quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A História do Sacrifício


Por Scott Hann

A frase da missa que venceu Scott foi "Cordeiro de Deus", porque ele sabia que esse Cordeiro era o próprio Jesus Cristo.

Recitamos esse Cordeiro de Deus na missa, exatamente o mesmo número de vezes que vimos o sacerdote elevar a hóstia e proclamar: "Eis o Cordeiro de Deus...

O Cordeiro é Jesus!

Isso não é novidade; e é o tipo de fato que escondemos: afinal de contas Jesus é muitas coisas: é Senhor, Deus, Salvador, Messias, Rei, Sacerdote, Profeta ...e Cordeiro!

O último título não é como os outros. Os sete primeiros são títulos com os quais nos dirigimos tranquilamente a um Deus-Homem. São títulos com dignidade, que sujerem sabedoria, poder e posição social.

Mas Cordeiro?

Scott nos pede para nos desfazermos de dois mil anos de sentido simbólico acumulado. Que finjamos por um momento que jamais entoamos o "Cordeiro de Deus!!

A respeito do Cordeiro

Esse título parece quase cômico de tão inadequado. Em geral, cordeiros não ocupam 0s primeiros lugares das listas de animais mais admirados. Não são particularmente fortes, nem espertos, sagazes ou graciosos. E outros animais parecem mais merecedores.

Por exemplo: É fácil imaginarmos Jesus como o Leão de Judá (Ap5,5).

Os leões são magestosos, forteis e ageis, ninguém mexe com o rei dos animais. Mas o Leão de Judá desempenha papel efêmero no livro do apocalípse. Ao mesmo tempo, o Cordeiro prevalece e aparece nada menos que vinte e oito vezes.

O Cordeiro governa e ocupa o trono de céu (Ap 22,3).

É o Cordeiro quem lidera um exército de centenas de milhares de homens e anjos, e acende o medo nos corações dos ímpios (Ap 6, 15-16).

Esta última imagem, do Cordeiro feroz e assustador, é quase absurda demais para imaginar-mos sem sorrir! No entanto, para João, esse assunto do Cordeiro é sério!

Os títulos "Cordeiro" e "Cordeiro de Deus" aplicam-se a Jesus quase exclusivamente nos livros do novo testamento atribuídos a João: o quarto evangelho e o apocalípse. Embora outros livros neotestamentários (Ap8,32-35; IPd 1,19) digam que Jesus é "como" um cordeiro em certos aspectos, só João ousa "chamar" Jesus " o Cordeiro" (Jo 1,36 e Ap todo).

Sabemos que o cordeiro é fundamental para a Missa e também para o livro do Apocalípse. E sabemos "quem "o Cordeiro é. Entretanto, se queremos experimentar a Missa como o céu na terra, precisamos saber mais. Precisamos saber o "que" o Cordeiro é e "por que" o chamamos "Cordeiro".

Para descobrir, temos de voltar no tempo, quase até o início...

Pão Salutar

Para o antigo Israel, o cordeiro identificava-se com o sacrifício, que era uma das formas mais primitivas de adoração. Já na 2ª geração descrita no Gn, encontramos na história de Caim e Abel, o 1º exemplo registrado de uma oferenda sacrifical:"Caim trouxe ao Senhor uma oferenda de frutos da terra; tbem Abel trouxe primícias dos seus animais e a gordura deles" (Gn 4,3-4).

No devido tempo, encontramos holocaustos semelhantes oferecidos:

Por Noé (Gn 8,20-21)
Abraão (Gn 15,8-10; 22,13)
Jacó (Gn 46,1)e outros.

No gênesis, os patriarcas estavam sempre construindo altares, e estes serviam primordialmente para sacrifícios.

Entre os sacrifícios do Gn. dois merecem nossa atenção:
- Melquizedec (Malki-Sédeq,Gn 14,18-20)
- e o de Abraão e Isaac (Gn 22).

Melquizedec surge como o 1º sacerdote mencionado na Bíblia e muitos cristãos(Hb 7,1-17) o consideram precursor de Jesus Cristo. Melquisedec era sacerdote e rei, combinação estranha no AT, mas que , mais tarde, foi aplicada a Jesus. Ele é descrito como rei de Shalem, terra que depois seria "Jeru-salém" que significa "Cidade da Paz"(Sl 76,2). Um dia Jesus surgiria como rei da Jerusalém celeste e novamente como Melquizedec, "Príncipe da Paz".

Em conclusão, o sacrifício de Melquisedec foi extraordinário por "não envolver animal algum". Ele ofereceu "Pão e Vinho", como Jesus fez na Última Ceia, quando institui a Eucaristia. O sacrifício de Melquisedec terminou com uma benção sobre Abraão.

O Alcance de Moriá

O próprio Abraão revisitou Shalem, alguns anos mais tarde, quando Deus o chamou para fazer um sacrifício definitivo. Em Gn 22, Deus diz a Abraão:"Toma o teu filho, o teu único, Isaac, que amas.Parte para terra de Moriá e lá oferecerás em holocausto sobre uma das montanhas que eu te indicar"(v2).

A tradição israelita, registrada em 2Cr 3,1, identifica Moriá com o local do futuro Templo de Jerusalém. Para lá, Abraão viajou com Isaac, que carregou nos ombros a lenha para o sacrifício (Gn22,6). Quando Isaac perguntou onde estava a vítima, Abraão respondeu: "Deus providenciará Ele mesmo uma ovelha para o holocausto, meu filho"(v8).

No fim, o anjo Deus impediu que a mão de Abraão sacrificasse seu filho e forneceu um carneiro para ser sacrificado. Nessa história, Israel discerniu o juramento da aliança de Deus para fazer dos descendentes de Abraão uma nação poderosa:"juro-o por mim mesmo...Por..não teres poupado seu filho..comprometo-me..a fazer proliferar tua descendencia tanto qto as estrelas do céu...é nela que se abençoarão todas as nações da terra"(Gn22,16-17).

Esse foi o reconhecimento de dívida que Deus deu a Abraão; também seria a apólice de seguro de vida de Israel.

No deserto do Sinai, quando o povo escolhido mereceu a morte por adorar o bezerro de ouro, Moisés invocou o juramento de Deus a Abraão, a fim de salvar o povo da cólera divina (Ex32,13-14). Mais tarde os cristãos consideraram a narrativa de Abraão e Isaac uma profnda alegoria do sacrifício de Jesus na cruz.

As semelhanças eram muitas:

1º- Jesus, como Isaac, era o filho único querido de um pai fiel.
2º- Também como Isaac, Jesus carregou morro acima a madeira para seu sacrifício, que foi consumado em uma colina de Jerusalém.

De fato, o local onde Jesus morreu, o calvário, era um dos morros da cadeia de Moriá. Além disso, o primeiro versículo do NT identifica Jesus como Isaac, ao dizer que Ele é "filho de Abraão"(Mt 1,1).

Para os leitores cristãos, até as palavras de Abraão se mostraram proféticas. Lembre-se de que não havia pontuação no original hebraico e pense em uma interpretação alternativa de Gn22,8:"Deus se dá a si mesmo, o Cordeiro, para o holocausto".

O Cordeiro pronunciado era, Jesus Cristo, o próprio Deus-"para que a benção de Abraão alcance os pagãos em Jesus Cristo"(Gll3,14 veja tbem Gn 22,16-18).

Magnetismo animal

No tempo da escravidão de Israel no Egito, está claro que o sacrifício ocupa uma parte essencial e fundamental da religião de Israel. Os capatazes do faraó escarnecem dos frequentes sacrifícios dos israelitas, afirmando serem apenas uma desculpa para evitar o trabalho (Ex 5,17). Mais tarde quando Moisés faz um apelo a Faraó, sua exigencia principal é o direito dos israelitas oferecerem sacrifícios a Deus (Ex 10,25).

O que significam todas essas oferendas? O sacrifício animal significava muitas coisas para os antigos israelitas:

-Era o "reconhecimento da soberania"de Deus sobre a criação:"Ao Senhor, a terra e sua riquezas" (Sl 24,1). Assim o sacrifício louvava a Deus, de quem fluem todas as bençãos.

-O sacrifício era uma ato de "agradecimento". A criação foi dada ao homem como dádiva.

-As vezes, o sacrifício servia para "ratificar solenemente uma acordo ou juramento, uma aliança diante de Deus" (Gn 21,22-23).

-O sacrifício também era "ato de renúncia e tristeza pelos pecados". O que oferecia o sacrifício reconhecia que seus pecados faziam-no merecer a morte; em lugar de sua vida, oferecia a do animal.

Fonte: O Banquete do Cordeiro

Veja:

1 - No Céu agora mesmo!

(Depois veremos: A contagem das ovelhas - Estado Elevado ao Altar
Jerusalém como capital régia..)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Quem é Cristo?


Por Thiamer Toth

Quando os navios se aproximam do porto do Rio de Janeiro, os passageiros contemplam sobre um monte de novecentos metros de altura, um monumento gigante. Todos conhecem a estátua da Liberdade em Nova Iorque, mas nem todos conhecem esta obra colossal de quarenta e seis metros, o Cristo Redentor -, que com os braços abertos abençoa a cidade e o porto.

Esta escultura exigiu anos de trabalho. Também desejo esculpir com toda a perfeição possível, a santa imagem de Cristo nas almas dos queridos leitores. Depois dos capítulos introdutórios, agora podemos estudar o ponto central e decisivo: Quem é Jesus?

Apenas professar: Creio em Deus Pai todo Poderoso, Criador do céu e da terra; não é suficiente para ser cristão, para isso é necessário crer na divindade de Jesus. Se Cristo não é Deus, o cristianismo é uma farsa, o maior erro da humanidade, então a vida seria um enigma, um tormento, uma loucura; usando a expressão de Voltaire: "uma brincadeira de mal gosto".
Pelo contrário, se o credo cristão é verdadeiro, ou seja, Cristo é Deus, então a vida, os ideais, os desejos devem mudar radicalmente segundo o modelo cristão Se a humanidade acreditasse na divindade de Cristo, todos os problemas seriam resolvidos, brotaria fontes de trabalho, paz, justiça, harmonia e amor.

Certa vez, o Salvador perguntou: Que pensais vós de Cristo? Esta pergunta é repetida durante séculos, todos os homens são chamados a responder. Não existe outra saída, todos sem exceção devem responder e tomar partido.

Uma nuvem ao encontrar um monte, passa por cima ou se desfaz contra ele. Assim, também acontece com o homem a respeito de Cristo: ficar ao seu lado ou insurgir contra Ele; amar ou odiar, ser feliz com Ele ou desgraçado sem Ele.

A grandeza sobre-humana de Cristo é evidenciada pelo fato de todas as tendências espirituais quererem reinvindica-LO para si. Muitas coisas disseram acerca de Cristo: revolucionário, primeiro socialista, comunista, profeta, sábio, idealista, mestre. Não foi revolucionário no sentido que hoje se emprega esta palavra e sim no sentido de renovar o mundo pela misericórdia. Basta ver como o mundo via o matrimônio, a moral, os filhos, o trabalho, o amor, e o que Cristo ensinou a respeito destes temas.

No mundo pagão a mulher era facilmente repudiada; o pai podia vender os filhos; os escravos eram considerados como animais; o trabaho era visto como vergonhoso; reinava o direito do mais forte; a vingança era comum. Cristo foi revolucionário pelo fato de acabar com tudo isso através do amor, não usando a violência.

Jesus protótipo do homem novo, quis uma humanidade nova, desejava transformar o mundo antigo não apenas na exterioridade, mas também no interior do homem. A doutrina de Cristo não é um explosivo, que destrói e arruína, é fermento que vivifica. Não aspira apenas a uma humanidade feliz, mudando a ordem econômica e social, almeja aperfeiçoar o homem, torna-lo nobre, para depois estabelecer uma ordem social digna e justa.

Também não foi comunista no sentido sangrento e revolucionário, que faz tremer o mundo civilizado. O comunismo não reconhece o direito de propriedade particular. Jesus, pelo contrário, disse que não vinha abolir o decálogo, portanto, o sétimo e o décimo mandamento, que protegem a propriedade particular, continuam em vigor. Jesus tinha entre os discípulos muitos pobres e também gente de posição econômica razoável: Lázaro e suas irmãs, Maria Madalena, Salomé, Nicodemos, Zaqueu, José de Arimatéia, Mateus. Jesus não sonhou com uma organazação social utópica, em que haveria abundância para todos, disse claramente: "sempre tereis os pobres convosco”(Mc 14,7).

Em sua pregação são frequentes os termos: salário, servo, compra, venda, empréstimo, juros. Jesus reconhecia a ordem social baseada na propriedade particular. Isso não quer dizer que reconhecia as injustiças sociais. Não autoriza o abuso egoísta das riquezas ou uso ilícito da propriedade particular.

Jesus Cristo pregva: Bem aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!(Mt 5,3). Aconselhou o jovem rico a distribuir sua fortuna entre os pobres. Mostrou como é difícil um rico entrar no céu; na parábola do pobre Lazaro, condena simplesmente porque o rico não teve misericórdia com o pobre.

Se comunismo significa roubar e assassinar, então Cristo não é comunista. Se significa caridade, repartir o teu pão com o faminto, dar abrigos aos infelizes sem asilo, vestir os maltrapilhos (Is 58,7), então Jesus foi comunista.

Como não foi nem revolucionário nem comunista, então quem foi? Basta conhecer a humanidade para afirmar: Cristo era mais que um simples homem. Nele se encontravam aspectos que estão acima do humano. Napoleão dizia: “eu conheço bem o homem, Cristo foi mais que um homem”

Em todos os tempos, existiram gênios, porém eram simples homens, nunca puderam transformar ninguém espiritualmente. Cristo veio ao mundo, há mais de dois mil anos e milhões de pessoas continuam abrindo-lhes o coração.

O que devemos pensar de Cristo? Cristo é o Filho de Deus e deseja remir a humanidade. Uma resposta simples e objetiva, mesmo assim, ainda fonte inesgotável de reflexão.

Jesus declarou que era Deus e Homem, podemos acreditar simplesmente em algo tão inaudito? Não é tão fácil acreditar, porém a vida, o caráter e a personalidade de Jesus, fornecem crédito. Mais de vinte séculos de testemunhos, milhões de homens acreditaram em sua divindade; sacrificando ambições, carreira profissional, fortuna, e mesmo a própria vida. Cristo não pode ser um simples mortal.

Nietzsche escreveu estas palavras blasfemas: no domingo ao ouvir o sino tocando, pergunto: ë posível? Tudo isso, por causa de um judeu crucificado há dois mil anos, que pretendia ser Filho de Deus. Esta pretensão não tem a menor comprovação.

Caso, Jesus fosse um simples homem, poderia desafiar o tempo e a história?

Tu és Cristo, Filho de Deus vivo! (Mt 16,16)

Se isso é verdade, tudo se torna diferente; não posso escolher as palavras e ensinamentos que mais agradam, pelo contrário, devo aceitar humildemente todo o conteúdo do Evangelho.
Certamente, se Cristo não é Deus, pode ser um herói da fé, e não é Redentor; pode ser colocado ao lado de Buda, Maomé, Confúcio…; E o Cristianismo é uma farsa. Contudo Cristo é Deus.

Para São Tomé, a primeira sexta-feira santa foi um dia deprimente. O Senhor tinha morrido, quanta confiança tinha depositado nele. O Sepulcro fora fechado, tudo estava acabado.
O nevoeiro da incredulidade envolvia a alma de Tomé e o sufocava. No dia de Páscoa, Cristo ressuscitado aparece aos apóstolos, porém, Tomé não estava presente. Os amigos transmitem a boa nova, ele não acredita, no entanto, oito dias depois, Nosso Senhor aparece novamente. Tomé exclamou comovido: Meu Senhor e meu Deus! (Jo 20,28

Fonte: Quem é Cristo - Thiamer Toth

Veja mais:


Logo veremos: Cristo e suas palavras



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sou um meditador de livros


7,30

Por padre Leo Trese

Um forte impulso me faz ir do genuflexório para a cadeira: começa a meia hora mais curta do dia.

Houve um tempo em que quinze minutos de meditação representavam para mim um ato verdadeiramente heróico - algo que podia ser omitido com uma desculpa razoável e sem qualquer sensação de perda. É muito doloroso pensar que tardei tanto tempo em descobrir que era verdade tudo o que nos tinham dito no seminário sobre a meditação. Refiro-me à sua necessidade e valor como fonte de energia.

E o pior é que nem mesmo quando cheguei ao fim do quarto ano de Teologia tinha aprendido a meditar. Armava tal confusão com prelúdios, composição de lugar, tempo e pessoas, com aplicações práticas e ramalhetes espirituais*, que nunca cheguei a penetrar a fundo no miolo da meditação.

(Padre Léo refere-se aos esquemas que algumas escolas de espiritualidade recomendam aos principiantes para fazer a meditação ou oração mental)

O papel que as diversas faculdades - memória, imaginação, inteligência e vontade - deviam representar estava suficientemente claro. Mas o que me distraía era ter de estar atento às "deixas"do contra-regra... Muito provavelmente a faculdade chamada a intervir em determinado momento andaria perdida Deus sabe onde.

Com o polegar, abro pela marca do livro do pe. Leen - A identificação com Cristo (sou um meditador de livros e sempre serei: uma dessas cabeças indisciplinadas que, enquanto pastam, tem que estar firmemente atadas. Confesso com pena que tudo o que sei sobre contemplação se reduz aos textos de Tanquerey e Patente).

Esta manhã, os meus pensamentos parecem estar inusitadamente irrequietos, mas o pe. Leen se encarregará de reconduzi-los ao bom caminho. Talvez para isso seja necessário ler um parágrafo inteiro - ou até duas ou três páginas - maz não há dúvida de que alguma coisa me chamará atenção: da págima há de saltar uma frase como que a dizer-me: "Isto é para ti, amigo". E a partir desse momento, a minha consciência tomará as rédeas.

O que mais me agrada no pe. Leen, em D. Columba Marmion ou em D. Chautard é que nenhum deles me exaspera dizendo-me "2ºponto" ou "3ºponto", precisamente no momento em que começava a entrever a verdade no "1ºponto"*(referência a meditação que costumavam fazer juntos os seminaristas na capela, lendo-se, a espaços regulares, três trechos de um livro, como "pontos" de meditação).

Bem que gostaria de saber quem foi que inventou essa embrulhada dos três pontos.

É verdade que no seminário nos ensinaram expressamente que, se um ponto oferecia matéria suficiente de meditação, devíamos insistir nele. No entanto, eram três os pontos que nos liam todas as manhãs na capela e nenhum livro de meditação se considerava completo sem eles. Não sei os outros, mas, quanto a mim, as frases preparatórias e os pontos enfileirados em ordem de bataha dão-me calafrios.

Se eu fosse diretor espiritual de um seminário!...Bem, para começar, acho que morreria de medo, só de pensar no fogo que deve arder no coração do diretor, se tem que acender todas e cada uma das "velas" que tem à sua volta. Mas, se tivesse de arcar com responsabilidade tão grande, julgo que procuraria eliminar a leitura de textos de meditação bem esquematizados com um exrcício comunitário. Se tivesse que usar um livro, usá-lo-ia para me fortificar a mim próprio privadamente, e só depois o meditaria junto com os outros.

Mas, quem sou eu para falar de meditação? Ouço os coroinhas que entram na sacristia, procurando falar em voz baixa para não me incomodarem, e eu nem sequer comecei ainda! Disto, sim, não posso culpar o seminário. Nem de muitas outras coisas.

Não foi culpa do seminário se, nos primeiros anos do meu sacerdócio, me deixei vencer pela heresia das boas obras: deitar-me tarde, por exemplo, para resolver assuntos relacionados com as atividades dos jovens, tinha como consequência que perdia a hora de levantar-me e mal me lembrava de rezar. Desculpava-me a mim próprio, pensando na "maravilhosa influência" que exercia sobre a juventude da paróquia, esquecendo-me de que Deus, com o dedo mindinho, podia conseguir muito mais que todo o meu trabalho atropelado.

A minha vaidade zombava da graça divina; tenho certeza de que os anjos deviam tremer com o meu atrevimento. Também não posso culpar o seminário pela minha enorme presunção. Por que nos previniam com tanta insistência sobre as tentações e os perigos? Afinal de contas, era tão fácil ser bom! Tudo o que tínhamos que fazer era simplesmente ter muito trabalho. Muito trabalho. Muito trabalho... Assim pensava eu!

Oh! já vem acender as velas, onde está a minha meditação?

Perdoai-me, meu Deus, por esta vez, por esta vez ainda. E permiti que esta cana rachada ofereça uma oração ao vosso sagrado Coração pelos novos rebentos que estão surgindo e que em breve nos haverão de substituir. Ensinai-os. Convencei-os. E se as suas cabeças forem tão duras como a minha, metei nelas a marteladas a convicção de que nada Vos servirão os seus talentos, sejam quais forem, se não beberem profundamente no vosso espírito, todas as manhãs.

Fonte: Vaso de Argila

Veja Mais:

Começa um novo dia
Elas podem esperar
O Vendedor e o Sacerdote
A Lição de São Lourenço
Temos um bom Sacerdote?
Faça alguma coisa, já!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Vida da Graça -Crescer na Vida Espiritual pelo Mérito




A Vida Espiritual - Explicada e Comentada - de Adolfh Tanquerey

Progredimos pela luta contra os nossos inimigos, mas ainda mais pelos atos meritórios que praticamos cada dia.

Todo ato bom, feito livremente por uma alma em estado de graça com intenção sobrenatural, possui um tríplice valor: meritório, satisfatório e impetratório, que contribui para o nosso progresso espiritual.

a) Valor meritório, pelo qual aumentamos o nosso capital de graça habitual e os nossos direitos à glória celeste.

b) Valor satisfatório, que em si mesmo encerra um tríplice elemento:

1) a propiciação que, por meio de um coração contrito e humilhado, nos torna a Deus propício e o inclina a perdoar-nos as nossas faltas;

2) a expiação que, pela infusão da graca, apaga a falta;

3) a satisfação que, pelo seu carater penal que anda anexo as nossas boas obras, anula de todo ou em parte a pena devida ao pecado. Não são somente as ações propriamente ditas que produzem este feliz resultado, mas ainda a aceitação voluntaria dos males e sofrimentos desta vida, como no-lo ensina o Concílio de Trento; e acrescenta que isso é um grande sinal do amor divino. E na verdade, que há de mais consolador que podermos aproveitar-nos de todas as adversidades, para purificar a nossa alma e uni-la mais perfeitamente a Deus?

c) Enfim estes mesmos atos tem ainda um valor impetratório, enquanto contém uma petição de novas graças, dirigida à infinita misericordia de Deus. Como faz notar com razão Santo Tomás, ora-se, não somente quando de modo explícito se apresenta um requerimento a Deus, mais ainda quando, por um movimento do coração ou pela ação, se tende para Ele; de tal sorte que ora sempre aquele que orienta toda a sua vida para Deus. E, com efeito, este voo de alma para Deus não será uma oração, uma elevação da alma para Deus, e um meio eficacíssimo de obter dele o que desejamos para nós e para os outros?

Doutrina sobre o mérito:

1. a sua natureza.
2. condições que aumentam o seu valor.

I.A natureza do mérito

A- O que é mérito
B- Como sao meritórias as nossas ações.

O que e mérito

Mérito, em geral, é um direito a uma recompensa. O mérito sobrenatural, de que aqui se trata, será, pois, o direito a uma recompensa sobrenatural, isto é, a uma participação da vida de Deus, à graça e à glória. E, como Deus não é obrigado a nos fazer participar da sua vida, será necessária uma promessa da sua parte, para nos conferir um verdadeiro direito a essa recompensa sobrenatural. Pode-se, pois, definir o mérito sobrenatural: um direito a uma recompensa sobrenatural que resulta duma obra sobrenatural boa, feita livremente para Deus, e duma promessa divina que afiança essa recompensa.

Distinguem-se duas espécies de mérito:

a) o mérito propriamente dito (que se chama de condigno), ao qual a remuneração é devida em rigor de justica, porque há certa igualdade ou proporção real entre a obra e a retribuição;

b) o mérito de conveniência (de congruo), que não se funda em estrita justiça, senão em grande conveniência, visto a obra não ser, senão em reduzida escala, proporcionada com o galardão. Para dar desta diferenca uma ideia aproximativa, pode-se dizer que o soldado que se bate denodamente no campo de batalha tem direito estrito ao soldo de guerra, mas somente direito de conveniência a uma citação na ordem do dia ou a uma condecoração.

O Concílio de Trento ensina que as obras do homem justificado (batizado) merecem verdadeiramente um aumento de graça, a vida eterna, e, se morrer nesse estado, a consecução da glória

Relembremos sumariamente as condições gerais do mérito.

a) A obra para ser meritória, deve ser livre; e claro que quem opera constrangido ou necessitado, não tem responsabilidade moral dos próprios atos.

b) Deve ser sobrenaturalmente boa, para estar em proporção com a recompensa;

c) e, tratando-se do mérito propriamente dito, deve ser praticada em estado de graça, visto ser esta graça que faz habitar e viver em Cristo em nossas almas e nos torna participantes dos seus méritos;

d) durante a nossa vida mortal ou viadora, pois que Deus sabiamente determinou que, após um período de provação em que podemos merecer e desmerecer, chegassemos ao termo onde ficaremos para sempre fixados no estado em que a morte nos colher. - A estas condicoes da parte do homem junta-se da parte de Deus a promessa que nos dá um direito verdadeiro à vida eterna; e que, na verdade, segundo Sao Tiago, o justo recebe a coroa de vida que Deus prometeu aos que o amam.

Como atos meritórios aumentam a graça e a glória

A primeira vista parece difícil compreender como atos, tão simples, tão comuns e essencialmente transitórios, podem merecer a vida eterna. Esta dificuldade seria insoluvel, se esses atos viessem unicamente de nós; mas eles são, em realidade, obra de dois, resultado da cooperação de Deus e da vontade humana, e e isso o que explica a sua eficácia: coroando os nossos méritos, coroa Deus também os seus dons, porque tem nesses méritos uma parte preponderante.

Expliquemos, pois, a parte de Deus e a do homem; assim melhor compreenderemos a eficácia dos atos meritórios.

A) Deus é a causa principal e primária dos nossos méritos:

Não sou eu quem opera, diz Sao Paulo, é a graça de Deus comigo. Foi Ele, efetivamente, quem criou as nossas faculdades, foi Ele quem as elevou ao estado sobrenatural, aperfeicoando-as pelas virtudes e dons do Espírito Santo. É Ele que, pela sua graca atual, preveniente e adjuvante, nos solicita a fazer o bem e nos ajuda a faze-lo. É Ele, pois, a causa primaria que poe em movimento a nossa vontade e lhe da forcas novas que lhe permitem operar sobrenaturalmente.

B) Mas a nossa vontade livre, correspondendo as solicitações de Deus, opera sob o influxo da graça e das virtudes, e assim se torna causa secundaria, mas real e eficiente, de nossos atos meritórios, porque somos colaboradores de Deus.

Sem este livre consentimento, não há mérito: no céu já não há merecimento, porque não podemos deixar de amar esse Deus que vemos claramente ser a bondade infinita e a fonte da nossa bem-aventurança. Por outro lado, a nossa mesma cooperação é sobrenatural: pela graça habitual somos divinizados em nossa substância, pelas virtudes infusas e pelos dons somo-lo em nossas faculdades, pela graça atual até em nossos atos o somos.

Há, pois, proporção real entre as nossas ações, tornadas assim deiformes, e a graça, que é tambem em si uma vida deiforme, ou a glória, que não é mais que a completa evolução dessa mesma vida.

É certo que esses atos são transitórios, e a glória é eterna; mas, se na vida natural, atos que passam produzem habitos e estados de alma que permanecem, justo é que o mesmo suceda na ordem sobrenatural, e que os nossos atos de virtudes, visto produzirem em nossa alma uma disposição habitual de amar a Deus, sejam remunerados com uma recompensa duradoura; e, como a nossa alma é imortal, convem que esta recompensa não tenha fim.

Poder-se-ia objetar sem duvida que, não obstante esta proporção, Deus não é obrigado a dar-nos recompensa tão nobre e duradoura como a graça e a glória. De boa mente concedemos tudo isso e reconhecemos que Deus, em sua infinita bondade, nos dá mais do que merecemos; não teria, pois, obrigação de nos admitir ao gozo da eterna visão beatífica, se o não tivesse prometido.

Mas prometeu-o pelo mesmo fato de nos haver destinado a um fim sobrenatural; e essa promessa é nos mais duma vez recordada na Sagrada Escritura, onde a vida eterna se nos apresenta como recompensa prometida aos justos e coroa de justiça. E é por isso que o Concilio de Trento nos declara que a vida eterna é a um tempo graça, misericordiosamente prometida por Jesus Cristo, e recompensa que, em virtude da promessa de Deus, e fielmente concedida as boas obras e aos méritos.

É em virtude desta promessa que se pode concluir que o mérito propriamente dito é algo pessoal, é para nós e não para os outros que merecemos a graça e a vida eterna, porque a divina promessa não se estende mais longe. Inteiramente diverso é o caso de Nosso Senhor Jesus Cristo que, tendo sido constituído cabeça moral da humanidade, em virtude desse munus , mereceu, em sentido rigoroso, para cada um dos seus membros.

É certo que podemos merecer também para os outros, mas com mérito de conveniência; e isto é já bem consolador, pois que esse mérito se vem acrescentar ao que adquirimos para nós mesmos, e assim nos permite trabalhar em nossa santificação, e ao mesmo tempo cooperar na dos nossos irmãos.

Vejamos, pois, as condições que aumentam o valor dos nossos atos meritórios.

Essas condições tiram-se evidentemente das diversas causas que concorrem para a produção dos atos meritórios: por conseguinte, de Deus e de nós mesmos.

Com a liberdade de Deus, sempre magnífico em seus dons, podemos contar absolutamente.
A nossa atenção, deve, pois, convergir principalmente para as nossas disposições: vejamos o que as pode tornar melhores, tanto da parte do sujeito que merece, como da parte do ato meritório em si mesmo.

Condições tiradas do sujeito em si mesmo

Quatro são as principais condições que contribuem para o aumento dos nossos méritos:

1 - o nosso grau de graça habitual ou de caridade;
2 - a nossa união com Jesus Cristo:
3 - a nossa pureza de intenção;
4 - o nosso fervor.

1 - O nosso grau de graça santificante:

Para merecer em sentido próprio, é necessário viver em estado de graça: por conseguinte, quanto mais graça habitual possuirmos, tanto mais, em igualdade de circunstâncias, somos aptos para merecer. É certo que alguns teólogos o negaram sob pretexto que esta quantidade de graça nem sempre exerce influxo sobre os nossos atos, para os tornar melhores, e que há almas santas que por vezes operam com negligencia e imperfeição.

E com efeito, o valor dum ato, ainda mesmo entre os homens, depende em grande parte da dignidade da pessoa que opera e do seu crédito perante aquele que a deve recompensar. Ora, o que faz a dignidade do cristão e lhe da crédito sobre o coração de Deus, é o grau de graça ou de vida divina a que esta elevado; é por isso que os Santos do ceu ou da terra possuem tao grande poder de intercessão. Se há, pois, em nós um grau de graça mais elevado, aos olhos de Deus valemos mais que os que tem menos, agradamos-lhe mais; e por este motivo as nossas ações são mais nobres, mais agradaveis a Deus, e por isso mesmo mais meritórias.

Por outro lado, este grau de graça terá geralmente sobre a perfeição dos nossos atos influencia benefica. Vivendo vida sobrenatural mais abundante, amando a Deus com amor mais perfeito, somos levados a fazer melhor as nossas ações, a por nelas mais caridade, a ser mais generosos em nossos sacrifícios; ora essas disposições sao todos concordes em afirmar que aumentam certamente os nossos méritos. Não se diga, pois, que as vezes sucede o contrário; isso é exceção, não regra geral, e nos tivemos em consideracao esse fato, acrescentando: em igualdade de circunstâncias. E como é consoladora esta doutrina! Multiplicando os nossos atos meritórios, aumentamos cada dia o capital da graça; este capital, por seu turno, permite-nos praticar com mais amor as nossas obras, e estas com isso só aumentam o valor, para acrescentarem a nossa vida sobrenatural.

2 - Nosso grau de união com Nosso Senhor.

É evidente: a fonte do nosso mérito é Jesus Cristo, autor da nossa santificação, causa meritória principal de todos os bens sobrenaturais, cabeça dum corpo místico de que somos membros. Quanto mais perto estamos da fonte, tanto mais recebemos da sua plenitude; quanto mais nos aproximamos do autor de toda a santidade, tanto mais graça recebemos; quanto mais unidos estamos a cabeca, tanto mais dela recebemos o movimento e a vida.

Nao é isto o que nos diz o proprio Jesus Cristo naquela bela comparacao da vida? Eu sou a videira, vós os ramos... aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto. Unidos a Jesus, como os sarmentos a cepa, recebemos tanto mais seiva divina quanto mais habitual, atual e estreitamente unidos estamos a cepa divina. E eis aqui o motivo por que as almas fervorosas, ou que o querem vir a ser em todo o tempo buscaram união cada vez mais íntima com Nosso Senhor Jesus Cristo; eis aqui por que a mesma Igreja nos pede que façamos as nossas ações por Ele, com Ele e n’Ele:

- Por Ele, per Ipsum, pois que ninguem vai ao Pai sem passar por Ele, nemo venit ad Patrem nisi per me

- Com Ele, cum ipso, operando com Ele, visto que se digna ser nosso colaborador;

- N’Ele, in Ipso, isto é, na sua virtude, na sua força e sobretudo nas suas intenções, não tendo outras mais que as dele.

E então que Jesus vive em nós, inspirando os nossos pensamentos, desejos e ações, de tal sorte que podemos dizer como Sao Paulo: Vivo, mas nao sou eu, quem vive em mim e Cristo: Vivo autem, iam non ego, vivit vero in me Christus. É claro que ações praticadas sob o influxo e a ação vivificante de Cristo, com a sua onipotente colaboraçao, tem valor incomparavelmente maior que se fossem feitas somente por nós.

Por conseguinte, na prática, unamo-nos, em particular ao princípio das obras, a Nosso Senhor Jesus Cristo, e as suas intenções tao perfeitas, com a plena consciência da nossa incapacidade para fazermos seja o que for de bom por nós mesmos, e a inabalavel confiança de que Ele pode remediar a nossa fraqueza.

3 - A pureza de intenção ou a perfeição do motivo que nos leva a operar.

Para serem meritórias, basta, dizem varios teologos, que as nossas ações sejam inspiradas por um motivo sobrenatural de temor, esperança ou amor. Santo Tomas exige, sem dúvida, que elas sejam influenciadas ao menos virtualmente pela caridade, em virtude dum ato de amor de Deus precedentemente feito, cuja influencia persevere ainda. Acrescenta, porém, que esta condição é realizada por todos aqueles que vivem em estado de graça e praticam um ato licito.
E que, efetivamente, todo o ato bom se reduz a uma virtude; ora toda a virtude converge para a caridade, ja que esta é a rainha que impera todas as virtudes, como a vontade é a rainha de todas as faculdades. A caridade, sempre ativa, orienta para Deus todos os nossos atos bons, e vivifica todas as nossas virtudes, informando-as.

Se queremos contudo, que os nossos atos sejam, quanto possivel meritorios, é necessaria pureza de intenção muito mais perfeita e atual. A intenção é o que há de principal em nossos atos e o olho que as ilumina e as dirige para o fim, a alma que as inspira e lhes da o valor que tem aos olhos de Deus:

Ora, há três elementos que dão às nossas intenções valor especial:

A- Atos inspirados por amor a Deus e ao próximo
B- Ato de fé
C- Tornar explicita e atualizar.

A- Como a caridade é a rainha e a forma das virtudes, todo ato inspirado pelo amor de Deus e do próximo terá muito mais merecimento que os inspirados pelo temor ou pela esperança.
Importa, pois, que todas as nossas ações sejam feitas por amor deste modo se convertem ainda as mais comuns (como as refeições e os recreios) em atos de caridade, participando do valor desta virtude, sem perderem o seu próprio; comer, para refazer as forças, é um ato honesto que num cristão, que vive em graça, é meritório, mas reparar as forças com intenção de melhor trabalhar por Deus e pelas almas, é um motivo de caridade bem superior, que nobilita esse ato e lhe confere valor meritório muito maior

B- Como os atos de virtude informados pela caridade não perdem o seu valor próprio, daí resulta que um ato de fé, por diversas intenções ao mesmo tempo, será mais meritório.
Assim, um ato de obediencia aos Superiores, feito por um duplo motivo: respeito para com a sua autoridade e juntamente amor de Deus que se vê na pessoa do superior, terá o duplo mérito de obediencia e da caridade.

O mesmo ato pode ter assim um tríplice, um quadruplo valor: detestando os meus pecados, por serem ofensa de Deus, posso ter intenção de praticar ao mesmo tempo a penitência, a humildade e o amor de Deus: este ato é triplicadamente meritório.

E, pois, util propor-nos varias intenções sobrenaturais, importa, porem, evitar o excesso de buscar com demasiada ansiedade multiplices intenções, porque isso lançaria a perturbação na alma. Abraçar as que se nos apresentam como espontaneamente, e subordina-la a divina caridade, tal é o meio de acrescentar os méritos, conservando a paz de alma.

C- Como a vontade do homem é mudavel, é necessario tornar explícitas e atualizar frequentemente as nossas intençoes sobrenaturais; alias, sucederia que um ato, comecado por Deus, se continuaria sob o influxo da curiosidade, da sensualidade ou do amor proprio, e perderia assim uma parte do seu valor: digo uma parte, pois, como as intençooes subsidiarias nao destroem completamente a primeira, o ato nao deixa de ser sobrenatural e meritorio no seu todo.

Quando um navio, zarpando de Brest, toma rumo para Nova Iorque, nao basta dirigir uma vez por toda a proa para aquela cidade; como a maré, os ventos e as correntes tendem a fazer desviar o navio da sua derrota, é mister, por meio do leme, reconduzi-lo incessantemente a direcao primitiva.

Assim com a nossa vontade: não basta orienta-la uma vez, nem sequer todos os dias, para Deus; as paixões humanas e a influencias externas depressa a fariam desviar da linha reta; é necessário, com um ato expícito, reconduzi-la amiúde para Deus e para a caridade. Então permanecem as nossas intenções constantemente sobrenaturais, e até perfeitas, e muito meritorias, sobretudo se a isso acrescentamos o fervor na ação.

4 - A intensidade ou o fervor com que se opera.

Podemos efetivamente proceder, ainda mesmo praticando o bem, com desleixo, com pouco esforço, ou ao contrário, com ardor, com toda a energia de que somos capazes, utilizando toda a graça atual posta a nossa disposição.

É evidente que o resultado nestes dois casos sera bem diferente. Se operamos com indolencia, não adquirimos senão poucos merecimentos e até por vezes nos tornamos culpados de alguma falta venial, - que, aliás, não destrói todo o merito; se pelo contrário, oramos, trabalhamos e nos sacrificamos com toda a alma, cada uma das ações merece uma enchente preciosa de graça habitual.

Sem entrar aqui em hipoteses discutíveis, pode-se dizer com certeza que, visto Deus retribuir centuplicadamente o que por Ele se faz, uma alma fervorosa adquire cada dia um número muito consideravel de graus de graça e se torna assim em pouco tempo perfeitissima, conforme a palavra da Sabedoria: Chegado em pouco tempo a perfeição, perfez uma longa carreira, Consummatus in brevi explevit tempora multa’.

Que precioso incitamento ao fervor, e como vale a pena renovar amiude os esforços, com energia e perseverança!

Condições tiradas do objeto ou do ato em si mesmo

Não são unicamente as disposições do sujeito que aumentam o mérito, senão todas as circunstâncias que contribuem para tornar a ação mais perfeita.

Quatro são as principais:

a) A excelencia do objeto ou do ato que se pratica. Há uma hierarquia nas virtudes: assim, as virtudes teologais são mais perfeitas que as morais, e por este motivo, os atos de fé, de esperança, e sobretudo de caridade são mais meritórios que os atos de prudencia, justiça, temperança, etc. Estes ultimos, porém, como já dissemos, podem pela intenção, converter-se em atos de amor e participar assim do seu valor especial. Do mesmo modo os atos de religiao, que tendem diretamente a glória de Deus, são mais perfeitos que os que tem por fim direto a nossa santificação.

b) Para certas ações, a quantidade pode influir sobre o merito; assim, em igualdade de circunstancia, uma dádiva generosa de mil escudos será mais meritoria que a de dez centavos.

Mas trata-se de quantidade relativa; o óbulo da viúva, que se priva duma parte do necessario, moralmente vale mais que a rica oferta daquele que se despoja apenas duma porção do superfluo.

c) A duração torna também a ação mais meritória: orar, sofrer durante uma hora vale mais que faze-lo durante cinco minutos, pois que este prolongamento exige mais esforço e mais amor.

Conclusão

A conclusão, que se impoe, é a necessidade de santificar todas nossas ações, ainda as mais comuns. E que todas, como dissemos, devem ser meritórias, se as fizermos com olhos sobrenaturais, em união com o Divino Operário de Nazaré que, trabalhando na sua oficina, não cessava de merecer por nós.

E, se assim é que progresso nao podemos nós realizar num só dia?
Desde o primeiro instante do despertar até ao deitar, podem-se contar por centenas os atos meritórios que uma alma recolhida e generosa pratica: porquanto, não somente cada uma das ações, mas até, quando a acao se prolonga, cada um dos esforços para a fazer melhor, por exemplo, para repelir as distrações na oração, para aplicar o espírito ao trabalho, para evitar uma palavra pouco caritativa, para prestar ao proximo o mínimo serviço; cada palavra inspirada pela caridade; qualquer bom pensamento de que se tira proveito: em suma, todos os movimentos interiores da alma, livremente dirigidos para o bem são outros tantos atos meritórios que fazem crescer a graça de Deus em nós.

Pode-se, pois dizer com toda a verdade que não há meio mais eficaz, mais pratico, mais ao alcance de todos, para se santificar uma alma, do que sobrenaturalizar cada uma das ações; este meio basta por si só para nos elevar em pouco tempo a um alto grau de santidade. Cada ato é então uma semente de graca, porque a faz germinar e crescer em nossa alma, é uma semente de gloria, porque aumenta ao mesmo tempo os nossos direitos a celeste bem-aventurança 0 meio pratico de converter assim todos os atos em meritos, é recolher-se um momento antes da ação, renunciar positivamente a qualquer intenção natural ou má, unir-se a Nosso Senhor, modelo e mediador universal, com o sentimento da própria incapacidade, e oferecer por Ele a ação a Deus para sua glória e para bem das almas; assim entendido, o oferecimento muitas vezes renovado das nossas açoes e um ato de abnegacao, humildade, amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, amor de Deus, amor do proximo; é um atalho maravilhoso para chegar a perfeição. Para mais eficazmente a alcançarmos, temos ainda a nossa disposição os Sacramentos.

Depois veremos: Perfeição da Vida Cristã

Deus seja Louvado!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Chesterton


"Uma das coisas que julgava que mais depunham contra o Cristianismo era a acusação, que lhe faziam, de que havia algo de tímido, de monacal e de desumano em tudo o que se costuma chamar de “cristão”, especialmente em sua atitude perante a resistência e a luta.

Os grandes céticos do séulo XIX eram, em grande parte, viris. Bradlaugs, de forma expansiva, e Huxley, de forma reservada, era, decididamente, homens. Em comparação, parecia aceitável que existisse algo de fraco e de excessivamente paciente nos ensinamentos cristãos.

O paradoxo do Evangelho acerda da outra face, o fato de os padres nunca lutarem nas guerras, uma centana de coisas, enfim, tornava plausível a acusação de que o Cristianismo era uma tentativa de transformar o homem em um cordeiro.

Li isso e acreditei, e, se não tivesse lido nada diferente, continuaria a acreditar. No entanto, li algo muito diferente depois. Virei a página seguinte do meu manual agnóstico, e logo meu cérebro ficou de pernas para o ar. Descobri, então, que tinha de odiar o Cristianismo, não por combater pouco, mas por combater demasiado. A religião cristã parecia a mãe das guerras. O Cristianismo tinha inundado o mundo em sangue.

Eu, que havia ficado zangado com o Cristianismo por ele nunca se zangar, tinha, agora, de zangar-me com ele, porque sua fúria havia sido a coisa mais horrível e mais monstruosa da História da Humandade. O seu ódio embebera-se na Terra e fumegara até o Sol. As mesmas pessoas que criticavam o Cristianismo por sua mansidão e pela não-resistência dos mosteiros eram as que vinham, agora, acusa-lo pela violência e pela bravura das Cruzadas. Fora por culpa do pobre e velho Cristianismo (de forma ou de outra) que Eduardo, o Confessor, não combatera, e Ricardo Coração de leão, sim.

Os Quackers (assim ouvíamos dizer) eram os únicos cristãos típicos e, no entanto, os massacres de Cromwell e de Alba eram crimes tipicamente Cristãos. O que tudo isso queria dizer? Que Cristianismo era este que sempre proibia as guerras e sempre estava a provoca-las? Qual poderia ser a natureza de uma coisa que era insultada, primeiramente, por não combater, e, depois, por estar sempre envolvidas em luta?

Em que mundo de enigmas se gerara esse Monstruoso Assassino e essa Monstruosa Mansidão? A forma do Cristianismo tornava-se mais estranha a cada instante….

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Por que devo ter uma religião?


Por Pe Léo Trese


A Lei Natural


Se construo um relógio, tenho o direito de esperar que me diga que horas são; afinal, foi para isso que o fiz. Se fabrico uma lâmpada, tenho o direito de esperar que me dê luz, porque foi para isso que a fiz. Da mesma forma, Deus tem direito a esperar que o Universo que Ele criou cumpra a finalidade para a qual foi criado. Na verdade, tem o direito de esperar que cada uma das partes do Universo cumpra o fim para qual foi feita.


Com relação a todas as criaturas inferiores ao homem, era uma tarefa fácil para Deus assegurar que fariam o que Ele desejava que fizessem. Para as pedras, as plantas e os animais, estabeleceu o que chamamos “leis físicas”, leis que fazem com que as coisas se comportem sempre de tal maneira que cumpram sua finalidade, isto é, que se comportem de acordo com sua natureza. Assim, uma pedra “agirá”sempre como pedra, uma árvore como árvore, um pássaro como pássaro.


Para os seres inertes, existem leis como a da gravidade, as da ótica, as da termodinâmicas, as que regem a propagação das ondas sonoras, etc, e todas essas outras leis físicas que não admitem possibilidades de escolha; isto é, são leis a que a matéria tem de obedecer sempre. Para os seres vivos, tais como as plantas e os animais, acrescentam-se às leis físicas e químicas outras leis, como as que regem o crescimento e a reprodução; e os animais contam, além das anteriores, com a lei do instinto, que lhes permite fazer o que devem fazer em resposta aos estímulos que lhes vêm de fora, mas ainda sem disporem de opções ou de um verdadeiro raciocínio.


Mas o ser humano tinha de ser governado de maneira diferente.


Deus dotou-nos de livre-arbítrio, e portanto seria contraditório que Ele mesmo destruisse logo a seguir a nossa liberdade, impondo-nos umas leis que não admitissem escolha alguma, leis que nos forçassem a agir sempre de acordo com a sua vontade ou, o que é o mesmo, a agir sempre tal como um ser humano deveria agir. É verdade que o nosso corpo está submetido às leis físicas, tal como qualquer outro corpo material. Quando tropeçamos, a lei da gravidade leva-nos ao chão com a mesma velocidade com que levaria qualquer pedra. A nossa visão e audição tem de ajustar-se às leis da ótica e da acústica. As nossas células nutritivas e reprodutivas obedecem aos mesmos princípios que regem todas as criaturas inferiores.


Mas, quando desempenhamos o nosso papel de seres humanos, isto é, quando pomos em funcionamento as nossas atividades superiores, as atividades que exercemos como criaturas simultaneamente espirituais e materiais, entra em jogo um tipo diferente de lei. Tem de tratar-se de uma lei que respeite a nossa liberdade, ao mesmo tempo que nos obriga de alguma forma. Essa lei exige a nós – como, aliás, Deus em justiça exige de toda criação – que nos comportemos de acordo com a nossa natureza, isto é, tal como uns seres humanos dotados de alma espiritual devem comportar-se. Mas a obrigação que essa lei nos impõe não é uma necessidade física, e sim uma obrigação moral. Estamos, portanto, moralmente obrigados a agir tal como um ser humano deve agir, mas fisicamente livres para nos recusamos a agir assim.


Suponhamos que me veja diante da alternativa de roubar ou não roubar. A razão me diz que é essencial, para minha realização como ser humano, respeitar a propriedade alheia. O homem é um ser social, e está destinado a viver em companhia dos outros, já que, até certo ponto, todos dependemos uns dos outros. Não somos simples indivíduos isolados; somos membros de uma comunidade. Ora, o roubo destrói as próprias bases da convivência, da mútua dependência.


Portanto, o roubo contraria a minha própria natureza, como ser humano, opõe-se à finalidade para a qual Deus me criou. É por isso que a simples razão, mesmo deixando de lado tudo o que a religião ensina, é suficiente para mostrar-me que é errado roubar.


Talvez percebemos agora que a distinção entre o “certo”e o “errado”não depende simplesmente de umas quantas regras que Deus teria estabelecido arbitrariamente. O “certo”e o “errado”são realidades profundamente arraigadas na minha natureza de ser humano. Tal ou qual ato será bom, estará “certo”, na medida em que estiver de acordo com o fim para o qual Deus me criou, tal como um relógio “está certo”na medida em que informa corretamente a hora, e a lâmpada é “boa”na medida em que dá luz.


Talvez percebemos também que o perfeito uso da liberdade não consiste em escolher entre o que é bom e o que é mau, mas antes em escolher entre este ou aquele bem. Somos fisicamente livres de escolher o mal, mas, ao fazê-lo, não usamos propriamente da liberdade que Deus nos deu; antes, abusamos dela.


A responsabilidade que, em consequência, temos diante de Deus – uma responsabilidade que, comos vimos, deriva da própria natureza humana – é chamada Lei Natural. Qualquer homem em seu são juízo, se não estiver cegado pela paixão ou pelos preconceitos, sabe perfeitamente que determinadas atitudes são corretas e outras erradas. A sua razão, mesmo sem a ajuda de qualquer religião, diz-lhe que a propriedade alheia deve ser respeitada, os pais devem ser honrados, o cônjuge de outra pessoa deve ser respeitado, e Deus deve ser adorado. É isto o que queremos dizer quando falamos de Lei Natural.


Dar a Deus o que é de Deus


Só quero justiça!”: este é, invariavelmente, o comentário feito por que quer que apresente uma petição judicial ou uma queixa à polícia. Essa pessoa quer que sejam respeitados os seus direitos. Quer aquilo que lhe é devido!


Pois bem, também Deus quer que sejam respeitados os seus direitos, quer que lhe seja feita justiça. Foi Ele quem fez o Universo (incluindo-se nele o gênero humano) para que manifestasse a sua glória. É verdade que, como diz o Catecismo, “Deus nos fez para que sejamos felizes para sempre com Ele no céu”. Esta formulação, no entento, só nos apresenta essa verdade do nosso ponto de vista. Encontraremos, sem dúvida, a felicidade, mas a felicidade é um resultado, algo que deriva do cumprimento dos nossos deveres para com Deus. Se realizarmos a finalidade para a qual Ele nos fez, se decidirmos livremente desempenhar o papel que nos cabe dentro do concerto universal que canta a glória de Deus, a felicidade será um subproduto.


As estrelas e os planetas, o vento e as águas, as flores, os animais e as aves, todos esses seres manifestam necessariamente a glória de Deus, sem que lhes seja dada a possiblidade de escolher entre faze-lo ou não. Somente o ser humano é capaz de oferecer a Deus o maior de todos os louvores, o louvor que lhes damos por livre decisão da nossa parte , sem qualquer tipo de compulsão física.


Mesmo que Deus não nos tivesse enviado nenhuma mensagem especial, a nossa razão seria suficiente para repararmos que temos obrigação de dar a cada um o que lhe é devido. Em outras palavras, a própria Lei Natural nos ordena que pratiquemos a virtude que se encontra na raiz da religião.


É próprio da natureza humana reconhecer a excelência, amar tudo que é bom, obedecer à autoridade legítima, agradecer os favores recebidos. Da mesma forma, temos para com Deus uma dívida: devemos honrar Àquele que é infinitamente perfeito, amar Àquele que é infinitamente bom, obedecer Àquele que nos fez e a quem pertencemos, agradecer Àquele de quem vêm todos os bens. Ou, para dizê-lo com outras palavras, devemos adorar a Deus, devemos praticar a religião.


Mesmo que Deus em pessoa não tivesse vindo à terra, assumindo a natureza humana na pessoa de Jesus Cristo, a fim de nos instruir a respeito de si mesmo; mesmo que nunca tivesse enviado profetas a este mundo, ou inspirado as Sagradas Escrituras; mesmo que tivesse permanecido no mais completo silêncio acerca de Si próprio – mesmo assim, teríamos obrigação de adora-Lo, de praticar a religião.


O fato de a religião – o cumprimento os nossos deveres para com Deus – fazer parte da Lei Natural, de ser uma obrigação reconhecida pela simples razão humana, mesmo que não tivesse havido nenhuma Revelação divina é plenamente corrobado pelas pesquisas de antropologia. Essa ciência que se dedica a estudar os costumes e o comportamento humanos, mostrou e continua mostrar que todos os povos e todas as raças, em todas as épocas da história, praticaram alguma forma de religião.


A única exceção que se pôde descobrir foram umas poucas tribos selvagens isoladas que haviam degenarado a ponto de se tornarem quase desumanas, desprovidas até das mais rudimentares evidências da dignidade humana. Isto, diga-se de passagem, é a melhor resposta que podemos dar a esses pagãos modernos, segundo os quais a religião não passa de algo inventado pelo próprio homem em algum ponto da escala da evolução, uma forma de auto-ilusão pela qual o homem primitivo procurava explicar os fenômenos naturais que não compreendia e sentir segurança diante dos poderes desconhecidos e ameaçados que não podia dominar.


Como é evidente, mesmo os povos antigos , mais civilizados, como gregos ou os romanos, cometeram erros gritantes no que diz respeito à prática da religião. Se tivermos em conta a doutrina de pecado original, que obscureceu e enfraqueceu a inteligência humana, era de esperar que fosse assim. Por isso, é natural que esses povos tenham multiplicado os seus deuses, identificando-os às vezes com as forças da natureza, como o sol, a lua, a chuva ou o raio. No entanto, mesmo as formas mais idolátricas de religião preservaram uma crença mais ou menos vaga numa divindade superior ou suprema. É um poderoso testemunho em favor da força da Lei Natural o fato de ela ter sido capaz de impor-se mesmo através das névoas de um intelecto ferido pelo pecado.


Até agora, falamos unicamente daquilo que se constuma chamar “Religião natural”- isto é, da religião tal como o homem é capaz de conhece-la guiado unicamente pela luz da razão. Mas, com a queda de Adão, tornou quase impossível que os homens – a não ser algumas mentes excepcionais, como as de Platão e Aristóteles – descobrissem por si mesmos a verdade, Deus teve de entrar novamente em cena. Para evitar que nos afundássemos mais e mais no erro, decidiu ajudar-nos a conhecer, por Revelação, não somente aquelas verdades que, deveríamos ter descoberto naturalmente – por exemplo, a sua eternidade e a sua infinita perfeição -, como também muitas outras que nunca teríamos podido descobrir apenas por meio das nossas próprias forças – por exemplo, a existência de três Pessoas em Deus, ou o fato de estarmos destinados à união eterna com Deus. Estas e todas as outras verdades reveladas diretamente por Deus constituem aquilo que se costuma chamar”religião Sobrenatural”


Fonte: A sabedoria do Cristão


1 - O Cristão e o descrente

2 - As Razões de nossa Esperança

3 - Deus existe? do nada, nada se cria

4 - Razão, Ordem e Evolução

5 - Que é o homem? Criação ou Evolução?

6 - Imortal e Livre


Depois veremos: Como começou a Religião? – Fatos e Mitos

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Assunção de Nossa Senhora



Nossa Mãe foi levada ao Céu, para reinar com os anjos e Santos.

Nos diz São Jerônimo"

"Quem pode imaginar a glória de que a rainha do mundo foi cercada quando de sua passagem? Que afeto devoto dedicaram-lhe a multidão de legiões celestes que foram ao seu encontro! Como eram belos os cânticos que a acompanhavam até o seu trono! Que fisionomia tranqüila, que rosto sereno, que olhar elevado quando do braço de seu divino filho que a exaltava acima de todas as criaturas! Acredito que neste dia a milícia dos Céus foi festivamente encontrar a mãe de Deus cercando-a de imensa luz e conduzindo-a com loas e cânticos até o trono de Deus. A milícia da Jerusalém celeste estremeceu de inefável alegria, de indizível prazer, de imensa júbilo. Essa festa, que acontece apenas uma vez ao ano para nós, é ininterrupta nos Céus, com o próprio Salvador estando com ela durante toda a festa e colocando-a com alegria junto dele no trono. Se fosse diferente, não teria cumprido sua própria lei que diz: ?Honre seu pai e sua mãe?.

Nossa Senhora, Virgem Santíssima - Te amamos! Rogai por nós!