmática, artrite e arteriosclerose. Sofre muito. As pernas enfraquecem e precisa de cadeira de rodas. Pede para ir diante de El Paron e reza, dizendo a Deus: "Eu não tenho nada para Lhe dar..."Olha a imagem de Jesus e diz: "Obrigada por tudo que me destes, eu vou indo devagarzinho rumo à eternidade"...

Santa Bakita transformou todo sofrimento que passou, em atos de amor Àquele que a chamou desde sempre. Serviu-O nos irmãos e na Sua Igreja, quando fez tudo muito bem feito e com toda humildade. Por se considerar tão pequena pode conviver sem medo com o Senhor, numa total reverência e entrega de si mesma - segredo que faz santos. Se fez escrava por livre e expontânea vontade, porque sabia que este "patrão" era digno de ser adorado e servido.

São Tomás comenta sobre a esperiência com Deus, que podemos ter quando escutamos e aderimos ao Seu chamado: “O Senhor fala de um modo elevado e místico, porque o que Deus é na Sua glória ou na Sua graça não se pode saber senão por experiência, pois as palavras não se conseguem explica-Lo. A este conhecimento chega pelas boas obras, pelo recolhimento e aplicação da mente à contemplação das coisas divinas, pelo querer saborear a doçura de Deus, pela assiduidade na oração.”(Evang. São João – Bíblia de Navarra – pag 1139 – Quadrante – SP). Assim fez santa Bakhita e chegou ao Céu!

O testemunho desta santa é um exemplo das graças especiais que Deus outorga para atrair os Seus. As vezes dirige um chamamento direto e pessoal que move interiormente as almas e as convida ao Seu seguimento, outras serve-se de pessoas com suas palavras e testemunhos e as vezes apenas ao olhar Sua maravilhosa criação, admirando-a já toca para o reconhece- Lo e busca-Lo. E a tragetória para quem o aceita e é fiel é magnífica, porque de alguma forma Ele faz com que se encontrem com Ele, se utilizando dos meios da graça que Ele próprio deu e a Igreja administra: frequência aos sacramentos e prática da piedade cristã. Assim foi com Santa Bakhita e nós só podemos louva-LO por esta santa fiel e pela comunhão dos santos, clamar sua interecessào para nossas almas, que se tornem dóceis, humildes, confiantes, como foi a desta santa maravilhosa.

Oração à Santa Josefina Bakhita:


Ó Santa Josefina Bakhita, que, desde menina, foste enriquecida por Deus com tantos dons e a Ele correspondeste com todo o amor, olha por nós. 
Intercede junto ao Senhor para que cresçamos no Seu amor e no amor a todas as criaturas humanas, sem distinção de idade, de raça, de cor ou de situação social.
Que pratiquemos sempre, como tu, as virtudes da fé, da esperança, da caridade, da humildade, da castidade e da obediência. 
Pede, agora, ao Pai do Céu, oh Bakhita, as graças que mais preciso, especialmente. 
Amém.

Acrescento aqui algo que encontrei sobre santa Bakitha, que é maravilhoso:

Vou-me devagarinho para a eternidade... Vou com duas malas: uma contém os meus pecados; a outra, bem mais pesada, contém os méritos infinitos de Jesus Cristo. Quando eu comparecer diante do Tribunal de Deus, cobrirei a minha mala feia com os méritos de Nossa Senhora. Depois abrirei a outra e apresentarei os méritos de Jesus Cristo. Direi ao Pai: ‘Agora julgai o que vedes’. Estou segura de que não serei rejeitada! Então me voltarei para São Pedro e lhe direi: ‘Pode fechar a porta porque eu fico!' Deus seja louvado!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Campanha Salvem a Liturgia!



1. Favorecer o aumento da piedade eucarística, para que os fiéis creiam na Missa como renovação e atualização do sacrifício da Cruz, pela qual se tornam presentes, de modo real e substancial, o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda que sob a aparência de pão e de vinho; fomentar a frutuosa, “plena, consciente e ativa participação” (Concílio Ecumênico Vaticano II. Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, 14) de todos os batizados na Santa Missa, na Exposição do Santíssimo, na celebração dos sacramentos, no Ofício Divino, e nas demais cerimônias litúrgicas.

2. Promover a correta celebração da Santa Missa e dos demais ritos, por:
a) uma estrita observância das rubricas dispostas nos livros litúrgicos;
b) por um mais generoso aproveitamento dos recursos previstos para a solenização do culto;
c) pela consciência, por parte dos clérigos e dos fiéis, do rico significado de cada cerimônia, fortalecendo o devido, profundo e sacro respeito para com toda a nossa tradição litúrgica.

3. Popularizar, conforme pedido insistentemente pelos Papas, as cerimônias em língua latina, no rito romano moderno (forma ordinária, Missal de Paulo VI, pós-conciliar): que todas as igrejas e oratórios tenham a Missa em latim, ao menos semanalmente.

4. Colaborar com a implementação da “reforma da reforma”, mediante:
a) o uso freqüente do rito romano tradicional (forma extraordinária, Missal de São Pio V, pré-conciliar, “tridentina”), na esteira do Motu Proprio Summorum Pontificum;
b) o debate sadio e respeitoso acerca de como facilitar o desenvolvimento harmônico e orgânico da liturgia;
c) a pesquisa histórica e teológica sobre os diversos aspectos do rito romano em suas duas formas.

5. Incentivar a ampla utilização do canto polifônico e, principalmente, do canto gregoriano, “canto próprio da liturgia romana”, o qual “ocupa o primeiro lugar entre seus similares.” (Concílio Ecumênico Vaticano II. Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, 116)

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http://www.salvemaliturgia.com/
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Mortificação - Parte I


A mortificação contribui, com a penitência, para purificar das faltas passadas; mas o seu fim principal é premunir-nos contra as do presente e do futuro, diminuindo o amor do prazer, fonte dos nossos pecados.

Sua natureza, a Sua Necessidade e a Sua Prática.

Natureza -> Seus diversos Nomes e sua Definição.

Necessidade -> Para a Salvação e para a Perfeição.

Prática -> Princípios gerais - Mortificação dos sentidos exteriores - Mortificação dos sentidos interiores - Mortificação das paixões e Mortificação das faculdades

I. Natureza da Mortificação

A - Expressões bíblicas, para designar a mortificação. Encontramos sete expressões principais nos Livros Santos, para designar a mortificação sob os seus diversos aspectos.

1 - A palavra renúncia: «qui non renuntiat omnibus quae possidet non potest meus esse discipulus» apresenta-nos a mortificação como um ato de desprendimento dos bens exteriores, para seguirmos a Cristo. Assim fizeram os Apóstolos: «relictis omnibus, secuti sunt eum»

2 - É também uma abnegação ou renúncia a si mesmo: «Si quis vuli post me venire, abneget semetipsum» E na verdade, o mais terrível dos nossos inimigos é o amor próprio desordenado; eis o motivo por que é forçoso desapegar-nos de nós mesmos.

3 - Mas a mortificação tem um lado positivo: é um ato que fere e atrofia as más tendências da natureza: «Mortifica te ergo membra vestra .. Si autem Spiritu facta carnis mortíficaveritis, vivetis »

4 - Mais ainda é uma crucificação da carne e das suas concupiscências, pela qual cravamos, por assim dizer, as nossas faculdades à lei evangélica aplicando-as à oração, ao trabalho: «Qui sunt Christ, carnem suam crucifixerunt cum vitiis et concupiscentiis»

5 - Esta crucifixão, quando persevera, produz uma espécie de morte e de en terramento, pelo qual parecemos morrer completamente a nós mesmos e sepultar-nos com Jesus Cristo, para vivermos com Ele uma vida nova «Mortui enim estis vos et vita vestra est abscondita cum Cristo in Deo … Consepulti enim sumus cum illo per baptismum in mortem» .

6 - Para exprimir esta morte espiritual. São Paulo serve-se doutra expressão: como, depois do batismo, há em nós dois homens, o homem velho que fica, ou a tríplice concupiscência, e o homem novo ou o homem regenerado, declara o Apóstolo que é nosso dever «despojar-nos do homem velho, para nos revestirmos do novo: expoliantes vos veterem hominem ... et induentes novum» .

7 - E, como isto se não faz sem combater, declara ainda que a vida é combate «bonum certamen celta vi», que os cristãos são lutadores ou atletas que castigam o seu corpo e reduzem a servidão.

De todas estras expressões e outras análogas, resulta que a mortificação compreende um duplo elemento: um negativo, o desprendimento, a renúncia, o despojamento; e outro positivo, a luta contra as más tendências, o esforço para as mortificar ou atrofiar, a crucificação, a morte da carne, do homem velho e das concupiscências, a fim de vivermos da vida de Cristo.

B- Expressões modernas.

Hoje vai-se preferindo o uso de expressões mitigadas, que indicam o fim que se pretende atingir, antes que o esforço que para isso se tem de empregar. Diz-se que é mister reformar-se a si mesmo, governar-se a si mesmo, fazer a educação da vontade, orientar a sua alma para Deus. Estas expressões são exatas, contanto que se saiba mostrar que ninguém pode reformar-se e governar-se a si mesmo, sem combater e mortificar as más tendências que em nós existem; que não se faz a educação da vontade, senão mortificando, disciplinando as faculdades inferiores, e que não há possibilidade de alguém se orientar para Deus se não desapegando-se das criaturas e despojando-se dos próprios vícios.Por outros termos, é necessário saber, como faz a Sagrada Escritura, reunir os dois aspectos da mortificação, mostrar o fim, para consolar, mas não dissimular o esforço necessário para o atingir.

C - Definição.

Pode-se, pois, definir a mortificação: a luta contra as más inclinações, para as submeter à vontade, e esta a Deus. É menos virtude que um complexo de virtudes, o primeiro grau de todas as virtudes, que consiste em vencer os obstáculos, no intuito de restabelecer o equilíbrio das faculdades, a sua ordem hierárquica. Assim se vê mehor que a mortificação não é um fim, senão um meio; o homem não se mortifica senão para viver uma vida superior, não se despoja dos bens exteriores senão para melhor conseguir os bens espirituais, não se renuncia a si mesmo senão para possuir a Deus, não luta senão para gozar .,. paz, não morre a si mesmo senão para viver da vida de Cristo, da vida de Deus. A união com Deus, é, pois, o fim da motificação. Assim, melhor se compreende a sua necessidade.

II -Necessidade da Mortificação

Esta necessidade pode-se estudar sob duplo aspecto: a Salvação e a Perfeição.

A -Necessidade da mortificação para a Salvação

Há mortificações necessárias para a salvação, neste sentido que, se não se fazem, há perigo de cair no pecado mortal.

1 - Nosso Senhor Jesus Cristo fala disto clarissimamente, a propósito das faltas contra a castidade: «Todo aquele que olhar para uma mulher com concupiscência, ad concupiscendam eam, já cometeu adulério com ela em seu coração». Há, pois, olhares gravemente pecaminosos, os que são inspirados por maus desejos; e a mortificação de tais olhares impõe-se sob pena de pecado mortal. É afinal, o que Nosso Senhor acrescenta com estas enérgicas palavras: «Se o teu olho direito te escandaliza, arranca-o, e lança-o para longe de ti; porque melhor te é que pereça um só dos teus membros do que ser todo o teu corpo lançado na geena». Não se trata aqui de vazar os próprios olhos, senão de arrancar a vista desses objetos que são cauda de escândalo.

_ São Paulo dá-nos a razão destas graves prescrições: «Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se, pelo Espírito, fizerdes morrer as obras da carne, vivereis: si enim secundum carnem vixeritis, moriemini, si autem Spiritu facta carnis mortificaveritis, vive tis» Como sabemos a tríplice concupiscência que permanece em nós, excitada pelo mundo e pelo demônio, leva-nos muitas vezes ao mal e põe-nos a salvação em perigo, se não temos cuidado de a mortificar. Donde resulta a necessidade absoluta de combater incessantemente as tendências perversas que em nós existem, de evitar as ocasiões próximas de pecado, isto é, esses objetos ou pessoas que, dada a nossa experiência passada, constituem para nós um perigo sério e provável de pecado, e de renunciar por isso mesmo a muitos prazeres a que a natureza nos arrasta. Há, pois, mortificações necessárias, sem as quais viríamos a cair no pecado mortal.

2 - Outras há que a Igreja prescreve, para determinar concretamente a obrigação geral, que temos de nos mortificar, tantas vezes inculcada no Evangelho: tal é a abstinência das sextas-feiras, o jejum da Quaresma, das Têmporas e Vigílias.. Estas leis obrigam sob pena de pecado grave aos que não estão legitimamente escusados ou dispensados. E neste ponto queremos fazer uma observação que não deixa de ter importância: há pessoas que, por boas razões, estão dispensadas destas leis; mas nem por isso se julguem dispensadas da lei geral da mortificação, que, por conseguinte, devem praticar por outra forma qualquer. Sem o que, não tardariam a sentir as revoltas da carne.

3 -Além destas mortificações prescritas pela lei divina e eclesiástica há outras que, com o parecer do próprio diretor, cada qual deve tomar em certas circunstâncias particulares, quando as tentações se tornem mais importunas. Escolher-se-ão entre as que depois indicaremos.

B - Necessidade da mortificação para a Perfeição

Esta necessidade promana da natureza da perfeição, que, consiste no amor de Deus até o sacrifício e imolação de nós mesmos, de tal sorte que, segundo a Imitação, a medida que nosso progresso espiritual depende da violência que a nós mesmos nos fazemos: tantum proficies quantum tibi ipsi vim intuleris . Bastará, recordar sumariamente alguns motivos que poderão influir sobre a nossa vontade, para a ajudar a cumprir este dever. Esses motivos tiram-se da parte de Deus, de Jesus Cristo, e da nossa santificação pessoal .

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Segundo, TANQUEREY, Adolph: A Vida Espiritual Explicada e Comentada. Anápolis: Aliança Missionária Eucarística Mariana, 2007. pgs. 403-434).

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quinta-feira, 16 de abril de 2009

A Santíssima Virgem e o apóstolo São João


No que diz respeito a Nossa Senhora, o apóstolo São João se encontra em situação privilegiada, ao confiar-lhe Jesus o cuidado de Sua Mãe quando está para morrer na Cruz. Ela estará desde então a seu lado. A João, como a nenhum outro, pôde falar a Santíssima Virgem de tudo aquilo que guardava no seu Coração (Lc 2,51).

Em Maria, diz o Evangelho, o Verbo Se fez carne. O próprio Filho do Eterno Pai faz-Se Filho do Homem, para que assim os filhos dos homens cheguem a ser filhos de Deus. O Canto da consolação,(Is 40,1-11) - falava da vinda de Deus aos que sofriam, pois Deus guiaria pessoalmente o Seu povo num novo êxodo para a Terra Prometida. Ao dizer que o Verbo Se fez carne, a figura da Mãe de Deus oculta-se discreta entre linhas. É o papel ordinário de Maria no Evangelho: passar despercebida, especialmente nos momentos de glória do Filho. Depois, como nenhuma outra criatura, participará do triunfo glorioso de Cristo, e será também, São João quem no-La descreve em todo o seu esplendor: «Um grande sinal apareceu no céu: uma mulher ves¬tida de sol, e sobre a sua cabeça uma coroa de doze estrelas» (Ap 12,21)

Em João 2,1-11 narram-se as bodas de Caná, e em 19,25-27 a presença de Maria Santíssima no Calvário. Ambos os relatos tem entre si um claro paralelismo: a Virgem é designada como a Mãe de Jesus, e o Senhor chama-lhe «Mulher». Também, tanto em Caná como no Calvário, se fala da hora de Jesus. No primeiro caso, como de algo que ainda não tinha chegado, e, no segundo, como de uma realidade já presente. Essa «hora de Jesus» marcará toda a Sua vida até culminar na Cruz (Jo 7,30; 8,20).

«Quando Ele realizou tudo o que julgou conveniente realizar - afirma Santo Agostinho-, então é quando chegou a hora assinalada: por Sua vontade e não pela necessidade, pelo Seu poder e não por exigência alguma» (In Ioam Evang.8,12).

Por seu lado, diz o Doutor Angélico que «se entende a hora da Paixão não como imposta pela necessidade, mas determinada pela divina Providência» (Comentário sobre S. João,2,3)

O que à primeira vista aparece no relato das bodas de Caná é a delicada caridade da Virgem Santíssima e a sua fé absoluta no poder de Jesus. Além disso, no fundo, significa que Maria intervém aqui, tal como no Calvário, intimamente vinculada à Redenção messiânica. Assim, Jesus ao converter em vinho a água destinada às purificações rituais dos judeus, insinua o começo dos tempos messiânicos. Com efeito, o vinho simboliza nos oráculos proféticos os tempos do Messias, quando os lagares estarão repletos de bom vinho (Am 9,13), e no monte Sião se celebrará um banquete de manjares suculentos e de vinhos olorosos (Is 25,6).

O próprio Jesus fala do fruto da videira que se beberá no Reino (Mt 26,29), e contrapõe o vinho novo ao vinho velho (Mc 2,22). Por outro lado, o banquete das bodas de Caná evoca o banquete dos desposórios de Yahwéh com a filha de Sião, que significa a Antiga Aliança, (Is 54,4-8) assim como os desposórios de Cristo com a Igreja significam a Nova Aliança (Ef 5,25) aludidos também em algumas parábolas. Assim, pois, a figura da Santíssima Virgem e as palavras que se referem a ela há que contemplá-las à luz do sentido messiânico de toda a perícopa.

São João contempla a Maternidade divina de Maria em toda a sua plenitude, sendo Mãe não só da Cabeça mas também de todos os membros do Corpo Místico de Cristo. Por isso, em vez do nome de Maria, no quarto Evangelho utilizam-se os títulos de «Mãe de Jesus» e de «Mulher», que têm um significado peculiar, relacionado com a sua maternidade espiritual; neste sentido chama Jesus em Caná a Sua Mãe «Mulher» (Jo 2,4).

E igualmente em 19,25-27, onde o Evangelho fala da presença de Nossa Senhora no Calvário; aqui, como em Caná, as palavras do Senhor têm um sentido mais profundo do que à primeira vista poderia parecer. Depois de ter confiado a João o cuidado de Maria, Jesus dá por consumada a Sua missão antes de morrer (19,28); então «já» estava tudo cumprido e não antes.

A proclamação de Maria como Mãe do discípulo amado entra, pois, a fazer parte da obra salvífica, que, nesse momento, fica consumada. Portanto, além de um ato de piedade filial, trata-se de algo mais transcendente: a maternidade espiritual de Maria. Este é o momento em que a corredenção da Virgem Mãe adquire toda a sua força e sentido. Agora sim que advertimos como Maria esteve unida com Jesus, agora a maternidade divina de Nossa Senhora atinge toda a sua magnitude, agora a Virgem Santíssima é constituída Mãe espiritual de todos os crentes. O discípulo amado representa aqueles que seguirão o Mestre e no apóstolo João recebem Maria Santíssima como Mãe.

A palavra «Mulher» implica, além disso, certa solenidade e ênfase: a maioria dos autores inclinam-se à ver neste título uma clara alusão ao «proto-evangelho» (Gen 3,15),onde se fala do triunfo da mulher e da sua linhagem sobre a serpente. Tal alusão, além de estar avalizada pelo próprio texto (o uso do termo «Mulher»), é confirmada pelas interpretações dos Santos Padres, que falam do paralelismo entre Eva e Maria, semelhante ao que se dá, entre Adão e Cristo (Cfr Rom 5,12-14). Efectivamente, na Morte de Cristo temos o triunfo sobre a serpente, pois Jesus ao morrer redime-nos da escravidão do demônio.

Mors per Evam, vita per Mariam, a morte veio-nos por Eva, a vida por Maria (S. Jerônimo, Epistola ad Eustochium, PL 22,408).

«A primeira Eva _ ensina Santo Ireneu - desobedeceu a Deus, a segunda, pelo contrário, obedeceu-Lhe; assim a Virgem Maria pôde ser advogada da virgem Eva» (Adversus haereses,5,19,1).

Nossa Senhora «cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É por esta razão nossa mãe na ordem da graça» (Lumem Gentium, n.61). Assim Ela «continua no céu a exercer a sua missão maternal com os membros de Cristo, pela qual contribui para gerar e aumentar a vida divina em cada uma das almas dos homens redimidos»(Credo do Povo de Deus, n.o 15. )

Comenta Orígenes: «Atrevemo-nos a dizer que a flor das Escrituras são os Evangelhos e a flor dos Evangelhos é o de São João. Mas ninguém saberá compreender o seu sentido se não repousou no peito de Jesus e recebeu Maria como Mãe. Para ser como João, é preciso poder, como ele, ser mostrado por Jesus como outro Jesus. Com efeito, se Maria não teve outros filhos além de Jesus, e Jesus diz a Sua Mãe: 'Eis aí o teu filho' , e não 'eis aí outro filho', então é como se Ele dissesse: Aí tens Jesus, a quem tu deste a vida'. Efectivamente, qualquer pessoa que se identificou com Cristo já não vive para si, mas Cristo vive nele (cfr GaI2,20), e visto que nele vive Cristo, dele diz Jesus a Maria: 'Eis aí o teu filho: Cristo'» (In Ioann. Comm., 19,26-27. 138 Rom 6,1-14.)

Recebemos pelo Batismo, pela participação na Morte e Ressurreição de Cristo (Rom 6,1-14), o dom da filiação divina (Jo 1,12-13), mas para chegar a viver essa identificação com Jesus «é preciso unirmo-nos a Ele pela fé, deixando que a Sua vida se manifeste em nós, de maneira que se possa dizer que cada cristão é, não já alter Christus, mas ipse Christus, o próprio Cristo!» (Cristo que passa, n. 104).

Introdução ao Evangelho segundo São João – Bíblia de Navarra – Edições Theologica – Braga – 1994 – pag.1109 – 1113.

Doce Hóspede da Alma – Santifica-nos!




Caríssimos, como são maravilhosos, como são preciosos os dons de Deus! Vida imortal, esplêndida justiça, verdade liberta, fé intrépida, temperança santa: tudo isto nossa inteligência concebe. O que será então que se prepara para aqueles que O aguardam? O Santíssimo Artífice e Pai dos séculos é o único a conhecer a sua santidade e beleza. Portanto, a fim de participarmos dos dons prometidos, empreguemos todo empenho em sermos contados no número dos que esperam”
(São Clemente I – Papa e Mártir da Igreja – séc. I - AQUINO, Felipe – Alimento Sólido – Editora Canção Nova - Cachoeira Paulista - S. P – p. 23).

“Sede perfeitos como o Vosso Pai é perfeito” (Mt 5,48)

Conta-se que um cônego de Limoges, o Abade Guimabaud, falecido em 1944, tomara parte numa peregrinção a Roma quando ainda jovem sacerdote, tendo sido apresentado ao Papa Leão XIII pelo Vigário Geral, da forma seguinte: “Santitíssimo Padre, aqui está um sacerdote que leu todas as suas Encíclicas” – Qual prefere? Perguntou o Papa ao Abade – “A que trata do Espírito Santo”- Ah! continou Leão XIII, o Espírito Santo….o divino desconhecido!...”(PLUS, Raul – Em União com o Espírito Santo – Quadrante – Introdução)

Graças a Deus pode-se dizer que hoje o Espírito Santo não é mais o divino desconhecido, mas infelizmente podemos dizer, que muitos de nós desconhecemos toda riqueza de suas ações nas almas, que consiste em educa-las para a santidade. Saibamos bem que Deus nosso Pai, reservou para Si a santificação das almas que Ele tanto ama, já que as criou para Ele. E o faz de uma forma ordenada, silenciosa e eficaz, para levar a termo Seu desejo de elevar o homem à condição a que foi criado primeiramente, com toda riqueza de dons e dotes sobrenaturais. Deus quer que sejamos perfeitos, assim como Ele é perfeito, nada mais que isso.

Deus é quem faz os santos. A santificação é obra do amor e este amor é o próprio Deus que nos convida e age em nós para nos convertermos e nos santificarmos, portanto a alma resoluta que busca na docilidade deixar-se conduzir pelo Espírito, terá como recompensa o encontro com Deus.

Deus quis que o homem fizesse parte de Sua família, tornando-o um filho com direito à Sua herança. E para que isso não fosse apenas uma formalidade, deu-nos a participação de Sua vida divina, com uma qualidade criada e real, que nos faz participar já aqui na terra das luzes da fé, para um dia possui-Lo no céu pela visão beatífica de Si mesmo, amando-O como Ele é.
Para tanto, no dia do nosso Batismo, firmou-se entre Deus e nós um verdadeiro contrato. Neste Sacramento da Igreja, pelas suas águas regeneradoras e pelo Seu poder, efetivamente a Santíssima Trindade se derramou sobre nós : O amor do Pai e do Filho foi derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado. (Rm 5,5). Esse Amor é um amor substancial, imutável e eterno.

No Batismo recebemos os frutos da redenção operada por Cristo na Cruz. Ali somos purificados da mácula original, da falta da graça e dos bens perdidos por Adão, nosso pai terrestre, além de recebermos nossa adoação filial.

E tudo isso acontece pela ação da pessoa do Espírito Santo. Aquele que o Santo Padre chamou de divino desconhecido, e tanto quanto Jesus, tem seu calvário na medida em que não é conhecido, amado e sobretudo querido pelos homens, que Deus escolheu para serem seus filhos adotivos. Por Ele nos tornamos livres e por Ele decidimos por Deus. Ele nos vivifica, por isso é o autor da vida nova que o Senhor nos oferece. Jesus disse: Eis que faço novas todas as coisas. Queridos, pelo Espírito fazemos parte desta maravilha de Deus.

Sua obra magnífica consiste em nos fazer amar a Deus, nos liberta do amor do mundo e nos leva a nos conformarmos com Sua santa vontade.

É a Ele que devemos buscar para podermos cumprir nosso fim, vivendo na luta contra o pecado, perseverando até o dia final. Logicamente é a Santíssima Trindade que buscamos para sermos santos, mas esta obra é dada ao Divino Espírito por atribuição, já que nas obras do amor, Ele se faz presente e atua eficazmente. Mas é Deus todo, que opera em nós o Seu querer e executar.

O Espírito Santo, portanto, é o educador de nossas almas, de incomparável sabedoria e amor. Mestre na arte de conduzi-las e plasma-las de acordo com Sua vontade, Ele faz o que quer e quando quer, pois é o educador gratuito e liberal, e age porque é bom, não dependendo do mérito de ninguém. Só pede que esta alma se deixe conduzir por Ele, em função de sua natureza e segundo suas disposições, para leva-la ao acabamento total na graça e à qualidade de adultos na fé.

Ele é o princípio da santidade e nos faz voltar para Deus e quer nos unir a Ele de forma habitual e permanente . Ele nos purifica e nos da firmeza, fazendo com que desejemos sempre mais a ascenção ininterrupta para Deus, para fazer de nós, imagens perfeitas de nosso Pai.

Saibamos bem que é apenas no Espírito Santo que devemos esperar a santidade, que não nos será negada se a buscarmos diligentemente a cada dia, lutando tenazmente contra o pecado que nos afasta de Deus, pois nos diz as Escrituras que a alma que põe a confiança no Senhor, nunca será confundida (Sl 30,2). Como disse, Deus é quem faz os santos, portanto é Ele quem conduz ao que Ele mesmo nos propõe. É preciso que cada um conheça quando, de que maneira Ele age, para com o coração disponível viver esta vida de forma a subir sempre à presença do Senhor.

Nossa vida é uma caminhada para o alto e Deus mais do que ninguém nos quer ajudar nesta subida. Nosso fim consiste em ve-Lo, viver nEle e para Ele, mas podemos experimentar já aqui, esta vida de filhos, com toda a fecundidade que ela nos oferece. Já digo de antemão, que não depende dos sentimentos, mas do se deixar conduzir pelo Espírito Santo que nos foi dado. Saber, pela razão, de que maneira Ele nos conduz, para aceitarmos agradecidos Seu amor e Sua transformação.

Ora, se o Espirito nos foi dado, nos pertence e se nos pertence pode fazer com que nos tornemos santos, porque Ele é santo! Nossa limitação nunca alcançará esta misericórdia inefável e infinita!! Quanta vantagem tivemos quando o Senhor disse que era preciso que Ele fosse. Ficaríamos sem Ele, é certo, mas receberíamos o grande presente que nos seria concedido. O Espírito Santo é nosso amigo, nosso Consolador e nossa força nas provações da vida presente e quer levar a cabo na vida de cada um de nós, esta transformação maravilhosa que a cada dia nos transforma tal qual Ele é, e para qual fomos criados.

Mas quantos tem desperdiçado por desconhecimento esta graça bendita? Quantos tem se cansado na caminhada buscando se santificar com suas próprias forças, que são nada diante da força de Deus, desprezando Aquele que realmente santifica? Quantos tem sentindo sua vida vazia, crendo que tem desagradado a Deus, crendo que tem perdido tempo em orações infrutuosas, se sentindo como que inúteis diante de todo bem que sabem que Deus os convida a viver?

Assim já dizia Pierre Charles : Senhor, por que, para subir até Vós, não temos a mesma coragem com que galgamos montanhas? Por que havemos de temer a escalada do Vosso Sinai, para ir falar-Vos e contemplar- Vos face a face? Quando penso na imensidade do esforço sinto-me esmagado. Como farei para atingir o inacessível? Ah… Depois que descestes até à humanidade, há um caminho aberto para subir até Vós (Generosidades – Quadrante – São Paulo – 1991 - pag. 52)

Mas como de fato o Espírito Santo age em nós?

Segundo Tanquerey, “ao comunicar-nos uma participação da Sua vida, nos deu o Senhor todas as graças necessárias para a conservar e acrescentar. Ele por amor, ainda nos deu nessa Sua participação, a graça santificante onde somos modificados por Ele, de uma forma acidental, na nossa natureza e capacidade de ação, não nos torna Deus, mas deiformes, semelhantes a Ele, capaz de atingi-Lo pela visão beatífica, quando esta graça for transformada em glória e de O ver face a face, como Ele se vê a Si mesmo.

Participamos da natureza de Deus, Ele vem a nós com sua graça maravilhosa! Jesus não contente em reparar, pela Sua satisfação, a ofensa feita a Deus e de nos reconciliar com Ele, mereceu-nos todas as graças que havíamos perdido pelo pecado e outras ainda.

A Graça Santificante, que por si já diviniza e nos aperfeiçoa, vem com seu cortejo de virtudes infusas e dons do Espírito Santo, que colaboram mais ainda com este novo homem, o que se move e cresce com a ajuda de graças atuais,

Atuais e abundantes e que podemos crer até mais abundantes do que no estado se inocência, em virtude da palavra de São Paulo: ”ubi abundavit delictum, superabundavit gratia” - onde abundou o pecado, superabundou a graça - para que produza atos sobrenaturais, deiformes e meritórios de vida eterna, já que este, como dissemos, é o fim a que o homem foi criado e elevado como filho de Deus. (A Vida Espiritual - Explicada e Comentada - de Adolfh Tanquerey - Editora Permanência - Quinta Edição - Anápolis - 2007)).

Entendamos pois, que o homem em estado de graça, todos os seus atos, são realizados com ajuda de Deus. É Ele que opera em nós e por nós. Por isso, qualquer ação que fazemos, tem méritos de vida eterna. São Paulo, na carta aos Colossenses no cap. 3, vers 17 – nos diz que “tudo quanto fizermos, por palavras ou por obras, que façamos em Nome de Jesus Cristo dando por Ele, graças a Deus Pai.” Nossa caridade, nosso amor, nossos atos, nenhum deles são desperdiçados, pois o fazemos em Deus e para Deus. Ao abrirmos nossos olhos, saibamos que a menor de nossas ações devem ser oferecidas a Deus e devemos pedir que tudo naquele dia seja feito com Sua ajuda santíssima. Assim, nosso coração se torna um coração descansado, já que nos unimos a Deus que tudo realiza.

Santa Tereza disse uma vez, que se tivermos o desejo de fazer algo para Deus, Ele nos ajudará a faze-lo. O Senhor se compraz nisso. Nossa vida há de ser uma eterna oração se feita nesta união, por isso, temos paz em Deus.

É certo que, mesmo depois de nosso Batismo, estamos ainda de posse da concuspicência e das misérias da vida, mas temos agora a força necessária para combater e vencer as tentações, ficamos robustecidos nas virtudes e podendo, portanto, alcançar muitos merecimentos.

O Senhor põe diante de nossos olhos os exemplos de Jesus, com sua Cruz e estimula-nos a lutar. Já as graças atuais, que Ele nos mereceu, facilitam nossos esforços e vitórias. A medida que lutamos as concuspicências vão diminuindo, a nossa força de resistência vai aumentando e por fim chega a hora que muitas almas privilegiadas, são de tal modo confirmadas nas virtudes que, embora tenham liberdade para pecar, não cometem falta alguma de propósito deliberado.

Ah! Maravilhosa graça que nos enche de dons e virtudes, que nos permitirão levar a cabo atos sobrenaturais, para atingir a santidade que nos pede o Senhor. Deus nos faz a cada dia chegarmos mais perto de Sua beleza e pureza.

As virtudes infusas nos capacitam a agir de maneira sobrenatural, de julgar as coisas à luz da revelação divina e agir de acordo com que a fé nos mostra. Dispõe a nossa inteligencia e a nossa vontade para a união com Deus, mas não nos confere por si mesmas a facilidade de pensar e agir segundo as luzes da fé. Por isso é necessário que elas sejam reforçadas por hábitos moralmente bons, que se adquirem por atos correspondentes, realizados com intensidade e de maneira repetida. A ajuda das graças atuais que o Senhor não nega às almas que as pedem com o coração desejoso de ama-Lo e de servi-Lo, entra em ação, nos capacitando a chegarmos ao termo final.

E para receber estas graças atuais, são imprescindíveis os dons do Espírito Santo, que são disposições ou hábitos sobrenaturais que faz com que a alma elevada já à vida sobrenatuaral pela graça santificante, se torne capaz de receber estas inspirações divinas. Os dons portanto, intervem necessariamente em todo ato sobrenatural.

O Espírito que agora habita em nós, nos ajuda primeiramente a rejeitarmos de todas as formas o pecado, depois ilumina nossa mente para querermos e buscarmos as coisas do alto (A sua unção ensinar-vos-á tudo - 1 Jo 2,27). Nos ajuda a obedecermos os mandamentos e põe em nós o desejo da vida eterna, fazendo-nos assemelhar a Cristo. Aos Efésios Ele disse pela boca de São Paulo: “Fostes assinalados com o Espírito da promessa, que é o penhor da nossa herança (1,14). Ele é, com efeito, a garantia da vida eterna.

A alma cheia de Deus, conduzida pelo divino Espírito, eficazmente, pensa, julga e age em todas as circustâncias como fariam Cristo nosso Senhor ou sua santíssima mãe e aquela que assim se conduz, já se conduz santamente. Ela age como por instinto e com toda naturalidade, preocupada unicamente em amar a Deus, que é a caridade perfeita.

Diz o Catecismo n. 2005: Sendo, como é, de ordem sobrenatural, a graça escapa nossa experiência e só pode ser conhecida pela fé. Não podemos, pois, basear-nos nos nossos sentimentos nem nas nossas obras, para daí concluirmos que estamos justificados e salvos . No entanto, segundo a palavra do Senhor, que diz: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7, 20), a consideração dos benefícios de Deus na nossa vida e na vida dos santos oferece-nos uma garantia de que a graça de Deus opera em nós e nos incita a uma fé cada vez maior e a uma atitude de pobreza confiante.

Encontramos uma das mais belas ilustrações desta atitude na resposta de Santa Joana d'Arc a uma pergunta capciosa dos seus juízes eclesiásticos: “Interrogada sobre se sabe se está na graça de Deus, responde; "Se não estou, Deus nela me ponha: se estou, Deus nela me guarde" (Santa Joana D'Arc: Dito: Procès de condannation, ed. P. Tisset (Paris, 1969) p. 62.)

Tanquerey nos diz que não é qualquer impulso interior vago e difuso para agir de determinada forma que provém do Espírito Santo. É preciso antes que este seja nitidamente para realizar um ato bom, que a nossa consciência bem formada e informada aprove como estando perfeitamente de acordo com a lei de Deus naquelas circunstancias concretas. Para discernir se a moções provem dos dons, devemos aplicar o que nos ensinou o Senhor: “Pelos frutos os conhecereis”(Mt 7,20). São necessárias, via de regra, anos de oração regular e de exames de consciência para atingir um certo grau de conhecimento próprio e o que seria muito salutar é se encontrássemos um bom diretor espiritual.( A Vida Espiritual - Explicada e Comentada - de Adolfh Tanquerey - Editora Permanência - Quinta Edição - Anápolis - 2007)

É evidente que, se Deus operou tantas maravilhas, para nos comunicar uma participação da sua vida, devemos, da nossa parte, corresponder às suas amorosas antecipações, aceitar com reconhecimento essa vida, cultivá-la e preparar-nos assim para essa bem-aventurança eterna que coroa nossos esforços na terra.

É indubitável que Deus, que nos criou livres, respeita a nossa liberdade, e não nos santificará contra a nossa vontade; mas não cessa de nos exortar a que nos aproveitemos das graças que nos outorga tão liberalmente ”diuvantes autem exhortamur ne in vacuum gratiam Dei recipiatis: Exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão”

A vida que o Senhor nos dá é maravilhosa e conhece-la nos faz quere-la, deseja-la, não importando quanto esforço temos que empreender. Nossa alma sedenta suspira pela fonte das águas e se refresca nesta fonte. Podemos já viver aqui o céu de forma antecipada, se de fato, nos unirmos a Deus em oração, nos Sacramentos da Igreja, na participação da Santa Missa, nos nossos menores trabalhos e até na solidão.

Seremos como nos pediu o Senhor, luz e sal neste mundo e através de nossa conduta santa, o mundo poderá ver a presença de Deus e poderão reconhece-Lo para prestar-lhe tambem o louvor que Ele merece. Aliás, o mundo espera a manifestação dos filhos de Deus. O mundo espera nossas orações, nossos atos e nossas palavras, e será através de nós que poderão chegar à verdade que salva a todos – isto só é possível pela ação do Espírito Santo em nós.

Quando uma alma se enamora de Deus tem sempre o desejo de estar cheia de suas graças, as buscando diligentemente nos sacramentos da penitencia e eucaristia, e esta alma descansada rejubila-se e poderá cantar quando chegar a hora derradeira: “Que alegria quando me vieram dizer - Vamos subir à casa do Senhor”

Ali haverá festa e nós seremos os felizes convidados do Banquete do Cordeiro. Coragem, só temos uma vida pra viver de fé (Santa Terezinha) e ela valerá a pena quando o Vermos tal qual Ele É.( Sl 122)

Coloquemos nisso nossa esperança, e ela não engana!

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Cristão e o Descrente


Por Padre Leo Trese

Para os que não creem em Deus, a vida deve ser uma experiência insuportável. Suponho que nós, os que bebemos a nossa fé juntamente com o leite das nossas mães, jamais conseguiremos compreender a fundo o que se passa na mente de um ateu. Procurei às vezes imaginar o que seria não acreditar em Deus. Vi-me contemplando o rosto de uma pessoa falecida a quem tivesse amado profundamente e dizendo de mim para mim: "Bem, agora você não passa de um montão de carne e ossos. Tudo acabou. PT Saudações".

Também procurei imaginar o que seria ver-me pouco a pouco reduzido a escombros pelas dores insuportáveis de um câncer, mergulhado em dias e noites sem fim repletos de sofrimentos intoleráveis, sofrimentos desprovidos de qualquer sentido ou valor, simples brincadeira de mau gosto perpetrada por uma natureza cega e cruel.

Tentei adivinhar o que significaria não haver Lei Divina para indicar-me os caminhos seguros pelos quais a minha vontade poderia transitar livremente; o que significaria ter a liberdade de "fazer tudo o que bem entendesse", sem nenhum limite a não ser a preocupação de permanecer do lado de fora da penitenciária. Tentei imaginar os esforços febriciantes que faria para arrancar à vida todas as satisfações que ela pudesse dar-me, a fim de agradar ao meu ego e à minha carne; as noites insones que passaria a suar, pensando em que o nada eterno poderia abater-se sobre mim antes de eu ter desfrutado até o fim de todos os prazeres da vida.

É evidente que um ateu não pensa nestes termos. Se chegasse a raciocinar de maneira tão consequente, em pouco tempo deixaria de ser ateu...

Assim, quando a morte lhe arranca algum dos seus seres queridos, transfere para o agente funerário a tarefa de levar o corpo ao crematório e de espalhar as cinzas nalgum canteiro onde possam fertilizar as flores; ou então colocá-las, guardadas numa urna, sobre um aparador, como as vezes se guarda pétalas desfolhadas de uma rosa. E quando se apresenta a doença, aceita-a rangendo os dentes, porque, lamentavelmente faz parte "das regras do jogo"; aliás, se a situação for desesperadora, sempre pode recorrer a um atalho: uma pequena dose de veneno fulminante, ou mesmo um revólver ou uma corda, poderão constituir a solução definitiva.

Quanto à "lei moral objetiva", só os "fracos" precisam desta muleta; para ele , a simples decencia é o que basta para manter um homem livre de remorsos, principalmente se estiver reforçada pelo "amor à humanidade". Amor pela" humanidade" em abstrato, é claro, não por esses idiotas ignorantes da favela próxima, que não são capazes de lavar as mãos!

Na verdade, parece-me que nunca encontrei nenhum ateu autêntico; encontrei pessoas que diziam não aceditar em Deus ou no outro mundo. Via de regra, porém, essas pessoas afirmavam a sua descrença de maneira tão agressiva, e pareciam tão ansiosas por argumentar acerca dela, que se tinha a impressão de estarem continuamente lutando com sua própria consciência. Uma pessoa na qual a fé religiosa estivesse completa e autenticamente morta não daria um tostão furado pelos que os outros cressem ou deixassem de crer. Sempre penso que ainda há uma esperança para esses pretensos ateus que procuram a todo custo converter os outros a sua falta de fé; isto significa que se encontram divididos por dentro, pois onde há fumaça, há fogo; e mesmo que haja apenas um pouco de fumaça, quem sabe se algum dia esse braseiro quase extinto não receberá o sopro que faça brotarem novamente as chamas da fé?

Isto não significa que valha a pena discutir com um ateu.

Se este fosse capaz de argumentar lógicamente, não teria outro remédio senão admitir a validade das provas da existência de Deus. E essas provas existem - provas sólidas e convincentes para qualquer pessoa disposta a admitir as leis da evidência e a confiar na sua própria capacidade de raciocínio. Infelizmnte, porém, "não há pior cego do aquele que não quer ver". Com toda certeza, o ateu interromperá a nossa paciente explicação com um gesto de desprezo e um sorriso condescendente , enquanto fala da nossa "credulidade" e da nossa espantosa capacidade de auto-ilusão.

"Que é a verdade?", perguntará com ar de superioridade (como Pilatos...), e a seguir: "Para começar, como e´que você sabe que tem uma inteligência capaz de captar a realidade"? A seguir tentará esmagar-nos com uma rápida sequencia de golpes baixos, dirigidos contra pretensas dificuldades bíblicas"- "Como poderia uma baleia ter engolido Jonas? Todo o mundo sabe que a garganta de uma baleia é estreita demais para deixar passar um homem" - ou contra dogmas mal interpretados - "Como pode haver fogo no inferno? Afinal de contas, o fogo não é capaz de queimar um espírito" - ou qualquer coisa desse estilo. Argumentará contra tudo e contra todos, exceto contra a única questão realmente pertinente: Existe ou não um Deus diante do qual somos responsáveis? Ah, e o argumento que considero definitivo, com o qual pretende fazer-nos bater precipitadamente em retirada, não poderia ser senão este: "Mas, meu caro, você é tão medieval!!Parece ter nascido na Idade da Trevas!"...

Não, é inútil discutir com um ateu.

Muitos fariseus viram com os seus próprios olhos Cristo realizar milagres impressionantes, que demonstravam sua divindade para além de qualquer dúvida, e no entanto afastaram-se dizendo: Ele tem um demônio(cf. Lc 11, 14-20) Por isso se um ateu se empenha em "picar-nos" e em provocar-nos para um debate, a melhor resposta que poderemos dar-lhe será dizer: "Meu amigo, não discutirei com você, mas, isso sim, rezarei pela sua conversão".

Afinal de contas já está passando maus bocados com o esforço que tem de fazer para estrangular a sua consciência, para justificar a sua conduta diante de si próprio, a fim de que a sua vaidade tenha campo livre para inchar, Inchar e INCHAR. "Pois fique então com suas rezas", responder-nos-á abespinhado o nosso interlecutor, "e acenda essas sua velas idiotas a quem quizer, já que você continua querendo fazer o papel de tolo"; e assim só conseguirá demonstrar até que ponto ficou irritado por não lhe termos dado oportunidade de mostrar a sua esperteza.

Mas se nós efetivamente rezarmos por ele, e se fizermos penitência por ele, e lhe dermos provas de uma caridade semelhante a de Cristo, não tardará a chegar o dia em que o amor realizará aquilo que a discussão jamais teria podido conseguir.

Fonte: A sabedoria do Cristão - Quadrante

domingo, 12 de abril de 2009

O Homem é capaz de Deus - parte IV



Como falar de Deus?

39. Ao defender a capacidade da razão humana para conhecer Deus, a Igreja exprime a sua confiança na possibilidade de falar de Deus a todos os homens e com todos os homens. Esta convicção está na base do seu diálogo com as outras religiões, com a filosofia e as ciências, e também com os descrentes e os ateus.

40. Mas dado que o nosso conhecimento de Deus é limitado, a nossa linguagem, ao falar de Deus, também o é. Não podemos falar de Deus senão a partir das criaturas e segundo o nosso modo humano limitado de conhecer e de pensar.

41. Todas as criaturas são portadoras duma certa semelhança de Deus, muito especialmente o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. As múltiplas perfeições das criaturas (a sua verdade, a sua bondade, a sua beleza) reflectem, pois, a perfeição infinita de Deus. Daí que possamos falar de Deus a partir das perfeições das suas criaturas: «porque a grandeza e a beleza das criaturas conduzem, por analogia, à contemplação do seu Autor» (Sb 13, 5).

42. Deus transcende toda a criatura. Devemos, portanto, purificar incessantemente a nossa linguagem no que ela tem de limitado, de ilusório, de imperfeito, para não confundir o Deus «inefável, incompreensível, invisível, impalpável» (15) com as nossas representações humanas. As nossas palavras humanas ficam sempre aquém do mistério de Deus.

43. Ao falar assim de Deus, a nossa linguagem exprime-se, evidentemente, de modo humano. Mas atinge realmente o próprio Deus, sem todavia poder exprimi-Lo na sua infinita simplicidade. Devemos lembrar-nos de que, «entre o Criador e a criatura, não é possível notar uma semelhança sem que a dissemelhança seja ainda maior» (16), e de que «não nos é possível apreender de Deus o que Ele é, senão apenas o que Ele não é, e como se situam os outros seres em relação a Ele»(17).

Cristo Ressuscitou! Aleluia!!



Regina Coeli

Rainha do céu, alegrai-Vos, aleluia.
Porque quem merecestes trazer em vosso seio, aleluia,
Ressuscitou como disse, aleluia.
Rogai a Deus por nós, aleluia.
Exultai e alegrai-Vos, ó Virgem Maria, aleluia.
Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia.

Oremos.

Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do Vosso Filho Jesus Cristo, Senhor Nosso, concedei-nos, Vos suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria, alcancemos as alegrias da vida eterna. Por Cristo Senhor Nosso. Amém.