sexta-feira, 8 de julho de 2011

A Vida da Graça - União entre a nossa Alma e Deus.


A Vida Espiritual - Explicada e Comentada - de Adolfh Tanquerey

Do que dissemos acerca da habitação da SSma.Trindade em nossa alma, resulta que entre nós e o hóspede divino existe uma união moral muito íntima e santificante.

Mas não haverá alguma coisa mais, algo de físico nesta união?

1) Dir-se-ia que as comparações empregadas pelos Santos Padres parecem indicá-lo.

A) Um grande número dentre eles dizem-nos que a união de Deus com a alma é semelhante à da alma com o corpo: "Há duas vidas em nós, diz Santo Agostinho, a vida do corpo e a da alma; a vida do corpo é a alma, a vida da alma é Deus: «sicut vita Corporis anima, sic vita anima e Deus». Tudo isto evidentemente, não são mais que analogias; façamos por destrinchar a verdade que elas contêm:

A união entre o corpo e a alma é substancial, a tal ponto que não formam senão uma única e mesma natureza, uma única e mesma pessoa. O mesmo se não dá na união entre a nossa alma e Deus: nós conservamos sempre a nossa natureza e personalidade, e assim ficamos essencialmente distintos da divindade. Mas, assim como a alma dá ao corpo a vida de que este goza, assim Deus, sem ser a forma da alma, lhe dá a sua vida sobrenatural, vida não igual, mas verdadeira e formalmente semelhante à sua; e esta vida constitui uma união realíssima entre a nossa alma e Deus. Supõe uma realidade concreta que Deus nos comunica e serve de traço de união entre Ele e nós. É certo que esta nova relação nada acrescenta a Deus, mas aperfeiçoa a nossa alma e torna-a deiforme; o Espírito Santo é assim, não causa formal, senão causa eficiente e exemplar da nossa santificação.

B) Esta mesma verdade se deduz da comparação feita por alguns autores entre a união hipostática e a união da nossa alma com Deus. Não há dúvida que a diferença entre ambas é essencial: a união hipostática é substancial e pessoal, pois que a natureza divina e a natureza humana, se bem que perfeitamente distintas, não formam em Jesus Cristo mais que uma única e mesma Pessoa, enquanto a união da alma com Deus pela graça nos deixa a nossa personalidade própria, essencialmente distinta da personalidade divina, e não nos une a Deus senão dum modo acidental. Faze-se, efetivamente, essa união, por intermédio da graça santificante, «acidente» acrescentado à substância da alma; ora, na linguagem escolástica, a união num acidente e de uma substância chama-se união «acidental» .

Nem por isso é menos verdade que a união da alma com Deus se pode dizer uma união de substância a substância, que o homem e Deus estão em contato tão íntimo como o ferro e o fogo que o envolve e penetra, como o cristal e a luz. Para tudo resumir numa palavra, a união hipostática faz um Homem-Deus, a união da graça faz homens divinizados; e, assim como as ações de Cristo são divino-humanas ou teândricas, assim as do justo são deiformes, feitas em comum por Deus e por nós, e, por este título, meritórias da vida eterna, que não é outra coisa senão uma união imediata com a divindade.

A união da graça não é puramente moral, senão que encerra um elemento físico que nos permite chama- la físico-moral: «A natureza divina é verdadeiramente e no seu próprio ser unida à substância da alma por um laço especial, de maneira que a alma justa possui em si a natureza divina, como se lhe pertencesse, e, por conseguinte, possui um caráter divino, uma perfeição de ordem divina, uma beleza divina, infinitamente superior a tudo quanto pode haver de perfeição natural em qualquer criatura existente ou possível»(Pe de Smedt)

2)Se, postas de partes as comparações, estudamos o lado doutrinário do problema, chegamos à mesma conclusão:

A) No céu, os escolhidos vêem a Deus face a face, sem intermédio; a própria essência divina é que desempenha o papel de espécie impressa: «in visione, qua Deus per essentiam videbitur, ipsa divina essentia erit quase forma intellectus quo intelliget» Há, pois, entre eles e a Divindade uma união verdadeira, real, que se pode chamar física, pois que Deus não pode ser visto e possuído se não estiver presente ao espírito dos bem-aventurados pela sua essência, e não pode ser amado, se não estiver efetivamente unido à sua vontade como objeto de amor: Amor est magis unitivus quan cognitio.
Ora, a graça não é outra coisa senão um começo, um germe da glória. Portanto, a união começada na terra entre a nossa alma e Deus pela graça é, afinal, do mesmo gênero que a da glória, real, e em certo sentido física, como ela.

Assim conclui o Pe Froget no seu belo livro de L'Habitation du Saint-Espirit (p. 159), apoiando-se em numerosos textos de Santo Tomás: «Deus está, pois, real, física e substancialmente presente no cristão que possui a graça; e não é simples presença material, é verdadeira posse, acompanhada de um princípio de fruição».

B) Esta mesma conclusão deriva ainda da análise da graça em si mesma. Segundo a doutrina do Doutor Angélico, baseada nos próprios textos da Escritura que citamos, a graça habitual ou santificante é nos dada para gozarmos não somente dos dons divinos, mas também das mesmas Pessoas divinas: «Per donum gratiae gratum facientis perficitur creatura rationalis ad hoc quod libere non solum ipso dono creato utatur, sed ut ipsa divina persona fruatur».

"Ora, acrescenta um discípulo de são Boaventura, para se gozar duma coisa, requer-se a presença desse objeto, e, por conseguinte, para gozar do Espírito Santo é necessária a sua presença bem como o dom criado que a Ele nos une. E, como a presença do dom criado é real e física, não deverá ser também do mesmo gênero a do Espírito Santo"?

Assim pois, tanto as deduções da fé, como as comparações dos Santos Padres autorizam-nos a dizer que a união da nossa alma com Deus pela graça não é somente moral; tão pouco se pode qualificar de substancial em sentido próprio, mas a tal ponto é real que se pode chamar físico-moral. Como ela fica ao mesmo tempo velada e obscura, e como é progressiva (neste sentido que percebemos tanto melhor os seus efeitos quanto mais cultivamos a fé e os dons do Espírito Santo), as almas fervorosas, que aspiram à união divina, sentem-se vivamente estimuladas a avançar cada dia na prática das virtudes e dos dons.

Depois veremos: Das virtudes e dos dons ou das faculdades da ordem sobrenatural

Estudo:


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Chesterton


"É fácil ser louco; é fácil ser herege. É sempre fácil deixar que cada época tenha a sua cabeça; o difícil é não perder a própria cabeça. É sempre fácil ser um modernista; assim como é fácil ser um snob. Cair em qualquer uma das ciladas explícitas de erro é exagero que um modismo depois de outro e uma seita depois de outra espalharam ao longo da trilha histórica do Cristianismo — isso teria sido de fato simples. É sempre simples cair; há um número infinito de ângulos para levar alguém à queda, e apenas um para mantê-lo de pé. Cair em qualquer um dos modismos, do agnosticismo à Ciência Cristã, teria de fato sido óbvio e sem graça. Mas evitá-los a todos tem sido uma estonteante aventura; e na minha visão a carruagem celestial voa esfuziante atravessando as épocas. Enquanto as monótonas heresias estão esparramadas e prostradas, a furiosa Verdade cambaleia, mas segue de pé.


******

O Esplendor do Catolicismo


"A única, a verdadeira apologia do cristianismo pode se reduzir a dois argumentos: os santos que a Igreja produziu e a arte que germinou em seu seio. O Senhor torna-se crível pela magnificência da santidade e da arte, que explodem dentro da comunidade crente" - Papa Bento XVI

***

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A Vida da Graça - do organismo da vida cristã



A Vida Espiritual - Explicada e Comentada - de Adolfh Tanquerey

As três divinas Pessoas, que habitam o santuário da nossa alma comprazem-se a enriquecer de dons sobrenaturais, e comunicam-nos vida semelhante à sua, que se chama vida da graça ou vida deiforme.
Ora, em qualquer vida há um tríplice elemento: um princípio vital, que é, por assim dizer, a fonte da vida; faculdades, que permitem produzir atos vitais, enfim, que são os produtos dessas faculdades e contribuem para o seu desenvolvimento.

Na ordem sobrenatural, o Deus, que em nós vive, produz em nossas almas esses três elementos:

A- Comunica-nos, primeiro, a graça habitual ou santificante, que desempenha em papel de princípio vital sobrenatural: diviniza, por assim dizer, a própria substância da nossa alma, tornando-a apta, posto que remotamente, para a visão beatífica e para os atos que a preparam.

B- Desta graça derivam as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo, que aperfeiçoam as nossas faculdades e nos dão o poder imediato de praticar atos deiformes, sobrenaturais e meritórios.

C- Para pôr em movimento estas faculdades, concede-nos graças atuais que nos iluminam a inteligência, fortificam a vontade e ajudam a praticar atos e a aumentar assim o capital de graça habitual que nos foi concedido.

Esta vida da graça, se bem que distinta da vida natural, não lhe é simplesmente sobreposta, senão que por completo a penetra, transforma e diviniza. Assimila tudo quanto há de bom em nossa natureza, educação, hábitos adquiridos, aperfeiçoa e sobrenaturaliza todos estes elementos, orientando-os para o último fim, isto é, para a posse de Deus, pela visão beatífica e amor que a acompanha. É esta a esta vida sobrenatural que compete dirigir a vida natural, em virtude do princípio geral, que os seres inferiores são subordinados aos superiores. É que, na verdade, não pode durar nem se desenvolver-se, se não domina e conserva sob a sua influência os atos da inteligência, da vontade e das outras faculdades; e com isso não destrói nem diminui a natureza, antes a exalta e aperfeiçoa

Da Graça Habitual ou Santificante

Deus Nosso Senhor, querendo, na sua infinita bondade, elevar-nos até Si, na medida em que o permite a nossa fraca natureza, dá- nos um princípio vital sobrenatural, deiforme: é a graça habitual, graça que se chama criada, por oposição à graça incriada, que consiste na habitação do Espírito Santo em nós. Esta graça torna-nos semelhantes a Deus e une-nos a Ele duma maneira estreitíssima: «Est autem haec c catio, deo quaedam, quoad fieri potest, assimila tio unioque» .

Definição.

Define-se ordinariamente a graça habitual: uma qualidade sobrenatural, inerente à nossa alma, que nos faz particípar, dum modo real, formal, mas acidental, da natureza e vida divinas.

a) É, pois, uma realidade da ordem sobrenatural, não porém Substância, pois que substância nenhuma criada pode ser sobrenatural; é uma maneira de ser, um estado da alma, uma qualidade inerente à substância da nossa alma, que a transforma e eleva acima de todos os seres naturais, ainda os mais perfeitos; qualidade permanente, de sua natureza, que fica em nós enquanto a não expelimos da alma cometendo voluntariamente algum pecado mortal.

«É, diz o Cardeal Mercier , apoiando-se em Bossuet, essa qualidade espiritual que Jesus difunde em nossas almas; que penetra o mais íntimo da nossa substância; que se imprime no mais secreto de nos almas e se derrama (pelas virtudes) em todas as potências e faculdades da alma; que, tomando posse dela interiormente, a torna pura e agradável aos olhos deste divino Salvador e a faz seu santuário, seu templo, seu tabernáculo, enfim seu lugar de delícias».

b) Esta qualidade torna-nos, segundo a enérgica expressão de São Pedro, participantes da natureza divina, divinae consortes naturae ; faz-nos entrar, diz São Paulo, em comunicação com o Espírito Santo, comunicatio Sancti Spiritus ; em sociedade com o Pai e o Filho, ajunta São João. É claro que não nos faz iguais a Deus, mas unicamente seres deiformes, semelhantes a Deus; dá-nos, não a vida divina em si mesma, que é essencialmente incomunicável, senão uma vida semelhante à de Deus.

1) A vida própria de Deus é ver-se a si mesmo diretamente e amar-se infinitamente. Criatura alguma, por mais perfeita que se suponha, pode por si mesma contemplar a essência divina «que habita uma luz inacessível, lucem inhabitat inacessibilem» . Mas Deus, por um privilégio inteiramente gratuito, chama o homem a contemplar esta divina essência no céu; e, como este por si mesmo é disso incapaz, Deus eleva, dilata, fortifica a inteligência pelo lume da glória.

Então, diz-no-lo São João, seremos Semelhantes a Deus, porque O veremos como Ele é em si mesmo: «Similes erimus, quoniam videbimus eum sicut esb". Veremos, acrescenta São Paulo, não já através do espelho das criaturas, senão face a face, sem intermédio, sem nuvem, com uma claridade luminosa: «Videmus nunc per speculum. in aenigmate, tunc autem facie ad faciem" . E assim participaremos, que de modo finito, da vida própria de Deus, pois que O conheceremos como Ele se conhece e o amaremos como Ele se ama a si mesmo. O que os teólogos explicam, dizendo que a essência divina virá unir-se ao mais íntimo da nossa alma, e nos servirá de espécie impressa, para nos permitir vê-la sem intermédio algum criado, sem imagem alguma.

2) Ora a graça habitual é já uma preparação para a visão beatífica e um como antegosto desse favor, praelibatio visionis beatificae; é o botão que já contém flor, se bem que esta não haja de desabrochar senão mais tarde; é, pois, do mesmo gênero que a própria visão beatífica e participa da sua natureza.

Tentemos uma comparação, por imperfeita que seja. Eu posso conhecer um artista de três maneiras: pelo estudo das suas obras, - pelo retrato que dele me traça um dos seus amigos íntimos, - enfim pelas relações diretas que tenho com ele. O primeiro destes conhecimentos é o que temos de Deus pela vista das suas obras, conhecimento indutivo, bem imperfeito, pois que as obras, apesar de manifestarem a sua sabedoria e poder nada me dizem da sua vida interior.

O segundo corresponde bastante bem ao conhecimento que nos dá a fé: fundado no testemunho dos escritores sagrados, é sobretudo no do Filho de Deus, creio o que a Deus apraz revelar-me, não já somente sobre as obras e atributos, mas sobre a sua vida íntima; creio que de toda a eternidade o Pai gera um Verbo que é seu Filho, que o Pai O ama e é dele amado, e que deste amor recíproco procede o Espírito Santo. Certo que eu não compreendo, não vejo sobretudo, mas creio com certeza inabalável, e esta fé faz-me participar por modo velado e obscuro, mas real, de conhecimento que Deus tem de si mesmo.

Só mais tarde, pela visão beatífca, é que se realizará o terceiro modo de conhecimento; vê-se, porém, sem dificuldade que o segundo é, em substância da mesma natureza que este último, e sem dúvida muito superior ao conhecimento racional

c) Esta participação da vida divina é, não simplesmente virtual senão formal. Uma participação virtual não nos faz possuir uma qualidade senão de maneira diversa daquela que se encontra na causa principal, assim, a razão é uma participação virtual da inteligência divina, porque nos faz conhecer a verdade, mas de modo bem diferente do conhecimento que dela tem Deus. Não assim a visão beatífica, e, guardada toda a proporção, a fé: estas fazem-nos conhecer a Deus como Ele se conhece a si mesmo, não sem dúvida no mesmo grau, mas da mesma maneira.

d) Esta participação não é substancial, senão acidental. Assim se distingue da geração do Verbo, que recebe toda a substância do Pai, bem como da união hipostática, que é uma união substancial da natureza humana e da natureza divina na única Pessoa do Verbo: nós, efetivamente, conservamos a nossa personalidade, e a nossa únião com Deus não é substancial.

É esta a doutrina de Santo Tomás : «Sendo a graça muito superior à natureza humana, não pode ser nem uma substância, nem a forma substancial da alma, não pode ser senão a sua forma acidental». E, para explicar o seu pensamento, acrescenta que o que está substancialmente em Deus nos é dado acidentalmente e nos faz participar da sua divina bondade: «Id eniIL quod substantialiter est in Deo, acidentaliter fit in anima participante divinam bonita tem, ut de scientia patet».

Com estas restrições, evita-se o cair no panteísmo, e forma-se, não obstante, uma idéia altíssima da graça que nos aparece com uma divina semelhança impressa por Deus em nossa alma: «faciamus hominem ac imaginem et similitudinem nostram»

Para nos fazerem compreender esta divina semelhança, empregam os santos Padres diversas comparações:

1 - A nossa alma, dizem, é uma imagem viva da Santíssima Trindade uma espécie de retrato em miniatura, pois que o próprio Espírito se vem imprimir em nós, como um sinete sobre cera branda, e a sua divina semelhança. Daqui concluem que a alma em estado de graça é duma beleza arrebatadora, pois que o artista, que nela pinta esta imagem, é infinitamente perfeito, visto ser o próprio Deus: "Pictus es ergo, o homo, et pictus es a Domino Deo tuo. Bonum habes artificem et pictorem» E daqui inferem com razão que, longe de destruirmos ou mancharmos esta imagem, a devemos tornar cada dia mais semelhante ao original. Ou então comparam ainda a nossa alma a esses corpos transparentes que, recebendo a luz do sol, são como penetrados por ele e adquir em um brilho incomparável que em seguida difundem a nossa alma, semelhante a um globo de cristal iluminado pelo sol, recebe a luz divina, resplandece com vivíssimo clarão e o reflete os objetos que a rodeiam.

Para mostrarem que esta semelhança não fica à superfície, se não que penetra até o mais íntimo da nossa alma, recorrem à comparação do fogo. Assim como, dizem eles, uma barra de ferro, metida em água ardente, adquire bem depressa o brilho, o calor e maleabilidade do fogo, assim a nossa alma, mergulhada na fornalha do amor divino, ali se desembaraça das escórias, tornando-se brilhante, ardente e dócil às divinas inspirações.

Um autor contemporâneo, querendo exprimir a idéia de que a graça é uma vida nova, compara-a a um enxerto divino, inserido na árvore silvestre da nossa natureza, o qual se combina com a nossa alma para nela constituir um princípio vital novo, e, por isso mesmo, uma vida muito superior. Mas, assim como o enxerto não confere à árvore selvagem toda a vida da espécie a quem o foram buscar, senão tão somente uma ou outra das suas propriedades vitais, assim a graça santificante não nos dá toda a natureza de Deus, alguma coisa da sua vida, que constitui para nós uma vida nova; participamos, pois, da vida divina, mas não a possuímos na sua plenitude. Esta divina semelhança prepara evidentemente a nossa alma para uma união íntima com a adorável Trindade que nela habita.

(Depois veremos: União entre a nossa alma e Deus)

Veja também: A vida da Graça um tesouro a adquirir:

Queda e Castigo - a Redenção e a Natureza da Graça -

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Quem é a Igreja Católica?

Comercial da Igreja Católica nos EUA - Lindo e Verdadeiro.


A Vida da Graça - Sua Natureza



Natureza da Vida da Graça


A Vida Sobrenatural: É a participação da vida divina, conferida pelo Espírito Santo que habita em nós, em virtude dos méritos de Jesus Cristo, a qual devemos cultivar contra as tendências opostas. A parte principal desta vida é Deus, pois Ele nos faz comparticipantes de sua própria vida, em virtude dos merecimentos de Jesus, que é causa: meritória, exemplar e vital de nossa santificação, portanto temos uma vida semelhante à de Deus. A nossa vida consiste em utilizar os dons divinos, para vivermos em Deus e para Deus, em união com Jesus, imitando-o e combatendo a todo custo a tríplice concuspicência que persiste em nós, e como o Senhor nos dotou deste organismo sobrenatural, temos obrigação de o fazer crescer por meio de atos meritórios e da fervorosa recepção dos sacramentos.

Deus Opera em Nós

1- Por Si mesmo: Habita em nós: → Dota-nos de um oraganismo sobrenatural – Logo: Devoção à Santíssima Trindade

2- Pelo Seu Verbo Encarnado que é principalmente → Causa meritória – causa exemplar – causa vital da nossa vida – Logo: Devoção ao Verbo Encarnado

3- Por Maria que é secundariamente → Causa meritória – causa exemplar da nossa vida e ela é causa distribuidora de graças - Logo: Devoção à Maria.

4- Pelos Santos Anjos → Imagens vivas de Deus: venerá-los. Como Intercessores: Devemos então invocá-los. Modelos: devemos imitá-los.

Nós Vivemos e Operamos para Deus

1- Lutando contra – A concuspicência – o mundo – o demônio.

2- Santificando nossas ações – Seu tríplice valor – Condições de Mérito – Meios de tornar nossos atos mais meritórios.

3- Recebendo dignamente os Sacramentos – A graça sacramental e a graça especial: da penitência e da Eucaristia.

Da parte da Santíssima Trindade

O primeiro princípio, a causa eficiente principal e a causa exemplar da vida sobrenatural em nós é a Santíssima Trindade, ou, por apropriação, o Espírito Santo, por ser uma obra de amor. Ela contribui para nossa santificação de duas maneiras:

1 - Vem habitar a nossa alma, e produz nela um organismo sobrenatural, que lhe permite fazer atos deiformes. - A Habitação do Espírito Santo na alma. Sendo que a vida cristã é a participação de vida divina, conclui-se que só Ele a pode dar, e o faz, vindo habitar em nossas almas nos ajudando a cumprir nossos deveres para com Ele, gozar da Sua presença e deixar-nos conduzir por Ele com docilidade, a fim de alcançarmos as disposições e virtudes de Jesus Cristo, e portanto uma graça incriada

Veremos então como atua cada pessoa da Santíssima Trindade em nós e como nos devemos portar a respeito. Ensina Santo Tomás que Deus está naturalmente nas criaturas de três maneiras: Por potência, por presença e por essência

Por potência→ todas a criaturas estão sujeitas ao seu império

Por presença→ enquanto vê tudo, até os mais secretos pensamentos da nossa alma

Por essência→ porquanto opera em toda a parte e em toda parte é plenitude do ser e a causa primeira de tudo que há de real nas criaturas, comunicando-lhes sem cessar não somente o movimento e a vida, senão também o mesmo ser : ”in ipso enim vivimus, movemur et sumus” – Nele nos vivemos, movemos e existimos.

Sua presença em nós na graça é em ordem muito superior e mais íntima. O Pai vem a nós e em nós continua a gerar o Seu Verbo, com Ele recebemos o Filho, perfeitamente igual ao Pai, imagem viva e substancial, que não cessa de amar infinitamente a Seu Pai como é dele amado; deste amor recíproco procede o Espírito Santo, pessoa igual ao Pai e o Filho, laço mútuo entre eles ambos e contudo distinto dum e doutro. Que de maravilhas se não renovam em uma alma em estado de Graça!! Deus não somente está presente em nós, como se dá a nós, para dEle podermos gozar. Ele se nos dá como: Pai, amigo colaborador e santificador sendo assim o próprio princípio da nossa vida interior, sua causa eficiente e exemplar

Na ordem da natureza: Deus está em nós como Criador e soberano Senhor e nós não somos senão seus servos. Na ordem da graça: Deus se dá a nós como Pai e nós somos seus filhos adotivos→ privilégio maravilhoso que é a base de nossa vida sobrenatural. A graça da adoção divina, que nos advem da fé no Verbo Filho de Deus, é uma realidade e ela é efetiva, pois entramos em posse da natureza divina, em forma de participação, é certo, mas que nos faz seres deiformes com uma vida nova semelhante a de Deus. Temos com ela uma nova geração ou regeneração. Por ela somos herdeiros do reino celeste e co-herdeiros de nosso irmão mais velho: Jesus.

Como um Pai

Deus terá para conosco a dedicação de um Pai amantíssimo e delicadíssimo e Ele mesmo se compara à mãe que jamais pode esquecer seu filhinho. Oh! Sem dúvida, Ele mostrou de sobra, pois que, para salvar os seus filhos perdidos, não hesitou em dar e sacrificar o seu Filho Unigênito. É este mesmo amor que o leva a dar-se todo, desde agora e de modo habitual, a seus filhos adotivos, habitando em seus corações.

Como Amigo

A graça que recebemos nos torna amigos de Deus, e acrescenta às relações de Pai e filho um certa igualdade, uma certa intimidade que implica na mais doce das comunicações. Deus confia-nos os seus segredos, fala-nos não somente pela Igreja, senão também dum modo interior, pelo Seu Espírito. Admirável intimidade que não houvéramos jamais ousado ambicionar, se o Amigo divino se não tivesse antecipado. O Espírito divino vem em frequentes visitas às almas interiores, os doces colóquios que entretém com elas, as consolações e carícias de que as cumula, a paz que nelas faz reinar, a assombrosa familiaridade com que as trata. É, pois, verdade pura que Deus vive em nós como amigo íntimo.

Como Colaborador

Deus não fica em nós ocioso; opera em nossa alma como o mais poderoso dos colaboradores. Como sabe perfeitamente que de nós mesmos não podemos cultivar esta vida sobrenatural em nós depositada, supre a nossa impotência, colaborando conosco com a graça atual. Necessitamos de luz para perceber as verdades de fé que doravante nos guiarão os passos? É Ele o Pai das luzes, que nos virá iluminar a inteligência acerca do nosso último fim e dos meios para o alcançar; é Ele que nos sugerirá bons pensamentos inpiradoras de boas ações. Precisamos de força para querer sinceramente orientar a vida para nosso fim, para o querer energica e constantemente? É Ele que nos ajudará sobrenaturalmente para cumprirmos as nossas resoluções. É Ele que nos ajuda a combater ou disciplinar as nossas paixões, de vencer as tentações e ainda colabora para resistir e tirar delas paretido para nos fortalecermos na virtude. Quando, fatigados de praticar o bem, nos sentimos tentados ao desalento e aos desfalecimentos, Ele se aproximará de nós, para nos sustentar e assegurar a perseverança; “Aquele que começou em vós a obra da santificação, aprefeiçoa-la-á até ao dia de Cristo Jesus”(Fl 1,6). Jamais estaremos sós, ainda quando, privados de consolação, nos julgamos desamparados: a Graça de Deus estará sempre conosco, contando que consitamos em trabalhar com ela. Assim podemos dizer: “Tudo podemos n’Aquele que nos fortalece” Fl 4,13)

Como Santificador

Vindo habitar a nossa alma, transforma-a num templo santo, ornado de todas as virtudes: “Templum Dei sanctum est”. O Deus que vem habitar em nós pela graça, é o Deus vivo, a Santíssima Trindade, fonte infinita da vida divinam que nada mais ardentemente deseja do que fazer-nos participar da sua santidade. Esta habitação por ser uma obra de amor, é atribuida ao Espírito Santo, por apropriação, mas como é uma obra ad extra, é comum as três pessoas divinas. Por isso somos chamados templos de Deus ou templos do Espírito Santo. Nossa alma passa a ser o trono de Deus e ali Ele distribui seus favores celestes e o adorna de todas as virtudes. Ele é então princípio de nossa santificação, a fonte da nossa vida interior.. Ele é também, causa exemplar e como filhos devemos imitar nosso Pai.

Nossos deveres para com a Santíssima Trindade que vive em nós

Ter Deus dentro de si, este tesouro, deve fazer pensarmos sempre nesta presença e como consequência, nasce três sentimentos: adoração, amor e imitação.

A- Adoração: Como não glorificar, bendizer, das graças a este hóspede divino que nos transforma a alma em um verdadeiro santuário? Devemos nos oferecer como hóstia de louvor à glória das três divinas Pessoas.

a) Ao princípio de todas nossas ações devemos fazer o sinal da cruz: in nomine Patris et Filli et Spiritus Sancti, consagrando a Eles cada uma delas e ao términá-las, reconhecemos que todo o bem que fizemos lhe deve ser atribuído: Gloria Patri et Filio et Spiritui Sancto.

b) Deliciemo-nos a repetir as orações liturgicas que celebram os louvores da Santíssima Trindade: o Gloria in excelsis Deo, que exprime tão bem todos os sentimentos de religião para com as divinas Pessoas e sobretudo com o Verbo Encarnado; o Sanctus, que proclama a santidade divina; o Te Deum, que é hino de gratidão.

B- Amor

Depois de ter adorado a Deus e proclamado o próprio nada, deixa-se levar a alma aos sentimentos do amor mais repassado de confiança. Como um Pai, Deus inclina-se para nós e convida-nos a amá-lo, a dar-lhe o nosso coração ”Praebe, fili mi, cor tuum mihi”. Este amor, tem Ele direito de o exigir; prefere contudo, pedi-lo docemente, para que possamos recorrer a Ele mais confiadamente. Como não corresponder a tão delicadas finezas, a tão maternais solicitudes com amor cheio de confiança?

Será amor penitente, para expiar as nossas tão numerosas infidelidades no passado e no presente, amor reconhecido, para dar graças a este insigne benfeitor, a este colaborador dedicado, que nos cultiva a alma com tanta solicitude; mas sobretudo amor de amizade, que nos fará conversar com a mais generoso e fiel dos amigos, a abraçar todos os seus interesses, procurar a sua glória, fazer glorificar o seu santo nome. Não será, pois, mero sentimento afetuoso: seráamor generoso, que vá até o sacrifício e esquecimento de si mesmo, até à renúncia da vontade própria pela submissào aos preceitos e conselhos divinos.

C- Imitação

O Amor nos levará à imitação da Adorável Trindade na medida que esta é compatível com a fraqueza humana. Filhos adotivos de um Pai infinitamente santo, templos vivos do Espírito Santo, compreendemos melhor a necessidade de respeitar o nosso corpo e a nossa alma. São Paulo dizia: «Não sabeis que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus mora em vós? Se algum, pois, violar o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus é santo: e esse templo sois vós»: «Nescitis quia te Dei estis et Spiritus Dei habitat in vobis? Si quis autem templum Dei verit, disperdet illum Deus. Templum enim Dei sanctu est quod estis vos”(Icor 3,16-17). A experiência prova que não há, para as almas generosas, motivo poderoso que aquele, para as desviar do pecado e excitar à prática das virtudes. E na verdade, não é mister purificar e adornar incessantemente um templo onde reside o Deus três vezes santo? Demais, quando Cristo nos quer propor um ideal de perfeição, não o vai buscar fora da SSma.Trindade: «Sede perfeitos, diz Ele, como vosso Pai celestial é perfeito; Estote ergo vos perfecti, sicut et Pater vester coelestis perfectus est”(Mt 5,48)

À primeira vista, parece excessivamente elevado este ideal; se, porém nos lembrarmos que somos filhos adotivos do Pai, e que Ele vive em nossa alma, para nela imprimir a sua imagem e colaborar em nossa santificação compreenderemos que nobreza obriga e que é um dever aproximar-nos incessantemente das divinas perfeições. É sobretudo para praticar a caridade fraterna que Jesus nos pede tenhamos diante dos nossos olhos este modelo perfeito, que é a indivisível unidade das três divinas Pessoas: «Para que eles sejam todos um, como tu, Pai, o és em mim, e eu em ti, para que também eles sejam um em nós: Ut omnes unum sint, sicut tu, Pater, in me et ego in te, ut et ipsi in nobis unum sint» (Jo 17,21) ara resumir tudo, podemos concluir que a vida cristã consiste, antes de tudo, numa união íntima, afetuosa e santificante com as três divinas Pessoas, que nos conserva no espírito de religião, amor e sacrifício.

(Depois veremos - Do Organismo da vida cristã )

Veja nosso estudo:

A Vida da Graça - Um tesouro a adquirir -

Queda e Castigo e Redenção

****

domingo, 3 de julho de 2011

A Vida da Graça - A Redenção


Pela maravilhosa bondade de Deus, veio Jesus em favor do homem caído e condenado, para refazer este homem desfigurado pela culpa e o repõe em certo sentido, num estado melhor que o anterior à queda, a tal ponto que a Igreja, na sua Liturgia, não rejeita bendizer a culpa que nos valeu tal Redentor como o homem-Deus: ”O felix culpa quae talem ac tantum meruit habere Redemptorem! ”

A Vida Espiritual - Explicada e Comentada - de Adolfh Tanquerey

Natureza da Redenção:

Deus que de toda a eternidade previra a queda do homem, O Pai quis também desde toda a eternidade preparar um Redentor na Pessoa de Seu Flho, que se fez homem. Ao ser constituído cabeça da humanidade, poderia expiar perfeitamente - sendo nosso representante - o nosso pecado e restituir-nos com a graça, todos os direitos ao céu. Deus soube tirar do mal um grande bem, conciliando os direitos de justiça, com os da bondade, reparando completamente a culpa. Efetuou a justiça perfeita que constituia na reparação adequada, igual à ofensa, oferecida por um representante legítimo. Fez isso com a Encarnação e Redenção.

O mais lindo é que esta reparação é não somente igual à ofensa , mas a supera e muito, pelo valor moral infinito, devido a dignidade infinita de Jesus homem-Deus, infinitamente digno. Apenas um de seus atos já teria este valor para reparar adequadamente nosso pecado, mas completou-a na imolação total de Seu Ser durante sua dolorosa Paixão e no Calvário, por consequinte, satisfez abundante e superabundantemente: Ubi abundavit delictum, superabundavit et gratia” ( Rm 5, 20). E ela é do mesmo gênero que a culpa. Como Adão tinha pecado por desobediência e orgulho, Jesus expia por meio da humildade e obdiência, pela Sua grande misericórdia e amor que nos tem.

A Santíssima Trindade, na Redenção

- O Pai: Não tem senão um Filho, igual a Si próprio, que ama como a Si mesmo e de quem é infinitamente amado; ora esse Filho único dá-o, sacrifica-o por nós, para nos restituir a vida que pelo pecado havíamos perdido. Poderia Ele nos dar mais que Seu Filho?

- O Filho: Se entrega em obediência ao Pai, se Encarna, se torna vítima e substitui todos os sacrifícios da Antiga Lei, e toda a Sua vida não será mais que um longo sacrifício, que se completa na imolação do Calvário, tudo por amor a nós.

- O Divino Espírito: Para completar a obra é nos enviado o amor substancial do Pai e do Filho, que não contente em nos dar as graças, as virtudes infusas, sobretudo a divina caridade, se nos dará a Si mesmo, para que, além de gozar da Sua presença e Seus dons, possamos ter também a Sua pessoa. Portanto a Redenção é a obra do amor, por excelência!

Efeitos da Redenção

Jesus não contente em reparar, pela Sua satisfação, a ofensa feita a Deus e de nos reconciliar com Ele, merece-nos todas as graças que havíamos perdido pelo pecado e outras ainda.

Auxílios Interiores - Primeira restituição - Os dons Sobrenaturais:

A- A Graça Santificante: vem com seu cortejo de virtudes infusas e dons do Espírito Santo e Jesus também institui os sacramentos, sinais sensíveis da graça invisível que nos será dada em cada fase de nossa vida.

B - Graças Atuais abundantes e que podemos crer até mais abundantes do que no estado se inocência, em virtude da palavra de São Paulo: ”ubi abundavit delictum, superabundavit gratia”

Já os dons Preternaturais - o dom da Integridade, é nos restituídos de uma forma progressiva. É certo que estamos ainda de posse da concuspicência e das misérias da vida, mas temos agora a força necessária para combater e vencer as tentações e ficamos robustecidos nas virtudes e podendo, portanto, alcançar muitos merecimentos. Põe diante de nossos olhos os exemplos de Jesus, com sua Cruz e estimula-nos a lutar. Já as graças atuais, que Ele nos mereceu, facilitam nossos esforços e vitórias. A medida que lutamos a concuspicências vão diminuindo, a nossa força de resistência vai aumentando e por fim chega a hora que muitas almas privilegiadas, são de tal modo confirmadas nas virtudes que, embora tenham liberdade para pecar, não cometem falta alguma de propósito deliberado.

Auxílios Exteriores

Nosso Senhor acrescentou ainda auxílios exeriores, em particular a Igreja Visível, que fundou e organizou, iluminando os espiritos com sua autoridade doutrinal, para guiar e santificar as almas com os sacramentos, sacramentais e indulgências. Não encontramos em tudo isso um auxílio imenso, de que devemos dar graças a Deus: O felix culpa? E por fim, a Encarnação, este bem precioso, por si só, já é motivo de júbilo! Pois se não fora o pecado original, não é certo que o Verbo se encarnaria.

Por isso cantamos: "O felix culpa!! Em vez de Adão, chefe bem dotado, sem dúvida, mas falível e pecável, temos por cabeça o Filho eterno de Deus, que revestido de nossa natureza, é homem tão verdadeiro, como é verdadeiro Deus. É o Mediador ideal, mediador de religião, como o é de Redenção, que adora o Pai não apenas em seu Nome, mas em nome da humanidade inteira, mais ainda em nome dos anjos. É o sacerdote perfeito que tem livre acesso ao trono de Deus pela sua natureza divina, e se inclina compassivamente para os homens, agora seus irmãos, que Ele, rodeado como está de fraqueza, trata com indulgência. Com Ele e por Ele podemos tributar a Deus as homenagens infinitas a que tem direito; com Ele e por Ele podemos alcançar todas as graças de que precisamos para nós e para nossos irmãos. Quando adoramos é Ele quem adora por nós, quando pedimos socorro, é Ele quem apóia as nossas súplicas, eis o motivo que tudo quanto pedimos ao Pai em Seu nome, nos é liberalmente concedido. Devemos, pois, regozijar-nos de ter um tal Redentor, uma tal Mediador, e depositar n’Ele confiança ilimitada….. Glória a Deus por nos amar tanto!!

Conclusão

Queridos, este esboço só nos revela a grande bondade de Deus para conosco, a excelência da vida sobrenatural e sobretudo a grandeza e ao mesmo tempo a fraqueza de quem é o beneficiário: Eu e você! Participamos realmente, se bem que de forma finita, da natureza e vida de Deus. Diviniae consortes natuare . E esta vida vem de um pensamento afetuoso de Deus, que nos amou desde a eternidade e que quis nos unir a Si mesmo na mais doce intimidade. Com amor eterno eu te amei; por isso, compadecido de ti, te atraí a mim (Jr 30).

Esta vida da graça tem tão grande preço que para no-la restituir, o Pai sacrifica o seu Filho único, que se imola completamente, e envia o Espírito Santo à nossa alma para no-la comunicar. Por todos estes motivos, devemos estima-la acima de tudo, guarda-la e cultiva-la com a mais cioso desvelo. E contudo, trazemos este tesouro em vasos de barro e tão frágil! Se nossos primeiros pais apesar de tantos dons e benefícios o perderam acarretando nossa perda tambem, que não havemos de recear nós, que a despeito da regeneração espiritual, estamos sujeitos à tríplice concuspiscência?

Há sem dúvida em nós tendências nobres e generosas, que vem do que existe de bom em nossa natureza e sobretudo de nossa incorporação à Cristo e das forças sobrenaturais que nos são dadas em virtudes de seus méritos, mas nós continuamos a ser fracos e inconstantes se deixamos de nos apoiar em Cristo, portanto o segredo de nossa força está em Deus. Nossos pais nos mostraram que o maior mal deste mundo é o pecado e que por isso devemos ser vigilantes para repelir os primeiros ataques tanto de nós mesmos quanto do inimigo.

Estamos porém bem armados contra eles, como veremos a seguir, aguardem!!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ato de reparação ao Sagrado Coração de Jesus



Dulcíssimo Jesus

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na vossa presença, para vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é, de toda a parte, alvejado o vosso amaríssimo Coração.

 Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar imploramos a vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da vossa santa lei. De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-vos, mas, particularmente, da licença dos costumes e modéstias do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra vós e vossos Santos, dos insultos ao vosso Vigário, e a todo o vosso Clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor, e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e, o magistério da vossa Igreja.

Oh! se pudéssemos lavar, com o próprio sangue, tantas iniqüidades! Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os Santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que vós oferecestes ao Eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar, todos os dias, sobre nossos altares. Ajudai-vos, Senhor, com o auxílio da vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a vivacidade da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de vossa divina Majestade e atrair ao vosso serviço o maior número de almas possíveis. Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até a morte, no fiel cumprimento dos nossos deveres e no vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à pátria bem-aventurada, onde vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

(Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar esse ato de reparação piedosamente, e indulgência plenária se o ato se recitar publicamente na solenidade do Sagrado Coração de Jesus - Deve para isso ser rezado no dia do sagrado Coração de Jesus)


Manual do Coração de Jesus, página 8385 :P