sábado, 16 de junho de 2012

Carta do Cardeal Albino Luciani a G. K. Chesterton


Por Cardeal A. Luciani

Traduzido por Sândalo Cordeiro


Em 1976, o então Patriarca de Veneza, Cardeal A. Luciani, futuro papa João Paulo I, publicou uma série de cartas “imaginárias”, de sua autoria, endereçadas a ilustres personagens históricos, fictícios e, até mesmo a Jesus, compiladas em “Ilustrissimi”. Dentre elas, uma dedicada a Gilbert Chesterton: [N.T.]


Em que tipo de mundo...



"Caro Chesterton, na tela da televisão italiana apareceu no mês passado Padre Brown, imprevisível padre-policial, criatura tipicamente tua. Pena que não apareceram também o Professor Lúcifer e o monge Miguel. Eu teria prazer em vê-los, como você os descreveu em “A esfera e a Cruz”, viajantes em um avião, sentados um ao lado do outro, Quaresma ao lado do Carnaval.

Quando o avião está sobre a Catedral de Londres, o Professor lança uma blasfêmia endereçada à Cruz. - Estou pensando se esta blasfêmia te agrada-lhe diz o monge. - Escute essa história: eu conheci um homem como você; ele também odiava o crucifixo; o baniu de sua casa, do pescoço de sua mulher, até mesmo das pinturas; dizia que era ruim, símbolo de barbárie, contrário à alegria e à vida. E se tornou mais furioso ainda: um dia subiu no campanário de uma igreja, lhe quebrou a cruz e a jogou do alto. Chegou ao ponto em que esse ódio se transformou primeiro em delírio e depois em loucura furiosa. Em uma noite de verão estava quieto, fumando um cachimbo, diante de uma compridíssima paliçada; não brilhava uma luz, não se movia uma folha, mas ele acreditava ver a longa paliçada transformada em um exército de cruzes, ligadas umas às outras sobre a colina, descendo ao vale. Agora, balançando sua bengala, a ergueu contra a paliçada, como se contra uma fileira de inimigos; porquanto era longo o caminho, quebrou, arrebentou, arrancou todas as estacas que encontrava. Odiava a cruz e toda estaca era para ele uma cruz. Tendo chegado em casa, continuou a ver cruzes em todo canto, destruiu os móveis, ateou fogo e no dia seguinte o encontraram morto no rio.

Nesse ponto, o Professor Lúcifer olha o velho monge mordendo os lábios e diz: “Eu sei que essa história é inventada!”. “Sim, responde Miguel, a inventei agora; mas ela exprime bem o que você e seus amigos incrédulos estão fazendo. Vocês começam quebrando a cruz e terminam destruindo o mundo habitável”.

A conclusão do monge, que é pois a tua, caro Chesterton, é justa. Se se remove Deus, o que resta, o que se torna o homem? Em que tipo de mundo nos permitiremos viver? Mas é o mundo do progresso, ouço dizer, o mundo do bem-estar! Sim; Mas esse famoso progresso não é tudo isso que se espera: ele porta consigo também os mísseis, as armas bacteriológicas e atômicas, o atual processo de poluição, todas as coisas que, se nada for feito a tempo, ameaçam levar a humanidade inteira a uma catástrofe.  Em outras palavras o progresso com homens que se amem, considerando-se irmãos e filhos do único Deus Pai, pode ser algo maravilhoso.

 O progresso com homens que não reconhecem em Deus um único Pai torna-se um perigo contínuo: sem um paralelo processo moral, interior e pessoal ele - o progresso - desenvolve, de fato, as mais selvagens inclinações do homem, faz dele uma máquina possuída por máquinas, um número manipulador de números, um bárbaro em delírio - diria Papini - que em vez do bastão pode servir-se da imensa força da natureza e da mecânica para satisfazer os seus instintos predatórios, destruidores e orgíacos. Eu sei: muitos pensam ao contrário de você e de mim. Pensam que a Religião seja um sonho consolador: a teriam inventado os oprimidos, imaginando um outro mundo inexistente, onde encontrar mais tarde o que hoje lhes roubam os opressores.

A teriam organizado, tudo em proveito próprio, os opressores, para terem ainda sob os pés os oprimidos e adormecer neles aquele instinto de classe, que, sem a Religião, levaria à luta. Inútil recordar que a própria religião cristã favoreceu o despertar da consciência proletária, exaltando os pobres e anunciando uma justiça futura. Sim - respondem - o Cristianismo desperta a consciência dos pobres, mas depois a paralisa, pregando a paciência e substituindo a luta classista pela confiança em Deus e a reforma gradual da sociedade! Muitos pensam até mesmo que Deus e a Religião, canalizando esperança e esforços para um paraíso futuro e distante, alienam o homem, o desviam de empenhar-se por um paraíso próximo, realizável aqui na Terra.

 Inútil recordar-lhes que, segundo o recente Concílio, um cristão, justamente porque é cristão, deve sentir-se mais do que nunca empenhado em favorecer um progresso que é bom para todos, e uma promoção social que seja de todos. Por fim, dizem, vocês pensaram o progresso para um mundo transitório, na espera de um paraíso definitivo, que não virá. Nós queremos o paraíso aqui, fruto de todas as nossas lutas. Já entrevemos o surgimento dele, enquanto o vosso Deus é chamado “morto” por teólogos da secularização. Nós estamos com Heine, que escreveu: “Ouve o sino? De joelhos! Levam-se os últimos sacramentos a Deus que morre!”

Caro Chesterton, você e eu nos colocamos de joelhos sem hesitar, mas diante de um Deus mais atual do que nunca. Só Ele, em verdade, pode dar uma resposta satisfatória a esses três problemas, que são para todos os mais importantes: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? Quanto ao paraíso, que se gozará sobre a terra e somente sobre a terra e em um futuro próximo, ao fim das famosas “lutas”, gostaria que fosse ouvido um que é bem melhor do que eu e, sem ofuscar os seus méritos, do que você também: Dostoiévski. Você se lembra do dostoievskiano Ivan Karamazov. É um ateu, enquanto amigo do diabo. Bem, ele protesta, com toda a sua veemência de ateu contra um paraíso obtido graças aos esforços, as fadigas, os sofrimentos, o martírio de inumeráveis gerações. Os nossos sucessores felizes graças à infelicidade de seus antecessores!

Esses antecessores que “lutam” sem receberem sua retribuição de alegria, sem, freqüentemente, sequer o conforto de vislumbrar o paraíso livre do inferno que atravessam! Inumeráveis multidões de homens atormentados, de sacrificados que são, simplesmente, o solo utilizado para cultivar as futuras árvores da vida! É impossível!, disse Ivan, seria uma injustiça cruel e monstruosa. E tem razão. O senso de justiça que existe em todo homem, de qualquer fé, exige que o bem feito, o mal sofrido, sejam premiados; que a fome de vida inerente a todos seja saciada.

Onde e como, senão em uma outra vida? E por quem senão por Deus? E por qual Deus, senão por aquele de quem Francisco de Sales escrevia: “Não tenha medo de Deus, que não quer lhe prejudicar, mas amá-lo muito, porque deseja lhe fazer muito bem”? Aquele que muitos combatem não é o verdadeiro Deus, mas a falsa idéia que se faz de Deus: um Deus que protege os ricos, que somente pede e reivindica, que seja invejoso no nosso progresso em bem-estar, que do alto espia continuamente os nossos pecados para ter o prazer de nos castigar!

Caro Chesterton, você sabe, Deus não é assim: mas justo e bom ao mesmo tempo; pai também dos filhos pródigos, que quer não mesquinhos e miseráveis, mas grandes, livres, criadores do próprio destino. O nosso Deus é tão pouco rival do homem que o desejou como seu amigo, chamando-o a participar da própria natureza divina e da própria eterna felicidade. E não é verdade que Ele espera de nós exageradamente: contenta-se, ao contrário, com pouco, porque sabe bem que não temos muito.

Caro Chesterton, eu sou convicto com você: esse Deus se fará conhecer e amar sempre mais, por todos, inclusive aqueles que hoje o rejeitam não porque são maus (são talvez melhores do que nós dois!), mas porque o vêem de um ponto de vista equivocado! Eles continuam a não crer Nele? E Ele responde: Sou Eu que acredito em vocês!"

Fonte AQUI

Imaculado Coração de Maria

 João Paulo II



 “À vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus”!

Ao pronunciar estas palavras da antífona
com que a Igreja de Cristo
reza há séculos,
encontro-me hoje neste lugar
escolhido por Vós, ó Mãe,
e por Vós especialmente amado.

Estou aqui, unido com todos os Pastores da Igreja
por aquele vínculo particular,
pelo qual constituímos
um corpo e um colégio,
assim como Cristo quis os Apóstolos
em unidade com Pedro.

No vínculo desta unidade,
pronuncio as palavras deste Acto,
no qual desejo incluir, uma vez mais,
as esperanças e as angústias
da Igreja no mundo contemporâneo.

Há quarenta anos atrás,
e depois ainda passados dez anos,
o Vosso servo o Papa Pio XII,
tendo diante dos olhos
as dolorosas experiências da família humana,
confiou e consagrou
ao Vosso Coração Imaculado
todo o mundo
e especialmente os Povos
que eram objecto
particular do vosso amor
e da vossa solicitude.

Este mundo dos homens
e das nações
também eu o tenho diante dos olhos, hoje,
no momento em que desejo renovar
a entrega e a consagração
feita pelo meu Predecessor
na Sé de Pedro:
o mundo do Segundo Milénio
que está prestes a terminar,
o mundo contemporâneo,
o nosso mundo de hoje!

A Igreja,
lembrada das palavras do Senhor:
“Ide... e ensinai todas as nações...
Eis que eu estou convosco todos os dias,
até ao fim do mundo” (Mt 28, 19-20),
no Concílio Vaticano II,
renovou a consciência
da sua missão neste mundo.

Por isso, ó Mãe dos homens e dos povos,
Vós que “conheceis todos os seus sofrimentos
e as suas esperanças”,
Vós que sentis maternamente todas as lutas
entre o bem e o mal,
entre a luz e as trevas,
que abalam o mundo contemporâneo,
acolhei o nosso clamor
que movidos pelo Espírito Santo,
elevamos directamente
ao Vosso Coração,
e abraçai com o amor da Mãe e da Serva
este nosso mundo humano,
que Vos confiamos e consagramos,
cheios de inquietação pela sorte terrena
e eterna dos homens e dos povos.

De modo especial
Vos entregamos e consagramos
aqueles homens e aquelas nações,
que desta entrega e desta consagração
particularmente têm necessidade.

“À Vossa protecção
nos acolhemos Santa Mãe de Deus”!

Não desprezeis as nossas súplicas,
pois nos encontramos na provação!
Não desprezeis!

Acolhei a nossa humilde confiança
e a nossa entrega!

2. “Porque Deus amou de tal modo o mundo
que lhe deu o seu Filho unigénito,
para que todo aquele que n’Ele crer,
não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3, 16).
Precisamente este amor
fez com que o Filho de Deus
se tenha consagrado a si mesmo:
“Eu consagro-me por eles,
para eles serem também consagrados
na verdade” (Ibid. 17, 19).

Em virtude desta consagração,
os discípulos de todos os tempos
são chamados
a empenhar-se pela salvação do mundo,
a ajuntar alguma coisa
aos sofrimentos de Cristo
em benefício do Seu Corpo,
que é a Igreja (Cfr. 2Cor. 12, 15; Col 1, 24).

Diante de Vós,
Mãe de Cristo,
diante de Vosso Coração Imaculado,
desejo eu, hoje,
juntamente com toda a Igreja,
unir-me com o nosso Redentor
nesta sua consagração pelo mundo e pelos homens,
a qual só no seu Coração divino
tem o poder de alcançar o perdão
e de conseguir a reparação.

A força desta consagração
permanece por todos os tempos
e abarca todos os homens,
os povos e as nações,
e supera todo o mal,
que o espírito das trevas
é capaz de despertar
no coração do homem e na sua história,
e que, de facto,
despertou nos nossos tempos.

A esta consagração do nosso Redentor,
mediante o serviço do sucessor de Pedro,
une-se a Igreja, Corpo místico de Cristo.

Oh! quão profundamente
sentimos a necessidade de consagração,
pela humanidade e pelo mundo:
para nosso mundo contemporâneo,
na unidade com o próprio Cristo!
Na realidade, a obra redentora de Cristo
deve ser participada pelo mundo
pela mediação da Igreja.

Oh! quanto nos penaliza,
portanto,
tudo aquilo que na Igreja
e em cada um de nós
se opõe à santidade e à consagração!
Quanto nos penaliza
que o convite à penitência,
à conversão, à oração,
não tenha encontrado aquele acolhimento que devia!

Quanto nos penaliza
que muitos participem
tão friamente
na obra da Redenção de Cristo!
Que tão insuficientemente
se complete na nossa carne
“aquilo que falta aos sofrimentos de Cristo!” (Col 1, 24).

Sejam benditas portanto,
todas as almas
que obedecem à chamada do Amor eterno!
Sejam benditos aqueles que,
dia após dia,
com generosidade inexaurível
acolhem o Vosso convite,
ó Mãe, para fazer aquilo que diz o Vosso Jesus (Cfr. Io 2, 5)
e dão à Igreja e ao mundo
um testemunho sereno de vida inspirada no Evangelho.

Sede bendita,
acima de todas as criaturas,
Vós, Serva do Senhor,
que mais plenamente obedeceis a este Divino apelo!

Sede louvada,
Vós que estais inteiramente unida
à consagração redentora do Vosso Filho!

Mãe da Igreja!
Iluminai o Povo de Deus
nos caminhos da fé, da esperança e da caridade!
Ajudai-nos a viver
com toda a verdade da consagração de Cristo
pela inteira família humana, no mundo contemporâneo.

3. Confiando-Vos, ó Mãe,
o mundo,
todos os homens e todos os povos,
nós Vos confiamos também
a própria consagração em favor do mundo,
depositando-a no Vosso Coração materno.

Oh, Coração Imaculado!
Ajudai-nos a vencer a ameaça do mal
que tão facilmente se enraíza
nos corações dos homens de hoje e que,
nos seus efeitos incomensuráveis,
pesa já sobre a nossa época
e parece fechar os caminhos do futuro!

Da fome e da guerra, livrai-nos!

Da guerra nuclear, de uma autodestruição incalculável e de toda espécie de guerra, livrai-nos!

Dos pecados contra a vida do homem desde os seus primeiros instantes, livrai-nos!

Do ódio e do aviltamento da dignidade dos filhos de Deus, livrai-nos!

De todo o género de injustiça na vida social, nacional e internacional, livrai-nos!

Da facilidade em calcar aos pés os mandamentos de Deus, livrai-nos!

Dos pecados contra o Espírito Santo, livrai-nos, livrai-nos!

Acolhei, ó Mãe de Cristo,
este clamor carregado do sofrimento
de todos os homens!
Carregado do sofrimento de sociedades inteiras!

Que se revele,
uma vez mais, na história do mundo,
a força infinita do Amor misericordioso!
Que ele detenha o mal!
Que ele transforme as consciências!
Que se manifeste para todos,
no Vosso Coração Imaculado,
a luz da Esperança!


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Conversão




Por Bento XVI

"Converter-se significa: reconsiderar, pôr em questão o próprio modo de viver e o comum; deixar entrar Deus nos critérios da própria vida; não julgar simplesmente de acordo com as opiniões correntes. Converter-se significa por conseguinte: não viver como vivem todos, não fazer como fazem todos, não sentir-se justificados em acções duvidosas, ambíguas, perversas simplesmente porque há quem o faça; começar a ver a própria vida com os olhos de Deus, portanto procurar o bem, mesmo se não é agradável; não apostar no juízo da maioria, mas no juízo de Deus - por outras palavras: procurar um novo estilo de vida, uma vida nova. Tudo isto não implica um moralismo; a limitação do cristianismo à moralidade perde de vista a essência da mensagem de Cristo: o dom de uma nova amizade, o dom da comunhão com Jesus e por conseguinte com Deus.

Quem se converte a Cristo não pretende criar uma autonomia moral própria, não pretende construir com as próprias forças a sua bondade. "Conversão" (Metanoia) significa precisamente o contrário: abandonar a auto-suficiência, descobrir e aceitar a própria indigência, indigência dos outros e do Outro, do seu perdão, da sua amizade. A vida não convertida é autojustificação (não sou pior do que os outros); a conversão é a humildade de se confiar ao amor do Outro, amor que se torna medida e critério da minha própria vida"

Fonye: AQUI

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Santo Antonio






Santo Antonio de Pádua- Sacerdote e Doutor da Igreja"

Santo Antonio, nasceu em Lisboa, Portugal em 1198, seu nome de registro é Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo.Entrou aos 15 anos no Colégio dos Conegos regulares de Santo Agostinho. Em apenas 9 meses aprofundou-se tanto no estudo da Bíblia que foi chamado mais tarde de Gregório IX, "Arca do Testamento".

Em 1220 entrou para a Ordem dos frades Mendicantes de Coimbra, depois que viu os corpos de cinco franciscanos martirizados no Marrocos,onde tinham ido evangelizar os fiéis.Sua descisão de pregar o Evangelho no marrocos não foi bem sucedida.

Morou alguns meses em Messina, no convento dos franciscanos, cujo Prior o levou para o capítulo da Ordem em Assis e conheceu São Francisco de Assis. Viveu como eremita num convento e foi incumbido das humildes funções de cozinheiro e viveu na obscuridade até que seus superiores,percebendo seus extraordinários dons de pregador, enviaram-no para a Itália e pela França, afim de pregar nos lugares onde a heresia dos Albigenses e Valdenses era mais forte.

Em 1231 qdo sua pregação atigiu o vértice, foi atingido por uma doença inesperada , foi para Pádua onde morreu em 13 de junho de 1231. Tantos foram seus milagres e tal sua popularidade,que foi canonizado no ano seguinte, 1232.

É chamado "doutor do Evangelho", pela grandeza com que soube pregá-lo. Quando o corpo foi desenterrado sua lingua foi encontrada intacta e é venerada há mais de 700 anos.

Tal foi seu amor ao Filho de Deis feito homem, que a pregação sobre o mistério da Encarnação de Verbo era o ponto mais excelente.

Certa vez o Menino Jesus se colocou em seus braços. Por isso ele é assim representado em suas imagens

Ensinamentos de Santo Antonio:

-"Ele veio a ti, para poderes ir à Ele"

-"Quem ama não conhece nada que seja difícil"

-"Se alguém se retira do mundo inquieto para a solidão e ai descansa,a este aparece o Senhor"

-"Desde o sacrifício de Cristo, está aberto o portão para o reino de DEus"

-"A face do pai é o Filho"

-"A criatura carregou no seio seu Criador e a pobre Virgem o Filho de Deus. Tu és ao mesmo tempo o mais alto e o mais humilde.Senhor dos Anjos e súdito dos homens!O Criador do mundo obedece a um carpinteiro, o Deus de eterna majestade se submete a uma Virgem"

-"Onde há excesso de riqueza e de prazeres , ai se instala a lepra dos vícios"

-"O pregador fala com dois lábios, com sua vida e com sua boa fama"

-"A vida do corpo é a alma, a vida da alma é Deus"

-"O amor a nós O prendeu tão intimamente à nossa natureza que o fez descer até nossa miséria, como se no céu já não pudesse permanecer sem nós"

-"A confissão é semelhante a uma travessia, pois o homem atravessa pela confissão da margem do pecado para a margem da reparação".

"Santo Antonio de Pádua: Rogai por nós!

Dom Luiz Bergonzini


Hoje faleceu um príncipe de Cristo, um defensor sem trégua da vida humana, da causa de Deus. Que Nossa Senhora o receba no Céu, que hoje está mais lindo que  nunca. Graças sejam dadas à Deus, pelo dom da fé e da vida eterna.

Ele nos disse: " As imoralidades aumentam a cada dia. Não se deixem enganar! Somente vocês, Blogueiros e Internautas de Cristo, conseguirão reverter essa situação. 

Não tenham medo! Vocês precisam restabelecer a Verdade e a Vida!"


(Dom Luiz rezando diante do STF, sempre na luta contra o aborto - Esta foto marca sua vida e seu amor à Cristo e aos seus pequeninos)

O texto que vai abaixo, foi o último postado por Dom Luiz Bergozini em seu blog.

Nele, está "tudo"... desejo de viver, de continuar os combates em favor de Deus, da Igreja, da Verdade e da Vida... o bom humor, a confiança e a entrega nas mãos de Deus:

Segurando nas mãos Deus

Ontem e hoje, minha saúde continuou melhorando. Hoje, fiquei sentado na cadeira quase o dia todo. Estou me sentindo bem melhor. Até já publiquei um post importante sobre a intervenção da Igreja Católica, através de Leão XIII e dos Bispos Brasileiros, para o fim da escravidão no Brasil. É uma verdade histórica pouco conhecida.

Há até a expectativa de minha tranferência para o apartamento no domingo. Não estou tão bonito como antes da internação por causa dos efeitos da cortisona, que provoca inchaços. Mas voltarei ao que era antes, assim espero! Vou descansar bastante este fim de semana.

As minhas orações pela intercessão de Nossa Senhora Imaculada Conceição e as orações de vocês, de todas as partes do Brasil, que colocaram a minha vida e a minha missão sacerdotal nas mãos de Jesus Cristo, foram ouvidas. Parece que Deus acha que a minha missão na Terra ainda não terminou. Ele quer que eu continue por aqui mais algum tempo.

Desde pequeno, quando entrei no seminário, estou segurando nas mãos de Deus, para que Ele me conduza para onde quiser, que eu aceito tudo e só tenho a agradecer.

Se Ele determinar que eu continue por aqui, todos nos daremos as mãos e seguraremos nas mãos de Deus para, juntos, combatermos as iniquidades e propagarmos o Evangelho por todos os telhados, através dos nossos blogs, da internet, do facebook e por todos os meios existentes.

Deus abençoe a todos.
01.06.2012
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini
Bispo Emérito de Guarulhos
http://www.domluizbergonzini.com.br/

Seu Blog: AQUI

terça-feira, 12 de junho de 2012

Aos namorados


Por Bento XVI

Queridos namorados!



Sinto-me feliz por concluir este dia intenso, ápice do Congresso Eucarístico Nacional, encontrando-me convosco, como que querendo confiar a herança deste acontecimento de graça às vossas jovens vidas. De resto, a Eucaristia, dom de Cristo para a salvação do mundo, indica e contém o horizonte mais verdadeiro da experiência que estais a viver: o amor de Cristo como plenitude do amor humano.

Aquilo que pondes em questão, no atual contexto social, assume um peso maior. Gostaria de vos oferecer apenas algumas orientações para uma resposta. Em certos aspectos, o nosso é um tempo difícil, sobretudo para vós jovens.

A mesa está posta com tantas coisas apetecíveis, mas, como no episódio evangélico das bodas de Caná, parece que faltou o vinho da festa. Sobretudo a dificuldade de encontrar um trabalho estável é causa de incerteza sobre o futuro. Esta condição contribui para adiar a tomada de decisões definitivas, e incide de modo negativo sobre o crescimento da sociedade, que não consegue valorizar plenamente a riqueza de energias, de competências e de criatividade da vossa geração.

Falta o vinho da festa também a uma cultura que prescinde com frequência de critérios morais claros: na desorientação, cada qual é estimulado a mover-se de maneira individual e autônoma, muitas vezes unicamente só no perímetro do presente.

A fragmentação do tecido comunitário reflete-se num relativismo que afeta os valores essenciais; a consonância de sensações, de estados de ânimo e de emoções parece mais importante do que a partilha de um projeto de vida. Também as opções fundamentais se tornam assim frágeis, expostas a uma revogabilidade perene, que com frequência é considerada expressão de liberdade, mas ao contrário, indica a sua carência.

Faz parte de uma cultura privada do vinho da festa também a aparente exaltação do corpo, que na realidade banaliza a sexualidade e tende a fazê-la viver fora de um contexto de comunhão de vida e de amor.

Queridos jovens, não tenhais medo de enfrentar estes desafios! Nunca percais a esperança. Tende coragem, também nas dificuldades, permanecendo firmes na fé. Tende a certeza de que, em todas as circunstâncias, sois amados e protegidos pelo amor de Deus, que é a nossa força.

Deus é bom. Por isso é importante que o encontro com Ele, sobretudo na oração pessoal e comunitária, seja constante, fiel, precisamente como o caminho do vosso amor: amar a Deus e sentir que Ele me ama. Nada nos pode separar do amor de Deus!

Depois, tende a certeza de que também a Igreja está próxima de vós, vos ampara, não cessa de olhar para vós com grande confiança. Ela sabe que tendes sede de valores, dos verdadeiros, sobre os quais vale a pena construir a vossa casa! O valor da fé, da pessoa, da família, das relações humanas, da justiça. Não desanimeis face às carências que parecem afastar a alegria da mesa da vida.

Nas bodas de Caná, quando o vinho terminou, Maria convidou os servos a dirigirem-se a Jesus e deu-lhes uma indicação clara: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5). Valorizai estas palavras, as últimas de Maria descritas nos Evangelhos, quase um seu testamento espiritual, e tereis sempre a alegria da festa: Jesus é o vinho da festa!

Como namorados estais a viver uma fase única, que abre para a maravilha do encontro e faz descobrir a beleza de existir e de ser preciosos para alguém, de poder dizer um ao outro: tu és importante para mim. Vivei com intensidade, gradualidade e verdade este caminho. Não renuncieis a perseguir um ideal alto de amor, reflexo e testemunho do amor de Deus!

Mas como viver esta fase da vossa vida, como testemunhar o amor na comunidade? Gostaria de vos dizer antes de tudo que eviteis fechar-vos em relações intimistas, falsamente animadoras; fazei antes com que a vossa relação se torne fermento de uma presença ativa e responsável na comunidade.

Depois, não vos esqueçais de que para ser autêntico, também o amor exige um caminho de amadurecimento: a partir da atração inicial e do «sentir-se bem» com o outro, educai-vos a «amar» o outro, a «querer o bem» do outro. O amor vive de gratuidade, de sacrifício de si, de perdão e de respeito do outro.

Queridos amigos, cada amor humano é sinal do Amor eterno que nos criou, e cuja graça santifica a escolha de um homem e de uma mulher de se entregarem reciprocamente a vida no matrimônio.

Vivei este tempo do namoro na expectativa confiante desse dom, que deve ser aceite percorrendo um caminho de conhecimento, de respeito, de atenções que nunca deveis perder: só sob esta condição a linguagem do amor permanecerá significativa também com o passar dos anos. 

Portanto, educai-vos desde já para a liberdade da fidelidade, que leva a proteger-se reciprocamente, até viver um para o outro. Preparai-vos para escolher com convicção o «para sempre» que conota o amor: a indissolubilidade, antes de ser uma condição, é um dom que deve ser desejado, pedido e vivido, para além de qualquer mutável situação humana.

E não penseis, segundo uma mentalidade difundida, que a convivência seja uma garantia para o futuro. Acelerar as etapas acaba por «comprometer» o amor, que ao contrário precisa de respeitar os tempos e a gradualidade nas expressões: tem necessidade de dar espaço a Cristo, que é capaz de tornar um amor humano fiel, feliz e indissolúvel.

A fidelidade e a continuidade do vosso gostar um do outro tornar-vos-ão capazes de estar também abertos à vida, de ser pais: a estabilidade da vossa união no Sacramento do Matrimônio permitirá que os filhos que Deus vos conceder cresçam confiantes na bondade da vida.

Fidelidade, indissolubilidade e transmissão da vida são os pilares de qualquer família, verdadeiro bem comum, patrimônio precioso para toda a sociedade. Desde já, fundai sobre eles o vosso caminho rumo ao matrimônio e testemunhai-o também aos vossos coetâneos: é um serviço precioso!

Sede gratos a quantos vos acompanham na formação com zelo, competência e disponibilidade: são sinal da atenção e da solicitude que a comunidade cristã vos dedica. Não estejais sós: sede os primeiros a procurar e a acolher a companhia da Igreja.

Gostaria de voltar mais uma vez a falar de um aspecto essencial: a experiência do amor tem no seu interior a propensão para Deus. O verdadeiro amor promete o infinito! Por conseguinte, fazei deste vosso tempo de preparação para o matrimônio um percurso de fé: redescobri para a vossa vida de casal a centralidade de Jesus Cristo e do caminhar na Igreja.

Maria ensina-nos que o bem de cada um depende do escutar com docilidade a palavra do Filho. Em quem confia n’Ele, a água da vida quotidiana transforma-se no vinho de um amor que torna a vida boa, bela e fecunda.

De fato, Caná é anúncio e antecipação do dom do vinho novo da Eucaristia, sacrifício e banquete no qual o Senhor nos alcança, nos renova e transforma. Não percais a importância vital deste encontro: a assembleia litúrgica dominical vos encontre sempre plenamente partícipes: da Eucaristia brota o sentido cristão da existência e um novo modo de viver (cf. Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis, 72-73). Então, não tereis medo de assumir a importante responsabilidade da escolha conjugal; não receareis entrar neste «grande mistério», no qual duas pessoas se tornam uma só carne (cf. Ef 5, 31-32).

Caríssimos jovens, confio-vos à proteção de São José e de Maria Santíssima; seguindo o convite da Virgem Mãe — «Fazei o que Ele vos disser» — não vos faltará o gosto da verdadeira festa e sabereis levar o «vinho» melhor, aquele que Cristo dá à Igreja e ao mundo. Também eu gostaria de vos dizer que estou próximo de vós e de todos os que, como vós, vivem este maravilhoso caminho de amor. Abençoo-vos de coração!(grifos meus)

Fonte: AQUI

segunda-feira, 11 de junho de 2012

94 - Como educar os nossos filhos no mundo dominado pelo relativismo moral?

Chesterton



"Houve um dia em que o céu desceu sobre a Terra com um poder ou um sinete denominado a imagem de Deus, em virtude do qual o homem tomou comando da Natureza; e outra vez de novo (quando os homens, império após império, se encontravam perdidos) o próprio céu veio salvar a humanidade sob a forma assombrosa de um Homem.

Isto explicaria a razão por que a grande massa de homens sempre olhou para trás, e explica ainda a razão porque o único canto onde eles, em certo sentido, olham para a frente é o pequeno continente onde Cristo tem a Sua Igreja"