terça-feira, 31 de julho de 2012

Santo Inácio de Loyola



Hoje, 31 de julho a Igreja celebra Santo Inácio de Loyola, discípulo, missionário e  grande mestre na Espiritualidade Cristã Católica .


 " O homem  é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus nosso Senhor e , por este meio salvar sua alma. Tudo o mais sobre a terra foi criado para o homem, para ajuda-lo na consecução do fim para qual foi criado. Daí resulta que o homem tanto há de usar das criações quanto o ajudem para seu fim; e tanto deve apartar-se delas quanto afastarem desse fim. Por isso, é mister fazer-nos indiferentes diante  de todas as coisas criadas, em tudo que é concedido à liberdade do nosso livre arbítrio e que não está proibido, de tal maneira que da nossa parte não prefiramos a saúde, à enfermidade, a riqueza à pobreza, a honra ao desprezo, uma vida longa à curta, e assim por diante em tudo o mais; desejando e escolhendo somente o que mais nos conduz ao fim para qual fomos criados"


Santo Inácio,Rogai por nós!

Frases de Santo Inácio:

" A humildade  consiste em alegrar-nos com tudo o que nos leva a reconhecer o nosso nada"

" Não me atreveria a pernoitar numa casa, em que soubesse haver um homem de pecado mortal; temeria que o telhado nos esmagasse sob seus escombros" 


" Se tenho de desgostar a Deus em alguma coisa ou afrouxar-me em seu santo serviço, antes queira ele me tirar a vida"

" Não deve ser tacanho aquele com que Deus tem sido generoso"

" Preferia eu dar mais importância a uma falta minha, do que a todo o mal que de mim disseram"

" Conselho ou aviso, sempre é melhor recebe-los com humildade do que da-los sem ela"

" Servindo mais em Deus, em obras pias, o povo se move mais a sustenta-los e com mais caridade"



" A maioria das pessoas não faz ideia do que Deus poderia fazer delas se somente elas se colocassem à Sua disposição." 


"Muita sabedoria unida a pouca santidade é preferível a muita santidade unida a pouca sabedoria"


segunda-feira, 30 de julho de 2012

56 - O governo federal e as organizações que trabalham para legalização ...

Queridos leitores deste blog. Precisamos acordar pelo que está acontecendo em nosso país. Precisamos lutar pela defesa da criança inocente no ventre de suas mães, os pequenos de Deus.

Assistam este vídeo!

A Razão, a Fé e ...Eu.


Por PadreLeoTrese

"Deus concedeu ao homem a faculdade de raciocionar, e Ele deseja que a utilizemos.  Existem duas maneiras de abusar dessa faculdade.

Uma é não utiliza-la. 

Caso típico da pessoa que não aprendeu a usar da razão é, por exemplo, o daquela que toma como verdade do Evangelho tudo o que lê nos jornais e nas revistas, por mais absurdo que seja. Essa pessoa aceita ingenuamente as mais extravagantes afirmações de vendedores e anunciantes, uma arma sempre pronta a ser empunhada por publicitários espertos. Deslumbra-a o prestígio; se um famoso cientista ou industrial diz que Deus não existe, para ela é claro que não há Deus.

Noutras palavras, este não-pensante não possui senão opiniões pré-fabricadas. Nem sempre é a preguiça intelectual a que produz um não-pensante. Às vezes, infelizmente, são os pais e os mestres os causadores desta apatia mental, quando reprimem a natural curiosidade dos jovens e afogam os normais “porquês” com ao seus “porque eu o digo e pronto”.

No outro extremo está o homem que faz da razão um autêntico deus.

É aquele que não crê em nada que não veja e compreenda por si mesmo. Para ele, os únicos dados certos são os que vêm dos laboratórios científicos. Nada é verdade a não ser que ele assim o ache, a não ser que, já e agora, produza resultados práticos.

O que dá resultado é verdade; o que é útil, é bom. Este tipo de pensador é o que conhecemos por ‘positivista’ ou ‘pragmático’.

Mas, no fundo, não é que recuse qualquer verdade que se baseie na autoridade: crerá cegamente na autoridade de um Einstein e aceitará a teoria da relatividade, mesmo que não a entenda; crerá na autoridade dos físicos nucleares, ainda que continue a não entender nada; mas a palavra “autoridade” produz-lhe uma repulsa automática quando se refere à autoridade da Igreja.

O pragmático respeita as declarações das autoridades humanas porque acha que elas devem saber o que dizem, confia na sua competência. Mas esse mesmo pragmático olhará com um desdém impaciente o católico que, pela mesma razão, respeita as declarações da Igreja, confiado em que a Igreja sabe o que está dizendo através da pessoa do Papa e dos bispos.

É verdade que nem todos os católicos têm uma compreensão inteligente da sua fé. Para muitos, a fé é uma aceitação cega das verdades religiosas baseada na autoridade da Igreja. Esta aceitação sem raciocínio poderá ser devida à falta de estudo ou até, infelizmente, à preguiça mental.

Para as crianças e as pessoas sem instrução, as crenças religiosas devem ser desse gênero, sem provas, como a sua crença na necessidade de certos alimentos e a novicidade de certas substâncias é uma crença sem provas.

´O pragmático que afirma: “Eu creio no que diz Einstein porque não há dúvida de que ele sabe do que está falando”, deverá também achar lógico que uma criança diga: “Creio porque papai diz”, e que uma pessoa já mais crescida diga: “Creio porque assim o diz o padre”, e não poderá estranhar que um adulto sem instrução afirme: “É o Papa que o diz, e para mim basta”.

Não obstante, para um católico que raciocina, a aceitação das verdades da fé deve ser uma aceitação raciocinada, uma aceitação inteligente. É certo que a virtude da fé em si mesma – a faculdade de crer – é uma graça, um dom de Deus. Mas a fé adulta edifica-se sobre a razão; não é uma frustração da razão.

O católico instruído considera suficiente a clara evidência histórica de que Deus falou, e de que o fez por meio de seu Filho, Jesus Cristo; de que Jesus constituiu a Igreja como seu porta-voz, como sua manifestação visível à humanidade; de que a Igreja Católica é a mesma que Jesus estabeleceu; de que aos bispos dessa Igreja, como sucessores dos Apóstolos (e especialmente ao Papa, sucessor de São Pedro), Jesus Cristo deu o poder de ensinar, santificar e governar espiritualmente em seu nome.

A competência da Igreja para falar em nome de Cristo sobre matérias de fé doutrinal ou de ação moral, para administrar os sacramentos e exercer o governo espiritual, chamamos a autoridade da Igreja. O homem que, pelo uso da sua razão, vê com clareza satisfatória que a Igreja Católica possui este atributo de autoridade, não vai contra a razão, mas, pelo contrário, segue-a quando afirma: “Creio em tudo o que a Igreja Católica ensina”.

De igual modo, o católico segue tanto a razão como a fé quando aceita a doutrina da infalibilidade.

Este atributo significa simplesmente que a Igreja (seja na pessoa do Papa ou de todos os bispos juntos sob o Papa) não pode errar quando proclama solenemente que certa matéria de fé ou de conduta foi revelada por Deus e deve ser aceita e seguida por todos.  A promessa de Cristo: Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo (Mt. 28,20), não teria sentido se a sua Igreja não fosse infalível.

Cristo certamente não estaria com a sua Igreja se lhe permitisse cair em erro em matérias essenciais à salvação. O católico sabe que o Papa pode pecar, como qualquer homem; sabe que as opiniões pessoais do Papa têm a força que a sua sabedoria humana lhes possa dar. Mas também sabe que, quando o Papa declara pública e solenemente que certas verdades foram reveladas por Cristo, seja pessoalmente ou por meio dos seus Apóstolos, não pode errar.

Jesus não estabeleceu uma Igreja que pudesse desencaminhar os homens.

O direito de falar em nome de Cristo e de ser escutada é o atributo (ou qualidade) da Igreja Católica a que chamamos autoridade.

A certeza de estar livre de erro quando proclama solenemente as verdades de Deus é o atributo a que chamamos infalibilidade.

Existe uma terceira qualidade característica da Igreja Católica.

Jesus não disse só: Quem vos ouve, a mim ouve, e o quem vos despreza, a mim despreza (Lc. 10,16) – autoridade -. Não disse só: Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo (MT. 28,20) – infalibilidade -. Também disse: Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt. 16,18), e com estas palavras indicoua terceira qualidade inerente à Igreja Católica: a indefectibilidade.

O atributo de indefectibilidade significa simplesmente que a Igreja permanecerá até o fim dos tempos como Jesus a fundou, que não é perecível, que continuará a existir enquanto houver almas a salvar. “Permanência” seria um bom sinônimo de indefectibilidade, mas parece que os teólogos sempre se inclinam pelas palavras mais longas.

Seria um grande equívoco que o atributo da indefectibilidade nos induzisse a um falso sentimento de segurança. Seria trágico que permanecêssemos impassíveis ante o perigo que representam nos nossos dias o materialismo, o hedonismo e o relativismo, pensando que nada de realmente mau pode acontecer-nos porque Cristo está na sua Igreja.

Se descurarmos a nossa exigente vocação de cristãos – e, por isso, de apóstolos -, a Igreja de Cristo poderá reduzir-se cada vez mais a um pequeno grupo clandestino, cercado por uma cultura anti-cristã, e muitas pessoas correrão o risco de condenar-se. Os meios de comunicação proclamam com tanto zelo um modo de vida indiferente a Deus e, no entanto, como nos mostramos apáticos – e até indiferentes – em levar a verdade aos outros!

“Quantas pessoas converti?” Ou, pelo menos, “quanto me preocupei, quanta dedicação pus na conversão dos outros?” É uma pergunta que cada um de nós deveria fazer a si mesmo de vez em quando.

Pensar que teremos de apresentar-nos diante de Deus, no dia do Juízo, de mãos vazias, deveria fazer-nos estremecer. “Onde estão os seus frutos, onde estão as suas almas?”, perguntar-nos-á Deus, e com razão. E o perguntará tanto aos cristãos comuns como aos sacerdotes e aos religiosos. Não podemos desfazer-nos desta obrigação pagando o dízimo à Igreja. Isso está bem, é necessário, mas é apenas o começo.

Também temos que rezar.

As nossas orações quotidianas ficariam lamentavelmente incompletas se não pedíssemos pelas obras de apostolado, para que seja abundante a eficácia de todos os que se dedicam a aproximar os outros da fé, sejam sacerdotes, sejam homens e mulheres comuns entre os seus familiares e amigos.

Mais ainda: rezamos todos os dias pedindo o dom da fé para os vizinhos da porta do lado, se não são católicos ou não praticam? Rezamos pelo companheiro de trabalho que está no escritório ao lado? Com que freqüência convidamos um amigo não católico a assistir à missa conosco, dando-lhe previamente um livrinho que explique as cerimônias?

Temos em casa alguns bons livros que expliquem a fé católica, uma boa coleção de folhetos, que damos ou emprestamos à menor oportunidade, a qualquer um que mostre um pouco de interesse? Se fazemos tudo isto, combinando até, para esses amigos uma entrevista com um sacerdote com quem possam conversar e, chegado o momento, abeirar-se do sacramento da confissão, então estamos cumprindo uma parte, pelo menos, da nossa responsabilidade para com Cristo, pelo tesouro que nos confiou.

Naturalmente, nenhum de nós pensa que todos os não católicos vão para o inferno, assim como não pensamos que chamar-se católico seja suficiente para introduzir-nos no céu. A sentença “fora da Igreja não há salvação” significa que não há salvação para os que se acham fora da Igreja por culpa própria.

Alguém que seja católico e abandone a Igreja deliberadamente não poderá salvar-se se não retornar; a graça da fé não se perde a não ser por culpa própria. Um não-católico que, sabendo que a Igreja Católica é a verdadeira, permanece fora por sua culpa, não poderá salvar-se. Um não católico cuja ignorância da fé católica seja voluntária, com cegueira deliberada, não poderá salvar-se.

Mas aqueles que se encontram fora da Igreja sem culpa própria, e que fazem tudo o que podem conforme o seu reto entender, fazendo bom uso das graças que Deus certamente lhes dará em vista da sua boa vontade, esses poderão salvar-se. Deus não pede o impossível a ninguém; recompensará cada um segundo o uso que tenha feito do que foi concedido.

Mas isto não quer dizer que nós possamos eludir a nossa responsabilidade dizendo: “ Afinal, já que o meu vizinho pode ir para o céu sem se fazer católico, por que me vou preocupar?” Também não quer dizer que “tanto faz uma igreja como outra”.

Deus quer que todos pertençam à Igreja que Ele fundou. Jesus Cristo quer “um só rebanho e um só Pastor”.

E nós devemos desejar que os nossos parentes, amigos e conhecidos alcancem essa maior confiança na salvação de que gozamos na Igreja de Cristo; maior plenitude de certeza; mais segurança em saber o que está certo e o que é errado; os inigualáveis auxílios que a Santa Missa e os sacramentos nos oferecem.

Levamos pouco a sério a nossa fé se convivemos com os outros, dia após dia, sem nunca nos perguntarmos: “Que posso fazer para ajudar esta pessoa a reconhecer a verdade da Igreja Católica e a unir-se a mim no Corpo Místico de Cristo?”

O Espírito Santo vive na Igreja permanentemente, mas com frequência tem que esperar por mim para achar um modo de entrar na alma daquele que está ao meu lado"

Fonte: A Fé Explicada

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sábado, 28 de julho de 2012

Mitos Litúrgicos



Autor: Francisco Dockhorn

 Revisão teológica: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen-RS

 Retirado do site: Reino da Virgem 

 Publicação original: 11 de Fevereiro de 2009, 151º aniversário das aparições da Santíssima Virgem em Lourdes


Mito 8: "A Igreja pode vir a ordenar mulheres"

Não pode.

O saudoso Papa João Paulo II definiu que a Santa Igreja não tem a faculdade de ordenar mulheres, quando em 1994, publicou a Carta Apostólica "Ordinatio Sacerdotalis", que afirma explicitamente:

"Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja."


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quinta-feira, 26 de julho de 2012

São Joaquim e Santa Ana




Neste dia 26 de julho, a Igreja celebra Santa Ana e São Joaquim, que, segundo a tradição cristã, são os pais de Maria, a mãe de Jesus.  São importantíssimos na história da salvação: deram à luz Virgem Maria que viria a se tornar a mãe de Deus feito homem, Nosso Senhor Jesus Cristo.  Foi o exemplo de seus pais que Maria deve ter seguido em sua vida e com este exemplo também ensinou seu filho Jesus.

Por João Paulo II

"A figura de Santa Ana recorda-nos de facto, a casa paterna de Maria; Mãe de Cristo. Lá veio Maria ao mundo, trazendo em si aquele extraordinário mistério da imaculada conceição. Lá era rodeada pelo amor e solicitude dos seus pais: Joaquim e Ana. Lá "aprendia" de sua mãe, de Santa Ana, como se é mãe. E, embora do ponto de vista humano, Ela tivesse renunciado ã maternidade, o Pai do céu, aceitando a sua doação total, deu-Lhe a graça da mais perfeita e mais santa maternidade.

Cristo, do alto da Cruz, transferiu em certo sentido a maternidade d'Aquela que O gerara, dando a esta por objecto, em vez de Si, o discípulo predilecto, e ao mesmo tempo fez que ela abrangesse toda a Igreja, todos os homens. Quando portanto, como herdeiros da promessa (Cfr. Gal. 4. 28. 31) divina, nos encontramos abrangidos por esta maternidade, e quando experimentamos a sua santa profundidade e plenitude, pensamos então que foi precisamente Santa Ana a primeira a ensinar a Maria, sua Filha, como devia ser Mãe.

"Ana" em hebraico significa: "Deus (sujeito subentendido) fez graça". Reflectindo sobre este significado do nome de Santa Ana, assim exclamava São João Damasceno: "Como havia de acontecer que a Virgem Mãe de Deus nascesse de Ana, a natureza não se atreveu a preceder o germe da graça; manteve-se porém aquela sem o próprio fruto para a graça produzir o seu. Devia nascer, de facto, a primogénita, da qual viria a nascer o primogénito de toda a criatura" (Serm. VI, De nativ. B.V.M., PG 96, 663).

Enquanto hoje estamos aqui, nós todos, paroquianos de Santa Ana no Vaticano, a Ela dirigimos os nossos corações e, por seu meio, a Maria, Filha e Mãe, repitamos:

"Monstra Te esse Matrem,
Sumat per Te preces,
Qui pro nobis natus,
Tulit esse Tuus".

Mostra-Te Mãe para todos,
oferece a nossa oração,
Cristo a acolha benigno,
Ele que se fez teu Filho.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Poder Global e Religião Universal




Dentre os livros que tive a honra de ler nestes últimos dias, este foi sem dúvida muito importante  para que eu compreendesse realmente como anda o mundo e qual o meu papel enquanto cristã e cidadã  neste contexto atual, onde os valores de Deus e a moral estão sendo excluídos, deixando o ser humano a mercê das hostes malignas que visam destruí-lo, por  ser ele imagem e semelhança do Criador. O inimigo é o mesmo, mas a estratégia agora é outra. Como nos  diz o Monsenhor Sanahuja, ele vem agora travestido de Ecumênico, Ecológico e Relativista. Rezar e vigiar é preciso. Que Deus nos ajude e que a Virgem nos guarde. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate!

Introdução do livro.


Por Juan Claudio Sanahuja

"João Paulo II na encíclica Evangelium vitae, refere-se ao que chamava de "a verdadeira conjura contra a verdade": "Os  falsos profetas e os falsos mestres conseguiram o maior êxito possível". Infelizmente certos setores do Cristianismo não escaparam à colonização da Nova Ordem. Em algumas organizações de tradição cristã o que prevalece não é o compromisso com a verdade: o medo de serem acusadas de fundamentalistas, a ambiguidade cúmplice - da qual se tira indigno proveito - e a aceitação resignada dos falsos valores da modernidade - como o sucesso, a popularidade, a excelência - provocaram em algumas pessoas uma verdadeira apostasia material da Fé em Jesus Cristo.

Parece que para elas não existem princípios imutáveis dos quais não se pode fazer concessão. Como diz Spaemann, foi imposta : "uma nova ética que avalia as ações como parte de uma estratégia. A ação moral torna-se, então, uma ação estratégica". Esta forma de pensar, que de início era chamada comumente de "utilitarismo", tem sua origem no pensamento político", o que leva a cair no consequencialismo moral.

O diálogo se transforma em "dialoguismo", no qual é concedido o inegociável, e, com desculpa de se descobrir o que é positivo nas diferentes manifestações sociais e culturais contaminadas de paganismo, muitos católicos não resistem a nenhuma  de suas exigências abusivas, coonestam o erro, ocultam sua fé, não demonstram com obras que são cristãos e, com frequência, se mostram mais amigos dos inimigos de Deus que de seus irmãos de fé.

A crise da Igreja é grave. Tenho a impressão de que não se esconde de ninguém que o cataclismo social que afeta o respeito à vida humana e à família tem essa triste situação como causa.  Michel Schooyans afirma, sem nenhuma dúvida, que a Nova Ordem Mundial, "do ponto de vista cristão,  é o maior perigo que ameaça a Igreja desde a crise ariana do século IV", quando, nas palavras atribuídas a São Jerônimo, "o mundo dormiu cristão e com um gemido, acordou ariano"

O consolo banal e pusilânime de dizer que "vai passar", que o "pêndulo da história voltará a se equilibrar", nada resolve porque, enquanto isso, criam-se situações que põem em perigo a fé de muitas pessoas. Nossa primeira atitude não deve ser - ainda que a tentação exista -nem de queixa nem de denúncia,mas de obediência a Jesus Cristo,que é exigente: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos"(Jo 14,15). Só assim nosso falar e pensar servirá para que Deus possa ser ouvido,para que possa encontrar espaço no mundo. Só assim seremos bons instrumentos purificados pelo Senhor.

Como comenta Bento XVI,tomando a primeira carta de São Pedro: "  A obediência à verdade deveria tornar casta a nossa alma e desta forma guiar à reta palavra e à reta ação. Em outras palavras, falar para encontrar aplausos, falar orientando-se segundo o que os homens querem ouvir, falar em obediência à ditadura de opiniões comuns é considerado uma espécie de prostituição da palavra e da alma. A castidade à qual o apóstolo Pedro faz alusão não é submeter-se a estes protótipos, não é procurar aplausos, mas procurar a obediência à verdade"  (Homilia durante a missa com os membros da comissão teológica Internacional - 06/10/2006)

Bento XVI propôs recentemente, de forma sintética, o exemplo de São João Leonardo: " tender constantemente à alta medida de vida cristã, que é a santidade", porque "só da fidelidade a Cristo pode surgir a autentica renovação eclesial". São João Leonardo viveu nos anos em que começou a se delinear o pensamento moderno " que produziu entre seus efeitos negativos a marginalização de Deus, com a ilusão de uma possível e total autonomia do homem que escolhe viver ' como se Deus não existisse'. É a crise do pensamento moderno, que muitas vezes desemboca em formas de relativismo.

 São João Leonardo intuiu qual era o verdadeiro remédio para estes males espirituais e resumiu-o na expressão: " Cristo antes de tudo". Reafirmou que o encontro vivo com Cristo se realiza em sua Igreja, santa mas frágil, radicada na história e no seu porvir, às vezes obscuro, no qual o trigo e o joio crescem juntos, mas que é sempre Sacramento de salvação. Não se escandalizou com as fraquezas humanss e para combater o joio optou por ser bom trigo: ou seja, decidiu amar a Cristo na Igreja e contribuir para torna-la cada vez mais trnsparenete d ' Ele. (Audiência Geral 07/10/09)


A sociedade e o Estado excluíram Deus e "onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil. Isto começa a tornar-se evidente ali onde a eliminação organizada de pessoas inocentes - ainda não nascidas - se reveste de uma aparência de direito, por ter a seu favor a proteção do interesse da maioria" (Bento XVI - Iglesia y Modernidad, Buenos Aires: Paulinas p.115 - 1992)


Este caminho não será fácil, nem seguro:" Num mundo onde a mentira é poderosa, paga-se a verdade com o sofrimento. Quem quer evitar o sofrimento, mante-lo longe de si, mantém longe a própria vida e sua grandeza; não pode ser servo da verdade nem pode  servir à fé" (Bento XVI Homilia 28/06/2008)


Para este serviço à fé contamos coma graça proporcional às circunstâncias que Deus nos  deu: " Não devemos distanciar-nos de Deus, mas tornar Deus presente; fazer com que Ele seja grande em nossas vidas;[...]É importante que Deus seja grande entre nós, na vida pública, através por exemplo, da cruz nos edifícios públicos"  (Bento XVI homilia na Solenidade da Assunção - 2005)


O Santo Padre tem insistido no testemunho público dos católicos; mas não estaremos complexados e covardes, omitindo deveres elementares com a desculpa de pluralismo e abertura? Os inimigos que enfrentamos hoje são muito poderosos. Irremediável é o sofrimento pela Verdade, igualmente inevitável a perseguição dos bons e, ao mesmo tempo, impreterível a necessidade de testemunho pessoal e social, individual e coletivo, o que nos é exigido como cristãos.


Recordemos que as vésperas da Conferência do cairo, João Paulo II convidou-nos  a recorrer a São Miguel Arcanjo coma oração que " O Papa Leão XIII introduziu em toda a Igreja[...] para obter ajuda nesta batalha contra as forças das trevas" 


Em 1982 referia-se ao mistério da iniquidade na Homilia em Cracóvia: " O homem vive como se Deus não existisse e chega a pôr-se a si mesmo no lugar de Deus. Assim, arroga para si próprio o direito do criador de interferir no mistério da vida humana.  Quer decidir a vida do homem e determinar o limite da morte. Rejeitando as leis divinas e os princípios morais, ele atenta abertamente contra a família. Da várias maneiras procura calar a voz de Deus no coração dos homens e quer fazer de Deus o 'grande ausente'  na cultura e na consciência dos povos. O mistério da iniquidade continua a caracterizar a realidade do mundo" 


Por isso, hoje mais do que nunca devemos responder de forma consciente diante de Jesus Cristo, participando de sua oração e de sua Cruz, com a direção do magistério da Igreja: Ubi Petrus, Ibi Ecclesia, Ibi Deus. Procuremos ser bons discípulos de Nosso Senhor, sem dar rédeas à tentação da impaciência, de imediatamente buscar o grande êxito, os grandes números, deixando a Ele quando e como nosso trabalho dê fruto.Para tanto é preciso rezar mais, estudar mais, pensar mais e agir  mais  para quebrar o espartilho do politicamente correto, dos lugares comuns e do encantamento mundano"


Buenos Aires, 7 de novembro de 2009
Festa de Maria, Mãe e Medianeira da Graça.
Juan C. Sanahuja

sábado, 21 de julho de 2012

A Aborto, a Fé, a tradição e a Moral


« Deus não fez a morte, nem se alegra que pereçam os vivos » (Sab. 1, 13).



 É certo que Deus criou seres que não têm senão uma duração limitada e que a morte física não pode estar ausente do mundo dos viventes corporais. Mas, aquilo que é querido, antes de mais nada, é a vida; e, no universo visível, tudo foi feito em vista do homem, imagem de Deus e coroamento do mundo (cfr. Gén. 1, 26-28). 

No plano humano, foi « por inveja do demónio que a morte entrou no mundo » (Sab. 2, 24); introduzida pelo pecado, ela permanece a ele ligada; ela é dele o sinal e o fruto. No entanto, ela não poderá triunfar. Confirmando a fé na ressurreição, o Senhor proclamará no Evangelho que « Deus ... não é o Deus dos mortos, mas dos vivos » (Mt. 22, 32-33); e a morte, bem como o pecado, será vencida, definitivamente, pela ressurreição em Cristo (cfr. 1 Cor. 15, 20-27). 

Compreende-se assim que a vida humana, mesmo sobre a terra, seja algo precioso. Insuflada pelo Criador, é por Ele que ela será reassumida (cfr. Gén. 2, 7; Sab. 15, 11). Ela permanece sob a sua protecção; o sangue do homem clama por Ele (cfr. Gén. 4, 10) e Ele pedirá contas desse sangue, « porque o homem foi criado à semelhança de Deus » (Gén. 9, 5-6).

 0 mandamento de Deus é formal: « Não matarás » (Ex. 20, 13). Ao mesmo tempo que é um dom, a vida é também uma responsabilidade: recebida como um « talento » (cfr. Mt. 25, 14-30), ela deve ser posta a render. Para a fazer frutificar, muitas são as tarefas que ao homem se apresentam neste mundo, às quais ele não deve furtar-se; mas, de uma maneira mais profunda ainda, para o cristão, pois ele sabe bem que a vida eterna para ele depende daquilo que, com a graça de Deus, fizer durante a sua vida sobre a terra.

 A tradição da Igreja sempre considerou a vida humana como algo que deve ser protegido e favorecido, desde o seu início, do mesmo modo que durante as diversas fases do seu desenvolvimento. Opondo-se aos costumes greco-romanos, a Igreja dos primeiros séculos insistiu na distância que, quanto a este ponto, separa deles os costumes cristãos. 

No livro chamado Didaché diz-se claramente: « Tu não matarás, mediante o aborto, o fruto do seio; e não farás perecer a criança já nascida » . 

Atenágoras frisa bem que os cristãos têm na conta de homicidas as mulheres que utilizam medicamentos para abortar; ele condena igualmente os assassinos de crianças, incluindo no número destas as que vivem ainda no seio materno, « onde elas já são objecto da solicitude da Providência divina » 

Tertuliano não usou, talvez, sempre a mesma linguagem; contudo, não deixa também de afirmar, com clareza, o princípio essencial: « É um homicídio antecipado impedir alguém de nascer; pouco importa que se arranque a alma já nascida, ou que se faça desaparecer aquela que está ainda para nascer. É já um homem aquele que o virá a ser » .

 E no decorrer da história, os Padres da Igreja, bem como os seus Pastores e os seus Doutores, ensinaram a mesma doutrina, sem que as diferentes opiniões acerca do momento da infusão da alma espiritual tenham introduzido uma dúvida sobre a ilegitimidade do aborto. É certo que, na altura da Idade Média em que era opinião geral não estar a alma espiritual presente no corpo senão passadas as primeiras semanas, se fazia uma distinção quanto à espécie do pecado e à gravidade das sanções penais. Excelentes autores houve que admitiram, para esse primeiro período, soluções casuísticas mais suaves do que aquelas que eles davam para o concernente aos períodos seguintes da gravidez. Mas, jamais se negou, mesmo então, que o aborto provocado, mesmo nos primeiros dias da concepção fosse objectivamente falta grave.

 Uma tal condenação foi de facto unânime. De entre os muitos documentos, bastará recordar apenas alguns. 

Assim: o primeiro Concílio de Mogúncia, em 847, confirma as penas estabelecidas por Concílios precedentes contra o aborto; e determina que seja imposta a penitência mais rigorosa às mulheres « que matarem as suas crianças ou que provocarem a eliminação do fruto concebido no próprio seio » .

 O Decreto de Graciano refere estas palavras do Papa Estêvão V: « É homicida aquele que fizer perecer, mediante o aborto, o que tinha sido concebido ».  Santo Tomás, Doutor comum da Igreja, ensina que o aborto é um pecado grave contrário à lei natural . Nos tempos da Renascença, o Papa Sisto V condena o aborto com a maior severidade. 

Um século mais tarde, Inocêncio XI reprova as proposições de alguns canonistas « laxistas », que pretendiam desculpar o aborto provocado antes do momento em que certos autores fixavam dar-se a animação espiritual do novo ser . Nos nossos dias, os últimos Pontífices Romanos proclamaram, com a maior clareza, a mesma doutrina.

Assim: Pio XI respondeu explicitamente às mais graves objecções; Pio XII excluiu claramente todo e qualquer aborto directo, ou seja, aquele que é intentado como um fim ou como um meio para o fim; João XXIII recordou o ensinamento dos Padres sobre o carácter sagrado da vida, « a qual, desde o seu início, exige a acção de Deus criador » . E bem recentemente, ainda, o II Concílio do Vaticano, presidido pelo Santo Padre Paulo VI, condenou muito severamente o aborto: « A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis » . O mesmo Santo Padre Paulo VI, ao falar, por diversas vezes, deste assunto, não teve receio de declarar que a doutrina da Igreja « não mudou; e mais, que ela é imutável ».

O respeito pela vida humana não se impõe apenas aos cristãos; a razão basta de per si para o exigir, baseando-se na análise daquilo que é e deve ser uma pessoa. Constituído por uma natureza racional, o homem é um sujeito pessoal, capaz de reflectir sobre si próprio e de decidir dos seus actos e, portanto, do seu próprio destino; é livre. É, por consequência, senhor de si; ou melhor dito — porque ele se perfaz a si mesmo no tempo — ele dispõe dos meios para se tornar tal e nisso está o seu dever.

Imediatamente criada por Deus, a sua alma é espiritual e, por isso, imortal. Mais: ele está aberto para Deus e não encontrará senão n'Ele a sua plena realização. No entanto, ele vive na comunidade dos seus semelhantes e nutre-se da comunicação interpessoal com eles, no indispensável meio social. Em face da sociedade e dos outros homens, cada pessoa humana se possui a si mesma, possui a sua vida e os seus diversos bens, à maneira de direito; e isso exige-o da parte de todos os outros em relação a si uma estrita justiça.

 Contudo, a vida temporal que se leva neste mundo não se identifica com a pessoa; esta tem como seu próprio um nível de vida mais profundo, que não poderá acabar. Sim, a vida temporal é um bem fundamental, aqui na terra condição de todos os demais bens; mas existem valores mais altos, pelos quais poderá ser lícito e mesmo até necessário expor-se ao perigo de a perder. Numa sociedade de pessoas, o bem comum é para cada uma delas uma finalidade que deve servir, à qual há-de saber subordinar o seu interesse particular. Mas esse bem comum não constitui o seu fim último; e, neste sentido, é a sociedade que está ao serviço da pessoa, porque esta não consumará o seu destino senão em Deus. Ela não pode ser subordinada definitivamente senão a Deus. Nunca se pode tratar um homem como simples meio de que porventura se dispusesse para alcançar um fim mais elevado.

 Sobre os direitos e os deveres recíprocos da pessoa e da sociedade, compete à moral esclarecer as consciências e ao direito determinar e organizar os encargos. Ora existe um conjunto de direitos que a sociedade não tem que conceder, porque eles lhe são anteriores; mas que ela tem por dever preservar a fazer valer: tais são a maior parte daqueles que hoje em dia se denominam os « direitos do homem » e que a nossa época se gloria de ter formulado.

 O primeiro direito de uma pessoa humana é a sua vida. Ela tem outros bens e alguns deles são mais preciosos; mas este — da vida — é fundamental, condição de todos os demais. Por isso, deve ele, mais do que qualquer outro, ser protegido. Não compete à sociedade, nem compete à autoridade pública, seja qual for a sua forma, reconhecer este direito a alguns somente e não a outros: toda a discriminação aqui é iníqua, quer se fundamente na raça, quer no sexo, quer na cor, quer, enfim, na religião. Não é o reconhecimento por outrem que constitui este direito: ele precede tal reconhecimento; mais: ele exige ser reconhecido e é estritamente injusto recusar reconhecê-lo.


 Uma discriminação fundada sobre os diversos períodos da vida não será pois mais justificável do que outra qualquer. O direito à vida permanece na sua inteireza num velhinho, mesmo que este se ache muito debilitado; permanece num doente incurável, este não o perdeu. Não é menos legítimo numa criança que acaba de nascer do que num homem feito. Na realidade, o respeito pela vida humana impõe-se desde o momento em que começou o processo da geração. Desde quando o óvulo foi fecundado, encontra-se inaugurada uma vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano, que se desenvolve por si mesmo. Ele não virá jamais a tornar-se humano, se o não for desde logo.

 A esta evidência de sempre (absolutamente independente das discussões acerca do momento da animação),a ciência genética moderna traz preciosas confirmações. Ela demonstrou, com efeito, que desde o primeiro instante se encontra traçado o programa daquilo que virá a ser este novo vivente: um homem, este homem indivíduo com as suas notas características já bem determinadas. A partir da fecundação, começou a aventura de uma vida humana, na qual cada uma das suas capacidades requer tempo, mesmo um tempo bastante longo, para eclodir e para se achar em condições de agir.

 O mínimo que se pode dizer é que a ciência actual, no seu estado mais evoluído, não dá apoio algum substancial aos defensores do aborto. De resto, não pertence às ciências biológicas dar um juízo decisivo sobre questões propriamente filosóficas e morais, como são a do momento em que se constitui a pessoa humana e a da legitimidade do aborto. Ora, sob o ponto de vista moral, isto é certo mesmo que porventura subsistisse uma dúvida concernente ao facto de o fruto da concepção ser já uma pessoa humana: é objectivamente um pecado grave ousar correr o risco de um homicídio. « É já um homem aquele que o virá a ser »


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