A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
O uso das criaturas
Adaptação do livro: A Vida Interior - de François de Sales Pollien
Veja os primeiros estudos AQUI
As criaturas
Acabamos de ver as minhas relações com Deus: sua glória,como fim essencial; minha felicidade nEle como fim anexo a este. Se para com Deus devo uma subordinação total, como deve ser minha relação para com as criaturas, por Ele criadas?
Devo saber que a existência que Deus me deu, não a posso conservar por mim mesmo. Vindo do nada, nele recaio por meu próprio peso. Somente Deus tem a vida em si mesmo. Meu corpo e nem minha alma possuem em si próprios os meios de sua subsistência; devem procura-los fora de si e busca-los nas outras criaturas, colocadas ao meu dispor com essa finalidade.
Por criatura e criação, devemos entender tudo aquilo que afora Deus, tem existência e atividade; todas as coisas naturais e sobrenaturais, naquilo que fazem e naquilo que são. Céu e terra, anjos e homens, Igreja e sociedade, graças e sacramentos, animais e plantas, etc, etc. O uso de cada uma destas criaturas deve servir em prol da vida e para a vida. Portanto, a criação sempre servirá de instrumento de vida para mim e para os outros, nenhum contato com eles pode ou deve ter outra finalidade que não seja contribuir para o crescimento da vida. Tudo foi feito para a vida, nada para a morte, que só existe em consequência do pecado. E também eu, criatura entre as criaturas, devo ser instrumento de vida para outros, assim como outros o são para mim.
Modo de utilização
Se as criaturas são apenas instrumentos, devo utiliza-las para o trabalho a que se destinam, nada mais. A faca serve para cortar, os óculos para enxergar, etc. Nenhuma pessoa sensata emprega os instrumentos para uso da qual eles não foram feitos, somente as crianças e os loucos privados de razão, poderão se divertir com instrumentos com uso ridículos ou perigosos.
Para Deus
Toda criação serve em minha vida, portanto, para a glória de Deus, à qual está ligada a minha felicidade. Tudo o que falo, penso, faço, uso, deve necessariamente ser feito para glorificar a Deus e tudo deve ser usado conforme o desígnio do Criador. Deus se serve da criação para isso e me concede aquilo que deseja confiar à minha utilização. Se minha vida estivesse plenamente de acordo com o plano divino, nada a atingiria, e ela mesma nada faria que não produzisse, como no céu, uma nota de concerto sagrado.
Para mim
Além de glorificar a Deus o correto uso das criaturas, Deus quis atrelar a ele, a minha felicidade, por isso, me fez participante de seus bens eternos. Toda criatura proclama, em primeiro lugar: " Glória a Deus!" e em seguida: " Paz ao seu servo!" (Sl 34,27). E assim eu me torno sócia de Deus, tendo parte nos benefícios da imensa obra da criação.
Que digo eu? Tenho parte nos benefícios? Tenho TODOS os benefícios, pois como diz São Francisco de Sales:" a partilha que a bondade divina faz conosco consiste em deixar-nos o fruto de seus benefícios, reservando para si a honra e o louvor"( Tratado do Amor de Deus 1.IV,c.6)
" Ele não necessita que sejamos seus servos, diz Santo Agostinho -, mas nós necessitamos que Ele seja Nosso Senhor, para agir em nós e nos possuir. Por isso também é Ele o único e verdadeiro Senhor e Mestre: porque o servimos sem utilidade para Ele, toda utilidade retorna para nós e contribui para nossa salvação. Se Ele precisasse de nós, já não seria plenamente Senhor, pois estaria preso a uma necessidade que caberia a nós socorrer" ( De doctr.Christ, 1.8.24)
Na terra e no céu
Deus quer que eu cresça neste mundo, que aumente em mim a capacidade de glorifica-Lo na eternidade; e as criaturas tem a função de me proporcionar este crescimento. Ora, cada progresso é para mim uma fonte de gozo; pois o ser se regozija na medida em que se completa. Cada criatura completando meu ser para Deus e segundo Deus, me traz também uma parcela de felicidade, de satisfação e de repouso para meus anseios.
Mas embora as criaturas colaboram com a alegria verdadeira em minha vida, estas alegrias não pertencem a elas, e sim a Deus e ao meu crescimento nEle, e são somente parciais, porque meu crescimento divino se faz em partes.
Um dia virá, porém, a grande alegria, a felicidade eterna para a qual me prepara o trabalho que esses instrumentos de Deus realizam em mim. As criaturas me trazem ,portanto, um pouco da verdadeira felicidade neste mundo, enquanto me preparam o gozo infinito da salvação eterna.
Oh! bondade de Deus, quem me dera conhecer-Vos! Oh! Amor, quem me dera amar-Vos!
Depois veremos: As satisfações criadas.
Fonte: A vida interior - de François Sales Pollien
terça-feira, 29 de maio de 2012
Homens e animais: suas diferenças segundo a moral católica
Autor: Everton do N. Siqueira
Introdução:
"Muito sem tem falado atualmente, na mídia ou mesmo nas redes sociais, da dignidade animal, levando em conta alguns casos isolados de "animais heróicos" que ajudaram a salvar vítimas de desastres, comparando-os a casos isolados de seres humanos crueis como assassinos, ladrões ou estupradores. Baseando-se nesse tipo de comparação, muitos vêem os animais como "semelhantes" aos homens.
Além do absurdo de dizer que homens e animais são igualmente queridos por Deus e são igualmente dignos das graças e méritos da salvação de Jesus Cristo, alguns extrapolam e dizem que os animais são até mesmo mais importantes que os homens, já que nós somos os únicos capazes de matar, ferir, humilhar ou cometer outros tipos de danos a nossos semelhantes ou a outros seres..
Neste artigo, pautando-se no ensino da Sagrada Tradição, do Sagrado Magistério e das Sagradas Escrituras, quero explicar o que a Igreja Católica ensina sobre o assunto, colocando cada um (homem e animal) em seu devido lugar, bem como desfazer os principais equívocos que rondam a nossa sociedade quando o assunto é esse.
Homens e animais - Igual dignidade?
Logo no início das Sagradas Escrituras, no Livro do Gênesis, está escrito que no sexto dia da criação Deus criou os animais e depois criou o HOMEM a sua imagem e semelhança, para reinar e dominar sobre os peixes, as aves, os animais domésticos e sobre TODA A TERRA. (Conf Gen 1,26-28)
Evidente que com isso, Deus não quis dizer que os animais são ruins ou merecem ser maltratados, pois Deus viu que "tudo era bom" (Gn 1,31). As Sagradas Escrituras apenas atestam que o homem é superior a qualquer forma animal ou vegetal, e deve reinar e governar sobre elas.
Em outras palavras, ainda que hajam seres humanos cometendo atos cruéis e até inimagináveis, ainda somos superiores às demais espécies existentes no planeta e é nosso dever utilizar delas conscientemente, já que foram feitos por Deus para nos servir.
Animais tem alma? Posso rezar pelos animais falecidos?
Os animais tem alma, mas a alma animal é uma alma mortal e perecível, ou seja, quando um animal morre, sua alma também morre, eles não serão julgados e portanto não vão ao céu ou ao inferno. Rezar por um animal falecido é errado, uma vez que não há animais no céu, no inferno ou no purgatório.
Maltratar animais é pecado?
O Catecismo da Igreja Católica afirma que "é contrário à dignidade humana fazer os animais sofrerem inutilmente e desperdiçar suas vidas."(CIC 2418), portanto, só se torna pecado maltratar um animal INUTILMENTE.
Entende-se como um "maltrato útil" aquele em que coloca-se um fim bom para justificar o mau trato, como por exemplo, a doma, quando se priva o animal de alimentos por algum período de tempo para que esse se torne mais obediente ou mais apto a realizar as funções que lhe forem impostas ou mesmo quando se prende o cachorro com uma corrente para que ele a force, tornando-se assim mais feroz e eficiente na sua função como cão de guarda. Esses são apenas exemplos, o mais importante é saber que, NEM TODO MAU TRATO AOS ANIMAIS É PECADO, somente os maus tratos inúteis (sem um objetivo bom).
Animais pecam?
Não, animais não pecam, apenas vivem seus instintos. Ainda que alguns estudiosos da ciência tentem explicar a inteligência animal, essa inteligência que alguns animais possuem não os fazem capaz de reconhecer a Deus como Senhor e Criador. Mesmo que a ciência prove algo ainda não descoberto sobre "inteligência animal", essa inteligência nunca será capaz de discernir o certo e o errado como nós seres humanos podemos fazer.
Se um animal mata o outro, ou faz "sexo ao ar livre" não comete pecado algum; seria tolice e absurdo achar que um cachorro peca contra a castidade quando começa a cruzar com uma cadela no meio da rua. Na mesma proporção, animais que fazem "atos heróicos", como salvar seus donos de um prédio em chamas, não recebem nenhum mérito de Deus por suas ações. Sua única finalidade neste mundo é servir ao homem e seguir seus instintos.
Até que ponto posso amar e cuidar bem dos animais?
O Catecismo da Igreja Católica ensina que TODOS OS HOMENS devem carinho aos animais, pois sua simples existência bendiz e dá glória a Deus (CIC 2416), também diz que "pode-se amar os animais, porém não se deve orientar para eles o afeto devido exclusivamente às pessoas." (CIC 2418)
Como se vê, a Igreja não estabelece um limite de "pode e não pode" no que tange à dedicação e amor aos animais,, a Igreja ensina apenas que o amor e a dedicação aos homens deve ser sempre maior, justamente porque todo homem (por pior que ele seja) é imagem e semelhança de Deus e merece nossa atenção no sentido de uma busca incessante pela salvação eterna, enquanto os animais estão neste mundo unicamente para nos servir.
Seria ilícito, e portanto pecado grave, por exemplo, comprar artigos de luxo para animais de estimação e deixar os filhos vivendo em condição miserável, ou deixar de ter mais filhos para dedicar mais tempo a cuidar dos animais de estimação.
Católico pode ser vegetariano?
Depende do motivo que leva a pessoa a optar pela abstinência completa de carnes.
Existem aquelas pessoas que optam por esse tipo de alimentação por achar que o consumo de carne faz mal à saúde, e que exclui-la completamente de seu cardápio trará benefícios à saúde. Neste caso, não há o menor problema, pois a Igreja jamais determina que tipo de alimentos devemos comer em nosso dia a dia.
Por outro lado, existem pessoas que excluem a carne do cardápio por achar que é crueldade matar os animais, ou que, por serem iguais aos homens, não podem ser usados para nossa alimentação. Óbvio que esse tipo de pensamento não é compatível à doutrina cristã, como já expliquei acima. O Catecismo também é claro ao afirmar que é lícito servir-se dos animais como alimentos, pensar ou afirmar o contrário é heresia.
E rodeios e touradas, são lícitos?
Antes de explicar convém relembrar um velho jargão: "o abuso não tolhe o uso".
O explicado abaixo serve para qualquer outro tipo de esportes, festas, atividades ou tradições em que sejam utilizados os animais.
Se em alguns lugares os rodeios acabam por maltratar animais ou fazê-los morrer de forma cruel, isso não tira a licitude de um evento que, DENTRO DOS LIMITES, o sofrimento do animal não seja inútil.
Em outras palavras, o animal, como inferior ao ser humano, PODE SER USADO para nossa diversão. Podemos comparar a tourada ou o rodeio, por exemplo, a um macaquinho que faz graças no zoológico em troca de bananas, a única diferença é que em "alguns rodeios ocorrem abusos", há pessoas que matam ou torturam o animal como finalidade, não como meio e são esses abusos que devem ser combatidos e não o rodeio e as touradas em si.
Alguns argumentam que os animais passam fome ou ficam amarrados, porém, esse tipo de ação é lícita se tem como fim torná-los mais obedientes ou aptos para realizar suas funções. Se existem alguns lugares onde os peões mutilam, machucam de forma injusta, matam ou torturam excessivamente os animais, esses abusos é que são ilícitos, mas isso não tira a licitude de um rodeio com limites e onde os "maus tratos" são feitos moderadamente e com as finalidades devidas.
Para saber se o rodeio é ou não lícito, deve-se analisar EM PRIMEIRA INSTÂNCIA o perigo causado às pessoas, tanto de quem participa como de quem assiste e não o perigo ou dano ao animal. Depois, obviamente, pode-se também analisar se o sofrimento animal é tido como fim ou meio, ou se foram excessivos, mas em primeiro lugar está os seres humanos envolvidos no evento.
Se alguns se chocam com algumas cenas ou espantam-se pelas palavras acima escritas é porque ainda há um pensamento politicamente correto de defesa animal de que homens e animais possuem iguais dignidade e nem se dão conta.
Para concluir convém lembrar: quem tem o coração sensível e não aguenta ver o touro ou o cavalo sofrer , não precisa ir. Simples!"
(grifos meus)
Fonte: AQUI
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Santíssimo Sacramento
Por Padre Leo Trese
18,15
"Os meus paroquianos especialmente os que vivem a 12 ou 15 km da Paróquia, ficariam surpeendidos, sem dúvida se soubesse como me é difícil fazer todos os dias uma visita ao Santíssimo Sacramento. Tão dificil que, as vezes, a minha ação de graças depois da Missa é a última visita até a meditação do dia seguinte.
E pensar que moro na casa ao lado! A dificuldade é, pois, puramente subjetiva.
Nunca tinha percebido a incongruência da minha atitude até a ultima vez que preguei as Quarenta Horas. Precisamente quando conclamava os presentes, em voz altissonante e pomposa, a visitarem mais amiúde o Senhor no Sacrário - exatamente quando lamentava a frieza dos corações humanos e a pena que isso causa -, uma vozinha incomoda se fez ouvir no meu interior: "Escuta, amigo, se os teus remédios são tão bons, por que não os experimentas tu mesmo?" Foi então que senti em mim a urgência de tomar uma decisão a qualquer preço.
Antecipando as Vésperas e o jantar, disponho agora de quinze minutos livres até o próximo compromisso das seis e meia. Por isso aqui me encontro na igreja, feliz por ter conseguido renunciar heroicamente à leitura do jornal da tarde. Feliz sobretudo porque posso consultar o Senhor sobre a depressão nervosa que se apoderou de mim no fim do dia. Algo que não consigo definir, embora possa explicar algumas causas.
A coisa começou às cinco da tarde, quando a Madre Superiora me telefonou a dizer que os Karnicks iam tirar a filha da nossa escola porque tínhamos admitido uma menina negra na 7ª série. Mais uma visita desagradavel que terei de fazer aos Karnicks, sem muita esperança de êxito; bem sei como eles são teimosos. E estarei preocupado porque os meninos passarão a frequentar a escola laica, porque os pais estarão ressentidos e porque eu mesmo me sinto incapaz de tornar neles a caridade de Cristo mais viva do que os seus preconceitos.
Depois, precisamente quando já o jantar estava servido, veio a sra. Knowles, lavada em lágrimas, com uma carta anônima cheia de veneno e malícia que tinha recebido pela manhã. Sem dúvida, escrita por alguma das vizinhas. O pior era que, à parte o tom mordaz, quase tudo o que dizia era verdade. Mandei-a para casa já um pouco reconfortada, mas preocupou-me que alguém do meu rebanho pudesse escrever umas linhas tão maldosas.
Sim, tudo isso, unido ao natural cansaço após um dia de trabalho, pode ter sido a causa da minha depressão. Aliás, não é uma coisa nova. Já me invadiu outras vezes e por outras causas.
Sinto-me afundado e pergunto-me a mim mesmo se vale a pena lutar, se não teria sido melhor ser um homem casado, com uma profissão simples e sem maiores responsabilidades, como por exemplo a de bombeiro. Claro que nem sempre a coisa chega a ser tão sombria. Em geral, começo por desejar ardentemente o claustro e o mosteiro, descobrindo em mim uma inesperada vocação para a vida religiosa, com alguém mais para suportar a carga e as preocupações, enquanto todas as minhas obrigações se resumiram em atender quem tocasse a campainha.
Como é lógico, nos meus momentos mais lúcidos, reconheço que se trata de estúpidos sonhos da minha fantasia. Sei perfeitamente que não existe claustro onde possa refugiar-me nem buraco para onde possa deslizar - sem que tenha que levar-me a mim mesmo comigo. O bom senso diz-me que nas celas monásticas há provavelmente tantos momentos de depressão como nas salas paroquiais.
É uma mensagem como esta que recebo enquanto me ajoelho sossegadamente junto do Sacrário, sem nada dizer, deixando-me penetrar unicamente pela verdade de que Cristo está aqui, diante de mim, em pessoa. Sim, Cristo está aqui realmente, ainda que às vezes o esqueça por ser uma verdade tão familiar. Não estou vendo apenas um objeto sagrado, uma caixa de bronze para proteger um sacramento, nem apenas uma presença augusta e impessoal, para quem eu sou um grãozinho de pó insignificante e inútil.
Cristo está aqui!
Experimento-o agora. Não será por muito tempo, bem o sei. Mas, neste instante, Ele é para mim tão real como deve ter sido para Lázaro quando saiu atemorizado do túmulo. Os olhos começam a doer-me e sinto-me como que avançando sobre os joelhos até apoiar a minha cabeça sobre o altar. Sei que nunca estive tão perto dEle como agora. E a minha neurastenia esvai-se como o pus de um abcesso lancetado. O bálsamo do amor de Cristo atravessou a dura crosta do meu amor-próprio e da minha auto-comiseração.
As respostas sempre estiveram aqui, mas só agora é que as pude ler. "O que quer dizer ? Vale a pena do ponto de vista de um cego como tu, ou vale a pena do meu ponto de vista, meu filho? Vale a pena pela eternidade, vale a pena por Mim! Dizes que não vale a pena? Cada um dos teus insucessos é parte do meu plano; cada beco sem saída, cada viela escura em que te metes é caminho para Mim. Semeia, meu filho, e deixa que Eu recolha os frutos a meu modo. E não esqueças isto, Leo, meu discípulo: apesar de seres tão fraco e inútil, tão frouxo e insensível às minhas inspirações. Eu derramei mais graças sobre ti do que sobre Judas. Apesar de tudo, Eu te amo, meu filho, e tu não te separarás de Mim nem Eu de ti enquanto te mantiveres fiel e o meu amor se refletir no teu rosto."
Não me parece muito biblico tudo isto, mas foi o que experimentei. Seja como for, o momento passou. Amanhã, provavelmente, a visita ao Santíssimo será mais prosaica. E depois de amanhã também. E assim por diante. Mas algum dia voltarão a repertir-se momentos como este. Terei de continuar a vir todos os dias, para ter a certeza de estar aqui quando isso acontecer.
Fonte Vaso de Argila
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domingo, 27 de maio de 2012
Pentecostes
Espírito de Deus, enviai dos céus, um raio de luz!
Vinde, Pai dos pobres, dai aos corações vossos sete dons.
Consolo que acalma, hóspede da alma, doce alívio, vinde!
No labor descanso, na aflição remanso, no calor aragem.
Enchei, luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós!
Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele.
Ao sujo lavai, ao seco regai, curai o doente.
Dobrai o que é duro, guiai no escuro, o frio aquecei.
Dai à vossa Igreja, que espera e deseja, vossos sete dons.
Dai em prêmio ao forte, uma santa morte, alegria eterna.
Amém.
sábado, 26 de maio de 2012
Mitos liturgicos
Autor: Francisco DockhornRevisão teológica: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen-RS
Retirado do site: Reino da Virgem
Publicação original: 11 de Fevereiro de 2009, 151º aniversário das aparições da Santíssima Virgem em Lourdes
Mito 8: "A Missa é para os fiéis"
A Santa Missa, essencialmente, é para Deus e não para os fiéis, pois ela é a Renovação do Santo Sacrifício de Nosso Senhor, oferecido a Deus Pai pelas mãos do sacerdote.
Por isso, o saudoso Papa João Paulo II lamenta na sua Encíclica Ecclesia de Eucharistia (n. 10): "As vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrifical, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesma. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que se fundamenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio. (...) Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um Dom demasiadamente grande para suportar ambigüidades e reduções."
Embora, como foi dito, os fiéis que participam da Santa Missa se beneficiam. Pois na Missa, Nosso Senhor "se sacrifica sem derramamento de sangue, e nos aplica os frutos da sua Paixão e Morte." (Catecismo de São Pio X, n. 254)
Adendo meu: Por que muitos não entendem que a Missa é para Deus? porque ignoram seu valor sacrifical. Ali se atualiza o sacrifício do calvário, onde Cristo mesmo merece e satisfaz por nós em sua Paixão. E todo sacrifício, sobretudo o perfeito efetuado por Cristo, só a Deus pode ser oferecido. Se a ação é divina e portanto, santa, nós os convidados só podemos prestar reverência, amor e zelo, por ato tão solene e santo. Em consequência, podemos nos alimentar do Pão dos anjos, do próprio Deus que se faz comida para nos alimentar.
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sexta-feira, 25 de maio de 2012
Beleza e Liturgia
Infelizmente vivemos hoje um espírito funcionalista que é incapaz de apreciar o valor das coisas belas que não tenham um reflexo imediato no campo da utilidade. Tudo hoje é perecível, tudo hoje é efêmero. Quantas vezes ouvimos pessoas, mesmo católicas, reclamarem da beleza dos vasos sagrados, dos paramentos Papais, da "riqueza da Igreja", do canto gregoriano, do latim na santa Liturgia, como se fossem coisas supérfluas, ou como se a Igreja fosse resolver todos os problemas do mundo se não os utilizassem.
Ao contrário do que muitos pensam, por terem uma visão distorcida de que a Igreja reflete Deus e sua Glória -, a beleza nos eleva, a beleza traz alegria ao coração dos homens e leva ao mundo Deus para curar e salvar este mesmo homem. Nos diz João Paulo II: "O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. A beleza é chave do mistério e apelo ao transcendente. É convite a saborear a vida e a sonhar o futuro. Por isso, a beleza das coisas criadas não pode saciar, e suscita aquela arcana saudade de Deus que um enamorado do belo, como S. Agostinho, soube interpretar com expressões incomparáveis: « Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! »(João Paulo II Mensagem do Concílio aos artistas (8 de Dezembro de 1965): AAS 58 (1966), 13 Cf. n. 122.)
E ela serve, sobretudo quando é gratuita, quando não busca utilidade alguma, mas somente a irradiação de Deus. Quem não sabe apreciar o valor gratuito (ou seja, da graça) da beleza, em especial da beleza litúrgica, dificilmente conseguirá realizar um ato adequado de culto divino. Nos diz Von Balthasar: "Quem, ao ouvir falar dela, sorri, julgando-a como um resíduo exótico de um passado burguês, desse se pode ter certeza de que - secreta ou abertamente - já não é capaz de rezar e, depois, tampouco o será de amar" (Glória, p. 11).
No presente, é urgente redescobrir o valor do decoro e da majestade do culto divino. Bento XVI em seus pronunciamentos e sobretudo em suas perfeitas e dignas celebrações, tem nos chamado a entender onde estamos e o que fazemos quando participamos da santa Liturgia. No rito está manifestada a beleza da ação de Deus que santifica o homem, onde O adoramos em todo seu esplendor. A beleza do rito nos chama a viver os dignos mistérios de forma a compreender que apesar de ação divina, fazemos parte dela com todo nosso ser. Ali está presente Deus e o homem. Deus que é adorado e o homem que é beneficiado pela sua graça santificadora. Portanto, a santa liturgia, antes de ser do homem é um ato de próprio Deus e a Ele deve servir. Não cabe aqui satisfazer o gosto de cada um, onde o sentimento supera a espiritualidade e onde se esvazia o Mistério.
Bento XVI nos diz: "A sagrada liturgia da Igreja atrairá o homem da nossa época não vestindo cada vez mais as vestimentas da cotidianidade anônima e cinza, a que já está muito acostumado, mas vestindo o manto real da verdadeira beleza, vestidura sempre nova e jovem, que a faz ser percebida como uma janela aberta ao céu, como ponto de contato com o Deus Uno e Trino, a cuja adoração está ordenada, através da mediação de Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote"
"A verdadeira beleza é o amor de Deus que nos foi revelado definitivamente no mistério pascal. A beleza da liturgia pertence a este mistério; é expressão excelsa da glória de Deus e, de certa forma, constitui o céu que desce à terra (...) Concluindo, a beleza não é um factor decorativo da acção litúrgica, mas seu elemento constitutivo, enquanto atributo do próprio Deus e da sua revelação. Tudo isto nos há-de tornar conscientes da atenção que se deve prestar à acção litúrgica, a fim de que brilhe segundo a sua própria natureza» (Bento XVI Sacramentum Caritatis, n. 35)
A Igreja vive do Mistério Pascal, onde Cristo se entrega por amor a nós e tudo que vivemos em termos litúrgicos, vivemos e atualizamos a ação de Cristo e seu mandato de fazer tudo o que Ele nos ensinou. Portanto, a Celebração Eucarística implica Tradição viva e implica reverência e obediência. Cristo é seu centro e seu fundamento. Para que os fieis participem ativamente e com toda reverência, da celebração dos santos mistérios, estes devem ser celebrados corretamente segundo as normas litúrgicas na sua integridade, porque, como ainda nos diz sua santidade Bento XVI:
" é este modo de celebrar que, há dois mil anos, garante a vida de fé de todos os crentes, chamados a viver a celebração enquanto povo de Deus, sacerdócio real, nação santa. Com efeito, a liturgia, por sua natureza, possui uma tal variedade de níveis de comunicação que lhe permitem cativar o ser humano na sua totalidade. A simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e cativam mais do que o artificialismo de adições inoportunas. A atenção e a obediência à estrutura própria do rito, ao mesmo tempo que exprimem a consciência do carácter de dom da Eucaristia, manifestam a vontade que o ministro tem de acolher, com dócil gratidão, esse dom inefável. (1 Pd 2, 4-5.9).(115)
"A predisposição interior de cada sacerdote, de cada pessoa consagrada deve ser a de "nada antepor ao Ofício divino". A beleza desta predisposição interior expressar-se-á na beleza da liturgia, a ponto que onde juntos cantamos, louvamos, exaltamos e adoramos Deus, torna-se presente na terra um pouco de céu. Deveras não é exagerado dizer que numa liturgia totalmente centrada em Deus, nos ritos e nos cânticos, se vê uma imagem da eternidade. De outra forma, como teriam podido os nossos antepassados há centenas de anos construir um edifício sagrado tão solene como este? Já a arquitectura só por si atrai para o alto os nossos sentidos para "aquelas coisas que nenhum olho viu, nenhum ouvido ouviu, nem jamais passou pelo pensamento do homem, o que Deus preparou para aqueles que O amam" (cf. 1 Cor 2, 9). Em cada forma de empenho pela liturgia o critério determinante deve ser sempre o olhar dirigido para Deus. Nós estamos diante de Deus Ele fala-nos e nós falamos com Ele. Quando, nas reflexões sobre a liturgia, nos perguntamos como torná-la atraente, interessante e bela, o jogo já está feito. Ou ela é opus Dei com Deus como sujeito específico ou não o é. Neste contexto peço-vos: realizai a sagrada liturgia tendo o olhar em Deus na comunhão dos Santos, da Igreja vivente de todos os lugares e de todos os tempos, para que se torne expressão da beleza e da sublimidade do Deus amigo dos homens" (Bento XVI aos monges reunidos na abadia de Heiligenkreuz - Austria)
" As nossas liturgias da terra, inteiramente dedicadas a celebrar este acto único da história, não conseguirão nunca expressar totalmente a sua densidade infinita. Sem dúvida, a beleza dos ritos nunca será bastante procurada, nem suficientemente cuidada nem assaz elaborada, porque nada é demasiado belo para Deus, que é a Beleza infinita. As nossas liturgias terrestres não poderão ser senão um pálido reflexo da liturgia que se celebra na Jerusalém do céu, ponto de chegada da nossa peregrinação na terra. Possam, porém, as nossas celebrações aproximar-se o mais possível dela, permitindo-nos antegozá-la!(Bento XVI Catedral de Notre-Dame, Paris)
Portanto, diante disso, como haveremos de nos portar quando formos á casa do Senhor e participar de seu Santo Sacrifício?
Ao contrário do que muitos pensam, por terem uma visão distorcida de que a Igreja reflete Deus e sua Glória -, a beleza nos eleva, a beleza traz alegria ao coração dos homens e leva ao mundo Deus para curar e salvar este mesmo homem. Nos diz João Paulo II: "O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. A beleza é chave do mistério e apelo ao transcendente. É convite a saborear a vida e a sonhar o futuro. Por isso, a beleza das coisas criadas não pode saciar, e suscita aquela arcana saudade de Deus que um enamorado do belo, como S. Agostinho, soube interpretar com expressões incomparáveis: « Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! »(João Paulo II Mensagem do Concílio aos artistas (8 de Dezembro de 1965): AAS 58 (1966), 13 Cf. n. 122.)
E ela serve, sobretudo quando é gratuita, quando não busca utilidade alguma, mas somente a irradiação de Deus. Quem não sabe apreciar o valor gratuito (ou seja, da graça) da beleza, em especial da beleza litúrgica, dificilmente conseguirá realizar um ato adequado de culto divino. Nos diz Von Balthasar: "Quem, ao ouvir falar dela, sorri, julgando-a como um resíduo exótico de um passado burguês, desse se pode ter certeza de que - secreta ou abertamente - já não é capaz de rezar e, depois, tampouco o será de amar" (Glória, p. 11).
No presente, é urgente redescobrir o valor do decoro e da majestade do culto divino. Bento XVI em seus pronunciamentos e sobretudo em suas perfeitas e dignas celebrações, tem nos chamado a entender onde estamos e o que fazemos quando participamos da santa Liturgia. No rito está manifestada a beleza da ação de Deus que santifica o homem, onde O adoramos em todo seu esplendor. A beleza do rito nos chama a viver os dignos mistérios de forma a compreender que apesar de ação divina, fazemos parte dela com todo nosso ser. Ali está presente Deus e o homem. Deus que é adorado e o homem que é beneficiado pela sua graça santificadora. Portanto, a santa liturgia, antes de ser do homem é um ato de próprio Deus e a Ele deve servir. Não cabe aqui satisfazer o gosto de cada um, onde o sentimento supera a espiritualidade e onde se esvazia o Mistério.
Bento XVI nos diz: "A sagrada liturgia da Igreja atrairá o homem da nossa época não vestindo cada vez mais as vestimentas da cotidianidade anônima e cinza, a que já está muito acostumado, mas vestindo o manto real da verdadeira beleza, vestidura sempre nova e jovem, que a faz ser percebida como uma janela aberta ao céu, como ponto de contato com o Deus Uno e Trino, a cuja adoração está ordenada, através da mediação de Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote"
"A verdadeira beleza é o amor de Deus que nos foi revelado definitivamente no mistério pascal. A beleza da liturgia pertence a este mistério; é expressão excelsa da glória de Deus e, de certa forma, constitui o céu que desce à terra (...) Concluindo, a beleza não é um factor decorativo da acção litúrgica, mas seu elemento constitutivo, enquanto atributo do próprio Deus e da sua revelação. Tudo isto nos há-de tornar conscientes da atenção que se deve prestar à acção litúrgica, a fim de que brilhe segundo a sua própria natureza» (Bento XVI Sacramentum Caritatis, n. 35)
A Igreja vive do Mistério Pascal, onde Cristo se entrega por amor a nós e tudo que vivemos em termos litúrgicos, vivemos e atualizamos a ação de Cristo e seu mandato de fazer tudo o que Ele nos ensinou. Portanto, a Celebração Eucarística implica Tradição viva e implica reverência e obediência. Cristo é seu centro e seu fundamento. Para que os fieis participem ativamente e com toda reverência, da celebração dos santos mistérios, estes devem ser celebrados corretamente segundo as normas litúrgicas na sua integridade, porque, como ainda nos diz sua santidade Bento XVI:
" é este modo de celebrar que, há dois mil anos, garante a vida de fé de todos os crentes, chamados a viver a celebração enquanto povo de Deus, sacerdócio real, nação santa. Com efeito, a liturgia, por sua natureza, possui uma tal variedade de níveis de comunicação que lhe permitem cativar o ser humano na sua totalidade. A simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e cativam mais do que o artificialismo de adições inoportunas. A atenção e a obediência à estrutura própria do rito, ao mesmo tempo que exprimem a consciência do carácter de dom da Eucaristia, manifestam a vontade que o ministro tem de acolher, com dócil gratidão, esse dom inefável. (1 Pd 2, 4-5.9).(115)
"A predisposição interior de cada sacerdote, de cada pessoa consagrada deve ser a de "nada antepor ao Ofício divino". A beleza desta predisposição interior expressar-se-á na beleza da liturgia, a ponto que onde juntos cantamos, louvamos, exaltamos e adoramos Deus, torna-se presente na terra um pouco de céu. Deveras não é exagerado dizer que numa liturgia totalmente centrada em Deus, nos ritos e nos cânticos, se vê uma imagem da eternidade. De outra forma, como teriam podido os nossos antepassados há centenas de anos construir um edifício sagrado tão solene como este? Já a arquitectura só por si atrai para o alto os nossos sentidos para "aquelas coisas que nenhum olho viu, nenhum ouvido ouviu, nem jamais passou pelo pensamento do homem, o que Deus preparou para aqueles que O amam" (cf. 1 Cor 2, 9). Em cada forma de empenho pela liturgia o critério determinante deve ser sempre o olhar dirigido para Deus. Nós estamos diante de Deus Ele fala-nos e nós falamos com Ele. Quando, nas reflexões sobre a liturgia, nos perguntamos como torná-la atraente, interessante e bela, o jogo já está feito. Ou ela é opus Dei com Deus como sujeito específico ou não o é. Neste contexto peço-vos: realizai a sagrada liturgia tendo o olhar em Deus na comunhão dos Santos, da Igreja vivente de todos os lugares e de todos os tempos, para que se torne expressão da beleza e da sublimidade do Deus amigo dos homens" (Bento XVI aos monges reunidos na abadia de Heiligenkreuz - Austria)
" As nossas liturgias da terra, inteiramente dedicadas a celebrar este acto único da história, não conseguirão nunca expressar totalmente a sua densidade infinita. Sem dúvida, a beleza dos ritos nunca será bastante procurada, nem suficientemente cuidada nem assaz elaborada, porque nada é demasiado belo para Deus, que é a Beleza infinita. As nossas liturgias terrestres não poderão ser senão um pálido reflexo da liturgia que se celebra na Jerusalém do céu, ponto de chegada da nossa peregrinação na terra. Possam, porém, as nossas celebrações aproximar-se o mais possível dela, permitindo-nos antegozá-la!(Bento XVI Catedral de Notre-Dame, Paris)
Portanto, diante disso, como haveremos de nos portar quando formos á casa do Senhor e participar de seu Santo Sacrifício?
quarta-feira, 23 de maio de 2012
E nós nos gloriamos da Cruz
Por Gustavo Corção
"Hoje já é possível ser católico sem encontrar nas portas de engraxates os poemas que zombam e os tratados que provam; de todo um volumoso lixo dum século racionalista sobrou apenas a poeira leve dum ateísmo crônico que funciona nos cursos oficiais.
Depois de Newman, de Maritain, de Karl Adam, o Catolicismo oferece nos mercados do pensamento alguns títulos de vitória intelectual, e agora, quando ouvimos falar de evolucionismo ou positivismo, somos nós que sorrimos e temos material para fácil escárnio.
Realmente, depois do século do vapor e da eletricidade, podemos tirar nossa esperada desforra e arvorar nossa glória intelectual com nomes prestigiosos de autores que todo o mundo respeita. É a nossa vez. Temos Maritain, Chesterton, Newman, Adam. Contam de Bergson que se converteu pouco antes de morrer. Temos o imenso Bloy, Péguy, Bernanos; temos Guardini, Dom Vonier, Dom Marmion....
O convertido encontra um caminho largo e fácil, tendo razão contra a tolice elementar das academias; em cada esquina aumenta seu triunfo porque em cada passo encontra mais um nome de autor respeitado ou grande convertido.
E lá vai ele, o novo cristão, contente, tendo razão, contente em ter razão, sem ouvir os antigos sarcasmos e até recebendo de vez em quando os cumprimentos respeitosos dos senhores bem vestidos que ficam conversando nas portas sobre mulheres ou gasogênio. Lá vai ele, o novo cristão, com sua coroa imaginária, com sua euforia de sujeito que acertou, tendo razão num mundo em que os próprios ministros de nações poderosas já falam em civilização cristã.
O caminho parece fácil e largo; mais adiante um pouco, ali mesmo naquela volta do caminho, naquele ângulo do calendário, marcado por um solstício e por um plenilúnio, dir-se-ia que ele encontrará um monumento enguirlandado, um arco triunfal, um obelisco: mas de repente ele encontra a Cruz.
Esse momento é decisivo e essa prova é sempre dura; a glória da Cruz, vista pela fé, é uma prova que o homem novo tem de carregar todos os dias, entrando em luta com o homem velho que se tinha instalado no mundo com suas convicções, seus tiques intelectuais e sobretudo seu critério de vitória. Justamente quando lhe parecia estar próximo um novo triunfo, um acréscimo de prestígio, um formidável sucesso, ele esbarra na Cruz.
O homem novo sobressalta-se e esperneia sob o aguilhão; apalpa-se, busca apoio no seu próprio discernimento que até ali o servia como bússula fiel para indicar com nitidez os caminhos da credibilidade e que agora perece ter enlouquecido sob a ação de estranho magnetismo. Ele mesmo pedira a fé. Pusera de joelhos seu corpo, sua alma, suas convicções, sua inteligência, pusera tudo de joelhos; submetera a razão à prova última do reconhecimento e do amor; escolhera, decidira casar-se em vez de ficar a vida inteira excogitando; optara; pedira a Deus com amoroso temor a nova aliança de noivado....E agora, ao levantar-se, sente nos ombros o peso duma Cruz"
Veja: Padre Antonio
Fonte: A descoberta do Outro.
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Gustavo Corção
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