terça-feira, 6 de março de 2012

Um conto de fadas para Adultos



Por Alfonso Aguiló

" Muitas pessoas dizem que a teoria do big bang, como tal, é perfeitamente a auto-criação do Universo, e portanto não precisa de Deus para explicar seja o que for"

O big-bang e a auto-criação do Universo são duas coisas bem diferentes. A teoria do big-bang, como tal, é perfeitamente conciliavel com a existencia de Deus*. (*Essa teoria diz que todo o universo se teria originado de um ponto inicial de massa e energia quase infinitas, mas a teoria nada afirma sobre a origem deste ponto inicial)

Mas, quanto à teoria da auto-criação - que sustenta, mediante explicações mais ou menos engenhosas, que o Universo se criou a si próprio do nada - seria preciso objetar duas coisas:

Primeiro, que desde o momento em que se fala de criação a partir do nada, estamos já fora do método científico, já que o nada não existe e, portanto, não é possível aplicar-lhe o método científico. E, segundo, que é necessária muita fé para pensar que uma massa de matéria ou de energia possa ter-se criado a si mesma.

Tanta fé, que o próprio Jean Rostand - para citar um cientísta de reconhecida autoridade mundial nesta matéria e, no seu tempo, pouco suspeito de simpatia pela doutrina católica - chegou a dizer que essa história da auto-criação é como "um conto de fadas para adultos".

Afirmação que André Frossard reforça ironocamente dizendo que "se deve admitir que algumas pessoas adultas não são muito mais exigentes que as crianças a respeito dos contos de fadas[...]:as partículas originais, sem qualquer impulso nem direção exteriores, começam a associar-se, a combinar-se aleatoriamente entre elas para passar dos quasares aos átomos e dos átomos a moléculas de arquitetura cada vez mais complicada e diversa, até produzirem, depois de milhares de milhões de anos de esforços incenssantes, um professor de astrofísica de óculos e bigode. É o supra-sumo das maravilhas. A doutrina da Criação não pedia senão um milagre de Deus. A da auto-criação exige um milagre a cada décimo de segundo".

Evolução: está certo, mas a partir do quê?

- Há quem entenda a história do Universo como a evolução dos organismos vivos que emergiram da matéria e alcançaram um certo grau de complexidade...

Para os que defendem essas teorias, parece que o mundo é apenas um questão de geometria extraordinariamente complexa. No entanto, por mais que algumas estruturas se compliquem, e por mais que se admita uma vertiginosa evolução da sua complexidade, essa evolução da substancia material depara com pelo menos duas objeções importantes.

A primeira é que a evolução nunca explicaria a origem primeira dessa matéria incial. A evolução transcorre no tempo; tem por pressuposto a Criação.

A segunda é que a passagem da matéria para a inteligencia humana é um salto ontológico - um salto no modo de ser de cada coisa - que não se pode dever a uma simples evolução fruto do acaso.

Por muito que a matéria se desenvolva, não é capaz de produzir um só pensamento que lhe permita compreender-se a si mesma, do mesmo modo que - como exemplifica André Frossard - "nunca veríamos um triangulo que, depois de um extraordinário processo evolutivo, notasse de repente, maravilhado, que a soma dos seus ângulos internos é igual a cento e oitenta graus".

- Há algum inconveniente em que um católico acredite na evolução das espécies? Muitos dizem que não faz sentido que a Igreja continue relutante em aceitar um dado que está provado cientificamente.

Talvez não estejam bem informados, porque a Igreja Católica não tem inconveniente algum em aceitar a evolução do corpo humano a partir de um primata. Para conciliar a doutrina da evolução humana com a teologia católica, é suficiente admitir que Deus agiu num momento determinado sobre o corpo do primeiro casal, infundindo-lhes uma alma humana.

Deus pôde, com efeito, ir formando o corpo do homem a partir de alguma espécie de primata em evolução, de acordo com um projeto desenhado por Ele, e quando esse primata alcançou o grau de desenvolvimento requerido, dotou-o de alma humana.

A Igreja não tem nenhum inconveniente em que um católico aceite essa hipótese, se a considera digna de crédito.

- Então um católico não tem de acreditar ao pé da letra no relato da Criação que aparece no Gênesis?

Não é preciso acreditar ao pé da letra. O relato do ato da Criação que o Genesis oferece, não pretende seu uma explicação científica sobre a origem do ser humano.

As descrições de fenomenos físicos ou naturais que encontramos na Bíblia não pretendem proporcionar-noa diretamente ensinamentos em matéria científica, e os detalhes contidos nessas descrições também não afetam diretamente a doutrina da salvação.

Observa-se perfeitamente que a narrativa do Genesis é um esquema teológico, que não pretende ser histórico, mas proporcionar uma visão geral das verdades mais fundamentais, a fim de deixar claro que o mundo procede somente do poder de Deus. O modo como o processo se levou a cabo é uma questão que a Bíblia deixa completamente em aberto.

O autor do Genesis não se propunha das aulas de astrofísica ou de biologia molecular. Dá a entender que todo o homem, e o homem todo, em corpo e alma, vem de Deus, depende de Deus e foi criado por Deus; que o Universo não é auto-suficiente e que Deus é o criador e senhor de todas as coisas.

As aparentes divergencias que parecem observar-se entre algumas narrativas bíblicas e os conhecimentos científicos atuais devem-se ao sentido matafórico ou figurado com que, em alguns casos, os autores sagrados escreviam, ou então a um modo diferente de expressar-se, de acordo com as aparencias sensíveis ou a maneira de falar do povo da época.

Estudos anteriores AQUI


Fonte: É Razoável crer? - Quadrante

Depois veremos: Deus pode caber na minha cabeça?

Nobreza Espiritual


Um Cartuxo

" É no mundo do homem, em que tudo lisonjeia os sentidos e a vaidade, que devemos criar uma solidão sagrada, praticar a renúncia e deixarmo-nos despojar de acordo com as exigências da graça. Mas nenhuma perda resulta para nós de tudo isso: de cada vez que renunciamos a uma satisfação aparente, é-nos assegurado um aumento de verdadeiros bens.

Os prazeres que o mundo procura são uma decepção constante, gelam o coração e deixam-no vazio diante da morte, enfraquecem o seu instinto de nobreza e privam-no da sua paz, e levam-no muitas vezes ao desespero. Pois este mundo continua surdo à voz de Cristo e recusa-se a acreditar na verdade que lhe diz respeito, defende-se com a ira contra a alegria de Cristo, contra Deus e contra os seus, cuja sentença receia: " Agora, vou para ti; e digo estas coisas estando ainda no mundo, para que eles tenham em si mesmos a plenitude do meu gozo. Dei-lhes a tua palavra e o mundo os odiou, porque não são do mundo, como também eu não sou do mundo" (João, XVIII, 13-14)

Fonte: Intimidade com Deus - Um cartuxo - Quadrante

Rezemos pelo clero, sobretudo pelo Nosso Papa e pelo Padre Paulo Ricardo.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Céu e Terra em miniatura


Por Scott Hann

"Muitos pequenos detalhes da visão de João se esclarecem quando procuramos entrar em contato com o Apocalípse da maneira como seu público original deve tê-lo feito.Se fôssemos judeu-cristãos de fala grega do tempo de João e vivêssemos nas cidades da província romana da Asia, é provável que conhecessemos a topografia de Jerusalém por causa de nossas peregrinações regulares.

Jerusalém era exatamente importante para os leitores de João.Era a capital e o centro economico do antigo Israel, além do centro cultural e academico da nação.Mas,acima de tudo, Jerusalém era o coração espiritual do povo israelita, como o Vaticano para os católicos.

Em Jerusalém, sentiríamos a mais profunda afeição pelo Templo, que era o centro da vida cultural e religiosa para os judeus de todo mundo.Jerusalém não era tanto uma cidade com um Templo quanto o Templo com uma cidade construída em sua volta.

Para os judeus piedosos, mais que lugar de culto, o Templo representava a maquete de toda criação.Assim como o universo foi feito para ser o santuário de Deus, com Adão como sacerdote, o Templo deveria restaurar essa ordem, com sacerdotes de Israel oficiando diante do Santo dos Santos.

Como judeus-cristãos, reconheceríamos imediatamente o Templo na descrição que o Apocalípse faz do céu. No templo, como no céu de João, os sete candelabros de ouro (Ap 1,12) e o altar de perfumes (8,3-5) ficavam diante do Santo dos Santos.

No Templo, quatro querubins esculpidos adornavam as paredes, como os quatro anjos vivos ministram diante do trono no céu de João.Os vinte e quatro "anciãos" (em grego ptrsbyteroi)são uma réplica dos vinte e quatro grupos de sacerdotes que serviam no Templo todos os anos.O "mar límpido, semelhante ao cristal"(Ap 4,6)era a grande piscina de bronze polido do Templo que comportava 45 mil litros de àgua.

Como no Templo de Salomão, no centro,do templo do Apocalípse ficava a Arca da aliança.(Ap 11,19)O apocalípse revelava o Templo - mas para os judeus devotos e os judeus convertidos ao cristianismo também revelava muito mais, pois o Templo e seus ornamentos indicavam realidades mais elevadas.

Como Moisés (veja Ex 25,9), o rei Davi recebeu o plano do templo do próprio Deus: "Tudo isto encontra-se num escrito redigido pela mão do Senhor, que me fez compreender todas as obras do plano" (I Cr 29,19).

O Templo deveria seguir o modelo da corte celeste: " Ordenaste-me construir um Templo em tua morada, à imitação da tenda santa que tinhas preparado desde a origem" (Sb 9,8).

Da imitação à Participação.

De acordo com as antigas crenças judaicas, o culto no Templo de Jerusalém espelhava o culto dos anjos no céu.O sacerdócio levítico,a liturgia da aliança, os sacrifícios eram vagas representações de modelos celestes. Ainda assim, o livro do Apocalípse tinha algo diferente , algo mais. Enquanto Israel rezava "por imitação dos anjos", a Igreja do Apocalípse adorava "junto com os anjos" (veja 19,10).

Enquanto sómente os sacerdotes podiam entrar no lugar santo do Templo de Jerusalém, o Apocalípse mostrava uma nação de sacerdotes (Veja 5,10;20,6) que habitavam sempre na presença de Deus.Já não haveria um arquétipo celeste e uma imitação terrena.Agora o Apocalíse revelava "um só culto", compartilhado por homens e anjos!

Das Cinzas.

Os biblistas discordam a respeito de quando o livro do Apocalípse foi escrito; as estimativas variam do fim dos anos 60 até o final dos anos 90d.C. Entretanto, quase todos concordam que a medição do Templo por João (Ap 11,1) indica uma data anterior a 70, pois depois desta data não havia mais Templo para medir.

De qualquer modo,o culto sacrifical da antiga aliança encontrou seu fim definitivo com a destruição do templo e de Jerusalém em 70 d.C.Para os judeus de todo o mundo esse foi um acontecimento cataclísmico - que prefigurava o juízo final do "templo cósmico" no fim dos tempos.

Depois de 70 d.C. a fumaça dos cordeiros dos sacrifícios de Israel não mais subiu.As legiões romanas reduziram a entulho enegrecido pelo fogo a cidade e o santuário que davam sentido à vida dos judeus da Palestina e do exterior.

O que João descreve em sua visão era nada menos que o fim do mundo antigo, da antiga Jerusalém, da antiga aliança e a criação de um mundo novo, uma nova Jerusalém. Com a ordem do mundo novo surgiu uma nova ordem de culto.

É difícil "não " ouvir ecos do evangelho de João:" Destrui este templo, e em tres dias eu o reerguerei" (Jo 2,19)..."vem a hora em que nem sobre esta montanha, nem em Jerusalém adorareis o Pai...na qual os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade"(Jo 4,21.23).

No Apocalípse, essas previsões se realizam quando o novo Templo se revela como o corpo místico de Cristo, a Igreja e qdo a adoração "no Espírito" tem lugar na nova Jerusalém celeste.Do mesmo modo, é fácil entender por que os cristãos primitivos consideravam o véu rasgado do Templo tão significativo do ponto de vista teológico e litúrgico.

O véu rasgou-se exatamente quando o corpo de Cristo foi decisivamente rasgado.Quando Jesus completou a oferenda terrena de seu corpo, Deus assegurou que o mundo soubesse que o véu fora removido do "Santuário".

Agora todos - reunidos na Igreja - podiam entrar em sua presença no dia do Senhor:

Destarte, irmaõs, temos total garantia de acesso ao santuário pelo sangue de Jesus. Temos aí um caminho novo e vivo, que Ele inaugurou através do véu, isto é, através da sua humanidade...Velemos una pelos outros para nos estimular à caridade e às boas obras.Não abandonemos as nossas assembléias..mas animemo-nos, tanto mais que vedes o Dia aproximar-se (Hb 10,19-20.24-25).

" No Espírito no dia do Senhor", João viu algo que era mais completo do que qualquer narrativa ou argumento poderia transmitir.Ele viu que parte do mundo já estava transformada em um novo céu e uma nova terra.Alguns séculos mais tarde,Scott (e agora nós!) começamos a nos voltar para olhar.

Fonte: O Banquete do Cordeiro

Veja o estudo AQUI

Depois veremos: Quem é quem no Céu.
O Elenco de Milhares do Apocalípse:

domingo, 4 de março de 2012

As Notas e os Atributos da Igreja de Cristo


Por Padre Leo Trese

“Não é produto genuíno se não traz esta marca”.

Encontramos com frequência este lema nos anúncios dos produtos.

Talvez não acreditemos em toda a tagarelice sobre os “produtos de qualidade” e “os entendidos o recomendam”, mas, quando vão fazer compras, muitos insistem em que lhes sirvam determinadas marca, e quase ninguém compra um artigo de prata sem lhe dar a volta para verificar se traz o selo que garante que é prata de lei, e muito poucos compram um anel sem antes olhar a marca dos quilates.

Sendo a sabedoria de Cristo a própria sabedoria de Deus, era de esperar que, ao estabelecer a sua Igreja, tivesse Ele previsto alguns meios para reconhecê-la, não menos inteligentes que os dos modernos comerciantes; umas “marcas” para que todos os homens de boa vontade pudessem reconhecê-la facilmente.

Era de esperar que o fizesse, especialmente tendo em conta que Jesus fundou a sua Igreja à custa da sua própria vida. Jesus não morreu na Cruz por gosto. Não deixou aos homens a escolha de pertencer ou não à Igreja, segundo as suas preferências. A sua Igreja é a Porta do Céu, pela quais todos (ao menos com um desejo implícito) devem entrar.

Ao constituir a Igreja como pré-requisito para a nossa felicidade eterna, o Senhor não deixou de estampar nela, claramente, a sua marca, o sinal da sua origem divina, e tão à vista que não pudéssemos deixar de reconhecê-la no meio da miscelânea de mil seitas, confissões e religiões do mundo atual. Podemos dizer que a “marca” da Igreja é um quadrado, e que o próprio Jesus Cristo nos disse que devíamos olhar para cada lado desse quadrado.

Primeiro, a unidade:

"Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco, e é preciso que eu as traga. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor "(Jo 10,16).

E também: "Pai santo guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, como nós somos um "(Jo 17,11)

Depois, a santidade:

"Santifica-os na verdade [...]. Por eles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade" (Jo 17,17 e 19). Esta foi a oração do Senhor pela sua Igreja, e São Paulo recorda-nos que Jesus Cristo se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade e purificar para sim um povo aceitável, zeloso pelas boas obras (TI.2,14).

O terceiro lado do quadrado é a catolicidade ou universalidade.

A palavra “católico” vem do grego, como a palavra “universal” vem do latim, mas ambas significam o mesmo: “tudo”. Todo o ensinamento de Cristo a todos os homens, em todos os tempos e em todos os lugares.

Escutemos as palavras do Senhor:

"Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, em testemunho a todas as gentes (MT.24,14). Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura (MC. 16,15). Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria e até os confins da terra (AT. 1,8).

O quadrado completa-se com a nota da Apostolicidade

Esta palavra parece um pouco complicada de se pronunciar, mas significa simplesmente que a Igreja que proteste ser de Cristo deve ser capaz de remontar a sua linhagem, em linha ininterrupta, até os Apóstolos. Deve ser capaz de mostrar a sua legítima descendência de Cristo por meio dos Apóstolos.

De novo fala Jesus: E eu digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (MT.16,18).

E, dirigindo-se a todos os Apóstolos: Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar todas as coisas que mandei. Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo (MT. 28,18-20).

São Paulo sublinha este sinal de apostolicidade quando escreve aos Efésios:

Vós, pois, já não sois hóspedes, nem adventícios, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Jesus Cristo a principal pedra angular (EF.2,19-20).

Qualquer Igreja que reclame ser de Cristo deve mostrar essas quatro notas.

Fonte: A Fé Explicada

Estudos anteriores AQUI

sábado, 3 de março de 2012

Creio em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor



A importância deste Artigo se deduz:
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Em crer e professar o presente Artigo, encontra o gênero humano imensas e admiráveis vantagens, consoante o testemunho de São João: "Quem confessa que Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele permanece em Deus".(I Jo 4,5). Prova-o também a palavra de Cristo Nosso Senhor, quando proclama a bem-aventurança do Príncipe dos Apóstolos: "Bem-aventurado és tu, Simáo, filho de Jonas, pois não foi a carne nem o sangue que te revelou, mas antes Meu Pai que está nos céus".(Mt 16,17)

Realmente, esta fé e esta profissão constituem a base mais sólida para nosso resgate e salvação.

1. Da desgraça do homem decaído

Os admiráveis frutos deste Artigo aparecem com maior evidência, se considerarmos como se destruiu o venturoso estado em que Deus colocara os primeiros homens, constituindo a causa das misérias e desgraças que todos nós padecemos.

Adão apartou-se da obediência devida a Deus, quando violou a proibição: "De todas as árvores do Paraíso poderás comer, mas não comas da árvore da ciência do bem e do mal. No que dia dela comeres, morrerás de morte". Ele caiu logo no maior dos infortúnios, perdendo a santidade e justiça em que fora constituído, ficando sujeito a outros males, conforme ensina mais longamente o Santo Concílio de Trento. Este pecado e seu castigo não se detiveram só na pessoa de Adão; mas que de Adão, como sua fonte e origem, passaram merecidamente para toda a sua posteridade.

Da única possibilidade de redenção

Uma vez decaído de tão alta dignidade, nada podia levantar o gênero humano e reintegrá-lo no estado primitivo, nem as forças humanas, nem as forças angélicas. Em vista de tal ruína e desgraça, não restava, pois, outro remédio, senão o infinito poder com que o Filho de Deus, assumindo a fraqueza de nossa carne, devia destruir a infinita malícia do pecado, e pelo seu Sangue reconciliar-nos com Deus.

3. Da promessa de redenção

A) no Paraíso

Ora, o crer na Redenção e o professá-la sempre foram condições necessárias para a salvação dos homens. Assim Deus o ensinou, desde o início da Revelação. No mesmo instante que condenava o gênero humano, imediatamente após o pecado, Deus fez nascer a esperança de resgate, pelas [próprias] palavras com que anunciou ao demônio a dura derrota que lhe resultaria da libertação dos homens: "Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua raça e a sua descendência. Esmagará ela a tua cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar".(Gn 2,16-17)

B) a Abraão

Mais tarde, Deus confirmou por muitas vezes a mesma promessa. Fez revelações mais positivas de Seus desígnios, mormente àqueles varões, com os quais queria usar de uma benevolência toda particular. Entre outros, o patriarca Abraão recebeu freqüentes indicações respeito deste mistério. Na hora, porém, em que ia imolar Isaac, seu filho por obediência a Deus, Abraão veio a ter revelações mais explícitas.

Deus, com efeito, lhe dissera: "Porque assim procedeste, a ponto de poupar teu filho único, Eu te abençoarei, e multiplicarei tua descencia como as estrelas do céu, e como a areia que jaz nas praias do mar. Tua geração possuirá as portas de teus inimigos, e em tua raça serão abençoados todos os povos da terra, porque obedeceste à minha voz". (Gn 22,16-17)

Destas palavras, era fácil reconhecer que, da posteridade de Abraão, nasceria Aquele que havia de livrar todos os homens da horrenda tirania de Satanás, e trazer-lhes a salvação. Ora, [o Libertador prometido] devia ser (também] Filho de Deus, ainda que fosse, como homem, gerado do sangue de Abraão.

c) a Jacó

Pouco tempo depois, para que se conservasse a recordação da promessa, o Senhor reafirmou a mesma aliança com Jacó, neto de Abraão. Na ocasião de ver, durante o sono, uma escada firmada na terra, mas com a ponte a tocar o céu; e [vendo] também os Anjos de Deus que por ela subiam desciam, como afirma a Escritura, - Jacó ouviu ao mesmo tempo a voz do Senhor que, apoiado na escada, lhe dizia: "Eu sou o Senhor, Deus de teu pai Abrãao, e Deus de Isaac. Dar-te-ei, a ti a tua posteridade, a terra em que estás dormindo. E tua geração será como o pó da terra. Hás de estender-te para o Oriente e o Ociente, para o Setentrião e o Meio-dia. Em ti e na tua geração serão abençoadas todas as tribos da terra".

Posteriormente, Deus nunca deixou de renovar a recordação de Sua promessa, nem de manter a esperança do Salvador, não só entre os filhos de Abraáo, mas também entre muitos outros homens. Desde a consolidação do regime político e da religião judaica, o povo ia ficando cada vez mais ciente dessa expectativa. As coisas mudas (por ex. a estrela de Jacó - Num 24,17; Mt 2,2) tornam-se sinais [da Redenção]. Homens houve que anunciavam quais e quantos benefícios havia de trazer-nos Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor.

d) aos Profetas em geral

Os Profetas, cujo espírito era aclarado por uma luz celestial, falavam diante do povo, e anunciavam-lhe o nascimento do Filho de Deus, as obras admiráveis que havia de praticar depois da Sua Encarnação, Sua doutrina, Seus costumes, Seu trato, Sua Morte e ressurreição e os outros mistérios. Falavam com tanta clareza de todos estes fatos, como se os tivessem presentes à própria vista. Se, pois, abstrairmos da distância que medeia entre o passado e o futuro, já não podemos notar nenhuma diferença entre os oráculos dos Profetas e a pregação dos Apóstolos, entre a fé dos antigos patriarcas e a nossa própria fé atual.

O nome de Jesus:

Jesus é o nome próprio d'Aquele que é Deus e homem ao mesmo tempo. Significa "Salvador".

Não Lhe foi posto casualmente, por escolha e vontade dos homens, mas por ordem e intenção de Deus. Assim o declarou o Anjo Gabriel a Maria, Sua Mãe: "Eis que conceberás em teu seio, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus". E depois ordenou a José, esposo da Virgem, desse tal nome ao menino, e indicou-lhe ao mesmo tempo as razões por que devia chamar-Se assim: "José, filho de Davi, não tenhas receio de levar para tua casa Maria, tua esposa; pois o que nela foi concebido, obra é do Espírito Santo. Portanto, ela há de dar à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque Ele há de remir Seu povo de seus pecados".

1 - Os homônimos no Antigo Testamento

Verdade é que, nas Escrituras, se nos deparam muitas pessoas com esse mesmo nome. Assim se chamava o filho de Navé que sucedeu a Moisés; teve o privilégio, negado a seu antecessor, de levar à Terra de Promissão o povo que o mesmo Moisés havia arrancado do cativeiro do Egito. Assim se chamava também o filho de Josedec, sumo-sacerdote.

2. Justeza desse nome

A nosso ver, com quanto mais acerto não se deve atribuir esse nome a Nosso Salvador! A Ele que deu luzes, liberdade e salvação, já não a um povo singular, mas a todos os homens de todas as épocas. A Ele que os livrou, não diremos da fome ou da opressão do Egito e da Babilônia, mas das sombras da morte em que estavam sentados, presos com os duríssimos grilhões do pecado e do demônio. A Ele que lhes adquiriu o direito à herança do Reino dos céus, e os reconciliou com o Pai Eterno.

Naquelas pessoas não vemos senão uma figura de Cristo Nosso Senhor, que de tantos benefícios cumulou o gênero humano, como acabamos de explicar.

3 - Seu aspecto total

Além do mais, todos os outros nomes que, segundo as profecias, deviam ser dados ao Filho de Deus, estão já incluídos nesse único nome de "Jesus". Cada um deles exprime aspectos parciais da salvação que nos devia trazer; ao passo que o nome de Jesus abrange, por si só, resgate do gênero humano, em toda a sua extensão e eficácia.

Fonte: Catecismo Romano.

Depois veremos: Significação de "Cristo"

Primeiro Artigo AQUI

quinta-feira, 1 de março de 2012

Chesterton


"Sempre acreditei que o mundo envolvia certa mágica, e agora penso que ele talvez envolva um mágico. Isso causa uma profunda impressão, sempre presente no subcosnciente: o nosso mundo tem algum objetivo; logo, se há um objetivo, há um agente. Primeiramente, sempre considerei a vida uma história e, se há uma história, tem de haver um narrador [...] O Universo é uma jóia única e, embora seja matáfora natural falar de uma jóia como algo inigualável e inestimável, no que concerne ao Universo tal expressão é literalmente verdadeira, porque não pode haver outro igual.

Assim, mostra-se inevitavelmente imprópria toda tentativa de exprimir coisas inexprimíveis. Assim são as minhas últimas atitudes perante a vida - o terreno para as sementes de uma doutrina. Pensei nessas coisas, de forma obscura, antes de poder escreve-las e senti-as antes que pudesse pensar sobre elas. E para que possamos prosseguir mais facilmente, vou recapitula-las por alto.

Em primeiro lugar, estou absolutamente convencido de que este mundo não se explica a si próprio. Pode ser um milagre com uma explicação sobrenatural, mas pode ser também um tipo de mágica com uma explicação natural. Mas a explicação desta mágica, para me satisfazer, terá que ser melhor que as explicações naturais que tenho ouvido. A coisa é mágica - verdadeira ou falsa.

Em segundo lugar, sou levado a crer que, se a mágica deve ter algum significado deve revelar a existência de alguém a quem tal significado deva ser atribuído. Havia algo de pessoal no mundo, assim como há algo de pessoal em uma obra de arte; fosse qual fosse o seu significado, manifestava-se violentamente.

Em terceiro lugar, achei que essa intenção era bela no seu antigo desígnio, apesar de ter defeitos, exatamente como os dragões.

Em quarto lugar, verifiquei que a maneira adequada de nos mostrarmos gratos é por intermédio da humildade e limitação. Devemos agradecer a Deus a cerveja e o vinho, e demonstrar esse reconhecimento não os bebendo em excesso. Devemos, também, obediência àquele que nos fez, seja Ele quem for. E - por último e mais estranho -, veio-me a mente uma vaga e vasta impressão de que tudo o que é bom e remanescente de alguma ruína primordial, que devemos guardar e considerar sagrado.

O homem salvou os seus bens como Crusoé salvou os seus haveres: salvou-os de um naufrágio. Eu sentia tudo isso e a minha idade não me deu estímulo para tal sentimento. E, durante todo esse tempo, eu não tinha pensado na teologia cristã"

Mais de Chesterton AQUI

Ortodoxia - pag 90

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Gaudium et Spes - Sobre a Igreja no mundo Atual


Papa Paulo VI

Íntima união da Igreja com toda a família humana

1. As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.

Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história.

A quem se dirige o Concílio: todos os homens

2. Por isso, o Concílio Vaticano II, tendo investigado mais profundamente o mistério da Igreja, não hesita agora em dirigir a sua palavra, não já apenas aos filhos da Igreja e a quantos invocam o nome de Cristo, mas a todos os homens. Deseja expor-lhes o seu modo de conceber a presença e actividade da Igreja no mundo de hoje.

Tem, portanto, diante dos olhos o mundo dos homens, ou seja a inteira família humana, com todas as realidades no meio das quais vive; esse mundo que é teatro da história da humanidade, marcado pelo seu engenho, pelas suas derrotas e vitórias; mundo, que os cristãos acreditam ser criado e conservado pelo amor do Criador; caído, sem dúvida, sob a escravidão do pecado, mas libertado pela cruz e ressurreição de Cristo, vencedor do poder do maligno; mundo, finalmente, destinado, segundo o desígnio de Deus, a ser transformado e alcançar a própria realização.

Para iluminar a problemática humana e salvar o homem

3. Nos nossos dias, a humanidade, cheia de admiração ante as próprias descobertas e poder, debate, porém, muitas vezes, com angústia, as questões relativas à evolução actual do mundo, ao lugar e missão do homem no universo, ao significado do seu esforço individual e colectivo, enfim, ao último destino das criaturas e do homem.

Por isso, o Concílio, testemunhando e expondo a fé do Povo de Deus por Cristo congregado, não pode manifestar mais eloquentemente a sua solidariedade, respeito e amor para com a inteira família humana, na qual está inserido, do que estabelecendo com ela diálogo sobre esses vários problemas, aportando a luz do Evangelho e pondo à disposição do género humano as energias salvadoras que a Igreja, conduzida pelo Espírito Santo, recebe do seu Fundador. Trata-se, com efeito, de salvar a pessoa do homem e de restaurar a sociedade humana. Por isso, o homem será o fulcro de toda a nossa exposição: o homem na sua unidade e integridade: corpo e alma, coração e consciência, inteligência e vontade.

Eis a razão por que este sagrado Concílio, proclamando a sublime vocação do homem, e afirmando que nele está depositado um germe divino, oferece ao género humano a sincera cooperação da Igreja, a fim de instaurar a fraternidade universal que a esta vocação corresponde. Nenhuma ambição terrena move a Igreja, mas ùnicamente este objectivo: continuar, sob a direcção do Espírito Consolador, a obra de Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade , para salvar e não para julgar, para servir e não para ser servido .

INTRODUÇÃO

A condição do Homem no mundo atual

Esperanças e temores

4. Para levar a cabo esta missão, é dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da futura, e da relação entre ambas. É, por isso, necessário conhecer e compreender o mundo em que vivemos, as suas esperanças e aspirações, e o seu carácter tantas vezes dramático. Algumas das principais características do mundo actual podem delinear-se do seguinte modo.

A humanidade vive hoje uma fase nova da sua história, na qual profundas e rápidas transformações se estendem progressivamente a toda a terra. Provocadas pela inteligência e actividade criadora do homem, elas reincidem sobre o mesmo homem, sobre os seus juízos e desejos individuais e colectivos, sobre os seus modos de pensar e agir, tanto em relação às coisas como às pessoas. De tal modo que podemos já falar duma verdadeira transformação social e cultural, que se reflecte também na vida religiosa.

Como acontece em qualquer crise de crescimento, esta transformação traz consigo não pequenas dificuldades. Assim, o homem, que tão imensamente alarga o próprio poder, nem sempre é capaz de o pôr ao seu serviço. Ao procurar penetrar mais fundo no interior de si mesmo, aparece frequentemente mais incerto a seu próprio respeito. E, descobrindo gradualmente com maior clareza as leis da vida social, hesita quanto à direcção que a esta deve imprimir.

Nunca o género humano teve ao seu dispor tão grande abundância de riquezas, possibilidades e poderio económico; e, no entanto, uma imensa parte dos habitantes da terra é atormentada pela fome e pela miséria, e inúmeros são ainda os analfabetos. Nunca os homens tiveram um tão vivo sentido da liberdade como hoje, em que surgem novas formas de servidão social e psicológica. Ao mesmo tempo que o mundo experimenta intensamente a própria unidade e a interdependência mútua dos seus membros na solidariedade necessária, ei-lo gravemente dilacerado por forças antagónicas; persistem ainda, com efeito, agudos conflitos políticos, sociais, económicos, «raciais» e ideológicos, nem está eliminado o perigo duma guerra que tudo subverta. Aumenta o intercâmbio das ideias; mas as próprias palavras com que se exprimem conceitos da maior importância assumem sentidos muito diferentes segundo as diversas ideologias. Finalmente, procura-se com todo o empenho uma ordem temporal mais perfeita, mas sem que a acompanhe um progresso espiritual proporcionado.

Marcados por circunstâncias tão complexas, muitos dos nossos contemporâneos são incapazes de discernir os valores verdadeiramente permanentes e de os harmonizar com os novamente descobertos. Daí que, agitados entre a esperança e a angústia, sentem-se oprimidos pela inquietação, quando se interrogam acerca da evolução actual dos acontecimentos. Mas esta desafia o homem, força-o até a uma resposta.

Evolução e domínio da técnica e da ciência

5. A actual perturbação dos espíritos e a mudança das condições de vida, estão ligadas a uma transformação mais ampla, a qual tende a dar o predomínio, na formação do espírito, às ciências matemáticas e naturais, e, no plano da acção, às técnicas, fruto dessas ciências. Esta mentalidade científica modela a cultura e os modos de pensar duma maneira diferente do que no passado. A técnica progrediu tanto que transforma a face da terra e tenta já dominar o espaço.

Também sobre o tempo estende a inteligência humana o seu domínio: quanto ao passado, graças ao conhecimento histórico; relativamente ao futuro, com a prospectiva e a planificação. Os progressos das ciências biológicas, psicológicas e sociais não só ajudam o homem a conhecer-se melhor, mas ainda lhe permitem exercer, por meios técnicos, uma influência directa na vida das sociedades. Ao mesmo tempo, a humanidade preocupa-se cada vez mais com prever e ordenar o seu aumento demográfico.

O próprio movimento da história torna-se tão rápido, que os indivíduos dificilmente o podem seguir. O destino da comunidade humana torna-se um só, e não já dividido entre histórias independentes. A humanidade passa, assim, duma concepção predominantemente estática da ordem das coisas para um outra, preferentemente dinâmica e evolutiva; daqui nasce uma nova e imensa problemática, a qual está a exigir novas análises e novas sínteses.(grifos meus)

Depois continuamos.

A Visitação da Virgem Maria

Por Santo Ambrósio

Bispo e doutor da Igreja - Século IV

" O Anjo anunciara á Virgem Maria coisas misteriosas. Para fortalecer sua fé com um exemplo, anunciou-lhe a maternidade de uma idosa estéril, como prova de que é possível a Deus tudo o que Ele quer.

Logo ao ouvir a notícia, Maria dirigiu-se às montanhas não por falta de fé na profecia ou falta de confiança na mensagem, nem por duvidar de exemplo dado, mas guiada pela felicidade de ver cumprida a promessa, levada pela vontade de prestar serviço, movida pelo impulso interior de sua alegria.

Já plena de Deus, aonde ir depressa senão às alturas? A graça do Espírito Santo ignora a lentidão. Manifestam-se imediatamente os benefícios da chegada de Maria e da presença do Senhor, pois quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança exultou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo (Lc 1,41)

Notai como cada palavra está escolhida com perfeita precisão e propriedade: Isabel foi a primeira a ouvir a voz, mas João foi o primeiro a pressentir a graça; aquela ouviu segundo a ordem da natureza, este exultou em virtude do mistério. Ela percebeu a chega de Maria, ele, a do Senhor; a mulher ouviu a voz da mulher, o menino sentiu a presença do Filho; elas proclamam a glória de Deus, eles realizam-na interiormente, iniciando no seio de suas mães o mistério da misericórdia; e, por um duplo milagres, as mães profetizaram por inspiração de seus filhos.

A criança exultou, a mãe ficou cheia do Espírito Santo. A mãe não se antecipou ao filho; mas estando o filho cheio do Espírito Santo, comunicou-o a sua mãe. João exultou; o espírito de Maria também exultou. A alegria de João se comunica a Isabel; quanto a Maria, porém, não nos é dito que recebesse o Espírito Santo, mas que seu espírito exultou. Aquele que é incompreensível agia em sua mãe de modo incompreensível - Isabel recebe o Espírito Santo depois de conceber; Maria recebeu antes. Por isso Isabel diz a Maria: Feliz és tu que acreditastes (Lc 1,45)

Felizes sois também vós que ouvistes e acreditastes, pois toda alma que possui a fé concebe e dá à luz a Palavra de Deus e conhece suas obras. Esteja em cada um de vós a alma de Maria para engrandecer o Senhor; em cada um esteja o espírito de Maria para exultar em Deus.

Embora segundo a natureza haja um só Mãe de Cristo, segundo a fé o Cristo é o fruto de todos; pois toda alma recebe o Verbo de Deus desde que, sem mancha e libertada do pecado, guarde a castidade com inteira pureza.

Toda alma que alcança essa perfeição engrandece o Senhor como a alma de Maria o engrandeceu o seu espírito exultou em Deus, seu Salvador.

Na verdade, o Senhor é engrandecido, como lemos noutro lugar: Comigo engrandecei ao Senhor Deus (Sl 33,4) Não que a palavra humana possa acrescentar algo ao Senhor, mas porque Ele é engrandecido em nós: A imagem de Deus é Cristo e assim, quando alguém age com piedade e justiça, engrandece essa imagem de Deus"

Fonte: Alimento Sólido - Prof Felipe Aquino - Pags 29-30