A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Poder Global e Religião Universal
Dentre os livros que tive a honra de ler nestes últimos dias, este foi sem dúvida muito importante para que eu compreendesse realmente como anda o mundo e qual o meu papel enquanto cristã e cidadã neste contexto atual, onde os valores de Deus e a moral estão sendo excluídos, deixando o ser humano a mercê das hostes malignas que visam destruí-lo, por ser ele imagem e semelhança do Criador. O inimigo é o mesmo, mas a estratégia agora é outra. Como nos diz o Monsenhor Sanahuja, ele vem agora travestido de Ecumênico, Ecológico e Relativista. Rezar e vigiar é preciso. Que Deus nos ajude e que a Virgem nos guarde. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate!
Introdução do livro.
Por Juan Claudio Sanahuja
"João Paulo II na encíclica Evangelium vitae, refere-se ao que chamava de "a verdadeira conjura contra a verdade": "Os falsos profetas e os falsos mestres conseguiram o maior êxito possível". Infelizmente certos setores do Cristianismo não escaparam à colonização da Nova Ordem. Em algumas organizações de tradição cristã o que prevalece não é o compromisso com a verdade: o medo de serem acusadas de fundamentalistas, a ambiguidade cúmplice - da qual se tira indigno proveito - e a aceitação resignada dos falsos valores da modernidade - como o sucesso, a popularidade, a excelência - provocaram em algumas pessoas uma verdadeira apostasia material da Fé em Jesus Cristo.
Parece que para elas não existem princípios imutáveis dos quais não se pode fazer concessão. Como diz Spaemann, foi imposta : "uma nova ética que avalia as ações como parte de uma estratégia. A ação moral torna-se, então, uma ação estratégica". Esta forma de pensar, que de início era chamada comumente de "utilitarismo", tem sua origem no pensamento político", o que leva a cair no consequencialismo moral.
O diálogo se transforma em "dialoguismo", no qual é concedido o inegociável, e, com desculpa de se descobrir o que é positivo nas diferentes manifestações sociais e culturais contaminadas de paganismo, muitos católicos não resistem a nenhuma de suas exigências abusivas, coonestam o erro, ocultam sua fé, não demonstram com obras que são cristãos e, com frequência, se mostram mais amigos dos inimigos de Deus que de seus irmãos de fé.
A crise da Igreja é grave. Tenho a impressão de que não se esconde de ninguém que o cataclismo social que afeta o respeito à vida humana e à família tem essa triste situação como causa. Michel Schooyans afirma, sem nenhuma dúvida, que a Nova Ordem Mundial, "do ponto de vista cristão, é o maior perigo que ameaça a Igreja desde a crise ariana do século IV", quando, nas palavras atribuídas a São Jerônimo, "o mundo dormiu cristão e com um gemido, acordou ariano"
O consolo banal e pusilânime de dizer que "vai passar", que o "pêndulo da história voltará a se equilibrar", nada resolve porque, enquanto isso, criam-se situações que põem em perigo a fé de muitas pessoas. Nossa primeira atitude não deve ser - ainda que a tentação exista -nem de queixa nem de denúncia,mas de obediência a Jesus Cristo,que é exigente: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos"(Jo 14,15). Só assim nosso falar e pensar servirá para que Deus possa ser ouvido,para que possa encontrar espaço no mundo. Só assim seremos bons instrumentos purificados pelo Senhor.
Como comenta Bento XVI,tomando a primeira carta de São Pedro: " A obediência à verdade deveria tornar casta a nossa alma e desta forma guiar à reta palavra e à reta ação. Em outras palavras, falar para encontrar aplausos, falar orientando-se segundo o que os homens querem ouvir, falar em obediência à ditadura de opiniões comuns é considerado uma espécie de prostituição da palavra e da alma. A castidade à qual o apóstolo Pedro faz alusão não é submeter-se a estes protótipos, não é procurar aplausos, mas procurar a obediência à verdade" (Homilia durante a missa com os membros da comissão teológica Internacional - 06/10/2006)
Bento XVI propôs recentemente, de forma sintética, o exemplo de São João Leonardo: " tender constantemente à alta medida de vida cristã, que é a santidade", porque "só da fidelidade a Cristo pode surgir a autentica renovação eclesial". São João Leonardo viveu nos anos em que começou a se delinear o pensamento moderno " que produziu entre seus efeitos negativos a marginalização de Deus, com a ilusão de uma possível e total autonomia do homem que escolhe viver ' como se Deus não existisse'. É a crise do pensamento moderno, que muitas vezes desemboca em formas de relativismo.
São João Leonardo intuiu qual era o verdadeiro remédio para estes males espirituais e resumiu-o na expressão: " Cristo antes de tudo". Reafirmou que o encontro vivo com Cristo se realiza em sua Igreja, santa mas frágil, radicada na história e no seu porvir, às vezes obscuro, no qual o trigo e o joio crescem juntos, mas que é sempre Sacramento de salvação. Não se escandalizou com as fraquezas humanss e para combater o joio optou por ser bom trigo: ou seja, decidiu amar a Cristo na Igreja e contribuir para torna-la cada vez mais trnsparenete d ' Ele. (Audiência Geral 07/10/09)
A sociedade e o Estado excluíram Deus e "onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil. Isto começa a tornar-se evidente ali onde a eliminação organizada de pessoas inocentes - ainda não nascidas - se reveste de uma aparência de direito, por ter a seu favor a proteção do interesse da maioria" (Bento XVI - Iglesia y Modernidad, Buenos Aires: Paulinas p.115 - 1992)
Este caminho não será fácil, nem seguro:" Num mundo onde a mentira é poderosa, paga-se a verdade com o sofrimento. Quem quer evitar o sofrimento, mante-lo longe de si, mantém longe a própria vida e sua grandeza; não pode ser servo da verdade nem pode servir à fé" (Bento XVI Homilia 28/06/2008)
Para este serviço à fé contamos coma graça proporcional às circunstâncias que Deus nos deu: " Não devemos distanciar-nos de Deus, mas tornar Deus presente; fazer com que Ele seja grande em nossas vidas;[...]É importante que Deus seja grande entre nós, na vida pública, através por exemplo, da cruz nos edifícios públicos" (Bento XVI homilia na Solenidade da Assunção - 2005)
O Santo Padre tem insistido no testemunho público dos católicos; mas não estaremos complexados e covardes, omitindo deveres elementares com a desculpa de pluralismo e abertura? Os inimigos que enfrentamos hoje são muito poderosos. Irremediável é o sofrimento pela Verdade, igualmente inevitável a perseguição dos bons e, ao mesmo tempo, impreterível a necessidade de testemunho pessoal e social, individual e coletivo, o que nos é exigido como cristãos.
Recordemos que as vésperas da Conferência do cairo, João Paulo II convidou-nos a recorrer a São Miguel Arcanjo coma oração que " O Papa Leão XIII introduziu em toda a Igreja[...] para obter ajuda nesta batalha contra as forças das trevas"
Em 1982 referia-se ao mistério da iniquidade na Homilia em Cracóvia: " O homem vive como se Deus não existisse e chega a pôr-se a si mesmo no lugar de Deus. Assim, arroga para si próprio o direito do criador de interferir no mistério da vida humana. Quer decidir a vida do homem e determinar o limite da morte. Rejeitando as leis divinas e os princípios morais, ele atenta abertamente contra a família. Da várias maneiras procura calar a voz de Deus no coração dos homens e quer fazer de Deus o 'grande ausente' na cultura e na consciência dos povos. O mistério da iniquidade continua a caracterizar a realidade do mundo"
Por isso, hoje mais do que nunca devemos responder de forma consciente diante de Jesus Cristo, participando de sua oração e de sua Cruz, com a direção do magistério da Igreja: Ubi Petrus, Ibi Ecclesia, Ibi Deus. Procuremos ser bons discípulos de Nosso Senhor, sem dar rédeas à tentação da impaciência, de imediatamente buscar o grande êxito, os grandes números, deixando a Ele quando e como nosso trabalho dê fruto.Para tanto é preciso rezar mais, estudar mais, pensar mais e agir mais para quebrar o espartilho do politicamente correto, dos lugares comuns e do encantamento mundano"
Buenos Aires, 7 de novembro de 2009
Festa de Maria, Mãe e Medianeira da Graça.
Juan C. Sanahuja
segunda-feira, 23 de julho de 2012
sábado, 21 de julho de 2012
A Aborto, a Fé, a tradição e a Moral
« Deus não fez a morte, nem se alegra que pereçam os vivos » (Sab. 1, 13).
É certo que Deus criou seres que não têm senão uma duração limitada e que a morte física não pode estar ausente do mundo dos viventes corporais. Mas, aquilo que é querido, antes de mais nada, é a vida; e, no universo visível, tudo foi feito em vista do homem, imagem de Deus e coroamento do mundo (cfr. Gén. 1, 26-28).
No plano humano, foi « por inveja do demónio que a morte entrou no mundo » (Sab. 2, 24); introduzida pelo pecado, ela permanece a ele ligada; ela é dele o sinal e o fruto. No entanto, ela não poderá triunfar. Confirmando a fé na ressurreição, o Senhor proclamará no Evangelho que « Deus ... não é o Deus dos mortos, mas dos vivos » (Mt. 22, 32-33); e a morte, bem como o pecado, será vencida, definitivamente, pela ressurreição em Cristo (cfr. 1 Cor. 15, 20-27).
Compreende-se assim que a vida humana, mesmo sobre a terra, seja algo precioso. Insuflada pelo Criador, é por Ele que ela será reassumida (cfr. Gén. 2, 7; Sab. 15, 11). Ela permanece sob a sua protecção; o sangue do homem clama por Ele (cfr. Gén. 4, 10) e Ele pedirá contas desse sangue, « porque o homem foi criado à semelhança de Deus » (Gén. 9, 5-6).
0 mandamento de Deus é formal: « Não matarás » (Ex. 20, 13). Ao mesmo tempo que é um dom, a vida é também uma responsabilidade: recebida como um « talento » (cfr. Mt. 25, 14-30), ela deve ser posta a render. Para a fazer frutificar, muitas são as tarefas que ao homem se apresentam neste mundo, às quais ele não deve furtar-se; mas, de uma maneira mais profunda ainda, para o cristão, pois ele sabe bem que a vida eterna para ele depende daquilo que, com a graça de Deus, fizer durante a sua vida sobre a terra.
A tradição da Igreja sempre considerou a vida humana como algo que deve ser protegido e favorecido, desde o seu início, do mesmo modo que durante as diversas fases do seu desenvolvimento. Opondo-se aos costumes greco-romanos, a Igreja dos primeiros séculos insistiu na distância que, quanto a este ponto, separa deles os costumes cristãos.
No livro chamado Didaché diz-se claramente: « Tu não matarás, mediante o aborto, o fruto do seio; e não farás perecer a criança já nascida » .
Atenágoras frisa bem que os cristãos têm na conta de homicidas as mulheres que utilizam medicamentos para abortar; ele condena igualmente os assassinos de crianças, incluindo no número destas as que vivem ainda no seio materno, « onde elas já são objecto da solicitude da Providência divina » .
Tertuliano não usou, talvez, sempre a mesma linguagem; contudo, não deixa também de afirmar, com clareza, o princípio essencial: « É um homicídio antecipado impedir alguém de nascer; pouco importa que se arranque a alma já nascida, ou que se faça desaparecer aquela que está ainda para nascer. É já um homem aquele que o virá a ser » .
E no decorrer da história, os Padres da Igreja, bem como os seus Pastores e os seus Doutores, ensinaram a mesma doutrina, sem que as diferentes opiniões acerca do momento da infusão da alma espiritual tenham introduzido uma dúvida sobre a ilegitimidade do aborto. É certo que, na altura da Idade Média em que era opinião geral não estar a alma espiritual presente no corpo senão passadas as primeiras semanas, se fazia uma distinção quanto à espécie do pecado e à gravidade das sanções penais. Excelentes autores houve que admitiram, para esse primeiro período, soluções casuísticas mais suaves do que aquelas que eles davam para o concernente aos períodos seguintes da gravidez. Mas, jamais se negou, mesmo então, que o aborto provocado, mesmo nos primeiros dias da concepção fosse objectivamente falta grave.
Uma tal condenação foi de facto unânime. De entre os muitos documentos, bastará recordar apenas alguns.
Assim: o primeiro Concílio de Mogúncia, em 847, confirma as penas estabelecidas por Concílios precedentes contra o aborto; e determina que seja imposta a penitência mais rigorosa às mulheres « que matarem as suas crianças ou que provocarem a eliminação do fruto concebido no próprio seio » .
O Decreto de Graciano refere estas palavras do Papa Estêvão V: « É homicida aquele que fizer perecer, mediante o aborto, o que tinha sido concebido ». Santo Tomás, Doutor comum da Igreja, ensina que o aborto é um pecado grave contrário à lei natural . Nos tempos da Renascença, o Papa Sisto V condena o aborto com a maior severidade.
Um século mais tarde, Inocêncio XI reprova as proposições de alguns canonistas « laxistas », que pretendiam desculpar o aborto provocado antes do momento em que certos autores fixavam dar-se a animação espiritual do novo ser . Nos nossos dias, os últimos Pontífices Romanos proclamaram, com a maior clareza, a mesma doutrina.
Assim: Pio XI respondeu explicitamente às mais graves objecções; Pio XII excluiu claramente todo e qualquer aborto directo, ou seja, aquele que é intentado como um fim ou como um meio para o fim; João XXIII recordou o ensinamento dos Padres sobre o carácter sagrado da vida, « a qual, desde o seu início, exige a acção de Deus criador » . E bem recentemente, ainda, o II Concílio do Vaticano, presidido pelo Santo Padre Paulo VI, condenou muito severamente o aborto: « A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis » . O mesmo Santo Padre Paulo VI, ao falar, por diversas vezes, deste assunto, não teve receio de declarar que a doutrina da Igreja « não mudou; e mais, que ela é imutável ».
Assim: Pio XI respondeu explicitamente às mais graves objecções; Pio XII excluiu claramente todo e qualquer aborto directo, ou seja, aquele que é intentado como um fim ou como um meio para o fim; João XXIII recordou o ensinamento dos Padres sobre o carácter sagrado da vida, « a qual, desde o seu início, exige a acção de Deus criador » . E bem recentemente, ainda, o II Concílio do Vaticano, presidido pelo Santo Padre Paulo VI, condenou muito severamente o aborto: « A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis » . O mesmo Santo Padre Paulo VI, ao falar, por diversas vezes, deste assunto, não teve receio de declarar que a doutrina da Igreja « não mudou; e mais, que ela é imutável ».
O respeito pela vida humana não se impõe apenas aos cristãos; a razão basta de per si para o exigir, baseando-se na análise daquilo que é e deve ser uma pessoa. Constituído por uma natureza racional, o homem é um sujeito pessoal, capaz de reflectir sobre si próprio e de decidir dos seus actos e, portanto, do seu próprio destino; é livre. É, por consequência, senhor de si; ou melhor dito — porque ele se perfaz a si mesmo no tempo — ele dispõe dos meios para se tornar tal e nisso está o seu dever.
Imediatamente criada por Deus, a sua alma é espiritual e, por isso, imortal. Mais: ele está aberto para Deus e não encontrará senão n'Ele a sua plena realização. No entanto, ele vive na comunidade dos seus semelhantes e nutre-se da comunicação interpessoal com eles, no indispensável meio social. Em face da sociedade e dos outros homens, cada pessoa humana se possui a si mesma, possui a sua vida e os seus diversos bens, à maneira de direito; e isso exige-o da parte de todos os outros em relação a si uma estrita justiça.
Imediatamente criada por Deus, a sua alma é espiritual e, por isso, imortal. Mais: ele está aberto para Deus e não encontrará senão n'Ele a sua plena realização. No entanto, ele vive na comunidade dos seus semelhantes e nutre-se da comunicação interpessoal com eles, no indispensável meio social. Em face da sociedade e dos outros homens, cada pessoa humana se possui a si mesma, possui a sua vida e os seus diversos bens, à maneira de direito; e isso exige-o da parte de todos os outros em relação a si uma estrita justiça.
Contudo, a vida temporal que se leva neste mundo não se identifica com a pessoa; esta tem como seu próprio um nível de vida mais profundo, que não poderá acabar. Sim, a vida temporal é um bem fundamental, aqui na terra condição de todos os demais bens; mas existem valores mais altos, pelos quais poderá ser lícito e mesmo até necessário expor-se ao perigo de a perder. Numa sociedade de pessoas, o bem comum é para cada uma delas uma finalidade que deve servir, à qual há-de saber subordinar o seu interesse particular. Mas esse bem comum não constitui o seu fim último; e, neste sentido, é a sociedade que está ao serviço da pessoa, porque esta não consumará o seu destino senão em Deus. Ela não pode ser subordinada definitivamente senão a Deus. Nunca se pode tratar um homem como simples meio de que porventura se dispusesse para alcançar um fim mais elevado.
Sobre os direitos e os deveres recíprocos da pessoa e da sociedade, compete à moral esclarecer as consciências e ao direito determinar e organizar os encargos. Ora existe um conjunto de direitos que a sociedade não tem que conceder, porque eles lhe são anteriores; mas que ela tem por dever preservar a fazer valer: tais são a maior parte daqueles que hoje em dia se denominam os « direitos do homem » e que a nossa época se gloria de ter formulado.
O primeiro direito de uma pessoa humana é a sua vida. Ela tem outros bens e alguns deles são mais preciosos; mas este — da vida — é fundamental, condição de todos os demais. Por isso, deve ele, mais do que qualquer outro, ser protegido. Não compete à sociedade, nem compete à autoridade pública, seja qual for a sua forma, reconhecer este direito a alguns somente e não a outros: toda a discriminação aqui é iníqua, quer se fundamente na raça, quer no sexo, quer na cor, quer, enfim, na religião. Não é o reconhecimento por outrem que constitui este direito: ele precede tal reconhecimento; mais: ele exige ser reconhecido e é estritamente injusto recusar reconhecê-lo.
Uma discriminação fundada sobre os diversos períodos da vida não será pois mais justificável do que outra qualquer. O direito à vida permanece na sua inteireza num velhinho, mesmo que este se ache muito debilitado; permanece num doente incurável, este não o perdeu. Não é menos legítimo numa criança que acaba de nascer do que num homem feito. Na realidade, o respeito pela vida humana impõe-se desde o momento em que começou o processo da geração. Desde quando o óvulo foi fecundado, encontra-se inaugurada uma vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano, que se desenvolve por si mesmo. Ele não virá jamais a tornar-se humano, se o não for desde logo.
Uma discriminação fundada sobre os diversos períodos da vida não será pois mais justificável do que outra qualquer. O direito à vida permanece na sua inteireza num velhinho, mesmo que este se ache muito debilitado; permanece num doente incurável, este não o perdeu. Não é menos legítimo numa criança que acaba de nascer do que num homem feito. Na realidade, o respeito pela vida humana impõe-se desde o momento em que começou o processo da geração. Desde quando o óvulo foi fecundado, encontra-se inaugurada uma vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano, que se desenvolve por si mesmo. Ele não virá jamais a tornar-se humano, se o não for desde logo.
A esta evidência de sempre (absolutamente independente das discussões acerca do momento da animação),a ciência genética moderna traz preciosas confirmações. Ela demonstrou, com efeito, que desde o primeiro instante se encontra traçado o programa daquilo que virá a ser este novo vivente: um homem, este homem indivíduo com as suas notas características já bem determinadas. A partir da fecundação, começou a aventura de uma vida humana, na qual cada uma das suas capacidades requer tempo, mesmo um tempo bastante longo, para eclodir e para se achar em condições de agir.
O mínimo que se pode dizer é que a ciência actual, no seu estado mais evoluído, não dá apoio algum substancial aos defensores do aborto. De resto, não pertence às ciências biológicas dar um juízo decisivo sobre questões propriamente filosóficas e morais, como são a do momento em que se constitui a pessoa humana e a da legitimidade do aborto. Ora, sob o ponto de vista moral, isto é certo mesmo que porventura subsistisse uma dúvida concernente ao facto de o fruto da concepção ser já uma pessoa humana: é objectivamente um pecado grave ousar correr o risco de um homicídio. « É já um homem aquele que o virá a ser »
O mínimo que se pode dizer é que a ciência actual, no seu estado mais evoluído, não dá apoio algum substancial aos defensores do aborto. De resto, não pertence às ciências biológicas dar um juízo decisivo sobre questões propriamente filosóficas e morais, como são a do momento em que se constitui a pessoa humana e a da legitimidade do aborto. Ora, sob o ponto de vista moral, isto é certo mesmo que porventura subsistisse uma dúvida concernente ao facto de o fruto da concepção ser já uma pessoa humana: é objectivamente um pecado grave ousar correr o risco de um homicídio. « É já um homem aquele que o virá a ser »
Fonte AQUI
sexta-feira, 20 de julho de 2012
São João Maria Vianney e Santa Missa
"A mais humilde das missas, celebrada na mais pobre das igrejas, pelo mais simples dos padres, mete medo ao diabo... e o Céu todo se inclina para assistir." - São João Maria Vianney
quinta-feira, 19 de julho de 2012
A Atualidade dos Valores Femininos na Sociedade
" Entre os valores fundamentais relacionados com a vida concreta da mulher, existe o que se chama a sua «capacidade para o outro». Não obstante o facto de um certo discurso feminista reivindicar as exigências «para ela mesma», a mulher conserva a intuição profunda de que o melhor da sua vida é feito de actividades orientadas para o despertar do outro, para o seu crescimento, a sua protecção.
Uma tal intuição é ligada à sua capacidade física de dar a vida. Vivida ou potencial, essa capacidade é uma realidade que estrutura em profundidade a personalidade feminina. Permite-lhe alcançar muito cedo a maturidade, sentido da gravidade da vida e das responsabilidades que a mesma implica. Desenvolve em si o sentido e o respeito do concreto, que se opõe às abstracções, muitas vezes mortais para a existência dos indivíduos e da sociedade. É ela, enfim, que, mesmo nas situações mais desesperadas — a história passada e presente são testemunho disso —, possui uma capacidade única de resistir nas adversidades; de tornar a vida ainda possível, mesmo em situações extremas; de conservar um sentido tenaz do futuro e, por último, recordar com as lágrimas o preço de cada vida humana.
Embora a maternidade seja um elemento chave da identidade feminina, isso não autoriza absolutamente a considerar a mulher apenas sob o perfil da procriação biológica. Pode haver nesse sentido graves exageros que exaltam uma fecundidade biológica em termos vitalistas e que frequentemente são acompanhados de um perigoso desprezo da mulher.
A existência da vocação cristã à virgindade, audaciosa em relação à tradição veterotestamentária e às exigências de muitas sociedades humanas, é neste campo de grandíssima importância. Nega ela de forma radical toda a pretensão de fechar as mulheres num destino que seria simplesmente biológico. Como a virgindade recebe da maternidade física a advertência de que não existe vocação cristã senão no dom concreto de si ao outro, do mesmo modo a maternidade física recebe da virgindade o apelo à sua dimensão fundamentalmente espiritual: não é contentando-se em dar a vida física que se gera verdadeiramente o outro. Isto quer dizer que a maternidade pode encontrar formas de realização plena também onde não há geração física.
Numa tal perspectiva, compreende-se o papel insubstituível da mulher em todos os aspectos da vida familiar e social que envolvam relações humanas e o cuidado do outro. Aqui se manifesta com clareza o que João Paulo II chamou génio da mulher. Implica isto, antes de mais, que as mulheres estejam presentes, activamente e até com firmeza, na família, que é «sociedade primordial e, em certo sentido, “soberana”»,porque é nesta que, em primeiro lugar, se plasma o rosto de um povo; é nesta onde os seus membros adquirem os ensinamentos fundamentais. Nela aprendem a amar, enquanto são amados gratuitamente; aprendem o respeito por toda a outra pessoa, enquanto são respeitados; aprendem a conhecer o rosto de Deus, enquanto recebem a sua primeira revelação de um pai e de uma mãe cheios de atenção.
Todas as vezes que venham a faltar estas experiências fundantes, é a sociedade no seu conjunto que sofre violência e se torna, por sua vez, geradora de múltiplas violências. Isso implica também que as mulheres estejam presentes no mundo do trabalho e da organização social e que tenham acesso a lugares de responsabilidade, que lhes dêem a possibilidade de inspirar as políticas das nações e promover soluções inovadoras para os problemas económicos e sociais.
A este respeito, não se pode, porém, esquecer que a interligação das duas actividades — família e trabalho — assume, no caso da mulher, características diferentes das do homem. Põe-se, portanto, o problema de harmonizar a legislação e a organização do trabalho com as exigências da missão da mulher no seio da família. O problema não é só jurídico, económico e organizativo; é antes de mais um problema de mentalidade, de cultura e de respeito.
Exige-se, de facto, uma justa valorização do trabalho realizado pela mulher na família. Assim, as mulheres que livremente o desejam poderão dedicar a totalidade do seu tempo ao trabalho doméstico, sem ser socialmente estigmatizadas e economicamente penalizadas. As que, por usa vez, desejarem realizar também outros trabalhos poderão fazê-lo com horários adequados, sem serem confrontadas com a alternativa de mortificar a sua vida familiar ou então arcar com uma situação habitual de stress que não favorece nem o equilíbrio pessoal nem a harmonia familiar.
Como escreve João PauloII, «reverterá em honra para a sociedade o tornar possível à mãe — sem pôr obstáculos à sua liberdade, sem discriminação psicológica ou prática e sem que ela fique numa situação de desdouro em relação às outras mulheres — cuidar dos seus filhos e dedicar-se à educação deles, segundo as diferentes necessidades da sua idade».
É, em todo o caso, oportuno lembrar que os valores femininos, a que se acenou, são antes de mais valores humanos: a condição humana, do homem e da mulher, criados à imagem de Deus, é una e indivisível. É só por estarem em sintonia mais imediata com estes valores que as mulheres podem ajudar a lembrá-los ou ser o seu sinal privilegiado. Mas, em última análise, todo o ser humano, homem e mulher, é destinado a ser «para o outro». Nessa perspectiva, o que se chama «feminilidade» é mais do que um simples atributo do sexo feminino. A palavra designa, com efeito, a capacidade fundamentalmente humana de viver para o outro e graças ao outro.
Portanto, a promoção da mulher no seio da sociedade deve ser compreendida e querida como uma humanização, realizada através daqueles valores que foram redescobertos graças às mulheres. Qualquer perspectiva que pretenda propor-se como luta dos sexos não passa de uma ilusão e perigo: desembocaria em situações de segregação e de competição entre homens e mulheres e promoveria um solipsismo que se nutre de uma falsa concepção da liberdade.
Sem prejuízo dos esforços que são feitos na promoção dos direitos que as mulheres podem aspirar na sociedade e na família, estas observações querem, ao invés, corrigir a perspectiva que considera os homens inimigos a vencer. A relação homem-mulher não pode pretender encontrar a sua justa condição numa espécie de contraposição, desconfiada e defensiva. Tal relação tem de ser vivida na paz e na felicidade do amor partilhado.
A um nível mais concreto, as políticas sociais —educativas, familiares, laborais, de acesso aos serviços, de participação cívica, — se, por um lado, devem combater toda a discriminação sexual injusta, por outro, devem saber escutar as aspirações e assinalar as necessidades de cada um. A defesa e promoção da igual dignidade e dos comuns valores pessoais devem harmonizar-se com o atento reconhecimento da diferença e da reciprocidade, onde a realização da própria humanidade masculina e feminina o exija.
Fonte: Carta aos Bispos sobre a colaboração do homem e da mulher da Igreja e no mundo.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
19 - A vida em risco
"Precisamos acordar para o genocídeo que querem implantar no Brasil" -,assim se expressou Padre Paulo Ricardo em sua aula ao vivo, que tenho o prazer de trazer para os leitores deste Blog. Vale a pena ve-lo e saibamos: esta luta é nossa também!
Fiquem com Deus!
Fiquem com Deus!
terça-feira, 17 de julho de 2012
Obediência à Igreja
Por Papa Paulo VI
"Nestes anos do pós-Concílio, estamos a procurar um novo modo de proceder na nossa vida moral, novos métodos no exercício da nossa actividade no campo da fé, e formas novas na concretização prática da nossa profissão cristã.
Notamos, primeiramente, que a Igreja e a teologia da Igreja devem exercer um influxo proeminente na nossa concepção religiosa. Notamos que uma grande parte de nosso modo de proceder e da nossa religiosidade deve depender da doutrina da Igreja e da ideia que fazemos da mesma Igreja. Tudo aquilo que o Concílio ensinou sobre a Igreja deve impregnar as formas da nossa moralidade.
Em segundo lugar, observamos que o Concílio desenvolveu o ensinamento da Igreja sobre diversos aspectos da vida humana, que exaltam, engrandecem e libertam a pessoa humana, e, de um certo modo, a colocam no centro do sistema doutrinal e prático da religião cristã. O Concílio fala de vocação, de consciência, de liberdade, de responsabilidade e de perfeição do homem. Exalta e nobilita a antropologia, sem prejudicar a teologia e a cristologia, pois também nessas doutrinas a ciência antropológica vai buscar luz e consistência. Engrandece o homem que, segundo os seus ensinamentos, é capaz de sair vitorioso, em estatura e eficiência, do confronto com o humanismo profano de nossos dias, que nos apresenta a figura do seu ídolo: o homem intelectual, activo, agitado, gozador e sofredor, do mundo moderno.
Se os ensinamentos morais do Concílio se apresentam à nossa consideração, nesta síntese extremamente simplificativa, mas exacta, ousamos oferecer à vossa reflexão a fórmula seguinte: a Igreja é uma obediência, é uma obediência libertadora. Trata-se de uma fórmula paradoxal que, à primeira vista, é pouco atraente. No entanto, examinai-a um pouco. A Igreja é uma obediência libertadora.
Que a Igreja é uma obediência, no sentido geral deste termo, é evidente. Sabemos que a Igreja é uma sociedade, uma comunhão, um povo organizado e governado pastoralmente. Ora, tudo isto implica uma adesão qualificada, uma obediência, no plano horizontal, como hoje se diz, e mais ainda no plano vertical. A Igreja é um sinal, um sacramento, a ponte entre Deus e a humanidade. Por um lado, Deus derrama a luz da sua revelação sobre a humanidade. Por outro, a humanidade, ao colocar-se, por meio da fé, sob o feixe desta luz, torna a viver para a graça, adquire um novo princípio de vida, e é chamada e ajudada a viver de um modo sobrenatural. A Igreja, por meio de Cristo, é uma relação bem determinada com Deus. E a vontade de Deus, esta nova vontade de Deus relativa aos homens, denominada caridade, torna-se uma relação muito exigente.
Ao fiat divino, que instaura a economia da salvação, deve corresponder o fiat humano, que aceita o ingresso nesta economia nobilitante. Maria exclama: « Faça-se em mim segundo a tua palavra » (Lc 1, 38). Jesus ensina: « Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus » (Mt 7, 21). Fazer a vontade do Pai é a condição, é a norma. A obediência é a virtude moral básica, que dá fundamento às nossas relações com Cristo e com Deus. E a Igreja que as instaura e que abre os nossos lábios para repetirmos a oração evangélica: « Seja feita a vossa vontade » (Mt 6, 10).
A demonstração de que a obediência é uma lei constitucional da Igreja, que se encontra em qualquer catecismo e em qualquer livro de espiritualidade e de educação católica, está documentada por inumeráveis textos, mesmo quando a obediência é considerada como virtude particular, isto é, como submissão do homem a outros homens, no exercício da autoridade.
A razão disto é a seguinte: na Igreja, como em qualquer outra sociedade, a autoridade existe e é indispensável. Possui um duplo carácter : o primeiro é de não se originar da base nem, por si, do número dos seus membros, mas de derivar da sua instituição originária e imutável, feita por Cristo, como, aliás, todos sabem; o segundo é de ter por objecto não só as acções externas de quem aceita a sua orientação, mas também, numa certa medida, algumas acções internas de grande importância, como, por exemplo, a obediência à regra da fé.
Esta regra é uma livre adesão à fé, mas, depois, torna-se uma norma vinculante, tendo a Igreja por garantia e tutela. Diz São Paulo: « Não são carnais as armas com que lutamos. Elas, porém, são poderosas em Deus para destruir fortificações. Nós aniquilamos todo o raciocínio e toda a altivez, que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo o pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo » (2 Cor 10, 4-5). É assim que se exprime o apóstolo da liberdade, daquela liberdade « com que Cristo nos libertou » (Gál 5, 1), porque, como ele diz, « vós fostes chamados à liberdade » (Ibid. 5, 13).
Surge, então, esta pergunta: como se explica esta dupla linguagem ? Qual é o significado das palavras obediência e liberdade ? Qual o seu valor prático ? Neste ponto, poder-se-ia, realmente, dar uma lição de exegese, isto é, de explicação dos termos usados pela Sagrada Escritura, que no momento nos interessam, e, principalmente, de dois, que nos textos bíblicos se apresentam com sentidos diversos: lei e liberdade.
Por agora, basta notar como a fórmula que vos propusemos: « a Igreja é uma obediência libertadora » não inclui contradição. Como o associar-se numa ordem comporta o libertar-se de uma outra ordem, no caso do homem, de uma desordem gravíssima e fatal, assim também o pertencer à ordem da Igreja exige, por um lado, uma adesão de uniformidade consciente e viril, mas, por outro, confere também uma libertação das cadeias mais pesadas: a da ignorância das verdades de Deus e do nosso destino, a do pecado, a da solidão, a da caducidade e da morte.
Trata-se de uma libertação que faz com que as faculdades do homem entrem em acção, intensiva, livre e responsàvelmente : a sua inteligência, a sua vontade e todas as riquezas da sua psique e da sua capacidade de auto-formação, e, portanto, a sua faculdade de se exprimir na esfera do bem, da justiça, do amor e da arte. É preciso, porém, compreender profundamente o que é a Igreja, que educação ela nos quer dar, a felicidade de sermos seus filhos e a necessidade de lhe permanecermos fiéis.
A grande tentação da nossa geração é a de se cansar da verdade, que temos a ventura de possuir.
Muitos dos que compreendem a gravidade e a utilidade das mudanças verificadas no campo da ciência, da técnica e da vida social, perdem a confiança no pensamento especulativo, na tradição e no magistério da Igreja. Não confiam na doutrina católica, procuram libertar-se do seu carácter dogmático, já não querem aceitar definições que sejam válidas para todos e obriguem para sempre. Iludem-se, julgando encontrar outra liberdade, não apreciando já aquela de que gozam, alterando os termos da doutrina sancionada pela Igreja ou dando-lhe interpretações novas e arbitrárias, com alarde de erudição e, mais ainda, de intolerância psicológica. Sonham, talvez, arquitectar um novo tipo de Igreja que corresponda às suas intenções, às vezes nobres e elevadas, mas que já não é aquele tipo autêntico da Igreja que Jesus Cristo fundou e, na experiência histórica, desenvolveu e aperfeiçou. Sucede, então, que a obediência diminui. Com ela, diminui também a liberdade, característica daquele que tem fé e opera na Igreja, com a Igreja e para a Igreja, e é substituída pela imperceptível submissão a outras obediências que se podem tornar pesadas e contrárias à verdadeira liberdade do filho da Igreja.
Newman, o grande Newman, na conclusão da sua famosa Apologia pro vita sua, fala-nos da paz que encontrou quando se converteu à Igreja Católica. É um exemplo que devemos recordar. Para tanto vos anime, na vossa fidelidade, a Nossa Bênção Apostólica.(grifos meus)
Fonte: Aqui
A Primeira Besta
Por Scott Hann
Fracassando em seus ataques à mulher e seu filho, o dragão volta-se para combater a descendência dela, os que observam os mandamentos de Deus e guardam o testemunho de Jesus.
O dragão convoca a própria descendência, duas bestas amendrontadoras. Por incrível que pareça, entre todas as imagens de esperança e espantosas do Apocalípse, estes dois monstros horrendos parecem provocar o maior interesse. Produtores de filmes e evangelizadores televisivos demoram-se muito mais no 666 que no mar cristalino ou no leão de Judá.
Scott sente uma premência de nos convencer da realidade das bestas. Elas são símbolos, mas não são apenas símbolos. São seres espirituais reais, membros da " hierarquia inferior", pessoas demoníacas que controlam e corrompem o destino político das nações. João descreve duas bestas horrendas. Mas Scott crê que as bestas que viu eram muito mais horríveis que sua descrição.
Em grande parte do Apocalípse - mas em especial nos cap. 4 e 5 - João descreve as realidades por trás da Missa. Agora, ele faz o mesmo com o pecado e o mal. Assim como nossas ações na liturgia estão unidas com coisas celestes invisíveis, nossos atos pecaminosos estão ligados à maldade infernal.
Na missa, o que Deus quer fazer de nós? Um reino de sacerdotes que reinem por meio de suas oferendas sacrificais. Por outro lado, o que satanás quer realizar por intemédio das bestas? Quer subverter o plano de Deus, corrommpendo a autoridade governamental, o Estado.
Em seguida, ele revela o demonio da autoridade religiosa corrúpta.
Primeiro as primeiras bestas: do mar emergeum monstro horrível, com dez chifres e sete cabeças, aterradora combinação de leopardo, urso e leão. Os chifres simbolizam poder; os diademas, realeza. Recebe poder e também a realeza do dragão. Entretanto,é errado identificar esta besta com a monarquia geral. Não, a besta representa a autoridade política corrúpta de qualquer tipo.
É tentador , também, identificar a besta exclusivamente com Roma, ou com dinastia herodiana que Roma mantinha na Terra Santa.Com certeza, a Roma da época de João simboliza o tipo de governo representado pela besta. Porém a própria besta não dá margem a uma identificação tão simples. Ela é , na verdade, uma combinação de todos os quatro animais monstruosos de uma visão do profeta veterotestamentário Daniel (veja Dn 7).
Scott segue os padres da Igreja, que entenderam que os animais de Daniel, indicavam quatro impérios pagãos: Babilônia, Medo-Persia, Grécia e Roma - todos os quais perseguiram o povo de Deus antes da vinda do Messias. A besta de sete cabeças do Apocalípse representa, então, todo poder político corrupto.
É um impulso humano considerar o poder do Estado o maior da terra e dizer, como a terra toda no Apocalípse: "quem combate contra ela?" Por medo desse poder - ou desejosas de participar da ação - as pessoas constantemente se comprometem e adoram o dragão e a besta.
Na história, o exemplo mais ostensivo da usurpação por uma instituição humana das prerrogativas de Deus é Roma com seus Cézares. Eles literalmente exigiam a adoração que pertence só a Deus. E combateram os santos, ao instigar perseguições sangrentas dos que não adoravam o imperador.
Entretanto, mais uma vez Scott precisa enfatizar que a besta não é só Roma, ou os fantoches de Roma, os herodianos. A besta refere-se tanbem a todo governo corrupto, todo Estado que se opõe acima da ordem da aliança de Deus. Mais que isso, a besta representa a força espiritual corrupta por trás dessas instituições.
Depois veremos: A Segunda Besta
Fonte: O Banquete do Cordeiro
Estudo AQUI
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