sexta-feira, 30 de março de 2012

Jesus Cristo é Filho de Deus

Um só Seu Filho

São mais profundos ainda os mistérios que estas palavras nos propõem a respeito de Jesus.

Levam os fiéis a crer piedosamente que é Filho de Deus, e verdadeiro Deus como o Pai, que O gerou desde toda a eternidade.

a) de igual natureza como as outras pessoas

Além disso, confessamos que é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, perfeitamente igual às duas outras Pessoas Divinas. Nenhuma desigualdade ou diferença pode haver, ou imaginar-se nas três Pessoas divinas, porque em todas elas reconhecemos a existência de uma só natureza, de uma só vontade, de um só poder. Esta verdade se nos mostram em muitos lugares da Sagrada Escritura. O mais claro, todavia, é o testemunho de São João: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus".(Jo 1,1)

b) gerado desde toda a eternidade;

Ouvindo, porém, que Jesus é Filho de Deus, não nos ponhamos a imaginar que em Sua geração exista algo de terreno ou mortal. O ato pelo qual o Pai gera ao Filho desde toda a eternidade, não o podemos absolutamente perceber com a inteligência, e muito menos compreendê-lo de maneira adequada. Devemos, no entanto, acreditá-lo com firmeza, e adorá-lo com a maior devoção de nossa alma. Como que arrebatados de admiração pelo Mistério, cumpre-nos exclamar com o Profeta: "Quem poderá explicar a Sua geração?"

c) consubstancial ao Pai

Deve crer-se, portanto, que o Filho tem a mesma natureza, o mesmo poder, a mesma sabedoria que o Pai, conforme o confessamos mais explicitamente no Símbolo de Nicéia: 'E em Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, e gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de Deus verdadeiro, gerado, não feito, da mesma substância que o Pai, e pelo qual foram feitas todas as coisas".

Comparações.

De todas as comparações que se fazem, para explicar o modo e a razão de ser desta geração eterna, nenhuma parece tão próxima da realidade, como aquela que se tira da formação do pensamento em nossa alma. Por isso, São João dá o nome de "Verbo" ao Filho de Deus.

Como nossa alma, reconhecendo-se até certo grau, concebe uma imagem de si mesma, imagem que os teólogos chamam de "verbo" ; assim também, quanto as coisas humanas podem comparar-se com as divinas, Deus, reconhecendo-Se a Si mesmo, gera o Verbo Eterno.

2. Filho do Homem (união hipostática)

No mais, é preferível contemplar simplesmente O que a fé nos propõe, e crer e confessar, com sinceridade, que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.

Como Deus, foi gerado pelo Pai antes de todos os séculos; como Homem, nasceu no tempo, de Sua Mãe a Virgem Maria. Posto que em Cristo se deve admitir um duplo nascimento, cremos, todavia, que há um só Filho. É pois uma e a mesma Pessoa, na qual se unem as naturezas divina e humana.

3. Nosso Criador, e nosso Irmão

Da parte da geração divina, Cristo não tem irmãos nem co-herdeiros, visto ser Ele o Filho Único do Pai, enquanto nós homens somos apenas uma formação e obra de Suas mãos. Se entanto considerarmos Sua origem humana , veremos que Cristo não só dá a muitos o nome de "irmãos", mas também os trata realmente como tais, para que com Ele alcancem ao mesmo tempo a glória da herança paterna. São aqueles que pela fé receberam a Cristo Nosso Senhor e por obras de caridade comprovam a fé que professam de boca. Eis por que o Apóstolo Lhe chamou o "Primogênito entre muitos irmãos"

Nosso Senhor Jesus

Entre as muitas afirmações da Sagrada Escritura a respeito de Nosso Salvador, não é difícil
reconhecer que umas Lhe convêm como a Deus, outras como a Homem.

Das duas naturezas diversas, [Cristo] recebeu também as diversas propriedades. Assim dizemos, com toda a verdade, que Cristo é onipotente, eterno, imenso. Estes Atributos lhe advém da natureza divina. E dizemos também que Ele sofreu, morreu e ressurgiu. Ninguém duvida que tais fatos só podem ser atribuídos à natureza humana.

a) como Deus

Mas existem ainda outros atributos que convêm a ambas as naturezas, como o nome de "Nosso Senhor", que ora Lhe damos. Se, portanto, este nome se aplica a uma e outra natureza, é com toda razão que Cristo deve ser chamado "Nosso Senhor".

Do mesmo modo que Ele é Deus eterno como o Pai, assim é também é como o Pai, Senhor de todas as coisas. Como Ele e o Pai não são dois deuses diversos, mas inteiramente o mesmo Deus, assim também Ele e o Pai - não são dois Senhores diferentes.

como Homem ...causa da Redenção

Com razão é chamado "Nosso Senhor" também em Sua condição de Homem. Há muitos títulos que os justificam. Em primeiro lugar, por ser nosso Redentor, e nos ter livrado de nossas culpas, recebeu por direito o poder de ser deveras e chamar Nosso Senhor.

É o que nos ensina o Apóstolo: "Humilhou-se a Si mesmo, fazendo-Se obediente até a morte, e morte de cruz. Por essa razão, Deus também O exaltou e Lhe deu um nome que fica acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, dos que estão no céu, na terra, e nos infernos e toda língua proclame que Jesus Cristo está na glória de Deus Pai". Após a Ressurreição, Cristo disse de Si mesmo: "A Mim foi dado todo poder no céu e na terra". (Mt 28,18)

Por causa da união hipostática

Em segundo lugar, é chamado "Senhor" também, porque reúne numa só Pessoa duas naturezas, a divina e a humana. Ainda que Cristo por nós não morrera, contudo essa admirável união Lhe teria merecido o título de soberano Senhor de todas as coisas criadas, em particular dos fiéis que Lhe prestam obediência, e que O servem com o maior afeto de seu coração.

Nós somos seus escravos

Como nos resta ainda dizer, o pároco inculcará aos fiéis que, levando nós de Cristo o nome
cristãos, não podemos ignorar os imensos benefícios de que Ele nos cumulou máxime a bondade com que, pela luz da fé, nos fez conhecer todos estes mistérios. Convém, pois, e força é repeti-lo, que nós - com maior obrigação que os outros mortais - para sempre façamos entrega e consagração de nós mesmos a Nosso Senhor e Redentor, na qualidade de escravos totalmente

pelo compromisso batismal...

Na verdade, assim o prometemos à porta da igreja, quando recebíamos a iniciação do Batismo. Ali declaramos que renunciávamos a Satanás e ao mundo, para nos consagrarmos inteiramente a Jesus Cristo.

Mas, desde que, para entrar na milícia cristã, nos entregamos a Nosso Senhor, por tão santo e solene compromisso, que castigo não mereceríamos, se, depois de entrar no grêmio da Igreja, depois de conhecer a vontade e os preceitos de Deus, depois de receber a graça dos Sacramentos, fôssemos viver segundo as leis e normas do mundo e do demônio, como se no dia do Batismo nos houvéramos alistado no serviço do mundo e do demônio, que não de Cristo Nosso Senhor e Redentor.

mas Cristo nos chama de "amigos e irmãos".

Em vista de tanto amor e benignidade para conosco, que coração se não sentiria abrasado de amor por tão grande Senhor? Apesar de nos ter debaixo de Seu poder e domínio, servos que somos remidos pelo Seu sangue, Cristo no ama com tais extremos que já não nos chama de servos, mas de amigos e irmãos. Esta é, sem dúvida, a mais justa, e talvez a mais forte de todas as razões, por que devemos para todo o sempre reconhecê-LO, venerá-LO e servi-LO como Nosso Senhor.


Estudos do segundo Artigo do Credo: Creio em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor

Fonte: Catecismo Romano.

Primeiro Artigo AQUI

quarta-feira, 28 de março de 2012

Por que sou Católico?


A dificuldade em explicar “Por que eu sou Católico” é que há dez mil razões para isso, todas se resumindo a uma única: o catolicismo é verdadeiro.


Eu poderia preencher todo o meu espaço com sentenças separadas, todas começando com as palavras, “É a única coisa que ...”

Como, por exemplo, (1) É a única coisa que previne um pecado de se tornar um segredo. (2) É a única coisa em que o superior não pode ser superior; no sentido da arrogância e do desdém. (3) É a única coisa que liberta o homem da escravidão degradante de ser sempre criança. (4) É a única coisa que fala como se fosse a verdade; como se fosse um mensageiro real se recusando a alterar a verdadeira mensagem. (5) É o único tipo de cristianismo que realmente contém todo tipo de homem; mesmo o respeitável. (6) É a única grande tentativa de mudar o mundo desde dentro; usando a vontade e não as leis; etc.

Ou posso tratar o assunto de forma pessoal e descrever minha própria conversão; acontece que tenho uma forte impressão de que esse método faz a coisa parecer muito menor do que realmente é. Homens muito melhores, em muito maior número, se converteram a religiões muito piores.

Preferiria tentar dizer, aqui, coisas a respeito da Igreja Católica que não se podem dizer mesmo sobre suas mais respeitáveis rivais. Em resumo, diria apenas que a Igreja Católica é católica. Preferiria tentar sugerir que ela não é somente maior que eu, mas maior que qualquer coisa no mundo; que ela é realmente maior que o mundo. Mas, como neste pequeno espaço, disponho apenas de uma pequena seção, abordarei sua função como guardiã da verdade.

Outro dia, um conhecido escritor, muito bem informado em outros assuntos, disse que a Igreja Católica é uma eterna inimiga das novas idéias. Provavelmente não ocorreu a ele que sua própria observação não é exatamente uma nova idéia. É uma daquelas noções que os católicos têm de refutar continuamente, porque é uma idéia muito antiga. Na realidade, aqueles que reclamam que o catolicismo não diz nada novo, raramente pensam que seja necessário dizer alguma coisa nova sobre o catolicismo.

De fato, o estudo real da História mostrará que isso é curiosamente contrário aos fatos. Na medida em que as idéias são realmente idéias, e na medida em que tais idéias são novas, os católicos têm sofrido continuamente por apoiarem-nas quando elas são realmente novas; quando elas eram muito novas para encontrar alguém que as apoiasse. O católico foi não só o pioneiro na área, mas o único; e até hoje não houve ninguém que compreendesse o que se tinha descoberto lá.

Assim, por exemplo, quase duzentos anos antes da Declaração de Independência e da Revolução Francesa, numa era devotada ao orgulho e ao louvor aos príncipes, o Cardeal Bellarmine e Suarez, o Espanhol, formularam lucidamente toda a teoria da democracia real. Mas naquela era do Direito Divino, eles somente produziram a impressão de serem jesuítas sofisticados e sanguinários, se insinuando com adagas para assassinarem os reis.

Então, novamente, os casuístas das escolas católicas disseram tudo o que pode ser dito e que constam de nossas peças e romances atuais, duzentos anos antes de eles serem escritos. Eles disseram que há sim problemas de conduta moral, mas eles tiveram a infelicidade de dizê-lo muito cedo, cedo de dois séculos. Num tempo de extraordinário fanatismo e de uma vituperação livre e fácil, eles foram simplesmente chamados de mentirosos e trapaceiros por terem sido psicólogos antes da psicologia se tornar moda. Seria fácil dar inúmeros outros exemplos, e citar o caso de idéias que são ainda muito novas para serem compreendidas.

Há passagens da Encíclica do Papa Leão sobre o trabalho [conhecida como Rerum Novarum, publicada em 1891] que somente agora estão começando a ser usadas como sugestões para movimentos sociais muito mais novos do que o socialismo. E quando o Sr. Belloc escreveu a respeito do Estado Servil, ele estava apresentando uma teoria econômica tão original que quase ninguém ainda percebeu do que se trata. E então, quando os católicos apresentam objeções, seu protesto será facilmente explicado pelo conhecido fato de que católicos nunca se preocupam com idéias novas.

Contudo, o homem que fez essa observação sobre os católicos quis dizer algo; e é justo fazê-lo compreender muito mais claramente o que ele próprio disse. O que ele quis dizer é que, no mundo moderno, a Igreja Católica é, de fato, uma inimiga de muitas modas influentes; muitas delas ainda se dizem novas, apesar de algumas delas começarem a se tornar um pouco decadentes. Em outras palavras, na medida em que diz que a Igreja freqüentemente ataca o que o mundo, em cada era, apóia, ele está perfeitamente certo.

A Igreja sempre se coloca contra a moda passageira do mundo; e ela tem experiência suficiente para saber quão rapidamente as modas passam. Mas para entender exatamente o que está envolvido, é necessário tomarmos um ponto de vista mais amplo e considerar a natureza última das idéias em questão, considerar, por assim dizer, a idéia da idéia.

Nove dentre dez do que chamamos novas idéias são simplesmente erros antigos. A Igreja Católica tem como uma de suas principais funções prevenir que os indivíduos comentam esses velhos erros; de cometê-los repetidamente, como eles fariam se deixados livres. A verdade sobre a atitude católica frente à heresia, ou como alguns diriam, frente à liberdade, pode ser mais bem expressa utilizando-se a metáfora de um mapa. A Igreja Católica possui uma espécie de mapa da mente que parece um labirinto, mas que é, de fato, um guia para o labirinto. Ele foi compilado a partir de um conhecimento que, mesmo se considerado humano, não tem nenhum paralelo humano.

Não há nenhum outro caso de uma instituição inteligente e contínua que tenha pensado sobre o pensamento por dois mil anos. Sua experiência cobre naturalmente quase todas as experiências; e especialmente quase todos os erros. O resultado é um mapa no qual todas as ruas sem saída e as estradas ruins estão claramente marcadas, todos os caminhos que se mostraram sem valor pela melhor de todas as evidências: a evidência daqueles que os percorreram.

Nesse mapa da mente, os erros são marcados como exceções. A maior parte dele consiste de playgrounds e alegres campos de caça, onde a mente pode ter tanta liberdade quanto queira; sem se esquecer de inúmeros campos de batalha intelectual em que a batalha está eternamente aberta e indefinida. Mas o mapa definitivamente se responsabiliza por fazer certas estradas se dirigirem ao nada ou à destruição, a um muro ou ao precipício. Assim, ele evita que os homens percam repetidamente seu tempo ou suas vidas em caminhos sabidamente fúteis ou desastrosos, e que podem atrair viajantes novamente no futuro.

A Igreja se faz responsável por alertar seu povo contra eles; e disso a questão real depende. Ela dogmaticamente defende a humanidade de seus piores inimigos, daqueles grisalhos, horríveis e devoradores monstros dos velhos erros. Agora, todas essas falsas questões têm uma maneira de parecer novas em folha, especialmente para uma geração nova em folha. Suas primeiras afirmações soam inofensivas e plausíveis. Darei apenas dois exemplos. Soa inofensivo dizer, como muitos dos modernos dizem: “As ações só são erradas se são más para a sociedade.” Siga essa sugestão e, cedo ou tarde, você terá a desumanidade de uma colméia ou de uma cidade pagã, o estabelecimento da escravidão como o meio mais barato ou mais direto de produção, a tortura dos escravos pois, afinal, o indivíduo não é nada para o Estado, a declaração de que um homem inocente deve morrer pelo povo, como fizeram os assassinos de Cristo.

Então, talvez, voltaremos às definições da Igreja Católica e descobriremos que a Igreja, ao mesmo tempo que diz que é nossa tarefa trabalhar para a sociedade, também diz outras coisas que proíbem a injustiça individual. Ou novamente, soa muito piedoso dizer, “Nosso conflito moral deve terminar com a vitória do espiritual sobre o material.” Siga essa sugestão e você terminará com a loucura dos maniqueus, dizendo que um suicídio é bom porque é um sacrifício, que a perversão sexual é boa porque não produz vida, que o demônio fez o sol e a lua porque eles são materiais. Então, você pode começar a adivinhar a razão de o cristianismo insistir que há espíritos maus e bons; e que a matéria também pode ser sagrada, como na Encarnação ou na Missa, no sacramento do casamento e na ressurreição da carne.

Não há nenhuma outra mente institucional no mundo que está pronta a evitar que as mentes errem. O policial chega tarde, quando ele tentar evitar que os homens cometam erros. O médico chega tarde, pois ele apenas chega para examinar o louco, não para aconselhar o homem são a como não enlouquecer. E todas as outras seitas e escolas são inadequadas a esse propósito. E isso não é porque elas possam não conter uma verdade, mas precisamente porque cada uma delas contém uma verdade; e estão contentes por conter uma verdade. Nenhuma delas pretende conter a verdade.

A Igreja não está simplesmente armada contra as heresias do passado ou mesmo do presente, mas igualmente contra aquelas do futuro, que podem estar em exata oposição com as do presente. O catolicismo não é ritualismo; ele poderá estar lutando, no futuro, contra algum tipo de exagero ritualístico supersticioso e idólatra. O catolicismo não é ascetismo; ele, repetidamente no passado, reprimiu os exageros fanáticos e cruéis do ascetismo.

O catolicismo não é mero misticismo; ele está agora mesmo defendendo a razão humana contra o mero misticismo dos pragmatistas. Assim, quando o mundo era puritano, no século XVII, a Igreja era acusada de exagerar a caridade a ponto da sofisticação, por fazer tudo fácil pela negligência confessional. Agora que o mundo não é puritano mas pagão, é a Igreja que está protestando contra a negligência da vestimenta e das maneiras pagãs. Ela está fazendo o que os puritanos desejariam fazer, quando isso fosse realmente desejável. Com toda a probabilidade, o melhor do protestantismo somente sobreviverá no catolicismo; e, nesse sentido, todos os católicos serão ainda puritanos quando todos os puritanos forem pagãos.

Assim, por exemplo, o catolicismo, num sentido pouco compreendido, fica fora de uma briga como aquela do darwinismo em Dayton. Ele fica fora porque permanece, em tudo, em torno dela, como uma casa que abarca duas peças de mobília que não combinam. Não é nada sectário dizer que ele está antes, depois e além de todas as coisas, em todas as direções. Ele é imparcial na briga entre fundamentalistas e a teoria da Origem das Espécies, porque ele se funda numa origem anterior àquela Origem; porque ele é mais fundamental que o Fundamentalismo. Ele sabe de onde veio a Bíblia. Ele também sabe aonde vão as teorias da Evolução. Ele sabe que houve muitos outros evangelhos além dos Quatro Evangelhos e que eles foram eliminados somente pela autoridade da Igreja Católica.

Ele sabe que há muitas outras teorias da evolução além da de Darwin; e que a última será muito provavelmente eliminada pela ciência mais recente. Ele não aceita, convencionalmente, as conclusões da ciência, pela simples razão de que a ciência ainda não chegou a uma conclusão. Concluir é se calar; e o homem de ciência dificilmente se calará. Ele não acredita, convencionalmente, no que a Bíblia diz, pela simples razão de que a Bíblia não diz nada. Você não pode colocar um livro no banco das testemunhas e perguntar o que ele quer dizer. A própria controvérsia fundamentalista se destrói a si mesma. A Bíblia por si mesma não pode ser a base do acordo quando ela é a causa do desacordo; não pode ser a base comum dos cristãos quando alguns a tomam alegoricamente e outros literalmente. O católico se refere a algo que pode dizer alguma coisa, para a mente viva, consistente e contínua da qual tenho falado; a mais alta consciência do homem guiado por Deus.

Cresce a cada momento, para nós, a necessidade moral por tal mente imortal. Devemos ter alguma coisa que suportará os quatro cantos do mundo, enquanto fazemos nossos experimentos sociais ou construímos nossas Utopias. Por exemplo, devemos ter um acordo final, pelo menos em nome do truísmo da irmandade dos homens, que resista a alguma reação da brutalidade humana. Nada é mais provável, no momento presente, que a corrupção do governo representativo solte os ricos de todas as amarras e que eles pisoteiem todas as tradições com o mero orgulho pagão. Devemos ter todos os truísmos, em todos os lugares, reconhecidos como verdadeiros. Devemos evitar a mera reação e a temerosa repetição de velhos erros.

Devemos fazer o mundo intelectual seguro para a democracia. Mas na condição da moderna anarquia mental, nem um nem outro ideal está seguro. Tal como os protestantes recorreram à Bíblia contra os padres e não perceberam que a Bíblia também podia ser questionada, assim também os republicanos recorreram ao povo contra os reis e não perceberam que o povo também podia ser desafiado.

Não há fim para a dissolução das idéias, para a destruição de todos os testes da verdade, situação tornada possível desde que os homens abandonaram a tentativa de manter uma Verdade central e civilizada, de conter todas as verdades e identificar e refutar todos os erros. Desde então, cada grupo tem tomado uma verdade por vez e gastado tempo em torná-la uma mentira. Não temos tido nada, exceto movimentos; ou em outras palavras, monomanias. Mas a Igreja não é um movimento e sim um lugar de encontro, um lugar de encontro para todas as verdades do mundo.


Fonte: http://www.chestertonbrasil.org

Traduzido por Antonio Emilio Angueth de Araujo

Retirado do Site Sociedade Católica

terça-feira, 27 de março de 2012

Que significa: Ser Santo?



Por Papa Bento XVI

Que significa ser santos? Quem é chamado a ser santo?

Com frequência somos levados a pensar ainda que a santidade é uma meta reservada a poucos eleitos. São Paulo, ao contrário, fala do grande desígnio de Deus e afirma: «N'Ele — Cristo — (Deus) escolheu-nos antes da criação do mundo para sermos santos e imaculados diante d'Ele na caridade» (Ef 1, 4). E fala de todos nós.

No centro do desígnio divino está Cristo. No qual Deus mostra o seu Rosto: o Mistério escondido nos séculos revelou-se em plenitude no Verbo que se fez homem. E Paulo depois diz: «De facto, aprouve a Deus que nele habite toda a plenitude» (Cl 1, 19). Em Cristo o Deus vivente tornou-se próximo, visível, audível, palpável para que todos possam beneficiar da sua plenitude de graça e de verdade (cf. Jo 1, 14-16). Por isso, toda a existência cristã conhece uma única lei suprema, aquela que são Paulo expressa numa fórmula que recorre em todos os seus escritos: em Cristo Jesus.

A santidade, a plenitude da vida cristã não consiste em realizar empreendimentos extraordinários, mas em unir-se a Cristo, em viver os seus mistérios, em fazer nossas as suas atitudes, pensamentos e comportamentos. A medida da santidade é dada pela estatura que Cristo alcança em nós, desde quando, com a força do Espírito Santo, modelamos toda a nossa vida sobre a sua.

É ser conformes com Jesus, como afirma são Paulo: «Aqueles que ele conheceu desde sempre, predestinou-os para serem conformes com a imagem do seu Filho» (Rm 8, 29). E santo Agostinho exclama: «Será viva a minha vida toda repleta de Ti» (Confissões, 10, 28)

O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Igreja, fala com clareza da chamada universal à santidade, afirmando que ninguém é excluído dela: «Nos vários géneros de vida e nas várias formas profissionais é praticada uma única santidade por todos os que são movidos pelo Espírito de Deus e... seguem Cristo pobre, humilde e carregando a cruz, para merecer ser partícipes da sua glória» (n. 41).

Mas permanece a questão: como podemos percorrer o caminho da santidade, responder a esta chamada? Posso fazê-lo com as minhas forças?

A resposta é clara: uma vida santa não é fruto principalmente do nosso esforço, das nossas acções, porque é Deus, o três vezes Santo (cf. Is 6, 3), que nos torna santos, é a acção do Espírito Santo que nos anima a partir de dentro, é a própria vida de Cristo Ressuscitado que nos é comunicada e que nos transforma.

Afirmando mais uma vez com o Concílio Vaticano II: «Os seguidores de Cristo, chamados por Deus não segundo as suas obras, mas segundo o desígnio da sua graça e justificados em Jesus Senhor, no baptismo da fé foram feitos verdadeiramente filhos de Deus e co-participantes da natureza divina, e por isso realmente santos. Por conseguinte, eles devem, com a ajuda de Deus, manter na sua vida e aperfeiçoar a santidade que receberam» (ibid., 40).

A santidade tem por conseguinte a sua raiz última na graça baptismal, no sermos enxertados no Mistério pascal de Cristo, com o qual nos é comunicado o seu Espírito, a sua vida de Ressuscitado. São Paulo ressalta de modo muito forte a transformação que a graça baptismal realiza no homem e chega a cunhar uma terminologia nova, forjada com a preposição «com»: co-mortos, co-sepultados, co-vivificados com Cristo; o nosso destino está ligado indissoluvelmente ao seu. «Pelo baptismo — escreve — fomos sepultados com ele na morte para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos... assim também nós possamos caminhar numa vida nova» (Rm 6, 4). Mas Deus respeita sempre a nossa liberdade e pede que aceitemos este dom e vivamos as exigências que ele requer, pede que nos deixemos transformar pela acção do Espírito Santo, conformando a nossa vontade com a vontade de Deus.

Como pode acontecer que o nosso modo de pensar e as nossas acções se tornem pensar e agir com Cristo e de Cristo? Qual é a alma da santidade?

De novo o Concílio Vaticano II esclarece; diz-nos que a santidade cristã mais não é do que a caridade plenamente vivida: «"Deus é amor; quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele" (1 Jo 4, 16). Ora, Deus difundiu abundantemente o seu amor nos nossos corações por meio do Espírito Santo, que nos foi doado (cf. Rm 5, 5); por isso o primeiro dom e o mais necessário é a caridade, com a qual amamos Deus acima de todas as coisas e ao próximo por amor a Ele. Mas para que a caridade cresça, como uma boa semente, na alma e nela frutifique, cada fiel deve ouvir de bom grado a palavra de Deus e, com a ajuda da graça, cumprir com as obras a sua vontade, participar frequentemente dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia e da sagrada liturgia; aplicar-se constantemente à oração, à abnegação de si mesmo, ao serviço activo dos irmãos e à prática de todas as virtudes. De facto, a caridade, vínculo da perfeição e cumprimento da lei (cf. Cl 3, 14; Rm 13, 10), orienta todos os meios de santificação, dá-lhes forma e condu-los ao seu fim» (Lumen gentium, 42).

Talvez também esta linguagem do Concílio Vaticano II para nós ainda seja um pouco solene, talvez tenhamos que dizer as coisas de modo ainda mais simples. O que é essencial? Essencial é nunca deixar passar um domingo sem um encontro com o Cristo Ressuscitado na Eucaristia; isto não é mais um peso, mas é luz para toda a semana. Nunca começar nem terminar um dia sem, pelo menos, um breve contacto com Deus. E, no caminho da nossa vida, seguir as «indicações estradais» que Deus nos comunicou no Decálogo lido com Cristo, que é simplesmente a explicitação do que é a caridade em determinadas situações.

Parece-me que esta é a verdadeira simplicidade e a grandeza da vida de santidade: o encontro com o Ressuscitado aos domingos; o contacto com Deus no início e no findar do dia; seguir, nas decisões, as «indicações estradais» que Deus comunicou, que são apenas formas de caridade. «Por isso o verdadeiro discípulo de Cristo caracteriza-se pela caridade para com Deus e para com o próximo» (Lumen gentium, 42). Esta é a verdadeira simplicidade, grandeza e profundidade da vida cristã, do ser santos.

Eis por que santo Agostinho, comentando o capítulo quarto da Primeira Carta de são João, pode afirmar uma coisa corajosa: «Dilige et fac quod vis», «Ama e faz o que queres». E prossegue: «Quando silencias, que seja por amor; quando falas, fala por amor; quando corriges, que seja por amor; quando perdoas, que seja por amor; haja em ti a raiz do amor, porque desta raiz só pode derivar o bem» (7, 8: pl 35). Quem é guiado pelo amor, quem vive a caridade plenamente é guiado por Deus, porque Deus é amor. Assim é válida esta grande palavra: «Dilige et fac quod vis», «Ama e faz o que queres».

Talvez possamos perguntar: podemos nós, com os nossos limites, com a nossa debilidade, tender para tão alto? A Igreja, durante o Ano Litúrgico, convida-nos a fazer memória de uma multidão de Santos, ou seja, daqueles que viveram plenamente a caridade, que souberam amar e seguir Cristo na sua vida quotidiana. Eles dizem-nos que é possível para todos percorrer este caminho.

Em todas as épocas da história da Igreja, em qualquer latitude da geografia do mundo, os Santos pertencem a todas as idades e a qualquer estado de vida, são rostos concretos de todos os povos, línguas e nações. E são tipos muito diversos. Na realidade devo dizer que também para a minha fé pessoal muitos santos, não todos, são verdadeiras estrelas no firmamento da história. E gostaria de acrescentar que para mim não só alguns grandes santos que amo e que conheço bem são «indicações estradais», mas precisamente também os santos simples, ou seja as pessoas boas que vejo na minha vida, que nunca serão canonizadas. São pessoas normais, por assim dizer, sem heroísmo visível, mas vejo na sua bondade de todos os dias a verdade da fé. Esta bondade, que maturaram na fé da Igreja, é para mim a apologia do cristianismo mais segura e o sinal de onde se esteja a verdade.

Na comunhão dos Santos, canonizados ou não, que a Igreja vive graças a Cristo em todos os seus membros, nós beneficiamos da sua presença e da sua companhia e cultivamos a firme esperança de poder imitar o seu caminho e partilhar um dia a mesma vida bem-aventurada, a vida eterna.

Queridos amigos, como é grande e bela, e também simples, a vocação cristã vista sob esta luz! Todos somos chamados à santidade: é a própria medida da vida cristã. São Paulo expressa isto mais uma vez com grande intensidade, quando escreve: «Mas, a cada um de nós foi concedida a graça na medida outorgada por Cristo... A uns, Ele constituiu apóstolos, a outros, profetas, a outros, evangelistas, pastores e doutores, para o aperfeiçoamento dos santos, para obra do ministério para a edificação do Corpo de Cristo; até que cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus ao estado de homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo» (Ef 4, 7.11-13).

Gostaria de convidar todos a abrir-se à acção do Espírito Santo, que transforma a nossa vida, para sermos também nós como peças do grande mosaico de santidade que Deus vai criando na história, para que o rosto de Cristo resplandeça na plenitude do seu esplendor. Não tenhamos medo de tender para o alto, para as alturas de Deus; não tenhamos medo que Deus nos peça demasiado, mas deixemo-nos guiar em todas as acções quotidianas pela sua Palavra, mesmo se nos sentimos pobres, inadequados, pecadores: será Ele que nos transforma segundo o seu amor.(grifos meus)

Fonte: AQUI

segunda-feira, 26 de março de 2012

Os Direitos da religião


Por Arcebispo Fulton Sheen

"Demonstra a história que, se uma sociedade ignora a religião, nunca se transforma exatamente em um sociedade irreligiosa, torna-se anti-religiosa. A vida é apenas a soma das forças que resistem à morte, e uma vez terminada a resistência a essas forças contrárias começa o desaparecimento.

Do mesmo modo, no mesmo instante em que se nega a religião o direito de interferir na ordem política e econômica, apodera-se destas a anti-religião. A ordem secular nunca vive no vácuo; nem mesmo neutra pode ser; se os cidadãos de um Estado abandonaram a religião e o seu dever de dar a Deus que a Deus pertence, imediatamente julgará César que até Deus recebe Sua autoridade de César.

É então permitido a qualquer propagandista barato de Moscou ou Berlim, pregar o seu ateísmo ou seu racismo, enquanto o homem de Deus que prega a justiça e a caridade é tido como um inútil intruso. O ódio de classe é mau fruto do desprezo da justiça; a desonestidade em política é a triste herança do desprezo da justiça; o comunismo na vida nacional é o resultado do desprezo da redenção e do amor fraterno.

O mundo comete um grave erro ao pensar que pode deixar a religião fora de sua norma de procedimento nacional e continuar a ser o mesmo mundo de antes. Seria isso verdade se a religião não passasse de um acidente da ordem social como as corridas de cavalos, e não a soma das virtudes que condicionam a justiça e a paz. A casa vazia seria afinal, a casa arruinada e a sociedade anti-religiosa será, afinal, a sociedade anti-religiosa. A religião que não interferir na ordem secular logo descobrirá que a ordem secular não se absterá de interferir nela, talqualmente a mãe que se abstém de corrigir os seus filhos desobedientes verá breve os filhos a corrigi-la.

O mesmo mundo que há vinte anos aceitava ser a religião desligada da economia e da política, é o mundo que hoje hostiliza a religião. Não é bem porque a violência, o ateísmo, o racismo sejam consequências ao declínio da religião, como o castigo se segue ao ato de desobediência; é antes porque são eles inseparáveis, como um lírio podre e seu desagradável odor, ou a semeadura e a colheita.

Se o camponês não plantar trigo, não ficará estéril seu campo no outono; cobri-lo-ão as ervas daninhas. Deixai os homens crescer sem cuidarem se sua alma pertence a Deus ou a César, e, antes que eles saibam, César os possuirá de corpo e alma. Chama-se isso totalitarismo ou teoria Estatal, que diz que o homem pertence ao estado. Tal regime deve necessariamente perseguir a religião, pois para possuir o homem ele tem de desprezar a religião que afirma que o homem tem direitos independentes do Estado.

Em princípio, uma filosofia totalitária que nega o valor à pessoa humana fora da raça ou da classe, é necessariamente anti-religiosa. O totalitarismo tem de agir assim se quiser sobreviver, pois nunca poderá possuir inteiramente o homem enquanto não alijar a Igreja, que diz que o homem não pertence inteiramente ao Estado. A Igreja opõe-se a tal absorção do homem pelo totalitarismo e por esta razão é perseguida.Uma vez que o Estado inclui a religião sob a política, toda e qualquer atividade religiosa da parte da Igreja passa a ser encarada como uma interferência política.

O totalitarismo é errado não por ter um ditador, mas porque o ditador está dispondo até da alma do homem, ao fazer da pessoa um meio para um fim, do homem um aspecto econômico do Estado, ou uma gota de sangue do organismo político, ou um operário do Estado-fábrica.

Quanto mais insistir a Igreja em seu direito à alma do homem tanto mais será perseguida; eis que tem ela sido chamada "reacionária" no México; "anti-revolucionária" na Rússia; "política" na Alemanha; contra-revolucionária" em Barcelona. César crucificará o Cristo sempre que César julgar que ele próprio é Deus"


Fonte: O Problema da Liberdade - Fulton Sheen - Editora Agir

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domingo, 25 de março de 2012

Festa da Anunciação e Encarnação do Verbo











O Santo Padre, Papa Bento XVI nos diz:

"Na Encarnação do Filho de Deus nós reconhecemos o início da Igreja. Tudo provém dela. Qualquer realização da história da Igreja e também todas as suas instituições se devem referir àquela Fonte originária. Devem referir-se a Cristo, Verbo encarnado.

É Ele que nós celebramos sempre: o Emanuel, o Deus-connosco, por meio do qual se cumpriu a vontade salvífica de Deus Pai. E contudo (precisamente hoje contemplamos este aspecto do Mistério) a Fonte divina flui através de um canal privilegiado: a Virgem Maria.

Celebrando a Encarnação do Filho não podemos, por isso, deixar de rezar à Mãe. A ela foi dirigido o anúncio angélico; ela acolheu-o e, quando do fundo do coração respondeu: "Eis... faça-se em mim segundo a Tua palavra" (Lc 1, 38), o Verbo eterno começou a existir como ser humano no tempo.

De geração em geração permanece viva a admiração por este mistério inefável. Santo Agostinho, imaginando que se dirigia ao Cordeiro da Anunciação, pergunta: "Diz-me, ó Anjo, porque aconteceu isto em Maria?". A resposta, diz o Mensageiro, está contida nas próprias palavras da saudação: "Salve, ó cheia de graça" (cf. Sermo 291, 6). De facto, o Cordeiro, "entrando nela", não a chama com o nome terreno, Maria, mas com o seu nome divino, assim como Deus a vê desde sempre e a qualifica: "Cheia de graça grazia plena", que no original grego é 6,P"D4JTµX<0, "amada" (cf. Lc 1, 28).

Orígenes observa que nunca um semelhante título foi dirigido a um ser humano, e que ele não tem comparação em toda a Sagrada Escritura (cf. In Lucam 6, 7). É um título expresso de maneira passiva, mas esta "passividade" de Maria, que desde sempre e para sempre é a "amada" do Senhor, exige o seu livre consentimento, a sua resposta pessoal e originária: no ser amada Maria é plenamente activa, porque acolhe com disponibilidade pessoal a vaga de amor divino que recai sobre ela.

Também nisto ela é discípula perfeita do seu Filho, que na obediência ao Pai realiza totalmente a própria liberdade. A Carta aos Hebreus interpreta o Salmo 39 precisamente à luz da Encarnação de Cristo: "Eis que venho... para fazer, ó Deus, a tua vontade" (Hb 10, 7). Face ao mistério destes dois "Eis", de Cristo e da Virgem, que se reflectem um no outro e que formam um único Amen à vontade de amor de Deus, nós permanecemos assombrados e, cheios de reconhecimento, adoramos"

/ O Anjo do Senhor anunciou a Maria, R/ E Ela concebeu do Espírito Santo. Ave Maria... V/ Eis a escrava do Senhor. R/ Faça-se em mim segundo a Vossa palavra. Ave Maria... V/ E o Verbo se fez Carne, R/ E habitou entre nós. Ave Maria... V/ Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, R/ Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

OREMOS: Infundi, Senhor, em nossos corações, a Vossa Graça, Vo-lo suplicamos, a fim de que, tendo conhecido pela Anunciação do Anjo, a encarnação de Jesus Cristo, Vosso Filho, pelos merecimentos da Sua Paixão e Morte na Cruz, sejamos conduzidos à glória da Ressurreição. Isso Vos Pedimos Ó PAI, Por Jesus Cristo, Vosso Filho e nosso Senhor. Amém.

sábado, 24 de março de 2012

Mitos Litúrgicos


Autor: Francisco Dockhorn

Revisão teológica: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen-RS

Retirado do site: Reino da Virgem

Publicação original: 11 de Fevereiro de 2009, 151º aniversário das aparições da Santíssima Virgem em Lourdes

Mito 7: "Quem celebra a Missa não é o Padre, e sim toda a comunidade"

A Instrução Redemptions Sacramentum (n. 42), de 2004, discorrendo sobre o Santo Sacrifício da Missa, afirma: "O Sacrifício Eucarístico não deve, portanto, ser considerado "concelebração", no sentido unívoco do sacerdote juntamente com povo presente. Ao contrário, a Eucaristia celebrada pelos sacerdotes é um dom que supera radicalmente o poder da assembléia. A assembléia, que se reúne para a celebração da Eucaristia, necessita absolutamente de um sacerdote ordenado que a presida, para poder ser verdadeiramente uma assembléia eucarística. Por outro lado, a comunidade não é capaz de dotar-se por si só do ministro ordenado."

Postagens anteriores AQUI

Vejam também: O Sacerdócio comum e o sacerdócio Ministerial

sexta-feira, 23 de março de 2012

A "Unidade" da Igreja Católica


Por Padre Leo Trese.

Há muitas “igrejas” no mundo de hoje que se chamam cristãs. Abreviemos o nosso trabalho de escrutínio examinando a nossa própria igreja, a Igreja Católica, e se encontrarmos nela a marca de Cristo, não precisaremos examinar as outras.

Por muito errado que você esteja sobre alguma coisa, sempre é desagradável que alguém lho diga sem rodeios. E enquanto esse alguém lhe for explicando cuidadosamente por que está enganado, é provável que você se mostre mais e mais obstinado. Talvez nem sempre suceda isso consigo, ou talvez você seja muito santo e nunca tenha essa reação. Mas, em geral, nós, os homens, somos assim.

Todos devemos estar dispostos a expor a nossa religião em qualquer ocasião; mas nunca a discutir sobre ela. No momento em que dissermos a alguém: “A sua religião é falsa e eu lhe direi por quê”, fecharemos com uma batida de porta a mente dessa pessoa, e nada do que dissermos depois conseguirá abri-la.

Por outro lado, devemos ver que, se conhecermos bem a nossa religião, poderemos explicá-la, inteligente e amavelmente, ao vizinho que não é católico ou que não pratica: haverá bastantes esperanças de que nos escute. Se pudermos demonstrar-lhe que a Igreja Católica é a verdadeira Igreja estabelecida por Jesus Cristo, não há razão para dizer-lhe que a “igreja” dele é falsa. Poderá ser que seja teimoso, mas não será estúpido, e é de confiar que tire as suas próprias conclusões.

Tendo isto em mente, examinemos agora a Igreja Católica para ver se apresenta a marca de Cristo, se Jesus a indicou como sua, sem possibilidades de erro.

Primeiro, vejamos a UNIDADE, que o Senhor estabeleceu como característica do seu rebanho.

Observemos esta unidade em suas três dimensões: unidade de credo, unidade de culto e unidade de autoridade.

“ A unidade da Igreja peregrina é assegurada também por laços visíveis de comunhão:

- “a profissão duma só fé recebida dos Apóstolos;”

- “a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos”;

- “a sucessão apostólica pelo sacramento da Ordem, mantendo a concórdia fraterna da família de Deus” (n. 815).

Sabemos que os membros da Igreja de Cristo devem manifestar unidade de credo. As verdades em que cremos são as que foram dadas a conhecer pelo próprio Cristo; são verdades que procedem diretamente de Deus.

Não há verdades mais “verdadeiras” que a mente humana possa conhecer e aceitar do que as reveladas por Deus. Deus é a verdade; sabe tudo e não pode errar; é infinitamente verdadeiro e não pode mentir. É mais fácil crer, por exemplo, que não existe sol em pleno dia do que pensar que Jesus tenha podido enganar-se ao dizer-nos que existem três Pessoas num só Deus.

Por este motivo, consideramos o princípio do “juízo privado” como absolutamente ilógico. Há pessoas que estendem o princípio do juízo privado às questões religiosas. Admitem que Deus nos deu a conhecer certas verdades, mas dizem que cada homem tem de interpretar essas verdades de acordo com o seu critério. Que cada um leia a sua Bíblia, e aquilo que chegue a pensar que a Bíblia significa, esse é o significado para ele.

Não está em nossas mãos escolher e acomodar a revelação de Deus às nossas preferências ou às nossas conveniências. Essa teoria do´“juízo privado” levou, naturalmente, a dar um passo mais: a negar toda a verdade absoluta.

Hoje, muita gente pretende que a verdade e a bondade são termos relativos. Uma coisa será verdadeira enquanto a maioria dos homens pensar que é útil, enquanto parecer que essa coisa “funciona”. Se crer em Deus ajuda você, então creia em Deus; mas, se você pensa que essa crença dificulta a marcha do progresso, deve estar disposto a afastá-la.

E o mesmo se passa com a bondade. Uma coisa ou uma ação é boa se contribui para o bem-estar e a felicidade do homem. Mas se a castidade, por exemplo, parece que refreia o avanço de um mundo que está sempre evoluindo, então a castidade deixa de ser boa.

Em resumo, bom ou verdadeiro é apenas o que, aqui e agora, é útil para a comunidade, para o homem como elemento construtivo da sociedade, e é bom ou verdadeiro somente enquanto continua a ser útil. Esta filosofia tem o nome de pragmatismo.

É muito difícil dialogar com um pragmático sobre a verdade, porque minou o terreno que você pisa começando por negar a existência de qualquer verdade real e absoluta. Tudo o que um homem de fé pode fazer por ele é rezar e demonstrar-lhe com uma vida cristã autêntica que o cristianismo “funciona”.

Talvez nos tenhamos desviado um pouco do nosso tema principal: o de que não há igreja que possa dizer que é de Cristo se todos os seus membros não crêem nas mesmas verdades, já que essas verdades são de Deus, eternamente imutáveis, as mesmas para todos os povos. Sabemos que na Igreja Católica todos cremos nas mesmas verdades: bispos, sacerdotes ou crianças; norte-americanos, franceses e japoneses; brancos ou negros; cada católico, esteja onde estiver, diz exatamente o mesmo quando recita o Credo dos Apóstolos.

Estamos unidos também no culto, como nenhuma outra igreja.

Temos um só altar, sobre o qual Jesus Cristo renova, todos os dias, o seu oferecimento na cruz.

Só um católico pode dar a volta ao mundo sabendo que, aonde quer que vá – à África ou à Índia, à Alemanha ou à América do Sul -, se encontrará sempre em casa, do ponto de vista religioso. Em toda a parte, a mesma Missa; em toda a parte, os mesmos sete sacramentos.

Não estamos unidos entre nós apenas pelo que cremos e pelo que celebramos, mas também por estarmos sob a mesma autoridade.

Jesus Cristo designou São Pedro como pastor supremo do seu rebanho, e tomou as medidas necessárias para que os sucessores do Apóstolo até o fim dos tempos fossem a cabeça da sua Igreja e quem guardasse as suas verdades.

A lealdade ao bispo de Roma, a quem chamamos carinhosamente Santo Padre, será sempre o centro obrigatório da Igreja de Cristo: “Onde está Pedro, ali está a Igreja”.

Uma fé, um culto, uma cabeça.

Esta é a unidade pela qual Cristo orou, a unidade que estabeleceu como um dos sinais que identificariam perpetuamente a sua Igreja.

É uma unidade que só pode ser encontrada na Igreja Católica

Fonte: A Fé Explicada

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quinta-feira, 22 de março de 2012

O Nome de Deus tomado em vão


«Senhor; nosso Deus, como é admirável o vosso nome em toda a terra! (Sl 8, 2).

O primeiro Preceito da Lei Divina, mandando-nos honrar a Deus com filial afeição, contém necessariamente o objeto do segundo; pois quem quer ser honrado, exige também que por palavras exprimamos nossa suma reverência para com ele, e proíbe qualquer atitude contrária.

Esse é o sentido evidente daquelas palavras, que o Senhor proferiu Profeta Malaquias: "O filho honra a seu pai, e o servo a seu senhor. Então, se sou Eu vosso Pai, onde está pois a Minha honra?" ( Ml 1,6) Assim, pela importância da matéria, quis Deus dar um preceito particular sobre o culto de Seu divino e santíssimo Nome, e que o mesmo nos fosse promulgado em termos claros e formais.

Pela frequência de sua transgressão

Conhecer este preceito é importantíssimo, pois existem pessoas tão obcecadas pelas trevas de opiniões errôneas, que não temem de blasfemar d'Aquele, a quem os Anjos glorificam. Sem temer sequer a lei para sempre promulgada, eles se atrevem, com a maior desfaçatez, a apoucar a majestade de Deus, dia por dia, quase hora por hora, a todos os instantes.

Quem não observa como juram em todas as afirmações, como tudo enchem suas pragas e imprecações? Chegou ao ponto que, em vendas, em compras, em qualquer transação, quase ninguém deixa de recorrer ao sagrado juramento, invocando milhares de vezes o santíssimo Nome, por temeridade, até nas coisas mais fúteis e levianas.

Cláusula preceptiva

O que a lei manda é honrar o nome de Deus, jurar por ele santamente. O que ela proíbe é desprezar o Nome de Deus, tomá-lo em vão, jurar por ele falsa, inútil ou temerariamente.

1. Sentido do nome de Deus

Nesta parte do Preceito, que manda honrar o Nome de Deus, todos os fiéis devem saber que não se deve tomar materialmente o Nome de Deus, em suas letras, em suas sílabas, no simples vocábulo como tal; mas que se deve atender ao sentido da palavra, enquanto designa a onipotente e sempiterna majestade de Deus Uno e Trino. Nestes termos, não custa averiguar quão descabida era a superstição de certos judeus que, embora escrevessem o nome de Deus, não se atreviam a pronunciá-lo, como se a virtude divina estivera nas quatro letras, e não no sentido que elas exprimem.

Ainda que se diga no singular: "Não tomarás o Nome de Deus" - não devemos, contudo, entendê-lo de um só nome, mas de quantos nomes se atribuem a Deus. Pois são muitos os nomes dados a Deus, tais como: Senhor, Onipotente, Senhor dos Exércitos, Rei dos Reis, Forte, e outros que se lêem nas Escrituras. Todos eles merecem por igual a mesma veneração.

A seguir, cumpre ensinar a maneira de se prestar ao Nome de Deus a honra devida; pois o povo cristão, cujos lábios devem continuamente anunciar os louvores de Deus, não poderia licitamente ignorar uma prática tão útil e tão necessária para a salvação.

2. Modos de louvar o Nome de Deus

Vários são os modos de louvar o Nome de Deus, mas todos se reduzem, substancialmente,
aos que passamos a explicar.

Em primeiro lugar, Deus é louvado, quando temos a coragem de proclamá-l'O, publicamente, como Nosso Deus e Senhor; quando não só reconhecemos, mas também apregoamos, que Cristo é o Autor de nossa salvação.

Em segundo lugar, quando estudamos, com santo fervor, a palavra de Deus, pela qual se manifesta a Sua vontade; quando nos pomos a meditá-la assiduamente, e a decorá-la com interesse, quer lendo, quer ouvindo, conforme for mais útil e adequado para a pessoa, e para o cargo que ela ocupa.

Em terceiro lugar, veneramos e respeitamos o Nome de Deus, quando por dever ou por devoção celebramos os louvores divinos, agradecendo de modo especial, por todos os bens e males que nos aconteçam. Dizia o Profeta: "Bendize, minha alma, ao Senhor, e não esqueças de Seus benefícios". Existem ainda muitos Salmos em que David , cheio de entranhado amor a Deus, canta os louvores divinos com a maior suavidade. Outro tanto fazia Jó, que se nos apresenta como admirável exemplo de paciência.

Por conseguinte, quando nos debatemos com dores espirituais e corporais nos contorcemos em misérias e provações, empenhemos zelo e todas as energias de nossa alma em louvar a Deus, repetindo aquela palavra de Jó: "Bendito seja o Nome do Senhor!"

Em quarto lugar, não menos honrado é o Nome de Deus, quando confiantes a Sua proteção, ou para que nos livre de calamidades, que nos dê força e coragem de suportá-las com perseverança. Assim quer Deus que se faça: "Invoca-Me, diz Ele, no dia da tribulação. Eu te Me darás a glória". Desta invocação, encontram-se notáveis em muitos lugares da Escritura, mormente nos Salmos 16, 43 e 118.

Em quinto lugar, honramos também o Nome de Deus, quando invocamos a Deus por testemunha, para comprovar uma verdade. É um modo de louvar que muito difere dos precedentes. Pois os modos já enumerados são, de sua natureza, tão bons e desejáveis, que nada pode ser mais ditoso e mais apetecível para o homem, do que exercer-se dia e noite em sua prática frequente. "Bendirei ao Senhor em todo o tempo", dizia Davi, "e em minha boca estará sempre o Seu louvor".

O juramento, porém, ainda que seja bom em si, não é para louvar, usado freqüentemente.

Origem do juramento

A razão de tal diferença está em que o juramento só foi instituído como remédio da fragilidade humana, e como um meio necessário para comprovar a veracidade de afirmações. Assim como não convém aplicar remédio ao corpo, sem haver necessidade, sendo até prejudicial o seu uso freqüente: assim também não é salutar fazer-se juramento, desde que não haja, para isso, grave e justa.

Empregado muitas vezes, o juramento não só deixa de aproveitar, mas chega até a causar grande dano espiritual. Por isso dizia acertadamente São João Crisóstomo que "não foi desde o início, mas em época já avançada do mundo, - quando os vícios se propagaram por toda a parte, e encheram todo o orbe da terra; quando nada mais se mantinha em sua ordem e lugar, e tudo ia de alto a baixo, no maior desconcerto, levando grande confusão nas coisas; quando, de todos os males o maior, quase todos os homens se precipitaram na degradante escravidão dos ídolos - só então, depois de longo tempo, é que se introduziu, entre os homens, a prática do juramento. Havendo, entre os homens, tanta perfídia e iniqüidade, não era fácil fazer que alguém acreditasse [em seu semelhante]. Por isso, invocaram a Deus por testemunha"(Chrysost in Acta hom. 9)

O principal, nesta parte do Preceito, é mostrar-se aos fiéis como devem proceder, para se servirem do juramento com retidão e piedade.

b) noção do juramento

Primeiro, é preciso dizer-lhes que "jurar" nada mais é senão invocar a Deus por testemunha, seja qual for a fórmula e expressão empregada. Pois tanto vale dizer: "Deus é minha testemunha" _ como dizer: "Juro por Deus".

Há também juramento, quando juramos pelas criaturas, para fazer fé, como jurar pelos Santos Evangelhos de Deus, pela Cruz, pelas relíquias e pelos nomes dos Santos, e por outras coisas semelhantes. Naturalmente, elas de per si não conferem ao juramento nenhum valor e força, mas quem lho dá é o próprio Deus, porque nessas coisas vislumbra o esplendor de Sua majestade.

Por lógica conclusão, os que juram pelo Evangelho, juram pelo próprio Deus, cuja verdade está contida e explicada no Evangelho. O mesmo se diga do jurar pelos Santos, pois eles são templos de Deus , creram na verdade do Evangelho, observaram-na com toda a submissão, e propagaram-na entre os povos e as nações, até às mais remotas paragens.

Outro tanto é o valor do juramento que se faz por imprecação, como aquele de São Paulo: "Invoco a Deus por testemunha, contra a minha vida".( 2Cor 1,23) Por uma cláusula dessa, a pessoa se submete ao juízo de Deus, enquanto é vingador da mentira.

Não negamos, porém, que algumas dessas fórmulas se podem entender de tal maneira, que já não tenham caráter de juramento. Convém, todavia, observar-se a seu respeito o que ficou dito do juramento, e aplicar-lhes as mesmas normas e princípios.

c)espécies de juramento

Há duas espécies de juramento:

O primeiro se chama juramento assertório. Por exemplo, quando sob juramento afirmamos alguma coisa do presente ou do passado, como fez o Apóstolo na epístola aos Gálatas: "Digo, na presença de Deus, que não minto".

Segundo se chama promissório, a cuja categoria pertencem também aos juramentos cominatórios. Refere-se ao tempo futuro. Consiste em prometermos alguma coisa, com absoluta certeza, e a garantirmos com um juramento. Desta espécie, era o juramento de Davi que, jurando à sua mulher Bersabé "pelo Senhor seu Deus", prometeu que o filho dela, Salomão, o herdeiro do reino, e lhe sucederia no trono.

d - Condições para jurar:

Para haver juramento, basta invocar a Deus por testemunha. Contudo, para que seja reto e requerem-se muitas outras condições, que devem ser cuidadosamente aplicadas. Elas foram, como atesta São Jerônimo , brevemente compendiadas pelo Profeta Jeremias, quando dizia: "Jurarás: Vive o Senhor! - [ mas] verdade, com juízo, e com justiça".(Jr 4,2)
Realmente, com tais palavras abrangeu [o Profeta], com suma precisão os elementos que constituem toda a perfeição do juramento, a saber, verdade, critério, justiça.

Com Verdade...

No juramento, cabe à verdade o primeiro lugar. Isto quer dizer, o objeto da afirmação deve ser mesmo verdadeiro; e quem jura deve julgar que o seja de fato, não se baseando afoitamente em leves conjecturas, mas em prova de absoluta certeza.

A segunda especie de juramento, que e o promissório, também requer a verdade, da mesma maneira. Pois quem promete alguma coisa, deve ter a deliberada vontade de cumpri-la realmente, e de satisfazer a promessa no tempo aprazado. O homem honesto também não se comprometerá jamais a fazer alguma coisa que julgue contraria aos santíssimos Preceitos e a vontade de Deus.

Em materia lícita de promessa e juramento, não pode tampouco mudar o que uma vez prometeu; salvo o caso em que, por mudança das circunstancias, já não possa levar adiante o prometido, sem incorrer no ódio e desagrado de Deus. Ora, que a verdade é um requisito necessario do juramento, declara-o tambem Davi com as palavras: "Quem jura a seu próximo, e não o engana".[Sl 14,4]

Com criterio...

Em segundo lugar, vem o criterio, pois não se deve jurar com temeraria leviandade, mas com madura reflexão. Portanto, quem está para fazer juramento, deve primeiro averiguar se a tanto o obriga alguma necessidade; atenda tambem a ocasião, ao lugar, e a outras inúmeras circunstâincias. Não se deixe levar por ódio, nem por amor, nem por algum afeto desordenado, mas só pela necessidade decorrente da própria situacao.

Portanto, se não lhe preceder essa rigorosa ponderação, o juramento será forçosamente precipitado e temerario. De tal jaez é o ímpio falar daqueles que, nas coisas mais leves e insignificantes, juram sem nenhum cuidado e reflexao, só por mau costume. É o que a cada passo observamos, todos os dias, entre vendedores e compradores. Juram sem escrupulos, encarecendo ou depreciando a mercadoria: uns para a venderem pelo mais possível; outros, por sua vez, para a comprarem pelo menos possivel.

Como se requer juízo e prudencia [para jurar], e, como pela idade as crianças não possuem ainda tino bastante para distinguir as coisas, decretou o Papa Sao Cornelio (Cf Corpus Iuris Canonici c. 16 C. XXII) que se não deve exigir juramento de crianças antes da puberdade, isto e, antes dos catorze anos.

Com justiça ...

A ultima condição é a justiça, postulado essencial do juramento promissório. Quem promete, com juramento, alguma coisa injusta ou desonesta, peca pelo fato de jurar. A este primeiro pecado acrescenta outro, se vier a cumprir o que prometeu.

Desta materia, há no Evangelho o exemplo do rei Herodes que, ligado por temerario juramento, deu a jovem bailarina a cabeça de Joao Batista, como premio de sua dança. Tal foi tambem o juramento daqueles judeus que, como narram os Atos dos Apóstolos, juraram não tomar alimento, enquanto não matassem a Paulo.

e) santidade do juramento

Depois de tais explicações, já nao resta a menor duvida de que pode jurar com segurança quem atender a todas estas circunstâncias, e usar dessas clausulas como outras tantas garantias para o seu juramento.

E fácil é provar esta asserção por meio de muitos argumentos. Pois a "
Lei do Senhor", que é "imaculada" e "santa", contem o preceito seguinte: "Temeras o Senhor teu Deus, e só a Ele serviras; e pelo Seu Nome é que juraras". E Davi escreveu: "Louvados serão todos aqueles que juram por Ele"

Alem do mais, as Sagradas Escrituras atestam que os santissimos apostolos, luzeiros da Igreja, recorreram por vezes ao juramento. Isto transparece das epistolas do Apóstolo. (Rm 1,9)

Acresce que os próprios Anjos juram de vez em quando. No Apocalipse, escreveu Sao Jõao Evangelista que um Anjo havia jurado por "Aquele que vive pelos seculos dos seculos". (Ap 10,20)

O que mais é, o próprio Deus, Senhor dos Anjos, faz uso do juramento. Em muitas passagens do Antigo Testamento, confirma Deus Suas promessas, por meio de juramento, como o fez a Abrãao e a Davi. Este nos deu a conhecer um celebre juramento de Deus: "Jurou o Senhor, e não há de arrepender-Se: Tu és Sacerdote por toda a eternidade, segundo a ordem de Melquisedec".
(Sl 109,4)

f
) razoes intrinsicas ao juramento

Com efeito, se considerarmos mais de perto toda a questão, se levarmos em conta a origem e a finalidade do juramento, não nos será dificil determinar o motivo por que o juramento é um ato louvavel.

O juramento tem sua origem na fé, porquanto os homens creem que Deus é o autor de toda a verdade; que Ele não pode jamais enganar-Se a Si mesmo, nem enganar a outrem; que "a Seus olhos estao patentes e descobertas todas as coisas"; que Ele afinal, por Sua admiravel Providencia, cuida de todos os negócios humanos, e governa o mundo inteiro.

Assim, imbuidos desta fe, invocam os homens a Deus por testemunha da verdade. E negar-Lhe credito [a Deus], seria crime e profanação.

g) finalidade do juramento

Quanto a sua finalidade, o juramento tende por natureza a provar, de modo absoluto, a justiça e a inocencia de alguma pessoa, e pôr termo a litigios e demandas. Esta é tambem a doutrina do Apóstolo na epistola aos Hebreus (Hb 6,16)

Cristo e 0 juramento

De modo algum contrariam esta exposição de principios as palavras de Nosso Salvador que se encontram no Evangelho de Sao Mateus: "Ouvistes que se disse aos antigos: Não juraras falso, e cumpriras ao Senhor os teus juramentos. Eu, porem, vos digo que não jureis de forma alguma: nem pelo ceu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o descanso de Seus pes; nem por Jerusalem, porque é a cidade do grande Rei. Nem pela tua cabeça juraras, porque não és capaz de tornar branco nem preto um só fio de cabelo. Mas seja o vosso modo de falar: Sim, sim; nao, nao. O que dai passa, tem sua origem no mal". (Mt 5, 33-37)

Nao se deve, pois, afirmar que tais palavras sejam uma reprovação formal e sumaria do juramento, porque ja vimos, há pouco, que o proprio Senhor e os Apostolos juraram repetidas vezes.

Nosso Senhor queria, apenas, refutar a perversa opiniao dos judeus, pela qual estavam persuadidos de que no juramento nada mais era preciso evitar senao a mentira. Por isso, por qualquer coisa sem a menor importancia, juravam pessoalmente, e exigiam tambem que os outros tambem jurassem, da mesma forma. Este mau vezo é que o Salvador censura e reprova, ensinando que devemos absolutamente abster-nos de jurar, quando nao o exige a necessidade.

h) o abuso de jurar

O juramento foi instituido por causa da fragilidade humana. Realmente, sua razao de ser está na malicia, pois revela de per si a inconstancia de quem jura, ou a obstinacao daquele que nos faz jurar, porquanto nao podemos leva-lo a crer de outra forma.

Isto nao obstante, a necessidade de jurar tem sua justificação.

Quando o Salvador diz: Seja vosso sim, vosso não, não" - Sua própria expressão dá claramente a entender que Ele só proibe o costume de se jurar em assuntos familiares e corriqueiros. Por certo, o sentido principal da advertencia de Nosso Senhor é que nao sejamos demasiado faceis para jurar, nem cedamos a qualquer propensão de faze-lo. Este é um ponto que se deve ensinar com frequencia, e inculcar aos ouvidos dos fieis.

Pois nao só pela autoridade das Sagradas Escrituras, como tambem pelo testemunho dos Santos Padres, temos provas de serem quase sem conta os males que resultam do exagerado costume de jurar.

No Livro do Eclesiastico esta escrito: "
Nao se acostume tua boca a jurar, porque isso traz ocasiao para muitas quedas". E no mesmo lugar: "O homem que jura muito, será cheio de iniquidade, e a desgraça nao se apartara de sua casa"

Mais explicaçoes sobre a materia, podemos encontra-las nos escritos de Sao Basílio e Santo Agostinho sobre a mentira.

Ate aqui se tratou do que o Preceito manda. Vejamos, doravante, o que ele proíbe.

Clausula proibitiva:
1. Perjurio

Proibido nos é tomar o Nome de Deus em vao. Evidentemente, grave pecado comete quem, no juramento, nao se deixa guiar pela reflexao, mas antes por temeraria leviandade. Mas que isto vem a ser ate um pecado gravissimo, declaram-no as palavras textuais: "Nao tomaras em vao o Nome do Senhor teu Deus". Indicam, por assim dizer, a razao por que esse pecado é tao funesto e abominavel; e por desacatar a majestade d'Aquele a quem reconhecemos como Nosso Deus e Senhor.

Este Preceito proibe, portanto, que se faça juramento falso.

Quem não recua de tamanho crime, como o de invocar a Deus como falsa testemunha, faz a Deus uma tremenda injuria, pois Lhe atira a pecha de ignorancia, julgando que Ele possa desconhecer a verdade, ou a de perversao e má fe, como se Ele se prontificasse a confirmar uma mentira com o Seu testemunho.

Fonte: Catecismo Romano

Mandamentos AQUI