A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
domingo, 8 de julho de 2012
Das Meditações de Padre Pio
Jesus,
Que nada me separe de Ti, nem a vida, nem a morte.
Seguindo-Te em vida, ligado a Ti com todo amor,
seja-me concedido expirar contigo no Calvário,
para subir contigo à glória eterna;
Seguirei contigo nas tribulações e nas perseguições,
para ser um dia digno de amar-Te na revelada glória do Céu; para cantar-Te um hino de agradecimento por todo o Teu sofrimento por mim.
Jesus,
Que eu também enfrente como Tu, com serena paz e tranqüilidade,
todas as penas e trabalhos que possa encontrar nesta terra;
uno tudo aos Teus méritos, às Tuas penas, às Tuas expiações, às Tuas lágrimas, a fim de que colabore contigo para a minha salvação
e para fugir de todo o pecado - causa que Te fez suar sangue e Te reduziu à morte.
Destrói em mim tudo o que não seja do Teu agrado.
Com o fogo de Tua santa caridade, escreve em meu coração todas as Tuas dores.
Aperta-me fortemente a Ti, Com um nó tão estreito e tão suave,
que eu jamais Te abandone nas Tuas dores.
Amém!
Fonte: AQUI
quinta-feira, 5 de julho de 2012
O processo científico implica um declivio religioso?
Por Alfonso Aguilló
A Idade Moderna começou por cultivar insistentemente as questões de método. Bacon, Descartes e Spinoza, por exemplo, concentraram a sua filosofia em torno da busca de um método rigoroso que lhes permitisse chegar à certeza e assentar a vida sobre convicções sólidas, inquebrantáveis, inexpugnáveis.
Como as ciências avançam sobre dados seguros e conferidos, verificados pela experiência, foram surgindo pensadores convencidos de que, sempre que a ciência descobria um segredo, a religião dava um passo atrás. Parecia-lhes que o progresso da ciência reduzia inexoravelmente o domínio do religioso, cada dia mais confinado. Em contraposição ao que consideravam o crédulo espírito medieval, o homem moderno haveria de encontrar, apenas com a força da sua razão, um método sem fendas. E o grande modelo do pensamento autêntico era, para eles, o saber matemático.
Se se trabalha com a devida lógica, articulando bem os diversos passos do raciocínio – afirmavam -, chega-se em matemática a conclusões apodícticas, inquestionáveis. A ordem no raciocínio torna-se a chave do pensamento e do conhecimento retos. E essa ordem é estabelecida pela razão, pois a razão é o grande privilégio do homem. Por esse caminho – acabavam por concluir -, o homem basta-se a si mesmo, já que a razão lhe oferece recursos de sobra para descobrir as leis da realidade e conseguir um rápido domínio sobre ela.
Mas de novo a passagem do tempo veio a mostrar como esse domínio só é possível em termos quantitativos, naquilo que pode submeter-se a cálculo e medida. Mas o espírito escapa ao método matemático e à lógica cartesiana. Ao possibilitar a opção livre, o espírito torna possíveis muitas coisas que denunciam a insuficiência do modelo racionalista.
Poderiam citar-se muitos exemplos.
Um dos mais característicos é a tentativa racionalista de explicar a inteligência humana.
É difícil saber exatamente o que é o pensamento, mas, se eu reduzo o problema a uma questão de neurônios, posso conseguir uma tranqüilizadora impressão de exatidão: 1.350 gramas de cérebro humano, constituído por 100.000 milhões de neurônios, cada um dos quais forma entre 1.000 e 10.000 sinapses e recebe a informação que lhe chega dos olhos através de 1.000.000 de axônios acumulados no nervo ótico. Por sua vez, cada célula viva pode ser explicada pela química orgânica....
Deste modo, posso pretender explicar a inteligência num plano biológico, a biologia em termos de processos químicos e a química em forma de matemática.
Pois bem, qualquer leitor medianamente crítico perguntar-se-á o que têm a ver as porcentagens de carbono e hidrogênio, os neurônios e toda a matemática associada a esses processos, com algo tão humano e tão pouco matemático como conversar, entender uma piada, captar um olhar de carinho ou compreender o sentido da justiça.
A ciência moderna, com as suas descobertas maravilhosas, com as suas leis de uma exatidão assombrosa, oferece a tentação – um empenho que se deu em Descartes com uma força irresistível – de querer conhecer toda a realidade com uma exatidão matemática. Mas costuma-se esquecer algo essencial: que a matemática é exata à custa de considerar unicamente os aspectos quantificáveis da realidade. E reduzir toda a realidade ao quantificável é uma notável simplificação, é um reducionismo.
Poderíamos replicar como aquele velho professor universitário, quando um aluno fazia alguma afirmação reducionista: “Isso é como se eu lhe perguntasse o que é esta mesa, e você me respondesse: cento e cinqüenta quilos”.
As grandezas matemáticas prestaram e prestarão um grande serviço à ciência, e à humanidade no seu conjunto, mas sempre prestaram um péssimo serviço quando se quis empregá-las de um modo exclusivista.
A totalidade do real nunca poderá ser expressa só em cifras, porque as cifras expressam unicamente grandezas e a grandeza é apenas uma parte da realidade. E não é questão de dar mais números ou com mais decimais. Por muitos ou muito exatos que sejam, oferecem sempre um conhecimento notoriamente insuficiente.
Você pesa 70 quilos, mas não é 70 quilos.
E mede 1,83 metros, mas não é 1,83 metros.
As duas medidas são exatas, mas você é muito mais que uma soma exata de centímetros e quilos. As suas dimensões mais genuínas não são quantificáveis: não podem ser determinadas numericamente as suas responsabilidades, a sua liberdade real, a sua capacidade de amar, a sua simpatia por tal pessoa ou a sua vontade de ser feliz.
Não querer reconhecer uma realidade alegando que não pode ser medida experimentalmente seria proceder mais ou menos como um químico que se negasse a admitir as propriedades especiais dos corpos radioativos sob o pretexto de que não obedecem às mesmas leis que explicam o que acontece com os outros corpos já conhecidos.
Acima da ciência há outra face da realidade: a mais importante, e também a mais interessante do ser humano, aquela em que aparecem aspectos tão pouco quantificáveis como, por exemplo, os sentimentos – não é possível pesá-los, mas nada pesa mais do que eles na vida. Um pensamento ou um sentimento não podem honestamente ser qualificados como materiais. Não têm cor, sabor ou extensão, e escapam a qualquer instrumento que sirva para medir propriedades físicas. “Os fenômenos mentais – afirma John Eccles, Prêmio Nobel de Neurocirurgia – transcendem claramente os fenômenos da fisiologia e da bioquímica”.
“A ciência, apesar dos seus progressos incríveis – escreve o médico e pensador Gregório Maranón -, não pode nem poderá nunca explicar tudo. Cada vez ganhará mais terreno no campo daquilo que hoje parece inexplicável. Mas os limites fronteiriços do saber, por muito longe que cheguem, terão sempre pela frente um infinito mundo de mistério”
Fonte: É Razoável Crer?
Depois veremos:A Fé desaparecerá quando a sociedade amadurecer?
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terça-feira, 3 de julho de 2012
São Tomé
Por Bento XVI
Tomé
Queridos irmãos e irmãs!
Prosseguindo os nossos encontros com os doze Apóstolos escolhidos directamente por Jesus, hoje dedicamos a nossa atenção a Tomé. Sempre presente nas quatro listas contempladas pelo Novo Testamento, ele, nos primeiros três Evangelhos, é colocado ao lado de Mateus (cf. Mt10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 15), enquanto nos Actos está próximo de Filipe (cf. Act 1, 13). O seu nome deriva de uma raiz hebraica, ta'am, que significa "junto", "gémeo". De facto, o Evangelho chama-o várias vezes com o sobrenome de "Dídimo" (cf. Jo 11, 16; 20, 24; 21, 2), que em grego significa precisamente "gémeo". Não é claro o porquê deste apelativo.
Sobretudo o Quarto Evangelho oferece-nos informações que reproduzem alguns traços significativos da sua personalidade. O primeiro refere-se à exortação, que ele fez aos outros Apóstolos, quando Jesus, num momento crítico da sua vida, decidiu ir a Betânia para ressuscitar Lázaro, aproximando-se assim perigosamente de Jerusalém (cf. Mc 10, 32). Naquela ocasião Tomé disse aos seus condiscípulos: "Vamos nós também, para morrermos com Ele" (Jo 11, 16).
Esta sua determinação em seguir o Mestre é deveras exemplar e oferece-nos um precioso ensinamento: revela a disponibilidade total a aderir a Jesus, até identificar o próprio destino com o d'Ele e querer partilhar com Ele a prova suprema da morte. De facto, o mais importante é nunca separar-se de Jesus.
Por outro lado, quando os Evangelhos usam o verbo "seguir" é para significar que para onde Ele se dirige, para lá deve ir também o seu discípulo. Deste modo, a vida cristã define-se como uma vida com Jesus Cristo, uma vida a ser transcorrida juntamente com Ele. São Paulo escreve algo semelhante, quando tranquiliza os cristãos de Corinto com estas palavras: "estais no nosso coração para a vida e para a morte" (2 Cor 7, 3). O que se verifica entre o Apóstolo e os seus cristãos deve, obviamente, valer antes de tudo para a relação entre os cristãos e o próprio Jesus: morrer juntos, viver juntos, estar no seu coração como Ele está no nosso.
Uma segunda intervenção de Tomé está registada na Última Ceia. Naquela ocasião Jesus, predizendo a sua partida iminente, anuncia que vai preparar um lugar para os discípulos para que também eles estejam onde Ele estiver; e esclarece: "E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho" (Jo 14, 4). É então que Tomé intervém e diz: "Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?" (Jo 14, 5).
Na realidade, com esta expressão ele coloca-se a um nível de compreensão bastante baixo; mas estas suas palavras fornecem a Jesus a ocasião para pronunciar a célebre definição: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14, 6). Portanto, Tomé é o primeiro a quem é feita esta revelação, mas ela é válida também para todos nós e para sempre. Todas as vezes que ouvimos ou lemos estas palavras, podemos colocar-nos com o pensamento ao lado de Tomé e imaginar que o Senhor fala também connosco como falou com ele.
Ao mesmo tempo, a sua pergunta confere também a nós o direito, por assim dizer, de pedir explicações a Jesus. Com frequência nós não o compreendemos. Temos a coragem para dizer: não te compreendo, Senhor, ouve-me, ajuda-me a compreender. Desta forma, com esta franqueza que é o verdadeiro modo de rezar, de falar com Jesus, exprimimos a insuficiência da nossa capacidade de compreender, ao mesmo tempo colocamo-nos na atitude confiante de quem espera luz e força de quem é capaz de as doar.
Depois, muito conhecida e até proverbial é a cena de Tomé incrédulo, que aconteceu oito dias depois da Páscoa. Num primeiro momento, ele não tinha acreditado em Jesus que apareceu na sua ausência, e dissera: "Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito" (Jo 20, 25). No fundo, destas palavras sobressai a convicção de que Jesus já é reconhecível não tanto pelo rosto quanto pelas chagas.
Tomé considera que os sinais qualificadores da identidade de Jesus são agora sobretudo as chagas, nas quais se revela até que ponto Ele nos amou. Nisto o Apóstolo não se engana. Como sabemos, oito dias depois Jesus aparece no meio dos seus discípulos, e desta vez Tomé está presente. E Jesus interpela-o: "Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e põe-na no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!" (Jo 20, 27). Tomé reage com a profissão de fé mais maravilhosa de todo o Novo Testamento: "Meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20, 28).
A este propósito, Santo Agostinho comenta: Tomé via e tocava o homem, mas confessava a sua fé em Deus, que não via nem tocava. Mas o que via e tocava levava-o a crer naquilo de que até àquele momento tinha duvidado" (In Iohann. 121, 5).
O evangelista prossegue com uma última palavra de Jesus a Tomé: "Porque me viste, acreditaste. Felizes os que, sem terem visto, crerão" (cf. Jo 20, 29). Esta frase também se pode conjugar no presente; "Bem-aventurados os que crêem sem terem visto".
Contudo, aqui Jesus enuncia um princípio fundamental para os cristãos que virão depois de Tomé, portanto para todos nós. É interessante observar como o grande teólogo medieval Tomás de Aquino, compara com esta fórmula de bem-aventurança aquela aparentemente oposta citada por Lucas: "Felizes os olhos que vêem o que estais a ver" (Lc 10, 23). Mas o Aquinate comenta: "Merece muito mais quem crê sem ver do que quem crê porque vê" (In Johann. XX lectio VI 2566).
O caso do Apóstolo Tomé é importante para nós pelo menos por três motivos: primeiro, porque nos conforta nas nossas inseguranças; segundo porque nos demonstra que qualquer dúvida pode levar a um êxito luminoso além de qualquer incerteza; e por fim, porque as palavras dirigidas a ele por Jesus nos recordam o verdadeiro sentido da fé madura e nos encorajam a prosseguir, apesar das dificuldades, pelo nosso caminho de adesão a Ele.
Uma última anotação sobre Tomé é-nos conservada no Quarto Evangelho, que o apresenta como testemunha do Ressuscitado no momento seguinte à pesca milagrosa no Lago de Tiberíades (cf. Jo 21, 2).
Naquela ocasião ele é mencionado inclusivamente logo depois de Simão Pedro: sinal evidente da grande importância de que gozava no âmbito das primeiras comunidades cristãs. Com efeito, em seu nome foram escritos depois os Actos e o Evangelho de Tomé, ambos apócrifos mas contudo importantes para o estudo das origens cristãs. Por fim recordamos que segundo uma antiga tradição, Tomé evangelizou primeiro a Síria e a Pérsia (assim refere já Orígenes, citado por Eusébio de Cesareia, Hist. eccl. 3, 1) depois foi até à Índia ocidental (cf. Actos de Tomé 1-2 e 17ss.), de onde enfim alcançou também a Índia meridional. Nesta perspectiva missionária terminamos a nossa reflexão, expressando votos de que o exemplo de Tomé corrobore cada vez mais a nossa fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e nosso Deus.
Fonte AQUI
São Tomé - Rogai por nós!
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Nossa Senhora das Graças
"Ao anunciar Cristo – o Filho do Deus Vivente, "Deus de Deus" e "Luz da Luz", "consubstancial ao Pai" – confesso ao mesmo tempo, com toda a Igreja, que Ele se tornou um ser humano por obra do Espírito Santo e nasceu de Maria Virgem. O teu nome, Maria, está inseparavelmente ligado ao Seu nome. A tua vocação e o teu Sim pertencem, desde aquele instante, indissoluvelmente, ao mistério da Encarnação.
Junto com toda a Igreja confesso e proclamo que Jesus Cristo é, neste mistério, o único mediador entre Deus e os seres humanos, porquanto a sua Encarnação trouxe a redenção e a justificação aos filhos de Adão sujeitos ao poder do pecado e da morte. Ao mesmo tempo, estou intimamente convencido de que ninguém mais profundamente do que tu, a Mãe do Redentor, foi introduzido neste pujante e avassalador mistério divino, e ninguém é mais do que tu, Maria, capaz de nos introduzir nele da maneira mais fácil e mais clara, a nós que o professamos e dele pessoalmente participamos.
Nesta convicção de fé, vivo eu há muito tempo. Com ela tenho empreendido, desde o início, a minha peregrinação [..] Com a mesma convicção eis-me hoje aqui, para agora confiar-te a Igreja a ti, nossa Mãe, pois estiveste presente no Cenáculo quando a Igreja, em virtude da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, se anunciou publicamente.
Maria, que és bem-aventurada porque creste (Lc 1, 41), a ti confio o que parece a coisa mais importante no serviço da Igreja neste país: o seu forte testemunho de fé diante da hodierna geração de homens e mulheres deste povo, em vista da crescente secularização e indiferença religiosa que grassa por aí. Oxalá este testemunho fale sempre a linguagem clara do Evangelho e encontre destarte acesso aos corações, sobretudo da geração jovem. Atraia a juventude e entusiasme-a para uma vida conforme ao modelo do "homem novo" e para os diversos serviços na vinha do Senhor.
4. Mãe de Cristo, que rezaste antes da sua Paixão: "Pai... todos devem ser uma só coisa" (Jo 17, 11 e 21), quão ligado está o meu peregrinar através destas terras germânicas, precisamente neste ano, com o premente e humilde anseio pela unidade entre os cristãos, que desde o século XVI estão separados! Poderia alguém desejar, mais intimamente do que tu, que se realizasse o que pediu Cristo no cenáculo da Última Ceia? E se nós mesmos devemos confessar termos sido cúmplices da cisão, mas hoje oramos por uma nova unidade no amor e na verdade, não poderemos então esperar que tu, Mãe de Cristo, ores juntamente connosco? Não poderemos esperar que com esta oração sazone um dia, no tempo oportuno, a dádiva daquela "comunidade do Espírito Santo" (2 Cor 13, 13), que é indispensável "para que o mundo creia" (Jo 17, 21)?
A ti, Mãe, confio o futuro da fé nesta antiga terra cristã; e lembrado das angústias da última, terrível guerra, que rasgou feridas tão profundas particularmente nos povos da Europa, confio a ti a paz no mundo. Quem dera surja entre estes povos nova ordem que se baseie no plena respeito dos direitos de cada nação e de cada pessoa no seio da sua própria nação, ordem genuinamente moral em que possam conviver os povos como sendo uma família, graças à devida paridade de justiça a liberdade.
Eis a prece que te dirijo a ti, Rainha da Paz, Espelho da Justiça eu, – João Paulo II, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro– e deixo-a aqui no teu Santuário das Graças de Altötting, em perpétua memória. Amém.
O Celibato Eclesiástico
Por Padre Leo Trese.
18,30
"Ao sair da sacristia, vejo Frank Smith tocar a campainha da casa paroquial, à hora marcada para a lição de catecismo. O seu velho carro está junto da calçada, carregado com os seus únicos tesouros: a esposa com o caçulinha no banco da frente, e, atrás, quatro cabecinhas despenteadas.
Pelo visto, toda a familia irá de compras logo que a lição termine. Enquanto subo as escadas ao encontro do pai, quatro mãos me saúdam com um aceno, e uma vez mais sinto uma pontada de inveja, tão frequente nos homens sem filhos diante de uma familia feliz.
É uma inveja momentanea, naturalmente. O bom senso depressa me lembra todo o dinheiro que Frank tem que gastar com a familia. Sei de algumas das suas dores de cabeça e preocupações, das suas privações e sacrificios: noites sem dormir e pesadelos econômicos Sei do filhinho que perdeu e da conta que tem que pagar mensalmente ao medico.
Quem sou eu meu Deus, para orgulhar-me do meu compromisso de castidade?
Houve um tempo em que, na minha simplicidade, julgava tratar-se de uma coisa grandiosa que Vos oferecia, quando, na realidade, fostes Vós que me fizestes esse dom gratuitamente. Agora que penso nisso, parece-me estranho que os homens nos respeitem sobretudo - mesmo quando o fazem de má vontade e com um certo ar de suspeita - precisamente pelo mais leve dos nossos fardos.
Talvez pudesse progredir mais em outras virtudes se recordasse a mim próprio, com maior freqüência, como significa tão pouco, só por si, este compromisso de castidade.
Talvez me empenhasse com maior diligência na tarefa da minha santificação se não desse por descontado que já estou salvo, só pelo fato de ter renunciado voluntariamente àquilo a que tantos homens menos afortunados tiveram que renunciar por força das circunstâncias.
È, na verdade, um privilégio perigoso, este do celibato.
É muito fácil alardear orgulhosamente um heroísmo que na realidade não existe, enquanto descuido muitas outras virtudes que me tornariam um verdadeiro sacerdote. É fácil ser casto e, no entanto, irascível; ser puro e, no entanto, orgulhoso; ser celibatário e, no entanto, comodista e indolente...
Não acredito que sacerdote algum tenha caído do seu pedestal por causa da asfixiante opressão do compromisso que assumiu. Não se pode cair de uma altura que já se tinha abandonado. E essa altura raramente é abandonada com um gesto dramático. É uma descida lenta e dissimulada, que tem por força motriz o amor-próprio.
É sobre o meu amor-próprio, meu Deus, e não sobre a minha faculdade procriadora que a vossa graça tem de atuar tão arduamente. Amo tanto o fácil, e me é tão difícil orar, que preferiria fazer qualquer coisa antes do que orar. Preferiria cair morto de cansaço de tanto trabalhar, mas não de rezar.
E, à noite, iria para a cama exausto de tanto fugir de Vós.
Por uma refinada preguiça, selecionarei as tarefas que mais me satisfaçam o amor-próprio.
Escolherei dentre os papéis da minha escrivaninha uma dúzia de assuntos insignificantes para resolver, antes do que lançar-me a tocar a campainha das portas em busca dos extraviados. Passarei uma hora a consertar uma fechadura ou a substituir a resistência de uma torradeira elétrica, antes do que ir visitar o velho O’Connor que jaz doente no seu enxergão.
Massacrarei as pernas de tanto andar atrás de uniformes para os atletas da nossa paróquia, antes do que preparar conscienciosamente uma palestra sobre o apostolado dos leigos que os tire do seu morno comodismo.
O meu egoísmo procurará também todas as formas de comodidade. Mas a mortificação não é cômoda e, no entanto, deve acompanhar a oração neste vale de lágrimas. A saúde exige que cuide do meu descanso, mesmo que tenha que ir diretamente do travesseiro para os degraus do altar, sem estar barbeado nem ter tido uns momentos de oração.
Os meus nervos não resistiriam se eu deixasse de fumar..., as minhas energias se enfraqueceriam se não comesse abundantemente..., o meu tom vital declinaria se não tivesse suficientes distrações...
Depois, vem a pobreza, o alter ego da mortificação. A pobreza é facilmente vencida pelo orgulho. Mais do que pela cobiça. E, senão, meu Deus, é ou não é a vaidade, mais do que a cobiça, o que me leva a ter o carro ou a televisão último modelo, o aparelho mais moderno de ar condicionado e todos os outros artefatos mais recentes com que o mundo tenta preencher o vazio que sente longe de Vós?
Há sempre um amanhã, sem dúvida. Contudo, nos meus momentos de sinceridade, sei que tem havido excessivos “amanhãs”, e que “amanhã” deixarei tudo para “amanhã”. Sei também que, se alguma vez cair – não o permita a Vossa misericórdia -, não será pelo jugo do meu compromisso.
A capitulação do último reduto não será senão a rendição de uma cidade vazia e em ruínas. Antes de cair, já terá sido lançada ao mar toda a vitalidade que a sustentava. Ajudai-me, Senhor, a fazer com que o meu “amanhã” seja hoje.
Fonte: Vaso de Argila
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domingo, 1 de julho de 2012
Cardeal John Henry Newman
"Meus irmãos, se vos apartais da Igreja católica, a quem ireis? Ela é vossa única possibilidade de paz e segurança neste mundo cambiante e turbulento. Entre a Igreja e o ceticismo nada existe, se o homem concede livre e desenfadado exercício a sua razão. Credos privados e religiões inventadas podem a sua maneira resultar atrativas para a multidão, quando estão na moda. Religiões nacionais podem permanecer gigantescas e inertes, ocupar o terreno por séculos, e distrair a atenção ou confundir o juízo dos homens cultos. Mas eventualmente, se verá que, ou bem a Igreja católica supõe a entrada do mundo invisível neste mundo visível, ou não existe nada certo, dogmático e real nas noções sobre nossa origem e destino. Perdei o catolicismo e os convertereis em protestantes, unitários, deístas, panteístas, céticos, em uma terrível e inevitável sucessão." (Card. John Henry Newman)
A Igreja Católica não procede da terra nem depende do homem, pois, de outro modo, poderiam também destruí-la. Que diferentes da Igreja Católica, grandiosa e imutável, são as demais religiões! Estas dependem do tempo e do lugar para existir, vivem somente durante um período da história ou habitam em uma região concreta. São criaturas do solo que, como plantas indígenas, florescem a certa temperatura na umidade ou na secura, e morrem se são transplantadas" - (Discursos sobre la fé - Ediciones Rialp, p. 252_
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Santo Agostinho e o Primado
"Uma vez que devemos considerar a sucessão dos bispos, com maior razão, mais verdadeiramente e com maior segurança nós enumeramos os bispos de Roma a partir do próprio Pedro, a quem, como que representando a toda a Igreja, o Senhor disse: Sobre esta Pedra construirei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela? (Letters 53:1:2 [A.D. 412]).
Comentário ao Evangelho do III domingo da Páscoa - ano C (Jo 21,1-19)
Quando interrogava a Pedro, o Senhor interrogava também a nós. Quando ouves o Senhor dizendo: Pedro, tu me amas? (Jo 21,16), lembra-te de um espelho e procura ver-te nele. Pois que outra coisa Pedro aí fazia se não representar a Igreja? Por isso, quando interrogava a Pedro, o Senhor nos interrogava também a nós, interrogava a Igreja.
Para saberes que Pedro era figura da Igreja, recorda aquela passagem do Evangelho: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não a vencerão. Eu te darei as chaves do Reino dos céus (Mt 16,18-19). É um homem só que as recebe. Quais sejam as chaves do Reino dos céus ele explicou assim: O que ligares na terra será ligado nos céus e o que desligares na terra será desligado nos céus (Mt 16,19). Mas, se apenas a Pedro é que isso se disse, somente Pedro é que fez isso: morreu e partiu. Quem, portanto, liga e quem desliga? Ouso afirmar que também nós temos essas chaves
“Eis que o Senhor, depois de sua ressurreição, aparece novamente aos discípulos. Interroga Pedro e o obriga a confessar três vezes seu amor, a ele que, por medo, três vezes o negara. Cristo ressuscitou na carne, e Pedro segundo o espírito; pois, enquanto o Senhor morria sofrendo, Pedro morria negando. Cristo Senhor ressuscitou dentre os mortos, e Pedro ressuscitou graças ao amor de Cristo para com ele. Àquele que agora o confessava, interrogou sobre seu amor, e lhe confiou suas ovelhas. ”
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Mas, o que Pedro dava a Cristo, pelo fato de amar a Cristo? Se Cristo te ama, o proveito é teu, não de Cristo. Se amas a Cristo, é ainda para proveito teu, não de Cristo. Entretanto, o Senhor, querendo mostrar como os homens devem provar que o amam, manifesta-o claramente, mencionando suas ovelhas: Tu me amas? – Eu te amo. Cuida das minhas ovelhas (Jo 21, 16.17). Perguntou uma, duas, três vezes. Pedro nada lhe respondeu a não ser que o amava. O Senhor nada lhe perguntou a não ser se ele o amava. Cristo não confia a Pedro coisa alguma senão o pastoreio de suas ovelhas. Amemo-nos, e estaremos amando a Cristo...” Sermo Guelferbytanus 16, 1-2 (Patrologiæ Latinæ Supplementum 2, 579-580)
Veja Também - Primado do Papa
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