segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Papa Bento e a Vigília de oração pela vida nascente


Rezemos com o Santo Padre, Bento XVI

"Senhor Jesus,
que fielmente visitais e cumulais
com a vossa Presença
a Igreja e a história dos homens;
que no admirável Sacramento
do vosso Corpo e do vosso Sangue
nos tornais partícipes da Vida divina
e nos fazeis antegozar
a alegria da Vida eterna;
nós vos adoramos e vos bendizemos.

Prostrados diante de Vós,
nascente e amante da vida
realmente presente e vivo no meio de nós, suplicamos-vos.

Voltai a despertar em nós o respeito por cada vida humana nascente,
tornai-nos capazes de entrever
no fruto do ventre materno
a obra admirável do Criador,
disponde os nossos corações
ao acolhimento generoso de cada criança que está para nascer.

Abençoai as famílias,
santificai a união dos esposos,
tornai fecundo o seu amor.

Acompanhai com a luz
do vosso Espírito as opções
das assembleias legislativas,
para que os povos e as nações reconheçam e respeitem
a sacralidade da vida,
de cada vida humana.

Orientai a obra
dos cientistas e dos médicos,
a fim de que o progresso contribua para o bem integral da pessoa
e ninguém venha a sofrer
supressão e injustiça.

Infundi caridade criativa
nos administradores
e nos economistas,
para que saibam intuir e promover condições suficientes
a fim de que as jovens famílias possam abrir-se serenamente
ao nascimento de novos filhos.

Consolai os cônjuges que sofrem por causa da impossibilidade
de ter filhos e, na vossa bondade, sede providente para com eles.

Educai todos a cuidar das crianças órfãs ou abandonadas,
para que elas possam experimentar o calor da vossa Caridade,
a consolação do vosso Coração divino.

Com Maria vossa Mãe,
a grande crente, em cuja seio assumistes a nossa natureza humana,
esperamos de Vós, nosso único
e verdadeiro Bem e Salvador,
a força de amar e servir a vida,
à espera de viver sempre em Vós,
na Comunhão da Bem-Aventurada Trindade"


Fonte: Aqui

sábado, 28 de janeiro de 2012

O olhar de Veríssimo sobre o BBB


Lendo o Blog de Dom Luiz Bergonzini, me deparei com este texto de Luiz Fernando Veríssimo - cronista e escritor brasileiro. O Achei excelente! Apesar de eu nunca ter assistido um só capítulo do BBB, sei que aquilo é lixo puro e de lixo não precisamos. Precisamos de água limpa, precisamos de valores que nos elevem, precisamos de uma vida santa para vermos a Deus, enfim, precisamos de Deus para sermos luz neste mundo. Leiam e reflitam na verdade destas palavras. Que bom que ainda temos gente de peso que pensa e não tem medo de condenar abertamente as obras das trevas.

Estas palavras de São Paulo servem para Luiz Fernando e para todos nós que não temos medo da santidade e da verdade: Efésios 5,10-17:

" Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente. Porque as coisas que tais homens fazem ocultamente é vergonhoso até falar delas. Mas tudo isto, ao ser reprovado, torna-se manifesto pela luz. E tudo o que se manifesta deste modo torna-se luz. Por isto (a Escritura) diz: Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará (Is 26,19; 60,1)! Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus"


O olhar de Veríssimo sobre o BBB

"Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço.

A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo.

O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.

Impossível ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados. Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$ $ do BBB:José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema....., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , ·visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade."

Autor: Luiz Fernando Veríssimo é cronista e escritor brasileiro
Esta crônica está sendo divulgada pela internet a milhões de e-mails.

Fonte: AQUI

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Igreja Católica - Parte IV





















Por: Padre Léo Trese.

Sabemos também que há três Sacramentos pelos quais Cristo nos marca os nossos deveres:

Primeiro, o Sacramento do Batismo, pelo qual nos tornamos membros do Corpo Místico de Cristo. Dissemos que, pelo Batismo, somos incorporados em Cristo.

Os crentes que respondem à Palavra de Deus e se tornam membros do Corpo de Cristo ficam intimamente unidos a Cristo (LG. 7). Isto é particularmente verdade a respeito do Batismo, que nos une à morte e à Ressurreição de Cristo” (n. 790).

Ao unir-nos a Ele com essa intimidade, Jesus compartilha conosco, na medida das limitações humanas, tudo quanto é e tudo quanto tem. Especialmente, faz-nos participar do seu sacerdócio eterno. Compartilhamos com Ele a tremenda tarefa de oferecer à Santíssima Trindade um culto adequado.

O cristão batizado, quando exerce conscientemente o sacerdócio comum que compartilha com Cristo, participa da Missa de uma maneira que uma pessoa não batizada jamais poderá alcançar. Mas, além da Missa, adoramos a Deus de outras maneiras: pela oração, pelo sacrifício e pela prática das virtudes da fé, da esperança e da caridade, especialmente da caridade. Caridade significa amor a Deus e amor às almas que Deus criou e pelas quais Jesus morreu.

A nossa condição de membros do Corpo Místico de Cristo e a nossa participação no seu sacerdócio eterno incita-nos a trabalhar ativamente com Cristo na obra da Redenção. Para sermos fiéis à nossa vocação de batizados, devemos sentir zelo pelas almas; todos e cada um de nós devemos ser apóstolos e, se fazemos parte do laicato, devemos ser apóstolos leigos.

São duas palavras que vêm do grego. Nessa língua, apóstolo significa “enviado”.

Os doze homens que Jesus enviou ao mundo para estabelecer a sua Igreja são os Doze Apóstolos, assim, com maiúsculas. Mas não haviam de ser os únicos apóstolos. Na pia batismal, Jesus envia-nos, a cada um, a continuar o que os Doze Apóstolos iniciaram. Nós também somos apóstolos, com “a” minúsculo.

Quanto à palavra leigo, também provém do grego e significa simplesmente´“povo”. Sabemos que há na Igreja três amplas categorias de membros:

Os clérigos, termo que abrange os bispos, os sacerdotes e os diáconos; Os religiosos, homens e mulheres que vivem em comunidade e fazem voto de pobreza, castidade e obediência; e finalmente os leigos, os cristãos comuns. Este termo compreende todos os batizados que não sejam clérigos nem religiosos.

Juntas, as três categorias de membros compõem o Corpo Místico de Cristo.

Não apenas os clérigos, nem os clérigos com os religiosos, mas os clérigos, os religiosos e os leigos, todos unidos num Corpo, num só Povo de Deus, constituem a Igreja de Cristo.

Nesse Corpo, cada categoria tem a sua função própria.

Mas todos têm em comum, independentemente da categoria a que pertençam, a chamada – recebida no momento em que receberam o Batismo – para serem apóstolos, cada um segundo o seu estado. Jesus compartilha conosco o seu sacerdócio eterno pelo Batismo e, de forma mais completa, pela Confirmação. No Batismo, compartilha a sua função de adoração da Trindade e, na Confirmação, a função “profética”, a função docente.

Assim como no Batismo fomos marcados com um selo indelével como membros do Corpo de Cristo e partícipes do seu sacerdócio, na Confirmação somos marcados de novo com o selo indelével de canais da verdade divina.

Agora temos direito a qualquer graça de que possamos necessitar para ser fortes na fé, e a quaisquer luzes de que precisemos para tornar a nossa fé inteligível aos outros, sempre partindo da base, é claro, de que fazemos o que está ao nosso alcance para aprender as verdades da fé e nos deixamos guiar pela autoridade docente da Igreja, que reside no Papa e nos bispos. Uma vez confirmados, temos como que uma dupla responsabilidade de ser apóstolos e uma dupla fonte de graça e fortaleza para cumprir esse dever.

Finalmente, o terceiro dos sacramentos que fazem participar do sacerdócio é a Ordem. Desta vez, Cristo compartilha plenamente o seu sacerdócio: completamente nos bispos e em grau subordinado nos sacerdotes.

No sacramento da Ordem, não há apenas uma chamada, não há apenas uma graça, mas há, além disso, um poder. O sacerdote recebe o poder de consagrar e perdoar, de santificar e abençoar.O bispo, além disso, recebe o poder de ordenar outros bispos e sacerdotes, e a jurisdição de governar as almas e de definir as verdades de fé.

Este poder de definir verdades de fé reside no Colégio Episcopal – todos os bispos do mundo juntos – quando, em união com o Papa, exerce o seu supremo magistério. “O colégio ou corpo episcopal não tem autoridade se nele não se considerar incluído, como chefe, o Romano Pontífice”. Como tal, este colégio é também ele detentor do poder supremo e pleno sobre a Igreja inteira. Todavia, este poder não pode ser exercido senão com o consentimento do Romano Pontífice (LG. 22) (n. 883).

Mas todos somos chamados a ser apóstolos. Todos recebemos a missão de ajudar o Corpo Místico de Cristo a crescer e a manter-se são. Cristo espera que cada um de nós contribua para a salvação do mundo, da pequena parcela do mundo em que vive: o seu lar, o seu ambiente de trabalho e de lazer, as suas relações sociais, etc. Espera que, por meio das nossas vidas, O tornemos visível àqueles com quem trabalhamos.

Espera que sintamos um pleno sentido de responsabilidade para com as almas dos que nos cercam, que os seus pecados nos penalizem, que a sua incredulidade nos preocupe. Cristo espera de cada um de nós que participemos, cada um de acordo com a sua vocação, da única missão salvadora da Igreja.

Diz o Concílio Vaticano II que “é específico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus”. E acrescenta que é nas condições ordinárias da vida familiar e social que os leigos devem contribuir, a modo de fermento, para a santificação do mundo.

Há, além disso, a possibilidade de se inscreverem em associações de natureza apostólica que tenham uma clara finalidade de santificação pessoal e alheia, sem deixarem por isso de ser leigos.

Uma vez que todos os fiéis,em virtude do Batismo e da Confirmação, são encarregados por Deus de exercer o apostolado,os leigos têm a obrigação e o direito, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra”. (n.900).

Fonte: A Fé Explicada

Depois veremos: As Notas e os Atributos da Igreja


Veja o estudo AQUI

25 - Parresía: "O Purgatório"

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Purgatório na Bíblia



Por - Prof. Felipe Aquino,

"Muitos me perguntam onde está na Bíblia o Purgatório? Ele é uma exigência da razão e mesmo da caridade de Deus por nós. A palavra “Purgatório” não existe na Bíblia, foi criada pela Igreja, mas a realidade, o “conceito doutrinário” deste estado de purificação existe amplamente na Sagrada Escritura como vamos ver. A Igreja não tem dúvida desta realidade por isso, desde o primeiro século reza pelo sufrágio das almas do Purgatório.

1 – São Gregório Magno (†604), Papa e doutor da Igreja, explicava o Purgatório a partir de uma palavra de Jesus: “No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,31). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro” (Dial. 41,3). O pecado contra o Espírito Santo, ou seja a pessoa que recusa de todas as maneiras os caminhos da salvação, não será perdoado nem neste mundo, nem no mundo futuro. Mostra o Senhor Jesus, então, neste trecho, implicitamente, que há pecados que serão perdoados no mundo futuro, após a morte.

2 – O ensinamento sobre o Purgatório tem raízes já na crença dos próprios judeus do Antigo Testamento; cerca de 200 anos antes de Cristo, quando ocorreu o episódio de Judas Macabeus. Narra-se aí que alguns soldados judeus foram encontrados mortos num campo de batalha, tendo debaixo de suas roupas alguns objetos consagrados aos ídolos, o que era proibido pela Lei de Moisés. Então Judas Macabeus mandou fazer uma coleta para que fosse oferecido em Jerusalém um sacrifício pelos pecados desses soldados. “Então encontraram debaixo da túnica de cada um dos mortos objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, coisas proibidas pela Lei dos judeus. Ficou assim evidente a todos que haviam tombado por aquele motivos… puseram-me em oração, implorando que o pecado cometido encontrasse completo perdão… Depois [Judas] ajuntou, numa coleta individual, cerca de duas mil dracmas de prata, que enviou a Jerusalém para que se oferecesse um sacrifício propiciatório. Com ação tão bela e nobre ele tinha em consideração a ressurreição, porque, se não cresse na ressurreição dos mortos, teria sido coisa supérflua e vã orar pelos defuntos. Além disso, considerava a magnífica recompensa que está reservada àqueles que adormecem com sentimentos de piedade. Santo e pio pensamento! Por isso, mandou oferecer o sacrifício expiatório, para que os mortos fossem absolvidos do pecado” (2Mc 12,39-45).

O autor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, louva a ação de Judas: “Se ele não esperasse que os mortos que haviam sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerasse que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormeceram piedosamente, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis porque ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, afim de que fossem absolvidos do seu pecado”. (2 Mac 12,44s) .Neste caso, vemos pessoas que morreram na amizade de Deus, mas com uma incoerência, que não foi a negação da fé, já que estavam combatendo no exército do povo de Deus contra os inimigos da fé. Cometeram uma falta que não foi mortal.

Fica claro no texto de Macabeus que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios, e que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos e que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a crença no Purgatório e para a oração em favor dos mortos.

3 – Com base nos ensinamentos de São Paulo, a Igreja entendeu também a realidade do Purgatório. Em 1Cor 3,10, ele fala de pessoas que construíram sobre o fundamento que é Jesus Cristo, utilizando uns, material precioso, resistente ao fogo (ouro, prata, pedras preciosas) e, outros, materiais que não resistem ao fogo (palha, madeira). São todos fiéis a Cristo, mas uns com muito zelo e fervor, e outros com tibieza e relutância. E S. Paulo apresenta o juízo de Deus sob a imagem do fogo a provar as obras de cada um. Se a obra resistir, o seu autor “receberá uma recompensa”; mas, se não resistir, o seu autor “sofrerá detrimento”, isto é, uma pena; que não será a condenação; pois o texto diz explicitamente que o trabalhador “se salvará, mas como que através do fogo”, isto é, com sofrimentos.

4 – Na passagem de Mc 3,29, também há uma imagem nítida do Purgatório:”Mas, se o tal administrador imaginar consigo: ‘Meu senhor tardará a vir’. E começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar (…) e o mandará ao destino dos infiéis. O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes.” (Lc 12,45-48). É uma referência clara ao que a Igreja chama de Purgatório. Após a morte, portanto, há um “estado” onde os “pouco fiéis” haverão de ser purificados.

5 – Outra passagem bíblica que dá margem a pensar no Purgatório é a de (Lc 12,58-59): “Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele não te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo.”

O Senhor Jesus ensina que devemos sempre entrar “em acordo” com o próximo, pois caso contrário, ao fim da vida seremos entregues ao juiz (Deus), nos colocará na “prisão” (Purgatório); dali não sairemos até termos pago à justiça divina toda nossa dívida, “até o último centavo”. Mas um dia haveremos de sair. A condenação neste caso não é eterna. A mesma parábola está´ em Mt 5, 22-26: “Assume logo uma atitude reconciliadora com o teu adversário, enquanto estás a caminho, para não acontecer que o adversário te entregue ao juiz e o juiz ao oficial de justiça e, assim, sejas lançado na prisão. Em verdade te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo” . A chave deste ensinamento se encontra na conclusão deste discurso de Jesus: “serás lançado na prisão”, e dali não se sai “enquanto não pagar o último centavo”.

6 – A Passagem de São Pedro 1Pe 3,18-19; 4,6, indica-nos também a realidade do Purgatório:”Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados (…) padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos na prisão, aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes (…).” Nesta “prisão” ou “limbo” dos antepassados, onde os espíritos dos antigos estavam presos, e onde Jesus Cristo foi pregar durante o Sábado Santo, a Igreja viu uma figura do Purgatório. O texto indica que Cristo foi pregar “àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes”. Temos, portanto, um “estado” onde as almas dos antepassados aguardavam a salvação. Não é um lugar de tormento eterno, mas também não é um lugar de alegria eterna na presença de Deus, não é o céu. È um “lugar” onde os espíritos aguardavam a salvação e purificação comunicada pelo próprio Cristo"

Do livro: Purgatório. O que a Igreja ensina.

Prof. Felipe Aquino -

sábado, 21 de janeiro de 2012

Quais são os livros que integram a Bíblia?


Visto que a inspiração divina da Bíblia é uma graça sobrenatural, só Deus pode revelar quais são em concreto os livros inspirados por Ele.


A lista dos livros inspirados constitui o Canon Bíblico.

A realidade revelada do Canon Bíblico está na fé da Igreja desde as suas origens.

Os testemunhos documentais mais importantes que se conservam desta fé são os decretos dos Concílios de Cartago ( à volta do ano 400) e alguns outros documentos do Magistério ordinário desde o sec.V. O Concílio de Florença ( 1441), por sua vez, recolheu esta Tradição da Igreja.

Esta verdade de fé foi definida solenemente pelo Concílio de Trento ( 1546). O Concílio Vaticano I ( 1870) reiterou de modo solene a definição do Concílio de Trento, que o Vaticano II assumiu.

O conceito de canonicidade pressupõem o de inspiração: um livro é canônico quando tendo sido escrito sob a Inspiração divina é reconhecido e proposto como tal pela Igreja. A Igreja não define como canônico nenhum livro que não seja inspirado.

O critério que serviu a Magistério da Igreja para a definição de quais são em concreto os livros inspirados e canônicos é a sagrada Tradição, interpretada com a assistência do Espírito Santo.

Os livros do Cânon Bíblico são os que reproduzem as edições católicas da Bíblia.


Uma vez abordada a questão que é a Bíblia e quais são em concreto os livros que a integram, surge uma outra: que relação tem os livros as Sagrada Escritura que hoje lemos com os originais que saíram das mãos dos autores inspirados? Ou por outras palavras: conservam e reproduzem eles o texto original inspirado?

Advirtamos em primeiro lugar que não conservamos nenhum manuscrito que seja autógrafo, quer dizer, saído das mãos do seu autor, mas somente cópias diretas ou indiretas do original. Esta circunstancia é idêntica à que se produz com os restantes monumentos literários da Antiguidade.

Os livros do AT foram escritos originalmente em hebraico, exceto o livro da Sabedoria e o II Macabeus, que o foram em grego; também alguns fragmentos pequenos de outros livros foram escritos pelos seus autores em grego ou aramaico.

O NT, pelo contrário, foi todo escrito originalmente em grego, exceto a primeira redação do Evangelho de São Mateus, que o foi em aramaico.

Igualmente, no que diz respeito às datas de composição, a AT começa a ser escrito possivelmente em fins do séc. XIII a.C., e termina em princípios do I a.C.: um longo período, pois,de cerca de doze séculos. O NT, pelo contrário, foi redigido no breve tempo de cinqüenta anos, que aproximadamente vão do ano 50 a 100.

Pois bem, a Bíblia, e de modo especial o NT , é , sem comparação possível com qualquer outro monumento literário da Antiguidade, o melhor e mais abundante documentado: como dado eloqüente de contraste entre a Bíblia e qualquer literatura pode citar-se o fato de que as obras literárias mais importantes da Antiguidade, como a Iliada e a Odisseía de Homero e algumas obras de Aristóteles e Platão, que são das de que mais manuscritos possuímos, em nenhum caso chegam ao milhar de cópias; mais ainda, apenas se conservam umas poucas dezenas , e na sua maior parte, de época muito tardia ( entre os sécs. X e XV).

Pelo contrário, da Bíblia conservamos uns 6.000 manuscritos em antiqüíssimas versões (copto, latim, armênio, aramaico etc.) Por isto a Bíblia, além da sua autoridade divina, goza também de uma verificabilidade histórico-crítica incomparavelmente superior a qualquer obra literária antiga.


Fonte: Bíblia de Navarra

Estudos anteriores AQUI

Depois veremos sobre: Interpretação da Bíblia

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Mitos Litúrgicos



Autor: Francisco Dockhorn

Revisão teológica: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen-RS

Retirado do site: Reino da Virgem

Publicação original: 11 de Fevereiro de 2009, 151º aniversário das aparições da Santíssima Virgem em Lourdes


Mito 5: "A noção da Missa como Sacrifício é ultrapassada"

Não é.

O Sagrado Magistério da Igreja, por graça do Espírito Santo, é infalível em matéria de fé e moral (Cat., n.2035). Por isso, a fé católica não muda.

A Santa Missa é a Renovação do Único e Eterno Sacrifício de Nosso Senhor, oferecido pelas mãos do sacerdote. Diz o Catecismo da Igreja Católica (n. 1367): "O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício."

O Catecismo anterior, publicado pelo Papa São Pio X em 1905, afirma (n. 652-654): "A santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos altares, debaixo das espécies de pão e de vinho, em memória do sacrifício da Cruz. (...) O Sacrifício da Missa é substancialmente o mesmo que o da Cruz, porque o mesmo Jesus Cristo, que se ofereceu sobre a Cruz, é que se oferece pelas mãos dos sacerdotes seus ministros, sobre os nossos altares, mas quanto ao modo por que é oferecido, o sacrifício da Missa difere do sacrifício da Cruz, conservando todavia a relação mais íntima e essencial com ele. (...) Que diferença, pois, e que relação há entre o Sacrifício da Missa e o da Cruz? Entre o Sacrifício da Missa e o sacrifício da Cruz há esta diferença e esta relação: que Jesus Cristo sobre a cruz se ofereceu derramando o seu sangue e merecendo para nós; ao passo que sobre os altares Ele se sacrifica sem derramamento de sangue, e nos aplica os frutos da sua Paixão e Morte."

Curiosidade: o Papa Bento XVI afirmou, no dia 09 de Outubro de 2006, que o homem contemporâneo "perdeu o sentido do pecado". Ora, se não há pecado, qual a necessidade de um Sacrifício Propiciatório? Creio que isso explica muitas coisas...

Postagens Anteriores AQUI

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Exame Particular



Por Padre Leo Trese

11,45

Neste interlúdio tão agradável de quinze minutos livres, lamentando pela milésima vez ter sido tão materialista em assuntos espirituais, entro na sacristia.

Sempre me tocou aprender do modo mais difícil, à força de pancadas.

Apesar dos diretores do seminário e dos teólogos de ascética, tive que descobrir por mim mesmo que ou meditamos ou perecemos. Mais tempo ainda levarei a admitir a necessidade do exame de consciência. Considerava-o privativo das freiras e dos seminaristas, deslocado na vida de um sacerdote cheio de afazeres. Pouco a pouco, no entanto, fui percebendo que a meditação, só por si, não é suficiente. As boas resoluções esquecem-se depressa.

Às sete da manhã parecia-me estar flutuando em outro mundo, mas às sete da tarde sentia-me muito preso a este. Era evidente que meus esforços espirituais tinham o mesmo defeito do meu futebol: Falta de fôlego.

Enquanto os meus joelhos tratam de apoiar-se comodamente nos degraus do altar, penso maravilhado no poder da graça divina, que consegue abrandar uma cabeça tão dura como a minha. Por fim, resolvi fazer todos os dias o meu exame de consciencia. Foi um esforço que se salvou do fracasso e do desleixo por uma margem muito estreita, mas que talvez só fosse estreita na aparencia, já que essa margem era nem mais nem menos a graça de Deus.

A princípio, apresentaram-se duas dificuldades.

A primeira, que tardei em reconhecer, foi a minha própria presunção e ougulho. Esses poucos minutos pareciam-me ridiculamente longos. Coisa estranha! Era-me extremamente fácil passar uma hora refletindo sobre o lado bom dos meus supostos talentos e façanhas, e não era capaz de preencher cinco minutos pensando nos meus defeitos.

Ainda hoje coro de vergonha quando me lembro de que, as vezes, tinha que rezar uma ou outra dezena do terço durante o exame, porque não encontrava nada de especial em que pensar! Felizmente, persisti nessa prática o tempo suficiente para que o vapor se dissipasse do espelho e eu começasse a ver-me tal como era.

Compreendo agora porque passei tanto tempo procurando esquivar-me: o meu velho compadre, o eu, tinha o pressentimento e o pavor do escandalo que podia rebentar. Não é agradável ser-se apanhado em mentira, mesmo que seja uma só vez. Mas esse guia severo e impiedoso chamado exame surpreendia-me sempre quando mais me sentia enlevado nas minhas cômodas ilusões.

A segunda dificuldade consistiu no velho e capcioso pretexto que se pode resumir numa frase: "muito ocupado". Fosse o que fosse que estivesse fazendo antes do almoço, quer se tratasse de uma visita paroquial, de um trabalho na secretaria ou de uma simples conversa com uma visita, sempre me parecia impossível livrar-me antes da hora exata de sentar-me a mesa.

Soava o Angelus, e onde encontrar tempo para o exame? A dificuldade resolveu-se muito simplesmente quando me ocorreu a idéia (obrigado meu Deus) de atrasar quinze minutos a hora do almoço e passar esse tempo na igreja. Foi tão fácil!

Agora encerro os meus trabalhos da manhã, não ao meio-dia, mas às 11:45. É surpreendente verificar como a visita mais persistente se retira de boa vontade quando lhe digo: "Agora tenho que ir a igreja"; estou certo de que sai menos descontente do que se lhe dissesse: "São horas do meu almoço".

"Muito ocupado"! é um argumento que ainda não consegui abolir por completo. Vez por outra, tenho que fazer disso tema do meu exame. Muito ocupado para cumprir a minha única obrigação, que é santificar-me?

Será possível que a minha gente perca alguma coisa por eu reservar parte do meu tempo para tentar ser melhor sacerdote? Estou mergulhado em reuniões, planos e atividades. Todas as noites a luz fica acesa até altas horas no salão paroquial. Mobilizei todos os membros da paróquia, exceto os cães e os gatos. Não tenho tempo para mim. Todos podem ver como me dedico aos meus paroquianos!

Penso então no Cura d'Ars e... zás! lá se vai por água abaixo o parapeito que ergui com tanto esforço para livrar-me da tarefa da minha própria santificação.

Quantos escoteiros e escoteiras tinha o Cura d'Ars? Quantas equipes de futebol, quantos campeonatos e quantos clubes organizou? Se eu me decidisse a ser um verdadeiro sacerdote, um homem de oração, de caridade e de sacrificio (por essa ordem), talvez passasse a ter o confessionário e a mesa da Comunhão completamente cheios, e não tivesse que recorrer a tantos sermões e circulares.

Não é que as atividades da paróquia não tenham a sua importância, mas devo ve-las na sua perspectiva real e não permitir que a moldura seja maior que o quadro. Construirei, portanto, algumas barreiras: barreiras em torno do tempo da meditação, do meu exame de consciência e da minha leitura espiritual. E pregarei nelas um grande cartaz: "Proibida a entrada", exatamente como faço para as refeições e para o sono.

Antes de tentar seguir o exemplo de São Paulo e "fazer-me tudo para todos", lutarei em primeiro lugar para que "Cristo viva em mim e eu nEle".

Tenho a vaga suspeita de ter procedido até agora completamente ao contrário.

Oh!, faltam três minutos para o meio-dia e eu ainda não comecei o meu exame! Nem sequer invoquei as luzes do Espírito Santo.

Mas talvez não tenha perdido tempo.

Ainda que já tenha pensado muitas outras vezes nessa mesma coisa, o mundo não desabará se o faço mais uma.

Tenho uma cabeça tão dura, tão terrivelmente dura!

Fonte: Vaso de Argila

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