segunda-feira, 11 de junho de 2012

Chesterton



"Houve um dia em que o céu desceu sobre a Terra com um poder ou um sinete denominado a imagem de Deus, em virtude do qual o homem tomou comando da Natureza; e outra vez de novo (quando os homens, império após império, se encontravam perdidos) o próprio céu veio salvar a humanidade sob a forma assombrosa de um Homem.

Isto explicaria a razão por que a grande massa de homens sempre olhou para trás, e explica ainda a razão porque o único canto onde eles, em certo sentido, olham para a frente é o pequeno continente onde Cristo tem a Sua Igreja"

domingo, 10 de junho de 2012

O pecado contra o Espírito Santo



Por João Paulo II

 "Tendo em conta tudo o que temos vindo a dizer até agora, tornam-se mais compreensíveis algumas outras palavras impressionantes e surpreendentes de Jesus. Poderemos designá-las como as palavras do «não-perdão». São-nos referidas pelos Sinópticos, a propósito de um pecado particular, que é chamado «blasfêmia contra o Espírito Santo». Elas foram expressas na tríplice redacção dos Evangelistas do seguinte modo:

São Mateus: «Todo o pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. E àquele que falar contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, a quem falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no futuro».

São Marcos: «Aos filhos dos homens serão perdoados todos os pecados e todas as blasfêmias que proferirem; todavia, quem blasfemar contra o Espírito Santo, jamais terá perdão, mas será réu de pecado eterno».

São Lucas: «E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem, perdoar-se-á; mas a quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado».

Porquê a «blasfêmia» contra o Espírito Santo é imperdoável? Em que sentido entender esta «blasfemia»? Santo Tomás de Aquino responde que se trata da um pecado «imperdoável por sua própria natureza, porque exclui aqueles elementos graças aos quais é concedida a remissão dos pecados».

Segundo uma tal exegese, a «blasfêmia» não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da Cruz. Se o homem rejeita o deixar-se «convencer quanto ao pecado», que provém do Espírito Santo e tem carácter salvífico, ele rejeita contemporaneamente a «vinda» do Consolador: aquela «vinda» que se efectuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do Sangue de Cristo: o Sangue que «purifica a consciência das obras mortas».

Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfêmia contra o Espírito Santo» consiste exactamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência.

Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se.

 Isto equivale a uma recusa radical de ir até às fontes da Redenção; estas, porém, permanecem «sempre» abertas na economia da salvação, na qual se realiza a missão do Espírito Santo. Este tem o poder infinito de haurir destas fontes: «receberá do que é meu», disse Jesus. Deste modo, Ele completa nas almas humanas a obra da Redenção, operada por Cristo, distribuindo os seus frutos. Ora a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal — em qualquer pecado — e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfêmia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e abrir-se às fontes divinas da purificação das consciências e da remissão dos pecados.

A acção do Espírito da verdade, que tende ao salvífico «convencer quanto ao pecado», encontra no homem que esteja em tal situação uma resistência interior, uma espécie de impermeabilidade da consciência. um estado de alma que se diria endurecido em razão de uma escolha livre: é aquilo que a Sagrada Escritura repetidamente designa como «dureza de coração».

Na nossa época, a esta atitude da mente e do coração corresponde talvez a perda do sentido do pecado, à qual dedica muitas páginas a Exortação Apostólica Reconciliatio et Paenitentia.  Já o Papa Pio XII tinha afirmado que «o pecado do século é a perda do sentido do pecado».  E esta perda vai de par com a «perda do sentido de Deus». Na Exortação acima citada, lemos: «Na realidade, Deus é a origem e o fim supremo do homem, e este leva consigo um gérmen divino. Por isso, é a realidade de Deus que desvenda e ilumina o mistério do homem. É inútil, pois, esperar que ganhe consistência um sentido do pecado no que respeita ao homem e aos valores humanos, quando falta o sentido da ofensa cometida contra Deus, isto é, o verdadeiro sentido do pecado».

É por isso que a Igreja não cessa de implorar de Deus a graça de que não venha a faltar nunca a rectidão nas consciências humanas, que não se embote a sua sensibilidade sã diante do bem e do mal. Esta rectidão e esta sensibilidade estão profundamente ligadas à acção íntima do Espírito da verdade. Sob esta luz, adquirem particular eloquência as exortações do Apóstolo: «Não extingais o Espírito!». «Não contristeis o Espírito Santo!».  Mas sobretudo, a Igreja não cessa de implorar, com todo o fervor, que não aumente no mundo o pecado designado no Evangelho por «blasfêmia contra o Espírito Santo»; e, mais ainda, que ele se desvie da alma dos homens — e como repercussão, dos próprios meios e das diversas expressões da sociedade — deixando espaço para a abertura das consciências, necessária para a acção salvífica do Espírito Santo. A Igreja implora que o perigoso pecado contra o Espírito Santo ceda o lugar a uma santa disponibilidade para aceitar a missão do Consolador, quando Ele vier para «convencer o mundo quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao juízo».

Jesus, no seu discurso de despedida, uniu estes três domínios do «convencer», como componentes da missão do Paráclito: o pecado, a justiça e o juízo. Eles indicam o âmbito do «mistério da piedade», que na história do homem se opõe ao pecado, ao mistério da iniquidade.  Por um lado, como se exprime Santo Agostinho, está o «amor de si mesmo levado até ao desprezo de Deus»; por outro, «o amor de Deus até ao desprezo de si mesmo». A Igreja continuamente eleva a sua oração e presta o seu serviço, para que a história das consciências e a história das sociedades, na grande família humana, não se rebaixem voltando-se para o pólo do pecado, com a rejeição dos mandamentos de Deus «até ao desprezo do mesmo Deus»; mas, pelo contrário, se elevem no sentido do amor em que se revela o Espírito que dá a vida.

Aqueles que se deixam «convencer quanto ao pecado» pelo Espírito Santo, deixam-se também convencer quanto «à justiça e quanto ao juízo». O Espírito da verdade que vem em auxílio dos homens e das consciências humanas, para conhecerem a verdade do pecado, ao mesmo tempo faz com que conheçam a verdade da justiça que entrou na história do homem com a vinda de Jesus Cristo.

 Deste modo, aqueles que, «convencidos quanto ao pecado», se convertem sob a acção do Consolador, são, em certo sentido, conduzidos para fora da órbita do «juízo»: daquele «juízo» com o qual «o Príncipe deste mundo já está julgado».  A conversão, na profundidade do seu mistério divino-humano, significa a ruptura de todos os vínculos com os quais o pecado prende o homem, no conjunto do «mistério da iniquidade». Aqueles que se convertem, portanto, são conduzidos para fora da órbita do «juízo» pelo Espírito Santo», e introduzidos na justiça, que se encontra em Cristo Jesus, e está n'Ele porque a «recebe do Pai», como um reflexo da santidade trinitária.

 Esta justiça é a do Evangelho e da Redenção, a justiça do Sermão da Montanha e da Cruz, que opera a «purificação da consciência» mediante o Sangue do Cordeiro. É a justiça que o Pai faz ao Filho e a todos aqueles que Lhe estão unidos na verdade e no amor.

Nesta justiça o Espírito Santo, Espírito do Pai e do Filho, que «convence o mundo quanto ao pecado», revela-se e torna-se presente no homem, como Espírito de vida eterna.(grifos meus)

Documento AQUI

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Verdadeira Liberdade



  Por Arcebispo Fulton Sheen


Adaptação do Livro: O problema da Liberdade


Vimos antes:

1 -  Os direitos da religião

2 - A Religião do Mundo Moderno



Agora veremos  qual o verdadeiro conceito de liberdade:

Dois erros devem ser evitados para entende-la bem: Um que esquece a finalidade da liberdade,(somos livres para ir ao céu, este é nosso objetivo), o outro que pretende que a liberdade reside apenas na coletividade e não no homem. Se evitarmos essas duas posições extremas, a de um liberalismo moribundo e  a de uma crescente ditadura, chegaremos a mais positiva e exata ideia de liberdade. Ela portanto, não é o "direito"de fazer o que me pareça, nem é a necessidade de fazer o que quer  que o ditador me imponha: ao contrário, a liberdade é o " direito de fazer o que eu devo".

Nessas três expressões " querer", " ser necessariamente" e "dever" estão contidas as três opções que se oferecem ao mundo moderno. Das três escolhemos "dever".

Dever significa que o homem é livre.O fogo é necessariamente quente, o gelo é necessariamente frio, mas o homem deve ser bom. A verdadeira liberdade está condicionada ao que devo fazer e no que devo ser, é para que devo fazer e para que devo ser. Todo dever, portanto, implica numa finalidade. Para o homem exercer plenamente sua liberdade deve saber que por trás dos pequenos "devos" da vida, há um supremo "devo" que quer dizer: "devo alcançar o fim para que fui criada"

Atrás de todas as finalidades há uma grande finalidade, dada em resposta à pergunta: " Por que existo?". Enquanto não se responde a ela, nenhuma há que mereça resposta, e o modo como a respondemos determinará o rumo de nossa vida e o destino no outro.No entanto, muitos vivem como se esta pergunta não devesse ser feita e de fato não há fazem, tornando sua existência aqui totalmente sem rumo e sem objetivo. Esta pessoa não pode falar de liberdade, por nunca usará sua vida para o fim a que ela foi destinada.

Deus nos criou para conhece-LO, ama-LO e servi_LO neste mundo e ser eternamente feliz com Ele no outro. Desde que o dever do Homem é o aperfeiçoamento de sua personalidade em suas virtudes, mais alta pela união eterna coma Vida-Perfeita, a Verdade e o Amor que é Deus, segue-se que a liberdade tem algo a fazer na escolha dos meios para realizar tal finalidade, ou rejeita-la inteiramente. Assim pode um homem decidir salvar sua alma ou ter a decisão de não salvar sua alma de jeito nenhum.

Qual é porém, a mais elevada espécie de liberdade? Fazer o que devo, isto é, obedecer a minha consciência e salvar a minha alma, ou fazer tudo o que eu queira seja bom ou mau? São ambas aspectos da liberdade, pois alguém pode se fazer santo pela mesmo vontade porque pode tornar-se um demônio. Fazer o que "devemos" é uma forma mais elevada de liberdade do que fazer o que " queremos", porque a primeira conduz ao perfeito desenvolvimento de nossa personalidade e a última a sua sujeição.

Toda liberdade usada erradamente, acaba por tornar o homem escravo. Escolhe mal, age mal e fica escravo da vontade enfraquecida que não consegue mais optar pelo bem. O erro cometido pela sociedade  moderna é pensar que liberdade significa independência da lei e que infringir as leis de Deus é uma forma de "afirmação da personalidade"

Liberdade não significa, portanto, ilegalidade. Pelo contrário, ela está condicionada á obediência, à lei. Liberdade fora da lei não existe, só existe liberdade dentro da lei, seja ela científica, natural, humana ou divina.

Assim se dá com a lei moral: somos verdadeiramente livres quando obedecemos à finalidade ou à lei para que fomos criados, qual seja o desdobramento e desenvolvimento de nossa  personalidade para a nossa eterna felicidade em Deus. Temos a liberdade de ignorar a lei moral: de beber em excesso, de roubar, de matar, de ser adúlteros, de sacudir os punhos com ódio, tal como temos liberdade de ignorar a lei da gravitação, mas toda veze que a ignoramos, ou diminuímos ou destruímos a nossa liberdade.

Deus implantou na natureza humana e em Sua Igreja as leis que nos permitem realizar a finalidade da vida e atingir os mais altos objetivos. Essas leis não são represas que detém o progresso; são diques que impedem que as águas do egoísmo e da concupiscência invadam a terra. Se as obedecer ou fizer o que devo, serei livre.

Pecar que é o desprezo da finalidade e da lei da vida, não é prova de liberdade, é o começo da escravidão, porque, como disse Nosso Senhor Jesus, " todo aquele que comete pecado, é escravo do pecado" ( S.Jo, VIII,34)

A liberdade não é um mero direito constitucional, nem um direito natural; nem um direito humano, nem tampouco um direito social; é acima de tudo o mais, um direito espiritual. O liberalismo e as ditaduras devem todos reconhecer o seu erro, onde se esquecem a finalidade do homem. Todos devem entender que liberdade nunca deve significar liberdade para sim mesmo e escravidão para os outros, nem que os fortes tem liberdade de afirmar seus direitos, ou que os fracos tem liberdade de ser indefesos.

As ditaduras devem entender que a liberdade não está no Estado, nem na coletividade, nem na raça, nem na classe - está no homem, entronizada em cada pessoa, no tabernáculo de cada alma, como um dom de Deus e nenhum Estado pode tira-la daí.

A liberdade liberal, que ama a liberdade em seu próprio eu egoísta, criou monstruosas injustiças econômicas. a liberdade da ditadura, no seu eu coletivo,  criou a escravidão.  O liberalismo não foi o berço da liberdade e a ditadura não é a sua descoberta. A liberdade já tinha suas raízes na natureza espiritual do homem antes que existisse um liberal, um democrata, um fascista soviético ou comunista.

A liberdade não surgiu de nenhuma organização social nem de nenhuma constituição ou partido, mas da  alma do homem. Os comunistas gabam-se de estar restaurando a liberdade ao elevar o homem acima de coletividade, os liberais gabam-se de estar preservando a liberdade  ao darem mais completa satisfação aos apetites materiais. Os comunistas e os liberais devem aprender que não são eles que dão liberdade ao homem, mas o homem é lhes dá sua liberdade.Que o homem entenda que as raízes de sua liberdade estão em seu destino de criatura feita á imagem e semelhança de Deus.

Há muito que vivemos na suposição de que, se fossemos livres, descobriríamos a Verdade. Jesus Cristo apresentou-nos isso às avessas: " A Verdade vos libertará" Isso significa que a verdadeira libertação vem do conhecimento da finalidade e do destino do homem. Nossa indiferença a Verdade resultou na perda da paixão pela Verdade. O resultado é que são hoje muito poucos os ideais porque o homem quira morrer, ou mesmo se sacrificar.

Nosso falso espírito de tolerância - que ao menos saibamos -, nasceu na nossa perda da fé, da nossa incerteza. Por termos perdido a paixão pela verdade, pela justiça e pela honra, a letargia e a apatia apoderaram-se de tal modo de nossa civilização que encontramos dificuldades em preservar até mesmo a lealdade nos atos da vida cotidiana. Não sentimos entusiasmo pelas grandes causas nem ódio pelo mal, atiramos fora os nossos roteiros da vida e não sabemos que caminho tomar. É horrível de contemplar, mas é provável não haver no mundo bastante amor pela Verdade para lançar o grito de uma Cruzada.

Essa perda de entusiamo pelo bem tem permitido que o mal e a irreligião se propaguem como uma peste. Todas as ideologias, como nazismo e comunismo, procuram confinar a finalidade do homem dentro dos limites acidentais do sangue e do partido. Forçado o homem a render-se à sua suprema autoridade, desligaram o homem daqueles mesmos fins a que a irreligião já o tornara indiferente.

O resultado é que o homem do mundo atirou poeira em seus próprios olhos e, cego, não mais pode ver encontrar o caminho que o leva de volta à casa. Disseram-lhe que a religião é um ópio, seu destino eterno uma lenga lenga teológica, e que se desvencilhasse de suas obrigações e aborrecimentos, poderia fazer deste mundo um paraíso. Como um idiota, ele assim o fez, mas em vez de ver  sua vida material enriquecida, acabou por ver-se mais pobre e o pior, sem o consolo da esperança de alguma coisa para além da morte.

Por nenhum outro meio se poderá por cobro a essa traição da liberdade senão pela pregação cristã sobre a finalidade do homem, qual seja o desdobramento social, econômico e político de sua personalidade neste mundo e sua plenitude espiritual no outro. Deus poderia salvar-nos do caos e da escravidão pela força, mas seria isso a destruição da liberdade.

Deus aguarda a livre e espontânea resposta do homem ao Seu chamamento e por isso é que Seu último adeus ao mundo partiu do desamparo e abandono da Cruz, onde apenas Seus olhos podiam convidar-nos ao suave ideal da vida. Foi mesmo por amor da liberdade, indulgente para com os maiores malfeitores. Tal liberdade não é a liberdade indiferente à verdade, nem tolerante com a inverdade, mas a liberdade que crê numa verdade tão santa que bem vale a morte numa Cruz.

A fé na verdade do Calvário é a fé na liberdade do homem. Só aos pés dessa Cruz compreenderá o homem que a liberdade não está na libertação ante a verdade, nem na violenta sujeição a ela, mas no abraço amorável de uma alma que compreendeu a sua finalidade e clama das profundezas de um coração abrasado pela verdade: "Sou tua, ó Deus! Socorre-me a mim a quem Tu criaste!"

Fonte: O problema da Liberdade.

Depois veremos: A garantia econômica da liberdade humana.

Nova edição da Revista In Guardia


Está publicada a nova Edição da Revista In Guardia.

Com a mesma dedicação das outras cinco edições, lançamos essa sexta edição agora com participação da Editora Ecclesiae com seus TOP10 mais vendidos, entrevistas de Percival Puggina e Dom Fernando Arêas Rifan, imperdíveis, e tantos outros artigos que nossa equipe pesquisou e dedica a todos vocês.

Agradecemos, mais uma vez, à todos os seminários que vem nos seguindo e imprimindo nossas edições para estudo de seus seminaristas. Igualmente agradecemos aos sacerdotes que fazem o mesmo distribuindo e divulgando a revista para seus paroquianos em pastorais, grupos e movimentos.

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Link para LEITURA ON LINE: http://is.gd/ATKsJW

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Homilia de Bento XVI na Festa de Corpus Christi




Esta noite gostaria de meditar com vocês sobre dois aspectos, entre eles relacionados, do Mistério eucarístico: o culto da Eucaristia e a sua sacralidade. É importante levá-los em consideração para preservá-los de visões incompletas do próprio Mistério, como as que se verificaram num passado recente.

Antes de tudo, uma reflexão sobre o valor do culto eucarístico, em especial da adoração ao Santíssimo Sacramento. É a experiência que também esta noite nós viveremos depois da Missa, antes da procissão, durante sua realização e no seu final. Uma interpretação unilateral do Concílio Vaticano II penalizou esta dimensão, restringindo na prática a Eucaristia ao momento celebrativo.

Com efeito, foi muito importante reconhecer a centralidade da celebração, em que o Senhor convoca o seu povo, o reúne em torno da dúplice Ceia da Palavra e do Pão da vida, o nutre e o une a Si na oferta do Sacrifício. Essa valorização da assembleia litúrgica, em que o Senhor atua e realiza o seu mistério de comunhão, permanece naturalmente válida, mas deve ser reinserida no justo equilíbrio.

Com efeito, como muitas vezes acontece, para destacar um aspecto se acaba por sacrificar outro. Neste caso, a acentuação dada à celebração da Eucaristia foi em detrimento da adoração, como ato de fé e de oração dirigido ao Senhor Jesus, realmente presente no Sacramento do altar. Esse desequilíbrio teve repercussões também na vida espiritual dos fiéis. De fato, concentrando toda a relação com Jesus Eucaristia somente no momento da Santa Missa, corre-se o risco de esvaziar de Sua presença o restante do tempo e do espaço existenciais.

E assim se percebe menos o sentido da presença constante de Jesus no meio de nós e conosco, uma presença concreta, próxima, entre as nossas casas, como “Coração pulsante” da cidade, do país, do território com as suas várias expressões e atividades. O Sacramento da Caridade de Cristo deve permear toda a vida cotidiana.

Na realidade, está errado contrapor celebração e adoração, como se estivessem em concorrência uma com a outra. É justamente o contrário: o culto do Santíssimo Sacramento constitui o “ambiente” espiritual dentro do qual a comunidade pode celebrar bem e em verdade a Eucaristia. Somente se for precedida, acompanhada e seguida por essa atitude interior de fé e de adoração, a ação litúrgica poderá expressar seu pleno significado e valor.

O encontro com Jesus na Santa Missa se realiza realmente e plenamente quando a comunidade é capaz de reconhecer que Ele, no Sacramento, habita a sua casa, nos aguarda, nos convida à sua ceia e, a seguir, depois que a assembleia se desfaz, permanece conosco, com a sua presença discreta e silenciosa, e nos acompanha com a sua intercessão, continuando a recolher os nossos sacrifícios espirituais e a oferecê-los ao Pai.

A esse propósito, quero ressaltar a experiência que viveremos juntos esta noite. No momento da adoração, nós estamos todos no mesmo plano, de joelhos diante do Sacramento do Amor. O sacerdócio comum e o ministerial se encontram acomunados no culto eucarístico. É uma experiência muito bela e significativa, que vivemos diversas vezes na Basílica de S. Pedro, e também nas inesquecíveis vigílias com os jovens – lembro por exemplo as de Colônia, Londres, Zagreb e Madri.

É evidente a todos que esses momentos de vigília eucarística preparam a celebração da Santa Missa, preparam os corações ao encontro, de modo que isso resulte ainda mais frutuoso. Estar todos em silêncio prolongado diante do Senhor presente no seu Sacramento é uma das experiências mais autênticas do nosso ser Igreja, que acompanha de modo complementar a celebração da Eucaristia, ouvindo a Palavra de Deus, cantando, aproximando-se junto da ceia do Pão da Vida.

Comunhão e contemplação não podem se separar, vão juntas. Para comunicar realmente com outra pessoa devo conhecê-la, saber estar em silêncio ao seu lado, ouvi-la, olhá-la com amor. O verdadeiro amor e a verdadeira amizade vivem sempre desta reciprocidade de olhares, de silêncios intensos, eloquentes, repletos de respeito e de veneração, de modo que o encontro seja vivido profundamente, de modo pessoal e não superficial.

E, infelizmente, se falta esta dimensão, também a própria comunhão sacramental pode se tornar, da nossa parte, um gesto superficial. Ao invés, na verdadeira comunhão, preparada com o colóquio da oração e da vida, nós podemos dizer ao Senhor palavras íntimas, como as que ressoaram agora há pouco no Salmo responsorial: “Sou teu servo, filho de tua serva, rompeste os meus grilhões. Vou te oferecer um sacrifício de louvor, invocando o nome do Senhor” (Salmo 115, 16-17).

Agora gostaria de passar brevemente para o segundo aspecto: a sacralidade da Eucaristia. Também aqui sofremos no passado recente com certa incompreensão da mensagem autêntica da Sagrada Escritura. A novidade cristã quanto ao culto foi influenciada por uma mentalidade mundana dos anos 60 e 70 do século passado. É verdade, e permanece sempre válido, que o centro do culto já não está mais nos ritos e nos sacrifícios antigos, mas no próprio Cristo, na sua pessoa, na sua vida, no seu mistério pascal.

E, todavia, desta novidade fundamental não se deve concluir que o sagrado não existe mais, mas que encontrou sua realização em Jesus Cristo, Amor divino encarnado. A carta aos Hebreus, que ouvimos esta noite na segunda Leitura, nos fala justamente da novidade do sacerdócio de Cristo, “sumo sacerdote dos bens vindouros” (Hb 9, 11), mas não diz que o sacerdócio acabou. Cristo “é mediador de uma nova aliança” (Hb9,15), estabelecida no seu sangue, que purifica “a nossa consciência das obras mortas” (Hb9,14).

Ele não aboliu o sagrado, mas o levou a cabo, inaugurando um novo culto, que é sim plenamente espiritual, mas que todavia, até que estejamos em caminho no tempo, se serve ainda de sinais e de ritos, que desaparecerão somente no fim, na Jerusalém celeste, onde não haverá mais nenhum templo. Graças a Cristo, a sacralidade é mais verdadeira, mais intensa, e, como acontece para os mandamentos, também mais exigente!

Não basta observar o rito, mas se requer a purificação do coração e o envolvimento da vida. Apraz-me sublinhar que o sagrado possui uma função educativa, e seu desaparecimento inevitavelmente empobrecerá a cultura, de modo particular a formação das novas gerações.

Se, por exemplo, em nome de uma fé secularizada e não mais necessária de sinais sagrados, fosse abolida esta procissão urbana de Corpus Domini, o perfil espiritual de Roma resultaria “esvaziado”, e nossa consciência pessoal e comunitária se tornaria enfraquecida. Também pensamos em uma mãe e em um pai que, em nome de uma fé dessacralizada, privassem seus filhos de qualquer ritual religioso: na realidade terminariam por deixar o campo livre a tantos substitutos presentes na sociedade de consumo, e a outros ritos e a outros sinais, que mais facilmente poderiam se tornar ídolos.

Deus, nosso Pai, não fez assim com a humanidade: enviou seu Filho ao mundo não para abolir, mas para dar cumprimento também ao sacro. No cume desta missão, na última Ceia, Jesus instituiu o Sacramento de seu Corpo e de seu Sangue, o Memorial de seu Sacrifício Pascal. Assim fazendo Ele mesmo se colocou no lugar dos sacrifícios antigos, mas o fez dentro de um rito, que mandou os Apóstolos perpetuar, qual sinal supremo do verdadeiro Sagrado, que é Ele mesmo.

Com esta fé, queridos irmãos e irmãs, celebramos hoje e cada dia o Mistério Eucarístico e o adoramos como centro de nossa vida e coração do mundo. Amém.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Corpus Christi


Por sua Santidade o Papa Bento XVI



 "Dogma datur christianis, / quod in carnem transit panis, / et vinum in sanguinem:  É certeza para nós cristãos: / transforma-se o pão em carne, / o vinho torna-se sangue". 

Reafirmamos  a nossa fé na Eucaristia, o Mistério que constitui o coração da Igreja.  Mistério eucarístico que "é o dom que Jesus Cristo faz de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por todo o homem" . Portanto a do Corpus Christi é uma festa singular e constitui um encontro importante de fé e de louvor para cada comunidade cristã. É uma festa que teve origem num determinado contexto histórico e cultural: nasceu com a finalidade de reafirmar abertamente a fé do Povo de Deus em Jesus Cristo vivo e realmente presente no santíssimo Sacramento da Eucaristia. É uma festa instituída para adorar, louvar e agradecer publicamente ao Senhor, que "no Sacramento eucarístico continua a amar-nos "até ao fim", até à doação do seu corpo e do seu sangue"

A Celebração eucarística reconduz-nos ao clima espiritual da Quinta-Feira Santa, o dia em que Cristo, na vigília da sua Paixão, instituiu no Cenáculo a santíssima Eucaristia. O Corpus Christi constitui assim uma retomada do mistério da Quinta-Feira Santa, quase em obediência ao convite de Jesus para "proclamar sobre os telhados" o que Ele nos transmitiu no segredo (cf. Mt 10, 27).

 Os Apóstolos receberam do Senhor o dom da Eucaristia na intimidade da Última Ceia, mas destinava-se a todos, ao mundo inteiro. Eis por que deve ser proclamado e exposto abertamente, para que todos possam encontrar "Jesus que passa" como acontecia pelas estradas da Galileia, da Samaria e da Judeia; para que todos, recebendo-o possam ser curados e renovados pela força do seu amor. 

É esta a herança perpétua e viva que Jesus nos deixou no Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue. Herança que pede para ser constantemente considerada, vivida, para que, como disse o venerado Papa Paulo VI, possa "imprimir a sua eficiência inexaurível em todos os dias da nossa vida mortal" (Insegnamenti, V [1967], p. 779).

"Ecce panis angelorum, / factus cibus viatorum: / vere panis filiorum Eis o pão dos anjos, / pão dos peregrinos, / verdadeiro pão dos filhos". 

E por graça do Senhor, nós somos filhos. A Eucaristia é o alimento destinado àqueles que no Baptismo foram libertados da escravidão e se tornaram filhos; é o alimento que ampara no longo caminho do êxodo através do deserto da existência humana. Como o maná para o povo de Israel, assim para cada geração cristã a Eucaristia é alimento indispensável que ampara enquanto atravessa o deserto deste mundo, ressequido por sistemas ideológicos e económicos que não promovem a vida, mas ao contrário a mortificam; um mundo no qual domina a lógica do poder e do ter em vez da do serviço e do amor; um mundo no qual com frequência triunfa a cultura da violência e da morte.

 Mas Jesus vem ao nosso encontro e infunde-nos segurança: Ele mesmo é "o pão da vida(Jo 6, 35.48). Repetiuno-lo nas palavras do Cântico ao Evangelho: "Eu sou o pão vivo descido do céu; quem come deste pão viverá eternamente" (cf.Jo 6, 51).

"Olha que Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu estarei na minha casa e cearei com ele e ele comigo(Ap 3, 20). A festa do Corpus Christi quer tornar perceptível, não obstante a surdez do nosso ouvido interior, este bater do Senhor. Jesus bate à porta do nosso coração e pede-nos para entrar não só pelo espaço de um dia, mas para sempre. Acolhamo-lo com alegria elevando-lhe a coral invocação da Liturgia: "Bom Pastor, verdadeiro pão, / ó Jesus, piedade de nós (...) Tu que tudo sabes e podes, / que nos alimentas na terra, / conduz os teus irmãos / à mesa do céu / na alegria dos teus santos". Amém!(grifos meus)

«Celebrando a despedida, 
Com os doze Ele ceou,
toda a Páscoa foi cumprida,
novo rito inaugurou.
E seu Corpo, pão da vida,
aos irmãos Ele entregou».

«Canta, Igreja, o Rei do mundo,
que se esconde sob os véus;
canta o sangue tão fecundo,
derramado pelos seus,
e o mistério tão profundo
de uma Virgem, Mãe de Deus!».
                                               

Origem da festa: Aqui 

Sobre a Solenidade: Aqui

Panis Angelicus

Bendito seja o Senhor, que se encarnou,  habitou entre nós e se fez alimento que sacia até o Céu.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

180 graus. Aborto, mude seu coração

Este vídeo merece ser visto! Precisamos raciocinar dentro de princípios cristãos, para aceitar, crer e fazer o que o Senhor nos pede. A vida é um dom de Deus, defende-la é nossa obrigação, sempre!

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