quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sola Fide - a Salvação é só pela Fé?




Do Livro: A Legítima  Interpretação da  Bíblia

 De Lúcio Navarro

A Tese do Pastor:

"Bem se pode imaginar com que ânsia, emoção e contentamento o nosso amigo, pastor protestante, se aproximou do microfone, para fazer a sua dissertação pelo rádio, naquele dia. Tratava-se de uma mensagem sensacional, que ele pensara em transmitir. O seu objetivo era nada mais, nada menos que dar uma bonita rasteira em todas as religiões do mundo, sem respeitar nem sequer a Santa lgreja Católica Apostólica Romana, ficando de pé exclusivamente a doutrina dos protestantes. Para isto, idealizou o jovem e fervoroso pastor a argumentação seguinte: "Todas as religiões ensinam que o homem se salva pelas suas próprias obras; o Protestantismo, ao contrário, ensina que o homem se salva pela fé. Ora, sabemos que a Bíblia é a palavra de Deus revelada aos homens;  palavra infalível, porque Deus não pode errar. E a Bíblia tem inúmeros textos que afirma que o homem se salva pela fé. Logo, se vê pela Bíblia que o Protestantismo é a única religião verdadeira, e assim está refutada a doutrina perigosa (perigosa, sim, foi o que disse o pastor, e é o que dizem, em geral, os protestantes),  de que o homem alcança a salvação pelas suas obras"

Textos Evangélicos

Queremos apenas dar uma amostra de como os textos eram mesmo de impressionar o desprevenido ouvinte que não tivesse um conhecimento completo da verdadeira doutrina do Evangelho. Veja-se, por exemplo, o seguinte trecho do Evangelho de S. João:

"Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus" (João III-16 a 18)

Textos como estes que asseveram tão abertamente quem crê em Jesus se salva, quem não crê se condena - seriam suficientes para convencer qualquer pessoa:

 1 - Se não fosse tão ímpio, tão absurdo, e, portanto, tão indigno dos lábios de Jesus o que se quer provar com eles, ou seja, a doutrina de que, para o homem salvar-se, basta que tenha fé em Cristo e nada mais;

2. E se não houvesse outros textos, igualmente claros, dos Evangelhos, para nos provar a necessidade das boas obras para a conquista do Céu, como este por exemplo:  Bom Mestre, que obras devo fazer para ter a vida eterna? - Se tu queres entrar na vida, guarde os Mandamentos - (Mateus XIX-16 e 17).

Conciliação de textos:

É claro que fazer uma boa interpretação da Bíblia não consiste em aferrar-se alguém a uns textos, desprezando, esquecendo, refugando, pondo de lado outros, igualmente valiosos: tudo quanto está na Bíblia é palavra de Deus. A interpretação imparcial, conscienciosa, legítima, procura harmonizar inteligentemente os textos das Escrituras.

E é bastante tomar na devida consideração as duas afirmativas -.- quem crê em Jesus se salva, quem não crê se condena - para entrar na vida eterna, é preciso guardar os mandamentos -  Para se chegar à conclusão de que para a salvação eterna, tanto é necessária a fé nas palavras de Cristo, como a obediência aos mandamentos divinos. É o que nos ensina a Igreja Católica, a qual não afirma que o homem se salva só pelas obras, como queria fazer crer o nosso amigo, pastor protestante, basean-
do a sua argumentação em que tôdas as reÌigiões assim o ensinam; segundo a teoÌogia católica, a fé no ensino de Cristo que nos é apresentado é também indispensável.

Vê-se logo por aí quanto a doutrina da Igreja é desconhecida, até mesmo por aqueles que ardorosamente a combatem. Temos, portanto, que expor a doutrina católica sobre o assunto, máxime, porque ela fala de um terceiro elemento, importantíssimo e igualmente indispensável à salvação, como seja, o auxílio da graça de Deus; explicado êste ponto, se esclarecem muitos textos das Escrituras que tanta confusão provocam na cabeça dos protestantes.

O caso dos pagãos - perante a lógica e a Bíblia

Basta igualmente esta palavra de Cristo - "se tu queres entrur na vida, guarda, os mandamentos" (Mateus XIX-17) - para mostrar que, se o Protestantismo se distingue de tôdas as religiões do mundo ensinando que o homem se salva só pela fé e não pelas obras, isto não é sinal de que seja a única Religião Verdadeira; é sinal, apenas, de que ensina uma coisa que evidentemente está contra a lógica e o bom senso.

Este princípio estabelecido por Jesus Cristo - guardar os mandamentos, para salvar-se - vigora em todas as religiões, porque é também um imperativo da razão humana, e a razáo, assim como a fé, procede de Deus, nosso Criador.

 A Humanidade viveu milhares de anos antes de Jesus Cristo vir a este mundo e, durante todo êsse tempo, excetuando o povo judaico, pequenino povo que tinha a revelação dada por Deus a Moisés e aos profetas, todas as nações da terra estavam imersas no paganismo, desconhecendo as verdades da fé. Mesmo depois da vinda de Jesus Cristo, quantos milhões e milhões de pessoas tem havido e ainda há, como por exemplo entre budistas, bramanistas, confucionistas, mao- metanos, índios selvagens etc, que sem culpa nenhuma sua, desconheceram ou ainda desconhecem a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 Podiam ou podem estes homens salvar-se?

Sim, sem dúvida alguma, porque não é admissível que Deus os condenasse a todos irremediavelmente ao inferno, se eles não tinham culpa nenhuma em desconhecer a revelação cristã. 

Mas salvar-se como?  - Seguindo o que Cristo disse: "Se tu queres entrar na vida, guarda os mandamentos" (Mateus XIX-17).

 E aqui perguntará o leitor: "Se os mandamentos foram revelados aos judeus por intermédio 
de Moisés, e as religiões pagãs não conheciam esta revelação, como  podiam admitir este princípio: - guarda os mandamentos, se queres salvar-te? Conheciam por acaso estes mandamentos?" 

- Conheciam, sim; embora não tão perfeitamente como nós os conhecemos. Porque êstes mandamentos, Deus os gravou no coração do homem. Honrarás pai e mãe, não matarás, não furtarás, não levantarás falso testemunho, não desejarás a mulher de teu próximo etc, são leis que se impõem a todos os homens pela voz imperiosa de sua consciência-  se a Religião tem por fim o aperfeiçoamento moral do homem e a sua união com Deus, esta união, este aperfeiçoamento não se realizam senão, 
quando ele obedece à voz da consciência, que é a própria voz de Deus, falando a sua alma, a seu coração. Só assim podia (ou pode ainda hoje) o pagão que nunca ouviu falar de Cristo, agradar a Deus e, agradando a Deus pelas suas obras, conseguir a salvação. 

- Mas, dirá o protestante, esta história da possibilidade de se salvarem os pagãos, pode-se provar 
petas Escrituras? 

Perfeitamente. Abra-se a Epístola de S. Paulo aos Romanos: Lemos aí "que Deus haverá de retribuir 
a cada um segundo as suas obras; com a vida eterna, por certo, aos que, perseverando em fazer boas obras, buscam a glória, honra e imortalidade, mas com ira e indignação aos que são de contenda e que não  se rendem à verdade, mas que obedecem à injustiça. A tribulação e a angústia virá sobre toda alma do homem que obra mal, ao judeu primeiramente e ao grego, mas a honra glória e a paz será dada a todo obrador do bem, ao judeu primeiramente e ao grego, porque Deus não faz acepção de pessoas.(Romanos II, 6 a II)

O grego que se refere aí S. Paulo, em contraposição ao  judeu, é o gentio, o pagão, o que não conhecia a lei de Moisés. Deus, não tem acepção de pessoas: todo o que opera o bem recebe a vida eterna* 
seja judeu, seja gentio. Porque, como diz em continuação o apóstolo S. Paulo, se os judeus tinham uma lei escrita dada por Deus e os gentios; não a tinham, o que interessa a Deus não é que se ouça a lei que foi  dada por Ele, rnas sim que se pratique o que ordena esta mesma lei. E o gentio, cumprindo a lei que estava escrita no seu coração, se podia tornar também justificado diante de Deus. 

Vejamos as palavras do Apóstolo:Porque diante de Deus não são justos os que ouvem a lei, mas serão tidos por justos os que praticam a lei. os pagãos que não tem a lei, fazendo naturalmente as coisas que são da lei, embora não tenham a lei, a si mesmos servem de lei, eles mostram que o objeto da lei está gravado nos seus corações, dando-lhes testemunho a sua consciência, bem como os seus raciocínios, com os quais se acusam ou se escusam mutuamente.


- Mas perguntará alguém: Não diz a Bíblia que sem a fé é impossível agradar a Deus? Como podiam esses pagãos agradar a Deus  sem a fé? 

- A dificuldade é muito fácil de resolver. Na mesma ocasião em que diz a Bíblia - ser impossível sem a fé agradar a Deus - mostra imediatamente qual o programa mínimo de fé que é exigido desses que 
não cheguem a ter conhecimento da revelação divina; dêles se exige apenas que creiam o seguinte: que existe um Deus e que este Deus recompensa os bons. 

Vejamos o texto: Sem fé, é impossíael, agradar a Deus; porquanto é necessário que o que se chega a Deus creia que há Deus e que é remunerador dos que O buscam (Hebreus XI-6). Se eles estavam ou estão, sem nenhuma culpa sua, na ignorância de muitas outras verdades da fé, Deus se contenta com este mínimo: crer na existência de um Deus Remunerador; é o bastante para se aproximarem de Deus. 

Portanto, se as religiões pagãs que existiram antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo ensinavam que seus adeptos podiam conseguir a recompensa divina mediante as suas obras, se as religiões pagãs ainda hoje existentes ensinam que os seus seguidores (que não têm suficiente conhecimento da doutrina de Jesus Cristo) se salvam peia maneira digna e correta de proceder, essas religiões podem ter lá os seus erros graves em matéria de doutrina, mas neste ponto tem ensinado uma 
coisa certa, confirmada por S. Paulo, quando afirmou que os gentios se salvam obedecendo à lei que está escrita em seus corações (Romanos II-15).

 O caminho do Céu para êles é êste mesmo. Agora, se de fato foram muitos ou foram poucos os que procederam corretamente e obedeceram a esta lei, isto já é outra questão. O homem tem a Sua liberdade; pode usar dela bem ou mal. Infelizmente a tendência desta nossa corrupta Humanidade é mais para usar mal do que para usar bem; porém tinha que haver para os pagãos, assim como para os cristãos (falamos, é claro, dos pagãos de boa fé) algum direito, alguma possibilidade de salvar-se. 

Do contrário Deus seria injusto, não seria bom para todos os homens que O temem. Bem-aventurados todos os que temem ao Senhor, os que andam em seus caminhos (Salmos CXXVII-1). E o pagão que 
não recebeu as luzes da revelação cristã, mas crê na existência de um Deus Justiceiro, embora erre, por ignorância invencível, sôbre a própria natureza da Divindade, não tem outro meio para mostrar que teme o Senhor e que quer andar nos seus caminhos, senão obedecendo fielmente aos ditames da sua própria consciência. 

Depois veremos: O Caso dos cristãos - Perante a lógica e a Bíblia.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Apostólica



Por Padre Leo Trese


"A quarta nota da autêntica Igreja de Cristo, a que “completa o quadrado”, é a apostolicidade, que significa, simplesmente, que a igreja que pretenda ser de Cristo deverá provar a sua legítima descendência dos Apóstolos, alicerce sobre o qual Jesus edificou a sua Igreja.

“A Igreja é apostólica porque está fundada sobre os Apóstolos. E isso em três sentidos:

"foi e continua a ser construída sobre o alicerce dos Apóstolos (Ef. 2,20; At. 21,14), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo;

-“Guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina, o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos;

-“Continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até ao regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucederam no ofício pastoral: o Colégio dos Bispos, < assistido pelos sacerdotes, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja> (AG. 5)” (n.857; cf. também os ns. 858-62).


Que a Igreja Católica passa pela prova da apostolicidade é coisa muito fácil de demonstrar.

Temos a lista dos bispos de Roma, que remonta numa linha contínua do Papa atual até São Pedro.
E os outros bispos da Igreja Católica, verdadeiros sucessores dos Apóstolos, são os elos atuais na ininterrupta cadeia que se estende por mais de vinte séculos.

Desde o dia em que os Apóstolos impuseram as mãos sobre Timóteo e Tito, Marcos e Policarpo, o poder episcopal transmitiu-se pelo sacramento da Ordem Sagrada de geração em geração, de bispo para bispo.

E com isto, fechamos o “quadrado”.

A Igreja de Cristo é Una, Santa, Católica e Apostólica, como proclamamos no Credo. Esta é a Sua Marca. Não somos tão ingênuos a ponto de esperar que os convertidos acorram aos montões agora que lhes mostramos essa marca.

Os preconceitos humanos não cedem tão facilmente à razão

Mas ao menos tenhamos a prudência de vermos nós essa marca com lúcida segurança."

Estudos anteriores: Aqui



sábado, 4 de agosto de 2012

Patrono dos padres - São Cura d'Ars



Neste primeiro domingo de agosto celebramos a vocação sacerdotal, em virtude da festa de São João Maria Vianney, o Cura D‚Ars, comemorada pela Igreja no dia 04.

Por Bento XVI

 «O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus»: costumava dizer o Santo Cura d’Ars. Esta tocante afirmação permite-nos, antes de mais nada, evocar com ternura e gratidão o dom imenso que são os sacerdotes não só para a Igreja mas também para a própria humanidade. Penso em todos os presbíteros que propõem, humilde e quotidianamente, aos fiéis cristãos e ao mundo inteiro as palavras e os gestos de Cristo, procurando aderir a Ele com os pensamentos, a vontade, os sentimentos e o estilo de toda a sua existência. Como não sublinhar as suas fadigas apostólicas, o seu serviço incansável e escondido, a sua caridade tendencialmente universal? E que dizer da fidelidade corajosa de tantos sacerdotes que, não obstante dificuldades e incompreensões, continuam fiéis à sua vocação: a de «amigos de Cristo», por Ele de modo particular chamados, escolhidos e enviados?

[...] A expressão utilizada pelo Santo Cura d’Ars evoca também o Coração traspassado de Cristo com a coroa de espinhos que O envolve. E isto leva o pensamento a deter-se nas inumeráveis situações de sofrimento em que se encontram imersos muitos sacerdotes, ou porque participantes da experiência humana da dor na multiplicidade das suas manifestações, ou porque incompreendidos pelos próprios destinatários do seu ministério: como não recordar tantos sacerdotes ofendidos na sua dignidade, impedidos na sua missão e, às vezes, mesmo perseguidos até ao supremo testemunho do sangue?

Infelizmente existem também situações, nunca suficientemente deploradas, em que é a própria Igreja a sofrer pela infidelidade de alguns dos seus ministros. Daí advém então para o mundo motivo de escândalo e de repulsa. O máximo que a Igreja pode recavar de tais casos não é tanto a acintosa relevação das fraquezas dos seus ministros, como sobretudo uma renovada e consoladora consciência da grandeza do dom de Deus, concretizado em figuras esplêndidas de generosos pastores, de religiosos inflamados de amor por Deus e pelas almas, de directores espirituais esclarecidos e pacientes.

A este respeito, os ensinamentos e exemplos de S. João Maria Vianney podem oferecer a todos um significativo ponto de referência. O Cura d’Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: «Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina». Falava do sacerdócio como se não conseguisse alcançar plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura humana: «Oh como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. (…) Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e encerra-se numa pequena hóstia».

E, ao explicar aos seus fiéis a importância dos sacramentos, dizia: «Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem a há-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. (…) Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu».  Estas afirmações, nascidas do coração sacerdotal daquele santo pároco, podem parecer excessivas. Nelas, porém, revela-se a sublime consideração em que ele tinha o sacramento do sacerdócio. Parecia subjugado por uma sensação de responsabilidade sem fim: «Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. (…) Sem o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra (…) Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, senão houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecónomo do bom Deus; o administrador dos seus bens (…) Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. (…) O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós».

Tinha chegado a Ars, uma pequena aldeia com 230 habitantes, precavido pelo Bispo de que iria encontrar uma situação religiosamente precária: «Naquela paróquia, não há muito amor de Deus; infundi-lo-eis vós». Por conseguinte, achava-se plenamente consciente de que devia ir para lá a fim de encarnar a presença de Cristo, testemunhando a sua ternura salvífica: «[Meu Deus], concedei-me a conversão da minha paróquia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo da minha vida!»: foi com esta oração que começou a sua missão. E, à conversão da sua paróquia, dedicou-se o Santo Cura com todas as suas energias, pondo no cume de cada uma das suas ideias a formação cristã do povo a ele confiado.

Amados irmãos no sacerdócio, peçamos ao Senhor Jesus a graça de podermos também nós assimilar o método pastoral de S. João Maria Vianney. A primeira coisa que devemos aprender é a sua total identificação com o próprio ministério. Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: toda a sua acção salvífica era e é expressão do seu «Eu filial» que, desde toda a eternidade, está diante do Pai em atitude de amorosa submissão à sua vontade. Com modesta mas verdadeira analogia, também o sacerdote deve ansiar por esta identificação. Não se trata, certamente, de esquecer que a eficácia substancial do ministério permanece independentemente da santidade do ministro; mas também não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objectiva do ministério e a subjectiva do ministro. O Cura d’Ars principiou imediatamente este humilde e paciente trabalho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe estava confiado, decidindo «habitar», mesmo materialmente, na sua igreja paroquial: «Logo que chegou, escolheu a igreja por sua habitação. (…) Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá»: lê-se na primeira biografia.

O exagero devoto do pio hagiógrafo não deve fazer-nos esquecer o facto de que o Santo Cura soube também «habitar» activamente em todo o território da sua paróquia: visitava sistematicamente os doentes e as famílias; organizava missões populares e festas dos Santos Patronos; recolhia e administrava dinheiro para as suas obras sócio-caritativas e missionárias; embelezava a sua igreja e dotava-a de alfaias sagradas; ocupava-se das órfãs da «Providence» (um instituto fundado por ele) e das suas educadoras; tinha a peito a instrução das crianças; fundava confrarias e chamava os leigos para colaborar com ele.

O seu exemplo induz-me a evidenciar os espaços de colaboração que é imperioso estender cada vez mais aos fiéis leigos, com os quais os presbíteros formam um único povo sacerdotal e no meio dos quais, em virtude do sacerdócio ministerial, se encontram «para os levar todos à unidade, “amando-se uns aos outros com caridade fraterna, e tendo os outros por mais dignos” (Rm 12, 10)».Neste contexto, há que recordar o caloroso e encorajador convite feito pelo Concílio Vaticano II aos presbíteros para que «reconheçam e promovam sinceramente a dignidade e participação própria dos leigos na missão da Igreja. Estejam dispostos a ouvir os leigos, tendo fraternalmente em conta os seus desejos, reconhecendo a experiência e competência deles nos diversos campos da actividade humana, para que, juntamente com eles, saibam reconhecer os sinais dos tempos».

O Santo Cura ensinava os seus paroquianos sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus Eucaristia.«Para rezar bem – explicava-lhes o Cura –, não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no tabernáculo sagrado: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela sua presença sagrada. Esta é a melhor oração». E exortava: «Vinde à comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver d’Ele para poderdes viver com Ele». «É verdade que não sois dignos, mas tendes necessidade!». Esta educação dos fiéis para a presença eucarística e para a comunhão adquiria um eficácia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Quem ao mesmo assistia afirmava que «não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. (...) Contemplava a Hóstia amorosamente». Dizia ele: «Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do sacrifício da Missa, porque aquelas são obra de homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus».Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: «A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à Missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse um coisa ordinária!». E, ao celebrar, tinha tomado o costume de oferecer sempre também o sacrifício da sua própria vida: «Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs!».

Esta sintonia pessoal com o Sacrifício da Cruz levava-o – por um único movimento interior – do altar ao confessionário. Os sacerdotes não deveriam jamais resignar-se a ver os seus confessionários desertos, nem limitar-se a constatar o menosprezo dos fiéis por este sacramento.

 Na França, no tempo do Santo Cura d’Ars, a confissão não era mais fácil nem mais frequente do que nos nossos dias, pois a tormenta revolucionária tinha longamente sufocado a prática religiosa. Mas ele procurou de todos os modos, com a pregação e o conselho persuasivo, fazer os seus paroquianos redescobrirem o significado e a beleza da Penitência sacramental, apresentando-a como uma exigência íntima da Presença eucarística. Pôde assim dar início a um círculo virtuoso. Com as longas permanências na igreja junto do sacrário, fez com que os fiéis começassem a imitá-lo, indo até lá visitar Jesus, e ao mesmo tempo estivessem seguros de que lá encontrariam o seu pároco, disponível para os ouvir e perdoar. Em seguida, a multidão crescente dos penitentes, provenientes de toda a França, haveria de o reter no confessionário até 16 horas por dia. Dizia-se então que Ars se tinha tornado «o grande hospital das almas». «A graça que ele obtinha [para a conversão dos pecadores] era tão forte que aquela ia procurá-los sem lhes deixar um momento de trégua!»: diz o primeiro biógrafo. E assim o pensava o Santo Cura d’Ars, quando afirmava: «Não é o pecador que regressa a Deus para Lhe pedir perdão, mas é o próprio Deus que corre atrás do pecador e o faz voltar para Ele». «Este bom Salvador é tão cheio de amor que nos procura por todo o lado».

Todos nós, sacerdotes, deveríamos sentir que nos tocam pessoalmente estas palavras que ele colocava na boca de Cristo: «Encarregarei os meus ministros de anunciar aos pecadores que estou sempre pronto a recebê-los, que a minha misericórdia é infinita». Do Santo Cura d’Ars, nós, sacerdotes, podemos aprender não só uma inexaurível confiança no sacramento da Penitência que nos instigue a colocá-lo no centro das nossas preocupações pastorais, mas também o método do «diálogo de salvação» que nele se deve realizar. O Cura d’Ars tinha maneiras diversas de comportar-se segundo os vários penitentes. Quem vinha ao seu confessionário atraído por uma íntima e humilde necessidade do perdão de Deus, encontrava nele o encorajamento para mergulhar na «torrente da misericórdia divina» que, no seu ímpeto, tudo arrasta e depura. E se aparecia alguém angustiado com o pensamento da sua debilidade e inconstância, temeroso por futuras quedas, o Cura d’Ars revelava-lhe o segredo de Deus com um discurso de comovente beleza: «O bom Deus sabe tudo. Ainda antes de vos confessardes, já sabe que voltareis a pecar e todavia perdoa-vos. Como é grande o amor do nosso Deus, que vai até ao ponto de esquecer voluntariamente o futuro, só para poder perdoar-nos!». Diversamente, a quem se acusava de forma tíbia e quase indiferente, expunha, através das suas próprias lágrimas, a séria e dolorosa evidência de quão «abominável» fosse aquele comportamento. «Choro, porque vós não chorais»: exclamava ele. «Se ao menos o Senhor não fosse assim tão bom! Mas é assim bom! Só um bárbaro poderia comportar-se assim diante de um Pai tão bom!». Fazia brotar o arrependimento no coração dos tíbios, forçando-os a verem com os próprios olhos o sofrimento de Deus, causado pelos pecados, quase «encarnado» no rosto do padre que os atendia de confissão. Entretanto a quem se apresentava já desejoso e capaz de uma vida espiritual mais profunda, abria-lhe de par em par as profundidades do amor, explicando a inexprimível beleza de poder viver unidos a Deus e na sua presença: «Tudo sob o olhar de Deus, tudo com Deus, tudo para agradar a Deus. (...) Como é belo!»E ensinava-lhes a rezar assim: «Meu Deus, dai-me a graça de Vos amar tanto quanto é possível que eu Vos ame!».

No seu tempo, o Cura d’Ars soube transformar o coração e a vida de muitas pessoas, porque conseguiu fazer-lhes sentir o amor misericordioso do Senhor. Também hoje é urgente igual anúncio e testemunho da verdade do Amor: Deus caritas est (1 Jo 4, 8). Com a Palavra e os Sacramentos do seu Jesus, João Maria Vianney sabia instruir o seu povo, ainda que frequentemente suspirava convencido da sua pessoal inaptidão a ponto de ter desejado diversas vezes subtrair-se às responsabilidades do ministério paroquial de que se sentia indigno. Mas, com exemplar obediência, ficou sempre no seu lugar, porque o consumia a paixão apostólica pela salvação das almas. Procurava aderir totalmente à própria vocação e missão por meio de uma severa ascese: «Para nós, párocos, a grande desdita – deplorava o Santo – é entorpecer-se a alma», entendendo, com isso, o perigo de o pastor se habituar ao estado de pecado ou de indiferença em que vivem muitas das suas ovelhas. Com vigílias e jejuns, punha freio ao corpo, para evitar que opusesse resistência à sua alma sacerdotal. E não se esquivava a mortificar-se a si mesmo para bem das almas que lhe estavam confiadas e para contribuir para a expiação dos muitos pecados ouvidos em confissão. Explicava a um colega sacerdote: «Dir-vos-ei qual é a minha receita: dou aos pecadores uma penitência pequena e o resto faço-o eu no lugar deles». Independentemente das penitências concretas a que se sujeitava o Cura d’Ars, continua válido para todos o núcleo do seu ensinamento: as almas custam o sangue de Cristo e o sacerdote não pode dedicar-se à sua salvação se se recusa a contribuir com a sua parte para o «alto preço» da redenção.

No mundo actual, não menos do que nos tempos difíceis do Cura d’Ars, é preciso que os presbíteros, na sua vida e acção, se distingam por um vigoroso testemunho evangélico. Observou, justamente, Paulo VI que «o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas». Para que não se forme um vazio existencial em nós e fique comprometida a eficácia do nosso ministério, é preciso não cessar de nos interrogarmos: «Somos verdadeiramente permeados pela Palavra de Deus? É verdade que esta é o alimento de que vivemos, mais de que o sejam o pão e as coisas deste mundo? Conhecemo-la verdadeiramente? Amamo-la? De tal modo nos ocupamos interiormente desta palavra, que a mesma dá realmente um timbre à nossa vida e forma o nosso pensamento?».Assim como Jesus chamou os Doze para estarem com Ele (cf. Mc 3, 14) e só depois é que os enviou a pregar, assim também nos nossos dias os sacerdotes são chamados a assimilar aquele «novo estilo de vida» que foi inaugurado pelo Senhor Jesus e assumido pelos Apóstolos. (Continua na Fonte: Aqui )

São João Maria Vianney - Rogai por todos os sacerdotes!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ascetismo cristão e o ascetismo facista soviético




Por Fulton Sheen

"São de três aspectos  as diferenças principais entre o ascetismo difundido pelo  fascismo soviético e o ascetismo cristão.

Em primeiro lugar o ascetismo comunista é imposto, o ascetismo cristão  é voluntário

Consideremos a propriedade privada. Nem os comunistas nem as carmelitas a possuem. Há ascetismo de posse em  ambos os casos. Tempo houve  em que ambos possuíram uma propriedade. O comunista viu-se  espoliado da sua; a carmelita renunciou à sua. O comunista viu-se "obrigado"a fazer o voto de pobreza, isto é, não pôde possuir propriedade produtiva, enquanto a carmelita fê-lo por sua própria vontade. A renúncia no primeiro foi ordenada; no segundo foi de espontânea vontade.

 O fascista soviético de Moscou que rebe hoje um magro salário numa fábrica de parafusos e porcas não olha para a loja que era sua em 1917 daquele modo que a carmelita olha para a sua casa. Volta-se para sua loja pesaroso e bem desejaria poder novamente ser responsável pela propriedade produtiva. Com a carmelita é diferente. Anos atrás, quando o claustro foi aberto á visitação, uma das visitantes apontou para uma bela casa.lá no outro lado do vale, casa então pertencente ao rico proprietário de um jornal. "Irmã, disse ela, se antes de vir aqui lhe tivessem dado aquela casa para morar, com todas as coisas que há nela, te-la-ia rejeitado pelo Carmelo coma sua Cruz?" Respondeu a Irmã: " Era aquela minha casa".

O comunismo não confia na propriedade privada, portanto,diz ele, ninguém deve possuí-la. Todos tem de fazer o voto de pobreza. Tal ascetismo é a morte da liberdade.

Jesus Cristo recomendou ao moço rico que vendesse tudo o que tinha e desse tudo aos pobres, mas não lhe tirou à força seus bens. O comunismo não confia na democracia, pois só admite um único partido, ao qual todos tem de se submeter. Bem diferente foi o apelo do salvador, que disse aos Apóstolos que O seguissem, mas não prescreveu os discípulos de Cafarnaum como" trotsquistas", por se terem recusado a acompanha-lo outra vez, ou por terem achado suas palavras " duras".

O comunista não acredita em Deus, portanto, ninguém deve adorar a Deus. Impõe o ateísmo como o último ascetismo do espírito humano e nega, no art 124 da sua Constituição, a liberdade de pregar a religião. Jesus na Cruz, em frente aos inimigos da religião, não os feriu de morte mas orou por eles,pois não sabiam o que estavam fazendo. Deixava aos homens a liberdade  de serem irreligiosos,mas os irreligiosos comunistas não deixarão aos homens a liberdade de serem religiosos.

O ascetismo do comunismo não deixa nada à livre escolha; tudo é imposto pela força. Aos demais rasgam-lhes as roupas, deitam-lhes cinza na cabeça,castigam-lhes o corpo e convertem a nação num enorme manicômio onde todos tem de cumprir os votos sem nunca os terem feito. É muito semelhante ao calvinismo que afirmava que o homem estava destinado ao céu e ao inferno, independente de seus méritos. Como Deus o predeterminou, seu destino é, por isso mesmo, indiferente ao seu bom ou mau procedimento. Em tal fatalismo, o homem não tinha liberdade de ser  um santo ou de ser um demônio. Deus fez dele o que ele é, não ele próprio.

O comunismo é também semelhante à Proibição. Os proibicionistas não gostavam do copo de vinho ao jantar, por isso decidiram que ninguém mais devia tomar vinho.  Há um fio comum ligando-os todos: Puritanismo sem danças, Proibição sem vinho e Comunismo sem propriedade. Todas as massas tinham de fazer os " votos" dos líderes, quer quisessem quer não. Em vez de perguntar ao homem: " Queres receber esta mulher como tua esposa legítima?",  o novo ascetismo diz: "Receberás esta mulher como tua esposa legítima". Diante do problema do abuso, destruíram o uso, e face a face com a realidade do egoísmo humano, tiraram a liberdade dos demais. Tal qual certos vegetarianos que recusam carne  a quem quer que seja, o comunismo empurra suas opiniões pela garganta dos demais, expediente que só aproveita aos não-ascéticos líderes vermelhos do novo ascetismo.

A Igreja afirma que, quando forçado,o ascetismo converte-se em  tirania.Jesus nunca andou obrigando os homens a carregar  uma Cruz porque teve a sua para carregar, nem nela os pregou porque desejou ser crucificado, nem arrebatou esposas e mães dos maridos e filhos porque não tinha família,nem acabou comas bodas porque não teve a sua, nem forçou os demais a dormirem sob os céus nublados porque não tinha teto. Todos estes atos de renúncia, Ele os deixava à liberdade de escolha de seus discípulos, dizendo-lhes: "Achais que podeis beber deste cálice?"

Não se dá o mesmo com o ascetismo moderno. Ou fazemos o que o ditador impõe ou não fazemos nada; ou temos certa espécie de sangue circulando em nossas veias ou o nosso sangue não pode de modo algum circular, dentro das fronteiras de seu império; ou aceitamos o Estado como Igreja, ou sofremos consequência de fazer política com a nossa religião; ou usamos a nossa palavra e a nossa imprensa para propagar as suas doutrinas, ou somos relegados para o supremo esquecimento da morte.

A liberdade termina onde começa a força. Benéfico e  e útil é praticar a disciplina e a mortificação, mas se não deixarmos a cada qual a liberdade de fazê-lo destruiremos o seu valor. Um voto de obediência obtido à força não é voto que obrigue, do mesmo modo que a promessa de casamento feita diante do cano de uma espingarda, não é um contrato válido.

A restauração do ascetismo é um empreendimento  que devemos ardentemente desejar, mas este último estado será pior que o primeiro se não deixarmos sua escolha livre assentimento do homem. Arrebatar à força  as esposas dos maridos não é o que vai torna-los castos, assim como confiscar a propriedade produtiva não é o que vai  libertar  os homens da paixão da cupidez. É de disciplina voluntária que o mundo precisa, não de disciplina imposta. A Igreja, por exemplo, reconhece a santidade de Simão, o Estilita, que passou a maior parte de sua vida plantado no topo de uma coluna de mármore, longe do bulicio dos homens, mas a Igreja nunca disse que todo o homem que desejar ser santo deve morar num pináculo de um arranha-céu.

A Igreja canonizou a Little- Flower (Santa Teresinha), mas recusa-se a obrigar qualquer mulher a entrar no convento A Igreja ensina  que a castidade dos religiosos é superior ao estado matrimonial, mas condena quem diz que o Matrimônio é um mal. A Igreja regozija-se com seus filhos que fazem o voto de pobreza e renunciam aos seus próprios bens de produção, mas condena o comunismo, que diz que a propriedade individual da propriedade produtiva é um mal. A Igreja ensina a temperança e louva o perfeito abstêmio, mas repele o reformador que diz que a bebida em si mesma é intrinsecamente má.

Santo Tomás em Becket usava, como Arcebispo, uma camisa de pelos sob os paramentos de ouro e carmesin, em seu proveito a camisa de pelos e em proveito do povo o ouro e carmesin, mas nunca vestiu à força camisas de pelos nas ovelhas de seu aprisco. Em resumo, o ascetismo comunista por ser forcado, é despojamento; o ascetismo cristão, por ser voluntário, é libertação"

Fonte: O problema da Liberdade. - Pags 214 - 215

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terça-feira, 31 de julho de 2012

Santo Inácio de Loyola



Hoje, 31 de julho a Igreja celebra Santo Inácio de Loyola, discípulo, missionário e  grande mestre na Espiritualidade Cristã Católica .


 " O homem  é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus nosso Senhor e , por este meio salvar sua alma. Tudo o mais sobre a terra foi criado para o homem, para ajuda-lo na consecução do fim para qual foi criado. Daí resulta que o homem tanto há de usar das criações quanto o ajudem para seu fim; e tanto deve apartar-se delas quanto afastarem desse fim. Por isso, é mister fazer-nos indiferentes diante  de todas as coisas criadas, em tudo que é concedido à liberdade do nosso livre arbítrio e que não está proibido, de tal maneira que da nossa parte não prefiramos a saúde, à enfermidade, a riqueza à pobreza, a honra ao desprezo, uma vida longa à curta, e assim por diante em tudo o mais; desejando e escolhendo somente o que mais nos conduz ao fim para qual fomos criados"


Santo Inácio,Rogai por nós!

Frases de Santo Inácio:

" A humildade  consiste em alegrar-nos com tudo o que nos leva a reconhecer o nosso nada"

" Não me atreveria a pernoitar numa casa, em que soubesse haver um homem de pecado mortal; temeria que o telhado nos esmagasse sob seus escombros" 


" Se tenho de desgostar a Deus em alguma coisa ou afrouxar-me em seu santo serviço, antes queira ele me tirar a vida"

" Não deve ser tacanho aquele com que Deus tem sido generoso"

" Preferia eu dar mais importância a uma falta minha, do que a todo o mal que de mim disseram"

" Conselho ou aviso, sempre é melhor recebe-los com humildade do que da-los sem ela"

" Servindo mais em Deus, em obras pias, o povo se move mais a sustenta-los e com mais caridade"



" A maioria das pessoas não faz ideia do que Deus poderia fazer delas se somente elas se colocassem à Sua disposição." 


"Muita sabedoria unida a pouca santidade é preferível a muita santidade unida a pouca sabedoria"


segunda-feira, 30 de julho de 2012

56 - O governo federal e as organizações que trabalham para legalização ...

Queridos leitores deste blog. Precisamos acordar pelo que está acontecendo em nosso país. Precisamos lutar pela defesa da criança inocente no ventre de suas mães, os pequenos de Deus.

Assistam este vídeo!

A Razão, a Fé e ...Eu.


Por PadreLeoTrese

"Deus concedeu ao homem a faculdade de raciocionar, e Ele deseja que a utilizemos.  Existem duas maneiras de abusar dessa faculdade.

Uma é não utiliza-la. 

Caso típico da pessoa que não aprendeu a usar da razão é, por exemplo, o daquela que toma como verdade do Evangelho tudo o que lê nos jornais e nas revistas, por mais absurdo que seja. Essa pessoa aceita ingenuamente as mais extravagantes afirmações de vendedores e anunciantes, uma arma sempre pronta a ser empunhada por publicitários espertos. Deslumbra-a o prestígio; se um famoso cientista ou industrial diz que Deus não existe, para ela é claro que não há Deus.

Noutras palavras, este não-pensante não possui senão opiniões pré-fabricadas. Nem sempre é a preguiça intelectual a que produz um não-pensante. Às vezes, infelizmente, são os pais e os mestres os causadores desta apatia mental, quando reprimem a natural curiosidade dos jovens e afogam os normais “porquês” com ao seus “porque eu o digo e pronto”.

No outro extremo está o homem que faz da razão um autêntico deus.

É aquele que não crê em nada que não veja e compreenda por si mesmo. Para ele, os únicos dados certos são os que vêm dos laboratórios científicos. Nada é verdade a não ser que ele assim o ache, a não ser que, já e agora, produza resultados práticos.

O que dá resultado é verdade; o que é útil, é bom. Este tipo de pensador é o que conhecemos por ‘positivista’ ou ‘pragmático’.

Mas, no fundo, não é que recuse qualquer verdade que se baseie na autoridade: crerá cegamente na autoridade de um Einstein e aceitará a teoria da relatividade, mesmo que não a entenda; crerá na autoridade dos físicos nucleares, ainda que continue a não entender nada; mas a palavra “autoridade” produz-lhe uma repulsa automática quando se refere à autoridade da Igreja.

O pragmático respeita as declarações das autoridades humanas porque acha que elas devem saber o que dizem, confia na sua competência. Mas esse mesmo pragmático olhará com um desdém impaciente o católico que, pela mesma razão, respeita as declarações da Igreja, confiado em que a Igreja sabe o que está dizendo através da pessoa do Papa e dos bispos.

É verdade que nem todos os católicos têm uma compreensão inteligente da sua fé. Para muitos, a fé é uma aceitação cega das verdades religiosas baseada na autoridade da Igreja. Esta aceitação sem raciocínio poderá ser devida à falta de estudo ou até, infelizmente, à preguiça mental.

Para as crianças e as pessoas sem instrução, as crenças religiosas devem ser desse gênero, sem provas, como a sua crença na necessidade de certos alimentos e a novicidade de certas substâncias é uma crença sem provas.

´O pragmático que afirma: “Eu creio no que diz Einstein porque não há dúvida de que ele sabe do que está falando”, deverá também achar lógico que uma criança diga: “Creio porque papai diz”, e que uma pessoa já mais crescida diga: “Creio porque assim o diz o padre”, e não poderá estranhar que um adulto sem instrução afirme: “É o Papa que o diz, e para mim basta”.

Não obstante, para um católico que raciocina, a aceitação das verdades da fé deve ser uma aceitação raciocinada, uma aceitação inteligente. É certo que a virtude da fé em si mesma – a faculdade de crer – é uma graça, um dom de Deus. Mas a fé adulta edifica-se sobre a razão; não é uma frustração da razão.

O católico instruído considera suficiente a clara evidência histórica de que Deus falou, e de que o fez por meio de seu Filho, Jesus Cristo; de que Jesus constituiu a Igreja como seu porta-voz, como sua manifestação visível à humanidade; de que a Igreja Católica é a mesma que Jesus estabeleceu; de que aos bispos dessa Igreja, como sucessores dos Apóstolos (e especialmente ao Papa, sucessor de São Pedro), Jesus Cristo deu o poder de ensinar, santificar e governar espiritualmente em seu nome.

A competência da Igreja para falar em nome de Cristo sobre matérias de fé doutrinal ou de ação moral, para administrar os sacramentos e exercer o governo espiritual, chamamos a autoridade da Igreja. O homem que, pelo uso da sua razão, vê com clareza satisfatória que a Igreja Católica possui este atributo de autoridade, não vai contra a razão, mas, pelo contrário, segue-a quando afirma: “Creio em tudo o que a Igreja Católica ensina”.

De igual modo, o católico segue tanto a razão como a fé quando aceita a doutrina da infalibilidade.

Este atributo significa simplesmente que a Igreja (seja na pessoa do Papa ou de todos os bispos juntos sob o Papa) não pode errar quando proclama solenemente que certa matéria de fé ou de conduta foi revelada por Deus e deve ser aceita e seguida por todos.  A promessa de Cristo: Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo (Mt. 28,20), não teria sentido se a sua Igreja não fosse infalível.

Cristo certamente não estaria com a sua Igreja se lhe permitisse cair em erro em matérias essenciais à salvação. O católico sabe que o Papa pode pecar, como qualquer homem; sabe que as opiniões pessoais do Papa têm a força que a sua sabedoria humana lhes possa dar. Mas também sabe que, quando o Papa declara pública e solenemente que certas verdades foram reveladas por Cristo, seja pessoalmente ou por meio dos seus Apóstolos, não pode errar.

Jesus não estabeleceu uma Igreja que pudesse desencaminhar os homens.

O direito de falar em nome de Cristo e de ser escutada é o atributo (ou qualidade) da Igreja Católica a que chamamos autoridade.

A certeza de estar livre de erro quando proclama solenemente as verdades de Deus é o atributo a que chamamos infalibilidade.

Existe uma terceira qualidade característica da Igreja Católica.

Jesus não disse só: Quem vos ouve, a mim ouve, e o quem vos despreza, a mim despreza (Lc. 10,16) – autoridade -. Não disse só: Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo (MT. 28,20) – infalibilidade -. Também disse: Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt. 16,18), e com estas palavras indicoua terceira qualidade inerente à Igreja Católica: a indefectibilidade.

O atributo de indefectibilidade significa simplesmente que a Igreja permanecerá até o fim dos tempos como Jesus a fundou, que não é perecível, que continuará a existir enquanto houver almas a salvar. “Permanência” seria um bom sinônimo de indefectibilidade, mas parece que os teólogos sempre se inclinam pelas palavras mais longas.

Seria um grande equívoco que o atributo da indefectibilidade nos induzisse a um falso sentimento de segurança. Seria trágico que permanecêssemos impassíveis ante o perigo que representam nos nossos dias o materialismo, o hedonismo e o relativismo, pensando que nada de realmente mau pode acontecer-nos porque Cristo está na sua Igreja.

Se descurarmos a nossa exigente vocação de cristãos – e, por isso, de apóstolos -, a Igreja de Cristo poderá reduzir-se cada vez mais a um pequeno grupo clandestino, cercado por uma cultura anti-cristã, e muitas pessoas correrão o risco de condenar-se. Os meios de comunicação proclamam com tanto zelo um modo de vida indiferente a Deus e, no entanto, como nos mostramos apáticos – e até indiferentes – em levar a verdade aos outros!

“Quantas pessoas converti?” Ou, pelo menos, “quanto me preocupei, quanta dedicação pus na conversão dos outros?” É uma pergunta que cada um de nós deveria fazer a si mesmo de vez em quando.

Pensar que teremos de apresentar-nos diante de Deus, no dia do Juízo, de mãos vazias, deveria fazer-nos estremecer. “Onde estão os seus frutos, onde estão as suas almas?”, perguntar-nos-á Deus, e com razão. E o perguntará tanto aos cristãos comuns como aos sacerdotes e aos religiosos. Não podemos desfazer-nos desta obrigação pagando o dízimo à Igreja. Isso está bem, é necessário, mas é apenas o começo.

Também temos que rezar.

As nossas orações quotidianas ficariam lamentavelmente incompletas se não pedíssemos pelas obras de apostolado, para que seja abundante a eficácia de todos os que se dedicam a aproximar os outros da fé, sejam sacerdotes, sejam homens e mulheres comuns entre os seus familiares e amigos.

Mais ainda: rezamos todos os dias pedindo o dom da fé para os vizinhos da porta do lado, se não são católicos ou não praticam? Rezamos pelo companheiro de trabalho que está no escritório ao lado? Com que freqüência convidamos um amigo não católico a assistir à missa conosco, dando-lhe previamente um livrinho que explique as cerimônias?

Temos em casa alguns bons livros que expliquem a fé católica, uma boa coleção de folhetos, que damos ou emprestamos à menor oportunidade, a qualquer um que mostre um pouco de interesse? Se fazemos tudo isto, combinando até, para esses amigos uma entrevista com um sacerdote com quem possam conversar e, chegado o momento, abeirar-se do sacramento da confissão, então estamos cumprindo uma parte, pelo menos, da nossa responsabilidade para com Cristo, pelo tesouro que nos confiou.

Naturalmente, nenhum de nós pensa que todos os não católicos vão para o inferno, assim como não pensamos que chamar-se católico seja suficiente para introduzir-nos no céu. A sentença “fora da Igreja não há salvação” significa que não há salvação para os que se acham fora da Igreja por culpa própria.

Alguém que seja católico e abandone a Igreja deliberadamente não poderá salvar-se se não retornar; a graça da fé não se perde a não ser por culpa própria. Um não-católico que, sabendo que a Igreja Católica é a verdadeira, permanece fora por sua culpa, não poderá salvar-se. Um não católico cuja ignorância da fé católica seja voluntária, com cegueira deliberada, não poderá salvar-se.

Mas aqueles que se encontram fora da Igreja sem culpa própria, e que fazem tudo o que podem conforme o seu reto entender, fazendo bom uso das graças que Deus certamente lhes dará em vista da sua boa vontade, esses poderão salvar-se. Deus não pede o impossível a ninguém; recompensará cada um segundo o uso que tenha feito do que foi concedido.

Mas isto não quer dizer que nós possamos eludir a nossa responsabilidade dizendo: “ Afinal, já que o meu vizinho pode ir para o céu sem se fazer católico, por que me vou preocupar?” Também não quer dizer que “tanto faz uma igreja como outra”.

Deus quer que todos pertençam à Igreja que Ele fundou. Jesus Cristo quer “um só rebanho e um só Pastor”.

E nós devemos desejar que os nossos parentes, amigos e conhecidos alcancem essa maior confiança na salvação de que gozamos na Igreja de Cristo; maior plenitude de certeza; mais segurança em saber o que está certo e o que é errado; os inigualáveis auxílios que a Santa Missa e os sacramentos nos oferecem.

Levamos pouco a sério a nossa fé se convivemos com os outros, dia após dia, sem nunca nos perguntarmos: “Que posso fazer para ajudar esta pessoa a reconhecer a verdade da Igreja Católica e a unir-se a mim no Corpo Místico de Cristo?”

O Espírito Santo vive na Igreja permanentemente, mas com frequência tem que esperar por mim para achar um modo de entrar na alma daquele que está ao meu lado"

Fonte: A Fé Explicada

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sábado, 28 de julho de 2012

Mitos Litúrgicos



Autor: Francisco Dockhorn

 Revisão teológica: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen-RS

 Retirado do site: Reino da Virgem 

 Publicação original: 11 de Fevereiro de 2009, 151º aniversário das aparições da Santíssima Virgem em Lourdes


Mito 8: "A Igreja pode vir a ordenar mulheres"

Não pode.

O saudoso Papa João Paulo II definiu que a Santa Igreja não tem a faculdade de ordenar mulheres, quando em 1994, publicou a Carta Apostólica "Ordinatio Sacerdotalis", que afirma explicitamente:

"Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja."


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