A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Santo Antonio de Pádua - Sacerdote e Doutor da Igreja

Santo Antonio, nasceu em Lisboa, Portugal em 1198, seu nome de registro é Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo.Entrou aos 15 anos no Colégio dos Conegos regulares de Santo Agostinho. Em apenas 9 meses aprofundou-se tanto no estudo da Bíblia que foi chamado mais tarde de Gregório IX, "Arca do Testamento".
Em 1220 entrou para a Ordem dos frades Mendicantes de Coimbra, depois que viu os corpos de cinco franciscanos martirizados no Marrocos, onde tinham ido evangelizar os fiéis. Sua descisão de pregar o Evangelho no Marrocos não foi bem sucedida. Morou alguns meses em Messina, no convento dos franciscanos, cujo Prior o levou para o capítulo da Ordem em Assis e conheceu São Francisco de Assis. Viveu como eremita num convento e foi incumbido das humildes funções de cozinheiro. Esteve na obscuridade até que seus superiores percebendo seus extraordinários dons de pregador, enviaram-no para a Itália e pela França, afim de pregar nos lugares onde a heresia dos Albigenses e Valdenses era mais forte.
Em 1231 quando sua pregação atigiu o vértice, foi atingido por uma doença inesperada, foi para Pádua onde morreu em 13 de junho de 1231. Tantos foram seus milagres e tal sua popularidade, que foi canonizado no ano seguinte, 1232.
É chamado "doutor do Evangelho", pela grandeza com que soube pregá-lo. Quando o corpo foi desenterrado sua lingua foi encontrada intacta e é venerada há mais de 700 anos. Tal foi seu amor ao Filho de Deus feito homem, que a pregação sobre o mistério da Encarnação de Verbo era o ponto mais excelente. Certa vez o Menino Jesus se colocou em seus braços. Por isso ele é assim representado em suas imagens.
Ensinamentos de Santo Antonio:
-"Ele veio a ti, para poderes ir à Ele"
-"Quem ama não conhece nada que seja difícil"
-"Se alguém se retira do mundo inquieto para a solidão e ai descansa, a este aparece o Senhor"
-"Desde o sacrifício de Cristo, está aberto o portão para o reino de Deus"
-"A face do Pai é o Filho"
-"A criatura carregou no seio seu Criador e a pobre Virgem o Filho de Deus. Tu és ao mesmo tempo o mais alto e o mais humilde.Senhor dos Anjos e súdito dos homens! O Criador do mundo obedece a um carpinteiro, o Deus de eterna majestade se submete a uma Virgem"
-"Onde há excesso de riqueza e de prazeres, aí se instala a lepra dos vícios"
-"O pregador fala com dois lábios, com sua vida e com sua boa fama"
-"A vida do corpo é a alma, a vida da alma é Deus"
-"O amor a nós O prendeu tão intimamente à nossa natureza que o fez descer até nossa miséria, como se no céu já não pudesse permanecer sem nós"
-"A confissão é semelhante a uma travessia, pois o homem atravessa pela confissão da margem do pecado para a margem da reparação".
"Santo Antonio de Pádua: Rogai por nós!
domingo, 12 de junho de 2011
Homilia de Bento XVI - Solenidade de Pentecostes - 2011

Queridos irmãos e irmãs!
Celebramos hoje a grande Solenidade de Pentecostes. Se, em certo sentido, todas as solenidades litúrgicas da Igreja são grandes, esta de Pentecostes o é de maneira singular, porque assinala, chegado o quinquagésimo dia, o cumprimento do evento da Páscoa, da morte e ressurreição do Senhor Jesus, através do dom do Espírito do Ressuscitado. Para Pentecostes, a Igreja preparou-nos nos dias passados com a sua oração, com a invocação repetida e intensa a Deus para obter uma renovada efusão do Espírito Santo sobre nós. A Igreja reviveu, assim, aquilo que aconteceu nas suas origens, quando os Apóstolos, reunidos no Cenáculo de Jerusalém, "eram perseverantes e unânimes na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele" (At 1,14). Estavam reunidos em humilde e confiante espera de que se cumprisse a promessa do Pai comunicada a eles por Jesus: "Vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias... descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força" (At 1,5.8).
Na liturgia de Pentecostes, à narração dos Atos dos Apóstolos sobre o nascimento da Igreja (cf. At 2,1-11), corresponde o salmo 103, que escutamos: um louvor a toda a criação, que exalta o Espírito Criador, o qual fez tudo com sabedoria: "Ó Senhor, quão variadas são as vossas obras! Feitas, todas, com sabedoria, a terra está cheia das coisas que criastes... Ao Senhor, glória eterna; alegre-se o Senhor em suas obras!" (Sal 103,24.31). Aquilo que deseja dizer-vos a Igreja é isto: o Espírito Criador de todas as coisas e o Espírito Santo que Cristo fez descer do Pai sobre a comunidade dos discípulos são um e o mesmo: criação e redenção se pertencem reciprocamente e constituem, em profundidade, um único mistério de amor e de salvação. O Espírito Santo é, antes de tudo, o Espírito Criador e, portanto, Pentecostes é a festa da criação. Para nós, cristãos, o mundo é fruto de um ato de amor de Deus, que fez todas as coisas e das quais Ele se alegra porque é "coisa boa", "coisa muito boa", como recorda-nos a narração da criação (cf. Gen 1,1-31). Deus, por isso, não é o totalmente Outro, inominável e obscuro. Deus revela-se, tem um rosto, Deus é razão, Deus é vontade, Deus é amor, Deus é beleza. A fé no Espírito Criador e a fé no Espírito que o Cristo Ressuscitado dá aos Apóstolos e dá a cada um de nós estão, portanto, inseparavelmente unidas.
A segunda Leitura e o Evangelho de hoje mostram-nos essa conexão. O Espírito é Aquele que nos faz reconhecer em Cristo o Senhor, e faz-nos pronunciar a profissão de fé da Igreja: "Jesus é o Senhor" (cf. 1 Cor 12,3b). Senhor é o título atribuído a Deus no Antigo testamento, título que na leitura da Bíblia ocupava o lugar do seu impronunciável nome. O Credo da Igreja é nada mais que desenvolvimento disto que se diz com esta simples afirmação: "Jesus é o Senhor". Dessa profissão de fé, São Paulo diz-nos que se trata da palavra e da obra do Espírito Santo. Se desejamos estar no Espírito, devemos aderir a esse Credo. Fazendo-o nosso, aceitando-o como nossa palavra, adentramos na obra do Espírito Santo. A expressão "Jesus é o Senhor" pode-se ler nos dois sentidos. Significa: Jesus é Deus, e contemporaneamente: Deus é Jesus. O Espírito Santo ilumina esta reciprocidade: Jesus tem dignidade divina, e Deus tem o rosto humano de Jesus. Deus se mostra em Jesus e, com isso, dá-nos a verdade sobre nós mesmos. Deixar-nos iluminar no profundo por essa palavra é o evento de Pentecostes. Recitando oCredo, nós entramos no mistério do primeiro Pentecostes: da desordem de Babel, daquelas vozes que se chocam uma contra a outra, acontece uma radical transformação: a multiplicidade se faz multiforme unidade, do poder unificador da Verdade cresce a compreensão. No Credo, que nos une de todos os ângulos da Terra, que, mediante o Espírito Santo, permite que nos compreendamos, ainda que na diversidade das línguas, por meio da fé, a esperança e o amor, forma-se a nova comunidade da Igreja de Deus.
O trecho evangélico oferece-nos depois uma maravilhosa imagem para clarear a conexão entre Jesus, o Espírito Santo e o Pai: o Espírito Santo é representado como o sopro de Jesus ressuscitado (cf. Jo 20,22). O evangelista João retoma aqui uma imagem da narração da criação, lá onde se diz que Deus soprou nas narinas do homem um sopro de vida (cf. Gen 2,7). O sopro de Deus é vida. Ora, o Senhor sopra na nossa alma um novo sopro de vida, o Espírito Santo, a sua mais íntima essência, e, desse modo, acolhe-nos na família de Deus. Com o Batismo e a Crisma, nos é dado este dom de modo específico, e com os sacramentos da Eucaristia e da Penitência, isso se repete continuamente: o Senhor sopra na nossa alma um sopro de vida. Todos os Sacramentos, cada um de maneira própria, comunicam ao homem a vida divina, graças ao Espírito Santo que opera neles.
Na liturgia de hoje, colhemos ainda uma ulterior conexão. O Espírito Santo é Criador, é ao mesmo tempo Espírito de Jesus Cristo, ainda que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam um só e único Deus. E à luz da primeira Leitura podemos complementar: o Espírito Santo anima a Igreja. Ela não deriva da vontade humana, da reflexão, da habilidade do homem e da sua capacidade organizativa, posto que se assim fosse já há tempos estaria extinta, assim como passa cada coisa humana. Ela é, ao contrário, o Corpo de Cristo, animado pelo Espírito Santo. As imagens do vento e do fogo, usadas por São Lucas para representar a vinda do Espírito Santo, (cf. At 2,2-3), recordam o Sinai, onde Deus revelou-se ao povo de Israel e lhe havia concedido a sua aliança: "Todo o monte Sinai fumegava – lê-se no Livro do Êxodo –, porque o Senhor tinha descido sobre ele no meio de chamas" (19,18). De fato, Israel festejava o quinquagésimo dia após a Páscoa, depois da comemoração da fuga do Egito, como a festa do Sinai, a festa do Pacto. Quando São Lucas fala de línguas de fogo para representar o Espírito Santo, relembra aquele antigo Pacto, estabelecido com base na Lei recebida por Israel sobre o Sinai. Assim, o evento de Pentecostes é representado como um novo Sinai, como o dom de um novo Pacto em que a aliança com Israel é estendida a todos os povos da Terra, em que caem todos os obstáculos da velha Lei e aparece o seu coração mais santo e imutável, isto é, o amor que exatamente o Espírito Santo comunica e difunde, o amor que abraça todas as coisas. Ao mesmo tempo, a Lei dilata-se, abre-se, também se tornando mais simples: é o Novo Pacto, que o espírito "escreve" nos corações de quanto creem em Cristo. A extensão do Pacto a todos os povos da Terra é representada por São Lucas através de um elenco de populações consideráveis por aquela época (cf. At 2,9-11). Com isso, nos é dita uma coisa muito importante: que a Igreja é católica desde o primeiro momento, que a sua universalidade não é o fruto da inclusão sucessiva de diversas comunidades. Desde o primeiro instante, de fato, o Espírito Santo a criou como a Igreja de todos os povos; essa abraça o mundo inteiro, supera todas as fronteiras de raça, classe, nação; abate todas as barreiras e une os homens na profissão do Deus uno e trino. Desde o início a Igreja é una, católica e apostólica: essa é a sua verdadeira natureza e como tal deve ser reconhecida. Ela é santa, não graças à capacidade dos seus membros, mas porque Deus mesmo, com o seu Espírito, cria-a, purifica-a e santifica-a sempre.
Enfim, o Evangelho de hoje disponibiliza-nos esta belíssima expressão: "Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor" (Jo 20,20). Essas palavras são profundamente humanas, O Amigo perdido está de novo presente, e quem antes estava chateado se alegra. Mas isso diz muito mais. Porque o Amigo perdido não vem de um lugar qualquer, mas da noite da morte; e Ele a superou! Ele não é um qualquer, mas sim é o Amigo e conjuntamente Aquele que é a Verdade que faz os homens viverem; e aquilo que dá não é uma alegria qualquer, mas a alegria mesma, dom do Espírito Santo. Sim, é belo viver porque sou amado, e é a Verdade que me ama. Alegraram-se os discípulos, vendo o Senhor. Hoje, em Pentecostes, essa expressão é destinada também a nós, porque na fé podemos vê-Lo; na fé Ele vem entre nós e também a nós mostra as mãos e o lado, e nós nos alegramos. Por isso queremos rezar: Senhor, mostra-te! Dá-nos o dom da tua presença, e teremos o dom mais belo: a tua alegria. Amém!

Fonte: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=282122
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sábado, 11 de junho de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Dominum et vivificantem
Sobre o Espírito Santo na Vida da Igreja e do Mundo
Por João Paulo II
1. A Igreja professa a sua fé no Espírito Santo, como n'Aquele «que é Senhor e dá a vida». É o que ela proclama no Símbolo da Fé, chamado Niceno-Constantinopolitano, do nome dos dois Concílios - de Niceia (a. 325) e de Constantinopla (a. 381) - nos quais foi formulado ou promulgado. Nele se acrescenta também que o Espírito Santo «falou pelos Profetas».
São palavras que a Igreja recebe da própria fonte da sua fé, Jesus Cristo. Com efeito, segundo o Evangelho de São João, o Espírito Santo é-nos dado com a vida nova, como Jesus anuncia e promete no dia solene da festa dos Tabernáculos: «Quem tem sede, venha a mim; e beba quem crê em mim. Como diz a Escritura, do seu seio fluirão rios de água viva»1. E o Evangelista explica: «Jesus dizia isso referindo-se ao Espírito, que haveriam de receber os que n'Ele acreditassem»2. É a mesma analogia da água usada por Jesus no diálogo com a Samaritana, quando fala de «uma nascente de água a jorrar para a vida eterna»3, e no colóquio com Nicodemos, quando anuncia a necessidade de um novo nascimento «pela água e pelo Espírito» para «entrar no Reino de Deus»4.
A Igreja, portanto, instruída pelas palavras de Cristo, indo beber à experiência do Pentecostes e da própria «história apostólica», proclama desde o início a sua fé no Espírito Santo, como n'Aquele que dá a vída, Aquele no qual o imperscrutável Deus uno e trino se comunica aos homens, constituindo neles a nascente da vida eterna.
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Festa de Pentecostes

Pelo Santo Padre, o Papa, Bento XVI
Prezados irmãos e irmãs!
"Na solene celebração do Pentecostes, somos enviados a professar a nossa fé na presença e na acção do Espírito Santo e a invocar a sua efusão sobre nós, sobre a Igreja e sobre o mundo inteiro. Portanto, façamos nossa, e com intensidade particular, a invocação da própria Igreja: Veni, Sancte Spiritus! Uma invocação tão simples e imediata, mas ao mesmo tempo extraordinariamente profunda, que brota em primeiro lugar do Coração de Cristo. Com efeito, o Espírito é o dom que Jesus pediu e pede continuamente ao Pai pelos seus amigos; o primeiro e principal dom que nos obteve com a sua Ressurreição e Ascensão ao Céu.
Desta oração de Cristo fala-nos o trecho evangélico hodierno, que tem como contexto a Última Ceia. O Senhor Jesus disse aos seus discípulos: "Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu suplicarei ao Pai e Ele dar-vos-á outro Consolador, a fim de permanecer convosco para sempre" (Jo 14, 15-16). Aqui revela-se-nos o Coração orante de Jesus, o seu Coração filial e fraterno. Esta oração alcança o seu ápice e o seu cumprimento na cruz, onde a invocação de Cristo se identifica com o dom total que Ele faz de si mesmo, e deste modo o seu rezar torna-se por assim dizer o próprio selo do seu doar-se em plenitude por amor ao Pai e à humanidade: invocação e doação do Espírito Santo encontram-se, compenetram-se e tornam-se uma única realidade. "E Eu suplicarei ao Pai e Ele dar-vos-á outro Consolador, a fim de permanecer convosco para sempre". Na realidade, a oração de Jesus – a da Última Ceia e a da cruz – é uma oração que permanece também no Céu, onde Cristo está sentado à direita do Pai. Com efeito, Jesus vive sempre o seu sacerdócio de intercessão a favor do povo de Deus e da humanidade, e portanto reza por todos pedindo ao Pai o dom do Espírito Santo.
A narração do Pentecostes no livro dos Actos dos Apóstolos – ouvimo-lo na primeira leitura – (cf. Act 2, 1-11) apresenta o "novo curso" da obra de Deus, encetado com a ressurreição de Cristo, obra que envolve o homem, a história e o cosmos. Do Filho de Deus morto e ressuscitado, que voltou para o Pai, emana agora sobre a humanidade com energia inédita o sopro divino, o Espírito Santo. E o que produz esta nova e poderosa autocomunicação de Deus? Onde existem lacerações e estraneidades, ela cria unidade e compreensão. Tem início um processo de reunificação entre as partes da família humana, divididas e dispersas; as pessoas, muitas vezes reduzidas a indivíduos em competição ou em conflito entre si, alcançadas pelo Espírito de Cristo, abrem-se à experiência da comunhão, que pode empenhá-las a ponto de fazer delas um novo organismo, um novo sujeito: a Igreja.
Este é o efeito da obra de Deus: a unidade; por isso, a unidade é o sinal de reconhecimento, o "cartão de visita" da Igreja no curso da sua história universal. Desde o início, do dia do Pentecostes, ela fala todas as línguas. A Igreja universal precede as Igrejas particulares, as quais devem conformar-se sempre com ela, segundo um critério de unidade e universalidade. A Igreja nunca permanece prisioneira de confins políticos, raciais ou culturais; não se pode confundir com os Estados e nem sequer com as Federações de Estados, porque a sua unidade é de outro tipo e aspira a atravessar todas as fronteiras humanas.
Amados irmãos, disto deriva um critério prático de discernimento para a vida cristã: quando uma pessoa, ou uma comunidade, se fecha no seu próprio modo de pensar e de agir, é sinal que se afastou do Espírito Santo.
O caminho dos cristãos e das Igrejas particulares deve confrontar-se sempre com o da Igreja, una e católica, e harmonizar-se com ele. Isto não significa que a unidade criada pelo Espírito Santo é uma espécie de igualitarismo. Pelo contrário, ela é sobretudo o modelo de Babel, ou seja, a imposição de uma cultura da unidade que poderíamos definir "técnica". Com efeito, a Bíblia diz-nos (cf. Gn 11, 1-9) que em Babel todos falavam uma só língua. Pelo contrário, no Pentecostes os Apóstolos falam línguas diferentes, de modo que cada um compreenda a mensagem no seu próprio idioma. A unidade do Espírito manifesta-se na pluralidade da compreensão. A Igreja é por sua natureza una e múltipla, destinada como está a viver em todas as nações, em todos os povos e nos mais diversificados contextos sociais. Ela responde à sua vocação, de ser sinal e instrumento de unidade de todo o género humano (cf. Lumen gentium, 1), apenas se permanece autónoma de qualquer Estado e de toda a cultura particular. Sempre e em cada lugar, a Igreja deve ser verdadeiramente católica e universal, a casa de todos, onde cada um se pode encontrar.
A narração dos Actos dos Apóstolos oferece-nos também outra sugestão muito concreta. A universalidade da Igreja é expressa pelo elenco dos povos, segundo a antiga tradição: "Somos Partas, Médios, Elamitas...", etc. Pode-se observar aqui que São Lucas vai além do número 12, que já expressa sempre uma universalidade. Ele olha além dos horizontes da Ásia e do noroeste da África, e acrescenta outros três elementos: os "Romanos", ou seja, o mundo ocidental; os "judeus e prosélitos", incluindo de modo novo a unidade entre Israel e o mundo; e enfim "Cretenses e Árabes", que representam Ocidente e Oriente, ilhas e terra firme. Esta abertura de horizontes confirma ulteriormente a novidade de Cristo na dimensão do espaço humano, da história das gentes: o Espírito Santo envolve homens e povos e, através deles, supera muros e barreiras.
No Pentecostes, o Espírito Santo manifesta-se como fogo. A sua chama desceu sobre os discípulos reunidos, acendeu-se neles e infundiu-lhes o novo ardor de Deus. Realiza-se assim aquilo que o Senhor Jesus tinha predito: "Vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já tivesse sido ateado!" (Lc 12, 49). Juntamente com os fiéis das diversas comunidades, os Apóstolos levaram esta chama divina até aos extremos confins da Terra; abriram assim um caminho para a humanidade, uma senda luminosa, e colaboraram com Deus que com o seu fogo quer renovar a face da terra. Como é diferente este fogo, daquele das guerras e das bombas! Como é diverso o incêndio de Cristo, propagado pela Igreja, em relação aos que são acendidos pelos ditadores de todas as épocas, também do século passado, que atrás de si deixam terra queimada. O fogo de Deus, o fogo do Espírito Santo, é aquele da sarça que ardia sem se consumir (cf. Êx 3, 2). É uma chama que arde, mas não destrói; aliás, ardendo faz emergir a parte melhor e mais verdadeira do homem, como numa fusão faz sobressair a sua forma interior, a sua vocação à verdade e ao amor.
Um Padre da Igreja, Orígenes, numa das suas Homilias sobre Jeremias, cita um dito atribuído a Jesus, não contido nas Sagradas Escrituras mas talvez autêntico, que reza assim: "Quem está comigo está junto do fogo" (Homilia sobre Jeremias l. I [III]). Com efeito, em Cristo habita a plenitude de Deus, que na Bíblia é comparado com o fogo. Há pouco pudemos observar que a chama do Espírito Santo arde mas não queima. E todavia, ela realiza uma transformação, e por isso deve consumir algo no homem, as escórias que o corrompem e o impedem nas suas relações com Deus e com o próximo. Porém, este efeito do fogo divino assusta-nos, temos medo de nos "queimar", preferiríamos permanecer assim como somos. Isto depende do facto que muitas vezes a nossa vida é delineada segundo a lógica do ter, do possuir, e não do doar-se. Muitas pessoas crêem em Deus e admiram a figura de Jesus Cristo, mas quando se lhes pede que abandonem algo de si mesmas, então elas recuam, têm medo das exigências da fé. Existe o temor de ter que renunciar a algo de bonito, ao que estamos apegados; o temor de que seguir Cristo nos prive da liberdade, de certas experiências, de uma parte de nós mesmos. Por um lado, queremos permanecer com Jesus, segui-lo de perto, e por outro temos medo das consequências que isto comporta.
Caros irmãos e irmãs, temos sempre necessidade de ouvir o Senhor Jesus dizer-nos aquilo que Ele repetia aos seus amigos: "Não tenhais medo!". Como Simão Pedro e os outros, temos que deixar que a sua presença e a sua graça transformem o nosso coração, sempre sujeito às debilidades humanas. Temos que saber reconhecer que perder algo, aliás, perder-se a si mesmo pelo Deus verdadeiro, o Deus do amor e da vida, é na realidade ganhar, encontrar-se mais plenamente a si próprio. Quem se confia a Jesus experimenta já nesta vida a paz e a alegria do coração, que o mundo não pode dar, e nem sequer pode tirar, uma vez que foi Deus quem no-las concedeu. Portanto, vale a pena deixar-se tocar pelo fogo do Espírito Santo! A dor que nos causa é necessária para a nossa transformação. É a realidade da cruz: não é por acaso que, na linguagem de Jesus, o "fogo" é sobretudo uma representação do mistério da cruz, sem o qual o cristianismo não existe. Por isso, iluminados e confortados por estas palavras de vida, elevemos a nossa invocação: Vinde, Espírito Santo! Ateai em nós o fogo do vosso amor! Sabemos que esta é uma oração audaz, com a qual pedimos para ser tocados pela chama de Deus; mas sabemos sobretudo que esta chama – e só ela – tem o poder de nos salvar. Para defender a nossa vida, não queremos perder a vida eterna que Deus nos quer conceder. Temos necessidade do fogo do Espírito Santo, porque só o Amor redime. Amém!(grifos meus)
quinta-feira, 9 de junho de 2011
A Cruz de ferro

"Durante a guerra de 1914, uma patrulha de soldados alemães foi, um dia, cercada por um exército russo. Não podia duvidar-se do desfecho da luta....Os alemães tinham-se refugiado numa barraca. O oficial inimigo convidou-os a render-se; respondeu-lhe desesperado tiroteio. Os russos retorquiram-lhes com uma tempestade de metralha que se prolongou até que as armas alemãs emudeceram....até que a pequena patrulha atirou a última bala.
Ao forçarem, depois, a porta da barraca, ficaram profundamente emocionados perante o espetáculo que se oferecia a seus olhos: No meio dos seus soldados mortos, jazia o tenente Griesheim, seu comandante, todo coberto de sangue, mas ainda vivo... Ele não era já o inimigo mas o camarada que sofria. O oficial russo inclinou-se sobre ele e perguntou-lhe comovidamente: "O Senhor sabia que éramos cem contra um. Porque não se rendeu?"
Com um supremo esforço, o tenente ergueu-se, e, mostrando a Cruz de ferro pregada no peito, disse: "Entre nós, aquele que traz esta distinção não se rende"
Meu filho: se tiveres combates difíceis a travar no caminho do teu caráter, lembra-te também da Cruz que o Senhor pôs sobre teu coração no dia do teu Batismo, e dize-lhe bem alto nesses momentos:
"Que importa o mundo e suas fantasias,
seus cantos e ditos de adulação?
Eu trago a Cruz em rosto de alegria,
e o seu amor me enche o coração!" (Elchert)
Fonte: Tihamer Toth......Jovens de Carater - este é um dos autores que mais amo, por suas palavras simples, poeticas e que me faz pensar e querer crescer em santidade sempre, para honrar a Deus, nosso Pai amantíssimo!!
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
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