segunda-feira, 27 de junho de 2011

Testemunho de Gianna Jessen, que sobreviveu a um aborto parte 1

Vale a pena ver este vídeo, é tocante!

As Razões de nossa Esperança


O cardeal Newman, no seu sermão sobre A Verdade do Evangelho, afirma que "não nos deve estranhar sermos atacados e desprezados por aqueles que tem mais facilidade em atacar as crenças alheias do que em definir as próprias.Uma cultura a meias é muito perigosa. Quando as pessoas pensam saber mais do que os outros, dedicam-se muitas vezes a falar por falar, a fim de darem provas da sua capacidade intelectual(segundo pensam), da sua esperteza ou da sua profundidade.E falam tolamente de Deus-Todo-Poderoso, sómente para satisfazerem a sua vazia presunção e vaidade. Na maioria das vezes, de nada serve discutir com essas pessoas, já que, não tendo sido educadas para obedecer à sua consciência, refrear as suas paixões e examinar os seus corações, não aceitarão nada do que lhe digamos; duvidarão de tudo e opor-se-ão a tudo, não partem das mesmas bases que nós e, quando falam de religião, são como cegos que falassem de cores."

Todos reconhecemos imediatamente a sabedoria destas palavras do cardeal inglês; mesmo assim,estaríamos cometendo um grave erro se fizéssemos da obstinação dos incrédulos uma desculpa para a nossa ignorância.Mesmo que os outros não estejam dispostos a dar ouvido às nossas respostas, é importante que nós, pelo menos,as conheçamos.

Nem todos os ateus são vítimas de seu orgulho ou malícia; encontraremos alguns que buscam sinceramente a verdade, tateiam no escuro em busca de luz, com as suas inteligencias honestamente dispostas a crer. É para o bem dessas pessoas que, como diz São Pedro, devemos estar sempre preparados para dar as razões da nossa esperança a todo aquele que a pedir(I Pe 3,15).

Além disso, devemos convencer-nos de que não é necessário ser nenhum gigante intelectual para compreender e levar os outros a compreenderem como são razoáveis as verdades de nossa fé. Deus não criou o gênero humano com a intenção de só permitir a uns poucos genios alcançarem o céu, antes tornou as provas de sua existência e o conhecimento da sua verdade acessíveis a qualquer pessoa de inteligência normal e boa vontade.

Com efeito, no que diz respeito a religião, é muito importante dispor de um sólido senso comum do que um título universitário. Todos sabemos que há um cem número de "tolos instruídos" neste mundo, gente que aprendeu um infinidade de coisas nos seus livros e nos seus laboratórios, e no entanto é incapaz de conduzir um raciocínio linear até sua conclusão lógica.

A educação é uma bela flor quando se encontra enxertada numa mente dotada de bons critérios, capaz de discernir com prudência; mas se estiver enxertada numa inteligência superficial, egoísta ou torcida, essa rosa não passará de uma assa-fétida...

Há pessoas que afirmam ter perdido a fé durante os estudos universitários; receio; porém, que, na verdade, simplesmente se tenham esquecido desse fato elementar. Na juventude ensinaram-lhes que deviam ter reverência pela idade e pela experiência dos mais velhos, e muitas vezes incutiram-lhes falsas noções sobre a importância da "Educação Superior" (com maíusculas), esse tipo especial de educação que parece estar associada a uma cátedra universitária ou à autoria de grossos manuais universitários.

Por isso, a tendencia natural do jovem para escolher e venerar os seus heróis leva-o muitas vezes a centrar-se em algum professor bem-falante, muito mais dogmático no seu ateísmo do que o Papa jamais o foi em matéria de fé. Nestes casos, o sorriso de comiseração diante dos "absurdos a que conduz a religião", ou uma referência tangencial à "infantilidade dos dogmas teológicos", bastam muitas vezes para levar o pobre calouro a pensar que os seus religiosos pais, o sacerdote de sua paróquia ou as freirinhas que lhe ensinaram as primeiras letras estão mais do que ultrapassados pela ciência moderna...

Tenho em minha mesa um livro-texto escrito pelo professor titular de uma importante Universidade pública. Pretende ser uma História da Civilização Ocidental e constitui leitura obrigatória em muitos cursos superiores de História de todo o país. Pois bem,no capítulo sobre as "Orígens da religião", o autor começa por dizer:"Os historiadores e antropólogos atuais são unânimes em afirmar que a religião surgiu porque o homem primitivo era incapaz de dar uma explicação naturalista dos fatos da vida e da natureza, tal como podia observá-los.[...]O homem moderno, equipado com os recursos que a ciencia moderna lhe oferece, da astronomia à psiquiatria e sociologia, encontra-se capacitado para dar uma explicação naturalista convincente de quase todos os fatos que o homem primitivo observava e experimentava sem lhes encontrar explicação".

Seguem-se várias páginas repletas de uma verborréia pseudo-cientifica, destinada única e exclusivamente a demontrar que a religião não passa de uma relíquia ultrapassada, própria do homem pré-histórico. Só consigo sentir pena do confuso e frustrado estudante que tente ser aprovado na matéria lecionada por esse professor e ao mesmo tempo permanecer fiel as suas convicções.

Por outro lado, diverte-me especialmente o fato de o mencionado professor utilizar a palavra unânime, como se não houvesse historiadores católicos, como se homens do porte de Carlton Hayes, um Parker Moon e uma legião de outras autoridades da História da Religião internacionalmente conhecidas - muitos dos quais acabaram por converter-se ao Catolicismo graças aos seus estudos - pudessem ser varridos do mapa com um simples aceno de mão.

Pior ainda do que essa ignorância voluntária, porém, é o preconceito tranquilamente defendido de que não há provas da existência de Deus. Ora, é evidente que essas provas existem - provas sólidas, racionais e convincentes; provas não sómente da existência de Deus, mas também da origem divina da Igreja Católica.

Não se trata de provas esmagadoras, irresistíveis. Se o fossem, se a existência de Deus, a divindade de Cristo ou a origem divina da Igreja fossem verdades evidentes (tal com é evidente a existência do sol quando se está exposto à luz do meio dia), não haveria nenhum mérito em crer.

Ora, Deus não deseja forçar-nos a crer, não nos obriga a aceitá-lo. Mas, pelo menos por amor à verdade, convém que conheçamos essas provas e nos familiarizemos com essas evidências, pois a nossa fé pode ser - e efetivamente é - fortalecida pela luz da razão.

(Depois veremos: Deus Existe? Do Nada, Nada se Cria)

Veja: O Cristão e o descrente

Fonte:A Sabedoria do Cristão -
Padre Léo Trese

domingo, 26 de junho de 2011

A Vida Eterna - o que é?


Por sua santidade Papa Bento XVI - Encíclica Spe Salvi


"Até agora estivemos a falar da fé e da esperança no Novo Testamento e nos inícios do cristianismo, mas deixando sempre claro que não se tratava apenas do passado; toda a reflexão feita tem a ver com a vida e a morte do homem em geral e, portanto, interessa-nos também a nós, aqui e agora. Chegou o momento, porém, de nos colocarmos explicitamente a questão: para nós, hoje a fé cristã é também uma esperança que transforma e sustenta a nossa vida? Para nós aquela é « performativa » – uma mensagem que plasma de modo novo a mesma vida – ou é simplesmente « informação » que, entretanto, pusemos de lado porque nos parece superada por informações mais recentes?

Na busca de uma resposta, desejo partir da forma clássica do diálogo, usado no rito do Baptismo, para exprimir o acolhimento do recém-nascido na comunidade dos crentes e o seu renascimento em Cristo. O sacerdote perguntava, antes de mais nada, qual era o nome que os pais tinham escolhido para a criança, e prosseguia: « O que é que pedis à Igreja? ». Resposta: « A fé ». « E o que é que vos dá a fé? ». « A vida eterna ». Como vemos por este diálogo, os pais pediam para a criança o acesso à fé, a comunhão com os crentes, porque viam na fé a chave para a « vida eterna ». Com efeito hoje, como sempre, é disto que se trata no Baptismo, quando nos tornamos cristãos: é não somente um acto de socialização no âmbito da comunidade, nem simplesmente de acolhimento na Igreja. Os pais esperam algo mais para o baptizando: esperam que a fé – de que faz parte a corporeidade da Igreja e dos seus sacramentos – lhe dê a vida, a vida eterna.

Fé é substância da esperança. Aqui, porém, surge a pergunta: Queremos nós realmente isto: viver eternamente? Hoje, muitas pessoas rejeitam a fé, talvez simplesmente porque a vida eterna não lhes parece uma coisa desejável. Não querem de modo algum a vida eterna, mas a presente; antes, a fé na vida eterna parece, para tal fim, um obstáculo. Continuar a viver eternamente – sem fim – parece mais uma condenação do que um dom. Certamente a morte queria-se adiá-la o mais possível. Mas, viver sempre, sem um termo, acabaria por ser fastidioso e, em última análise, insuportável. É isto precisamente que diz, por exemplo, o Padre da Igreja Ambrósio na sua elegia pelo irmão defunto Sátiro: « Sem dúvida, a morte não fazia parte da natureza, mas tornou-se natural; porque Deus não instituiu a morte ao princípio, mas deu-a como remédio. Condenada pelo pecado a um trabalho contínuo e a lamentações insuportáveis, a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve de pôr fim a estes males, para que a morte restituísse o que a vida tinha perdido. Com efeito, a imortalidade seria mais penosa que benéfica, se não fosse promovida pela graça ».[6] Antes, Ambrósio tinha dito: « Não devemos chorar a morte, que é a causa de salvação universal »[7].

Independentemente do que Santo Ambrósio quisesse dizer precisamente com estas palavras, é certo que a eliminação da morte ou mesmo o seu adiamento quase ilimitado, deixaria a terra e a humanidade numa condição impossível e nem mesmo prestaria um benefício ao indivíduo. Obviamente há uma contradição na nossa atitude, que evoca um conflito interior da nossa mesma existência. Por um lado, não queremos morrer; sobretudo quem nos ama não quer que morramos. Mas, por outro, também não desejamos continuar a existir ilimitadamente, nem a terra foi criada com esta perspectiva. Então, o que é que queremos na realidade? Este paradoxo da nossa própria conduta suscita uma questão mais profunda: o que é, na verdade, a « vida »? E o que significa realmente « eternidade »?

Há momentos em que de repente temos a sua percepção: sim, isto seria precisamente a « vida » verdadeira, assim deveria ser. Em comparação, aquilo que no dia-a-dia chamamos « vida », na verdade não o é. Agostinho, na sua extensa carta sobre a oração, dirigida a Proba – uma viúva romana rica e mãe de três cônsules –, escreve: no fundo, queremos uma só coisa, « a vida bem-aventurada », a vida que é simplesmente vida, pura « felicidade ». No fim de contas, nada mais pedimos na oração. Só para ela caminhamos; só disto se trata. Porém, depois Agostinho diz também: se considerarmos melhor, no fundo não sabemos realmente o que desejamos, o que propriamente queremos. Não conhecemos de modo algum esta realidade; mesmo naqueles momentos em que pensamos tocá-la, não a alcançamos realmente. « Não sabemos o que convém pedir » – confessa ele citando São Paulo (Rm 8,26). Sabemos apenas que não é isto. Porém, no facto de não saber sabemos que esta realidade deve existir. « Há em nós, por assim dizer, uma douta ignorância » (docta ignorantia) – escreve ele. Não sabemos realmente o que queremos; não conhecemos esta « vida verdadeira »; e, no entanto, sabemos que deve existir algo que não conhecemos e para isso nos sentimos impelidos.[8]

Penso que Agostinho descreve aqui, de modo muito preciso e sempre válido, a situação essencial do homem, uma situação donde provêm todas as suas contradições e as suas esperanças. De certo modo, desejamos a própria vida, a vida verdadeira, que depois não seja tocada sequer pela morte; mas, ao mesmo tempo, não conhecemos aquilo para que nos sentimos impelidos. Não podemos deixar de tender para isto e, no entanto, sabemos que tudo quanto podemos experimentar ou realizar não é aquilo por que anelamos. Esta « coisa » desconhecida é a verdadeira « esperança » que nos impele e o facto de nos ser desconhecida é, ao mesmo tempo, a causa de todas as ansiedades como também de todos os ímpetos positivos ou destruidores para o mundo autêntico e o homem verdadeiro.

A palavra « vida eterna » procura dar um nome a esta desconhecida realidade conhecida. Necessariamente é uma expressão insuficiente, que cria confusão. Com efeito, « eterno » suscita em nós a ideia do interminável, e isto nos amedronta; « vida », faz-nos pensar na existência por nós conhecida, que amamos e não queremos perder, mas que, frequentemente, nos reserva mais canseiras que satisfações, de tal maneira que se por um lado a desejamos, por outro não a queremos. A única possibilidade que temos é procurar sair, com o pensamento, da temporalidade de que somos prisioneiros e, de alguma forma, conjecturar que a eternidade não seja uma sucessão contínua de dias do calendário, mas algo parecido com o instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade. Seria o instante de mergulhar no oceano do amor infinito, no qual o tempo – o antes e o depois – já não existe. Podemos somente procurar pensar que este instante é a vida em sentido pleno, um incessante mergulhar na vastidão do ser, ao mesmo tempo que ficamos simplesmente inundados pela alegria. Assim o exprime Jesus, no Evangelho de João: « Eu hei-de ver-vos de novo; e o vosso coração alegrar-se-á e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria » (16,22). Devemos olhar neste sentido, se quisermos entender o que visa a esperança cristã, o que esperamos da fé, do nosso estar com Cristo.[9]

Continue lendo - Spe Salvi - Papa Bento XVI

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi_po.html
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sábado, 25 de junho de 2011

Cristãos devem ter coragem de falar da Vida Eterna


Por sua Santidade Bento XVI

"A obediência a Deus tem a primazia" e torna o homem verdadeiramente livre, inclusive para opor-se à ditadura do conformismo. Recordo as palavras de São Pedro no sinédrio, que afirmou: "Deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens. E preciso sublinhar que a obediência a Deus dá a Pedro a liberdade de opor-se à suprema instituição religiosa.

Pelo contrário, nos tempos modernos, teorizou-se a libertação do homem, também da obediência a Deus: o homem seria livre, autônomo e nada mais. Mas esta autonomia é uma mentira, uma mentira ontológica, porque o homem não existe para si mesmo e por si mesmo; é uma mentira política e prática, porque a colaboração e a partilha das liberdades são necessárias e, se Deus não existe, se Deus não é uma instância acessível ao homem, permanece como suprema instância somente o consenso da maioria.

Depois o consenso da maioria, torna-se a última palavra à qual devemos obedecer, e este consenso - sabemo-lo da historia do século passado - pode ser também um consenso no mal. Assim, vemos que a chamada autonomia não liberta o homem. As ditaduras estiveram sempre contra esta obediência a Deus. A ditadura nazista, assim como aquela marxista, não podem aceitar um Deus acima do poder ideológico e a liberdade dos mártires que reconhecem Deus... é sempre o ato da libertação, no qual chega a liberdade de Cristo a nós.

Hoje, no entanto, existem formas sutis de ditadura: Um conformismo pelo qual se torna obrigatório pensar como pensam todos, agir como agem todos, e a sutil agressão contra a Igreja, ou também menos sutil, mostram como este conformismo pode realmente ser uma verdadeira ditadura. Para os cristãos, obedecer antes a Deus do que aos homens supõe que se conheça verdadeiramente a Deus e querer verdadeiramente obedecer.

Nós, muitas vezes, temos um pouco de medo de falar da vida eterna. Falamos das coisas que são úteis para o mundo, mostramos que o cristianismo ajuda também a melhorar o mundo, mas que a sua meta seja a vida eterna e que da meta venham depois os critérios da vida, não ousamos dizê-lo. Então devemos, pelo contrário, ter a coragem, a alegria, a grande esperança de que a vida eterna existe, que é a vida verdadeira e que desta vida verdadeira vem a luz que ilumina também este mundo.

Nesta perspectiva , "a penitência é uma graça, graça que nós reconheçamos o nosso pecado, que reconheçamos que precisamos de renovação, de mudança, de uma transformação do nosso ser. Devo dizer que nós, cristãos, também nos últimos tempos, muitas vezes evitamos a palavra penitência, que nos parece dura demais. Agora, sob os ataques do mundo que nos falam dos nossos pecados, vemos que poder fazer penitência é graça e vemos como é necessário fazer penitência, isto é, reconhecer aquilo que está errado na nossa vida. Abrir-se ao perdão, preparar-se para o perdão, deixar-se transformar. A dor da penitência, isto é, da purificação e da transformação, esta dor é graça, porque é renovação, é obra da Misericórdia divina".

( Papa Bento na Missa para os membros da Pontifícia Comissão Bíblica)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Chesterton


“A Igreja tem o que o mundo não tem. A própria vida não atende tão bem como a Igreja à todas as necessidades do viver. A Igreja pode orgulhar-se de sua superioridade sobre todas as religiões e todas as filosofias. Aonde tem os estóicos um Menino Jesus? Aonde está Nossa Senhora dos muçulmanos, a mulher que não foi feita para nenhum homem, e que está sentada acima de todos os anjos? Qual é o São Miguel de Buda, cavaleiro e soldado, que tem preparada uma espada [...]? Que poderia fazer Santo Tomás de Aquino na mitologia do bramanismo, ele que estabeleceu a ciência e o racionalismo da Cristandade?[...] Como teria sido Francisco Trovador entre os calvinistas [...]? Como teria vivido Joana D’arc, uma mulher, esgrimindo a espada que conduzia a guerra, entre os quackers e os pacifistas [...]?” (G. K. Chesterton, O Homem Eterno).

Solenidade de São João Batista


"O Senhor chamou-me, quando eu ainda estava no seio da minha mãe" (Is 49, 1).

Celebramos hoje o nascimento de São João Baptista. As palavras do profeta Isaías aplicam-se bem a esta grande figura bíblica que se situa entre o Antigo e o Novo Testamento. Na longa esteira dos profetas e dos justos de Israel João, o "Baptista", foi colocado pela Providência imediatamente antes do Messias, para lhe aplanar o caminho com a pregação e o testemunho da vida.

Entre todos os Santos e Santas, João é o único do qual a Liturgia celebra o nascimento. Ouvimos na primeira Leitura que o Senhor chamou o seu Servo "que estava no seio materno". Esta afirmação refere-se na sua plenitude a Cristo mas, quase por reflexo, pode-se aplicar também ao Precursor. Ambos vem à luz graças a uma intervenção especial de Deus: o primeiro nasce da Virgem, o segundo de uma mulher idosa e estéril. Desde o seio materno João prenuncia Aquele que revelará ao mundo a iniciativa de amor de Deus.

"O seu nome é João" (Lc 1, 63). Zacarias confirma aos parentes admirados o nome do filho, escrevendo-o numa tábua. O próprio Deus, através do seu anjo, indicara aquele nome, que em hebraico significa "Deus é favorável". Deus é favorável ao homem: quer a sua vida, a sua salvação. Deus é favorável ao seu povo: quer fazer dele uma bênção para todas as nações da terra. Deus é favorável à humanidade: guia o seu caminho rumo à terra onde reinam paz e justiça. Tudo isto está inscrito naquele nome: João!

São Joao Baptista, modelo perene de fidelidade a Deus e à sua Lei. Ele preparou para Cristo o caminho com o testemunho da palavra e da vida. Imita-o com generosidade dócil e confiante.

São João Baptista é, antes de mais nada, modelo de fé. Na esteira do grande profeta Elias, para ouvir melhor a Palavra do único Senhor da sua vida, ele deixa tudo e retira-se para o deserto, de onde fará ressoar o convite a aplanar os caminhos do Senhor (cf. Mt 3, 3 ss.).

É modelo de humildade, porque responde a todos os que veem nele não só um Profeta, mas até o Messias: "Eu não sou Quem julgais; mas vem, depois de mim, Alguém cujas sandálias nao sou digno de desatar" (Act 13, 25).

É modelo de coerência e de coragem quando defende a verdade, pela qual está disposto a pagar pessoalmente, com a prisão e a morte.

São João Batista - Rogai por Nós!

(Palavras de agora Beato, João Paulo II)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Aborto - O Argumento Eugenésico




Por Comarc Burke

" O primeiro argumento é a chamada indicação " eugenésica"; em outras palavras, a probabilidade de que a criança já concebida possa nascer com algum defeito mental ou físico. Todas as leis abortistas modernas incluem uma cláusula legalizando o aborto por motivos eugenésicos. A clausula costuma ser muito curta, e muitas pessoas provavelmente olham-na como uma recomendação a mais, do mesmo tipo mais ou menos que as outras.

Mas não é assim!

Se a filosofia de vida que subjaz às outras indicações é repelente, a ideologia subjacente a esta cláusula é infinitamente pior. Esclarecemos muito bem este ponto: tal recomendação não é fruto de um mero hedonismo egoísta, nem produto de um materialismo individualista sem senso de direção nem valores....Através dessa pequena cláusula, há uma filosofia repugnante, poderosa e evidente, que vem abrindo caminho - um caminho legal -, nos países ocidentais. A filosofia, ou melhor, a ideologia dessa cláusula é a da pureza racial, e difere muito pouco, ou nada, da ideologia hitlerista. Pois o eugenismo, afinal de contas, significa apenas isto: não queremos nenhuma raça inferior, não queremos nenhum indivíduo sub-standard, " abaixo do padrão", que possa perturbar a tranquila contemplação do nosso Admirável Mundo Novo, pedindo compaixão, clamando por caridade e afeição, ou simplesmente recordando-nos que existe um Deus a quem devemos ser gratos pelas coisas boas de que desfrutamos.

Vidas que não são dignas de serem vividas

Não esqueçamos o que essa cláusula significa na prática. Significa que, de cada vez que é aplicada, uma ou várias pessoas estão fazendo o seguinte juízo:" Na minha opinião, essa vida" - e estão falando de outro ser humano já existente -, "essa vida não é digna de ser vivida. É (ou melhor, pode tornar-se mais tarde) tão defeituosa que é melhor para ela morrer agora".
Esta crítica, devemos nota-lo, aplica-se também aos que sustentam que o feto ainda não é uma pessoa humana, pois estão fazendo o mesmo juízo: " Essa vida que - a menos que nós a matemos - se tornará uma pessoa humana que não merecerá ser vivida. Portanto, matemo-la"

A única base essencial para o que chamamos direitos democráticos é que todo o ser humano é um valor inviolável; e que ninguém - nenhum Estado, nenhuma autoridade, nenhuma pessoa - pode decidir que a vida do outro é inútil e dispensável. Pode-se chegar à conclusão de que alguém está vivendo em condições indignas de um ser humano, e a partir daí fazer todo os esforços para remediar essas condições. Isso é humanistarismo, é julgar que alguém não é digno de viver - mesmo que tenha de viver em condições indignas de um ser humano. Este juízo não seria um juízo humanitário, mas totalitário. Quando alguém o omite, põe fim ao humanitarismo.

Consequências do Eugenismo

Os argumentos eugenésicos estão sujeitos a inúmeras outras críticas. Limitar-me-ei a apontar duas:

1 - Nunca se pode fazer com certeza absoluta o prognóstico de que uma criança pode nascer defeituosa. Se se praticam abortos com base nestes prognósticos, o resultado será que, numa porcentagem bastante elevada (segundo algumas estimativas, até 50%), se matarão crianças totalmente normais. Seria muito mais lógico, se se parte do ponto de vista eugenésico ( e, se os eugenistas se consideram humanitários seria também muito mais humanitário para eles) deixar todas essas gestações chegarem a seu termo e, uma vez nascidas as crianças, matar aquelas que se viesse a comprovar que realmente eram defeituosas. Se alguém diz que isto é demasiado repugnante, concordo plenamente. Mais repugnante ainda é a lógica do eugenismo.

2 - Se, em virtude do princípio de que uma vida defeituosa não merece ser vivida, for humano matar a fim de prevenir o nascimento de uma pessoa que pode vir a tornar-se defeituosa, é inquestionavelmente mais humano ainda matar uma pessoa que se tornou defeituosa, matar uma pessoa defeituosa já nascida, quer tenha um dia ou um ano de idade, ou vinte ou quarenta ou sessenta. E essa pessoa pode ser morta porque (é um ponto inerente ao mesmo princípio) não possui a vida humana com pleno direito. O seu defeito mental ou físico tornou-se defeituoso o seu direito à vida. Pode ser morta, não talvez pelo " defeito" de ser judia, mas por ser psicótica, aleijada, cronicamente doente ou simplesmente velha.

- A aceitação do aborto eugenésico significa - esteja o público consciente ou não desta realidade - a aceitação não só dos princípios subjacentes à eutanásia, mas de todos os princípios da política de pureza racial: o princípio da eliminação do deficiente, dos que são indignos de viver, dos que não estão à altura dos padrões de qualidade estabelecidos para a raça humana...

Mas certamente - já estou ouvindo a objeção -, tudo isso é bastante exagerado não é? Não. Não é nenhum exgaero. É apenas uma projeção. Simplesmente desenvolve as consequências lógicas das novas filosofias abortistas e projeta-as sobre a vida prática de um futuro talvez não muito longíquo. O mundo de amanhã será produto das tendências e das ideologias que prevalecerem no mundo de hoje Como será esse mundo? É algo a ser pensado, enquanto ainda houver tempo para pensar. Não é este o momento de brincarmos de avestruzes, escondendo nossas cabeças na areia; É de uma responsabilidade elementar ler os sinais dos tempos, ver para onde se dirige uma grande parte de nossa civilização moderna, e perguntar-nos se nós também queremos seguir nesssa direção. Preferir não nos fazermos essa pergunta é o caminho mais seguro para que cedo ou tarde nos vejamos arrastados nessa mesma direção.

Auto-Excomunhão da Humanidade...

Seja-me permitido enfatizar mais uma vez o que disse antes. O aborto - quer tolerado, quer legalizado, quer olhando com indiferença ou aprovação - representa um extremo de barbárie difícil de ser superado. Perder-se-ia muito bem ver nele um símbolo de como a nossa civilização parece inclinada a destruir as verdadeiras sementes de sobrevivência que traz dentro de si.
É compreensível que a Igreja deseje sublinhar a gravidade desse "crime abominável", decretanto uma excomunhão ipso facto não somente para a mulher que pratica o aborto, mas também para todos os que intervêm nele diretamente, mesmo que somente a tenham aconselhado a pratica-lo ( Código de Direito Canônico, cânones 1398 e 1329).

Um abortista - continuo a pensar sobretudo naqueles que procuram justificar esse crime - excomunga-se a si mesmo da mais elementar comunidade humana, a comunidade daqueles que se esforçam por respeitar os direitos humanos dos outros, seja qual for sua religião, raça, cor, posição social, estado de saúde físico ou mental, ou idade.

O Argumento Demográfico

O segundo argumento recente que se vem utilizando em favor do aborto é imposto como um modo de controlar a natalidade. Em outros lugares, por enquanto, a situação é a inversa, isto é, a propaganda constante sobre a superpopulação atua como um fator favorável ao aborto. Na medida em que a opinião pública vai sendo levada a pensar que não se deve ter mais do que um ou dois filhos, que se trata de um dever imperativo e urgente, que o seu não cumprimento deve ser encarado, a princípio, como uma total falta de responsabilidade e, a seguir, como um crime flagrante contra a sociedade..... - então torna-se progressivamente mais fácil persuadir o público de que o aborto não é um crime; que, longe de ser um crime, pode ser o melhor meio e o mais apropriado de levar as pessoas a cumprir um estrito dever.

É lógico que aqueles simpatizantes com este "argumento"devem também ficar encantados com a idéia de que o aborto é, sem sombra de dúvida, o meio mais eficaz de conter o crescimento da população. Não se requer nenhum grau excepcional de inteligência para compreender que o melhor meio de assegurar que não haverá excesso de população é matar os "excedentes". Este é, em toda sua crueza, o modo de pensar de algumas pessoas, embora ainda não ousem expressa-lo de maneira tão brutal. Mas, na verdade, o assunto é brutal; a tal ponto que poderíamos muito bem pedir aos que pensam desse modo que nos expliquem se há alguma diferença real, como meio, entre bisturi e a metralhadora.

Fonte: Amor e casamento - Cormac Burke - Quadrante