domingo, 15 de abril de 2012

Divina Misericórdia


"Confitemini Domino quoniam bonus, quoniam in aeternum misericordia eius".

"Louvai o Senhor, porque Ele é bom, porque é eterno o Seu amor" (Sl 118, 1).

"Assim canta a Igreja na Oitava de Páscoa, como que recolhendo dos lábios de Cristo estas palavras do Salmo, dos lábios de Cristo ressuscitado, que no Cenáculo traz o grande anúncio da misericórdia divina e confia aos apóstolos o seu ministério: "A paz seja convosco! Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós... Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20, 21-23).

Antes de pronunciar estas palavras, Jesus mostra as mãos e o lado. Isto é, indica as feridas da Paixão, sobretudo a chaga do coração, fonte onde nasce a grande onda de misericórdia que inunda a humanidade. Daquele Coração Santa Faustina Kowalska, verá partir dois fachos de luz que iluminam o mundo: "Os dois raios, explicou-lhe certa vez o próprio Jesus representam o sangue e a água" (Diário, Libreria Editrice Vaticana, pág. 132).

2. Sangue e água! O pensamento corre rumo ao testemunho do evangelista João que, quando um soldado no Calvário atingiu com a lança o lado de Cristo, vê jorrar dali "sangue e água" (cf. Jo 19, 34). E se o sangue evoca o sacrifício da cruz e o dom eucarístico, a água, na simbologia joanina, recorda não só o baptismo, mas também o dom do Espírito Santo (cf. Jo 3, 5; 4, 14; 7, 37-39).

A misericórdia divina atinge os homens através do Coração de Cristo crucificado: "Minha filha, dize que sou o Amor e a Misericórdia em pessoa", pedirá Jesus à santa Faustina (Diário, pág. 374).

Cristo derrama esta misericórdia sobre a humanidade mediante o envio do Espírito que, na Trindade, é a Pessoa-Amor. E porventura não é a misericórdia o "segundo nome" do amor (cf. Dives in misericordia, 7), cultuado no seu aspecto mais profundo e terno, na sua atitude de cuidar de toda a necessidade, sobretudo na sua imensa capacidade de perdão?

Jesus disse à Irmã Faustina: "A humanidade não encontrará paz, enquanto não se voltar com confiança para a misericórdia divina" (Diário, pág. 132).

O que nos trarão os anos que estão diante de nós? Como será o futuro do homem sobre a terra? A nós não é dado sabê-lo. Contudo, é certo que ao lado de novos progressos não faltarão, infelizmente, experiências dolorosas. Mas a luz da misericórdia divina, que o Senhor quis como que entregar de novo ao mundo através do carisma da Irmã Faustina, iluminará o caminho dos homens do terceiro milénio.

Assim como os Apóstolos outrora, é necessário porém que também a humanidade de hoje acolha no cenáculo da história Cristo ressuscitado, que mostra as feridas da sua crucifixão e repete: A paz seja convosco! É preciso que a humanidade se deixe atingir e penetrar pelo Espírito que Cristo ressuscitado lhe dá. É o Espírito que cura as feridas do coração, abate as barreiras que nos separam de Deus e nos dividem entre nós, restitui ao mesmo tempo a alegria do amor do Pai e a da unidade fraterna.

É importante, então, que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem da palavra de Deus neste segundo Domingo de Páscoa, que de agora em diante na Igreja inteira tomará o nome de "Domingo da Divina Misericórdia".

Nas diversas leituras, a liturgia parece traçar o caminho da misericórdia que, enquanto reconstrói a relação de cada um com Deus, suscita também entre os homens novas relações de solidariedade fraterna. Cristo ensinou-nos que "o homem não só recebe e experimenta a misericórdia de Deus, mas é também chamado a "ter misericórdia" para com os demais. "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5, 7)" (Dives in misericordia, 14).

Depois, Ele indicou-nos as múltiplas vias da misericórdia, que não só perdoa os pecados, mas vai também ao encontro de todas as necessidades dos homens. Jesus inclinou-se sobre toda a miséria humana, material e espiritual.

A sua mensagem de misericórdia continua a alcançar-nos através do gesto das suas mãos estendidas rumo ao homem que sofre. Foi assim que O viu e testemunhou aos homens de todos os continentes a santa Faustina que, escondida no convento de Lagiewniki em Cracóvia, fez da sua existência um cântico à misericórdia: Misericordias Domini in aeternum cantabo.

Amor a Deus e amor aos irmãos são de facto inseparáveis: "Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e guardamos os Seus mandamentos" (Jo 5, 2). O Apóstolo recorda-nos nisto a verdade do amor, indicando-nos na observância dos mandamentos a medida e o critério.

Com efeito, não é fácil amar com um amor profundo, feito de autêntico dom de si. Aprende-se este amor na escola de Deus, no calor da sua caridade. Ao fixarmos o olhar n'Ele, ao sintonizarmo-nos com o seu coração de Pai, tornamo-nos capazes de olhar os irmãos com olhos novos, em atitude de gratuidade e partilha, de generosidade e perdão. Tudo isto é misericórdia!

Na medida em que a humanidade souber aprender o segredo deste olhar misericordioso, manifesta-se como perspectiva realizável o quadro ideal, proposto na primeira leitura: "A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia mas, entre eles, tudo era comum" (Act 4, 32). Aqui a misericórdia do coração tornou-se também estilo de relações, projecto de comunidade, partilha de bens. Aqui floresceram as "obras da misericórdia", espirituais e corporais. Aqui a misericórdia tornou-se um concreto fazer-se "próximo" dos irmãos mais indigentes.

Esta mensagem consoladora dirige-se sobretudo a quem, afligido por uma provação particularmente dura ou esmagado pelo peso dos pecados cometidos, perdeu toda a confiança na vida e se sente tentado a ceder ao desespero. Apresenta-se-lhe o rosto suave de Cristo, chegando-lhe aqueles raios que partem do seu Coração e iluminam, aquecem e indicam o caminho, e infundem esperança. Quantas almas já foram consoladas pela invocação "Jesus, confio em Ti", que a Providência sugeriu através da Irmã Faustina! Este simples acto de abandono a Jesus dissipa as nuvens mais densas e faz chegar um raio de luz à vida de cada um.

"Jezu ufam tobie!"

Jesus Cristo, confio em Ti!

Papa João Paulo II

O Caminho de Tomé


A resposta ao mistério da vocação divina

"O caminho começa com uma vocação, uma vocação concedida por Deus. A missão autêntica é o mistério da resposta a uma vocação, e não a tomada de uma iniciativa de modo isolado.

Num trecho particularmente dramático do Evangelho de S. João, S. Tomé rompe o silêncio para infundir coragem nos seus companheiros de discipulado, dizendo-lhes: "Vamos, também nós, morrer com Ele!" (Jo 11, 16). Porém, depois desta expressão de lealdade inabalável, por alguns instantes o seu espírito duvidoso parece levá-lo a perder o equilíbrio e ele pergunta qual é o caminho (cf. Jo 14, 5), levando Jesus a dar-lhe uma das definições mais famosas que Ele jamais dera de si mesmo: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14, 6).

Para salvar a todos através da graça do Filho, a vocação recebida de Deus é tão poderosa que torna possível aquilo que parece impossível e reconcilia o que parece irreconciliável.

Ser convidado desta maneira recorda-nos com grande vigor que a nossa vida não nos pertence a nós, mas a Deus e, por conseguinte, a Cristo. Para uma vocação tão abnegada, são necessárias pessoas altruístas. S. Tomé era uma destas pessoas e correspondeu à sua vocação. Ele era enviado por Cristo, e estava consciente disto. Todavia, a sua resposta não foi totalmente desprovida de numerosos desafios externos e internos.

Vemos S. Tomé ameaçado por uma luta interior entre a sua lealdade inata e o seu candor desarmante. Talvez seja por este motivo que, nos Evangelhos, ele parece estar com frequência ligado ao caminho e à procura do caminho. O problema apresentou-se na única vez em que ele estava ausente, naquele fatídico domingo, quando a dor o obcecou e, por um momento, não conseguiu acreditar. Mas também nisto ele não está sozinho, porque nenhuma das onze aparições do Senhor ressuscitado, narradas pelo Evangelho, encontrou as pessoas prontas.

Se S. Tomé se emendou, foi porque queria viver em harmonia com os seus companheiros. Assim que voltou para o seu grupo, mostrou-se à altura da situação. Quando o Senhor apareceu pela segunda vez, S. Tomé pronunciou a máxima expressão de fé que se encontra no Evangelho: "Meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20, 28). Ele não sabia que, depois de ter vivido a experiência mais excelsa, a conclusão daquela viagem representava apenas o início de uma nova peregrinação, que o levaria até à Índia.

Ali, os seus discípulos, tanto ontem como hoje, definiram aquilo que o Apóstolo lhes ensinou, como "o Caminho de Tomé". Ele nunca foi entendido como senda substitutiva daquele que é o Caminho para o Pai, nosso Senhor e nosso Deus, mas como um caminho que para Ele conduz"

Cardeal Prefeito da congregação para as Igrejas Orientais

sábado, 14 de abril de 2012

Chesterton



“O corpo foi descido da cruz, e um dos poucos ricos entre os cristãos obteve permissão para sepultá-lo numa tumba aberta na rocha em seu jardim; e os romanos montaram uma guarda militar para impedir um possível tumulto e a tentativa de recuperar o corpo.

Houve mais uma vez um simbolismo natural nesses procedimentos naturais: convinha que a tumba fosse lacrada com todo o sigilo das antigas sepulturas orientais e guardada pela autoridade dos césares. Pois naquela segunda caverna toda a grande e gloriosa humanidade a que chamamos de antiguidade estava reunida e encoberta, e ali foi sepultada. Foi o fim de algo muito grande chamado de história humana que foi simplesmente humana. As mitologias e as filosofias foram ali sepultadas, os deuses e os heróis e os sábios. Na grande frase romana, eles haviam vivido. Mas como só podiam viver, eles só poderiam morrer; e estavam mortos.

No terceiro dia os amigos de Cristo vieram para o local ao romper da manhã e encontraram o túmulo vazio e a pedra removida. De várias formas eles perceberam a nova maravilha, mas até mesmo eles mal se deram conta de que o mundo havia morrido naquela noite. O que estavam contemplando era o primeiro dia de uma nova criação, com um novo céu e uma nova terra; e sob as aparências do jardineiro, Deus novamente caminhava pelo jardim, no frio não da noite e sim da madrugada.”



(Gilbert Keith Chesterton, The Everlasting Man)


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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Questões sobre o Matrimônio



Por São Francisco de Sales

"O casamento é um grande sacramento, eu digo em Jesus Cristo e na sua Igreja é honroso para todos, em todos, e em tudo, isto é, em todas as suas partes. Para todos: porque as próprias virgens o devem honrar com humildade. Em todos: porque é tão santo entre os pobres como é entre os ricos. Em tudo: porque a sua origem, o seu fim, as suas vantagens, a sua forma e matéria são santas. É o viveiro do Cristianismo, que enche a terra de fiéis, para tornar completo no céu o número dos eleitos: de sorte que a conservação do bem do casamento é sobremaneira útil para a república; porque é a raiz e o manancial de todos os seus arroios.

Prouvera a Deus que o seu Filho muito amado fosse chamado para todas as bodas como o foi para a de Caná; nunca faltaria lá o vinho das consolações e das bençãos; porque se não as há senão um pouco ao princípio, é porque, em vez de Nosso Senhor, se fez vir a elas Adônis e, em lugar de Nossa Senhora, se faz vir a Vênus.

Quem quer ter cordeirinhos bonitos e malhados, como Jacó, precisa como ele de apresentar às ovelhas quando se juntam para conceber umas lindas varinhas de diversas cores; e quem quer ser bem-sucedido no casamento, deveria em suas bodas representar a si mesmo a santidade e dignidade deste Sacramento; mas em lugar disso dão-se aí mil abusos e excessos em passatempos, festins e palavras. Não é pois de admirar que os efeitos sejam desordenados.

Exorto sobretudo aos casados ao amor recíproco que o Espírito Santo tanto lhes recomenda na Sagrada Escritura: ó casados não se deve dizer: amai-vos um ao outro com o amor natural, porque os casais de rolas fazem isto muito bem; nem se deve dizer: amai-vos com amor humano, porque também os pagãos praticaram esse amor; mas digo-vos encostado ao grande Apóstolo: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Jesus Cristo ama a Igreja; ó mulheres, amai vossos maridos, como a Igreja ama o seu Salvador”.

Foi Deus quem levou Eva a nosso primeiro pai Adão, e lha deu por mulher; foi também Deus, meus amigos, que com sua mão invisível fez o nó do sagrado laço do vosso matrimônio, e que vos deu uns aos outros: por que não haveis então de amar-vos com amor todo santo, todo sagrado, todo divino?

O primeiro efeito deste amor é a união indissolúvel dos vossos corações. Se se grudam duas peças de pinho, uma vez que a cola seja fina, a união fica tão forte, que será mais fácil quebrar as peças noutros locais do que no local da junção; mas Deus junta o marido e a mulher em seu próprio sangue: e por isso é que esta união é tão forte que antes se deve separar a alma do corpo de um e de outro do que separar-se o marido da mulher. Ora esta união não se entende principalmente do corpo, mas sim do coração, do afeto e do amor.

O segundo efeito deste amor deve ser a fidelidade inviolável de um ao outro: antigamente gravavam-se os selos nos anéis que se traziam nos dedos, como a própria santa Escritura testifica. Aqui está o segredo da cerimônia que se faz nas bodas: a Igreja pela mão do sacerdote benze um anel, e dando-o primeiramente ao homem, dá a entender que sela e cerra seu coração por este Sacramento, para que nunca mais nem o nome, nem o amor de qualquer outra mulher possa nesse coração entrar, enquanto viver aquela que lhe foi dada: depois o esposo mete o anel na mão da própria esposa, para que ela reciprocamente saiba que nunca o seu coração deve conceber afeto por qualquer outro homem, enquanto viver sobre a terra aquele, que Nosso Senhor acaba de lhe dar.

O terceiro fruto do casamento é a geração e a legítima criação e educação dos filhos. Grande honra é esta para vós, ó casados, que Deus, querendo multiplicar as almas que possam bendizê-lO e louvá-lO por toda a eternidade, vos torna cooperadores de obra tão digna, por meio da produção dos corpos, em que Ele reparte, como gotas celestes, as almas, criando-as e infundindo-as nos corpos.

Conservai pois, ó maridos, um terno, constante e cordial amor a vossas mulheres: por isto foi a mulher tirada do lado mais chegado ao coração do primeiro homem, para que fosse amada por ele cordial e ternamente. As fraquezas e enfermidades de vossas mulheres, quer do corpo, quer do espírito, não devem provocar-vos a nenhuma espécie de desdém, mas antes a uma doce e amorosa compaxião, pois Deus criou-as assim para que dependendo de vós, vos honrem e vos respeitem mais, e de tal modo as tenhais por companheiras que contudo sejais os chefes e superiores.

E vós, ó mulheres, amai ternamente, cordialmente, mas com um amor respeitoso e cheio de reverência, os maridos que Deus vos deu: porque realmente por isso os criou Deus de um sexo mais vigoroso e predominante, e quis que a mulher fosse uma dependência do homem, e osso dos seus ossos, e carne da sua carne, e que ela fosse produzida por uma costela deste, tirada debaixo dos seus braços, para mostrar que ela deve estar debaixo da mão e governo do marido; e toda a Escritura Santa vos recomenda severamente esta sujeição, que aliás a mesma Escritura vos faz doce e suave, não somente querendo que vos acomodeis a ela com amor, mas ordenando a vossos maridos que a exerçam com grande afeto, ternura e suavidade.

Maridos, diz São Pedro, portai-vos discretamente com vossas mulheres como com um vaso mais frágil, honrando-as. Mas assim como vos exorto a afervorar cada vez mais este recíproco amor que vos deveis, estai alerta para que não se converta em nenhuma espécie de ciúme: porque acontece muitas vezes que, como o verme se cria na maçã mais delicada e madura, também o ciúme nasce no amor mais ardente e afetuoso dos casados, cuja substância aliás estraga e corrompe; porque pouco a pouco acarreta os desgostos, desavenças e divórcios. Por certo que o ciúme nunca chega aonde a amizade está de parte a parte fundada na verdadeira virtude: e eis a razão por que ela é um sinal indubitável de um amor sensual, grosseiro, e que se dirigiu a objeto em que encontrou uma virtude defeituosa, inconstante e exposta a desconfianças. É, pois, uma pretensão tola quere dar a entender com os zelos a grandeza amizade: porque o sinal na verdade é um sinal da magnitude e corpolência da amizade, mas não da sua bondade, pureza e perfeição; pois que a perfeição da amizade pressupõe a firmeza da virtude da coisa que se ama, e o ciúme pressupõe a incerteza.

Se quereis, maridos, que as vossas mulheres vos sejam fiéis, ensinai-lhes a lição com o vosso exemplo: “Com que cara,- diz S. Gregório Nazianzeno -, quereis exigir honestidade de vossas mulheres, se vós próprios viveis na desonestidade? Como lhes pedis o que não lhes dais? Quereis que elas sejam castas? Vivei castamente com elas”, e, como diz São Paulo, saiba cada um possuir o seu vaso em santificação. Mas, se pelo contrário vós mesmos lhes ensinais as dissoluções, não é de admirar que sofrais a desonra da sua perda. Mas vós, ó mulheres, cuja honra está inseparavelmente aliada com a pureza e honestidade, conservai zelosamente a vossa glória, e não permitais que nenhuma espécie de dissolução empane a brancura da vossa reputação.

Temei toda a sorte de ataques, por pequenos que sejam: nunca permitais que andem em volta de vós os galanteios. Todo aquele que vem elogiar a vossa formosura e a vossa graça deve ser-vos suspeito. Porque quem gaba uma mercadoria que não pode comprar, ordinariamente é muito tentado a roubá-la. Mas se ao vosso encômio alguém adicionar o desprezo de vosso marido, ofende-vos sobremaneira, porque a coisa é clara, que não somente quer perder-vos, mas já vos tem na conta de meio perdida, pois que metade do contrato é feito com o segundo comprador, quando se está desgostoso do primeiro.

As senhoras, tanto antigas como modernas, acostumaram-se a levar pendentes das orelhas muitas pérolas, pelo prazer, diz Plínio, que têm em as ouvir tilintar e chocalhar, tocando umas nas outras. Mas quanto a mim, que sei que o grande amigo de Deus, Isaac, enviou à casta Rebeca pendentes de orelhas como os primeiros penhores do seu amor: eu creio que este ornamento místico significa que a primeira coisa que um marido deve ter de uma mulher, e que a mulher lhe deve fielmente guardar, é a orelha, para que nenhuma linguagem ou ruído possa aí entrar, senão o doce e amigável gorjeio das palavras castas e pudicas, que são as pérolas orientais do Evangelho. Porque é preciso lembrar-se sempre de que as almas se envenenam pelo ouvido, como o corpo pela boca.

O amor e a fidelidade juntos trazem sempre consigo a familiaridade e confiança; é por isso que os Santos e as Santas usaram de muitas carícias recíprocas em seu matrimônio, carícias verdadeiramente amorosas, mas castas; ternas, mas sinceras. Assim Isaac e Rebeca, o casal mais casto dos casados do tempo antigo, foram vistos à janela a acariciar-se de tal sorte que, embora nada nisso houvesse de desonesto, Abimelec conheceu bem que eles não podiam ser senão marido e mulher.

O grande São Luís, tão rigoroso com a sua carne, como terno amor a sua mulher, foi quase censurado de ser pródigo em tais carícias: embora na verdade antes merecesse encômio por saber despojar-se do seu espírito marcial e corajoso para praticar estas ligeiras obrigações necessárias para a conservação do amor conjugal; porque ainda que estas pequenas mortificações de pura e franca amizade não prendam os corações, contudo aproximam-nos, e servem de agradável isca para a mútua conversação.

Santa Mônica, estando grávida do grande Santo Agostinho, consagrou-o com repetidos oferecimentos à Religião cristã, e ao serviço da glória de Deus, como ele próprio testifica, dizendo: que já no ventre de sua mãe tinha provado o sal de Deus. É um grande ensinamento para as mulheres cristãs oferecer à divina Majestade o fruto de seus ventres, mesmo antes que deles tenham saído: porque Deus, que aceita as oblações de um coração humilde e bem formado, ordinariamente favorece os bons desejos das mães nessa circunstância: sejam disso testemunhas Samuel, S. Tomás de Aquino, S. André de Fiesole, e muitos outros.

A mãe de S. Bernardo, digna mãe dum tal filho, tomando seus filhos e filhas nos braços apenas nasciam, oferecia-os a Jesus Cristo; e desde logo os amava com respeito como coisa sagrada, e que Deus lhe tinha confiado: o que lhe deu tão feliz resultado, que todos os seus sete filhos foram muito santos. Mas uma vez vindos os filhos ao mundo, e começando a ter uso da razão, devem os pais e mães ter um grande cuidado de lhes imprimir o temor de Deus no coração.

 A boa rainha Branca desempenhou fervorosamente este encargo com o rei S. Luís, seu filho, porque lhe dizia a cada passo: ' Antes quero, meu caro filho, ver-te cair morto na minha presença do que ver-te cometer um só pecado mortal'. O que ficou de tal modo gravado na alma deste santo filho, que, como ele próprio contava, não houve dia da sua vida em que disso se não lembrasse, esforçando-se o quanto lhe era possível por observar à risca esta santa doutrina.

Na nossa linguagem chamamos casas às linhagens e gerações; e os próprios hebreus chamam a geração dos filhos edificação de casa. Porque foi neste sentido que se disse que Deus edificou casas para as parteiras do Egito. Ora é para mostrar que não é fazer uma boa casa provê-la de muitos bens mundanos: mas educar bem os filhos no temor de Deus e na virtude. Nisto não devemos esquivar-nos a penas nem trabalhos, pois os filhos são a coroa do pai e da mãe. Assim, Santa Mônica combateu com tanto fervor e constância as más inclinações de Santo Agostinho que, tendo-o seguido por mar e por terra, o tornou mais felizmente filho de suas lágrimas, pela conversão da sua alma, do que o tinha sido do sangue pela geração do seu corpo.

S. Paulo deixa como incumbência às mulheres o governo da casa; e por isso muitos seguem esta verdadeira opinião que a sua devoção é mais frutuosa para a família que a dos maridos, que, não tendo uma residência tão continuada entre os domésticos, não pode, por conseguinte encaminhá-los tão facilmente para a virtude. Segundo esta consideração Salomão nos seus provérbios faz depender a felicidade de toda a sua casa do cuidado e esmero da mulher forte que descreve.

Diz-se no Gênesis que Isaac, vendo a esterilidade de sua esposa Rebeca, rogou ao Senhor por ela: ou segundo o texto hebraico, rogou ao Senhor em frente dela, porque um orava de um lado do oratório e outro do outro lado; e a oração do marido feita deste modo foi ouvida. A maior e mais frutuosa união do marido e da mulher é a que se faz na devoção, à qual se devem excitar à perseverança um ao outro. Frutos há, como o marmelo, que, pela aspereza do seu suco, não são agradáveis senão postos em conserva. Há outros que, pela sua brandura e delicadeza, não se podem conservar senão também postos em doce, como as cerejas e os damascos: assim as mulheres hão de desejar que os seus maridos estejam em conserva no açúcar da devoção. Porque o homem sem devoção é um animal severo, áspero e duro; e os maridos devem desejar que as suas mulheres sejam devotas; porque sem a devoção, a mulher é em extremo frágil e sujeita a cair ou embaciar a sua virtude.

S. Paulo disse que o homem infiel é santificado pela mulher fiel e a mulher infiel pelo homem fiel, porque nesta estreita aliança do casamento um pode facilmente puxar o outro à virtude. Mas que grande benção há quando o homem e a mulher fiéis se santificam um ao outro num verdadeiro temor de Deus! Além disso, hão de ter tanta condescendência um com o outro, que nunca se aborreçam e irritem ambos ao mesmo tempo e de repente, para que entre eles não se note dissensão nem disputa. As abelhas não podem estar em lugar onde se ouvem ecos e estrondos, e onde soa a voz repetida: nem o Espírito Santo pode demorar numa casa onde há disputas, réplicas e repetição de vozes e altercações.

 S. Gregório Nazianzeno diz que no seu tempo os casados faziam festa no aniversário dos seus casamentos. E eu por certo aprovaria que se introduzisse este costume, contanto que não fosse com aparatos de diversões mundanas e sensuais, mas que os maridos e mulheres, tendo-se confessado e comungado nesse dia, recomendassem a Deus, mais fervorosamente que de costume, o progresso do seu matrimônio, renovando os bons propósitos de o santificar cada vez mais por uma recíproca amizade e fidelidade, e cobrando alento em Nosso Senhor, para arcar com os encargos da sua vocação."

São Francisco de Sales - Filotéia (cap.38)

Deus pode caber na minha cabeça?


Por Alfonso Aguilló

A grandeza de um homem está em saber reconhecer sua pequenez .(Blaise Pascal)

Reconhecer as nossas limitações

Se um aluno do colegial vai um dia à Universidade e assiste a uma aula de doutorado que trata de uma matéria especialmente complexa, não deve estranhar que perca com frequência o fio da explicação ( se é que em algum momento chegou a tê-lo nas mãos).Pensará que isso é natural, já que a matéria está muito acima da sua compreensão. Algo de semelhante acontece com a compreensão da natureza de Deus que o homem pode alcançar.

Se o estudante do nosso exemplo dissesse que tudo o que ouviu nessa aula é mentira pela simples razão de que ele não entendeu nada, seria preciso fazê-lo ver - educadamente, sem dúvida - que não é a sua capacidade de entender as coisas que faz com que elas sejam verdadeiras.

A verdade não tem obrigação de ser correspondida inteiramente por todas as pessoas. E isto não quer dizer que as pessoas sejam tolas, nem que se deva renunciar a razão, mas apenas que é preciso reconhecer que temos limitações. Por isso, disse Pascal e era um grande cientísta - que a "grandeza de um homem está em saber reconhecer a sua pequenez".

Para voltarmos ao nosso exemplo, o professor de pós-graduação talvez possa tornar a matéria mais acessível, com exemplos ou simplificações mais ou menos felizes que ajudem o aluno a entende-la. E tambem poderá refutar, com maior ou menor acerto pedagógico, as objeções que o rapaz levante. Mas não conseguirá faze-lo entender todas as aulas perfeitamente e até as últimas consequencias. Porque está em outro nível.

Pensar que alguém é tão inteligente que possa abarcar Deus por completo é de uma ingenuidade tão espantosa como presunçosa. É mais ou menos, como se o aluno do nosso exemplo pensasse que entendeu perfeitamente tudo o que escutou na aula (neste caso provavelmente teria entendido algo muito diferente do que realmente foi explicado).

Se alguém diz que Deus não existe porque não cabe por completo na sua cabeça, será preciso faze-lo considerar que, já não seria Deus. E isso não tem nada a ver com a possibilidade de a razão humana demonstrar a existencia de Deus.

A razão é capaz de chegar a Deus, mas demonstrar a existencia de Deus não é compreender inteiramente o ser de Deus. Para crer, é preciso reconhecer humildemente - e sei que é difícil ser humilde - as limitações da razão humana. Assim poderemos aproximar-nos de uma realidade que é muito superior a nós.

Mas Deus não poderia ter feito alguma coisa para que o conhecessemos mais facilmente?

Penso que já fez muito, uma vez que se revelou, como veremos adiante. Talvez seja o homem quem precise fazer alguma coisa mais. Além disso, quem somos nós para prescrever a Deus o modo mais adequado de se dar a conhecer?

Deus não quis obrigar o homem a reconhece-lo forçosamente. A razão humana pode demonstrar a existencia de Deus e conhecer bastante sobre a sua natureza. Mas não pode chegar por si só a alcançar muitas outras verdades relativas à natureza de Deus.

O fato de o homem não conseguir captar algumas verdades não tem porque por em causa essas verdades. Como explica Mariano Artigas, isso tbem acontece continuamente nas ciencias. Por exemplo, ninguém duvida da existencia das partículas subatomicas, apesar de chocarmos com dificuldades - que, por enquanto são insolúveis - quando tentamos explicar a sua natureza.

Mas essas dificuldades não impedem que tenhamos muitos conhecimentos bem comprovados sobre essas partículas e que possamos utilizá-las como base de algumas tecnologias muito avançadas.

A fé é compatível com a razão, mas é difícil para o homem chegar a compreende-la em profundidade com o auxílio exclusivo da razão. Por isso, a Revelação constitui uma grande ajuda no laborioso caminho da inteligencia humana.

Crer em alguma coisa...

Que não estou certo que exista?

Há homens que se declaram agnósticos porque dizem que ninguém conseguiu demonstrar-lhes de forma convincente que Deus existe. Dizem que não podem rezar a um ser de quem não sabem com certeza se existe, porque seria como lançar ao mar mensagens numa garrafa, sem saber se alguém as apanhará.

No entanto, os náufragos em ilhas desertas lançavam ao mar garrafas com mensagens dentro; pelo menos, é o que se conta. E imagino que o faziam porque confiar em alguma coisa que não é uma certeza esmagadora e incontestável não tem por que ser uma atitude absurda.

Absurdo seria ficar sem fazer nada por não saber com toda a certeza de alguém chegará algum dia a encontrar a garrafa.

Sim, mas eles optam por não arriscar nada, e por isso preferem não crer em nada, já que não há nada claramente demonstrado.

Com esse modo de pensar, seria preciso deixar de acreditar até que se é filho dos próprios pais - peço desculpas pelo exemplo um pouco contundente - como a única solução segura para evitar o risco de amar pais falsos. A maioria de nossos conhecimentos procede da fé humana, isto é, do testemunho de outras pessoas e, na maioria dos casos, não podemos comprová-los.

E isso inclui dados tão simples como quem são os nossos pais, o nosso lugar e data de nascimento, a maior parte da geografia e da história, e um lomguíssimo etcétera.

No entanto costumamos acreditar que o remédio que tomamos é o que está indicado na caixa, ou que as placas de sinalização das estradas nos vão mandar ao lugar indicado, ou que realmente existe aquele país distante que aparece nos mapas e do qual a imprensa tanto fala, mas que nunca visitamos. Porque isso é o que é sensato.

Passamos a vida inteira - todos, também aqueles que dizem não acreditar em nada - tendo fé em muitas coisas, correndo riscos, confiando no que não está claramente provado.

Fé quer dizer crédito ou confiança. Se quizéssemos demonstrar tudo, acabaríamos por ver-nos metidos num processo infinito em que a desconfiança absoluta limitaria drasticamente os nossos movimentos e atos, e a nossa vida ficaria reduzida ao pequeníssimo ambito daquilo que cada qual pode compreender pessoalmente.

Por isso, o fato de a fé em Deus exigir uma atitude de aceitação é também algo muito sensato. O que não seria sensato é o ceticismo absoluto, ou pedir um desproporcionado grau de segurança. E menos sensato ainda se só se exigisse isso em questões de religião ou de moral.

A própria amizade, sem ir mais longe, requer o exercício da fé e da confiança, já que, sem elas, nenhum amigo seria digno desse nome.

Assim o entendia um pensador da Antiguidade, que se perguntava: "Como posso afirmar que não se deve acreditar em nada sem conhecê-lo diretamente, se, no caso de não se acreditar em nada que a razão não possa demonstrar com toda a certeza, não existiriam nem a amizade, nem o amor".

Acreditar em alguma coisa que me complica a vida?

- Por vezes, a resistencia a crer em Deus é, sobretudo, uma resistencia da vontade para evitar complicações morais . Se, dúvida, e por isso muitos agnósticos se amparam na desculpa de que não se pode conhecer com certeza a existencia de Deus, para assim viverem na prática como se Ele não existisse.

E resolvem as suas dúvidas intelectuais apostando, na prática, pela não existencia de Deus, como uma segurança e assumindo uns riscos difíceis de conciliar com os raciocínios de que partem.*

(A palavra agnóstico, em grego: agnosceo significa "não sei".)

Essa atitude pode ser muito atraente para aqueles que procuram eludir algumas das obrigações morais que a existencia de Deus traz consigo, pois lhes permite evitar o incomodo de refutá-las. Dessa maneira, o seu agnosticismo acaba por ser uma simples fachada intelectual que esconde alguns posicionamentos que talvez pareçam comodos,mas são, sem dúvida, muito pouco consistentes.

Há outros - a quem talvez devessemos elogiar inicialmente pela sua sinceridade - que afirmam crer em Deus, mas preferem colocá-lo entre parenteses porque, por algum motivo mais ou menos inconfessado, não tem interesse em ver afetada a sua vida.É o indiferentismo, que, embora possa ser efetivamente sincero, não parece um exemplo de coerencia.

Outros professam uma espécie de agnosticismo estético, e faze, equilíbrios difíceis entre o ceticismo e a busca da aprovação social, ou entre o medo ao compromisso e o medo ao "que dirão". Parecem pensar que a incredulidade é uma prova de elegancia e sabedoria, e talvez seja por isso que chegam ao extremo de fingi-la.

Em qualquer caso, são atitudes nascidas de decisões pessoais,que podem ser tomadas com toda a liberdade, certamente, mas que com frequencia, não se baseiam numa argumentação intelectual muito rigorosa.

A argumentação costuma vir depois da decisão, para justificá-la.

Fonte: É Razoável Crer? - Quadrante

Veja Mais AQUI

Depois veremos: Agnosticismo e Cálculo de Probabilidades.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Vida que herdamos


Viveremos uma só vida e ela é um dom que recebemos do Criador. Se há alguma coisa que tem valor neste mundo, esta é a vida que herdamos e Deus deseja que a vivamos bem, sabendo o por que termos sido feitos e qual nosso destino neste mundo.

Ora, de que adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma? "De que serve um cofre cheio se a consciência está vazia?" nos pergunta Santo Agostinho. - (Serm 72,6)

Tudo em nós, clama pela intimidade com Deus, tudo em nós clama pela santidade, pelo crescimento, pela elevação, porque nos diz o Catecismo: " O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso:

«A razão mais sublime da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o começo da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus: pois se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele, e por amor, constantemente conservado: nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e não se entregar ao seu Criador" (Catecismo da Igreja católica)

Ao longo de nossa caminhada neste mundo, vamos aos poucos percebendo que o exterior, que os bens, que nossa energia - que vai sendo consumida -, são passageiros e que nada que venha de fora poderá satisfazer a sede que temos do eterno, do duradouro, do santo. A vida anseia por instinto, pela eternidade e nada nos repugna tanto quanto a decadência.

"Temos demasiada necessidade de imortalidade, para que nosso destino esteja naquilo que fenece. E, uma vez que a vida exterior termina irrevogavelmente em um abismo, os anseios que, em nós, entoam seu refrão de eternidade, indicam que somos portadores de um germe de infinito. Como esse germe nos encontra, nas condições exteriores, nada que seja estável e imperecível, isso nos conduz, pela própria força de nossos mais profundos instintos vitais, a buscar no interior sua expansão. E aqui há o perigo de nos enganarmos" - François de Sales Pollien - A vida interior

Escutemos o que nos diz São Paulo:

"Porque Deus que disse: Das trevas brilhe a luz, é também aquele que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo. Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós. Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não somos destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo"(2Cor 4,6-10)

"Mas sabemos, continua ele -, que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, nos ressuscitará também a nós com Jesus e nos fará comparecer diante dele convosco. E tudo isso se faz por vossa causa, para que a graça se torne copiosa entre muitos e redunde o sentimento de gratidão, para glória de Deus. É por isso que não desfalecemos. Ainda que exteriormente se desconjunte nosso homem exterior, nosso interior renova-se de dia para dia. A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem . Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas".(2Cor 4,14-17)

"Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma habitação eterna no céu. E por isto suspiramos e anelamos ser sobrevestidos da nossa habitação celeste, contanto que sejamos achados vestidos e não despidos. Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma veste nova por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela vida. Aquele que nos formou para este destino é Deus mesmo, que nos deu por penhor o seu Espírito. Por isso, estamos sempre cheios de confiança. Sabemos que todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor. Andamos na fé e não na visão. Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto do Senhor. É também por isso que, vivos ou mortos, nos esforçamos por agradar-lhe. Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo" (2 Cor 5,1-10)

Eis portanto a verdadeira vida, plena de imortalidade (cf Sab 3,4) que se desenvolve interiormente, em meio a tudo e apesar de tudo. É a vida que vence a luta entre o espírito e a carne, que se serve de todas as coisas, mesmo as corporais, para a exaltação da alma em Deus. É a vida superior, que se eleva acima de tudo, mesmo dos desastres da natureza; que determina a elevação do que há de mais nobre em nós e nos consome no Ser supremo.

A vida plena é aquela em que a alma busca a unidade sobre o fundamento que é Cristo, como nos mostra ainda São Paulo:

"Segundo a graça que Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, mas outro edifica sobre ele. Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstrá-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo. Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado - e isto sois vós"(1Cor 3,10-17)

Infelizmente somos ainda crianças, mergulhados nos sentidos e na sensibilidade, e tendemos a reduzir nossa visão e nossos sentimentos religiosos, ao sentimentalismo e à rotina de um culto infantilizado. Eis-nos, portanto, obrigados a voltar às noções elementares da palavra de Deus. Não podemos nos elevar imediatamente à estatura de Cristo, às sublimidades da Encarnação, que é o grande mistério de Cristo e de nós nEle. Por isso é preciso começar a entender o caminho e o conhecimento de Deus na humildade, buscando sempre os fundamentos de nosso relacionamento correto com Deus e com seu Cristo, conosco mesmos, com nossos semelhantes e com todas as coisas criadas. É isto que veremos depois.

Baseado no livro: A Vida Interior de François de Sales Pollien

Manifestação contra o Aborto


Divulgo aqui o comunicado para a participação conjunta que acontecerá contra a liberação do aborto pelos 11 ministros(as) do STF - Supremo Tribunal Federal - Participemos, a vida humana é um dom de Deus.

1 - VIGÍLIA ECUMÊNICA DE ORAÇÃO PRESENCIAL

Dias 10 e 11.04.2012 - Vigília de Oração Ecumênica em frente ao STF - Supremo Tribunal Federal

(a partir das 18:00 horas do dia 10.04.2012 )

Participações de artistas: Elba Ramalho e Nael de Freitas

2 - VIGÍLIA de ORAÇÃO pela VIDA nas DIOCESES

CNBB convoca VIGÍLIA de ORAÇÃO pela VIDA

em TODAS AS DIOCESES DO BRASIL

Dia 10.04.2012 a partir das 18:00 horas

3 - TWITAÇO VIGÍLIA - #abortonuncamais

A partir das 18:00 horas do dia 10.04.2012, durante toda a noite e durante todo o dia 11.04.2012, até o término do julgamento no STF

4- FACEBOOK E OUTRAS MÍDIAS

Direito à vida aos anencéfalos - Aborto nunca - Saúde para proteger mulher da morte Materna -

CPI da VERDADE sobre o ABORTO,JÁ!

5 - ENVIO DE EMAILS

A partir das 9:00 horas, nos dias 10 e 11.04.2012. até o término do julgamento - envio de emails para os Ministros do STF - Emails dos ministros e TEXTOS abaixo

EMAILS DOS MINISTROS

mgilmar@stf.jus.br, mgilmar@stf.gov.br,
mcelso@stf.jus.br, mcelso@stf.gov.br,
marcoaurelio@stf.jus.br,
gabinete-lewandowski@stf.gov.br,
anavt@stf.gov.br, anavt@stf.jus.br,
carlak@stf.gov.br, carlak@stf.jus.br,
gabminjoaquim@stf.jus.br, gabcob@stf.jus.br, audienciacarmen@stf.jus.br,
audienciasgilmarmendes@stf.jus.br,
gabinete-lewandowski@stf.jus.br,
gabineteluizfux@stf.jus.br,
gabmtoffoli@stf.jus.br


MODELO n. 01 de TEXTO DE EMAIL PARA OS MINISTROS

"Exmo(a) Senhor(a) Ministro(a) do Supremo Tribunal Federal:

1 - Não concordo com a a possibilidade do aborto de bebês anencefálicos e cujo julgamento está marcado para o dia 11 de abril.

2 - A liberação do assassinato de bebês anencéfalos não resolve a principal do problema, apontada pela medicina brasileira: a falta de ácido fólico na época da gestação. Em vez de matar os bebês, melhor será obrigar os governos a dar condição alimentar especial para as gestantes, a partir da fecundação do óvulo.

3 - A liberação do aborto de anencéfalos fere a dignidade humana, pois o bebê apresenta de fato uma má-formação, porém ele não está em morte cerebral. Seguindo o protocolo de definição de morte cerebral para recém nascidos (que, aliás, apresenta particularidades diferentes do protocolo de adultos) não se chega à conclusão de morte encefálica, pois nenhuma técnica pode preencher as exigências legais para comprovar a morte cerebral de um feto vivo, dentro do útero. Inclusive, é de conhecimento público que a Associação Médica dos E.U.A. suspendeu a autorização de doação de órgãos nestes casos, exatamente por não ser possível diagnosticar a morte cerebral das crianças portadoras de anencefalia durante a gravidez ou depois do nascimento, pelo fato de estarem vivas.

4- Não existe risco de morte para a gestante. O argumento de que a gestação de fetos com anencefalia é um risco de morte para a mãe não procede com a literatura da Obstetrícia clássica. Os riscos físicos e para o futuro obstétrico da mãe são menores se houver a espera do desenlace natural da gestação, com acompanhamento médico.

5 - O aborto provocado em qualquer época da gestação é que traz sérios riscos à mãe. Não há base sólida em argumentos médicos e psicológicos para ser solicitada a liberação do aborto no caso de bebês anencefálicos.

6 - É evidente a ingerência de interesses internacionais na liberação do aborto e no uso político das expectativas dessas mães para chegar a esse objetivo.

7 - Por isso, solicitamos de V. Excia que vote NÃO à interrupção da gravidez de bebês com anencefalia, e SIM ao acompanhamento ALIMENTAR, MÉDICO E PSICOLÓGICO das gestantes, as grandes vítimas dessa CULTURA DA MORTE que pretendem implantar no Brasil, com a ajuda da mais Alta CorteBrasileira.

Atenciosamente ......."

MODELO N. 02 DE TEXTO DE EMAIL PARA OS MINISTROS:

Excelentíssimos Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal, antes de julgarem a ADPF 54 sobre o aborto dos bebês anencéfalos, peço leiam o que tenho a dizer:

“...Mas, se ergues da justiça a clava forte, Verás que um filho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte...”

Eu, ________________________________________________, venho por meio desta carta manifestar que sou contrário(a) ao aborto em todas as circunstancias, inclusive nos casos em que o feto é portador de anencefalia.
A vida é o maior dom de que dispomos e não compete a ninguém o poder de tirá-la.
Em um Estado Democrático de Direito, é preciso que seja resguardado o primeiro e mais importante Direito Fundamental, o Direito de Viver, sem o qual não se pode obter os demais direitos à saúde, educação, moradia, alimentação e lazer.
Não pode haver justiça numa decisão que opta por retirar a vida de seres inocentes, que se encontram numa situação de tamanha fragilidade como a dos bebes anencéfalos.
É pela vida do bebê e pelo bem-estar da mãe que lutamos.
O Estado deve zelar pelos cuidados para com a gestante e o bebê providenciando o conforto possível e todos os cuidados paliativos cabíveis, de maneira a aliviar o sofrimento. Além disso, devem ser implementadas medidas preventivas (vide art. 198, inc.II da CRFB/88) no sentido de propiciar a ingestão diária de ácido fólico por parte das mulheres em idade fértil, por ser este um meio comprovadamente eficaz de prevenção às malformações do tubo neural, dentre as quais se encontra a anencefalia ou, como mais corretamente denominada meroanencefalia (ausência parcial do encéfalo).
Defendemos que a mãe possa descobrir a importância do seu papel materno no chamado a amar seu filho, mesmo que ele esteja doente ou tenha pouca expectativa de vida.
A vida, mesmo que breve, merece ser vivida com intensidade e amor.
Esta é uma carta de quem ama a vida e luta para que todos tenham vida e a tenham em abundância.
Atenciosamente,
_____________________________________
(Assinatura)

“NÃO TENHO MEDO DO BARULHO DOS MAUS,

MAIS ME APAVORA O SILÊNCIO DOS BONS!”

Martin Luther King

Participe! A vida humana não tem religião, tem vida humana!

Envie este email para todos os seus conhecidos, amigos, parentes.

Seja você também um defensor da vida humana!

Revista In Guardia

Estreamos as nossas entrevistas exclusivas. Uma com José Nivaldo Cordeiro que nos falou muito sobre temas variados da política nacional e ainda de alguns temas legislativos em voga.

A outra entrevista ficou por conta de um belo bate-papo com Dom Antônio Keller, bispo conhecido de uma Diocese do Rio Grande do Sul chamada Frederico Westphalen. Imperdível!

Uma boa leitura a todos.

DOWNLOAD: http://is.gd/NqpkIL

ON LINE: http://is.gd/8XEtKz