Zombar da Fé e usar da Fé Católica parece ser hoje o que motiva os homens a viverem, como se fosse mesmo o próprio oxigênio. Já não mais os motiva, o amor, o respeito, a verdade, mas o desrespeito, a zombaria. Iludidos e na busca de se satisfazer, erram o caminho e erram justamente para o lado do Cristianismo. Claro! Pra que iriam aborrecer quem morreu e nunca mais voltará à vida? Ao contrário, sentem um enorme prazer em desrespeitar os cristãos, justamente, porque nós, sim, eu sou cristã-, seguimos, amamos, adoramos um Deus Vivo, que morreu sim em nosso favor, mas que vive e reina para sempre e nos dá a vida.
Se antes havia uma certa indiferença à Religião, hoje vemos um verdadeiro ódio a ela, uma verdadeira irreligião e a decorrência disso é uma total perseguição aos cristãos, aos que dizem amar a Deus e seus valores. Eles não são precisamente homens sem religião, são homens contra a religião com toda sua frieza para com Deus. Caíram no engodo do anti-Cristo e se acham espertos e inteligentes. Pobres almas.
Hoje lutamos pelos nossos direitos, nunca se falou tanto em liberdade de expressão. Concordo, é fato que se somos livres, temos o direito de nos expressarmos, mas liberdade, a verdadeira liberdade -, só se expressa unida à responsabilidade para com o outro. Não vivemos numa ilha, e temos obrigações para com aquele que vive ao nosso lado. E respeitar a religião faz parte deste princípio.
Mas como diz Chesterton, "qualquer vara é boa para bater na Igreja Católica". E o que temos visto são varas demais, seja para com Cristo, seja para com a Igreja e sua doutrina, seja para com os santos que honraram a Deus com suas vidas, seja para conosco, os cristãos. Aguentamos e no fundo rezamos para que eles vejam a luz. Mas usamos nosso direito de nos indignar e de rechaçar publicamente este comercial, que usa de nossos símbolos, de nossos santos e do altar que para nós é sagrado. Somente quando pesa no bolso é que de fato quem não respeita à Deus, mas que normalmente ama o dinheiro -, vai pensar duas vezes em desrespeitar aqueles que só querem amar a Deus acima de todas as coisas.
A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Amizade Clerical
Por Padre Léo Trese
Ao pendurar o telefone, penso que a amizade entre os sacerdotes é não a menor graça que Deus lhes concede. O padre Ted acaba de convidar-me para o encerramento das "Quarentas Horas" na próxima terça-feira. Deo Volente, se Deus quiser lá estarei.
Não devo perder essas ocasiões. Gosto tanto da camaradagem e das amistosas implicâncias... dos atrozes insusltos que escondem afetos sinceros... dos elogios brincalhões que tanto nos ajudam a manter os pés no chão!
Estará lá a habitual quadrilha: David, espirituoso e falador, o antídoto mais seguro do mundo contra a melancolia; Don, vivaz e tão facilmente inflamável, que contestará acaloradamente o meu direito de tomar de empréstimo, por falta de troco, uma moedinhas da bandeja, mas que daria o seu último centavo se eu precisasse; Pat, calmo e ponderado, sobre cujo os ombros se pode chorar a dor que nos oprime; Ray, o tranquilo Ray que deixa tudo para o dia seguinte e cujo o lado todas as preocupações parecem insignificantes e tolas.
Todos eles e alguns mais estarão ali, levando cada um a sua parcela de contribuição para essa inigualável fraternidade sacerdotal, desconhecida do resto do mundo.
Haverá garrafas, gelo e copos no aparador. Tomaremos um aperitivo antes de nos sentarmos a mesa para saborear o triunfo culinário anual da governanta. Com um senso de irmandade, que nunca é tão forte como nesta refeição das Quarentas Horas, pensarei de novo na grande semelhança entre este jantar e os antigos ágapes.
De estômago satisfeito, passaremos a sala de estar, onde a conversa terá seus altos e baixos, indo e vindo entre o trivial e o sério. Trocaremos impressões sobre planos de férias, sobre a difícil situação de algum casal, sobre prováveis nomeações diocesanas ou construções em andamento; enfim sobre tudo aquilo que constitue o mundo sacerdotal.
Depois, quando faltarem dez para as oito, iremos vestir a batina e a sobrepeliz, e avançaremos em tropel para sacristia.
Tomaremos a seguir os nossos respectivos lugares no presbitério, ajoelhando-nos no duro pavimento porque não haverá genuflexórios suficientes. O padre Joe ou talvez Jim dirigirá a recitação do terço.O missionário pronunciará o seu sermão, talvez um pouco mecanicamente, por já o ter repetido tantas vezes. Jerry, o cantor perpétuo do grupo, entoará o hino e nós responderemos em coro ligeiramente desafinado de tenores, baixos e barítonos.
Desceremos depois pela nave central, levando Aquele a quem por vezes seguimos tão tropegamente. Deixaremos cair um pingo de cera nas nossas batinas, avançando de forma irregular pela nave estreita, enquanto os homens do "Santo Nome" deslizam pelos corredores laterias.
Seremos um grupo variado de cabeças pretas e grisalhas (ou calvas); altos e baixos, gordos e magros. Mas todos vibraremos com a mesma expressão de fé e pensaremos nos ausentes, no rebanho que ficou em casa, perguntando-nos nesse meio tempo se fizemos por eles o melhor que sabíamos e podíamos.
Experimentaremos um inusitado sentimento de compulsão pelas nossas omissões e regressaremos subindo os degraus do altar com uma renovada promessa de lealdade a Deus, de quem somos naquele momento, tão literalmente, a Guarda de Honra.
E quando Ele se erguer nas mãos do diácono para nos abençoar, pedir-lhe-mos que a sua benção não se detenha nas paredes desta igreja, mas que os seus olhos misericordiosos se estendam até o pequeno rebanho confiado a cada um de nós, na nossa fraqueza, temos feito tão mal.
A invocação Bendito seja o seu Santo Nome ressoará tão fortemente que será capaz de fazer tremer as velas nos seus castiçais, e nos retiraremos para a sacristia momentaneamente subjugados pelos pensamentos que acariciamos e pela graça que nos tocou o coração.
Mas em breve retomaremos o fio da conversa e um jogo de cartas na casa paroquial arredondará o dia.
Talvez alguns dos que nos viram há meia hora, reunidos em torno do altar, se surpreedam de nos ver agora reunidos em torno da mesa verde.....
Desceremos depois pela nave central, levando Aquele a quem por vezes seguimos tão tropegamente. Deixaremos cair um pingo de cera nas nossas batinas, avançando de forma irregular pela nave estreita, enquanto os homens do "Santo Nome" deslizam pelos corredores laterias.
Seremos um grupo variado de cabeças pretas e grisalhas (ou calvas); altos e baixos, gordos e magros. Mas todos vibraremos com a mesma expressão de fé e pensaremos nos ausentes, no rebanho que ficou em casa, perguntando-nos nesse meio tempo se fizemos por eles o melhor que sabíamos e podíamos.
Experimentaremos um inusitado sentimento de compulsão pelas nossas omissões e regressaremos subindo os degraus do altar com uma renovada promessa de lealdade a Deus, de quem somos naquele momento, tão literalmente, a Guarda de Honra.
E quando Ele se erguer nas mãos do diácono para nos abençoar, pedir-lhe-mos que a sua benção não se detenha nas paredes desta igreja, mas que os seus olhos misericordiosos se estendam até o pequeno rebanho confiado a cada um de nós, na nossa fraqueza, temos feito tão mal.
A invocação Bendito seja o seu Santo Nome ressoará tão fortemente que será capaz de fazer tremer as velas nos seus castiçais, e nos retiraremos para a sacristia momentaneamente subjugados pelos pensamentos que acariciamos e pela graça que nos tocou o coração.
Mas em breve retomaremos o fio da conversa e um jogo de cartas na casa paroquial arredondará o dia.
Talvez alguns dos que nos viram há meia hora, reunidos em torno do altar, se surpreedam de nos ver agora reunidos em torno da mesa verde.....
Mas, observando as caras que me rodeiam, esquecidas por momentos dos cuidados que lhes pesavam hoje e que voltarão a carga amanhã, recordarei a sua obstinada perseverança e as suas vitórias sobre si mesmos, ano após ano; a sua lealdade, que sempre foi mais forte que a sua fraqueza; o seu amor escondido, que tem sido muito mais forte que as suas falhas.
Recordando tudo isso, sentir-me-ei outra vez orgulhoso por ser um deles- orgulhoso e humildemente agradecido. E, coisa estranha, seria certeza de que Cristo está no meio de nós.
Já será meia noite quando voltar para casa, provavelmente cheirando a cerveja. Estarei bem consciente de não ter passado a tarde em companhia de santos; caso contrário, não me teria sentido tão" em minha casa" entre eles.
Sei perfeitamente que seria muito melhor que todos nós fossemos santos e tivéssemos passado a tarde em piedosa conversa e em abstemia simplicidade.Mas não o somos nem nos propomos se-lo com toda energia necessária.
No entanto, há na nossa amizade uma outra espécie de graça. Pela vida fora, os meus amigos sacerdotes tem sido a nuvem luminosa durante o dia e a coluna de fogo durante a noite que, pela vontade de Deus, me tem ajudado a avançar passo a passo.
Agora, enquanto pego o Breviário para não deixar para trás as leituras e as Laudes, lembro-me do padre Zeke.O padre Zeke nunca simpatizou com reuniões sacerdotais nem com a companhia dos seus irmãos no sacerdócio. Dizia que bebiam muito, que falavam demais, que não tinham consciencia da seriedade da sua vocação.
Pois bem. O padre Zeke anda agora em mangas de camisa e é pai. Talvez viesse a fraquejar de uma maneira ou de outra. Mas eu vou oferecer o Breviário por ele e, ao mesmo tempo, em ação de graças a Deus pelos meus amigos que me tem ajudado a permanecer onde estou.
Recordando tudo isso, sentir-me-ei outra vez orgulhoso por ser um deles- orgulhoso e humildemente agradecido. E, coisa estranha, seria certeza de que Cristo está no meio de nós.
Já será meia noite quando voltar para casa, provavelmente cheirando a cerveja. Estarei bem consciente de não ter passado a tarde em companhia de santos; caso contrário, não me teria sentido tão" em minha casa" entre eles.
Sei perfeitamente que seria muito melhor que todos nós fossemos santos e tivéssemos passado a tarde em piedosa conversa e em abstemia simplicidade.Mas não o somos nem nos propomos se-lo com toda energia necessária.
No entanto, há na nossa amizade uma outra espécie de graça. Pela vida fora, os meus amigos sacerdotes tem sido a nuvem luminosa durante o dia e a coluna de fogo durante a noite que, pela vontade de Deus, me tem ajudado a avançar passo a passo.
Agora, enquanto pego o Breviário para não deixar para trás as leituras e as Laudes, lembro-me do padre Zeke.O padre Zeke nunca simpatizou com reuniões sacerdotais nem com a companhia dos seus irmãos no sacerdócio. Dizia que bebiam muito, que falavam demais, que não tinham consciencia da seriedade da sua vocação.
Pois bem. O padre Zeke anda agora em mangas de camisa e é pai. Talvez viesse a fraquejar de uma maneira ou de outra. Mas eu vou oferecer o Breviário por ele e, ao mesmo tempo, em ação de graças a Deus pelos meus amigos que me tem ajudado a permanecer onde estou.
Fonte: Vaso de Argila
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
Uma mulher vestida de Sol
Por Scott Hann
Apocalípse 12, a visão que João tem da mulher vestida de sol, retrata a essência do livro do Apocalípse. Com muitos níveis de sentido, mostra um acontecimento passado que prefigura um acontecimento do futuro distante. Recapitula o AT ao mesmo tempo que completa o Novo.Revela o céu, mas em imagens da terra.
A visão de João começa com a abertura do templo de Deus no céu: "e a arca da aliança apareceu em seu templo" (Ap 11,19). Talvez não apreciemos plenamente o valor do choque desse versículo. A arca da aliança não tinha sido vista durante cinco séculos. No tempo do cativeiro babilônico, o profeta Jeremias havia escondido a arca em um lugar que "ficará desconhecido até que Deus haja consumado a reunião do seu povo" (2Mc 2,7).
Essa promessaa se cumpre na visão de João. O Templo apareceu e "houve relâmpagos, vozes , trovões, um terremoto e forte tempestade de granizo". E então "Um grande sinal apareceu no céu: Uma mulher vestida de sol, a lua debaixo de seus pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça; estava grávida"(Ap 12,1-2).
João não introduziu a arca só para desistir dela imediatamente. Scott crê (com os padres da Igreja) que quando João descreve a mulher ele descreve a arca - da nova aliança . E quem é essa mulher? É aquela que dá à luz o filho varão que deve apascentar todas as nações. O menino é Jesus, sua mãe é Maria.
O que tornava a arca original tão santa? Não o ouro que revestia o exterior, mas os dez mandamentos no interior - a lei que o dedo de Deus escreveu nas tábuas de pedra. O que mais havia no interior? Maná, o pão milagroso que alimentou o povo na caminhada pelo deserto; o bastão de Aarão que floresceu como sinal de sua função de sumo sacerdote ( veja Nm 17).
O que torna a nova arca santa? A antiga arca continha a Palavra de Deus escrita em pedra; Maria trazia em seu seio a Palavra de Deus que se fez homem e habitou entre nós. A arca continha maná; Maria trazia o pão vivo descido do céu. A arca continha o bastão do sumo sacerdote Aarão; o seio de Maria continha o sacerdote eterno, Jesus Cristo. No templo celeste, a Palavra de Deus é Jesus e a arca onde ele habita é Maria, sua mãe.
Se o menino é Jesus, então a mulher é Maria. Essa interpretação foi aprovada pelos mais racionais dos Padres da Igreja, santo Atanásio, santo Epifânio e muitos outros. Contudo, " a mulher" também representa mais. Ela é a "filha de Sião", que criou o Messias de Israel.É também a Igreja sitiada por Satanás, mas preservada em segurança. Como Scott disse antes, as riquezas das Escrituras são infinitas!
A visão de João começa com a abertura do templo de Deus no céu: "e a arca da aliança apareceu em seu templo" (Ap 11,19). Talvez não apreciemos plenamente o valor do choque desse versículo. A arca da aliança não tinha sido vista durante cinco séculos. No tempo do cativeiro babilônico, o profeta Jeremias havia escondido a arca em um lugar que "ficará desconhecido até que Deus haja consumado a reunião do seu povo" (2Mc 2,7).
Essa promessaa se cumpre na visão de João. O Templo apareceu e "houve relâmpagos, vozes , trovões, um terremoto e forte tempestade de granizo". E então "Um grande sinal apareceu no céu: Uma mulher vestida de sol, a lua debaixo de seus pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça; estava grávida"(Ap 12,1-2).
João não introduziu a arca só para desistir dela imediatamente. Scott crê (com os padres da Igreja) que quando João descreve a mulher ele descreve a arca - da nova aliança . E quem é essa mulher? É aquela que dá à luz o filho varão que deve apascentar todas as nações. O menino é Jesus, sua mãe é Maria.
O que tornava a arca original tão santa? Não o ouro que revestia o exterior, mas os dez mandamentos no interior - a lei que o dedo de Deus escreveu nas tábuas de pedra. O que mais havia no interior? Maná, o pão milagroso que alimentou o povo na caminhada pelo deserto; o bastão de Aarão que floresceu como sinal de sua função de sumo sacerdote ( veja Nm 17).
O que torna a nova arca santa? A antiga arca continha a Palavra de Deus escrita em pedra; Maria trazia em seu seio a Palavra de Deus que se fez homem e habitou entre nós. A arca continha maná; Maria trazia o pão vivo descido do céu. A arca continha o bastão do sumo sacerdote Aarão; o seio de Maria continha o sacerdote eterno, Jesus Cristo. No templo celeste, a Palavra de Deus é Jesus e a arca onde ele habita é Maria, sua mãe.
Se o menino é Jesus, então a mulher é Maria. Essa interpretação foi aprovada pelos mais racionais dos Padres da Igreja, santo Atanásio, santo Epifânio e muitos outros. Contudo, " a mulher" também representa mais. Ela é a "filha de Sião", que criou o Messias de Israel.É também a Igreja sitiada por Satanás, mas preservada em segurança. Como Scott disse antes, as riquezas das Escrituras são infinitas!
Outros biblistas argumentam que a mulher não é Maria pois, segundo a tradição católica, Maria não sofreu as dores físicas do parto.Entretanto, as dores da mulher não tem de ser dores físicas. São Paulo, por ex., descreveu como dores de parto sua agonia até Cristo ser formado em seus discípulos (veja Gl 4,19).Assim o que sofre a mulher pode ser descrito como sofrimento da alma - o que Maria conheceu perto da cruz , ao se tornar a mãe de todos os discípulos amados (veja Jo 19, 25-27).
Outros alegam que a mulher do Apocalípse não é Maria porque essa tem outros filhos e a Igreja ensina que Maria foi sempre virgem. Mas as Escrituras usam com frequencia "prole" (em grego, sperma) para descrever descendentes espirituais. Os filhos de Maria, sua prole espiritual, são "os que observam os mandamentos de Deus e guardam o testemunho de Jesus" (Ap 12,17). Somos a outra prole da Mulher. Somos os filhos de Maria.
Assim, o Apocalípse também retrata Maria como a "nova Eva", mãe de todos os viventes. No jardim do Édem, Deus prometeu por "hostilidade" entre satanás, a antiga serpente, e Eva - e entre a "descendência" de satanás e a dela (Gn 3,15).
Agora no Apocalípse, vemos o clímax dessa inimizade. A descendência da nova mulher, Maria, é o filho varão, Jesus Cristo, que vem derrotar a serpente (em hebraico, a mesma palavra,nahash, aplica-se ao dragão e a serpente).
Esse é o admirável ensinamento dos Padres, Doutores, santos e papas da Igreja, antigos e modernos.É o ensinamento do Catecismo da Igreja Católica (veja n.1138) Entretanto, Scott precisa mencionar que não é apoiado por muitos biblistas de hoje.
Contudo o ônus da prova cabe aos que discordam.
Na carta encíclica Ad Diem Illum Laetissimum, o papa são Pio X falou com eloquência pela Tradição:
-Todos sabemos que essa mulher representa a Virgem Maria. Portanto, João viu a Santíssima Mãe de Deus já na eterna felicidade, mas em trabalho de um parto misterioso. Que parto é esse? Com certeza, era o nascimento de nós que, no exílio, ainda devemos ser gerados para a perfeita caridade de Deus e para a felicidade eterna.
Mais AQUI
Fonte: O Banquete do Cordeiro
Depois veremos: A primeira besta
Outros alegam que a mulher do Apocalípse não é Maria porque essa tem outros filhos e a Igreja ensina que Maria foi sempre virgem. Mas as Escrituras usam com frequencia "prole" (em grego, sperma) para descrever descendentes espirituais. Os filhos de Maria, sua prole espiritual, são "os que observam os mandamentos de Deus e guardam o testemunho de Jesus" (Ap 12,17). Somos a outra prole da Mulher. Somos os filhos de Maria.
Assim, o Apocalípse também retrata Maria como a "nova Eva", mãe de todos os viventes. No jardim do Édem, Deus prometeu por "hostilidade" entre satanás, a antiga serpente, e Eva - e entre a "descendência" de satanás e a dela (Gn 3,15).
Agora no Apocalípse, vemos o clímax dessa inimizade. A descendência da nova mulher, Maria, é o filho varão, Jesus Cristo, que vem derrotar a serpente (em hebraico, a mesma palavra,nahash, aplica-se ao dragão e a serpente).
Esse é o admirável ensinamento dos Padres, Doutores, santos e papas da Igreja, antigos e modernos.É o ensinamento do Catecismo da Igreja Católica (veja n.1138) Entretanto, Scott precisa mencionar que não é apoiado por muitos biblistas de hoje.
Contudo o ônus da prova cabe aos que discordam.
Na carta encíclica Ad Diem Illum Laetissimum, o papa são Pio X falou com eloquência pela Tradição:
-Todos sabemos que essa mulher representa a Virgem Maria. Portanto, João viu a Santíssima Mãe de Deus já na eterna felicidade, mas em trabalho de um parto misterioso. Que parto é esse? Com certeza, era o nascimento de nós que, no exílio, ainda devemos ser gerados para a perfeita caridade de Deus e para a felicidade eterna.
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Fonte: O Banquete do Cordeiro
Depois veremos: A primeira besta
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Chesterton
"A compaixão dEle era natural, quase casual. Os estoicos, antigos e modernos, orgulhavam-se de ocultar as próprias lágrimas. Ele nunca ocultou as suas; mostrou-as claramente no rosto aberto ante qualquer visão do dia-a-dia, como a visão distante de sua terra natal. (...)Havia algo que Ele encobria constantemente por meio de um abrupto silêncio ou um súbito isolamento. Havia uma certa coisa que era demasiado grande para Deus nos mostrar quando Ele pisou sobre esta nossa terra. Às vezes imagino que era sua alegria". (Ortodoxia)
Mais de Chesterton AQUI
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A Santa Missa - Atualização do Sacrifício - comemoração da Ressurreição
Por Joathas Bello
"Em alguns ambientes católicos, tem-se afirmado com certa constância que a Missa é renovação da paixão e da ressurreição de Cristo, como se ambas realidades se fizessem presentes na Eucaristia do mesmo modo, uma vez que “o Mistério Pascal engloba tanto uma como a outra”.
Isso último é verdade, mas do que se trata é de compreender a verdadeira natureza da Missa, e não do mistério pascal da paixão, morte e ressurreição do Senhor.
De fato, Cristo ressuscitado Se faz presente em todas as missas posteriores à Páscoa – ou seja, em todas as missas com exceção da primeira, na Última Ceia –, e isso por um motivo bastante óbvio: Ele ressuscitou e é dessa forma – ressuscitado – que age através do sacerdote celebrante.
Quando Cristo (o sacerdote) pronuncia as palavras “Isto é o meu corpo...”, é o Cristo Glorioso quem as pronuncia, porque são palavras pronunciadas no presente. O fato da ressurreição, todavia, se torna presente à recordação, e não sacramentalmente; a inserção de um pedaço do pão consagrado no cálice é símbolo da ressurreição, não sua renovação mística, que é desnecessária, pois Cristo Se encontra ressuscitado.
A Ressurreição já se prolonga nos tempos por esse fato somente – o de que o Senhor encontra-Se vivo e já não pode mais morrer –, ao contrário do sacrifício do Calvário, o qual, se não fosse renovado misticamente na Missa, seria um fato passado, presente somente à nossa memória e na medida em que suas graças nos são aplicadas através dos demais sacramentos.
A ressurreição, então, está presente indiretamente em todas as Missas posteriores à Última Ceia, porque o Senhor Glorioso é quem toma o pão e o vinho e os consagra e oferece ao Pai – plenamente correto é dizer que o Ressuscitado encontra-se presente em toda Missa –, mas formalmente a Missa é renovação ou atualização tão somente do sacrifício, recordando-nos os fatos históricos tanto da paixão quanto da ressurreição de Cristo – sendo que a substância da primeira se faz presente, e a outra só se faz presente na recordação e naquele modo oblíquo que é a presença do Ressuscitado.
Talvez os que sustentam a identidade do tipo de presença do sacrifício e da ressurreição se baseiem na seguinte passagem da carta encíclica Ecclesia de Eucharistia (especialmente a passagem grifada por mim): 14. A Páscoa de Cristo inclui, juntamente com a paixão e morte, a sua ressurreição. Assim o lembra a aclamação da assembleia depois da consagração: « Proclamamos a vossa ressurreição ». Com efeito, o sacrifício eucarístico torna presente não só o mistério da paixão e morte do Salvador, mas também o mistério da ressurreição, que dá ao sacrifício a sua coroação. Por estar vivo e ressuscitado é que Cristo pode tornar-Se « pão da vida » (Jo 6, 35.48), « pão vivo » (Jo 6, 51), na Eucaristia. S. Ambrósio lembrava aos neófitos esta verdade, aplicando às suas vidas o acontecimento da ressurreição: « Se hoje Cristo é teu, Ele ressuscita para ti cada dia ».(20) Por sua vez, S. Cirilo de Alexandria sublinhava que a participação nos santos mistérios « é uma verdadeira confissão e recordação de que o Senhor morreu e voltou à vida por nós e em nosso favor ».(21)
Se a frase destacada estivesse isolada, poderia dar margem a essa compreensão – da identidade do tipo de presença –, mas a frase seguinte do Papa trata de explicar, nos mesmos termos que fizemos agora, em que sentido a ressurreição se faz presente: é Cristo vivo que pode tornar-Se “pão da vida”, e assim oferecer-Se ao Pai. A primeira presença, do sacrifício, é a presença mística do sacrifício do Calvário; a segunda, da ressurreição, equivale mais propriamente à presença real, pela transubstanciação, do Ressuscitado.
A Eucaristia, enquanto sacramento, nos traz a presença real do Ressuscitado; e enquanto sacrifício – inseparável da “confecção” do sacramento – nos traz a presença mística do Seu sacrifício na Cruz. O mesmo Papa havia dito um pouco antes: “Esta [a Eucaristia ] tem indelevelmente inscrito nela o evento da paixão e morte do Senhor. Não é só a sua evocação, mas presença sacramental. É o sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos” (n. 11).
Talvez a frase seguinte pudesse corroborar a tese de uma renovação mística da Ressurreição (de si, sem sentido, como já falamos): “Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e « realiza-se também a obra da nossa redenção»”. A frase que segue imediatamente, explica qual é o “acontecimento central” que se torna presente: Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nela [Eucaristia], alimentando-se dos seus frutos inexauríveis.
No número seguinte, o Papa volta a ressaltar que é o sacrifício o que se faz presente: Ao instituí-lo [o sacramento eucarístico], não Se limitou a dizer « isto é o meu corpo », « isto é o meu sangue », mas acrescenta: « entregue por vós (...) derramado por vós » (Lc 22, 19-20). Não se limitou a afirmar que o que lhes dava a comer e a beber era o seu corpo e o seu sangue, mas exprimiu também o seu valor sacrificial, tornando sacramentalmente presente o seu sacrifício, que algumas horas depois realizaria na cruz pela salvação de todos (n.12).
Para dirimir de vez qualquer dúvida, volta a repetir João Paulo II: A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contacto actual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado. Deste modo, a Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para humanidade de todos os tempos. Com efeito, « o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício » (negrito e grifos meus).
Vê-se, então, como a Eucaristia é atualização sacramental tão somente do sacrifício da Cruz, e como a ressurreição se faz presente de modo indireto, seja porque é “coroação” desse sacrifício, que permite ao Senhor estar presente sobre o altar para oferecer-Se ao Pai, seja porque o fato histórico (da Ressurreição) é comemorado em cada Missa – como, ademais, o é, de forma mais especial e solene, na Páscoa e durante todo o Tempo Pascal.
Seria interessante, para a reflexão presente, buscar esclarecer o conceito de “memorial”... Classicamente, se falava de “representação” e “memória” do sacrifício (cf. Doutrina sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa do Concílio de Trento).
A primeira noção se refere ao “tornar-se presente”, ao “atualizar-se”, ao “renovar-se” ou “perpetuar-se” (da substância) do sacrifício do Calvário; e a segunda, à rememoração do evento histórico – o que é feito de modo especial na Sexta-Feira da Paixão, e constitui a especificidade mesma desse Ofício Solene.
A teologia litúrgica contemporânea trouxe à tona o conceito de “memorial”, que significaria, na mentalidade judaica, “uma recordação que torna efetivamente presente aquilo que recorda” (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1363-1364). Nesse sentido, a Missa seria “memória” (do evento) da Paixão, no sentido clássico, e “memorial” (da substância) do Sacrifício, no sentido contemporâneo.
O termo “memorial” entrou no Magistério contemporâneo, significando ora recordação, ora atualização, e é preciso discernir cuidadosamente, em cada contexto, qual é a conotação exata. Assim, por exemplo, nos diz Pio XII, na Mediator Dei: “Assim o memorial da sua morte real sobre o Calvário repete-se sempre no sacrifício do altar, porque, por meio de símbolos distintos, se significa e demonstra que Jesus Cristo se encontra em estado de vítima” (n. 63, negrito meu). O que “se pode repetir” é “atualização” ou “representação” da morte real (cruenta), e não o mesmo evento da morte do Senhor – como explicava anteriormente Pio XII –, daí, “memorial” aqui é sinônimo de “renovação”, “reprodução” do sacrifício do Gólgota.
No mesmo sentido, escreve João Paulo II na já mencionada Ecclesia de Eucharistia, fazendo referência (na nota “17”), aliás, ao número citado da Mediator Dei: A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.(16) O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial » (memorialis demonstratio),(17) de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indirecta ao sacrifício do Calvário.
Entretanto, o mesmo João Paulo II havia escrito, em passagem já citada aqui: “Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor...”. Já vimos como, em relação à ressurreição, “memorial” só pode designar “memória”; já em relação à morte, pode designar tanto a atualização quanto a recordação. A palavra “memorial” não tem, portanto, um significado único, e é preciso lê-la sempre tendo em conta o todo da doutrina da Igreja – que não pode se contradizer –, de modo a determinar com exatidão a noção que o termo está comunicando.
Veja-se, por exemplo, a única vez que a Sacrossanctum Concilium menciona o “memorial”: 47. O nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura
Como já havia dito, do “Sacrifício eucarístico” – alguns tradicionalistas querem ver nessa expressão uma mitigação do caráter propiciatório do sacrifício da Missa, quando o contexto mostra que se está falando simplesmente de “Sacrifício da Eucaristia”, como sinônimo de “Sacrifício da Missa” (não existe o adjetivo “míssico”, para falar “sacrifício míssico”!) –, que o mesmo perpetua o Sacrifício da Cruz, não fica margem para compreender que a “morte” e a “ressurreição”, das quais dito Sacrifício eucarístico é “memorial” – veja-se que o Sacrifício tomado como um todo, a “representação” ou “perpetuação” do sacrifício da Cruz, é que é “memorial” enquanto “memória” (dos eventos) da morte e ressurreição – estão presentes na Missa com o mesmo caráter.
Em passagem do CIC, citada por João Paulo II, diz-se: “A Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor” (n. 1382,). Aqui, pode-se ver claramente que “memorial” – ademais, acompanhado pelo qualificativo “sacrificial” – significa “representação” (do sacrifício). É esse sentido – de “memorial sacrificial” – que permite ao Catecismo dizer, em outra passagem, que “por ser memorial da Páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício” (n. 1365, itálico do original) – aqui há de se interpretar “Páscoa” no sentido mais restrito de “passagem”, “morte”, se não a conclusão (“a Eucaristia é um sacrifício”) não tem sentido.
A Eucaristia é sacrifício porque é atualização ou representação do sacrifício do Calvário (“Páscoa de Cristo”); a expressão termina sendo tautológica – o conceito de “memorial” parece servir ao diálogo ecumênico, uma vez que os protestantes não têm dificuldades para aceitar a Missa como “memória” (recordação) da Paixão, e o aprofundamento na noção bíblica de “memorial” poderia ajudá-los a compreender a atualização da Paixão no sentido católico, pois tal noção conduz à noção clássica de “representação” (como reapresentação)
Desde a perspectiva clássica, se pode dizer que ao “já” ser atualização desse sacrifício, a Eucaristia é “memória” dos eventos históricos através dos quais o mesmo se deu. Já a seguinte passagem, de João Paulo II, diz, por exemplo: No « memorial » do Calvário, está presente tudo o que Cristo realizou na sua paixão e morte. Por isso, não pode faltar o que Cristo fez para com sua Mãe em nosso favor. De facto, entrega-Lhe o discípulo predilecto e, nele, entrega cada um de nós: « Eis aí o teu filho ». E de igual modo diz a cada um de nós também: « Eis aí a tua mãe » (cf. Jo 19, 26-27). Viver o memorial da morte de Cristo na Eucaristia implica também receber continuamente este dom. Significa levar connosco – a exemplo de João – Aquela que sempre de novo nos é dada como Mãe. Significa ao mesmo tempo assumir o compromisso de nos conformarmos com Cristo, entrando na escola da Mãe e aceitando a sua companhia. (Ecclesia de Eucharistia, n. 57).
“Tudo” o que Cristo realizou foi a redenção dos homens. Claro que a mesma não é uma realidade monolítica, e possui vários aspectos, entre os quais, o dom da maternidade espiritual de Maria aos cristãos. Entretanto, para evitar uma leitura alegórica da Santa Missa – muito comum na Idade Média, mas dogmaticamente equivocada –, é preciso ver a atualização do sacrifício no seu sentido bem estrito da entrega da vida do Senhor Jesus ao Pai – que é o significado pela consagração separada das espécies eucarísticas e concomitante oferta das mesmas pelo sacerdote ministerial (no Rito Romano Tradicional e nos Ritos orientais essa oferta fica evidenciada pelo Rito do “Ofertório”, o qual foi atenuado no Novo Rito Romano) – e compreender que aqui o Papa está falando do “memorial” como “memória” dos demais eventos que se congregam ao redor do fato essencial do sacrifício; essa memória – no exemplo específico, da presença de Maria no Calvário, e do significado espiritual dessa presença – é um meio pedagógico para participar mais plenamente do sacrifício, e para crescer na Fé – de um ponto de vista exclusivamente teórico, dogmático, eu não preciso “imaginar” o Calvário no altar, mas “conhecer” que aquilo que aconteceu no Calvário é o que acontece misticamente sobre o altar; entretanto, a “memória” da morte cruenta e demais eventos históricos ajuda à natureza humana, espiritual e corpórea ao mesmo tempo, a compenetrar-se mais no mistério celebrado.
Podemos concluir, retomando o ponto de partida dessa reflexão, que a Paixão e a Ressurreição se fazem presentes na Missa, mas a títulos diversos. A Paixão é atualizada, é tornada realmente presente, substancialmente presente. Já a Ressurreição o é de modo meramente memorial – no sentido clássico, e não contemporâneo –, proclamando que ela, um dia, ocorreu – e que a partir de então, se perpetua no ser mesmo do Ressuscitado, sem necessidade de atualização sacramental.
Por isso, na resposta dos fiéis ao Mysterium fidei, usa-se duas expressões diferentes: "Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição". A morte é anunciada porque misticamente ela é renovada, é atualizada, é tornada real e substancialmente presente. A ressurreição não é anunciada, mas proclamada porque se deu no tempo – e segue perpetuada no corpo mesmo de Cristo. Se a Paixão e a Ressurreição fossem recordadas de igual modo na Missa, não seria preciso duas expressões distintas. Bastaria anunciar a morte e a ressurreição. Mas há um anúncio e uma proclamação (são, geralmente, sinônimos, mas o uso para duas situações na mesma frase indica que há uma distinção).
.BELLO, Joathas. Apostolado Veritatis Splendor: A SANTA MISSA: ATUALIZAÇÃO DO SACRIFÍCIO, COMEMORAÇÃO DA RESSURREIÇÃO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4173. Desde 4/30/2007.
"Em alguns ambientes católicos, tem-se afirmado com certa constância que a Missa é renovação da paixão e da ressurreição de Cristo, como se ambas realidades se fizessem presentes na Eucaristia do mesmo modo, uma vez que “o Mistério Pascal engloba tanto uma como a outra”.
Isso último é verdade, mas do que se trata é de compreender a verdadeira natureza da Missa, e não do mistério pascal da paixão, morte e ressurreição do Senhor.
De fato, Cristo ressuscitado Se faz presente em todas as missas posteriores à Páscoa – ou seja, em todas as missas com exceção da primeira, na Última Ceia –, e isso por um motivo bastante óbvio: Ele ressuscitou e é dessa forma – ressuscitado – que age através do sacerdote celebrante.
Quando Cristo (o sacerdote) pronuncia as palavras “Isto é o meu corpo...”, é o Cristo Glorioso quem as pronuncia, porque são palavras pronunciadas no presente. O fato da ressurreição, todavia, se torna presente à recordação, e não sacramentalmente; a inserção de um pedaço do pão consagrado no cálice é símbolo da ressurreição, não sua renovação mística, que é desnecessária, pois Cristo Se encontra ressuscitado.
A Ressurreição já se prolonga nos tempos por esse fato somente – o de que o Senhor encontra-Se vivo e já não pode mais morrer –, ao contrário do sacrifício do Calvário, o qual, se não fosse renovado misticamente na Missa, seria um fato passado, presente somente à nossa memória e na medida em que suas graças nos são aplicadas através dos demais sacramentos.
A ressurreição, então, está presente indiretamente em todas as Missas posteriores à Última Ceia, porque o Senhor Glorioso é quem toma o pão e o vinho e os consagra e oferece ao Pai – plenamente correto é dizer que o Ressuscitado encontra-se presente em toda Missa –, mas formalmente a Missa é renovação ou atualização tão somente do sacrifício, recordando-nos os fatos históricos tanto da paixão quanto da ressurreição de Cristo – sendo que a substância da primeira se faz presente, e a outra só se faz presente na recordação e naquele modo oblíquo que é a presença do Ressuscitado.
Talvez os que sustentam a identidade do tipo de presença do sacrifício e da ressurreição se baseiem na seguinte passagem da carta encíclica Ecclesia de Eucharistia (especialmente a passagem grifada por mim): 14. A Páscoa de Cristo inclui, juntamente com a paixão e morte, a sua ressurreição. Assim o lembra a aclamação da assembleia depois da consagração: « Proclamamos a vossa ressurreição ». Com efeito, o sacrifício eucarístico torna presente não só o mistério da paixão e morte do Salvador, mas também o mistério da ressurreição, que dá ao sacrifício a sua coroação. Por estar vivo e ressuscitado é que Cristo pode tornar-Se « pão da vida » (Jo 6, 35.48), « pão vivo » (Jo 6, 51), na Eucaristia. S. Ambrósio lembrava aos neófitos esta verdade, aplicando às suas vidas o acontecimento da ressurreição: « Se hoje Cristo é teu, Ele ressuscita para ti cada dia ».(20) Por sua vez, S. Cirilo de Alexandria sublinhava que a participação nos santos mistérios « é uma verdadeira confissão e recordação de que o Senhor morreu e voltou à vida por nós e em nosso favor ».(21)
Se a frase destacada estivesse isolada, poderia dar margem a essa compreensão – da identidade do tipo de presença –, mas a frase seguinte do Papa trata de explicar, nos mesmos termos que fizemos agora, em que sentido a ressurreição se faz presente: é Cristo vivo que pode tornar-Se “pão da vida”, e assim oferecer-Se ao Pai. A primeira presença, do sacrifício, é a presença mística do sacrifício do Calvário; a segunda, da ressurreição, equivale mais propriamente à presença real, pela transubstanciação, do Ressuscitado.
A Eucaristia, enquanto sacramento, nos traz a presença real do Ressuscitado; e enquanto sacrifício – inseparável da “confecção” do sacramento – nos traz a presença mística do Seu sacrifício na Cruz. O mesmo Papa havia dito um pouco antes: “Esta [a Eucaristia ] tem indelevelmente inscrito nela o evento da paixão e morte do Senhor. Não é só a sua evocação, mas presença sacramental. É o sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos” (n. 11).
Talvez a frase seguinte pudesse corroborar a tese de uma renovação mística da Ressurreição (de si, sem sentido, como já falamos): “Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e « realiza-se também a obra da nossa redenção»”. A frase que segue imediatamente, explica qual é o “acontecimento central” que se torna presente: Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nela [Eucaristia], alimentando-se dos seus frutos inexauríveis.
No número seguinte, o Papa volta a ressaltar que é o sacrifício o que se faz presente: Ao instituí-lo [o sacramento eucarístico], não Se limitou a dizer « isto é o meu corpo », « isto é o meu sangue », mas acrescenta: « entregue por vós (...) derramado por vós » (Lc 22, 19-20). Não se limitou a afirmar que o que lhes dava a comer e a beber era o seu corpo e o seu sangue, mas exprimiu também o seu valor sacrificial, tornando sacramentalmente presente o seu sacrifício, que algumas horas depois realizaria na cruz pela salvação de todos (n.12).
Para dirimir de vez qualquer dúvida, volta a repetir João Paulo II: A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contacto actual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado. Deste modo, a Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para humanidade de todos os tempos. Com efeito, « o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício » (negrito e grifos meus).
Vê-se, então, como a Eucaristia é atualização sacramental tão somente do sacrifício da Cruz, e como a ressurreição se faz presente de modo indireto, seja porque é “coroação” desse sacrifício, que permite ao Senhor estar presente sobre o altar para oferecer-Se ao Pai, seja porque o fato histórico (da Ressurreição) é comemorado em cada Missa – como, ademais, o é, de forma mais especial e solene, na Páscoa e durante todo o Tempo Pascal.
Seria interessante, para a reflexão presente, buscar esclarecer o conceito de “memorial”... Classicamente, se falava de “representação” e “memória” do sacrifício (cf. Doutrina sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa do Concílio de Trento).
A primeira noção se refere ao “tornar-se presente”, ao “atualizar-se”, ao “renovar-se” ou “perpetuar-se” (da substância) do sacrifício do Calvário; e a segunda, à rememoração do evento histórico – o que é feito de modo especial na Sexta-Feira da Paixão, e constitui a especificidade mesma desse Ofício Solene.
A teologia litúrgica contemporânea trouxe à tona o conceito de “memorial”, que significaria, na mentalidade judaica, “uma recordação que torna efetivamente presente aquilo que recorda” (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1363-1364). Nesse sentido, a Missa seria “memória” (do evento) da Paixão, no sentido clássico, e “memorial” (da substância) do Sacrifício, no sentido contemporâneo.
O termo “memorial” entrou no Magistério contemporâneo, significando ora recordação, ora atualização, e é preciso discernir cuidadosamente, em cada contexto, qual é a conotação exata. Assim, por exemplo, nos diz Pio XII, na Mediator Dei: “Assim o memorial da sua morte real sobre o Calvário repete-se sempre no sacrifício do altar, porque, por meio de símbolos distintos, se significa e demonstra que Jesus Cristo se encontra em estado de vítima” (n. 63, negrito meu). O que “se pode repetir” é “atualização” ou “representação” da morte real (cruenta), e não o mesmo evento da morte do Senhor – como explicava anteriormente Pio XII –, daí, “memorial” aqui é sinônimo de “renovação”, “reprodução” do sacrifício do Gólgota.
No mesmo sentido, escreve João Paulo II na já mencionada Ecclesia de Eucharistia, fazendo referência (na nota “17”), aliás, ao número citado da Mediator Dei: A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.(16) O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial » (memorialis demonstratio),(17) de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indirecta ao sacrifício do Calvário.
Entretanto, o mesmo João Paulo II havia escrito, em passagem já citada aqui: “Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor...”. Já vimos como, em relação à ressurreição, “memorial” só pode designar “memória”; já em relação à morte, pode designar tanto a atualização quanto a recordação. A palavra “memorial” não tem, portanto, um significado único, e é preciso lê-la sempre tendo em conta o todo da doutrina da Igreja – que não pode se contradizer –, de modo a determinar com exatidão a noção que o termo está comunicando.
Veja-se, por exemplo, a única vez que a Sacrossanctum Concilium menciona o “memorial”: 47. O nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura
Como já havia dito, do “Sacrifício eucarístico” – alguns tradicionalistas querem ver nessa expressão uma mitigação do caráter propiciatório do sacrifício da Missa, quando o contexto mostra que se está falando simplesmente de “Sacrifício da Eucaristia”, como sinônimo de “Sacrifício da Missa” (não existe o adjetivo “míssico”, para falar “sacrifício míssico”!) –, que o mesmo perpetua o Sacrifício da Cruz, não fica margem para compreender que a “morte” e a “ressurreição”, das quais dito Sacrifício eucarístico é “memorial” – veja-se que o Sacrifício tomado como um todo, a “representação” ou “perpetuação” do sacrifício da Cruz, é que é “memorial” enquanto “memória” (dos eventos) da morte e ressurreição – estão presentes na Missa com o mesmo caráter.
Em passagem do CIC, citada por João Paulo II, diz-se: “A Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor” (n. 1382,). Aqui, pode-se ver claramente que “memorial” – ademais, acompanhado pelo qualificativo “sacrificial” – significa “representação” (do sacrifício). É esse sentido – de “memorial sacrificial” – que permite ao Catecismo dizer, em outra passagem, que “por ser memorial da Páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício” (n. 1365, itálico do original) – aqui há de se interpretar “Páscoa” no sentido mais restrito de “passagem”, “morte”, se não a conclusão (“a Eucaristia é um sacrifício”) não tem sentido.
A Eucaristia é sacrifício porque é atualização ou representação do sacrifício do Calvário (“Páscoa de Cristo”); a expressão termina sendo tautológica – o conceito de “memorial” parece servir ao diálogo ecumênico, uma vez que os protestantes não têm dificuldades para aceitar a Missa como “memória” (recordação) da Paixão, e o aprofundamento na noção bíblica de “memorial” poderia ajudá-los a compreender a atualização da Paixão no sentido católico, pois tal noção conduz à noção clássica de “representação” (como reapresentação)
Desde a perspectiva clássica, se pode dizer que ao “já” ser atualização desse sacrifício, a Eucaristia é “memória” dos eventos históricos através dos quais o mesmo se deu. Já a seguinte passagem, de João Paulo II, diz, por exemplo: No « memorial » do Calvário, está presente tudo o que Cristo realizou na sua paixão e morte. Por isso, não pode faltar o que Cristo fez para com sua Mãe em nosso favor. De facto, entrega-Lhe o discípulo predilecto e, nele, entrega cada um de nós: « Eis aí o teu filho ». E de igual modo diz a cada um de nós também: « Eis aí a tua mãe » (cf. Jo 19, 26-27). Viver o memorial da morte de Cristo na Eucaristia implica também receber continuamente este dom. Significa levar connosco – a exemplo de João – Aquela que sempre de novo nos é dada como Mãe. Significa ao mesmo tempo assumir o compromisso de nos conformarmos com Cristo, entrando na escola da Mãe e aceitando a sua companhia. (Ecclesia de Eucharistia, n. 57).
“Tudo” o que Cristo realizou foi a redenção dos homens. Claro que a mesma não é uma realidade monolítica, e possui vários aspectos, entre os quais, o dom da maternidade espiritual de Maria aos cristãos. Entretanto, para evitar uma leitura alegórica da Santa Missa – muito comum na Idade Média, mas dogmaticamente equivocada –, é preciso ver a atualização do sacrifício no seu sentido bem estrito da entrega da vida do Senhor Jesus ao Pai – que é o significado pela consagração separada das espécies eucarísticas e concomitante oferta das mesmas pelo sacerdote ministerial (no Rito Romano Tradicional e nos Ritos orientais essa oferta fica evidenciada pelo Rito do “Ofertório”, o qual foi atenuado no Novo Rito Romano) – e compreender que aqui o Papa está falando do “memorial” como “memória” dos demais eventos que se congregam ao redor do fato essencial do sacrifício; essa memória – no exemplo específico, da presença de Maria no Calvário, e do significado espiritual dessa presença – é um meio pedagógico para participar mais plenamente do sacrifício, e para crescer na Fé – de um ponto de vista exclusivamente teórico, dogmático, eu não preciso “imaginar” o Calvário no altar, mas “conhecer” que aquilo que aconteceu no Calvário é o que acontece misticamente sobre o altar; entretanto, a “memória” da morte cruenta e demais eventos históricos ajuda à natureza humana, espiritual e corpórea ao mesmo tempo, a compenetrar-se mais no mistério celebrado.
Podemos concluir, retomando o ponto de partida dessa reflexão, que a Paixão e a Ressurreição se fazem presentes na Missa, mas a títulos diversos. A Paixão é atualizada, é tornada realmente presente, substancialmente presente. Já a Ressurreição o é de modo meramente memorial – no sentido clássico, e não contemporâneo –, proclamando que ela, um dia, ocorreu – e que a partir de então, se perpetua no ser mesmo do Ressuscitado, sem necessidade de atualização sacramental.
Por isso, na resposta dos fiéis ao Mysterium fidei, usa-se duas expressões diferentes: "Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição". A morte é anunciada porque misticamente ela é renovada, é atualizada, é tornada real e substancialmente presente. A ressurreição não é anunciada, mas proclamada porque se deu no tempo – e segue perpetuada no corpo mesmo de Cristo. Se a Paixão e a Ressurreição fossem recordadas de igual modo na Missa, não seria preciso duas expressões distintas. Bastaria anunciar a morte e a ressurreição. Mas há um anúncio e uma proclamação (são, geralmente, sinônimos, mas o uso para duas situações na mesma frase indica que há uma distinção).
.BELLO, Joathas. Apostolado Veritatis Splendor: A SANTA MISSA: ATUALIZAÇÃO DO SACRIFÍCIO, COMEMORAÇÃO DA RESSURREIÇÃO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4173. Desde 4/30/2007.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
A anterioridade de Deus
Adaptação do livro A Vida Interior - de François Sales Pollien
Primeira parte: A Vida que herdamos
Segunda parte: A finalidade da criação
Terceira parte: O ordenamento de minhas relações divinas
Por essência, o divino é anterior ao homem, daí decorre, logicamente, que nenhum raciocínio e nenhuma atitude pode colocar o interesse humano à frente do interesse divino. Esta ordem, pela essência de sua natureza, não deve jamais ser violada, Não posso, portanto, nem ver, nem querer, nem buscar minha felicidade antes da honra de Deus. Cabe a Ele o direito inalienável de precedência."O discípulo não pode ser maior que o Mestre, nem o escravo acima de seu senhor"- (Mt 10,24).
A minha felicidade e a glória de Deus devem necessariamente, seguir uma sequência lógica e própria, que não podem ser separadas, nem sua ordem invertida, sob pena de tornar sem sentido o livro da criação.
Meu interesse deve estar então, em submissão ao interesse de Deus, Ele é o primeiro eu o segundo: Sua glória vem antes de tudo e minha felicidade vem em seguida e só a obterei se esta ordem for obedecida.
Glória, fonte da felicidade
A anterioridade de Deus não é apenas uma questão racional, mas vital. Minha felicidade não vem simplesmente após a glória de Deus, mas vem dela., não pode nascer se não dela. Com efeito, somente posso obter a salvação, servindo a Deus. No serviço está o mérito e dele, nasce a recompensa.
Assim como um filho não existe antes de sua mãe, assim, meu interesse não pode situar antes, ou fora, do interesse de Deus. Nada pode gerar a felicidade, a não ser a glória (Sl 49,23). - nos disse Jesus: "Eu vos disse estas coisas a fim de que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa" ( Jo 15,11)
Jesus nos disse para permanecermos em seu amor, pela observância de seus mandamentos, ou seja, para glorificar ao Pai juntamente com Ele, segundo as leis por Ele traçadas. A alegria de Cristo está na glória de Seu Pai, e nossa alegria só será plena, se a alegria de Jesus estiver em nós. A Glória de Deus é portanto, a fonte da felicidade plena.
No Senhor
Precisamos saber que o nascimento de minha felicidade a partir da glória de Deus, não é um fato consumado, nem pode ser separado de sua causa, assim como o ramo não se separa da videira. Nenhum ato meu poderá causar felicidade se não for também causa de glória. Minha alegria nasce da glória e para nela permanecer, deve consistir nela. O justo se alegra no Senhor (Sl 31,11). Alegrai-vos sempre no Senhor, repito, alegrai-vos! (Fp 4,4).
A alegria do Senhor
Deus quer ser e é, a fonte plena e infinita de minha felicidade. Quer que eu encontre nele, a minha bem aventurança. E em que medida! e de que forma! Ele quer consumar minha vida em sua vida, dar-me a êxtase da visão beatífica, embriagar-me com as riquezas de sua casa, saciar-me com deliciosos manjares. Minha felicidade n Ele, transbordará por todos os lados e jamais conseguirei chegar ao limite. "Entra na alegria do teu Senhor"(Mt 25,21)
Somos convidados ao banquete celestial e esta alegria é tão imensa que é sobrenatural, tão sobrenatural que ultrapassa a capacidade de qualquer criatura. A glória que damos a Ele é sobrenatural, porque Ele mesmo, através de sua graça é que nos capacita a faze-lo. Tudo n Ele e por Ele, por isso meritório e por isso fonte plena de alegria.
Supremacia divina
Essa supremacia da Majestade soberana, que deve ser servida por si mesma antes de tudo; que domina, das alturas de sua eternidade, que domina meus direitos e minhas esperanças de imortalidade, dos quais é fonte, que deve orientar as etapas do meu crescimento como penhor do triunfo, que se impõe à minha vida terrestre e celeste como finalidade suprema de tudo o que devo ser e fazer a cada instante, seja no tempo ou na eternidade, reclamando para si todas as minhas energias e prometendo abençoar-me com a bem-aventurança
Fonte: A Vida Interior - François de Sales Pollien
Depois veremos: A Superioridade do divino
Primeira parte: A Vida que herdamos
Segunda parte: A finalidade da criação
Terceira parte: O ordenamento de minhas relações divinas
Por essência, o divino é anterior ao homem, daí decorre, logicamente, que nenhum raciocínio e nenhuma atitude pode colocar o interesse humano à frente do interesse divino. Esta ordem, pela essência de sua natureza, não deve jamais ser violada, Não posso, portanto, nem ver, nem querer, nem buscar minha felicidade antes da honra de Deus. Cabe a Ele o direito inalienável de precedência."O discípulo não pode ser maior que o Mestre, nem o escravo acima de seu senhor"- (Mt 10,24).
A minha felicidade e a glória de Deus devem necessariamente, seguir uma sequência lógica e própria, que não podem ser separadas, nem sua ordem invertida, sob pena de tornar sem sentido o livro da criação.
Meu interesse deve estar então, em submissão ao interesse de Deus, Ele é o primeiro eu o segundo: Sua glória vem antes de tudo e minha felicidade vem em seguida e só a obterei se esta ordem for obedecida.
Glória, fonte da felicidade
A anterioridade de Deus não é apenas uma questão racional, mas vital. Minha felicidade não vem simplesmente após a glória de Deus, mas vem dela., não pode nascer se não dela. Com efeito, somente posso obter a salvação, servindo a Deus. No serviço está o mérito e dele, nasce a recompensa.
Assim como um filho não existe antes de sua mãe, assim, meu interesse não pode situar antes, ou fora, do interesse de Deus. Nada pode gerar a felicidade, a não ser a glória (Sl 49,23). - nos disse Jesus: "Eu vos disse estas coisas a fim de que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa" ( Jo 15,11)
Jesus nos disse para permanecermos em seu amor, pela observância de seus mandamentos, ou seja, para glorificar ao Pai juntamente com Ele, segundo as leis por Ele traçadas. A alegria de Cristo está na glória de Seu Pai, e nossa alegria só será plena, se a alegria de Jesus estiver em nós. A Glória de Deus é portanto, a fonte da felicidade plena.
No Senhor
Precisamos saber que o nascimento de minha felicidade a partir da glória de Deus, não é um fato consumado, nem pode ser separado de sua causa, assim como o ramo não se separa da videira. Nenhum ato meu poderá causar felicidade se não for também causa de glória. Minha alegria nasce da glória e para nela permanecer, deve consistir nela. O justo se alegra no Senhor (Sl 31,11). Alegrai-vos sempre no Senhor, repito, alegrai-vos! (Fp 4,4).
A alegria do Senhor
Deus quer ser e é, a fonte plena e infinita de minha felicidade. Quer que eu encontre nele, a minha bem aventurança. E em que medida! e de que forma! Ele quer consumar minha vida em sua vida, dar-me a êxtase da visão beatífica, embriagar-me com as riquezas de sua casa, saciar-me com deliciosos manjares. Minha felicidade n Ele, transbordará por todos os lados e jamais conseguirei chegar ao limite. "Entra na alegria do teu Senhor"(Mt 25,21)
Somos convidados ao banquete celestial e esta alegria é tão imensa que é sobrenatural, tão sobrenatural que ultrapassa a capacidade de qualquer criatura. A glória que damos a Ele é sobrenatural, porque Ele mesmo, através de sua graça é que nos capacita a faze-lo. Tudo n Ele e por Ele, por isso meritório e por isso fonte plena de alegria.
Supremacia divina
Essa supremacia da Majestade soberana, que deve ser servida por si mesma antes de tudo; que domina, das alturas de sua eternidade, que domina meus direitos e minhas esperanças de imortalidade, dos quais é fonte, que deve orientar as etapas do meu crescimento como penhor do triunfo, que se impõe à minha vida terrestre e celeste como finalidade suprema de tudo o que devo ser e fazer a cada instante, seja no tempo ou na eternidade, reclamando para si todas as minhas energias e prometendo abençoar-me com a bem-aventurança
Fonte: A Vida Interior - François de Sales Pollien
Depois veremos: A Superioridade do divino
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Sacrifícios - o que significam?
Por Tiago Santos de Morais.
Pequena explicação baseada em obra do Pe. Emanuel (um espiritual francês do século XIX).
O que vem a ser sacrifício?
"Sacrifício é um ato de religião que consiste em destruir, ao menos de certa maneira, uma coisa para a honra de Deus, pois não existe um sinal mais conveniente para exprimir o soberano domínio Dele sobre as criaturas. É o ato mais excelente no culto divino. O sacrifício difere da simples oblação, que consiste em oferecer a Deus qualquer coisa que lhe pertença.
Ensina o Pe. Emanuel: "Em rigor a oblação pode ser feita a um homem, visto que Deus mesmo concedeu ao homem o domínio das coisas exteriores. Pelo contrário, o sacrifício, que atinge a coisa oferecida no íntimo do seu ser, não se pode dedicar a não ser ao Criador e Soberano de todas as coisas."
O sacrifício exterior é o sinal do sacrifício interior, da imolação de si própria que toda criatura inteligente e livre deve ao Criador, como sinal de Sua soberania e perfeição infinita. Diz ainda o Pe. Emanuel: "Os anjos oferecem perpetuamente a Deus este sacrifício, ou antes, diz Santo Agostinho, toda Jerusalém celeste não é outra coisa senão um único e perpétuo sacrifício, oferecido a Deus por Jesus Cristo. No homem, este ato inteiramente espiritual, exige ser expresso por um sinal. Daí provém o sacrifício propriamente dito, que é uma imolação duma coisa qualquer em honra do verdadeiro Deus."
O sacrifício é a linguagem misteriosa com a qual o homem "fala" com Deus. Mesmo sem o pecado, o sacrifício seria uma exigência da majestade divina, só que esse sacrifício seria apenas de louvor, como o do altar dos perfumes, colocado diante da cortina do Santo dos Santos no Templo de Jerusalém, onde os sacerdotes queimavam incensos. Ele exprimia louvor e adoração, era incruento.
Mas a partir do pecado, foi necessário uma hóstia (vítima) de expiação. Deus promulgou a grande lei enunciada por São Paulo: "Sem efusão de sangue não há absolutamente remissão" (Heb. IX, 22). Assim, no Templo havia o altar diante do tabernáculo, revestido de bronze, sobre o qual os sacerdotes queimavam vítimas imoladas. Ensina o Pe. Emanuel: "Essa lei é muito profunda. O pecado é o fruto de um deleite culpável; a remissão supõe o sofrimento que vai até a imolação. O pecado rompe o vínculo que une o homem a Deus; a reparação é feita pela ruptura do vínculo que une o corpo com a alma. É preciso que a expiação tenha ao menos uma proporção de analogia com a falta."
Todas as religiões sempre tiveram como objetivo principal a expiação, o homem sempre sentiu a necessidade de clemência. Todos os povos se submeteram a essa lei, derramando sangue para aplacar a cólera de Deus. Contudo, o detalhe é que em Deus tudo tem um grau infinito e o pecado, portanto, é uma ofensa em grau infinito. Sendo assim, como a imolação de criaturas finitas por seres finitos podia aplacar algo infinito? Não podia e, por isso, o próprio Deus teve de se encarnar e dar-se como hóstia imaculada para a remissão do pecado.
Ao mesmo tempo que Deus estabeleceu a Lei do Sacrifício, também estabeleceu as condições para que tal ato lhe fosse agradável. Santo Agostinho enumera essas condições:
1)É preciso um sacerdote que ofereça a vítima, um sacerdote que seja santo e justo; pois o sacerdote é um mediador entre Deus e os homens, e, se não fosse santo e justo, não poderia reconciliar os homens com Deus. Esse sacerdote não podia ter defeito corporal, era submetido a abluções para ser separado dos homens comuns e tinha de casar com uma virgem e de guardar a castidade na semana em que exercia suas funções no Templo.
2)É preciso que a vítima seja tomada das mãos daqueles pelos quais é oferecida, numa palavra, que ela lhes pertença, que os represente; que eles tenham direito sobre ela, que possa ocupar o lugar deles.
3)É preciso que a vítima seja tomada sem mancha e sem defeito; de outro modo não poderia servir para purificar, para reparar tudo o que há de manchado e defeituoso naqueles por quem é oferecida.
O interessante é que tais requisitos, como um fundo de verdade derivado da religião primitiva (adâmica), também estavam presentes em muitos cultos pagãos. Entre os romanos, a vítima era apresentada aos sacerdotes, que a examinavam cuidadosamente. Eles a queriam branca como a neve. Uma vez escolhida, ela recebia uma grinalda. Diz Luciano: “Os sacrificadores coroam o animal, depois de tê-lo longamente examinado e reconhecido como perfeito, nada querendo imolar que não seja digno da divindade; depois conduziam a vítima ao altar”.
Explica o Pe. Eamnuel: “São dignas de nota estas última palavras. Era preciso que a vítima lá chegasse de bom grado! Ela era amarrada; daí provem o nome de vítima (de “vincta”). Todavia não se usava de coação para levá-la. ‘As vítimas’, diz Cícero, eram conduzidas, não arrastadas’: ‘ducebantur, non trahebantur victimae’. Observou-se, diz Macróbio, que os sacrificadores devolviam a hóstia, ‘quando ela fazia uma grande resistência ao altar; se, pelo contrário, ela se apresentava sem constrangimento, eles a julgavam agradável à divindade’”.
Trazida ao lugar do sacrifício, era preciso que a vítima representasse aqueles que a ofereciam e, desse modo, eles impunham-lhes as mãos como um símbolo do fato dela carregar o pecado de todos. Esse rito, prescrito em Levítico I, 4 também era (e é onde ainda se praticam sacrifícios) comum entre os pagãos. Esses ritos teriam todo seu simbolismo revelado no Sacrifício da Cruz, mas antes de se falar dele, devemos entender mais alguns pontos.
Os judeus tinham três tipos de sacrifício cruento:
O Holocausto: inteiramente consumido em honra a Deus; O expiatório: no qual uma parte era consumida e outra comida pelos sacerdotes; O Pacífico: do qual uma parte se queimava, uma era comida pelos sacerdotes e outra comida pelos que tinham oferecido a vítima.
Ensina o Pe. Emanuel: “Os holocaustos e as hóstias pacíficas eram sempre acompanhadas de oferendas e libações; ou seja, com a vítima ofereciam-se flor de farinha, sal, óleo, incenso e vinho. O óleo era derramado sobre a farinha, que formava assim uma pasta temperada com sal; o sacerdote queimava um punhado dela sobre o altar com o incenso. Quanto ao vinho, o historiador Flávio Josefo nos informa que ele era derramado em torno do altar. Eram como os prelúdios do sacrifício. A idéia mestra disso era a necessidade de oferecer a Deus uma refeição completa, onde entrasse o pão e o vinho”.
Os pagãos, novamente, tinham cerimônias semelhantes. Os romanos começavam por derramar o vinho entre os chifres da vítima, era a libação. São Paulo alude a esse costume (Fil. II, 17). Depois eles espalhavam igualmente sobre a cabeça da vítima migalhas duma pasta salgada, denominada “mola”. Plínio diz a respeito: “O sal goza dum grande favor nos sacrifícios, pois nenhum se consuma sem a aspersão duma parte salgada”. Antes deles dissera a Sagrada Escritura: “Toda vítima seja temperada com sal!” (Lev. II, 13). Esta última cerimônia chamava-se imolação e como logo em seguida havia a degolação da vítima, essa própria degolação passou a ser chamada imolação.
Com a vítima imolada, o sangue era derramado em honra de Deus e esse era mais um rito praticamente universal. Algumas vezes, nos sacrifícios solenes havia a aspersão do povo com o sangue. Aquilo que era consumido pelo fogo julgava-se agradar a Deus em odor de suavidade. Quanto ao resto da vítima, cabia, quer somente aos sacerdotes quer a esses e aos que aos quer tinham oferecido a vítima, como já foi dito. No último caso, entre os judeus, os sacerdotes guardavam para si o peito e a espádua direita.
Comenta o Pe. Emanuel: “Estas duas partes serviam para umas cerimônias misteriosas, que se chamavam elevação e agitação. A primeira consistia em elevar a hóstia para oferece-la a Deus; a segunda em deslocar sucessivamente a vítima no sentido dos quatro pontos cardeais, o que equivalia a traçar uma cruz. Para elevação se queria obter o olhar favorável de Deus sobre a vítima, e, pela agitação, espalhar, por assim dizer, a sua virtude expiadora pelos quatro cantos do mundo.
Quando Moisés ofereceu ao Senhor os levitas como vítimas, eles foram submetidos à cerimônia da agitação, que consistiu, sem dúvida, em faze-los executar, em volta do Tabernáculo, certos movimentos em forma de cruz...”.
Contudo, tudo isso era uma mera simbologia. Somos todos pecadores e não se pode encontrar entre os homens um sacerdote conveniente, todas as vítimas são indignas. Diz São Paulo: “É impossível que o sangue dos cabritos e dos touros apague os pecados” (Heb. X, 4). Foi então na plenitude dos tempos que o próprio Filho de Deus, feito homem, apresentou-se como vítima, uma só vez, para a remissão dos pecados.
Ensina Santo Agostinho:“Qual é o sacerdote que se possa igualar, em santidade, ao Filho Unigênito de Deus, o qual não tinha nenhuma necessidade de expiar, pelo sacrifício, os seus próprios pecados, quer o original, quer os atuais? Que vítima mais adequada poderia Deus receber da mão dos homens? Que mais apropriado a imolar-se do que um corpo mortal? Que coisa mais pura para purificar os homens de suas manchas do que um corpo concebido por uma virgem e dela nascido, a salvo de qualquer alcance da concupiscência? Enfim, que oferenda mais agradável, mais digna de aceitação do que o próprio corpo de nosso sacerdote, Jesus feito vítima do nosso sacrifício?”.
Assim, todas as condições do sacrifício estão reunidas e a vítima é, ao mesmo tempo, o sacerdote.
Esse é o Sacrifício perfeito.
Escreve ainda Santo Agostinho:
“Pode-se considerar um sacrifício sob quatro pontos de vista: Daquele a quem é oferecido, daquele que oferece, da coisa oferecida, daqueles por quem é oferecida. Ora, no sacrifício pacífico pelo qual Ele nos reconcilia com Deus, Jesus, nosso único e Verdadeiro Mediador, permanece uma mesma coisa com Seu Pai, ao Qual Ele o oferece; reúne em Si mesmo aqueles por quem o oferece; enfim, é ao mesmo tempo, tanto o sacerdote que oferece como vítima que é oferecida.”
Sobre o sacrifício de Melquisedec:
O sacrifício de Melquisedec tem relação direta com o sacrifício de Jesus e, em conseqüência, com a Missa. Desde o pecado, houve sempre sacrifícios cruentos. O pecado trouxe consigo não só a morte como castigo, mas também como reparação.
Diz o Pe. Emanuel: "Contudo, em tempos remotos, notamos a oblação incruenta de Melquisedeque, que traz em suas mãos sacerdotais o pão e o vinho. O estudo mais aprofundado da Antigüidade chegou a comentar esta passagem misteriosa do Gêneses, dando-nos a conhecer que este gênero de oblação era o mais usado entre os povos primitivos. Dados à vida pastoril, eles ofereciam a Deus, de preferência, bolos de flor de farinha, com leite, óleo e vinho. Os sacrifícios cruentos eram relativamente mais raros. Havia nisso, como diz Bossuet, alguns vestígios da primeira inocência e da doçura na qual tínhamos sido formados.
Com o correr do tempo, prevaleceram os sacrifícios cruentos, já que o próprio preço que ele exige representa melhor nossa dependência para com Deus. Deus nos tirou do nada e constantemente nos conserva no ser; estamos como que suspensos sobre o nada pelo tênue fio que nos prende ao Senhor. A criatura existe na medida exata em que deriva do Ser supremo, sua razão de existir é uma dependência ontológica. Nada melhor, portanto, que o sacrifício cruento, o ato máximo, para representar tal dependência (como já foi explicado no começo do texto). Não obstante, já observamos que quase todos os sacrifícios cruentos eram acompanhados por uma oblação de flor de farinha e vinho. O próprio cordeiro pascal era comido com pães ázimos. O pão e o vinho acompanhavam qualquer vítima.
Comenta, então, o Pe. Emanuel: "Havia nisto uma figura do sacrifício da lei nova, que devia ser oferecido por Nosso Senhor, segundo o rito de Melquisedeque. Com efeito, temos uma vítima, o próprio Nosso Senhor; temos também o pão e o vinho. Só que o Espírito Santo vem fundir numa só coisa, por assim dizer, estes dois elementos do sacrifício, colocando a vítima adorável, por uma mudança de substância, debaixo das aparências de pão e vinho. Assim estes não são mais, como antigamente, simplesmente justapostos à vítima, mas mudados nela, e a recobrem com as suas aparências. Encobrindo-a deste modo, eles a fazem aparecer verdadeiramente como vítima, pelo fato de assinalarem a separação do corpo e do sangue. E todavia, eles lhe conferem o caráter de oblação incruenta, para cumprir as figuras e as profecias."
O Salvador não quis que o seu Sacrifício sangrento, de onde nasceu a Igreja, permanecesse entre nós apenas como uma lembrança longínqua, a ser atingida pela fé. Foi vontade sua perpetuar esse Sacrifício ao longo do tempo, tornando-o presente a cada instante que passa a história do mundo.: "Fazei isto em memória de Mim". Assim como o Verbo nos poderia ter salvado sem a Encarnação redentora, e entretanto quis salvar-nos pelo contato da sua Carne e aspersão do seu Sangue, assim decretou continuar a pôr a sua Carne em contato com a nossa e aspergir-nos com seu Sangue de modo sacramental no Sacrifício da Missa.
O motivo de tal vontade não foi, de certo, a ineficácia e imperfeição do Sacrifício da Cruz. Perfeito e acabado em si, logo definitivo, resta-lhe todavia a ser aplicada a virtude, pessoalmente, a cada homem que aparece no mundo. Nesse sentido podia São Paulo falar no que faltava à Paixão de Cristo e que ele mesmo completava pelo Corpo de Cristo que é a Igreja (Col. I, 24). Ora, nada falta à Paixão de Cristo a não ser a nossa participação individual. Resta, portanto, esta aplicar-se a cada criatura humana, em todos os tempos e lugares (Mediator Dei, n. 72-73).
Resta ainda que o culto perfeito, uma vez rendido ao Altíssimo, no Calvário, perdure no tempo, pois que ele é devido todos os dias a todos os homens. Nosso Senhor com o "Está consumado" diz que o seu sacrifício estava consumado e este sacrifício não salva ninguém, mas redime o gênero humano. A redenção, ou salvação objetiva, abre novamente as portas do céu para o gênero humano. Mas a salvação subjetiva, ou simplesmente salvação, depende de nossa participação no sacrifício supremo.
Para assegurar, pois, a presença perpétua de seu único e definitivo Sacrifício sangrento, o Senhor, na véspera de padecer, instituiu o Sacrifício não-sangrento, a Missa.
No Cenáculo, o rito era representação antecipada da imolação da Cruz, depois, passou a ser representação comemorativa dela. Como outrora Melquisedeque, rei de Salém (futura Jerusalém) e sacerdote do Altíssimo (Gên. XIV, 18), ofereceu pão e vinho, assim Cristo, sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Sl.CIX, 4; Heb. V, 6; VII, 11-32), ofereceu ao Senhor pão e vinho, símbolo de seu Corpo e de seu Sangue. "Quem mais sacerdote do sumo Deus que Nosso Senhor Jesus Cristo, ele que ofereceu um sacrifício a Deus Pai, aquele mesmo que havia oferecido Melquiseeque: pão e vinho, quer dizer o seu Corpo e o seu Sangue?" (São Cipriano, Epist. 63, n. 4).
terça-feira, 8 de maio de 2012
Chesterton
" Alguns desses judiciosos homens modernos devem ter abandonado o Cristianismo sob a pressão de uma das três seguintes e convergentes convicções:
1 - Que os homens, com a sua forma, a sua estrutura e a sua sexualidade, são, apesar de tudo, muito semelhantes aos irracionais, ou uma simples variedade do reino animal
2 - Que a religião primitiva teve princípio na ignorância e no medo
3 - Que os sacerdotes tem feito estiolar as sociedades no meio de amarguras e trevas.
Estes três argumentos anti-cristãos são muito diferentes, mas são todos perfeitamente lógicos e legítimos, e todos eles convergem para o mesmo ponto. Há, apenas, uma única objeção contra eles: é que são todos falsos.
Se deixarmos de olhar para os livros, que se ocupam dos irracionais e dos homens e começarmos a olhar os próprios irracionais e para o próprio homem, havemos de observar que o mais impressionante não é ver quão semelhante é o homem aos brutos, mas sim como eles são dissemelhantes. É a monstruosa escala de sua divergência que precisa de uma explicação. Que o homem e o bruto são semelhantes é, em certo sentido, uma verdade; mas que, sendo tão semelhantes, sejam tão desmedidamente diferentes, essa é que é a grande surpresa e o grande enigma.
O fato de o macaco ter mãos é muito menos interessante para o filósofo do que o fato de ele nada fazer com elas; não toca violino, não joga o "Knucle-bones" (jogo de pedrinhas), não esculpe sobre mármore e não trincha um carneiro. Fala-se por vezes, a respeito de arquitetura bárbara e de arte trivial, mesmo em estilo rococó. Os camelos também não pintam nem sequer más pinturas, embora andem providos com material que dava muitos pincéis. Certos visionários modernos dizem que as formigas e as abelhas tem uma sociedade superior à nossa. Tem, sem dúvida, uma civilização, mas essa civilização serve apenas para nos lembrarmos de que se trata de uma civilização inferior. Quem foi que encontrou já um formigueiro adornado com estátuas de formigas célebres? Quem foi que já viu um cortiço que tivesse esculpidas imagens de antigas e faustosas rainhas?
Não, o abismo entre o homem e as outras criaturas pode ter uma explicação natural, mas é um abismo. Falamos de animais selvagens, mas o homem é o único animal selvagem. Foi o homem que saiu fora de si. Todos os outros animais são animais domesticados que seguem a rude respeitabilidade da tribo ou do tipo. Todos os animais são animais domésticos, apenas o homem se conserva por domesticar, quer seja libertino quer seja um monge.
Assim, esta primeira e superficial razão para o materialismo é, pelo contrário, uma razão para a doutrina oposta; é exatamente onde a biologia acaba que a religião começa.
(Depois veremos os outros dois argumentos)
Fonte: Ortodoxia pag 233-234
Mais de Chesterton AQUI
1 - Que os homens, com a sua forma, a sua estrutura e a sua sexualidade, são, apesar de tudo, muito semelhantes aos irracionais, ou uma simples variedade do reino animal
2 - Que a religião primitiva teve princípio na ignorância e no medo
3 - Que os sacerdotes tem feito estiolar as sociedades no meio de amarguras e trevas.
Estes três argumentos anti-cristãos são muito diferentes, mas são todos perfeitamente lógicos e legítimos, e todos eles convergem para o mesmo ponto. Há, apenas, uma única objeção contra eles: é que são todos falsos.
Se deixarmos de olhar para os livros, que se ocupam dos irracionais e dos homens e começarmos a olhar os próprios irracionais e para o próprio homem, havemos de observar que o mais impressionante não é ver quão semelhante é o homem aos brutos, mas sim como eles são dissemelhantes. É a monstruosa escala de sua divergência que precisa de uma explicação. Que o homem e o bruto são semelhantes é, em certo sentido, uma verdade; mas que, sendo tão semelhantes, sejam tão desmedidamente diferentes, essa é que é a grande surpresa e o grande enigma.
O fato de o macaco ter mãos é muito menos interessante para o filósofo do que o fato de ele nada fazer com elas; não toca violino, não joga o "Knucle-bones" (jogo de pedrinhas), não esculpe sobre mármore e não trincha um carneiro. Fala-se por vezes, a respeito de arquitetura bárbara e de arte trivial, mesmo em estilo rococó. Os camelos também não pintam nem sequer más pinturas, embora andem providos com material que dava muitos pincéis. Certos visionários modernos dizem que as formigas e as abelhas tem uma sociedade superior à nossa. Tem, sem dúvida, uma civilização, mas essa civilização serve apenas para nos lembrarmos de que se trata de uma civilização inferior. Quem foi que encontrou já um formigueiro adornado com estátuas de formigas célebres? Quem foi que já viu um cortiço que tivesse esculpidas imagens de antigas e faustosas rainhas?
Não, o abismo entre o homem e as outras criaturas pode ter uma explicação natural, mas é um abismo. Falamos de animais selvagens, mas o homem é o único animal selvagem. Foi o homem que saiu fora de si. Todos os outros animais são animais domesticados que seguem a rude respeitabilidade da tribo ou do tipo. Todos os animais são animais domésticos, apenas o homem se conserva por domesticar, quer seja libertino quer seja um monge.
Assim, esta primeira e superficial razão para o materialismo é, pelo contrário, uma razão para a doutrina oposta; é exatamente onde a biologia acaba que a religião começa.
(Depois veremos os outros dois argumentos)
Fonte: Ortodoxia pag 233-234
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