segunda-feira, 11 de maio de 2009

A dignidade do Padre - Parte II





Por Santo Afonso de Ligório

III. Excelência do poder sacerdotal

Mede-se também a dignidade do padre pelo poder que ele exerce sobre o corpo real e o corpo místico de Jesus Cristo.

Quanto ao corpo real, é de fé que no momento em que o padre consagra, o Verbo encarnado se obrigou a obedecer-lhe, vindo às suas mãos sob as espécies sacramentais. Causou espanto que Deus obedecesse a Josué, e mandasse ao sol que se detivesse à sua voz, quando ele disse: Sol! fica-te imóvel diante de Gabaon... E o sol deteve-se no meio do Céu.

Mas é muito maior prodígio que Deus, em obediência a poucas palavras do padre, desça sobre o altar, ou a qualquer parte em que o sacerdote o chame, quantas vezes o chamar, e se ponha entre as suas mãos, embora esse sacerdote seja seu inimigo! Aí permanece inteiramente à disposição do padre, que pode transportá-lo à sua vontade dum lugar para outro, encerrá-lo no tabernáculo, expô-lo no altar, ou ministrá-lo aos outros.

É o que exprime com admiração S. Lourenço Justiniano, falando dos padre: “Bem alto é o poder que lhes é dado! Quando querem, demudam o pão em corpo de Cristo: o Verbo encarnado desde do Céu e desce verdadeiramente à mesa do altar! É-lhes dado um poder que nunca foi outorgado aos anjos. Estes conservam-se junto do trono de Deus; os sacerdotes têm-no nas mãos, dão-no ao povo e eles próprios o comungam”.

Quanto ao corpo místico de Jesus Cristo, que se compõe de todos os fiéis, tem o sacerdote o poder das chaves: pode livrar do inferno o pecador, torná-lo digno do Paraíso, e, de escravo do demônio, fazê-lo filho de Deus. O próprio Jesus Cristo se obrigou a estar pela sentença do padre, em recusar ou conceder o perdão, conforme o padre recusar ou dar a absolvição, contanto que o penitente seja digno dela.

De modo que o juízo de Deus está na mão do padre, diz S. Máximo de Turim. A sentença do padre precede, ajuda S. Pedro Damião, e Deus a subscreve. Assim, conclui S. João Crisóstomo, o Senhor supremo do universo não faz senão seguir o seu servo, confirmando no Céu tudo quanto ele decide na terra.

Os padres, diz Sto. Inácio, mártir, são os dispensadores das graças divinas e os consócios de Deus. E, segundo S. Próspero, são a honra e as colunas da Igreja, portas e porteiros do Céu.

Se Jesus Cristo descesse a uma igreja, e se sentasse num confessionário para administrar o sacramento da Penitência, ao mesmo tempo que um padre sentado no outro, o divino Redentor diria: Ego te absolvo o padre diria o mesmo: Ego te absolvo; e os penitentes ficariam igualmente absolvidos, tanto por um como pelo outro.

Que honra para um súdito, se o seu rei lhe desse poder para livrar da prisão quem lhe aprouvesse! Mas muito maior é o poder dado pelo Padre Eterno a Jesus Cristo, e por Jesus Cristo aos padres, para livrarem do inferno, não só os corpos, mas até as almas; esta reflexão é de S. João Crisóstomo.

IV. A dignidade do padre excede todas as dignidades criadas


A dignidade sacerdotal é pois neste mundo a mais alta de todas as dignidades, nota Sto. Ambrósio. Ela excede, diz S. Bernardo, todas as dignidades dos imperadores e dos anjos. Santo Ambrósio ajunta que a dignidade do padre sobreleva à dos reis como o ouro ao chumbo. A razão disso, segundo S. João Crisóstomo, é que o poder dos reis só se estendem aos bens temporais e aos corpos, ao passo que o dos padres abrange os bens espirituais e as almas. Donde se conclui, em conformidade com o que fica exposto, que o poder ou a dignidade do padre é tão superior à dos príncipes como a alma ao corpo; era o que já tinha dito o Papa S. Clemente.

É uma glória para os reis da terra honrar os padres; é isso próprio dum bom príncipe, diz o Papa Marcelo. Os reis, diz Pedro de Blois, apressam-se a dobrar o joelho diante do sacerdote, a beijar-lhe a mão, e a abaixar humildemente a cabeça para receberem a sua bênção.

Reconhecem assim a superioridade do sacerdócio, diz S. João Crisóstomo. Conta Barónio que Leôncio, bispo de Trípoli, tendo sido chamado à côrte pela imperatriz Eusébia, lhe mandara dizer que, se queria a visita dele, era necessário que primeiro aceitasse as seguintes condições: que à sua chegada a imperatriz desceria do seu trono, viria inclinar a cabeça sob as suas mãos, pedir-lhe e receber dele a bênção; depois ele se assentaria, e ela só o poderia fazer com permissão sua. Terminava por dizer-lhe que, a não se darem essas condições, jamais poria os pés na sua côrte.

Convidado para a mesa do imperador Máximo, S. Martinho brindou primeiro o seu capelão e só depois o imperador. No Concílio de Nicéia, quis Constantino Magno ocupar o último lugar, depois de todos os sacerdotes, num assento menos elevado; e ainda não quis assentar sem permissão deles. O santo rei Boleslau tinha pelos sacerdotes uma tal veneração que não se assentava na presença deles.

A dignidade sacerdotal ultrapassa até a dos anjos, razão por que também estes a veneram. Velam os anjos da guarda pelas almas que lhe estão confiadas, de modo que, se elas se encontram em estado de pecado mortal, excitam-nas a recorrer aos sacerdotes, esperando que eles pronunciem a sentença de absolvição; assim fala S. Pedro Damião.

Se um moribundo pedir a assistência de S. Miguel, bem poderá, é verdade, este glorioso arcanjo expulsar os demônios que o cercarem, mas não quebrar-lhes as cadeias, se não vier um padre que o absolva. Acabando S. Francisco de Sales de conferir a ordem de presbítero a um digno clérigo, notou à saída que ele trocava algumas palavras com outra pessoa, a quem queria ceder a passo. Interrogado pelo Santo, respondeu ao jovem sacerdote que o Senhor o tinha honrado com a presença visível do seu anjo da guarda.

Este antes da sua elevação ao sacerdócio caminhava à sua direita e precedia-o, mas agora tomava a esquerda e recusava caminhar diante; por isso ele se tinha ficado à porta, numa santa contenda com o anjo. S. Francisco de Assis dizia: “Se eu visse um padre, primeiro ajoelharia diante do padre, e depois diante do anjo”.

Mais ainda, o poder do padre excede até o da santíssima Virgem; porque a Mãe de Deus pode pedir por uma alma e obter-lhe quanto quiser pelas suas súplicas, mas não pode absolvê-la da menor falta. Escutemos Inocêncio III: “Embora a santíssima Virgem esteja elevada acima dos apóstolos, não foi, contudo, a ela, mas a eles que o Senhor confiou as chaves do reino dos céus”.

Por outro lado, S. Bernardino de Sena, dirigindo-se a Maria, diz igualmente que Deus elevou o sacerdócio acima dela; e eis a razão que dá: Maria concebeu Jesus Cristo uma só vez; o padre pela consagração concebe-o, por assim dizer, quantas vezes quer; de modo que, se a pessoa do Redentor ainda não existisse no mundo, o padre, pronunciando as palavras da consagração, produziria realmente esta pessoa sublime do Homem-Deus.

Daqui esta bela exclamação de Sto. Agostinho: “Ó venerável dignidade a dos sacerdotes, entre cujas mãos o Filho de Deus encarna como encarnou no seio da Virgem!”. Por isso S. Bernardo, entre muitos outros, chama aos padres pais de Jesus Cristo. De fato, são causa da existência real da pessoa de Jesus Cristo na Hóstia consagrada.

De certo modo, pode o padre dizer-se criador do seu Criador, porque pronunciando as palavras da consagração, cria Jesus Cristo sobre o altar, onde lhe dá o ser sacramental, e o produz como vítima para oferecê-lo ao Padre eterno. Para criar o mundo, Deus só disse uma palavra: Disse, e tudo foi feito; do mesmo modo, basta que o sacerdote diga sobre o pão: Isto é o meu corpo; = Hoc est corpus meum; e eis que o pão deixou de ser pão: é o corpo de Jesus Cristo.

S. Bernardino de Sena vê nesta maravilha um poder igual ao que criou o universo. E Sto. Agostinho exclama de assombro: “Ó venerável e sagrado poder o das mãos do padre! Ó glorioso ministério! Aquele que me criou a mim, deu-me, se ouso dizê-lo, o poder de o criar a ele; e ele que me criou sem mim, criou-se a si por meio de mim!”

Assim como a palavra de Deus criou o céu e a terra, assim também, diz S. Jerônimo, as palavras do padre criam Jesus Cristo. Tão alta é a dignidade do padre que vai até abençoar sobre o altar o próprio Jesus, como Vítima para oferecer ao Padre eterno. Segundo nota o Pe. Mansi, no sacrifício da Missa, Jesus Cristo é considerado como Sacrificador principal e como Vítima: como Sacrificador abençoa o padre; mas, como Vítima, é abençoado pelo padre.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Amor e Sexo - Parte I



Por Dom Rafael Llano Cifuentes

A palavra amor tem um significado polivalente, tão difícil de definir que já houve quem dissesse que amor é o que se sente quando se ama, e, se pergunta o que se sente quando se ama, só é possível responder: amor.

Este círculo vicioso deve-se precisamente à incapacidade de identificar as características que determinam a sua essência. É por isso que se tem escrito tanto acerca dele:

O amor é algo muito complexo e de conteúdo variado e equívoco – afirma Gregorio Maranón -; chama-se amor a muitas coisas que são muito diferentes, ainda que a raiz última seja a mesma”

"Amar é um verbo transitivo - diz o psiquiatra Enrique Rojas- um objeto que vai além de si mesmo, que aponta na direção do bem que procuramos. E o filósofo e matemático Leibnitz: "Amar quer dizer sentir-se inclinado a alegrar-se com bem do outro, com a sua felicidade". E, por fim o conhecido pensador Hegel: "A verdadeira essência do amor consiste em esquecer-se no outro".

Apesar dessa complexidade, podemos mencionar algumas das acepções mais relevantes:

1- Genericamente, a palavra amor designa uma vasta gama de relações interpessoais de afeto e proximidade entre os seres humanos. Fala-se do amor do pai e da mãe pelo filho e vice-versa; do amor por um irmão, por um parente, por um
amigo, etc.

2- Também se usa o termo em relação a entidades coletivas ou comunidades, como a pátria ou a Igreja.

3- De forma eminente, fala-se do amor a Deus e do amor de Deus.

4- A palavra adquire uma conotação muito específica quando se designa a relação de proximidade, afeição e ternura entre dois seres humanos de sexos diferentes, precisamente enquanto seres sexuados.

Quando nos referirmos nestas páginas ao termo amor, fá-Io-emos geralmente para designar esta última acepção, e não, como se faz erroneamente com freqüência, para aludir unicamente ao aspecto sexual.

Sem querer entrar a fundo no aspecto filosófico da questão, poderíamos dizer que a essência do amor de um ser humano por outro consiste na inclinação para ele e na intenção de estar unido a ele. Se a pessoa amada está ausente, produz o desejo; se se encontra presente e é possuída, gera a alegria na esfera psíquica, emocional e o prazer na esfera corporal ou instintiva.

Quando este amor chega à fronteira da sua perfeição, aquele que ama comporta-se a respeito da pessoa amada como o faz consigo próprio: ama essa pessoa não porque lhe provoca alegria ou prazer, mas pelo valor que ela tem em si mesma. Não é um movimento egocêntrico e interesseiro, mas uma entrega sacrificada à realização do ser amado.

Quem ama verdadeiramente busca a união com o amado. Aristóteles cita uma frase de Aristófanes segundo a qual os amantes desejam de dois fazer-se um só, como se o amado estivesse na pessoa que ama e esta naquele.

A consumação do amor consiste em viver na pessoa amada mais do que em si mesmo; a pessoa amada é como um outro eu : vive-se dela e para ela; deseja-se ser transformado nela. É o que poderíamos chamar O êxtase do amor.

Nada melhor do que o amor a Deus para expressar este êxtase transformante. E ninguém melhor do que São João da Cruz para expressá-Io, designando Deus por "Amado" e a alma por "amada"

Ó noite que guiaste!
Ó noite mais amável que a alvorada,
Ó noite que juntaste
Amado com amada,
Amada no Amado transformada.

Aqui percebe-se claramente que o maor se funde com a felicidade. O homem deseja amar porque deseja a felicidade, e deseja a felicidade porque deseja o amor. E Deus é amor! (I Jo 4,8)

Fonte: 270 perguntas e respostas sobre Sexo e Amor - Dom Rafael Cifuentes - Quadrante

terça-feira, 5 de maio de 2009

A Dignidade do Padre - Parte I




Por Santo Afonso de Ligório

I. Idéia da dignidade sacerdotal

Diz Sto. Inácio, mártir, que a dignidade sacerdotal tem a supremacia entre todas as dignidades criadas. Santo Efrém exclama: “É um prodígio espantoso a dignidade do sacerdócio, é grande, imensa, infinita". Segundo S. João Crisóstomo, o sacerdócio, embora se exerça na terra, deve ser contado no número das coisas celestes. Citando Sto. Agostinho, diz Bartolomeu Chassing que o sacerdote, alevantado acima de todos os poderes da terra e de todas as grandezas do Céu, só é inferior a Deus. E Inocêncio III assegura que o sacerdote está colocado entre Deus e o homem; é inferior a Deus, mas maior que o homem.

Segundo S. Dionísio, o sacerdócio é uma dignidade angélica, ou antes divina; por isso chama ao padre um homem divino. Numa palavra, conclui Sto. Efrém, a dignidade sacerdotal sobreleva a tudo quanto se pode conceber.

Basta saber-se que, no dizer do próprio Jesus Cristo, os padres devem ser tratados como a sua pessoa: Quem vos escuta, a mim escuta; e quem vos despreza, a mim despreza. Foi o que fez dizer ao autor da Obra imperfeita: Honrar o sacerdote de Cristo, é honrar o Cristo; e fazer injúria ao sacerdote de Cristo, é fazê-la a Cristo”. Considerando a dignidade dos sacerdotes, Maria d’Oignies beijava a terra em que eles punham os pés.

II. Importância das funções sacerdotais

Mede-se a dignidade do padre pelas altas funções que ele exerce. São os padres escolhidos por Deus, para tratarem na terra de todos os seus negócios e interesses; é uma classe inteiramente consagrada ao serviço do divino Mestre, diz S. Cirilo de Alexandria. Também Sto. Ambrósio chama ao ministério sacerdotal uma “profissão divina”. O sacerdote é o ministro, que o próprio Deus estabeleceu, como embaixador público de toda a Igreja junto dele, para o honrar, e obter da sua bondade as graças necessárias a todos os fiéis.

Não pode a Igreja inteira, sem os padres, prestar a Deus tanta honra, nem obter dele tantas graças, como um só padre que celebra uma missa. Com efeito, sem os padres, não poderia a Igreja oferecer a Deus sacrifício mais honroso que o da vida de todos os homens: mas o que era a vida de todos os homens, comparada com a de Jesus Cristo, cujo sacrifício tem um valor infinito? O que são todos os homens diante de Deus senão um pouco de pó, ou antes um nada? Isaías diz: São como uma gota de água... e todas as nações são diante dele, como se não fossem. Assim, o sacerdote que celebra uma missa rende a Deus uma honra infinitamente maior, sacrificando-lhe Jesus Cristo, do que se todos os homens, morrendo por ele, lhe fizessem o sacrifício das suas vidas. Mais ainda, por uma só missa, dá o sacerdote a Deus maior glória, do que lhe têm dado e hão de dar todos os anjos e santos do Paraíso, incluindo também a Virgem santíssima; porque não lhe podem dar um culto infinito, como o faz um sacerdote celebrando no altar.

Além disso, o padre que celebra oferece a Deus um tributo de reconhecimento condigno da sua bondade infinita, por todas as graças que ele há sempre concedido, mesmo aos bem-aventurados que estão no Céu. Este reconhecimento condigno nem todos os bem-aventurados juntos o poderiam prestar; de modo que, ainda sob este ponto de vista, a dignidade do padre está acima de todas as dignidades, sem excetuar as do Céu.

Mais, o padre é um embaixador enviado pelo universo inteiro, como intercessor junto de Deus, para obter as suas graças para todas as criaturas; assim fala S. João Crisóstomo. Santo Efrém ajunta que o padre trata familiarmente com Deus. Para o padre, numa palavra, não há nenhuma porta fechada.

Jesus Cristo morreu para fazer um padre. Não era necessário que o Redentor morresse para salvar o mundo: uma gota de sangue, uma lágrima, uma prece lhe bastava para salvar todos os homens; porque, sendo esta prece dum valor infinito, era suficiente para salvar, não um mundo, mas milhares de mundos.

Pelo contrário, foi necessária a morte de Jesus Cristo para fazer um padre: pois, doutro modo, — onde se encontraria a Vítima que os padres da lei nova oferecem hoje a Deus, Vítima santíssima, sem mancha, só por si suficiente para honrar a Deus duma maneira condigna de Deus? O sacrifício da vida de todos os anjos e de todos os homens não seria capaz, como acabamos de dizer, de prestar a Deus a honra infinita, que lhe presta um padre com uma só missa.

Parte II

Parte III

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Credo - Terceiro Artigo



Foi concebido do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria

Por São Tomás de Aquino

Não é somente necessário ao cristão acreditar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, como acima mostramos, mas também convém crer na Sua Encarnação. Por isso, o Bem-aventurado João, após ter falado muitas coisas elevadas e de difícil compreensão, logo a seguir nos insinua a Sua Encarnação, quando diz: E o Verbo se fez carne (Jo 1,14).

Para que possamos aprender algo dessa verdade, darei dois exemplos:

Sabe-se que nada é tão semelhante ao Filho de Deus como a palavra concebida em nosso interior, mas não pronunciada exteriormente. Ninguém conhece a palavra enquanto está no interior do homem, a não ser ele, que a concebeu. Mas logo que é proferida exteriormente, torna-se conhecida. Assim o Verbo de Deus não era conhecido senão pelo Pai, enquanto estava no seio do Pai. Mas logo que se revestiu da carne, como palavra concebida no interior, pela voz, tornou-se manifesto e conhecido. Lê-se na Escritura: Depois disso foi visto na terra, e conviveu com os homens (Bar 3,38).

Vejamos o segundo exemplo: A palavra, pronunciada exteriormente, é ouvida, mas não é vista, nem se pode nela tocar. Escrita, porém, em uma folha, pode ser vista e tocada. Assim também o Verbo de Deus tornou-se visível e palpável, quando foi, de certo modo, escrito em nossa carne. Ora, quando numa mensagem estão escritas as palavras do rei, ela também é chamada de palavra do rei. Do mesmo modo, o homem a quem está unido o Verbo de Deus numa só pessoa, deve ser chamado: Filho de Deus. Lê-se em Isaías: Toma o grande livro e escreve nele com a pena de um homem (Is 8,1).

Declararam também os Apóstolos: Que foi concebido do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria.

Com relação a este artigo do Credo, muitos caíram em erros. Por isso os Santos Padres, em outro Símbolo, o de Nicéia acrescentaram muitos esclarecimentos que nos permitem agora ver como esses erros foram destruídos.

Origenes afirmou que Cristo nasceu e que veio a este mundo para salvar os homens e também o demônio. Disse ainda que todos os demônios seriam salvos no fim do mundo. Afirmar tal coisa, porém, é ir contra a Sagrada Escritura, pois se lê no Evangelho de S. Mateus: Afastai-vos de mim, malditos, e ide para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e para os seus anjos (Mt 25,41). Por essa razão, foi acrescentado no Símbolo: Que desceu dos céus para nós, homens (não se diz: para os demônios) e para a nossa salvação. Essas palavras evidenciam, ainda mais, o amor de Deus para conosco.

Fotino, não obstante ter aceito que Cristo nasceu da Bem-aventurada Maria Virgem, afirmou que Ele era um simples homem, que, por ter vivido bem e ter feito a vontade de Deus, mereceu ser considerado Filho de Deus, como o são os ou santos. Contra essa afirmação, lê-se na Escritura: Desci do céu, não para fazer a Minha, mas a vontade de quem me enviou (Jo 6,38). Ora, é evidente que não teria descido do céu, se aí não estivesse; e, se fosse um simples homem, não poderia estado no céu. Para afastar esse erro, foi acrescentado: desceu dos céus.

Manéss ensinava que Cristo foi sempre Filho de Deus e que desceu do céu, mas que não possuía verdadeira carne, pois que esta era apenas aparente. Isso é falso. Ora, não convinha ao Mestre da verdade mostrar-se com alguma falsidade. Por isso, como apareceu em verdadeira carne, devia tambéin possuí-Ia. Lê-se no Evangelho de S. Lucas: Palpai e vede, porque o Espírito não tem carne nem ossos, como me vedes possuir (Le 24,39). Para afastar tal erro, os Padres acrescentaram: E se encarnou.

Ebion, que era judeu, aceitava ele que Cristo tivesse nascido da Bem-aventurada Maria, mas de uma união carnal, e de sêmen humano. isso, porém, é falso, porque o Anjo disse: O que nascerá dela, é obra do Espírito Santo (Mt 1,20). Para afastar esse erro, os Padres acrescentaram: Do Espirito Santo.

Valentino aceitava que Cristo tivesse sido concebido pelo Espírito Santo, mas também ensinava que Cristo trouxera um corpo celeste e o depositara na Bem-aventurada Virgem, e que este corpo era o de Cristo. Por esse motivo, dizia, a Bem-aventurada Virgem nada fizera senão ter-se dado como receptáculo daquele corpo, e que este passava por ela, como por um aqueduto. Mas tal afirmação é falsa, porquanto o Anjo disse: O santo que de ti nascer, será chamado Filho de Deus (Lc 1,35). Do mesmo modo, o Apóstolo: Quando chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho feito de mulher(Gál 4,4). Eis porque os Padres acrescentaram no Símbolo: Nasceu da Virgem Maria.

Ario e Apolinário afirmaram que Cristo era o Verbo de Deus e que nasceu da Virgem Maria, mas que não possuía alma, estando, em lugar desta, a divindade. Mas isso é contra Escritura, onde se encontram estas palavras de Cristo: ora, a minha alma está perturbada (Mt 26,38). Para refutar o erro de ambos, os Santos Padres acrescentaram Símbolo: E fez-se homem. Ora, o homem é constituído de alma e corpo. Por conseguinte, Ele possuiu tudo o que o em pode possuir, exceto o pecado.

Pela expressão - fez-se homem - são destruídos todos os erros acima enumerados, e todos os que possam surgir. Foi estruído, por essa expressão, principalmente o erro de Eutíquio que ensinou ter havido em Cristo uma mistura, isto é, que havia uma só natureza em Cristo, oriunda da divina e da humana, de modo que Cristo não era nem simplesmente Deus, nem simplesmente homem. Tal afirmação é falsa, porque, se não fosse falsa, Cristo não seria homem como fora definido: fez-se homem.

É destruído também o erro de Nestório que afirmou que o Filho de Deus uniu-se ao homem só por inabitação. É falsa também essa doutrina, porque então não estaria escrito apenas homem, mas no homem. O Apóstolo declara que Cristo foi homem: Foi reconhecido, conforme se apresentou, como homem (Fil 2,7). Lê-se também em S. João: Por que me quereis matar, eu, um homem, que vos disse a verdade que ouvi de Deus? [J o 8,40).

Dessa exposição sobre o 3.° artigo do Credo, podemos tirar algumas conclusões práticas para nossa instrução:

Em primeiro lugar, para confirmação da nossa fé:

Se alguém falasse de uma terra longínqua, na qual nunca estivera, não seria tão bem aceita a sua palavra como o seria, se a conhecesse. Antes da vinda de Cristo, os Patriarcas, os Profetas e João Batista falaram algumas verdades a respeito de Deus. Os homens, porém, não acreditaram nelas como acreditaram em Cristo, que esteve com Deus, e, mais do que isso, constituía um só ser com Ele. Eis porque a nossa fé foi muito mais confirmada pelas verdades transmitidas por Cristo. Lê-se em São João: Ninguém jamais viu a Deus. O Filho Unigênito, que está no seio do Pai, nos revelou (Jo 1,18). Muitos mistérios da fé, que antes estavam velados, nos foram revelados após o advento de Cristo.

Em segundo lugar, para elevação da nossa esperança.

Sabemos que o Filho de Deus, não sem elevado motivo, veio a nós, assumindo a nossa carne, mas para grande utilidade nossa. Fez, para consegui-la, um certo comércio: assumiu um corpo animado, e dignou-se nascer da Virgem, para nos entregar a Sua divindade; fez-se homem, para fazer o homem Deus. Lê-se em S. Paulo: Por quem temos acesso pela fé nessa graça, na qual permanecemos, e nos gloriamos na esperança da glória dos filhos de Deus (Rom 5,2).

Em terceiro lugar, para que a nossa caridade seja mais fervorosa.

Nenhum indício é mais evidente da caridade divina que o de Deus, criador de todas as coisas, fazer-se criatura; o do Senhor nosso, fazer-se nosso irmão; o do Filho de Deus, fazer-se filho de homem. Lê-se em S. João. Tanto Deus amou o mundo, que lhe deu o Seu Filho (Jo 3,16). Pela consideração dessa verdade, deve ser reacendido, e de novo em nós afervorado, o nosso amor para comDeus.

Em quarto lugar, para conservação da pureza de nossa alma.

A nossa natureza foi a tal ponto enobrecida e exaltada pela união com Deus, que foi assumida para consociar-se com uma Pessoa Divina. Por esse motivo o Anjo, após a Encarnação, não permitiu que o Bem-aventurado João o adorasse, quando antes permitira que até os maiores Patriarcas o fizessem. O homem, pois, reconsiderando e atendendo à própria exaltação, deve perceber como se degrada e avilta a si e à própria natureza, pelo pecado. Por isso, escreve S. Pedro: Por quem nos concedeu as máximas e preciosas promessas, para que nos tornássemos consortes da natureza divina, fugindo da corrupção da concupiscência que existe no mundo (2 Ped 1,5).

Em quinto, lugar, a meditação dos mistérios da Encarnação aumenta em nós o desejo de nos aproximarmos de Cristo.

Se alguém, irmão de um rei, dele longe estivesse, naturalmentc desejaria aproximar-se dele, estar com ele, permanecer junto dele. Ora, sendo Cristo nosso irmão, devemos desejar estar com Ele e nos unirmos a Ele. Com relação a esse desejo, lê-se em S. Mateus: Onde quer que esteja o cadáver, aí se apresentarão os abutres (Mt 24,28). S. Paulo desejava dissolver-se para estar com Cristo: esse desejo cresce também em nós pela consideração do mistério da Encarnação

Fonte: Exposição sobre o Credo por São Tomás de Aquino

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Tema da Aliança




Por Dom Estevão Bettencourt O.S.B.


A vocação gratuita que Deus dirige aos homens, se faz em vista do que o texto sagrado chama "a ALIANÇA". Com efeito, às criaturas amadas o Soberano Senhor prometeu dar o consórcio dos seus bens, caso se mostrassem fiéis à Lei divina (ou quisessem reproduzir em sua vida os traços da Santidade incriada); é a isto que os livros bíblicos chamam “Aliança de Deus com os homens", embora não reste dúvida que não há paridade entre os dois contraentes, pois o Criador é soberano ao estabelecer as cláusulas do pacto. (A formulação jurídica do contrato é muito clara em Dt 26,17-19)

Eis como se desenvolve a noção de Aliança sagrada:

1. Logo na primeira página da história, o Criador entra em aliança com o homem recém-criado; pede-Ihe fidelidade a um preceito e propõe-lhe, em troca, vida imortal bem-aventurada (cf. Gên 2,15-17; Eclo 17,10) Esta aliança, que se destinava a todo o gênero humano foi violada pelos primeiros pais (Gên 3); o Senhor, porém, pouco depois da queda, prometeu restaurá-la (Gên 3,15s) .

2. A aliança paradisíaca foi renovada na plenitude dos tempos pelo Messias, segundo Adão, que corresponde antitêticamente ao primeiro homem e assim divide a história em duas grandes fases. A nova e definitiva aliança outorgou a todo o gênero humano bens ainda maiores do que os dons perdidos no paraíso (cf. 1 Cor 11,25; Rom 5.14.20) .

3. A aliança messiânica manifestará tôda a sua excelência na vida celeste, na consumação da história. Por isto é que S. João no Apocalipse (11,19) ainda fala de aliança. Com efeito, o profeta vê no céu a arca da aliança do Sinaí, ou seja, o símbolo do pacto que Deus outrora quis travar com Israel em vista da obra do Messias.

4. Entre a violação e a restauração da Aliança com todos os homens, o Senhor Deus se dignou entrar em múltiplos pactos parciais e provisórios, que visavam assegurar a reparação da aliança universal.

Assim há um pacto:

a) com Noé, consíderado, após o dilúvio, nôvo Adão, novo pai do gênero humano (cf. Gên 6,18; 9,8-17; -Eclo 44,18) ;
h) com Abraão, o Patriarca do povo escolhido (cf. Gen. 15,7s; 17,7-21)
c) com Isaque e Jacó, descendentes imediatos de Abraào (cf .Ex 2,24); .
d) com a linhagem de Abraão, já constituída em povo numeroso; trava-se a famosa aliança do Sinai, tendo Moisés como mediador (cf. Ex 19,3-9; 24-1,8);
e} com Aarão, irmão de Moisés; Deus outorga àquele e à sua posteridade o exercício do sacerdócio em Israel (cf. Núm 18,19);
f) com Fineés, descendente de Aarão e zeloso propugnador da Lei de Deus, a quem foi confirmado o poder sacerdotal (cf. Núm 25,12s);
g) com Levi, antepassado de Aarão, a cuja tribo Deus confiou o serviço do santuário (cf. Mal 2,4s);
h) com Josué, sucessor de Moisés na direção do povo renovador da aliança sinaítica (cf. Jos 24,25);
i) com Davi, o rei de cuja casa descenderia o Mesias (cf. 2 S.am 23,5; 2 Crôn 21,7; SI 88,4; Jer 33,20-26; Eclo 45,25);
j) a Aliança Messiânica, definitiva, é insinuada em Os 2,14-25; Is 54,10; 55,3; 56,4: 61,8; claramente anunciada em Jer 31,31-34; Ez 16,6o-63; 34,25; 37,21-28.

Precisamente, que quer dizer o têrmo Aliança tão persistentemente empregado pela Escritura para designar as relações do Criador com o homem?

O vocábulo significa que Deus quer bem ao homem, e o quer de maneira firme, comparável à solidez que convém a um pacto solene; dentre os diversos tipos de contrato humáno, o que mais corresponde a tal disposicão divina é o da aliança matrimonial. Com efeito, em Jer 31,31s o Senhor menciona explicitamente o contrato nupcial para ilustrar o amor que Ele dedica à criatura.

Conseqüentemente, berith (aliança) e hesed (graça) são noções que se evocam mutuamente na EscrItura Sagrada (cf. Dt 7.9; 3 Rs 8.23; Ne 1,5; 9,32: Dan 9;4; Hebr 10.29), Donde se segue que, para Deus, "ser fiel à sua aliança" significa "conservar o amor outrora manifestado aos homens" (cf. SI 88,29.34s.50; 105,45; Is 54,10; 55,3; ~x 34,6s). As mesmas idéias se refletem no fato de que "aliança" e "promessas" estão intimamente associadas entre si em Gál 3,17; At 3,25; Ef 2,12; Rom 9,4; Hebr 8,6; 9,15.

Acontece, porém, que a estupenda condescendência divina expressa pelo têrmo hebraico berith foi causando "escrúpulos" aos israelitas. Por isto, quando nos séc. III/l a. C. a Escritura foi traduzida do hebraico para o grego por judeus de Alexandria (Egito), êstes empregaram o vocábulo grego dialheke em lugar de berith; diatheke, disposição (unilateral), lhes parecia ressalvar melhor a soberania, a transcendência de Deus ao entrar em relação com os homens.

Por fim, quando o texto grego foi traduzido para o latim pelos cristãos, êstes se deixaram guiar de nôvo por idéias teológicas: substituíram o têrmo diatheke por testamentum, que significa determinado tipo de disposição, ou seja, a disposição que se torná válida pela morte de quem dispõe; os cristãos haviam, sim, verificado que todos os dons de Deus foram, em última análise, outorgados em vista da morte de Cristo; são como que a herança rocebida de Cristo Vítima. Assim o têrmo "testamento" passou, na linguagem cristã, a ser, usado na. acepção do antigo vocábulo berith; fala-se hoje de "Nôvo Testamento" e "Antigo Testamento", como se pode falar de "Nova Aliança" e "Antiga Aliança", sendo que o têrmo "aliança", apesar de tudo que êle tem de Surpreendente ou mesmo espantoso, é a palavra originàriamente usada pela Escritura!

Fonte: Dom Estevão Bettencourt - Para entender o Antigo Testamento - Editora Agir - pags.119-122

Conheça o Papa e suas atividades.



Seminarista Cássio Barros, LC

A diferença entre as diversas maneiras de o Papa se comunicar - Encíclica, Carta Apostólica, Exortação Apostólica etc - é debatida neste primeiro artigo formativo redigido por Legionários de Cristo tutelados pelo Pe. Adilson Marques, LC

Dependendo do tamanho do sapo será a pedrada. Mais ou menos a coisa funciona assim com relação aos documentos papais. Poderíamos dizer que o Papa escolhe entre um estilingue, uma pistola, uma bazuca ou uma bomba atômica dependendo do inimigo. Mas esse exemplo não funciona porque é muito bélico para o meu gosto e o Papa não tem inimigos.

Bom, temos que entender bem essa última frase. É verdade que o Papa não tem inimigos, porque, como Vigário de Cristo, ele busca o bem e a salvação de todos os homens. Mas muitos veem o Papa como inimigo e o atacam. Tantas vezes com ideias bastante equivocadas ou errôneas. Estes são os verdadeiros inimigos do Papa: não essas pessoas, mas essas ideias, o pecado, a injustiça, o mal e a mentira, que desviam essas pessoas do seu verdadeiro fim, a vida gloriosa e eterna com Deus.

Devemos lembrar sempre que o Papa não está ali porque ele quis, mas porque foi chamado por Cristo mesmo para que desenvolvesse esse serviço a todos nós, seus irmãos. É verdade que é uma autoridade, mas uma autoridade na caridade. A principal missão do Papa está indicada no pedido que Jesus fez a Pedro quando disse: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, quando retornes confirma aos teus irmãos” (Lc 22,32).

É com essa intenção que existem os diversos tipos de documentos papais. Todos são para confirmar a nossa fé e moral, como Jesus nos ensinou, mas cada forma de escrito tem um peso específico que devemos considerar.

Assim, uma Encíclica é uma carta endereçada ao mundo inteiro. Não é para definir um dogma, mas dar um conselho ou iluminar alguns aspectos doutrinais. Esse é o tipo de documento mais importante usado pelo Papa sem que seja uma lei. O Papa Bento XVI já escreveu duas Encíclicas: “Deus caritas est”, sobre o amor; e “Spe salvi”, sobre a esperança. Isso nos indica quanto é importante para o Papa que aprendamos o que é o verdadeiro amor e também a importância da esperança para os nossos dias. O Papa João Paulo II escreveu 14 Encíclicas.

A Carta Apostólica é parecida à Encíclica, mas está reduzida a um grupo particular de pessoas. É mais restrita. Trata de um tema que seria de maior interesse para um grupo particular, como por exemplo a Carta Apostólica, do Papa João Paulo II, “Rosarium Virginis Mariae”, sobre o terço, está endereçada aos bispos, sacerdotes e católicos em geral, mas não a todos os homens; ou a Carta Apostólica em ocasião dos 1000 anos do batismo do Povo Húngaro. As últimas Cartas Apostólicas do Papa Bento XVI geralmente tiveram em seu escopo a beatificação de um servo de Deus. O Papa atual já tem escritas 14 Cartas Apostólicas.

A Exortação Apostólica geralmente é usada logo depois de uma assembleia do sínodo dos bispos. Esses sínodos se reúnem periodicamente em Roma por zonas geográficas específicas ou para discutir um tema proposto pelo Santo Padre. A Exortação Apostólica é o documento com o qual o Papa propõe, com os seus devidos comentários, o ensinamento elaborado durante o sínodo. O Papa Bento XVI somente escreveu uma Exortação Apostólica até agora e se chama “Sacramentum caritatis” e é sobre o sínodo que se realizou para estudar a Eucaristia como fonte e ápice da vida e da missão da Igreja. Mas para entender o que foi comentado com relação às zonas geográficas basta citar duas Exortações Apostólicas de João Paulo II – “Ecclesia in Asia” e “Ecclesia in Oceania”.

Existem muitas outras formas de escritos papais como decretos, instituições, exortações, motu proprio, declarações, discursos, mensagens. A variedade de tipos de texto é muito grande e vai de uma simples mensagem de congratulação que o Papa envia aos chefes de Estado quando está sobrevoando seu território até o tipo de documento mais solene e importante que seria a Constituição Apostólica , onde o Papa promulga leis, define um dogma ou declara outra verdade em forma solene.

Mas todo esse tipo de documentação não é fixo, nem foi sempre assim na Igreja, como é obvio. Não poderíamos imaginar São Pedro escrevendo uma bula ou um Motu Proprio. Mas a ideia já existia, ou seja, São Pedro enviava cartas aos cristãos. A diferença hoje é justamente que existem várias formas de comunicar para que nós possamos dar maior importância a um tipo de escrito que a outro. E para demonstrar que essa lista não é fixa podemos ver que o Papa Bento XVI na última Jornada Mundial da Juventude em Sidnei enviou uma mensagem MSN a todos os celulares dos jovens presentes e agora os teólogos estão quebrando a cabeça para descobrir que tipo de escrito do Papa seria esse.

Agora que já conhecemos as diferenças de importância que o Papa dá a cada um dos seus escritos seria bom ler o que ele escreveu, conhecer as suas preocupações e colaborar com o que ele nos pede. Podemos estar seguros que tudo o que ele vai pedir-nos nos seus escritos será para o nosso bem porque essa é a sua missão.

Fonte:http://www.pastoralis.com.br/pastoralis/html/modules/smartsection/item.php?itemid=438

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mortificação - Parte Final


III. Da Mortificação das Paixões

As paixões, no sentido filosófico do termo, não são necessária e absolutamente más: são forças vivas, muitas vezes impetuosas, que se podem utilizar para o bem como para o mal, contanto que as saibamas disciplinar e orientar para um fim nobre. Mas, na linguagem popular e em certos autores espirituais, emprega-se esta palavra em sentido pejorativo, para designar as paixões más.

Vamos pois: 1 - recordar as principais noções psicológicas sabre as paixões; 2 - indicar as seus bons e maus efeitos, 3 - traçar regras para o seu bom uso.

A psicologia das paixões

Não fazemos aqui mais que relembrar o que se expõe mais longamente na Psicologia.

1 - Noção. As paixões são movimentos impetuosos do apetite sensitivo para o bem sensível com repercussão mais ou menos forte sobre o organismo.

a) Na base da paixão, há pois, um certo conhecimentao, ao menos sensível, dum bem esperado ou adquirido ou dum mal contrário a este bem; deste conhecimento é que brotam os movimentos do apetite sensitivo.

b) Estes movimentos são impetuosos e distinguem-se assim dos estados afetivos agradáveis ou desagradáveis que são calmos, tranqüilos, sem aquele ardor, aquela veemêncía que há nas paixões.

c) Precisamente porque são impetuosos e atuam fortemente sobre o apetite sensitivo, é que têm repercussão até no organismo físico, por causa da estreita união entre o corpo e a alma. Assim, a cólera faz afluir o sangue ao cérebro e distende os nervos, o medo faz empalidecer, o amor dilata a coração, o temor cantrai-a. Nem em todos, porém, se apresentam no mesmo grau estes efeitos fisiológicos, que dependem do temperamento de cada um e da intensidade da paixão, bem como do domínio que cada qual adquire sobre si mesmo.

Diferem, pois, as paixões dos sentimentos, que são movimentos da vontade, e, por conseguinte, supõem conhecimento da inteligência e, com serem fortes, não têm a violência das paixões. Assim é que há amor-paixão e amor-sentimento, temor passional e temor intelectual. - Acrescentemos que no homem, animal racional, as paixões e os sentimentos se combinam muitas vezes, quase sempre, em doses variadíssimas, e que é pela vontade, auxiliada pela graça, que chegamos a transformar em nobres sentimentos as paixões mais ardentes, subordinando estas àqueles.

2 - O seu número. Enumeram-se geralmente onze paixões, que derivam todas do amor, como excelentemente demonstra Bassuet «As nossas demais paixões referem-se todas unicamente ao amor que a todos encerra e excita».

1) O amor é a paixão de se unir a uma pessoa ou de possuir uma coisa que agrada.
2) O ódio é a paixão de afastar de nós qualquer coisa que nos desagrada; nasce do amor, neste sentido que odiamos o que se opõe ao que amamos. Assim, por exemplo, eu não odeio a doença, senão porque amo a saúde; não odeio uma pessoa, senão porque ela me põe algum abstáculo à posse do que amar.
3) O desejo consiste em procurar o bem ausente, e nasce de amar-mos esse bem.
4) A aversão (ou fuga) leva-nos a afastar o mal que se avizinha de nós.
5) A alegria não é mais que a fruição do bem presente.
6) A tristeza, pelo contrário, aflige-se e desvia-se do mal presente.
7)A audácia (ousadia ou coragem) esforça-se por se unir ao objeto amado, cuja aquisição é dificultosa.
8) O temor impele-nos a fugir dum mal difícil de evitar.
9) A esperança tende com ardor para o abjeto amado, cuja aquisição é possível, se bem que dificultosa.
10) O desespero nasce na alma, quando a aquisição do objeto amado parece impossível.
11) A cólera repele violentamente a que nos faz mal e excita o desejo da vingança.

As seis primeiras paixões, que têm origem no apetite concupiscível, são comumente chamadas pelas modernas paixões de gozo; as outras cinco, que se referem ao apetite irascível, denominam-se paixões combativas.

Os efeitos das Paixões

Os Estóicos pretendiam que as paixões são radicalmente más e que, por conseguinte, devem ser suprimidas; os Epicureus divinizam as paixões e proclamam a altas vozes que é um dever segui-las. É o que os nossos modernos epicuristas chamam: viver a sua vida. O Cristianismo conserva o meio entre esses dois excessos: nada do que Deus pôs na natureza humana é mau. O próprio Cristo Senhor Nosso teve paixões bem ordenadas: amou não somente com a vontade, senão também com o coração e chorou sobre Lázaro e sobre Jerusalém, a infiel; deixou-se possuir duma santa cólera, sofreu o temor, a tristeza, o tédio; mas soube conservar essas paixões com o império da vontade e subordiná-las a Deus. Quando, pelo contrário, as paixões são desordenadas, produzem os mais perniciosos efeitos; é preciso, pois, mortificá-Ias, discipliná-las.

Efeitos das paixões desordenadas. Chamam-se desordenadas as paixões que tendem para um bem sensível proibido, ou até mesmo para um bem permitido, mas com demasiada sofreguidão e sem referir a Deus.

Ora, estas paixões desordenadas:

A) Cegam a Alma, lançando-se para o seu objeto com impetuosidade, consultar a razão, deixando-se guiar pelo instinto ou pelo prazer. Ora, há um elemento perturbador que tende a falsear o juízo e a obscurecer a reta razão. Como o apetite sensitivo é cego, por natureza, se a alma se guiar por ele, cega-se a si mesma: em vez de se deixar conduzir pelo dever, deixa-se fascinar pelo prazer do momento. É como uma nuvem que a impede de ver a verdade; obcecada pela poeira que as paixões levantam, a alma já não vê claramente a vontade divina nem o dever que se lhe impõe de ser apta para julgar retamente as coisas.

B) Fatigam a Alma e fazem Sofrer
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1- As paixões, diz São João da Cruz, ”são como rapazitos inquietos e descontentadiços, que sempre estão pedindo à mãe ora isto, ora aquilo, e não acabam de ficar satisfeitos. E assim como se cansa e fatiga o que cava por cobiça o tesouro, assim de cansa e fatiga a alma por conseguir o que seus apetites lhe pedem; e, ainda que o consiga por fim, sempre se cansa, porque nunca se satisfaz…E cansa-se e aflige-se a alma seus apetites, porque é ferida, agitada e perturbada por eles, como a água pelos ventos”

2- Daqui um sofrimento tanto mais intenso quanto mais vivas são as paixões: porque elas atormentam a pobre alma, até serem contentadas, e, como o apetite vem com o comer, reclamam as paixões cada vez mais; se a consciência protesta, impacientam-se, agitam-se, solicitam a vontade para que ceda aos seus caprichos que incenssantemente renascem: é tortura inexprímível

c) Enfraquecem a Vontade. Solicitada em sentidos diversos por essas paixões rebeldes, vê-se forçada a vontade a dispersar as próprias forças, que por isso mesmo vão enfraquecendo. Tudo o que cede às paixões, aumenta nelas as exigências e diminui em si as energias. Semelhantes às gameleiras inúteis e vorazes que brotam do tronco duma árvore, os apetites que se não dominam, vão-se desenvolvendo e roubando força à alma, como os rebentos parasitas à árvore. E não tardará o momento em que alma enfraquecida caia no relaxamento e na tibieza, disposta a todas as capitulações.

d) Maculam a alma. Quando esta, cedendo às paixões, se une às criaturas abate-se ao nível delas e contrai a sua malícia e as suas manchas; em vez de ser imagem fiel de Deus, torna-se imagem das coisas a que se apega; grãos de pó, manchas de lodo vêm embarciar-Ihe a beleza e opor-se à união perfeita com Deus. «Um só apetite desordenado, diz São João da Cruz , ainda quando não seja de matéria de pecado mortal, basta para pôr uma alma tão escura, manchada e feia que de modo nenhum pode convir com Deus em qualquer união (íntima), até dele se purificar. Qual será, pois, a fealdade da que de todo está desordenada em suas próprias paixões e entregue a seus apetites, e quão distanciada estará da pureza de Deus! Não se pode explicar com palavras, nem ainda campreender-se com o entendimento a variedade de imundície que a variedade de apetites causam na alma ... ». Cada apetite depõe, a seu modo, a sua parte especial de impureza e fealdade na alma.

Conclusão.

Quem quiser, pois, chegar à união com Deus, tem que mortificar todas as paixões, ainda as mais pequenas, enquanto são voluntárias e desordenadas. É que a união perfeita supõe que em nós não há nada contrário à vontade de Deus, nenhum apego voluntário à criatura e a nós mesmos. Tanto que, de propósito deliberado, nos deixamos extraviar por qualquer paixão, deixa de haver união perfeita entre a nossa vontade e a de Deus. lsto é sobretudo verdade das paixões ou apegos habituais, que paralisam a vontade, até mesmo quando são leves. É abservação de São João da Cruz «que a avezinha esteja presa a um fio delgado ou grossa, pouco importa: não lhe será possível voar, senão depois de o haver quebrado».

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O Sofrimento




"O grande teólogo, filósofo e Doutor da Igreja Santo Agostinho disse: “A firmeza cristã exige não só fazer o bem, mas também sofrer o mal”.

A raiz do sofrimento está no pecado: Ele retomou: “E quem te fez saber que estavas nu? Comeste, então, da árvore que te proibiu de comer!” O homem respondeu: “A mulher que puseste junto de mim me deu da árvore, e eu comi!” Deus disse à mulher: “Que fizeste?” E a mulher respondeu: “A serpente me seduziu e eu comi”. Depois disse Deus: “Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!” E Deus o expulsou do jardim do Éden para cultivar o solo de onde fora tirado (Gênesis 3,9-13.22.23).

Sofremos pelos nossos erros, enganos e seduções. “Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: É Deus que me está tentando”, pois Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. Antes, cada qual é tentado pela própria concupiscência, que o arrasta e seduz. Em seguida a concupiscência, tendo concebido, dá a luz ao pecado, e o pecado, atingido a maturidade, gera a morte (Tiago 1,13-15).

Pela nossa ignorância, estupidez, ambição, orgulho, prepotência e ira desenfreada, acarretamos muitas dores e sofrimentos para o nosso corpo e alma. O sofrimento é uma grande ferramenta para o nosso ensino e disciplina espiritual. Os grandes homens da humanidade se serviram desta ferramenta para realizarem as suas grandes obras. Ninguém escreve seu nome na História, ninguém torna se herói sem passar pela escola do sofrimento.

Ninguém chega ao Paraíso sem passar primeiro no calvário. “A cruz é uma escola”, dizia Santo Agostinho.

Grandes conquistas, grandes vitórias, grandes tormentas. Impossível chegar lá, sem grandes dificuldades. O sofrimento é a poderosa arma do corajoso, do persistente. A maior e a melhor lapidação para o homem é o sofrimento. O salmista reconheceu a riqueza do sofrimento em sua própria vida: “Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a tua palavra… Foi-me bom ter um passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Salmo 119,67-71).

É no meio do infortúnio que o homem se ver acuado da sua soberba. É na adversidade e na humilhação que o homem enxerga melhor a sua miserabilidade. É na desgraça e no óbice que o homem entende que não é nada. É na doença incurável que o homem se ver como um verme. “Os vermes o comerão gostosamente”. “Quanto menos o homem, essa larva, e o filho de homem, esse verme” (Jó 24,20; 25,6).

Entrega-lo à Deus

As maiores bênçãos do mundo foram geradas através dos maiores sofrimentos. Nas grandes vitórias foram derramados sangue e lágrimas. As glórias deixam marcas de terríveis dores.

Conta-se que o grande poeta alemão Johann Goethe disse certa vez: “Nunca tive uma aflição que não se tenha transformado em poema”. Goethe afirmou: “O homem que não é posto a prova não evolui”.

Similarmente, escreve São Pedro Apóstolo: “Nisso deveis alegrar-vos, ainda que agora, se necessário, sejais contristados por um pouco de tempo, em virtude de várias provações, a fim de que a autenticidade comprovada da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, cuja genuinidade é provada pelo fogo, alcance louvor, glória e honra por ocasião da Revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1,6.7).

O insigne escritor sacro Paul E. Bilheimer escreveu: “Os melhores traços do caráter cristão, em geral, são frutos do sofrimento. Quando estão no início de uma provação, a maioria dos cristãos se encontra num estado de frieza, com uma mente mundana e carnal; no final dela, porém, seu espírito já está abrandado, amadurecido e edificado”.

As aflições santificadas abrandam a aspereza e aplainam as quinas pontiagudas da nossa vida. Consomem as impurezas do egoísmo e do materialismo. Abatem o orgulho, moderam as ambições humanas e sufocam o fogo das paixões. Expõem o mal que existe em nosso coração, revelando fraquezas, falhas e defeitos e tornando-nos conscientes do perigo espiritual. Disciplinam o espírito obstinado. Para alguns de nós, somente a escola do sofrimento será capaz de transmitir as lições sobre paciência, tolerância e domínio próprio que precisamos aprender.

Um dos métodos usados por Deus para aperfeiçoar o caráter cristão consiste em permitir que soframos injustamente. A maioria pensa que sofrer já é difícil, quem diria sofrer injustamente! Contudo, ao falar sobre sofrer injustamente, Pedro declara: “Pois, que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus. Porquanto para isto mesmo fostes chamados…” (1 Pedro 2,20.21).

Sem dúvida, estamos falando de uma ferramenta muito afiada e dolorosa para nossa alma.

Você sabe, no entanto, que quando um torneiro mecânico tem um trabalho muito fino e detalhado para executar, ele escolhe a ferramenta mais afiada que possui. De modo semelhante, Deus emprega o afiado recurso do sofrimento injusto quando deseja esculpir um lindo desenho na vida do cristão. É difícil receber injúria dos outros e sempre retribuir com o bem, mas enquanto o molde divino não for profundamente gravado na estrutura de nossa alma, Deus não terá completado a sua obra em nós.

Não podemos evitar sofrer nas mãos dos outros. É certo que isso acontecerá. No entanto, em última análise, ninguém consegue ferir-nos a não ser nós mesmos. Nenhuma injustiça que os homens cometam contra nós poderá machucar-nos a menos que permitamos que ela nos torne ressentidos e rancorosos. Um ato ou atitude só pode nos causar mal de verdade se dermos lugar à amargura e a ira.

Porém, você pode perguntar: “Como posso evitar a amargura? Como posso deixar de me sentir magoado?”

Existe a história de uma criança indígena que se aproximou de um velho líder da tribo, levando um pássaro ferido nas mãos. O velho olhou para o pássaro e disse: “Leve-o de volta e deixe-o onde você o encontrou. Se você o segurar, ele morrerá. Se você devolve-lo para as mãos de Deus, ele curará sua ferida, e o pássaro viverá”.

Eis uma lição sobre o que devemos fazer quando somos atingidos pela dor. Nenhuma mão humana é capaz de curar um coração ferido; é preciso entregá-lo a Deus (Lucas 4,18; Mateus 11,28-30). “O meu Deus proverá magnificamente todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza, em Cristo Jesus” (Filipenses 4,19).

Temos consciência que muito sofrimento fica sem explicação. Toda a sua realidade será revelada na eternidade. É impossível a razão humana entender o mistério do sofrimento. O sofredor Jó passou seus dias implorando e suplicando ao Senhor Deus que lhe desse maiores informações e explicitasse o seu padecimento. Quando o Todo-Poderoso finalmente manifestou, ele demonstrou que seu servo Jó não tinha capacidade nem para entender a resposta, muito menos para discutir com o seu Eterno Criador. E no final do seu calvário, o patriarca Jó compreendeu e se colocou nas mãos de Deus com absoluta confiança (Jô 3,1-4; 9,1-4; 42,1-17).

Em alguns casos o sofrimento que é inexplicável no momento, mais adiante, por vontade de Deus é simplesmente compreendido. Por que o bondoso Deus permitiu que o jovem José do Egito fosse vendido pelos seus próprios irmãos como escravo e depois sofresse dois anos na prisão por permanecer honesto e casto? Mais tarde o propósito ficou claro, ou seja, o por quê? Foi respondido (Gênesis 50,17-21; Romanos 8,28).

Nem sempre podemos obter a reposta para as nossas dificuldades, todavia, temos a capacidade de entender que só em Deus, o Todo-Poderoso, podemos confiar absolutamente.“Entrega teu caminho ao Senhor, confia Nele, e ele agirá; manifestará tua justiça como a luz e teu direito como o meio-dia” (Salmo 37,5.6).

Do sofrimento, podemos tirar uma grande lição, ele nos diz que necessitamos desesperadamente do Senhor Deus.

Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda