A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Resposta ao indiferentismo e ao sincretismo religioso
Nos diz Monsenhor Sanahuja: "João Paulo II foi muito claro quando se dirigiu à Assembléia Plenária da Congregação para a Doutrina da Fé:
' Para por remédio a esta mentalidade relativista, é preciso reiterar, sobretudo, o caráter definitivo e íntegro da Revelação de Cristo. Por conseguinte, é contrária à fé da Igreja a tese acerca do caráter limitado da Revelação de Cristo que encontraria seu complemento nas outras religiões. Efetivamente, é errôneo considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado daqueles constituídos por outras religiões, que seriam complementares à Igreja e convergentes com esta rumo ao Reino escatológico de Deus. Portanto, deve-se excluir uma certa mentalidade de indiferentismo caracterizada por um relativismo religioso, que considera que uma religião vale por outra' - (Redemptoris mssio, 36)
E continua ele, o Papa Bento XVI, assinalando as diferenças da fé cristã para esclarecer a confusão do igualitarismo, do indiferentismo e do sincretismo religioso afirma: 'Cristo é totalmente diferente de todos os fundadores das outras religiões e não pode ser reduzido a um Buda ou a Sócrates ou Confúcio. É realmente a ponte entre o céu e a terra, a luz da verdade que apareceu para nós' - (Conferência na Universidade católica Santo Antonio de Murçia)
São Bento e Bento XVI
"Celebra-se a festa de São Bento Abade, Padroeiro da Europa, um Santo que me é particularmente querido, como se pode intuir pela escolha que fiz do seu nome. Nascido em Núrsia por volta do ano 480, Bento fez os primeiros estudos em Roma mas, desiludido com a vida da cidade, retirou-se para Subiaco, onde permaneceu por cerca de três anos numa gruta o célebre "sacro speco" dedicando-se totalmente a Deus.
Em Subiaco, servindo-se das ruínas de uma enorme vila do imperador Nero, ele, juntamente com os seus primeiros discípulos, construiu alguns mosteiros dando vida a uma comunidade fraterna fundada sobre a primazia do amor de Cristo, na qual a oração e o trabalho se alternavam harmoniosamente com o louvor a Deus. Alguns anos mais tarde, em Montecassino, deu forma concreta a este projecto, e escreveu-o na "Regra", a única obra sua que chegou até nós. Entre as cinzas do Império Romano, Bento, procurando antes de tudo o Reino de Deus, lançou, talvez sem se aperceber, a semente de uma nova civilização que se teria desenvolvido, integrando por um lado, os valores cristãos com a herança clássica e, por outro, as culturas germânica e eslava.
Há um aspecto típico da sua espiritualidade, que hoje gostaria de realçar de modo especial. Bento não fundou uma instituição monástica finalizada principalmente à evangelização dos povos bárbaros, como outros grandes monges missionários da época, mas indicou aos seus seguidores como finalidade fundamental, aliás única da existência, a busca de Deus: "Quaerere Deum". Mas ele sabia que quando o crente entra em relação profunda com Deus não pode contentar-se com viver de maneira medíocre seguindo uma ética minimalista e uma religiosidade superficial. Nesta luz, compreende-se então melhor a expressão que Bento tirou de São Cipriano e que sintetiza na sua Regra (IV, 21) o programa de vida dos monges: "Nihil amori Christi praeponere", "Nada antepor ao amor de Cristo". Consiste nisto a santidade, proposta válida para cada cristão que se tornou uma verdadeira urgência pastoral nesta nossa época na qual se sente a necessidade de ancorar a vida e a história em referências espirituais firmes.
Maria Santíssima, que viveu em profunda e constante comunhão com Cristo, é modelo sublime e perfeito de santidade. Invoquemos a sua intercessão, juntamente com a de São Bento, para que o Senhor multiplique também na nossa época homens e mulheres que, através de uma fé iluminada, testemunhada com a vida, sejam neste novo milénio sal da terra e luz do mundo.
São Bento- Rogai por nós!
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terça-feira, 10 de julho de 2012
Dom Eugênio Sales
Faleceu ontem Dom Eugênio Sales, um grande sacerdote da Igreja de Cristo, fiel a Deus e a sua santa doutrina
Que Deus o tenha! O Céu está em festa e nós temos mais um grande intercessor. Deus seja louvado!
""Conhecer a doutrina e a posição da Igreja diante dos constantes desafios aos homens, é uma exigência para quem busca manter-se a par do que influencia os habitantes do nosso planeta. E, se não há interesse em ficar atualizado pelo menos é uma forma de evitar cair no ridículo de cometer equívocos causados pela ignorância sobre uma instituição que abriga mais de um bilhão de pessoas, espalhadas por todas as nações" (Dom Eugenio, sobre o Catecismo da Igreja Católica)
Vale ler este texto de Dom Eugênio, tão atual, tão consciente de sua função neste mundo como filho de Deus que era. - As aparências e a Verdade
Tive o privilégio de conhece-lo, de participar de um retiro com ele juntamente com muitos irmãos de uma comunidade do Orkut, cujo tema era: "A importância dos meios de comunicação para a evangelização e foi para mim uma grande alegria.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Santíssimo Sacramento da Eucaristia
Por São Francisco de Sales.
"O Salvador instituiu o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, que contém realmente a Sua carne e o Seu Sangue para que aquele que comer d'Ele viva eternamente; por isso, todo aquele que usa devota e frequentemente deste Sacramento assegura de tal maneira a salvação da sua alma, que é quase impossível que qualquer sorte de má afeição lhe ocasione a morte.
Não se pode estar alimentado por esta carne de vida e viver dos afetos da morte [...] Os cristãos que se condenarem ficarão sem saber o que replicar quando o justo Juiz lhes fizer ver o insensatos que foram morrer espiritualmente, podendo ter conservado com tanta facilidade a saúde da alma comendo do Corpo que Ele lhes deixou para este fim.
Miseráveis, dir-lhes-á, como é que estais mortos, tendo-vos mandado comer o fruto e manjar da vida?
Fonte: Introdução à vida devota.
"O Salvador instituiu o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, que contém realmente a Sua carne e o Seu Sangue para que aquele que comer d'Ele viva eternamente; por isso, todo aquele que usa devota e frequentemente deste Sacramento assegura de tal maneira a salvação da sua alma, que é quase impossível que qualquer sorte de má afeição lhe ocasione a morte.
Não se pode estar alimentado por esta carne de vida e viver dos afetos da morte [...] Os cristãos que se condenarem ficarão sem saber o que replicar quando o justo Juiz lhes fizer ver o insensatos que foram morrer espiritualmente, podendo ter conservado com tanta facilidade a saúde da alma comendo do Corpo que Ele lhes deixou para este fim.
Miseráveis, dir-lhes-á, como é que estais mortos, tendo-vos mandado comer o fruto e manjar da vida?
Fonte: Introdução à vida devota.
Liberdade e Ascetismo
Por Fulton Sheen
"Vinte anos atrás havia muito pouca disciplina no mundo, hoje há em demasia e de má qualidade. Sob a velha ordem do liberalismo, a disciplina era considerada uma repressão injusta, a licença era glorificada como "expansão da personalidade", e a mortificação era desdenhada como "um resquício da Idade Média". O homem livre era aquele que não estava sujeito nem a proibições nem a inibições. Supunha-se que os jovens que deixavam os esplendores e encantos do mundo pelas sombras e refúgios da Cruz onde se forjam os santos, faziam-no em consequência de uma decepção de amor. O convento ou o mosteiro eram considerados Legiões Estrangeiras religiosas onde os jovens entravam por terem perdido a sua bem-amada. A verdade é que ali entravam por terem encontrado o seu Bem-Amado.
Para a geração liberalista, a moralidade não era uma relação entre a ação e a lei ou finalidade, mas uma média estatística do modo como viviam homens e mulheres. O bem era que a maioria fazia; o mal era o que a maioria não fazia. A liberdade de pensamento veio a ser tão livre que, desprovida de pensamentos, se tornou insensatez.
Se os homens, naqueles tempos, se tivessem conduzido com aquele abandono e completo desrespeito pelas finalidades da vida humana, que presumiam, de há muito que viveríamos dentro do caos. Refundiram até os Evangelhos e rejeitaram, como antiquados e impróprios para os nossos tempos, todos os textos que recomendam ao homem: "tomar cada dia a sua cruz"e "perder a vida para salva-la", a crença na Divindade de Cristo supunha-se ter sido carcomida pelos "acidos do modernismo". Pelo menos foi o que nos disse Mr. Walter Lipmann. Em vez de ajustarem sua vida ao dogma, começavam os homens a ajustar os dogmas às suas vidas. Adaptaram a religião e a moral ao modo que viviam. Fizeram Deus dançar ao som de sua nova física e a teologia ao som da música da biologia. Julgava-se que os homens era livres porque não mais sofriam compressão.
Agora, tudo isso mudou. De um mundo de absoluta liberdade e nenhuma compressão, passamos para um mundo de coerção e nenhuma liberdade. De uma ordem em que não havia renúncia, o mundo reagiu até a negação da personalidade. Os regimes totalitários são todos fundados no princípio ascético: "fazei penitência, pois está perto o reino do homem". O ascetismo tornou-se moda; os homens tem agora de sacrificar tanto o que são como o que possuem.
Deve-se renunciar à liberdade individual em benefício do novo mito: a raça e a classe. "As depurações tornaram-se moda". É fato que nenhum sistema político, no decurso dos passados 1900 anos, levou tão longe o ascetismo como o fizeram o fascismo soviético e o nazismo. É na verdade improvável que tivessem pregado o ascetismo político com tamanho sucesso se não houvesse a Cruz de mortificação do Calvário lançado sua sombra sobre o mundo. Com a religião, o homem aprendera a se mortificar para o bem de seu destino eterno.
Quando a religião foi esquecida, o marxismo apoderou-se do ascetismo e fez os homens dobrarem-se mais uma vez ao seu jugo, não para o bem de suas almas, mas em benefício de uma produção maior. A mortificação era outrora a marca inconfundível dos homens bons - Marx e Lenin fizeram dela a própria divisa do mal.
O mundo estava preparado para essa volta ao ascetismo, pois já se saciara com a licenciosidade do individualismo. Andava à busca de alguma coisa que fizesse exigências à alma e encontrou-se no marxismo. Muitas coisas tiveram de ser abandonadas para se poder entrar em seu reino. O anjo coma espada flamejante montava guarda diante dos portões paradisíacos, ordenando a cada um que entrava abdicar de sua personalidade em benefício da coletividade.
Absoluta submissão às diretivas do partido foi ordenada, sob a ameaça de uma bala pelas costas nas escadarias do Kremlim; a propriedade produtiva privada teve de ser abandonada, num desafio ao Estado, a fim de que o trabalhador passasse a ser a unidade da nova ordem.
O fascismo soviético veio a usar exatamente os mesmos meios que o Cristianismo sempre usara antes, mas para um fim inteiramente diverso. Daí em diante sustentou que os homens precisavam ser disciplinados não para o bem de suas almas, mas em benefício da riqueza social. Os ouvidos modernos não mais ouviram o argumento em defesa da "expressão da personalidade", ou, se o ouviram, ouviram-no dos reacionários liberais.
Hoje em dia ouvem o argumento em defesa da violência, tanto da parte do Cristianismo como da de seus inimigos do fascismo soviético e do nazismo. É com efeito, digno de nota que o Cristianismo não menos que o comunismo prega a violência. Lenin disse que pouco se importava que quatro quintos do mundo fossem banhados em sangue contanto que o outro quinto se tornasse comunista.
Jesus Cristo pregou que o "Reino dos Céus é conquistado pela violência e só os violentos o arrebatarão". O olho deve ser arrancado, as mãos amputadas, os membros decepados, a cruz de cada dia carregada e até a vida precisa ser perdida para entrar em Seu Reino.
Fonte: O problema da Liberdade
Mais do Livro: AQUI
"Vinte anos atrás havia muito pouca disciplina no mundo, hoje há em demasia e de má qualidade. Sob a velha ordem do liberalismo, a disciplina era considerada uma repressão injusta, a licença era glorificada como "expansão da personalidade", e a mortificação era desdenhada como "um resquício da Idade Média". O homem livre era aquele que não estava sujeito nem a proibições nem a inibições. Supunha-se que os jovens que deixavam os esplendores e encantos do mundo pelas sombras e refúgios da Cruz onde se forjam os santos, faziam-no em consequência de uma decepção de amor. O convento ou o mosteiro eram considerados Legiões Estrangeiras religiosas onde os jovens entravam por terem perdido a sua bem-amada. A verdade é que ali entravam por terem encontrado o seu Bem-Amado.
Para a geração liberalista, a moralidade não era uma relação entre a ação e a lei ou finalidade, mas uma média estatística do modo como viviam homens e mulheres. O bem era que a maioria fazia; o mal era o que a maioria não fazia. A liberdade de pensamento veio a ser tão livre que, desprovida de pensamentos, se tornou insensatez.
Se os homens, naqueles tempos, se tivessem conduzido com aquele abandono e completo desrespeito pelas finalidades da vida humana, que presumiam, de há muito que viveríamos dentro do caos. Refundiram até os Evangelhos e rejeitaram, como antiquados e impróprios para os nossos tempos, todos os textos que recomendam ao homem: "tomar cada dia a sua cruz"e "perder a vida para salva-la", a crença na Divindade de Cristo supunha-se ter sido carcomida pelos "acidos do modernismo". Pelo menos foi o que nos disse Mr. Walter Lipmann. Em vez de ajustarem sua vida ao dogma, começavam os homens a ajustar os dogmas às suas vidas. Adaptaram a religião e a moral ao modo que viviam. Fizeram Deus dançar ao som de sua nova física e a teologia ao som da música da biologia. Julgava-se que os homens era livres porque não mais sofriam compressão.
Agora, tudo isso mudou. De um mundo de absoluta liberdade e nenhuma compressão, passamos para um mundo de coerção e nenhuma liberdade. De uma ordem em que não havia renúncia, o mundo reagiu até a negação da personalidade. Os regimes totalitários são todos fundados no princípio ascético: "fazei penitência, pois está perto o reino do homem". O ascetismo tornou-se moda; os homens tem agora de sacrificar tanto o que são como o que possuem.
Deve-se renunciar à liberdade individual em benefício do novo mito: a raça e a classe. "As depurações tornaram-se moda". É fato que nenhum sistema político, no decurso dos passados 1900 anos, levou tão longe o ascetismo como o fizeram o fascismo soviético e o nazismo. É na verdade improvável que tivessem pregado o ascetismo político com tamanho sucesso se não houvesse a Cruz de mortificação do Calvário lançado sua sombra sobre o mundo. Com a religião, o homem aprendera a se mortificar para o bem de seu destino eterno.
Quando a religião foi esquecida, o marxismo apoderou-se do ascetismo e fez os homens dobrarem-se mais uma vez ao seu jugo, não para o bem de suas almas, mas em benefício de uma produção maior. A mortificação era outrora a marca inconfundível dos homens bons - Marx e Lenin fizeram dela a própria divisa do mal.
O mundo estava preparado para essa volta ao ascetismo, pois já se saciara com a licenciosidade do individualismo. Andava à busca de alguma coisa que fizesse exigências à alma e encontrou-se no marxismo. Muitas coisas tiveram de ser abandonadas para se poder entrar em seu reino. O anjo coma espada flamejante montava guarda diante dos portões paradisíacos, ordenando a cada um que entrava abdicar de sua personalidade em benefício da coletividade.
Absoluta submissão às diretivas do partido foi ordenada, sob a ameaça de uma bala pelas costas nas escadarias do Kremlim; a propriedade produtiva privada teve de ser abandonada, num desafio ao Estado, a fim de que o trabalhador passasse a ser a unidade da nova ordem.
O fascismo soviético veio a usar exatamente os mesmos meios que o Cristianismo sempre usara antes, mas para um fim inteiramente diverso. Daí em diante sustentou que os homens precisavam ser disciplinados não para o bem de suas almas, mas em benefício da riqueza social. Os ouvidos modernos não mais ouviram o argumento em defesa da "expressão da personalidade", ou, se o ouviram, ouviram-no dos reacionários liberais.
Hoje em dia ouvem o argumento em defesa da violência, tanto da parte do Cristianismo como da de seus inimigos do fascismo soviético e do nazismo. É com efeito, digno de nota que o Cristianismo não menos que o comunismo prega a violência. Lenin disse que pouco se importava que quatro quintos do mundo fossem banhados em sangue contanto que o outro quinto se tornasse comunista.
Jesus Cristo pregou que o "Reino dos Céus é conquistado pela violência e só os violentos o arrebatarão". O olho deve ser arrancado, as mãos amputadas, os membros decepados, a cruz de cada dia carregada e até a vida precisa ser perdida para entrar em Seu Reino.
Fonte: O problema da Liberdade
Mais do Livro: AQUI
domingo, 8 de julho de 2012
Das Meditações de Padre Pio
Jesus,
Que nada me separe de Ti, nem a vida, nem a morte.
Seguindo-Te em vida, ligado a Ti com todo amor,
seja-me concedido expirar contigo no Calvário,
para subir contigo à glória eterna;
Seguirei contigo nas tribulações e nas perseguições,
para ser um dia digno de amar-Te na revelada glória do Céu; para cantar-Te um hino de agradecimento por todo o Teu sofrimento por mim.
Jesus,
Que eu também enfrente como Tu, com serena paz e tranqüilidade,
todas as penas e trabalhos que possa encontrar nesta terra;
uno tudo aos Teus méritos, às Tuas penas, às Tuas expiações, às Tuas lágrimas, a fim de que colabore contigo para a minha salvação
e para fugir de todo o pecado - causa que Te fez suar sangue e Te reduziu à morte.
Destrói em mim tudo o que não seja do Teu agrado.
Com o fogo de Tua santa caridade, escreve em meu coração todas as Tuas dores.
Aperta-me fortemente a Ti, Com um nó tão estreito e tão suave,
que eu jamais Te abandone nas Tuas dores.
Amém!
Fonte: AQUI
quinta-feira, 5 de julho de 2012
O processo científico implica um declivio religioso?
Por Alfonso Aguilló
A Idade Moderna começou por cultivar insistentemente as questões de método. Bacon, Descartes e Spinoza, por exemplo, concentraram a sua filosofia em torno da busca de um método rigoroso que lhes permitisse chegar à certeza e assentar a vida sobre convicções sólidas, inquebrantáveis, inexpugnáveis.
Como as ciências avançam sobre dados seguros e conferidos, verificados pela experiência, foram surgindo pensadores convencidos de que, sempre que a ciência descobria um segredo, a religião dava um passo atrás. Parecia-lhes que o progresso da ciência reduzia inexoravelmente o domínio do religioso, cada dia mais confinado. Em contraposição ao que consideravam o crédulo espírito medieval, o homem moderno haveria de encontrar, apenas com a força da sua razão, um método sem fendas. E o grande modelo do pensamento autêntico era, para eles, o saber matemático.
Se se trabalha com a devida lógica, articulando bem os diversos passos do raciocínio – afirmavam -, chega-se em matemática a conclusões apodícticas, inquestionáveis. A ordem no raciocínio torna-se a chave do pensamento e do conhecimento retos. E essa ordem é estabelecida pela razão, pois a razão é o grande privilégio do homem. Por esse caminho – acabavam por concluir -, o homem basta-se a si mesmo, já que a razão lhe oferece recursos de sobra para descobrir as leis da realidade e conseguir um rápido domínio sobre ela.
Mas de novo a passagem do tempo veio a mostrar como esse domínio só é possível em termos quantitativos, naquilo que pode submeter-se a cálculo e medida. Mas o espírito escapa ao método matemático e à lógica cartesiana. Ao possibilitar a opção livre, o espírito torna possíveis muitas coisas que denunciam a insuficiência do modelo racionalista.
Poderiam citar-se muitos exemplos.
Um dos mais característicos é a tentativa racionalista de explicar a inteligência humana.
É difícil saber exatamente o que é o pensamento, mas, se eu reduzo o problema a uma questão de neurônios, posso conseguir uma tranqüilizadora impressão de exatidão: 1.350 gramas de cérebro humano, constituído por 100.000 milhões de neurônios, cada um dos quais forma entre 1.000 e 10.000 sinapses e recebe a informação que lhe chega dos olhos através de 1.000.000 de axônios acumulados no nervo ótico. Por sua vez, cada célula viva pode ser explicada pela química orgânica....
Deste modo, posso pretender explicar a inteligência num plano biológico, a biologia em termos de processos químicos e a química em forma de matemática.
Pois bem, qualquer leitor medianamente crítico perguntar-se-á o que têm a ver as porcentagens de carbono e hidrogênio, os neurônios e toda a matemática associada a esses processos, com algo tão humano e tão pouco matemático como conversar, entender uma piada, captar um olhar de carinho ou compreender o sentido da justiça.
A ciência moderna, com as suas descobertas maravilhosas, com as suas leis de uma exatidão assombrosa, oferece a tentação – um empenho que se deu em Descartes com uma força irresistível – de querer conhecer toda a realidade com uma exatidão matemática. Mas costuma-se esquecer algo essencial: que a matemática é exata à custa de considerar unicamente os aspectos quantificáveis da realidade. E reduzir toda a realidade ao quantificável é uma notável simplificação, é um reducionismo.
Poderíamos replicar como aquele velho professor universitário, quando um aluno fazia alguma afirmação reducionista: “Isso é como se eu lhe perguntasse o que é esta mesa, e você me respondesse: cento e cinqüenta quilos”.
As grandezas matemáticas prestaram e prestarão um grande serviço à ciência, e à humanidade no seu conjunto, mas sempre prestaram um péssimo serviço quando se quis empregá-las de um modo exclusivista.
A totalidade do real nunca poderá ser expressa só em cifras, porque as cifras expressam unicamente grandezas e a grandeza é apenas uma parte da realidade. E não é questão de dar mais números ou com mais decimais. Por muitos ou muito exatos que sejam, oferecem sempre um conhecimento notoriamente insuficiente.
Você pesa 70 quilos, mas não é 70 quilos.
E mede 1,83 metros, mas não é 1,83 metros.
As duas medidas são exatas, mas você é muito mais que uma soma exata de centímetros e quilos. As suas dimensões mais genuínas não são quantificáveis: não podem ser determinadas numericamente as suas responsabilidades, a sua liberdade real, a sua capacidade de amar, a sua simpatia por tal pessoa ou a sua vontade de ser feliz.
Não querer reconhecer uma realidade alegando que não pode ser medida experimentalmente seria proceder mais ou menos como um químico que se negasse a admitir as propriedades especiais dos corpos radioativos sob o pretexto de que não obedecem às mesmas leis que explicam o que acontece com os outros corpos já conhecidos.
Acima da ciência há outra face da realidade: a mais importante, e também a mais interessante do ser humano, aquela em que aparecem aspectos tão pouco quantificáveis como, por exemplo, os sentimentos – não é possível pesá-los, mas nada pesa mais do que eles na vida. Um pensamento ou um sentimento não podem honestamente ser qualificados como materiais. Não têm cor, sabor ou extensão, e escapam a qualquer instrumento que sirva para medir propriedades físicas. “Os fenômenos mentais – afirma John Eccles, Prêmio Nobel de Neurocirurgia – transcendem claramente os fenômenos da fisiologia e da bioquímica”.
“A ciência, apesar dos seus progressos incríveis – escreve o médico e pensador Gregório Maranón -, não pode nem poderá nunca explicar tudo. Cada vez ganhará mais terreno no campo daquilo que hoje parece inexplicável. Mas os limites fronteiriços do saber, por muito longe que cheguem, terão sempre pela frente um infinito mundo de mistério”
Fonte: É Razoável Crer?
Depois veremos:A Fé desaparecerá quando a sociedade amadurecer?
Mais AQUI
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