A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Para organizar a vida com sabedoria
São Tomás recitava essa oração
diariamente diante da imagem de Cristo - Rezemos com ele:
"Permita, ó Deus misericordioso,
que eu possa
desejar ardentemente,
buscar prudentemente,
reconhecer verdadeiramente,
realizar com perfeição
as coisas que te agradam
para o louvor e glória do teu nome.
Organiza, ó Deus, a minha vida!
Permita que eu discirna o que queres de mim
Dá-me o poder de fazer a tua vontade,
de maneira apropriada e necessária
para a salvação da minha alma.
Permita, ó Senhor Deus,
que eu sempre me mantenha fiel
em tempos de prosperidade e de adversidade,
de tal modo que não me vanglorie
quando tudo corre bem
nem me desespere em face dos problemas.
Concede-me que não me alegre
a não ser no seu caminho;
que não me entristeça
a não ser pelo que afaste de Ti.
Que eu deseje apenas te servir
e só temer te desagradar.
Dá-me forças para rejeitar todas as coisas
transitórias e buscar, apenas, as eternas.
Que as alegrias, sem ti, sejam fardos para mim e que eu nada deseje além de ti
Permita, Senhor, que as coisas que faço
só me dêem prazer quando são para Ti.
e que tudo o que não te envolve me encha de tédio.
Concede-me, ó Deus,
que o meu coração dirija-te
a Ti para que ao falhar
sinta remorsos por meus pecados
e jamais desista de me redimir
Senhor meu Deus,
torna-me submisso sem reclamar,
pobre sem desanimar, casto sem
me corromper, paciente sem murmurar,
humilde sem fazer pose,
alegre sem frivolidade,
maduro sem tristeza,
ágil sem leviandade,
temente a Ti sem desesperar,
verdadeiro sem duplicidade
e fazedor do bem sem presunção.
Que eu repreenda meu próximo
sem arrogância e sem hipocrisia
para fortalecê-lo pela palavra
e pelo exemplo.
Dá-me, Senhor, um coração vigilante,
que não se deixe levar para longe de Ti
por pensamentos estranhos.
Dá-me Senhor um coração nobre
que não se deixe enganar por
desejos indignos.
Dá-me um coração resoluto que
não se deixe guiar por intenções
malignas.
Dá-me um coração inabalável
capaz de vencer as tribulações.
Dá me um coração moderado
que não se deixe escravizar por
paixões violentas.
Dá-me, Senhor, meu Deus,
o conhecimento de Ti,
diligência em te buscar,
sabedoria para te encontrar,
palavras que te agradem,
perseverança ao te aguardar,
e confiança de enfim te abraçar.
Permita que as dificuldades
sejam minhas penitências aqui,
que teus benefícios despertem
minha gratidão
e que em tuas alegrias
eu me alegre,
glorificando-Te no teu
Reino Celestial.
Tu que vive e reinas,
Deus para sempre. Amém".
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Glorioso São Jorge
Ó Deus onipotente, Que nos protegeis pelos méritos e as bênçãos de São Jorge. Fazei que este grande mártir, com sua couraça, sua espada, e seu escudo, que representam a fé, a esperança, e a inteligência, ilumine os nossos caminhos... Fortaleça o nosso ânimo... Nas lutas da vida. Dê firmeza à nossa vontade, Contra as tramas do maligno, para que, vencendo na terra, como São Jorge venceu, Possamos triunfar no céu convosco, e participar aas eternas alegrias. Amém.
sábado, 21 de abril de 2012
Concebido do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem

Símbolo da Fé - Concebido do Espírito Santo
Nasceu de Maria Virgem
Terceiro Artigo
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Importância:
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Depois de termos visto, as primeiras explicações do Símbolo -, (Aqui) - vemos como é grande e singular o beneficio que Deus fez ao gênero humano, por nos livrar da escravidão do mais cruel dos tiranos, para nos restituir assim a liberdade.
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Importância:
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Depois de termos visto, as primeiras explicações do Símbolo -, (Aqui) - vemos como é grande e singular o beneficio que Deus fez ao gênero humano, por nos livrar da escravidão do mais cruel dos tiranos, para nos restituir assim a liberdade.
Mas, atentando no plano e nos meios que Deus quis empregar para a nossa libertação, nada podemos conceber de mais grandioso, nem mais brilhante, do que a bondade e munificiencia de Deus para conosco.
Sentido do Artigo
Sentido do Artigo
Ensinará como seu sentido se resume em crermos e confessarmos que o mesmo Jesus Cristo, nosso unico Senhor e Filho de Deus, assumindo carne humana no seio da Virgem pela nossa salvação, não foi concebido de genne masculino, como os outros homens, mas por obra do Espírito Santo, acima de todas as leis da natureza, de sorte que a mesma Pessoa permaneceu Deus, qual era desde toda a eternidade, e tornou-Se então Homem, o que antes nunca tinha sido.
Confirmação deste sentido
O que prova, claramente, ser este o sentido destas palavras, e a profissão de fé do Sagrado Concílio de Constantinopla: "O qual desceu dos céus, por amor de nós homens, por causa de nossa salvação; e encarnou de Maria Virgem por obra do Espirito Santo, e Se fez Homem".
Assim tambem o explicou São João Evangelista que, do peito do próprio Senhor e Salvador, havia haurido o conhecimento deste profundo mistério. Depois de ter explicado a natureza do Verbo Divino com as palavras: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus; conclui por fim: "E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós"
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Modo de União entre as duas Naturezas
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0 Verbo, que é uma Pessoa da natureza divina, assumiu de tal forma a natureza humana que uma e a mesma Pessoa é o "suporte"das natureza divina e humana. Daí resultou que, nessa admirável união, se conservaram as operações e propriedades de uma e outra natureza". E na frase do celebre Pontífice São Leão Magno, "nem a glória da natureza superior destruiu a inferior, nem a elevação da natureza inferior diminuiu a dignidade da superior" (Leão Magno sermo 21,2;DU 288 344)
A conceição de Cristo é obra comum das três Pessoas, mas atribuída ao Espírito Santo
Quando dizemos que o Filho de Deus foi concebido por obra do Espirito Santo, não afirmamos que esta Pessoa da Santíssima Trindade consumou sozinha o misterio da Encarnação. Ainda que se o Filho assumiu a natureza humana, nem por isso deixaram de ser autoras deste misterio todas as três pessoas da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho, e o Espírito Santo.
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Em geral, devemos ter como norma de fe cristã: Tudo o que Deus opera fora de si nas coisas criadas, é obra comum das três Pessoas. Uma não opera mais do que as outras, nem uma sem as outras. A única coisa que não pode ser comum a todas as Pessoas é o modo de proceder a uma da outra. Com efeito, só o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho.Tudo porém, o que operam para fora, é obra comum das três Pessoas, sem diferença alguma. A esta especie de operação pertence a Encarnação do Filho de Deus.
Apesar disso, as Sagradas Escrituras costuma, das coisas atribuídas as três pessoas, atribuir uma a esta Pessoa. O Pai supremo tem poder sobre todas as coisas, o Filho a sabedoria e o amor ao Espírito Santo. Como na Encarnação Deus nos revela Sua grande benegnidade, por isso ela é atribuída ao Espírito Santo.
Caráter da Conceição de Cristo
1 - Aspecto Natural
Neste misteiro, se verifica que alguns elementos superam a ordem da natureza e que outros lhe são conformes. Cremos que o Corpo de Cristo se formou do sangue da Virgem Sua Mãe, e nisso reconhecemos uma operação da natureza humana. É lei natural que todo humano se forme da sangue materno.
2 - Aspecto Sobrenatural
Mas, o que ultrapassa a ordem natural das coisas, e supera a força de nossa inteligencia é o fato de que, no instante de consentir a bem aventurada Virgem às palavras do Anjo declarando: " Eis aqui a serva do senhor, cumpra-se em mim a Vossa palavra" , - logo começou a formar-se nela o santíssimo Corpo de Cristo, ao qual se uniu uma alma dotada de inteligencia, de sorte que, no mesmo instante o Deus perfeito se tornou perfeito homem.
Quanto ao Corpo
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Quanto a divindade
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União Hipostática
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Acresce ainda outro fato, digno de maior admiração. Tanto que a alma se uniu ao corpo, a propria Divindade se uniu também ao corpo e a alma. Por consequinte, logo que o corpo foi formado, e simultaneamente animado, a Divindade ficou ligada tanto ao corpo como à alma.
No mesmo instante, Deus perfeito veio a ser perfeito homem e por isso, pode-se dizer que a Santissima Virgem verdadeiramente e propriamente pode ser chamada de Mãe de Deus, porque no mesmo instante concebia a Deus e ao Homem.
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Quanto à alma
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Plenitude dos dons e carisma
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O Corpo de Cristo se formou do puríssimo sangue da Virgem toda Imaculada, sem nenhuma interferência de varão, mas unicamente pela virtude do Espírito Santo. Assim tambem Sua alma recebeu, desde o primeiro instante da conceição, a mais rica abundancia do ES e toda a plenitude de Seus dons e carismas. Deus lhe dá o Espírito sem medida, como disse São João.
Cristo não é filho adotivo de Deus
No entanto, Cristo não pode ser chamado filho adotivo de Deus, ainda que teve aquele Espírito, pelo qual os homens justificados conseguem a adoção de filhos de Deus. Sendo Ele Filho de Deus por natureza, deve crer-se que de modo algum Lhe cabe a graça de adoção, nem o titulo de filho adotivo.
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Frutos deste Misterio
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Meditar nele com frequencia
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É Deus Aquele que assumiu a carne humana. Fez-se Homem por uma via que nossa razão não alcança, que nossa linguagem não pode muito menos exprimir. Fez-se Homem, enfim, porque queria que nós homens renacessemos como filhos de Deus. Por isso, nós os fieis, devemos crer e adorar, com espirito crente e humilde, todos estes misteros.
Nasceu da Virgem Maria
Nasceu para nosso regozijo e segundo as profecias
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Nosso Senhor Jesus Cristo não só foi concebido por obra do Espírito Santo, mas também nasceu da Virgem Maria e por ela foi posto neste mundo. Desde o instante do anuncio do anjo, começou a cumprir a grandiosa promessa de Deus a Abraão, quando lhe dissera que um dia, "todos os povos seriam abençoados em sua descendencia". Maria, a quem proclamamos e veneramos como verdadeira mãe de Deus, - por ter dado a luz aquela Pessoa que era ao mesmo tempo Deus e Homem - , descendia da estirpe de Davi.
De Maria Virgem que é a segunda Eva
Se a conceição de Cristo já excede toda a ordem da natureza, em Seu nascimento nada podemos contemplar que não seja de carater divino. O que há de mais admirável, o que sobrepuja a tudo quanto o homem possa dizer ou imaginar, é o fato de nascer Ele de Sua mãe, sem que daí resultasse a menor lesão da virgindade materna.
Assim como mais tarde saiu do sepulcro fechado e selado; assim como "entrou para junto de seus discípulos, apesar das portas fechadas", assim como, na observação diaria da natureza, vemos os raios solares atravessarem um vidro compacto, sem o quebrar, e sem lhe fazer o menor estrago - assim também e de maneira mais sublime, nasceu Jesus Cristo do seio de Sua Mãe, sem nenhum dano para a integridade materna.
Enalteçamos portanto a virgindade perpetua e intemerata de Maria. Operado foi este milagre pela virtude do Espírito Santo. De tal modo assistiu a Mãe na conceição e no nascimento do Filho que, dando-lhe fecundidade, lhe conservou, todavia a virgindade.
De vez em quando constuma o apostolo designar a Cristo como o " segundo Adão" e confronta-lO com o primeiro Adão. Realmente, assim como pelo primeiro todos os homens sofrem a morte, assim pelo segundo são todos novamente chamado à vida. Assim como Adão foi o pai do genero humano segundo as leis da natureza, assim tbem Cristo é para todos o autor da graça e bem-aventurança.
Por analogia, podemos comparar com Eva a virgem Maria. `a primeira Eva corresponde a segunda, que é Maria; assim como acabamos de mostrar que o segundo Adão - Cristo - corresponde ao primeiro Adão.
Por ter dado credito a serpente, Eva acarretou maldição e morte ao genero humano. Maria acrditou nas palavras do Anjo e obteve que aos homens viesse novamante a benção e vida. Por culpa de Eva, nascemos filhos da ira, por Maria recebemos Jesus Cristo, que nos fez renascer como filhos da graça. A Eva foi dito: Em dores darás a luz teus filhos. Maria ficou isenta desta lei. Conservando a integridade de sua virginal pureza, Maria deu a luz Jesus, Filho de Deus -, sem sofrer dor de especie alguma.
Fonte: Catecismo Romano
sexta-feira, 20 de abril de 2012
A Finalidade da Criação

Continuamos hoje, nosso estudo sobre a vida interior, importante para nos levar a Deus. É um excelente estudo.
Primeira Parte: A Vida Interior
Deus criou; tudo foi feito por Ele, nada foi feito sem Ele (Jo 1,3) Ele falou e tudo foi feito, Ele ordenou e tudo foi criado (Sl 148,5). É nele que vivemos, nos movemos e somos (At,17,28) - Essa verdade, a razão me demonstra e a Fé me faz adorar.
Tudo Deus criou para Si mesmo, pois tudo que criou não foi em vão. As criaturas, saídas de suas mãos, receberam dele: Finalidade e ordenamento.
Finalidade: Não pode ser outra se não o próprio Deus. Pois, se Deus tivesse criado tudo para outro fim, teria dirigido e subordinado sua ação para este fim, e Ele mesmo se teria subordinado, uma vez que sua ação é Ele mesmo. Essa finalidade, então, estaria acima de Deus, e nesse caso Deus não seria Deus. Portanto, as criaturas não podem existir se não para Deus e para sua glória.
"Eis o que diz o Senhor Deus, que criou os céus e os estendeu, que firmou a Terra e tudo o que nela cresce, que concedeu o alento aos que habitam, e a vida aos que se movem sobre ela: Eu sou Iahweh, esse é o meu nome, e não cederei minha glória a nenhum outro"(Is 42,5.8) - "É por causa de mim mesmo, só de mim mesmo, que vou agir; como poderia permitir que meu nome fosse profanado? A minha glória, não a darei a outrem. Ouve-me Jacó, ouve-me Israel: Eu sou o primeiro e sou também o ultimo"(Is 48,11 s). "Sou o alfa e o ômega, o princípio e o fim"(Ap 1,8)
Tudo foi feito por Deus e para Deus. Nada existe sem Ele e tudo existe para Ele. Tudo vem dele e a Ele se destina. Ele é o princípio único e o fim total. Tudo e Ele procede e a tudo ultrapassa. Nada pode existir sem o seu Poder, nada tem outra razão que não a Sua Glória.
Como princípio, seu poder é única razão de ser de todas as coisas.
Como fim, sua glória é a única razão de ser de todas as coisas.
Glória de Deus, bem essencial dos seres.
Se a glória de Deus é a única razão de ser e o único fim das coisas, ela é também seu único bem; pois não pode haver, para um ser, outro bem essencial além do seu único fim.
"O que o bem"? - pergunta São Tomás - "É aquilo a que todo ser aspira; ora, aquilo a que se aspira é o fim que se busca; e, portanto, o bem se identifica com o fim"(S. Tom, S, Th. 1,q.5,a.4,c.)
"O soberano bem é chamado fim"- diz Santo Agostinho -"precisamente porque é por causa dele que desejamos os demais bens; mas, a ele, desejamos por ele mesmo" (A Cidade de Deus, 8,8.)
Os meios empregados para atingir o fim, somente são bens na medida em que servem ao fim e a ele conduzem; nisso consiste seu único bem.
A minha finalidade:
Deus me criou: - Tudo vem de Deus, portanto; eu também venho dele. Somos feitos por Ele, por isso pertencemos a ele, não a nós mesmos. (Sl 99,3). Suas mãos me formaram e modelaram (Jó 10,8). Obra prima da criação visível, imagem de Deus o homem é o último e supremo elo dos seres terrestres; com ele se encerra a obra criadora. Por ter corpo e alma - material e espiritual -, ele toca o mundo visível e invisível. Por trazer no corpo a semelhança dos seres inferiores e em sua alma a semelhança do próprio Deus, ele está colocado entre as criaturas e Deus, como ponto de união da matéria com o espírito, a ligação do céu e da terra.
Para sua Glória:
Se tudo foi feito por Deus, eu e você também fomos feitos para Ele e unicamente para Ele. Ele é nosso fim último e supremo, e nossa única razão de ser é a Sua Glória. É para Ele que vivemos, morremos e viveremos na eternidade. "Nenhum de nós vive para si, e ninguém morre para si.Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor" (Rm 14,7)"todos aqueles que trazem meu nome, e que criei para minha glória"(Is 43,7)
Nisso está todo homem:
A glória de Deus, finalidade da minha vida, é meu tudo e sou eu todo; se para ela não contribuo, já não tenho nenhuma razão de ser, não sirvo para nada, não sou nada."Em conclusão: tudo bem entendido, teme a Deus e observa seus preceitos, nisso está todo homem" (Ecle 12,13)
Nisso está todo homem! "Como - diz Santo Agostinho -, exprimir mais brevemente uma verdade mais salutar? Teme a Deus e guarda seus mandamentos, porque nisso está todo homem. Guardião dos mandamentos de Deus: quem não o for, não será nada. Não se pode formar a imagem do tudo ali onde persiste a imagem do nada"(A cidade de Deus, 20,3)
Nisso está todo homem, na terra e no céu: toda a sua vida mortal e toda sua vida eterna. Pois tenho este duplo sentido do tempo e da eternidade; ou melhor, esse único destino composto de dois períodos; o tempo prepara a eternidade.
Na terra:
Por que devo crescer aqui na terra? Para Deus e para sua glória. Tudo o que recebi de forças e de recursos, tudo que me é imposto como obrigações ou leis, tudo que me é dado como meios e como ajuda, o é em vista dessa meta final, superior, absoluta, infinita: a glorificação da soberana Majestade. Tudo que sou, tudo que passo, tudo que vivo e até minha morte: tudo deve louvar a Deus. Nisso consiste a plenitude de minha existência. Somente assim sou alguma coisa, nisso eu existo. Fora disso não sou nada.
No céu:
Nisso está todo homem também no céu. Pois os que fazem os santos nos esplendores da glória? - Uma única coisa, aquela mesma que começaram fazer em sua vida de transição: louvam a Deus. No céu há um grande louvor a Deus, que tudo preenche, que basta aos anjos e aos homens, que ocupa toda eternidade. Nesse concerto celeste para a Trindade santa, cada um tem sua parte própria, segundo as qualidades de sua vida e de sua vocação; cada um tem seu lugar marcado no grande corpo. A eterna comunhão dos santos louvado a Trindade num hino supremo que alegra o coração de Deus - É a vida eterna! E então a expressão do texto sagrado atingirá sua plenitude: Nisso está todo homem!
Tudo Deus criou para Si mesmo, pois tudo que criou não foi em vão. As criaturas, saídas de suas mãos, receberam dele: Finalidade e ordenamento.
Finalidade: Não pode ser outra se não o próprio Deus. Pois, se Deus tivesse criado tudo para outro fim, teria dirigido e subordinado sua ação para este fim, e Ele mesmo se teria subordinado, uma vez que sua ação é Ele mesmo. Essa finalidade, então, estaria acima de Deus, e nesse caso Deus não seria Deus. Portanto, as criaturas não podem existir se não para Deus e para sua glória.
"Eis o que diz o Senhor Deus, que criou os céus e os estendeu, que firmou a Terra e tudo o que nela cresce, que concedeu o alento aos que habitam, e a vida aos que se movem sobre ela: Eu sou Iahweh, esse é o meu nome, e não cederei minha glória a nenhum outro"(Is 42,5.8) - "É por causa de mim mesmo, só de mim mesmo, que vou agir; como poderia permitir que meu nome fosse profanado? A minha glória, não a darei a outrem. Ouve-me Jacó, ouve-me Israel: Eu sou o primeiro e sou também o ultimo"(Is 48,11 s). "Sou o alfa e o ômega, o princípio e o fim"(Ap 1,8)
Tudo foi feito por Deus e para Deus. Nada existe sem Ele e tudo existe para Ele. Tudo vem dele e a Ele se destina. Ele é o princípio único e o fim total. Tudo e Ele procede e a tudo ultrapassa. Nada pode existir sem o seu Poder, nada tem outra razão que não a Sua Glória.
Como princípio, seu poder é única razão de ser de todas as coisas.
Como fim, sua glória é a única razão de ser de todas as coisas.
Glória de Deus, bem essencial dos seres.
Se a glória de Deus é a única razão de ser e o único fim das coisas, ela é também seu único bem; pois não pode haver, para um ser, outro bem essencial além do seu único fim.
"O que o bem"? - pergunta São Tomás - "É aquilo a que todo ser aspira; ora, aquilo a que se aspira é o fim que se busca; e, portanto, o bem se identifica com o fim"(S. Tom, S, Th. 1,q.5,a.4,c.)
"O soberano bem é chamado fim"- diz Santo Agostinho -"precisamente porque é por causa dele que desejamos os demais bens; mas, a ele, desejamos por ele mesmo" (A Cidade de Deus, 8,8.)
Os meios empregados para atingir o fim, somente são bens na medida em que servem ao fim e a ele conduzem; nisso consiste seu único bem.
A minha finalidade:
Deus me criou: - Tudo vem de Deus, portanto; eu também venho dele. Somos feitos por Ele, por isso pertencemos a ele, não a nós mesmos. (Sl 99,3). Suas mãos me formaram e modelaram (Jó 10,8). Obra prima da criação visível, imagem de Deus o homem é o último e supremo elo dos seres terrestres; com ele se encerra a obra criadora. Por ter corpo e alma - material e espiritual -, ele toca o mundo visível e invisível. Por trazer no corpo a semelhança dos seres inferiores e em sua alma a semelhança do próprio Deus, ele está colocado entre as criaturas e Deus, como ponto de união da matéria com o espírito, a ligação do céu e da terra.
Para sua Glória:
Se tudo foi feito por Deus, eu e você também fomos feitos para Ele e unicamente para Ele. Ele é nosso fim último e supremo, e nossa única razão de ser é a Sua Glória. É para Ele que vivemos, morremos e viveremos na eternidade. "Nenhum de nós vive para si, e ninguém morre para si.Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor" (Rm 14,7)"todos aqueles que trazem meu nome, e que criei para minha glória"(Is 43,7)
Nisso está todo homem:
A glória de Deus, finalidade da minha vida, é meu tudo e sou eu todo; se para ela não contribuo, já não tenho nenhuma razão de ser, não sirvo para nada, não sou nada."Em conclusão: tudo bem entendido, teme a Deus e observa seus preceitos, nisso está todo homem" (Ecle 12,13)
Nisso está todo homem! "Como - diz Santo Agostinho -, exprimir mais brevemente uma verdade mais salutar? Teme a Deus e guarda seus mandamentos, porque nisso está todo homem. Guardião dos mandamentos de Deus: quem não o for, não será nada. Não se pode formar a imagem do tudo ali onde persiste a imagem do nada"(A cidade de Deus, 20,3)
Nisso está todo homem, na terra e no céu: toda a sua vida mortal e toda sua vida eterna. Pois tenho este duplo sentido do tempo e da eternidade; ou melhor, esse único destino composto de dois períodos; o tempo prepara a eternidade.
Na terra:
Por que devo crescer aqui na terra? Para Deus e para sua glória. Tudo o que recebi de forças e de recursos, tudo que me é imposto como obrigações ou leis, tudo que me é dado como meios e como ajuda, o é em vista dessa meta final, superior, absoluta, infinita: a glorificação da soberana Majestade. Tudo que sou, tudo que passo, tudo que vivo e até minha morte: tudo deve louvar a Deus. Nisso consiste a plenitude de minha existência. Somente assim sou alguma coisa, nisso eu existo. Fora disso não sou nada.
No céu:
Nisso está todo homem também no céu. Pois os que fazem os santos nos esplendores da glória? - Uma única coisa, aquela mesma que começaram fazer em sua vida de transição: louvam a Deus. No céu há um grande louvor a Deus, que tudo preenche, que basta aos anjos e aos homens, que ocupa toda eternidade. Nesse concerto celeste para a Trindade santa, cada um tem sua parte própria, segundo as qualidades de sua vida e de sua vocação; cada um tem seu lugar marcado no grande corpo. A eterna comunhão dos santos louvado a Trindade num hino supremo que alegra o coração de Deus - É a vida eterna! E então a expressão do texto sagrado atingirá sua plenitude: Nisso está todo homem!
Para minha felicidade:
Ao criar-me para Ele, Deus manifestou para comigo o amor essencial que Ele tem por Si mesmo. Deus é amor (I Jo 4,8) e criou por amor: amor por si mesmo antes de tudo, pois tudo foi feito para sua glória. Mas Ele também criou por amor a mim, e tudo fez para minha felicidade. Este seu desígnio revela um novo aspecto da minha vocação: pois minha bem-aventurança faz parte, juntamente com a glória divina, da razão pela qual fui criada. Fui chamada a glorifica-lo, devotar-lhe amor eterno, glorificando-o, mas também Deus quer me cumular de beatitude. Isto também faz parte da minha finalidade.
Tudo em mim aspira à felicidade, deseja a reclama a felicidade: é uma necessidade irresistível da minha natureza. Deus dispôs meu ser para procura-la. Aspiro pela saciedade seja neste mundo ou na eternidade e ela é tão profunda que somente o infinito pode satisfaze-la. Sentidos, alma , coração: tudo em mim é feito para o infinito. Deus permite que eu conheça já aqui múltiplas alegrias, pelo progresso de minha vida em direção a Ele. Este crescimento do ser constitui minha existência temporal, e quis, finalmente, que eu encontre na eternidade este gozo único e infinito, último e completo repouso da minha alma, que se chama salvação. A felicidade, neste mundo e no outro, é também minha finalidade.
União das duas finalidades:
Ao criar-me para Ele, Deus manifestou para comigo o amor essencial que Ele tem por Si mesmo. Deus é amor (I Jo 4,8) e criou por amor: amor por si mesmo antes de tudo, pois tudo foi feito para sua glória. Mas Ele também criou por amor a mim, e tudo fez para minha felicidade. Este seu desígnio revela um novo aspecto da minha vocação: pois minha bem-aventurança faz parte, juntamente com a glória divina, da razão pela qual fui criada. Fui chamada a glorifica-lo, devotar-lhe amor eterno, glorificando-o, mas também Deus quer me cumular de beatitude. Isto também faz parte da minha finalidade.
Tudo em mim aspira à felicidade, deseja a reclama a felicidade: é uma necessidade irresistível da minha natureza. Deus dispôs meu ser para procura-la. Aspiro pela saciedade seja neste mundo ou na eternidade e ela é tão profunda que somente o infinito pode satisfaze-la. Sentidos, alma , coração: tudo em mim é feito para o infinito. Deus permite que eu conheça já aqui múltiplas alegrias, pelo progresso de minha vida em direção a Ele. Este crescimento do ser constitui minha existência temporal, e quis, finalmente, que eu encontre na eternidade este gozo único e infinito, último e completo repouso da minha alma, que se chama salvação. A felicidade, neste mundo e no outro, é também minha finalidade.
União das duas finalidades:
Terá minha existência, então, duas finalidades?
Sim e não.
Sim, porque há nela a parte de Deus e a minha parte, os direitos de sua glória e a minha herança de felicidade.
Não, porque na mente de Deus, essas duas finalidades não se separam jamais. Aprouve-lhe unir minha vida à sua, meu ser ao seu, minha felicidade à sua honra. E minha conduta somente lhe agradará se eu souber "não separar o que Deus uniu"(Mt 19,6). Ele deseja ser glorificado em mim, e que eu seja saciado nele. Tudo o que Ele fez desde o princípio e tudo o que continua a fazer a cada instante, visa sempre conduzir-me a esse supremo termo onde serei consumado na unidade com Ele (Jo 17,23). Preciso estão, saber, por minha vez, a condições dessa aliança e os meios de conduzi-la à sua perfeição. Uma delas, é sem dúvida, a subordinação do homem a Deus.
Sim e não.
Sim, porque há nela a parte de Deus e a minha parte, os direitos de sua glória e a minha herança de felicidade.
Não, porque na mente de Deus, essas duas finalidades não se separam jamais. Aprouve-lhe unir minha vida à sua, meu ser ao seu, minha felicidade à sua honra. E minha conduta somente lhe agradará se eu souber "não separar o que Deus uniu"(Mt 19,6). Ele deseja ser glorificado em mim, e que eu seja saciado nele. Tudo o que Ele fez desde o princípio e tudo o que continua a fazer a cada instante, visa sempre conduzir-me a esse supremo termo onde serei consumado na unidade com Ele (Jo 17,23). Preciso estão, saber, por minha vez, a condições dessa aliança e os meios de conduzi-la à sua perfeição. Uma delas, é sem dúvida, a subordinação do homem a Deus.
Próximo assunto: O Ordenamento de minhas relações divinas
Baseado no livro: A Vida Interior de François de Sales Pollien
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Sete anos de pontificado de Bento XVI
Nesta quinta-feira (19), portanto, hoje -, fazem sete anos que Joseph Ratzinger foi eleito Papa, tendo adotado o nome Bento XVI. Para comemorar esta data, os blogueiros católicos estão preparando um tuitaço, a partir das 16 horas -, para celebrar os sete anos de pontificado de Bento XVI. O hashtag escolhido é #7BXVI.
Vamos participar?

Parte do discurso de sua posse:
"O Bispo de Roma senta-se na Cátedra para dar testemunho de Cristo.
Este poder de ensinamento assusta muitos homens dentro e fora da Igreja. Perguntam-se se ela não ameaça a liberdade de consciência, se não é uma soberba em oposição à liberdade de pensamento. Não é assim.
Rezemos com e pelas intenções do Santo Padre: - Esta oração ele fez pouco antes de ser Papa:
"Senhor, muitas vezes a vossa Igreja parece-nos uma barca que está para afundar, uma barca que mete água por todos os lados. E mesmo no vosso campo de trigo, vemos mais cizânia que trigo. O vestido e o rosto tão sujos da vossa Igreja horrorizam-nos. Mas somos nós mesmos que os sujamos! Somos nós mesmos que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras, os nossos grandes gestos. Tende piedade da vossa Igreja: também dentro dela, Adão continua a cair. Com a nossa queda, deitamo-Vos ao chão, e Satanás a rir-se porque espera que não mais conseguireis levantar-Vos daquela queda; espera que Vós, tendo sido arrastado na queda da vossa Igreja, ficareis por terra derrotado. Mas, Vós erguer-Vos-eis. Vós levantastes-Vos, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós. Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós."
Vamos participar?
Parte do discurso de sua posse:
"O Bispo de Roma senta-se na Cátedra para dar testemunho de Cristo.
É o símbolo da potestas docendi, aquele poder de ensinar que faz parte essencial do mandato de ligar e desligar conferido pelo Senhor a Pedro e, depois dele, aos Doze.
Na Igreja, a Sagrada Escritura, cuja compreensão aumenta sob a inspiração do Espírito Santo, e o ministério da interpretação autêntica, conferido aos apóstolos, pertencem um ao outro de modo indissolúvel. Onde a Sagrada Escritura é separada da voz viva da Igreja, torna-se vítima das controvérsias dos peritos. Sem dúvida, tudo o que eles têm para nos dizer é importante e precioso; o trabalho dos sábios é para nós um grande contributo para poder compreender aquele processo vivo com o qual a Escritura cresceu e para compreender a sua riqueza histórica. Mas a ciência sozinha não nos pode fornecer uma interpretação definitiva e vinculante; não é capaz de nos fornecer, na interpretação, aquela certeza com a qual podemos viver e pela qual podemos até morrer. Por isso é necessário um mandato maior, que não pode surgir unicamente das capacidades humanas. Por isso é necessária a voz da Igreja viva, daquela Igreja confiada a Pedro e ao colégio dos apóstolos até ao fim dos tempos.
Este poder de ensinamento assusta muitos homens dentro e fora da Igreja. Perguntam-se se ela não ameaça a liberdade de consciência, se não é uma soberba em oposição à liberdade de pensamento. Não é assim.
O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.
O Papa João Paulo II fez isto quando, perante todas as tentativas, aparentemente benévolas para com o homem, perante as erradas interpretações da liberdade, realçou de maneira inequivocável a inviolabilidade do ser humano, a inviolabilidade da vida humana desde a concepção até à morte natural. A liberdade de matar não é uma liberdade, mas é uma tirania que reduz o ser humano à escravidão.
O Papa tem a consciência de que está, nas suas grandes decisões, ligado à grande comunidade da fé de todos os tempos, às interpretações vinculantes que cresceram ao longo do caminho peregrinante da Igreja. Assim, o seu poder não é superior, mas está ao serviço da Palavra de Deus, e sobre ele recai a responsabilidade de fazer com que esta Palavra continue a estar presente na sua grandeza e a ressoar na sua pureza, de modo que não seja fragmentada pelas contínuas mudanças das modas"
Queridos Romanos, agora eu sou o vosso Bispo. Obrigado pela vossa generosidade, obrigado pela vossa simpatia, obrigado pela paciência que tendes comigo! Como católicos, de certo modo, todos somos também romanos.
Queridos Romanos, agora eu sou o vosso Bispo. Obrigado pela vossa generosidade, obrigado pela vossa simpatia, obrigado pela paciência que tendes comigo! Como católicos, de certo modo, todos somos também romanos.
Com as palavras do Salmo 87, um hino de louvor a Sião, mãe de todos os povos, cantava Israel e canta a Igreja: "De Sião há-de dizer-se: todos lá nascemos..." (v. 5). De igual modo, também nós podemos dizer: como católicos, de certa forma, todos nascemos em Roma. Assim desejo procurar ser, de todo o coração, o vosso Bispo, o Bispo de Roma. E todos nós desejamos procurar ser cada vez mais católicos cada vez mais irmãos e irmãs na grande família de Deus, aquela família na qual ninguém é estrangeiro. Por fim, desejo agradecer de coração ao Vigário para a Diocese de Roma, querido Cardeal Camillo Ruini, aos Bispos auxiliares e a todos os seus colaboradores que, como fiéis, oferecem o seu contributo para construir aqui a casa viva de Deus" (grifos meus)
Rezemos com e pelas intenções do Santo Padre: - Esta oração ele fez pouco antes de ser Papa:
"Senhor, muitas vezes a vossa Igreja parece-nos uma barca que está para afundar, uma barca que mete água por todos os lados. E mesmo no vosso campo de trigo, vemos mais cizânia que trigo. O vestido e o rosto tão sujos da vossa Igreja horrorizam-nos. Mas somos nós mesmos que os sujamos! Somos nós mesmos que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras, os nossos grandes gestos. Tende piedade da vossa Igreja: também dentro dela, Adão continua a cair. Com a nossa queda, deitamo-Vos ao chão, e Satanás a rir-se porque espera que não mais conseguireis levantar-Vos daquela queda; espera que Vós, tendo sido arrastado na queda da vossa Igreja, ficareis por terra derrotado. Mas, Vós erguer-Vos-eis. Vós levantastes-Vos, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós. Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós."
Parabéns Santo Padre, obrigada pelo testemunho de fidelidade, força e verdade! Que a Virgem Santíssima o guarde!
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Elezione Papa Benedetto XVI
terça-feira, 17 de abril de 2012
A Missa é sagrada, e este terrível abuso?
"Na Última Ceia, Nosso Senhor estabeleceu a s cerimônias da Nova Aliança, ou Nova Lei, também denominada Santa Missa, ou seja:
1 - Com o Lava-pés, a preparação para a consagração;
2 - Com a benção do pão e do vinho, a própria consagração da oferenda;
3 - Com a distribuição do pão da vida e do sangue da salvação, a comunhão.
Além disso, na última Ceia Nosso Senhor instituiu dois sacramentos:
1 - a Eucaristia; e
2 - a Ordem.
Portanto, A Eucaristia, sob as espécies de pão e de vinho, precedeu a imolação de Cristo na Cruz para sustentar a fé dos discípulos Assim como a Eucaristia precedeu a imolação de Cristo na Cruz, assim o sacrifício da Missa devia seguir e perpetuar a imolação do Calvário, como sinal de que o sacrifício de Cristo foi, e sempre será, o único sacrifício propiciatório, instituído no Cenáculo, consumado no Calvário e perpetuado nos nossos altares.
Na oblação da Cruz, tudo nos é sensível e patente: a escolha da vítima, sua oferta a Deus pelas mãos do sacerdote eterno e sua imolação sangrenta. Esta oblação encerra, ainda, o holocausto de adoração, a hóstia dos pacíficos e a expiação dos pecados. S. Paulo conclui não ser mais necessário que Jesus Cristo reitere seu sacrifício sangrento para a remissão dos pecados, como se reiteravam os sacrifícios da lei mosaica, bastando somente que os atos repetidos desta oblação, perpetuada na Missa, apliquem seu valor e seus méritos a cada fiel em particular.
Nos ensina o Concílio de Trento: "Ainda que bastasse Nosso Senhor se oferecer uma só vez ao seu Pai, unindo-se no altar da Cruz para realizar a redenção eterna, Ele quis deixar à sua Igreja um sacrifício visível, tal como requer a natureza dos homens, pelo qual se aplicasse, de geração em geração, para a remissão dos pecados, a virtude deste sangrento sacrifício, que devia cumprir-se somente uma vez na Cruz; na última ceia, na mesma noite em que foi entregue, declarando-se sacerdote eterno, conforme a ordem de Melquisedeque, Ele ofereceu, a Deus Pai, seu corpo e seu sangue, sob as espécies de pão e de vinho, os deu aos seus apóstolos, a quem os tornou, então, sacerdotes do Novo Testamento, com estas palavras: Fazei isto em memória de mim, investindo-os, assim, e aos seus sucessores, no sacerdócio, para que oferecessem a mesma hóstia" (Sessão XXII, I).
O sacrifício da Missa foi instituído, portanto, para nos aplicar o preço do sangue derramado na
Cruz, para tornar a oblação única de Jesus Cristo, eficaz e proveitosa para cada um de nós, e para nos comunicar, pela sua própria virtude, o mérito geral e superabundante da fé e da penitência que conduzem aos sacramentos, nos quais aperfeiçoamos a justificação que a graça do altar começou"- (Catecismo da Santa Missa)
Sabendo disso, nos diz João Paulo II:
"De quanto fica dito, compreende-se a grande responsabilidade que têm sobretudo os sacerdotes na celebração eucarística, à qual presidem in persona Christi, assegurando um testemunho e um serviço de comunhão não só à comunidade que participa directamente na celebração, mas também à Igreja universal, sempre mencionada na Eucaristia.
Temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos. Uma certa reacção contra o « formalismo » levou alguns, especialmente em determinadas regiões, a considerarem não obrigatórias as « formas » escolhidas pela grande tradição litúrgica da Igreja e do seu magistério e a introduzirem inovações não autorizadas e muitas vezes completamente impróprias.
Por isso, sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios.
O apóstolo Paulo teve de dirigir palavras àsperas à comunidade de Corinto pelas falhas graves na sua celebração eucarística, que tinham dado origem a divisões (skísmata) e à formação de facções ('airéseis) (cf. 1 Cor 11, 17-34). Actualmente também deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebração da Eucaristia.
O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja.
Precisamente para reforçar este sentido profundo das normas litúrgicas, pedi aos dicastérios competentes da Cúria Romana que preparem, sobre este tema de grande importância, um documento específico, incluindo também referências de carácter jurídico. A ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu carácter sagrado nem a sua dimensão universal" - ( Ecclesia de Eucharistia).(grifos meus)
Vou postar aqui um vídeo; vejam se esta bagunça tem lugar dentro do santo sacrifício de Cristo, nosso Deus e Senhor -
Os direitos da Religião
Qual a relação entre a religião e os negócios públicos?
A esta pergunta foram dadas duas respostas diversas no século passado, ambas erradas.
1 - a religião é estranha aos negócios públicos
2 - a religião é inimiga dos negócios públicos.
1 - A época do Liberalismo julgou ser possível servir a um tempo a Deus e a Mammon. A religião era tida como uma espécie de luxo sentimental a que o homem se podia apegar se assim o quisesse, mas que devia ser mantida num compartimento separado da ordem econômica e política. O homem poderia trabalhar durante a semana e se por um acaso quisesse participar da Igreja , no dia de seu repouso, isso era por sua conta. Mas jamais, de forma alguma, deveria levar a "igreja" para o trabalho ou para a mesa de conversas. A sua religião era algo particular e os negócios eram públicos.
Verdade é que se poderia debater qualquer assunto, falar de qualquer pessoa, mas não poderia se discutir religião. Quantas vezes se ouviu: " religião não se discute, cada um tem a sua". A política e a economia eram terrenos em que cada qual devia decidir por si e qualquer tentativa da Igreja de sugerir princípios morais que governassem esses domínios era encarada como uma grande intromissão.
Como diz o arcebispo Fulton Sheen: " Criou-se assim uma atitude mental em que se supunha que o grande ato redentor do Calvário não tinha significação alguma para a ordem social. A alma convertia-se num insignificante subúrbio da cidade chamado negócio. Se a política e a economia não interferiam na religião, por que deveria a religião interferir em ambas? A liberdade religiosa era assim adquirida na suposição de que devia abster-se da ordem secular"
A religião, portanto, deveria ficar em um canto isolado, delimitado, fora de qualquer contato com o temporal, e qualquer tentativa que fizesse de introduzir qualquer valor moral e ético nos negócios e na vida, eram consideradas uma intromissão abusiva e condenada, como se a virtude da justiça, da verdade, da honestidade fossem algo do culto, e não de uma fábrica. Até se aceitava que a religião mostrasse ao homem o seu fim, toleravam este ensinamento, mas que ela não viesse dizer como se chegar a ele.
De certo modo, permitiam que a religião fizesse o que eles, os homens da política e dos negócios não conseguiam faze-lo. Aqui entrava o serviço aos aleijados, aos indigentes, o serviço de ambulância aos pobres. Onde eles não chegavam, por não terem meios de faze-lo, que a Igreja o fizesse, desde que ficasse calada.
Com o avanço da ciência, chegaram a conclusão que nem este papel a religião deveria ter. Desse modo a religião era relegada para um lugar onde ele os homens poderiam repousar, depois de terem realizados seus negócios, nada mais que isso. Nos diz ainda Fulton Sheen : " Chegava-se quase a pensar que o homem que ia à Igreja era diferente do homem que ia ao trabalho, ou que o homem, como criatura política e econômica, tinha escapado de algum modo miraculoso à queda do homem". E assim houve o divórcio entre a religião e a política.
2 - Por conta deste afastamento entre religião e o mundo dos negócios, deu-se o que vemos hoje: a religião é considerada inimiga dos negócios públicos. O que tem causado um grande dano a nossa sociedade. Na prática, dizer que a religião é inimiga do negócios públicos é implantar a anti-religião, deixando fora valores indispensáveis para que qualquer sociedade sobreviva na ordem , na justiça, na caridade e na paz. Retirar de cena estes valores que pertencem à religião, é como se tirasse a alma fora do corpo. Sem ela, não há vida, sem religião, não há valores elevados para guiar o homem, ou seja, é o caos.
Nos diz Fulton Sheen: " A ordem secular nunca vive no vácuo; nem mesmo neutra pode ser; se os cidadãos de um Estado abandonaram a religião e o seu dever de dar a Deus que a Deus pertence, imediatamente julgará César que até Deus recebe Sua autoridade de César. É então permitido a qualquer propagandista barato de Moscou ou Berlim, pregar o seu ateísmo ou seu racismo, enquanto o homem de Deus que prega a justiça e a caridade é tido como um inútil intruso. O ódio de classe é mau fruto do desprezo da justiça; a desonestidade em política é a triste herança do desprezo da justiça; o comunismo na vida nacional é o resultado do desprezo da redenção e do amor fraterno"
"O mesmo mundo que há vinte anos aceitava ser a religião desligada da economia e da política, é o mundo que hoje hostiliza a religião. Não é bem porque a violência, o ateísmo, o racismo sejam consequências ao declínio da religião, como o castigo se segue ao ato de desobediência; é antes porque são eles inseparáveis, como um lírio podre e seu desagradável odor, ou a semeadura e a colheita"
Se o camponês não plantar trigo, não ficará estéril seu campo no outono; cobri-lo-ão as ervas daninhas. Deixai os homens crescer sem cuidarem se sua alma pertence a Deus ou a César, e, antes que eles saibam, César os possuirá de corpo e alma. Chama-se isso totalitarismo ou teoria Estatal, que diz que o homem pertence ao estado. Tal regime deve necessariamente perseguir a religião, pois para possuir o homem ele tem de desprezar a religião que afirma que o homem tem direitos independentes do Estado.
"Em princípio, uma filosofia totalitária que nega o valor à pessoa humana fora da raça ou da classe, é necessariamente anti-religiosa. O totalitarismo tem de agir assim se quiser sobreviver, pois nunca poderá possuir inteiramente o homem enquanto não alijar a Igreja, que diz que o homem não pertence inteiramente ao Estado. A Igreja opõe-se a tal absorção do homem pelo totalitarismo e por esta razão é perseguida. Uma vez que o Estado inclui a religião sob a política, toda e qualquer atividade religiosa da parte da Igreja passa a ser encarada como uma interferência política"
Ninguém, nenhum governo, nenhuma pessoa pode dispor da alma do homem, como se ele fosse um objeto a ser usado como meio para se chegar ao fim de suas loucas ideias. Cabe a Igreja dizer a ele seu valor e é exatamente o que ela faz e fez ao longo de sua história. Exatamente por isso, porque não permite que ele seja um instrumento do Estado por conta de sua semelhança com o Criador, por conta de sua dignidade de filho de Deus, que ela é continuamente perseguida, rechaçada e escarnecida. Enquanto houver quem queira usurpar o lugar de Deus haverá perseguição a Seu Cristo e aos seus.
Quanto mais insistir a Igreja em seu direito à alma do homem tanto mais será perseguida. César crucificará o Cristo sempre que César julgar que ele próprio é Deus"
Baseado no livro: O problema da Liberdade - de Fulton Sheen
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