quinta-feira, 28 de junho de 2012

São Pedro Apóstolo




Com o sopro do Espírito, nasceu na Igreja, a palavra, o testemunho, o anúncio da salvação em Jesus ressuscitado, e naquele que escuta o anúncio nasceu a fé e com ela uma consciência de nova vida, e para não diminuir este fluxo divino nasceu o apostolado, o sacerdócio.

 No meio deste nascimento, aparece um homem, entre tantos, turrão, duro, calejado, mas com um coração grandioso capaz de amar até o fim – Pedro – quem poderia compreender tal mudança num homem assim?

Ora! São João Crisóstomo nos ajuda a entender, porque compreendeu a força do Espírito que faz novas todas as coisas. ”Ouvi pregar e discutir com valentia, escreve, entre as massas de inimigos, aquele que pouco antes se assustava diante da palavra de uma simples criada! Esta ousadia é uma prova significativa da Ressurreição do seu Mestre, pois Pedro prega entre homens que zombam e se riem do seu entusiasmo (...). A calúnia ( estão cheios de vinho doce) não perturba o espírito dos Apóstolos; os sarcasmos não diminuem a sua coragem, pois a chegada do Espírito Santo fez deles homens novos e superiores a todas as provas humanas. Quando o Espírito Santo penetra nas almas, é para elevar os seus afetos e para fazer,de almas terrestres e de barro, almas escolhidas e de uma coragem intrépida (...). Admirai a harmonia que reina entre os Apóstolos. Como cedem a Pedro o encargo de tomar a palavra em nome de todos! Pedro eleva a voz e fala à multidão com confiança intrépida. Tal é a coragem do homem instrumento do Espírito Santo (...) igual a um carvão aceso, longe de perder o seu ardor, ao cair sobre um montão de palha, encontra ali ocasião de fazer sair o seu calor, assim Pedro, em contato com o Espírito Santo que o anima, estende à sua volta o fogo que o devora” (Bíblia de Navarra - Atos dos Apóstolos p.74)

São Pedro, Rogai por nós!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Quem é Josemaria Escrivá e o que significa o Opus Dei

São Josemaria Escrivá





Vida de São Josemaria Escrivá de Balaguer (1902-1975), fundador do Opus Dei.

Josemaria Escrivá nasceu em Barbastro (Huesca, Espanha), em 9 de janeiro de 1902. Seus pais chamavam-se José e Dolores. Teve cinco irmãos: Carmen (1899-1957), Santiago (1919-1994) e outras três irmãs menores do que ele, que faleceram ainda pequenas. O casal Escrivá deu aos seus filhos uma profunda educação cristã.

Em 1915, a indústria de tecidos do pai abre falência, e ele tem de mudar-se para Logronho, onde encontrou outro emprego. Nessa cidade, Josemaria dá-se conta pela primeira vez da sua vocação: depois de ver umas pegadas na neve dos pés descalços de um religioso, intui que Deus deseja alguma coisa dele, embora não saiba exatamente o quê. Pensa que poderá descobri-lo mais facilmente se se fizer sacerdote, e começa a preparar-se, primeiro em Logronho e, mais tarde, no seminário de Saragoça.

Seguindo um conselho de seu pai, cursa na Universidade de Saragoça a Faculdade de Direito, como aluno livre. Seu pai morre em 1924, e ele fica como chefe de família. Recebe a ordenação sacerdotal em 28 de março de 1925 e começa a exercer o ministério numa paróquia rural e depois em Saragoça.

Em 1927, transfere-se para Madrid, com permissão do seu bispo, a fim de doutorar-se em Direito. Ali, no dia 2 de outubro de 1928, Deus faz-lhe ver a missão que lhe vinha inspirando havia anos, e funda o Opus Dei. A partir desse momento, passa a trabalhar com todas as suas forças no desenvolvimento da fundação que Deus lhe pede, ao mesmo tempo que continua a exercer o ministério pastoral que lhe fora encomendado naqueles anos, e que o punha diariamente em contato com a doença e a pobreza dos hospitais e bairros populares de Madrid.

Quando eclode a guerra civil, em 1936, encontra-se em Madrid. A perseguição religiosa obriga-o a refugiar-se em diferentes lugares. Exerce o seu ministério sacerdotal clandestinamente, até que consegue sair de Madrid. Depois de atravessar os Pireneus até o sul da França, instala-se em Burgos.

Quando termina a guerra, em 1939, volta a Madrid. Nos anos seguintes, dirige numerosos retiros espirituais para leigos, sacerdotes e religiosos. Nesse mesmo ano de 1939, conclui os estudos de doutorado em Direito.

Em 1946, fixa a sua residência em Roma. Obtém o Doutorado em Teologia pela Universidade Lateranense. É nomeado consultor de duas Congregações vaticanas, membro honorário da Pontifícia Academia de Teologia e Prelado de honra de Sua Santidade. Acompanha com atenção os preparativos e as sessões do Concílio Vaticano II (1962-1965) e mantém um relacionamento intenso com muitos padres conciliares.

De Roma, faz numerosas viagens a diversos países europeus para impulsionar o estabelecimento e a consolidação do Opus Dei nesses lugares. Com o mesmo objetivo, realiza entre 1970 e 1975 longas viagens até o México, a Península Ibérica, a América do Sul e Guatemala, e nelas também tem reuniões de catequese com grupos numerosos de homens e mulheres.

Falece em Roma no dia 26 de junho de 1975. Vários milhares de pessoas, entre elas muitos bispos de diversos países - quase um terço do episcopado mundial -, solicitam à Santa Sé a abertura da sua causa de canonização.

No dia 17 de maio de 1992, João Paulo II beatifica Josemaria Escrivá. Proclama-o santo dez anos depois, em 6 de outubro de 2002, na Praça de São Pedro, em Roma, diante de uma grande multidão. «Seguindo as suas pegadas», disse o Papa nessa ocasião na sua homilia, «difundam na sociedade, sem distinção de raça, classe, cultura ou idade, a consciência de que todos estamos chamados à santidade».



São Josemaria Escrivá - Rogai por nós!

Fonte: Aqui

Obras do Fundador - Aqui você pode ter acesso a seus livros maravilhosos.

domingo, 24 de junho de 2012

O primeiro Concílio da História

Por Georges Suffert


1 - Introdução
2- Jesus ou Aquele que precedeu a Igreja
3- A estratégia inicial dos Apóstolos
4- A Igreja de Jerusalém: Ascensão e Queda

5 -A Irrupção de Paulo



"É sem dúvida a partir de 49 que os apóstolos vêem a crise.

Paulo e Barnabé estão de volta a Antioquia quando ocorre um primeiro incidente. Admite-se, nos fatos, que os não-judeus convertidos não são obrigados a observar as práticas religiosas judaicas. Lembremo-nos da declaração de Pedro no batismo do centurião Cornélio. É o caso de Tito, que acompanha os dois apóstolos desde uma das novas comunidades da Ásia. Apressam-se em batizá-lo.

Ora, alguns judeus vindos da Judéia, ao contrário, exigem que Tito e os demais não-judeus convertidos sejam circuncidados. Por que essa súbita ruptura da regra aceita? Aqui, é necessário prestar atenção às datas: a tensão política entre os judeus e os romanos agora é palpável.

Os homens que preparam a revolta não desejam que os cristãos - que eles consideram uma seita judaica - se afastem do campo de batalha. Ora, para Paulo, "apóstolo dos gentios"e Barnabé, a Igreja não deve se solidarizar com o destino político de Israel.

O debate sem dúvida foi brutal, uma vez que dividiu as duas comunidades de Antióquia, a dos judeus-cristãos e a dos helenistas. Fica decidido que Paulo, Barnabé e Tito irão a Jerusalém. Em Antióquia, as pessoas querem saber se a comunidade de Jerusalém - ou seja, a comunidade-mãe - apóia os procedimentos dos judeus desconhecidos.

O primeiro concílio da história da Igreja (concilium: 'reunião", "convenção" de bispos ou de fiéis) será então aberto, e nenhum dos participantes tem consciência disso. Em Jerusalém, apóstolos e anciãos se encontram. Sabe-se que alguns cristãos de origem farisaica defendem a tese da circuncisão necessária. Mas estes constituem apenas uma minoria.

Pedro, em nome dos apóstolos, dá razão a Paulo e a Barnabé. Tiago, que poderia ter sido o líder da minoria conservadora, limita-se a supervisionar a redação das conclusões. O texto aparentemente é prudente; lembra que os cristãos de todas as origens devem respeitar os princípios da antiga lei de Moisés: não se comem carnes que foram imoladas para os ídolos; não se consomem animais que foram sufocados; a fornicação permanece condenada. Mas o silêncio sobre os problemas dos ritos judaicos é a prova de que a Igreja acaba de fazer uma opção.

Por que esse encontro - conhecido pelo nome de Concílio de Jerusalém - é importante? -  Por muitas razões. Primeiro, porque é o primeiro. Ele prova que, quando um debate religioso divide os cristãos, o concílio pode ser um meio apropriado para resolver as dificuldades.
Depois - como vimos -, permite o desinteresse entre a comunidade judaica e a cristã. Historicamente, os judeus continuam os primeiros; mas os segundos anunciam novos tempos.

Enfim, por sua composição, o concílio permite que pagãos (que são como oliveiras selvagens) compreendam a incipiente organização hierárquica da Igreja. Eles poderão se enxertar nesse novo tronco.

Pedro e João representam os Doze, isto é, o núcleo original.

Tiago e os velhos falam em nome da comunidade de Jerusalém.

Paulo, Barnabé e Tito são qualificados com o termo missionários; porém, os dois primeiros são apóstolos; o terceiro é um mero convertido. Mas é evidente que os que anunciam Cristo a povos desconhecidos ou pouco conhecidos têm o direito de ser ouvidos nos casos graves.

Pode-se simplificar. No centro, os apóstolos, dos quais Pedro é o representante. Veremos que serão necessários muitos séculos para que a situação e o poder do papa comecem a ser compreendidos.

Em volta dessa Igreja dos primeiros dias, duas hierarquias paralelas: primeiro, a dos anciãos; depois, a dos missionários.

 Fonte: Tu és Pedro

 Depois veremos: A Ruptura entre Cristãos e Judeus

sábado, 23 de junho de 2012

Natividade de São João Batista



"Vede que novo e admirável é este mistério. Ainda não saiu do seio e já fala mediante saltos; ainda não lhe é permitido clamar e já é escutado pelos fatos; ainda não vê a luz e já indica qual é o Sol; ainda não nasceu e já apressa a fazer de Precursor. Estando presente o Senhor não se pode conter nem suporta esperar os prazos da natureza, mas procura romper o cárcere do seio materno e busca dar testemunho de que o Salvador está prestes a chegar" - São João Crisóstomo - (Sermo apud Metaphr - Navarra pag 718)

Solenidade de São João Batista - Aqui                 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Minha infância...

Por Gustavo Corção.



"Não tenho experiência pessoal de que seja uma infância socialista: nunca andei no colo do Estado, não fui cuidado por técnicos, nem apascentado por mocinhas de frivolidade pedante. Não conheço no meu tempo esse tom de voz convencional de falsa maternidade, essa meiguice eficiente que se ouve no rádio,durante o quarto de hora infantil, ou nas escolas municipais da nova pedagogia.A voz que eu ouvia era franca e forte, voz de mãe cheia de filhos.que sabia distribuir os tapas necessários, cortar o pão e providenciar os agasalhos. 

Minha infância foi livre e feliz, em casa grande, casa antiga pintada de azul-claro, com platibandas enormes e bolas de vidro no jardim. Aprendi a tabuada e a leitura decorando e soletrando, encostado em minha mãe, pequenino e confiante, sem interesse, sem a menor vontade de aprender. Era bom soletrar a cartilha com o pensamento alheio, com vontade de acabar para ir ver a galinha no chôco ou continuar um morrinho de terra.

Não havia entre a cartilha e a galinha a relação de cumplicidade que mais tarde me seria inculcada nas primeiras lições de coisas, quando o mundo começasse a girar em torno de minha adolescência. Mas entre todas as coisas havia uma imensa solidariedade porque tudo estava na casa de meu pai.

Felizmente minha mãe não tinha lido Rousseau, que a teria talvez convencido de me mandar aprender com a galinha. Não conhecia também os espantosos resultados da Montessori com seus anormais; não procurou me incutir o interesse pela tabuada nem me convenceu de estar começando naqueles dias minha cidadania. Meu soletrar foi livre e gratuito, como a galinha, como as bolas de vidro no jardim. Cada coisa tinha nesse tempo  o seu próprio direito de existir. Por isso, o mundo era muito amplo e muito seguro.

O tempo também não existia; ou era uma espécie de dança de todas as coisas. E quando as pessoas dançavam, não deixavam de ser elas mesmas. Quando o teto vinha ao meu encontro, oscilando,crescendo, também não deixava de ser teto. O tempo era a regra dum brinquedo enorme: fazia meu pai sair e depois fazia-o voltar. Aliás, o mais certo é dizer que a regra vinha de meu próprio pai. Tudo era arbitrário e por isso mesmo havia uma enorme segurança em volta de mim; porque os árbitros eram pai e mãe. Não sentia nenhuma injustiça comas contradições dos adultos, mas um vexame de não ter aprendido uma certa regra, como nos brinquedos de pique e de roda.

Nas horas de estudar, eu subia para uma saleta pequenina e pegava a cartilha.Minha mãe não se sentava no chão da nova pedagogia para me ensinar números jogando naionente, mas dizia que hora de estudar era hora de estudar. E tinha imensa razão, porque tudo tem seu tempo. Eu poderia ter aprendido co  melhor método,ter economizado alguns dias na leitura daquela frase "O viúvo viu a ave",ou ter aprendido uma frase mais clara; mas não ficaria sabendo que cada coisa tem seu tempo. Tempo para brincar; tempo para estudar; tempo para comer. E tempo para rezar era na hora de dormir.

 - Então,vamos rezar. Bicho é que dorme sem rezar.

Padre Nosso.....


Fonte: A descoberta do Outro - pag: 42-43

Mais de Gustavo Corção:



quarta-feira, 20 de junho de 2012

São compatíveis a Ciência e a fé?

Por Afonso Aguilló

  O homem encontra a Deus por trás de cada porta que a ciencia consegue abrir. (Albert Einstein)

Para os que acreditam, Deus está no princípio. Para os cientistas, Deus está no final de todas as suas reflexões. (Max Planck)

Pode a Ciência Controlar-se a si mesma?

O físico alemão Otto Hahn, inventor da fissão do átomo de uranio, estava internado num campo de concentração inglês, junto com outros eminentes cientistas. Quando, em agosto de 1945, recebeu a notícia de que Hirosshima tinha sido arrasada por uma bomba atomica, sentiu um profundíssimo sentimento de culpa. As sua pesquisas sobre a fissão do uranio tinham acabado por se utilizar para produzir um massacre terrível.

Foi tal a sua angústia que tentou abrir as veias nos arames farpados que cercavam o campo.

Depois que os seus companheiros conseguiram dissuadi-lo, o velho professor fez-lhes, desolado, a seguinte confissão:"Acabo de perceber que a minha vida não tem mais sentido. Pesquisei pelo puro desejo de revelar a verdade das coisas e todo o meu saber científico acaba de se converter num enorme poder ainiquilador".

A experiencia pessoal de Otto Hanh foi, na realidade, a experiencia amarga de toda uma época. Uma aflitiva impressão de fracasso invadiu os espíritos de todos os que tinham lutado com tanta tenacidade por levar o conhecimento científico a máxima altura possível, convencidos de fazer com isso um grande bem a humanidade.

Tinham trabalhado penosamente com a profunda convicção de que o aumento do saber teórico e o incremento da felicidade humana estavam inequivocamente vinculados. Acreditavam que fomentar o conhecimento científico teria sempre um valor positivo, que significaria automaticamente cotas mais elevadas de felicidade e igualdade. Pensaram que se tratava de um bem inquestionável e que, portanto, se traduziria indubitavelmente em bem-estar para o homem.

Mas esse entusiasmo plurissecular, que já tinha aberto fendas nas tricheiras de Verdun* (uma das batalhas mais sangrentas da 1ª guerra), ruiu estrepitosamente com os horrores da 2ª guerra mundial.

O terrível poder destruidor das armas nucleares, os intensívos bombardeios da população civil, o extermínio sistemático e profundamente cruel de toda uma raça e um saldo de cinquenta milhões de mortos puseram tragicamente de manifesto que o saber teórico pode traduzir-se num saber técnico, e este, por sua vez, num amplo poder sobre a realidade, mas, por desgraça, todo esse domínio não leva automaticamente a uma maior felicidade dos homens se aqueles que detem esse poder não possuem uma consciencia ética proporcional a sua responsabilidade.

Após séculos de febril incremento do saber científico, a idéia de que o progresso humano é sempre contínuo e não pode haver retrocesso revelou-se uma farsa irritante.

O ideal do domínio científico e a consequente forma de humanismo desfizeram-se em pedaços ao entrarem em colisão com a obstinada realidade da história. Era patente que o futuro não devia caracterizar-se por essa ingenua crença no progresso como princípio motor de uma civilização, mas que era preciso alicerçá-lo em valores mais altos e seguros.

História de uma Desilusão.


O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, depois da sua experiencia pessoal em diversos campos de concentração, chegou à conclusão de que não foram os ministérios nazistas de Berlim os verdadeiros responsáveis por aquelas atrocidades, mas a filosofia niilista do século XIX.

Se o homem é um simples produto de uma natureza mutável, um simples macaco evoluído, então, da mesma forma que o macaco pode ser enjaulado num zoológico, o homem pode ser encarcerado num campo de extermínio.Se o homem é um simples animal, ainda que extraordinariamente adestrado, e fazemos sabonetes com gordura animal, por que não faze-lo com gordura humana?

O filósofo Edmund Husserl, esclarecido pela falencia do mito do eterno progresso por ocasião da Segunda Guerra mundial - na qual viu, entre outras ocasiões, aquela racionalização perfeita da matança em massa de milhões de inocentes - percebeu claramente que a ciencia, por força do seu método, não pode ser um princípio motor da vida humana.

"O mundo da objetividade científica - escreveu - é um mundo fechado e inóspito. A forma pela qual o homem moderno, na segunda metade do séc. XIX, se deixou determinar totalmente pelas ciencias positivas e cegar pela prosperity a elas devida, significou por de lado as questões decisivas para uma humanidade autentica. As ciências que só comtemplam meros fatos fazem com que os homens só enxergassem meros fatos".

Procurar o conhecimento científico objetivo das coisas é lícito e fecundo. Mas considerar esse modo de conhecer como modelo, como a única forma rigorosa de conhecimento, é uma parcialidade inaceitável, já que empobrece enormemente o homem.

A Ilustração - o Iluminismo - pretendia alcançar o ideal renascentista que sonhava entregar o homem a si mesmo, torna-lo livre, permitindo-lhe viver sob o império exclusivo da razão. A esperança de que o homem atingiria a felicidade para sempre num mundo já dominado e sem segredos, por meio de uma ciência que tudo conheceria e tudo poderia, veio a ser um sonho que nunca se alcançaria e que o horror gigantesco das duas Guerras mundiais converteu em algo pior que um pesadelo.

O domínio da realidade escapava ao molde estreito do pensamento racionalista. E o perigo não derivava da ciencia em si, mas dessa mentalidade que levava a considerar que só se pode conhecer aquilo que é mensurável, controlável, verificável, e a desprezar os aspectos da realidade que resistem a esse tipo de controle e cálculo.

Essa pretensão de domínio sem limites deixava o homem numa situação de desamparo. Logo se viu que a ciencia, que tinha dominado com o seu prestígio o Século das Luzes, não podia, por si só, plenificar a vida do homem.

Não era sua missão. A ciencia não fala de valores, de sentido, de metas, nem de fins, e o ser humano precisa de tudo isso para preservar a sua dignidade e ser feliz. O otimismo ilustrado previra horizontes paradisíacos, mas a utopia científica mostrou como nunca a sua impotência.

Não há dúvida de que o progresso científico foi grande e que esse desenvolvimento é uma coisa boa, ou pelo menos, não tem porque ser má. Mas, hoje em dia, muito poucos acreditam que tudo isso seja a panacéia, que possa fazer algo mais do que transferir a inquietação de uns temas para outros.

O domínio das coisas é muito elevado, mas necessita de um humanismo válido que lhe de sentido. Porque, do contrário, pode embriagar-se com os seus próprios exitos e crescer em direções aberrantes para a dignidade do homem.

A técnica permite desenvolver meios de comunicação extremamente poderosos, rápidos, atraentes, sugestivos, mas esses meios podem ser uma arma de primeira grandeza para manipular as consciências, moldar as vontades e os sentimentos dos homens.

A ciencia precisa de alguns limites para a sua pretensão de soberania. Toda a grande conquista traz consigo uma inevitável ambivalencia: um avanço num aspecto e um retrocesso em outro, talvez não menos valioso.

O aumento de poder não corre sempre paralelamente ao aumento do domínio do homem sobre esse poder. A ciência não pode abandonar-se a sua própria dinamica, mas deve ser regulada por uma instancia externa que a oriente e lhe de sentido.

Fonte: É Razoável Crer?


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Católica

 Por padre Leo Trese



“Em todos os tempos, todas as verdades, em todos os lugares”.

Esta frase descreve de uma forma condensada a terceira das quatro notas da Igreja. É o terceiro lado do quadrado que constitui a “marca” de Cristo e que nos prova a origem divina da Igreja.  É o selo da autenticidade que só a Igreja Católica possui.

A palavra Católica significa que abrange tudo, e provém do grego,  e significa o mesmo que a palavra “universal”, que vem do latim.  É católica porque nela está presente Cristo: (Santo Inácio de Antioquia). Nela subsiste a plenitude do Corpo de Cristo unido à sua Cabeça, o que implica que ela receba dEle a plenitude.(AG.6) que Ele quis instituir: confissão da fé correta e completa, vida sacramental e ministério ordenado na sucessão apostólica.

Neste sentido fundamental, a Igreja era católica no dia de Pentecostes e o será sempre até o dia da Parusia”.

“É católica, porque Cristo a enviou em missão à universalidade do gênero humano: (LG.13)” (ns. 830-1).Quando dizemos que a Igreja Católica (com “C” maiúsculo) é católica (com “c” minúsculo) ou universal, queremos dizer antes de mais nada que existiu todo o tempo desde o Domingo de Pentecostes até os nossos dias.

As páginas de qualquer livro de história darão fé disto, e não é necessário sequer que seja um livro escrito por um católico. A Igreja Católica tem uma existência ininterrupta de mais de mil e novecentos anos, e é a única Igreja que pode dize-lo de verdade.

Digam o que quiserem as outras “igrejas” sobre a purificação da primitiva Igreja ou os “ramos” da Igreja, o certo é que, nos primeiros séculos da história cristã, não houve outra Igreja além da Católica.

As comunidades cristãs não-católicas mais antigas são as nestorianas, as monofisitas e as ortodoxas.

A ortodoxa grega, por exemplo, teve o seu começo no século IX, quando o arcebispo de Constantinopla recusou a comunhão ao imperador Bardas, que vivia publicamente em pecado. Levado pelo despeito, o imperador separou a Grécia da sua união com Roma, e assim nasceu a confissão ortodoxa.

A confissão protestante mais antiga é a luterana, que começou a existir no século XVI, quase mil e quinhentos anos depois de Cristo. Teve a sua origem na rebelião de Martinho Lutero, um frade católico de personalidade magnética, e ficou devendo a sua rápida difusão ao apoio dos príncipes alemães, que se insurgiram contra o poder do Papa em Roma.

A tentativa de Lutero de corrigir os abusos da Igreja (e não há dúvida de que havia abusos) acabou num mal muito maior: a divisão da Cristandade. Lutero abriu um primeiro furo no dique, e atrás dele veio a inundação.

Mencionamos Henrique VIII, John Knox e John Wesley.

Mas as primeiras confissões protestantes subdividiram-se e proliferaram (especialmente nos países de língua alemã e inglesa), dando lugar a centenas de seitas diferentes, num processo que ainda não terminou. Mas nenhuma delas existia antes de 1517, ano em que Lutero afixou as suas famosas 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha.

A Igreja Católica não só é a única cuja história não se interrompe desde os tempos de Cristo, como também é a única que ensina todas as verdades que Jesus ensinou e como Ele as ensinou.

Os sacramentos da Penitência e Unção dos Enfermos, a Missa e a Presença Real de Jesus Cristo na Eucaristia, a supremacia espiritual de Pedro e seus sucessores, os Papas, a eficácia da graça e a possibilidade de o homem merecer a graça e o céu – são pontos que nem todas as igrejas não-católicas aceitam.

Há hoje comunidades que pretendem ser “igrejas cristãs” e chegam até a duvidar da divindade de Jesus Cristo.

Em contrapartida, não há uma só verdade revelada por Jesus Cristo (pessoalmente ou pelos seus Apóstolos) que a Igreja Católica não proclame e ensine. Além de ser universal no tempo (todos os dias desde o Pentecostes) e universal na doutrina (todas as verdades ensinadas por Jesus Cristo), a Igreja Católica levou a mensagem de salvação a todas as latitudes e longitudes da face da terra, lá onde houvesse almas que salvar.

A Igreja Católica não é uma igreja “alemã” (como os luteranos) ou “inglesa” (como os anglicanos), ou “escocesa” (os presbiterianos), ou “holandesa” (a Igreja Reformada), ou “norte-americana” (centenas de seitas distintas).  A Igreja Católica está em todos esses países, e, além disso, em todos aqueles que permitiram a entrada aos seus missionários.

Mas não é propriedade de nenhuma nação ou raça.

Acha-se em casa em qualquer parte, sem ser propriedade de ninguém.

Foi assim que Cristo a quis.

A sua Igreja Católica é a única a cumprir esta condição, a única que está em toda a parte, por todo o mundo.

Estudos anteriores Aqui