segunda-feira, 6 de julho de 2009

As Aparências e a Verdade




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Por Dom Eugenio Sales - Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro

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A sobrevivência de um povo como nação pressupõe o respeito à autoridade civil e a contribuição leal ao bem comum. Em outras palavras, faz-se mister: o cumprimento de deveres, e não apenas a exigência de direitos. O poder que vem de Deus para serviço aos irmãos e às atividades dos cidadãos, conforme a ética, estabelecem os alicerces desse edifício. Entretanto, algo mais se requer: um espírito que anime essa estrutura e a preserve da decomposição. Refiro-me a um caráter íntegro das pessoas no meio civil e também eclesial.

A atual aceleração do ritmo nas transformações sociais, políticas, econômicas e culturais gerou súbitas e profundas alterações no sistema de vida comunitária. Em consequência, há uma defasagem entre os valores de ontem e hoje, acobertando-se muitos num clima de ambiguidade. A fuga a uma definição clara de posições, por trazer problemas e dificuldades no relacionamento humano, leva a uma nefasta opção pela penumbra, o lusco-fusco. A luz cede lugar à sombra ou, o que é mais grave, às meias verdades. Estas multiplicam monstros, germes fatídicos que mutilam reputações e destroem criaturas, mais facilmente que a própria mentira ou calúnia. Matam, sem derramamento de sangue, num homicídio mais doloroso que o cometido por facínoras, no sentido habitual da expressão. Na origem dessa degenerescência há o medo, ele constitui o grande mal de nossos dias, que nos leva a alterar atitudes corretas diante da pressão da opinião pública. Sem discernir, aceita-se o que se propala, sem distinguir o falso do verdadeiro. A abdicação da autonomia pessoal possibilita a volta da tolerância, habitualmente manejada por uma minoria que a catalisa para seus fins escusos.

Recordemos o Evangelho: "Seja o vosso 'sim', sim e o vosso 'não', não" (Mt 5,37). A objetividade dos julgamentos não pode ser relegada a um ponto inferior e os abusos e erros assumem posições incompatíveis com a autenticidade na esfera civil e também eclesiástica. O posto do árbitro se converte em arbítrio.

As consequências são funestas. A insinceridade no trato corrompe o sadio relacionamento social. Por exemplo: o natural desejo de saber as últimas notícias pode se transformar em ânsia doentia, levando os fracos de caráter a revelar episódios sem um prévio exame de sua autenticidade. Gera um clima funesto que propicia dolorosas injustiças quanto ao direito sagrado que é a boa fama. Uma vez lançada à mentira, mais grave ainda se possui parcela de veracidade, deforma-se a reputação do próximo e rouba-se um tesouro a respeitabilidade alheia. Por vezes, o dano é irreparável.

Ao ladrão impõe-se uma penalidade; a esses larápios da fama alheia, mais prejudiciais que os primeiros, pouco se lhes dá como castigo de um verdadeiro crime. A opinião pública, formada sutilmente pela propagação de versões falsas, exerce, em nossos dias e através da fácil comunicação das ideias, uma real e insuportável tirania. A imagem do outro fica à mercê de indivíduos que destroem alguém enlameando-lhe a honra. Uma mente doentia tenta saciar-se na procura de escândalos, na inútil tentativa de justificar as próprias mazelas. A busca de cargos ou o empenho em fazer vencer opiniões, facções ou correntes de pensamento tecem genuínas teias que envolvem incautos. Estes se tornam, inconscientemente, fautores de males inumeráveis, incomensuráveis.

Essa situação indigna de um cristão ou simples homem de bem pode penetrar no santuário.

Por isso, o Concílio Vaticano II, no documento sobre o ministério e a vida dos sacerdotes, ao tratar da eficácia de sua missão no mundo, declara: "Para cumprirem tal meta, muito contribuem as qualidades que gozam de merecida estima na convivência humana, como sejam: bondade de coração, sinceridade, coragem e constância, o culto vigilante da justiça, a delicadeza e outras que o apóstolo Paulo recomenda (Fl 4,8)". E inclui um trecho de São Policarpo (Comentário da epístola aos Filipenses, VI, 1): "E os presbíteros sejam inclinados à compaixão, misericordiosos para com todos, reconduzindo os extraviados, visitando todos os doentes, não esquecendo as viúvas, os órfãos e os pobres; mas solícitos sempre do bem junto de Deus e dos homens, abstendo-se de toda a ira, acepção de pessoas, juízos injustos, afastando para longe toda avareza,não acreditando facilmente contra alguém, não demasiados severos nos juízos, conscientes de que todos somos devedores do pecado".

A honradez e demais virtudes que caracterizam um homem de bem constituem o esteio das instituições. O apreço que se lhes deve é sinal da dignidade humana. Ao contrário, se inexistem ou são desprezadas, enfraquecidas, inúmeros danos eclodem na comunidade, inclusive religiosa.

Jamais se constrói uma pátria digna desse nome ou se preserva a Igreja de muitas deficiências sem as virtudes humanas devidamente apreciadas. Esses hábitos são essenciais à harmonia e ao respeito mútuo, bem como ao relacionamento entre pessoas probas. Sobre esse patamar e somente nele se edifica uma vida cristã autêntica. Antes de alguém ingressar pelo batismo na instituição fundada pelo Senhor, o candidato é admitido no convívio temporal, isto é, nasce.

A formação correta de um redimido pelo sangue do Redentor inclui a dignidade pessoal.

Católicos ou não, tenhamos consciência de uma condição para vencer a decomposição social: ter um caráter bem formado.

Ser um homem honesto, não importa as consequências. A verdade independentemente do número dos que a aceitam. Somente ela nos libertará: "A verdade vos libertará" (Jo 8,32).

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Maravilhoso!! DEus seja louvado pela vida de Dom Eugenio.

Fonte: http://www.pastoralis.com.br/pastoralis/html/modules/smartsection/item.php?itemid=371

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Toda é formosa, amada minha, e mácula alguma há em ti (Cant IV, 7)


Maria esteve sempre imune de todo pecado.

1º) No instante de sua conceição.

Pois se cre razoavelmente que gerou ao Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade, receberia maiores privilégios de graça que todos os outros. Pelo qual, como se lê em São Lucas (I, 28): "O anjo lhe disse: Deus te salve, cheia de graça". Sabemos, não obstante, que alguns outros foi concedido o privilégio de ser santificados no seio materno, como a Jeremias, al qual se diz (I, 5): "Ante que saístes do ventre materno, te santifiquei"; também a João Batista, do qual se há dito: "E será cheio do Espírito Santo, mesmo desde o ventre da sua mãe (Luc I, 15)".
Logo, para que recebesse mais, Maria devia não só ser santificada no seio materno, senão também preservada da culpa original.

Esta infusão da graça santificante não se verificou antes da animação, senão no primeiro instante da animação.

Os fatos que tiveram lugar no Antigo Testamento são figura do Novo, conforme àquilo: "Todas estas coisas aconteciam a eles em figuras (I Cor X, 11)". Mas pela santificação do tabernáculo, do qual se diz: "Santificou seu tabernáculo o Altíssimo (Sal XLV, 5)", parece significar a santificação da Mãe de Deus, chamada tabernáculo de Deus conforme aquilo do Salmo (XVIII, 6): "Armou para o Sol um tabernáculo". Do tabernáculo se diz no Êxodo: "Depois que foram cumpridas todas estas coisas, cubriu uma nuvem o tabernáculo do testemunho, e encheu a glória do Senhor (Ex XL, 31-32)".

Logo assim mesmo a Bem-Aventurada Virgem não recebeu a graça senão quando foram cumpridas todas suas coisas, a saber: Corpo e alma (quer dizer, no mesmo instante).

2º) Durante toda sua vida.

Deus prepara e dispõe a quem elege para algo, de modo que se fazem idôneos para os que são elegidos: "Nos hão feitos ministros idôneos do Novo Testamento (II Cor III, 6)". Se pois, a Bem-Aventurada Virgem foi eleita por Deus para que fosse Mãe de Deus, não deve duvidar-se que Deus a fez idônea para isto por sua graça, segundo o que o anjo disse: "Há achado graça diante de Deus; eis que conceberás... (Lc I, 30)".

Não havia sido, se alguma vez houvesse pecado; já porque a honra dos pais redunda nos filhos, segundo aquilo: "Glória dos filhos são seus pais (Prov. XVII, 6)", e pelo contrário a ignomínia da mãe redundaria no filho; já também porque teve singular afinidade com Cristo , que recebeu dela sua carne. Se diz na 2ª carta aos Coríntios (VI, 15): "Que concórdia entre Cristo e Belial? O que tem em parte o fiel com o infiel?"

Já também, porque o Filho de Deus, que é a Sabedoria de Deus, habitou nela de modo singular, não somente em sua alma, senão também em seu seio. Mas se diz no Livro da Sabedoria (I, 4): "Por quanto na alma maligna não entrará a sabedoria, nem morará no corpo submetido a pecados"; por conseguinte, é preciso reconhecer que a Bem-Aventurada Virgem não cometeu pecado algum atual, nem mortal nem venial; para que assim se cumprisse nela o que se diz: "Toda é formosa, amada minha, e mácula alguma há em ti (Cant IV, 7)".



(Sum. Theol. 3ª, q. XXVII, a. IV)
Pe. Mézard O. P. - Meditationes ex operibus S. Thomae derromptae (trad. en castelhano por Luiz M. de Cádiz. Ed. Emecé, Buenos Aires, 1948)

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Lançar -se aos Pés de Jesus!!! Eis a Sabedoria



Odes de Salomão (texto cristão hebraico do início do século II)


"Lançou-se aos pés de Jesus, com a face em terra, e agradeceu-lhe"

Cristo está perto de mim: adiro a ele e ele abraça-me. Eu não teria sabido amar o Senhor se ele mesmo não me tivesse amado primeiro. Quem pode compreender o amor, senão aquele que ama? Eu abraço o amado e a minha alma acolhe-o e, lá onde ele repousa, aí eu me quedo. Não serei mais um estrangeiro para ele porque não há ódio no Senhor. Estou ligado a ele como a amante que encontrou o amado.

Porque amo o Filho, tornar-me-ei filho. Sim, eu adiro àquele que não morre, que não morrerá. Aquele que se compraz na Vida, permanecerá também ele vivo. É assim que, sem falsidade, o Espírito do Senhor ensina os homens a conhecerem os seus caminhos.

domingo, 21 de junho de 2009

Credo - Sexto Artigo



Subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso.

Por São Tomás de Aquino

Depois de se afirmar a Ressurreição de Cristo, convém crer na Sua Ascensão, pois Ele subiu para o céu após quarenta dias de ressuscitado. Eis porque se diz no Credo: "Subiu aos céus.". Devemos considerar as três características principais deste acontecimento, isto é, que ele foi sublime, racional e útil.

Foi sublime, porque Ele subiu para os céus.

Explica-se isto de três maneiras:

Primeiro porque Ele subiu acima de todos os céus corpóreos, conforme se lê em São Paulo: Subiu acima de todos os céus (Ef 4,10). Tal ascenção foi realizada pela primeira vez por Cristo, porque até então o corpo terreno estivera somente na terra, sendo o paraíso onde esteve Adão, situado também na terra.

Segundo porque subiu sobre todos os céus espirituais, isto é, acima das naturezas espirituais, como se lê também em São Paulo: Colocando (o Pai) Jesus à sua direita nos céus, sobre todo principado, Potestade, Virtude, Dominação e acima de todo nome que se pronuncia não só neste século, mas também nos futuros e tudo colocou sob os seus pés (Ef 1,20) .

A Ascensão de Cristo foi racional por três motivos.

Primeiro, porque o céu era devido a Cristo por exigência da sua natureza. É, com efeito, natural que cada coisa retome à sua origem. Cristo tem sua origem em Deus, que está acima de todas as coisas, conforme Ele mesmo disse: Saí do Pai, e vim ao mundo; deixo agora o mundo e volta para o Pai (J o 16,18). Disse também: ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem que está no céu (Jo 3,13), Apesar de os Santos irem para o céu, todavia não o fazem como Cristo: porque Cristo o fez por seu próprio poder; os santos, porém, levados por Cristo. Lê-se no Livro dos Cânticos: Leva-me na Vossa seqüência (Cant 1,3). Pode-se explicar de outra maneira porque se diz que ninguém subiu ao céu a não ser Cristo: os Santos não sobem senão enquanto membros de Cristo; que é a cabeça da Igreja, conforme está escrito em São Mateus: Onde estiver o corpo, aí as águias se congregarão (24,28).


Em segundo lugar, a Ascensão de Cristo foi racional devido à sua vitória. Sabemos que Cristo veio ao mundo para lutar contra o diabo, e o venceu. Por isso mereceu ser exaltado sobre todas as coisas. Confirma-o o Apóstolo: Eu venci, e sentei-me com o Pai no seu trono (Ap 3,21).

A Ascensão de Cristo foi racional, em terceiro lugar, por causa da humildade de Cristo, que, sendo Deus, quis fazer-se homem; sendo Senhor, quis suportar a condição de escravo, fazendo-se obediente até à morte, segundo se lê na Carta aos Filipenses (2,1), descendo ainda até ao inferno. Por isso mereceu ser exaltado até ao céu e sentar-se à direita de Deus. A humildade é, com efeito, o caminho da exaltação, como se lê em São Lucas: Quem se humilha, será exaltado (14,11). Escreveu também São Paulo: O que desceu do céu, este é o que subiu acima de todos os céus (Ef 4,10).

A Ascensão de Cristo foi além de sublime e racional, também útil.

Essa afirmação pode ser esclarecida em três dos seus aspectos.

O primeiro, refere-se ao fim da Ascensão, pois Cristo foi para o céu para nos conduzir até lá. Desconhecíamos o caminho, mas Ele no-lo ensinou, Lê-se: Subiu abrindo o caminho na frente deles (Mt 2,13). Subiu ao céu também para nos fazer seguros da posse do reino celeste, conforme se lê em São João:Vou preparar-vos o lugar (Jo 14,2).

O segundo, refere-se à segurança que a Ascensão nos trouxe, pois subiu aos céus ;para interceder por nós. Lê-se: Subiu por si mesmo aa Deus sempre vivo para interceder por nós (Heb 7,25). Lê-se também: Temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo (1 Jo 21),

O terceiro, para atrair a si os nossos corações, segundo está escrito em São Mateus: Onde está o teu coração está o teu tesouro (6,21), e para que desprezemos as coisas temporais, como nos exorta o Apóstolo S. Paulo: Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus; saboreai as coisas do alto e não as da terra (Col 3,1).

Terceiro porque subiu até ao trono do Pai. Lê-se nas Escrituras: Eis que vinha sobre as nuvens do céu como um Filho de Homem; Ele dirigiu-se para o Ancião, e foi conduzido à sua presença (Dan 7,13). Lê-se também em São Marcos: E o Senhar Jesus, depois de lhes ter falado subiu ao céu, e sentou-se à direita de Deus (16,19).

A expressão direita de Deus não deve ser entendida em sentido corporal, mas em sentido metafórico. Enquanto Deus, diz-se que Cristo está sentado à direita de Deus, porque é igual ao Pai; enquanto homem, diz-se que Cristo está sentado à direita do Pai, porque goza dos melhores bens. O diabo aspirou também semelhante elevação, como se lê em Isaías: Subirei ao céu, acima dos astros de Deus colocarei o meu trono; sentar-me-ei no Monte da Promessa, que está do lado do Aquilão; subirei acima da elevação das nuvens, serei semelhante ao Altíssimo (14,13). Mas a tal altura não se elevou senão Cristo, razão pela qual se diz no Credo: Subiu aos céus e está sentado à direita do Pai, o que é confirmado no Livro dos Salmos: Disse o Senhar ao meu Senhor, senta-te a minha direita (SI 109,1).

terça-feira, 16 de junho de 2009

O Caminho do Dever



A criança que, desde os mais tenros anos, for educada na honestidade e rectidão, cumprirá nobremente o seu destino quando se tornar homem, e atravessará a vida sem perigo de naufragar. (PLATÃO)


Conheces a história de Hércules, o herói maior das lendas gregas? Foi um modelo de força e de bravura. Criancita ainda, sufocou duas serpentes que um inimigo, no malvado intuito de o fazer perecer, lhe tinha colocado no berço. Mais tarde, matou a hidra de Lerna e o touro de Creta; venceu as amazonas; limpou as cavalariças de Ogias; apoderou-se dos pomos de ouro das Hespéridas ...

Ora um dia aconteceu encontrar· se na bifurcação de dois caminhos. Qual deles seguiria?

Escola do caminho a seguir

Era chegado a época da adolescência. Duas mulheres se lhe apresentaram, e uma delas, tomando a palavra, dirigiu-se-Ihe nestes termos:

_ «Vejo, Hércules, o teu embaraço por não saberes como conduzir-te na vida. Não te preocupes mais. Ségue-me e eu te levarei por um caminho agradável onde só conhecerás prazeres. As dificuldades desaparecerão por si mesmas. O teu único cuidado será comer e beber. Vem. conheço o caminho do prazer fácil."

_ «Como te chamas ?»-perguntou Hércules.
_ «Os amigos chamam-me Felicidade; os inimigos, Vício.»

Voltou-se por sua vez para ele a segunda mulher e disse-lhe:

_ «Não quero de modo nenhum fascinar-te com falsas miragens. Prefiro dizer-te a verdade em toda a sua rudeza simples. Os deuses, Hércules, não concedem a felicidade, sem luta. Por isso, se me seguires, o teu trabalho será penoso. Se quiseres que a Grécia te honre por uma vida virtuosa, esforça-te por colaborar com ela no bem geral. Se desejares que a terra te prodigalize riquezas, toma a charrua e trabalha. Se aspirares a que a vitória te sorria no campo da batalha, vai a casa dos heróis e exercita-te no manejo das armas. Se, finalmente, quiseres que os teus músculos sejam rijos como o aço, sujeita o corpo ao espírito, suporta o pesado fardo da existência e sofre.»

- «Repara, Hércules,-interrompeu o Vício - como é duro o caminho por onde esta mulher deseja levar-te, enquanto eu te conduzirei tão fàcilmente à felicidade!....

- «Miserável- gritou a virtude - que felicidade podes tu dar? como te atreves a pronunciar sequer o nome de felicidade, se nada fazes para adquiri-Ia? Tu comes antes de ter fome e bebes antes de ter sede. No calor do estio reclamas neve. Queres descansar sem ter feito nada. Levas os teus sequazes ao amor ântes da idade prefixa pela natureza. Tu desonras a terra com a impudicícia do homem e da mulher. Habituas os teus partidários a praticar o mal durante a noite e a dormir durante o dia. Embora sejas imortal, os deuses evitam-te e os homens de bem desprezam-te. Teus jovens amigos arruínam o corpo e os mais velhos, a alma. Na juventude sacía-Ios de prazeres até os cansares de tédio para depois, quando atingirem a idade madura, os transformares em pobres vencidos da vida.

Quanto a mim, convivo com os deuses e com o melhor dos homens. Nenhuma acção digna se faz sem mim; por isso os deuses e os homens honram-me. Os artistas veneram-me como seu amparo e os pais de família constituem-me guarda dos seus lares. O pão e o vinho têm um sabor agradável na boca dos que me seguem, porque só comem quando têm fome e só bebem quando têm sede. O sono é-lhes mais suave do que ao preguiçoso, porque não lhe sacrificam nenhum dos seus deveres. Os amigos estimam-nos.; a Pátria honra-os. E, quando chega o momento derradeiro, não são lançados no esquecimento; a sua memória continua a viver. Hércules, descendente de uma raça ilustre, se agires assim, adquirirás uma glória imortal.»


Isto li eu na história de Hércules, no terceiro livro dos Memoráveis de Xenofonte. Contei-to, - meu filho, porque também tu te encontrarás em face de dois caminhos, segundo as palavras da Escritura: «Os desejos da carne são contrários aos do espírito» (Gal. V; 17). Também tu serás obrigado a optar por um deles

Fonte: Tihamar Toth - Juventude Radiosa - Quadrante

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Respeito humano?



Por Tamara Di Maio

Hoje em dia esse respeito humano chama-se "ser politicamente correto"

Qualquer um que é corrigido, primeiro não admite sê-lo: aquilo que eu gosto ou acredito é bom e não me venha dizer o contrário!

Outra frase boa que vemos o tempo todo: não julguem!

Outra ainda : não generalize!

Outra idéia falsa é que se o erro está "dentro de casa" deve ir para baixo do tapete - oh! o que os vizinhos irão dizer!

Saudade do tempo onde as coisas podiam ser chamadas pelos seus verdadeiros nomes, quando os santos que exortavam usavam palavras duras - porque tinham que surtir efeito - e ninguém lhes dizia que eram "pouco caridosos" por isso. Os ouviam...

domingo, 14 de junho de 2009

Padre, não sinto nada quando rezo...





Devo continuar rezando?

A atitude para com Deus não pode ser simplesmente respeitosa e distante; tem de ser também afetiva e cordial. É preciso envolver todo o nosso ser no relacionamento com Ele. Devemos amar a Deus com todo o coração e com todas as forças.
Mas um erro comum é identificar o amor a Deus exclusivamente com os sentimentos. A confusão entre a realidade da presença do amor de Deus e o desejo de sentir esse amor gera desassossego em muitas pessoas. Há muitos que julgam que esse relacionamento é sincero somente quando sentem algo. Dizem que seria hipocrisia rezar ou ir à igreja sem sentir nada, de forma fria ou mesmo de má vontade.

Talvez já tenhamos passado por épocas ou temporadas em que a nossa oração foi especialmente intensa, momentos em que nos parecia que podíamos tocar a presença de Deus, sentindo vivamente o seu amparo. Surge o desejo de que o nosso relacionamento com Deus seja sempre assim. Mas, olhando o dia de ontem ou a semana que passou, talvez só encontremos tentativas de orações que nos têm saído secas e distraídas, em que o coração parece frio e a cabeça distante. Pode ser que esteja havendo falta de esforço de nossa parte...

Almas muito santas, e que viviam bem próximas de Deus, também tinham dificuldades semelhantes a essas. Às vezes, durante um longo período, a sua oração era seca e sem brilho, mas persistiam porque viam nessa aparente esterilidade a mão paternal de Deus. Por exemplo, o bem-aventurado Josemaria Escrivá quando falava do seu relacionamento com Deus, dizia que se dava muitas vezes sem o apoio dos sentimentos: “Em algumas ocasiões, o Senhor me concedeu muitas graças; mas habitualmente ando a contragosto. Sigo o meu plano não porque me agrade, mas porque devo cumpri-lo, por Amor”. Santa Teresinha dizia: “Sinto que rezo o terço tão mal! Esforço-me em vão por meditar os mistérios do rosário, não consigo fixar a minha alma. Penso que a Rainha dos Céus, sendo minha Mãe, deve ver a minha boa vontade e contentar-se com isso”.

Não existe insinceridade quando se busca a coerência profunda de querer agradar a Deus, que conhece as nossas lutas por antepor valores mais altos ao gosto pessoal, à espontaneidade. Somos sinceros quando, vencendo as vozes do comodismo que se disfarça sob a forma de ausência de gosto ou de sentimento, fazemos o bem, fazemos o que é melhor, mais alto, mais digno, sem temer as renúncias que isso implica.

É o caso da mãe que acorda pela quarta vez na mesma noite para acalmar a criança que está irrequieta. O mais provável é que, às três da madrugada de uma noite mal dormida, não sinta nada - ou sinta apenas sono -, mas o seu amor não deixou de ser real só por causa disso. O sacrifício é o selo de garantia do amor. Às vezes, é Deus quem deseja que sintamos essa secura e frieza para provar o nosso amor. Se persistirmos com um empenho sério durante longo tempo, apesar de não sentirmos nada, isso será a melhor garantia de que o fazemos, não por gosto pessoal, mas unicamente por Deus.

Jesus fala de uma casa construída sobre a rocha. Para construir sobre rocha segura, que suporta todo o tipo de adversidades que possam sobrevir, a vida cristã deve estar edificada sobre práticas de piedade sólidas e estáveis, que se cumprem em quaisquer circunstâncias. Temos de substituir o “agora não estou disposto”, o “mais tarde ou no fim de semana terei tranquilidade suficiente”- que são buscas puras e simples do conforto dos sentimentos -, pelos hábitos submetidos a um esquema, à disciplina de um plano de vida espiritual progressiva e orientada. E veremos que essa fidelidade atrairá ou trará de volta os sentimentos. Devemos ter sempre muito cuidado de buscarmos em nossa oração o Deus das consolações e não as consolações de Deus.
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Pe. Manoel Augusto Santos

sábado, 13 de junho de 2009

Santo Antonio de Pádua - Sacerdote e Doutor da Igreja




Santo Antonio, nasceu em Lisboa, Portugal em 1198, seu nome de registro é Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo.Entrou aos 15 anos no Colégio dos Conegos regulares de Santo Agostinho. Em apenas 9 meses aprofundou-se tanto no estudo da Bíblia que foi chamado mais tarde de Gregório IX, "Arca do Testamento".

Em 1220 entrou para a Ordem dos frades Mendicantes de Coimbra, depois que viu os corpos de cinco franciscanos martirizados no Marrocos,onde tinham ido evangelizar os fiéis.Sua descisão de pregar o Evangelho no marrocos não foi bem sucedida. Morou alguns meses em Messina,no convento dos franciscanos,cujo Prior o levou para o capítulo da Ordem em Assis e conheceu São Francisco de Assis.

Viveu como eremita num convento e foi incumbido das humildes funções de cozinheiro e viveu na obscuridade até que seus superiores,percebendo seus extraordinários dons de pregador, enviaram-no para a Itália e pela França, afim de pregar nos lugares onde a heresia dos Albigenses e Valdenses era mais forte.

Em 1231 quando sua pregação atigiu o vértice, foi atingido por uma doença inesperada, foi para Pádua onde morreu em 13 de junho de 1231. Tantos foram seus milagres e tal sua popularidade ,que foi canonizado no ano seguinte, 1232.

É chamado "doutor do Evangelho", pela grandeza com que soube pregá-lo. Quando o corpo foi desenterrado sua lingua foi encontrada intacta e é venerada há mais de 700 anos. Tal foi seu amor ao Filho de Deis feito homem, que a pregação sobre o mistério da Encarnação de Verbo era o ponto mais excelente.

Certa vez o Menino Jesus se colocou em seus braços. Por isso ele é assim representado em suas imagens.

Ensinamentos de Santo Antonio:

-"Ele veio a ti, para poderes ir à Ele"

-"Quem ama não conhece nada que seja difícil"

-"Se alguém se retira do mundo inquieto para a solidão e ai descansa,a este aparece o Senhor"

-"Desde o sacrifício de Cristo, está aberto o portão para o reino de Deus"

-"A face do Pai é o Filho"

-"A criatura carregou no seio seu Criador e a pobre Virgem o Filho de Deus. Tu és ao mesmo tempo o mais alto e o mais humilde.Senhor dos Anjos e súdito dos homens!O Criador do mundo obedece a um carpinteiro, o Deus de eterna majestade se submete a uma Virgem"

-"Onde há excesso de riqueza e de prazeres, aí se instala a lepra dos vícios"

-"O pregador fala com dois lábios, com sua vida e com sua boa fama"

-"A vida do corpo é a alma, a vida da alma é Deus"

-"O amor a nós O prendeu tão intimamente à nossa natureza que o fez descer até nossa miséria, como se no céu já não pudesse permanecer sem nós"

-"A confissão é semelhante a uma travessia, pois o homem atravessa pela confissão da margem do pecado para a margem da reparação".

"Santo Antonio de Pádua: Rogai por nós!: