sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dez conselhos de Bento XVI aos Jovens



Conversar diariamente com Deus, ler a Bíblia, ir à Missa aos Domingos, contar as alegrias e penas a Cristo, dar exemplo ou ser útil aos outros: são alguns dos conselhos que o Papa dá aos jovens.



1) Conversar com Deus

“Algum de vós poderia talvez identificar-se com a descrição que Edith Stein fez da sua própria adolescência, ela, que viveu depois no Carmelo de Colônia: "Tinha perdido consciente e deliberadamente o costume de rezar". Durante estes dias podereis recuperar a experiência vibrante da oração como diálogo com Deus, porque sabemos que nos ama e, a quem, por sua vez, queremos amar”.


2) Contar-lhe as penas e alegrias

“Abri o vosso coração a Deus. Deixai-vos surpreender por Cristo. Dai-lhe o "direito de vos falar" durante estes dias. Abri as portas da vossa liberdade ao seu amor misericordioso. Apresentai as vossas alegrias e as vossas penas a Cristo, deixando que ele ilumine com a sua luz a vossa mente e toque com a sua graça o vosso coração.

3) Não desconfiar de Cristo

“Queridos jovens, a felicidade que buscais, a felicidade que tendes o direito de saborear, tem um nome, um rosto: o de Jesus de Nazaré, oculto na Eucaristia. Só ele dá plenitude de vida à humanidade. Dizei, com Maria, o vosso "sim" ao Deus que quer entregar-se a vós. Repito-vos hoje o que disse no princípio de meu pontificado: ‘Quem deixa entrar Cristo na sua vida não perde nada, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande. ¡Não! Só com esta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só com esta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com esta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta’. Estai plenamente convencidos: Cristo não tira nada do que há de formoso e grande em vós, mas leva tudo à perfeição para a glória de Deus, a felicidade dos homens e a salvação do mundo”.

4) Estar alegres: querer ser santos

“Para além das vocações de consagração especial, está a vocação própria de todo o batizado: também é esta uma vocação que aponta para um ‘alto grau’ da vida cristã ordinária, expressa na santidade. Quando encontramos Jesus e acolhemos o seu Evangelho, a vida muda e somos impelidos a comunicar aos outros a experiência própria (...). A Igreja necessita de santos. Todos estamos chamados à santidade, e só os santos podem renovar a humanidade. Convido-vos a que vos esforceis nestes dias por servir sem reservas a Cristo, custe o que custar. O encontro com Jesus Cristo vos permitirá apreciar interiormente a alegria da sua presença viva e vivificante, para testemunhá-la depois no vosso ambiente”.

5) Deus: tema de conversa com os amigos

“São tantos os nossos companheiros que ainda não conhecem o amor de Deus, ou procuram encher o coração com sucedâneos insignificantes. Portanto, é urgente ser testemunhos do amor que se contempla em Cristo. Queridos jovens, a Igreja necessita autênticos testemunhos para a nova evangelização: homens e mulheres cuja vida tenha sido transformada pelo encontro com Jesus; homens e mulheres capazes de comunicar esta experiência aos outros”.

6) No Domingo, ir à Missa


Não vos deixeis dissuadir de participar na Eucaristia dominical e ajudai também os outros a descobri-la. Certamente, para que dela emane a alegria que necessitamos, devemos aprender a compreendê-la cada vez mais profundamente, devemos aprender a amá-la. Comprometamo-nos com isso, vale a pena! Descubramos a íntima riqueza da liturgia da Igreja e a sua verdadeira grandeza: não somos os que fazemos uma festa para nós, mas, pelo contrário, é o próprio Deus vivo que prepara uma festa para nós. Com o amor à Eucaristia redescobrireis também o sacramento da Reconciliação, no qual a bondade misericordiosa de Deus permite sempre que a nossa vida comece novamente.

7) Demonstrar que Deus não é triste

Quem descobriu Cristo deve levar os outros para ele. Uma grande alegria não se pode guardar para si mesmo. É necessário transmiti-la. Em numerosas partes do mundo existe hoje um estranho esquecimento de Deus. Parece que tudo anda igualmente sem ele. Mas ao mesmo tempo existe também um sentimento de frustração, de insatisfação de tudo e de todos. Dá vontade de exclamar: Não é possível que a vida seja assim! Verdadeiramente não.

8) Conhecer a fé


Ajudai os homens a descobrir a verdadeira estrela que nos indica o caminho: Jesus Cristo. Tratemos, nós mesmos, de conhecê-lo cada vez melhor para poder conduzir também os outros, de modo convincente, a ele. Por isso é tão importante o amor à Sagrada Escritura e, em conseqüência, conhecer a fé da Igreja que nos mostra o sentido da Escritura.

9) Ajudar: ser útil

Se pensarmos e vivermos inseridos na comunhão com Cristo, os nossos olhos se abrem. Não nos conformaremos mais em viver preocupados somente conosco mesmo, mas veremos como e onde somos necessários. Vivendo e atuando assim dar-nos-emos conta rapidamente que é muito mais belo ser úteis e estar à disposição dos outros do que preocupar-nos somente com as comodidades que nos são oferecidas. Eu sei que vós, como jovens, aspirais a coisas grandes, que quereis comprometer-vos com um mundo melhor. Demonstrai-o aos homens, demonstrai-o ao mundo, que espera exatamente este testemunho dos discípulos de Jesus Cristo. Um mundo que, sobretudo mediante o vosso amor, poderá descobrir a estrela que seguimos como crentes.

10) Ler a Bíblia

O segredo para ter um "coração que entenda" é edificar um coração capaz de escutar. Isto é possível meditando sem cessar a palavra de Deus e permanecendo enraizados nela, mediante o esforço de conhecê-la sempre melhor. Queridos jovens, exorto-vos a adquirir intimidade com a Bíblia, a tê-la à mão, para que seja para vós como uma bússola que indica o caminho a seguir. Lendo-a, aprendereis a conhecer Cristo. São Jerônimo observa a este respeito: "O desconhecimento das Escrituras é o desconhecimento de Cristo"

* * *

Em resumo...

Construir a vida sobre Cristo, acolhendo com alegria a palavra e pondo em prática a doutrina: eis aqui, jovens do terceiro milênio, o que deve ser o vosso programa! É urgente que surja uma nova geração de apóstolos enraizados na palavra de Cristo, capazes de responder aos desafios do nosso tempo e dispostos a difundir o Evangelho por toda a parte. Isto é o que o Senhor vos pede, a isto vos convida a Igreja, isto é o que o mundo – ainda que não saiba – espera de vós! E se Jesus vos chama, não tenhais medo de responder-lhe com generosidade, especialmente quando vos propõe segui-lo na vida consagrada ou na vida sacerdotal. Não tenhais medo; confiai n’Ele e não ficareis decepcionados.

BENTO XVI


http://www.zenit.org/article-15563?l=portuguese

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Origem da Festa de Corpus Christi




Por Carlos Martins Nabeto

Todos os católicos reconhecem o valor da Eucaristia. Podemos encontrar vários testemunhos da crença da real presença de Jesus no pão e vinho consagrados na missa desde os primórdios da Igreja.

Mas, certa vez, no século VIII, na freguesia de Lanciano (Itália), um dos monges de São Basílio foi tomado de grande descrença e duvidou da presença de Cristo na Eucaristia. Para seu espanto, e para benefício de toda a humanidade, na mesma hora a Hóstia consagrada transformou-se em carne e o Vinho consagrado transformou-se em sangue. Esse milagre tornou-se objeto de muitas pesquisas e estudos nos séculos seguintes, mas o estudo mais sério foi feito em nossa era, entre 1970/71 e revelou ao mundo resultados impressionantes:

•A Carne e o Sangue continuam frescos e incorruptos, como se tivessem sido recolhidos no presente dia, apesar dos doze séculos transcorridos.
•O Sangue encontra-se coagulado externamente em cinco partes; internamente o sangue continua líquido.
•Cada porção coagulada de sangue possui tamanhos diferentes, mas todas possuem exatamente o mesmo peso, não importando se pesadas juntas, combinadas ou separadas.
•São Carne e Sangue humanos, ambos do grupo sanguíneo AB, raro na população do mundo, mas característico de 95% dos judeus.
•Todas as células e glóbulos continuam vivos.
•A carne pertence ao miocárdio, que se encontra no coração (e o coração sempre foi símbolo de amor!).

Mesmo com esse milagre, entre os séculos IX e XIII surgiram grandes controvérsias sobre a presença real de Cristo na Eucaristia; alguns afirmavam que a ceia se tratava apenas de um memorial que simbolizava a presença de Cristo. Foi somente em junho de 1246 que a festa de Corpus Christi foi instituída, após vários apelos de Santa Juliana que tinha visões que solicitavam a instituição de uma festa em honra ao Santíssimo Sacramento. Em outubro de 1264 o papa Urbano IV estendeu a festa para toda a Igreja. Nessa festa, o maior dos sacramentos deixados à Igreja mostra a sua realidade: a Redenção.

A Eucaristia é o memorial sempre novo e sempre vivo dos sofrimentos de Jesus por nós. Mesmo separando seu Corpo e seu Sangue, Jesus se conserva por inteiro em cada uma das espécies. É pela Eucaristia, especialmente pelo Pão, sinal do alimento que fortifica a alma, que tomamos parte na vida divina, nos unindo a Jesus e, por Ele, ao Pai, no amor do Espírito Santo. Essa antecipação da vida divina aqui na terra mostra-nos claramente a vida que receberemos no Céu, quando nos for apresentado, sem véus, o banquete da eternidade.

O centro da missa será sempre a Eucaristia e, por ela, o melhor e o mais eficaz meio de participação no divino ofício. Aumentando a nossa devoção ao Corpo e Sangue de Jesus, como ele próprio estabeleceu, alcançaremos mais facilmente os frutos da Redenção

Fonte: http://www.veritatis.com.br/article/4465

terça-feira, 9 de junho de 2009

Credo - Quinto Artigo


Desceu aos Infernos ao Terceiro Dia Ressurgiu dos Mortos

Por São Tomás de Aquino

Como dissemos acima, a morte de Cristo consistiu na separação da alma e do corpo, como na morte dos outros homens. Mas a divindade estava de tal modo ligada ao homem Cristo, que, apesar de a alma e o corpo terem se separado entre si, a própria Deidade sempre esteve unida ao corpo e à alma de um modo perfeitíssimo. Eis por que no sepulcro estava presente o Filho de Deus, o qual desceu também com a alma aos infernos.

Por quatro razões Cristo desceu com a alma aos infernos:

A primeira, para que suportasse toda a pena do pecado, e, assim, expiasse toda a culpa. A pena do pecado do homem não foi somente a morte do corpo, mas também uma punição na alma. Por que o pecado era também da alma, esta deveria ser punida pela privação da visão divina. Ora, não se tinha ainda apresentado uma satisfação para que esta privação fosse afastada. Por isso, antes do advento de Cristo, todos desciam aos infernos, até os Santos Patriarcas. Para Cristo carregar sobre Si toda a punição devida aos pecadores, quis não somente morrer, mas também descer com a alma aos infernos. Lê-se nos Salmos: Fui considerado como um homem caído na fossa; fiquei como um homem sem auxílio, livre no meio dos mortos (87, 5-6). Os outros aí estavam como escravos. Cristo, como um homem livre.

A segunda razão da descida de Cristo aos infernos, foi ir em socorro de todos os Seus amigos. Tinha ele os Seus amigos não só no mundo, mas também nos infernos. Manifestam-se alguns como amigos de Cristo, nisto: têm caridade. Muitos estavam nos infernos que para lá desceram possuindo caridade e fé no Esperado, como Abraão, Isaac, Jacó, Davi e muitos outros homens justos e perfeitos.

Como Cristo visitara os seus amigos no mundo, e os socorrera pela própria morte, quis também visitar aqueles amigos que estavam no inferno, e socorrê-los, indo também a eles. Lê-se no Livro do Eclesiástico: Penetrarei em todas as partes interiores da terra, e verei todos os que aí dormem, e iluminarei todos os que esperam no Senhor (24,25).

A terceira razão, foi para que Cristo tivesse uma vitória perfeita contra o diabo.

Alguém só tem um perfeito triunfo sobre outrem, não apenas quando o vence no campo de batalha, mas até quando ainda lhe invade a própria casa, e se apodera da sede do reino e do palácio.

Cristo já havia triunfado do diabo e já o vencera da cruz, pois se lê em São João: Agora é o julgamento do mundo, agora o príncipe deste mundo (isto é, o diabo) será lançado fora (Jo 12,31). Para que Cristo triunfasse sobre o diabo de um modo completo, quis tirar-lhe a sede do reino e prendê-lo na sua própria casa, que é o inferno.

Por isso aí desceu, tirou-lhe todos os bens, aprisionou-o e apoderou-se da sua presa. Lê-se: Despojando os principados e as sociedades, exibiu-os publicamente, triunfando deles na cruz (Col 2,15). Devemos considerar que como Cristo recebera o poder e a posse do céu e da terra, deveria também ter a posse do inferno, como se lê na Carta aos Filipenses: Ao nome de Jesus dobre-se todo joelho, dos que estão nos céus, na terra e nos infernos (Fil. 2,10). O próprio Jesus dissera: Em meu nome expulsarão os demônios. (Ma 16,17).

A quarta e última razão, foi para libertar os santos que estavam nos infernos.

Assim como Cristo quis submeter-se à morte para libertar os vivos, da morte, quis também descer aos infernos, para libertar os que aí se encontravam: Lê-se: Vós também (Senhor), pelo Sangue do vosso testamento, tírastes os Seus que estavam presos na fossa, onde não havia água .. (Zac 9,11). – O morte, serei a tua morte, ó inferno, serei para ti como uma mordida. (Os 13,14).

Bem que Cristo tivesse totalmente destruido a morte, não destruiu completamente o inferno, mas como que o mordeu, por que não libertou todos os que nele estavam, mas somente os que não tinham pecado mortal, nem o pecado original.

Deste, foram libertados, enquanto pessoas indivíduas, pela circuncisão, e, antes da instituição da circuncisão, as crianças privadas do uso da razão, pela fé dos pais fiéis; os adultos, pelos sacrifícios e pela fé no Cristo que esperavam. Estavam no inferno devido ao pecado original causado por Adão, do qual não poderiam ser libertados, enquanto pecado que era da natureza humana, senão por Cristo.

Deixou então os que aí desceram com pecado mortal e as crianças incircuncisas . Por isso disse ao descer ao inferno: Serei para ti como uma mordida (Os 13,14) ..

Do exposto, podemos tirar quatro ensinamentos para nossa instrução:

Primeiro, uma firme esperança em Deus
, pois quando o homem está em aflição, deve sempre esperar do auxílio divino e Nele confiar. Nada há de mais sério do que cair no inferno. Se portanto, Cristo libertou os que estavam nos infernos, cada um, se é de fato amigo de Deus, deve muito confiar para que Ele o liberte de qualquer angústia. Lê-se: Esta (isto é, a sabedoria) não abandonou o justo que foi vencido (. . .), desceu com ele na fossa, e na prisão o não abandonou (Sab 10,13-14). Como Deus auxilia aos seus servos de um modo todo especial, aquele que O serve deve estar sempre muito seguro. Lê-se: O que teme ao Senhor por nada trepidará e nada temerá por que Ele é a sua esperança (Ecl 39,16).

Segundo, devemos despertar em nós o temor, e de nós afastar presunção. Pois, apesar de Cristo ter suportado a paixão pelos pecadores, e ter descido aos infernos, não libertou a todos mas somente àqueles que estavam sem pecado mortal, como acima foi dito. Aqueles que morreram em pecado mortal, deixou-os abandonados. Por isso ninguém que desça lá com pecado mortal espere perdão. Mas ficarão no inferno o tempo em que os Santos Patriarcas estiverem no Paraíso, isto é, para toda a eternidade. Lê-se em São Mateus: Irão os malditos para o suplício eterno, os justos, porém, para o Paraíso (25,46).

Terceiro, devemos viver atentos, porque se Cristo desceu aos infernos para a nossa salvação, também nós devemos, com solicitude lá descer em espírito, meditando sobre as penas nele existentes, imitando o Santo Ezequias, que dizia: Irão os mal; para o suplício eterno, os justos, porém, para o Paraíso (Is 38,10). Desse modo, aquele que em vida, vai lá pela meditação, não descerá facilmente para o inferno na morte, porque tal medi¬tação o afasta do pecado. Ao vermos como os homens deste mundo evitam as más ações por temor das penas temporais", como não deveriam eles muito mais se resguardarem do pecado por causa das penas do inferno, que são muito mais longas, mais cruéis e mais numerosas? Eis porque lê-se nas Escrituras: Lembra-te dos teus últimos dias, e não pecarás para sempre (Ecle 7,40).

O quarto ensinamento tirado da descida de Cristo aos infernos, é nos ter Ele oferecido um exemplo de amor. Cristo desceu aos infernos para libertar os seus. Devemos também nós descer pela meditação, para auxiliar os nossos. Eles, por si mesmos, nada podem conseguir. Nós é que devemos ir em socorro dos que estão no purgatório. Se alguém não quisesse socorrer um ente querido que estivesse na prisão, como isso nos pareceria cruel! No entanto, seria muito mais cruel aquele que não viesse em socorro do amigo que está no purgatório, pois não há comparação entre as penas deste mundo e aquelas. Lê-se a esse respeito: Tende piedade de mim, tende piedade de mim, pelo menos vós, Ó meus amigos, porque a mão de Deus me feriu (Jo 19,21); - É santo e salutar o pensamento de orar pelos defuntos para que sejam livres dos pecados (Mc 19,46).

São auxiliados, conforme disse Agostinho, os que estão no purgatório, principalmente por três atos: pelas Missas, pelas orações e pelas esmolas. Gregório acrescenta um quarto: o jejum. Não deve causar que assim seja, porque também neste mundo o amigo pode satisfazer pelo amigo. A mesma coisa acontece com os que estão no purgatório.

É necessário que o homem conheça duas coisas: a glória de Deus e a pena do inferno.

Elevados pela glória de Deus, e aterrorizados pela pena do inferno, os homens cuidam melhor das suas ações e afastam-se do pecado. Mas é muitíssimo difícil para o homem conhecer essas duas coisas. Com relação à glória, lê-se: Quem poderá conhecer as coisas do céu? (Sab 9,16). Isso é realmente muito difícil para os habitantes da terra, porque se lê em São João: O que é da terra, fala das coisas da terra (Jo 3,31). Para os espirituais; porém, não o é, porque o que veio do céu, está acima de todos, conforme continua aquele texto. Por conseguinte, Deus desceu do céu e se encarnou, para nos ensinar as coisas do céu.

Com relação à pena do inferno, era também muito difícil conhecê-la. Lê-se no Livro da Sabedoria: Não se conhece quem tenha voltado dos infernos (Sab 2,1). Essa passagem da Escritura refere-se às pessoas dos ímpios. Mas agora isso não mais pode ser dito, porque, como Ele desceu do céu para ensinar as coisas do céu, também ressurgiu dos infernos para esclarecer-nos sobre as coisas do inferno.

É necessário, pois, que creiamos não apenas que Ele se fez homem e que morreu, bem como ressurgiu dos mortos. Por que esse motivo é professado no Credo: Ao terceiro dia res¬surgiu dos mortos. Lemos nos Evangelhos que muitos ressuscitaram dos mortos, como Lázaro, o filho da viúva e a filha do chefe da Sinagoga.

Mas a Ressurreição de Cristo difere daquelas e de outras, em quatro aspectos.

Primeiro, devido à causa da ressurreição, porque os outros que ressuscitaram, não ressusitaram por próprio poder, mas pelo poder de Cristo ou das orações de algum santo. Cristo ressuscitou por próprio poder, porque não era apenas homem, mas também Deus, e a divindade do Verbo jamais se separou nem da sua alma, nem do seu corpo. Por isso, o corpo reassumia a alma e a alma o corpo, quando queria. Lê-se: Tenho poder para entregar a minha alma, bem como para a reassumir (Jo 10,18). Bem que tenha sido morto, não o foi por fraqueza ou por necessidade, mas, espontaneamente. Isto é verdade, porque quando Cristo entregou o seu espírito, deu um grito. Os outros, porém, que morrem, não O podem dar, porque morrem por fraqueza. O centurião exclamou no Calvário: Ele era verdadeiramente o Filho de Deus (Mt 87,54).

Como Cristo por sua própria força entregou a alma, reassu¬miu-a também por própria força. Por isso é dito no Credo ressuscitou e não - foi ressuscitado, como se o fosse por outro. Lê-se nos Salmos: Dormi, caí em profundo sono e ressurgiui (3,6). Não há, porém, contradição entre este texto e o dos Atos dos Apóstolos: Este Jesus, ressuscitou-O Deus (Act 2,32) porque o Pai O ressuscitou, e o Filho também O ressuscitou, já que a virtude do Pai e a do Filho são a mesma virtude.

Difere, em segundo lugar, devido à vida que fora ressuscitada. Cristo ressuscitou para a vida gloriosa e incorruptível, con¬forme se lê na Carta aos Romanos: Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai (Cor 6,4). Os outros, para a mesma vida que antes possuíam, como se verificou em Lázaro e nos outros ressuscitados.
Difere ainda a Ressurreição dc Cristo da dos outros quanto à sua eficácia e quanto ao seu futuro, porque foi cm virtude daquela que todos ressuscitaram. Lê-se: Muitos corpos dos Santos que dormiam ressuscitaram (Mt 2,7,52). Cristo ressurgiu dos mortos, primícia dos que dormem (Cor 15,20). Vede bem que Cristo pela Paixão chegou à glória, conforme está escrito em São Lucas: Não foi conveniente que Cristo assim padecesse, para poder entrar na sua glória? (Is 24,26), para nos ensinar como podemos chegar à glória: Por muitas tributações devemos passar para entrar no reino de Deus (Mt 14,21).


A quarta diferença é relativa ao tempo, porque a ressurreição dos outros foi retardada para o fim dos tempos, a não ser que tenha sido concedida por privilégio, como a da Virgem Santa, e, conforme se crê piedosamente, a de São João Evangelista. Cristo, porém, ressuscitou ao terceiro dia porque a sua Ressurreição e a sua Morte realizaram-se para a nossa salvação, e Ele, portanto, só quis ressurgir quando fosse isso vantajoso para a nossa salvação. Ora, se ressuscitasse imediatamente após a morte, não se acreditaria que Ele tivesse morrido. Se fosse demasiadamente protelada a ressurreição, os discípulos não perseverariam na fé, e nenhuma utilidade teria a sua Paixão. Lê-se nos Salmos: Que utilidade haveria em ter eu derramado o sangue, se desci ao lugar da corrupção? (29,10). Ressuscitou no terceiro dia para que se acreditasse na sua morte e para que os discípulos não perdessem a fé.

Sobre o que acabamos de expor, podemos fazer quatro considerações para nossa instrução.
Primeiro, que devemos nos esforçar para ressurgirmos espiritualmente da morte da alma, contraída pelo pecado, para a vida da justificação que se obtém pela penitência. Escreve o Apóstolo: Surge, tu que dormes, ressurge dos mortos, e Cristo te iluminará (Ef 5,14). Esta é a primeira ressurreição da qual nos fala o Apocalipse: Feliz o que teve parte na primeira ressurreição (Ap 20,6).

Segundo, que não devemos protelar esta nossa ressurreição da morte, mas realizá-la já, porque Cristo ressuscitou no terceiro dia. Lê-se: Não tardes na conversão para o Senhor, e não a delongues dia por dia (Ecle 5,8). Por que estás agravado pela fraqueza, não podes pensar nas coisas da salvação, e porque perdes parte de todos os bens que te são concedidos pela Igreja, incorres em muitos males, perseverando no pecado Como disse o Venerável Beda, o diabo, quanto mais tempo possui uma pessoa, tanto mais dificilmente a deixa

Terceiro, que devemos também ressurgir para a vida incorruptível, de modo que não mais morramos, isto é, que devemos perseverar no propósito de não mais pecar. Lê-se na Carta Romanos: Assim também vós vos considereis mortos para pecado: Vivendo para Deus em Cristo Jesus. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo, obedecendo-lhes as concuspicências; não exibais os vossos membros como armas de maldade para o pecado, mas deveis vos exibir a vós mesmos para como vivos que saíram da morte (Rom 6,9; 11-13).

Quarto, que devemos ressurgir para uma vida nova e gloriosa evitando tudo o que antes nos foi ocasião e causa de morte e pecado. Lê-se na Carta aos Romanos: Como Cristo ressurge entre os mortos pela glória do Pai, também nós deve mos ¬andar na novidade de vida (Rom 5,4). Esta vida nova é da de justiça, que renova a alma e a conduz para a glória.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

São Francisco de Sales



Quando São Francisco de Sales soube que São Francisco Xavier acabava de ser canonizado, exclamou:

" É o terceiro Francisco que foi proclamado santo. Eu serei o quarto"!!


E manteve a palavra.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A Cruz de ferro


"Durante a guerra de 1914, uma patrulha de soldados alemães foi, um dia, cercada por um exército russo. Não podia duvidar-se do desfecho da luta....Os alemães tinham-se refugiado numa barraca. O oficial inimigo convidou-os a render-se; respondeu-lhe desesperado tiroteio.Os russos retorquiram-lhes com uma tempestade de metralha que se prolongou até que as armas alemãs emudeceram....até que a pequena patrulha atirou a última bala.

Ao forçarem, depois, a porta da barraca, ficaram profundamente emocionados perante o espetáculo que se oferecia a seus olhos: No meio dos seus soldados mortos, jazia o tenente Griesheim, seu comandante, todo coberto de sangue, mas ainda vivo... Ele não era já o inimigo mas o camarada que sofria. O oficial russo inclinou-se sobre ele e perguntou-lhe comovidamente: "O Senhor sabia que éramos cem contra um. Porque não se rendeu?"

Com um supremo esforço, o tenente ergueu-se, e, mostrando a cruz de ferro pregada no peito, disse: "Entre nós, aquele que traz esta distinção não se rende"

Meu filho: se tiveres combates difíceis a travar no caminho do teu caráter, lembra-te também da Cruz que o Senhor pôs sobre teu coração no dia do teu Batismo, e dize-lhe bem alto nesses momentos:

Que importa o mundo e suas fantasia,
seus cantos e ditos de adulação?
Eu trago a Cruz em rosto de alegria,
e o seu amor me enche o coração!"
(Elchert)

Fonte: ainda Tihamer Toth......Jovens de carater - este é um dos autores que mais amo, por suas palavras simples, poeticas e que me faz pensar e querer crescer em santidade sempre, para honrar a Deus, nosso Pai amantíssimo!!

Quem desejar compra_lo, ele se encontra na Quadrante, basta ligar ok? :)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Régulo em Cartago – Um jovem de Caráter!


Cartago devia enviar uma embaixada a Roma a pedir paz. Um prisioneiro de guerra romano, de nome Régulo, foi encarregado de a conduzir, mas teve de jurar, antes de partir, que, se a sua missão viesse a falhar, ele voltaria ao cativeiro...

Imaginai a sua comoção ao encontrar-se de novo em Roma, a sua amada cidade! Ele poderia ficar lá, se negociassem a paz.

Mas quereis saber o que fez?

Com toda sua eloquência convenceu o senado a continuar com a guerra, e, quando quiseram persuadi-lo a ficar em Roma dizendo-lhe que um juramento feito sob coação não podia obrigar, ele respondeu:

Quereis então a todo o custo que manche a minha honra, faltando à palavra dada? Eu sei bem que as torturas e a morte me esperam quando voltar a Cartago. Mas tudo isso é nada, comparado a vergonha resultante de uma ação desonesta e com as feridas que a alma recebe desse pecado. É verdade que serei prisioneiro de Cartaginenses, mas, pelo menos, conservarei o meu caráter de Romano em toda sua pureza. Jurei voltar para Cartago; cumprirei o meu dever até ao fim. O resto confiai-o aos deuses”

Quem dera os jovens desta época buscassem ter caráter, mais que qualquer coisa.Tomara Deus que tivessem sua vontade orientada sempre para o bem, que tivessem antes de tudo, princípios nobres, não se afastando deles, em nenhuma hipótese.

Fonte: O Jovem de Carater - Tihamer Totth - Quadrante

domingo, 31 de maio de 2009

O Espírito Santo e meu Pentecostes individual




Estou no meio do mundo para me fazer santa; e para isso O Espírito Santo tem como missão me assistir exteriormente, mas pelo Batismo, veio também habitar “em mim”. Minha vocação é portanto, uma vocação para a intimidade. Não só não posso trai-LO, mas sou chamada a viver das minhas riquezas divinas. Sim, minhas, porque me foram dadas pelo Pai das luzes, que me chama a ser santa e a viver como filha amada que sou, me tornando tal como Ele é, perfeita para toda boa obra e para a adoração incondicional a Ele.

Portanto, minha vida de batizada consiste em: Assegurar o estado de graça e explora-la ao máximo.

1 – Assegurar o estado de graça em si mesmo - fugir de pecado e toda ocasião de o encontra-lo. Sei que todos os dias travarei uma guerra entre a “carne”e o “espírito”, para fazer vencer o homem novo renascido em Cristo. O que o Espírito Santo realiza, a partir do momento que veio habitar em mim, é predominar as potências espirituais, a vontade racional esclarecida e ajudada pela fé. Se permaneço fiel, na terra, esta vida florescerá no Céu – “Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos, habita em vós, Ele, que ressuscitou à Jesus, também fará reviver os nossos corpos mortais graças ao seu Espirito que habita em vós”.

Ele me dá a cada dia, forças para lutar e me conduz à libertação quando me ajuda a sacudir o que me arrastaria ao mal. Para tanto, é preciso que eu viva com prudência para prevenir qualquer ataque, seja do mundo, da carne ou do demônio, que me quer aliciar e matar para Deus. O divino Espirito me adestra para a guerra a fim de poder repeli-los.

Nesta luta caminharei e a vida em estado de graça deve ser minha meta, para que eu não seja surpreendida pela morte em estado de pecado, com todas as suas consequências. Esta vida em estado de graça é que me fará “merecer”estar diante de Deus. Com ela, meu labor, minhas dores, minhas renúncias, minhas provações, terão repercussão no céu e me fará ajuntar um tijolinho para ele.

2 – Explora-la ao máximo, com os auxílios de Deus e minha vontade racional bem formada pela doutrina e pela graça. Para explora-la, devo entender que não se trata só de uma parte negativa: não ter pecados mortais na consciência, mas também de alguma coisa muitíssimo positiva: a presença de uma Hóspede ilustre e santo em mim – doce hóspode da alma. Se Ele é aquele que guia, santifica e que habita no Batizado, deve ser então “nosso” Mestre e nosso guia. – “É pela “intimidade”da Sua união com Ele que medem os seus progressos de santidade” - (La Divinisation du Chrétien – Pe. P. Ramiére, pag. 218)
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Devemos observar, como nos explica São Leão XIII na sua Encíclica sobre o Espírito Santo – Divinum illud munus -, que dizer que o Espírito habita em nós em estado de graca, não significa que venha só, mas é toda santíssima Trindade que vem agir em nós.
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O que temos que entender é que a vida da graça deve ser contínua, já que se trata de intimidade e este hóspede habita e convive conosco. Jesus nos alertava sobre esta presença santa que deve ser cultivada com toda solicitude e amor, se alguém vive em estado de graça, “meu Pai o amará, e nós viremos a ele, e faremos nele a nossa morada”(São João, XIV, 23).
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Ora, não haveremos nós de deixarmos limpo este aposento para tão ilustre hóspede, não preparemos nós a morada de nosso coração para Deus, tirando dele toda imundície das más obras?
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Devemos procurar o Senhor não somente no tempo da compunção, mas também no tempo da tentação e muito mais neste, já que é exatamente nele que poderemos perder o santo dentro de nós. Para isso, é exigido decisão de mudança e de perseverança. Temos que estar dispostos a evitar e rejeitar “tudo”, para não perder o estado de graça. Mas será que eu humana e fraca, tenho forças suficientes, já que se trata de uma luta extremamente necessária e vital?
Não. Devo esperar no meu Batismo a minha intimidade com Deus. Se amamos a Deus e se na docilidade O procuramos, Ele jamais nos abandonará, Ele jamais nos deixará sem os auxílios necessários. Se permanecermos fieis, podemos e devemos procurar n'Ele o nosso descanso, que é a doce alegria de não estar só, mas que temos alguém que nos auxilia na luta, pois o combate só acaba quando chega nosso fim que pode e deve ser maravilhoso, pois estaremos na posse do Amado. Muito nos ajuda também, todos os dias, sermos dóceis como Maria Santíssima e dizer: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a Tua palavra.”


Oração:

Senhor, se algum dia eu tiver a desgraça de destruir com uma falta grave, a graça na minha alma – as surpresas são sempre possíveis, não obstante dever contar com grande confiança no auxílio de Deus para ser constantemente fiel – recorrerei logo ao Sacramento do perdão. A confissão, que costuma certamente agir em mim como sacramento de vivos, se tenho a felicidade de viver habitualmente em estado de graça, atuaria então segundo a sua força constitutiva original e como sacramento que tem por fim primordial fazer passar a alma da morte à vida. Não me preserveis somente das quedas graves; fazei que não haja nada em mim que Vos desgoste e siga à risca o conselho de São Paulo: “Não contristeis o Espírito Santo”. Fazeis mais ainda! Fazei que, segundo outra palavra de São Paulo, eu viva “conforme o Espirito” que, penetrado cada vez mais da Vossa presença em mim, eu cresça todos os dias em intimidade convosco” (Pe. Raul Plus – Em União com o Espirito Santo – Quadrante)
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Vem Espírito Santo, toma-me!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Emitte Spiritum tuum et creabuntur, «Enviai o vosso Espírito e tudo será criado"




Quando, no reinado de Sixto III (432-440), quiseram embelezar o batistério de latrão, mandado construir por Constantino para o seu batismo, colocaram sobre a cimalha octogonal das colunas, uma inscrição latina, cujas estrofes podem prestar-se para uma meditação fecunda. Trancrevo alguns:

"Aqui nascem de uma sublime aliança aqueles que estão destinados a possuir o Céu. Nascem do seio das águas fecundadas pelo Espírito Santo de Deus. Ó pecador, tu que queres purificar-te do teu pecado, mergulha-te nestas águas sagradas. Entrarás nelas com as enfermidades do velho homem e delas sairás renovado. A Igreja faz nascer do meio das ondas os que aqui vêm e que ela, sua Mãe, concebeu sob a ação do Espírito divino. Ó nascimento virginal! Vós todos que renasceis destas águas, tendes direito ao Reino dos Céus ... Não há divisão entre os que renascem aqui; todos fazem um só, porque têm uma só e mesma fonte, um só Espírito, uma só fé ».

Fonte: Em União com o Espírito Santo - Pe. Raul Plus - Quadrante - pag.19.