segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Sobre o AntiCristo

A presente exposição da doutrina dos santos padres acerca do Anticristo foi pregada pelo autor(Cardeal Newman) em forma de sermões durante o advento de 1835.Uma notável ilustração de tudo quanto foi dito por Newman em seus 4 sermões é constituída pela seguinte passagem extraída de uma carta do Bispo Horsley escrita antes do século 20:



Cardeal Newman:

"Nos tempos do Anticristo a Igreja de Deus sobre a terra verá reduzida grandemente o número aparente de seus fiéis devida a aberta deserção dos poderes deste mundo.Esta deserção começará por uma indiferença a toda forma de cristianismo, sobre a aparência de uma tolerância universal.Mas esta tolerância não procederá de um verdadeiro espírito de caridade e indulgência mas de uma projeto que tem por fim destruir o cristianismo pelo incentivo as seitas.Esta pretensiosa tolerância irá muito mas além de uma justa tolerância a inclusive a que diz respeito as diversas denominações cristãs.Pois os governos pretenderão ser indiferentes a todas e não darão proteção preferencial a nenhuma.

Todas as Igrejas conhecidas serão colocadas de lado.Da tolerância das mas pestíferas heresias passarão logo a tolerância do islamismo, do ateísmo e por fim virá a perseguição explícita da verdade do Cristianismo.Nesses tempos o Templo de Deus se verá reduzido aos santos, isto é, ao pequeno número dos verdadeiros cristãos que adoram o Pai em espírito e em verdade e que regem estritamente sua doutrina e culto e toda sua conduta, pela Palavra de Deus. Os cristãos meramente de nome abandonarão a profissão da verdade quando os poderes deste mundo o façam.

Penso que este trágico sucesso está profetizado pela ordem de São João de medir o templo e o altar e de permitir que o átrio [as igrejas] seja pisoteado pelos pagãos. Os bens do clero serão entregues a pilhagem, o culto público será insultado e rebaixado pelos desertores da fé que uma vez professaram[...]Quando esta deserção geral da fé tiver lugar então começará o ministério das duas testemunhas vestidas de saco (Ap.11 , 3) [Os profetas Elias e Enoc que estão, segundo os padres e doutores da Igreja, sendo mantidos vivos por Deus - segundo as escrituras eles não morreram mas foram arrebatados- até que aparecerão misteriosamente para pregar contra o Anticristo e então mortos].

O esplendor externo das Igrejas desaparecerá, elas não terão apoio dos governos, não receberão honras, nem imunidades, nem recursos, nem autoridade: só terão a autoridade que nenhum poder humano pode lhes tirar, e que elas recebem daquele que lhes encarregou de dar testemunho"

Oxford, na festa de São Pedro, 1838.
Fonte: www.reporterdecristo.com

domingo, 12 de agosto de 2012

33 - Parresía: Crise da Paternidade



Rezemos por todos os pais, vivos e falecidos

A Ruptura entre Cristãos e Judeus

Por Georges Suffert

1 - Introdução
2- Jesus ou Aquele que precedeu a Igreja
3- A estratégia inicial dos Apóstolos
4- A Igreja de Jerusalém: Ascensão e Queda
5 - A Irrupção de Paulo
6 - O Primeiro Concílio da História



"Não se pode subestimar a importância histórica da ruptura entre os grupos da diáspora judaica e as comunidades cristãs. A divergência sobre as práticas judaicas não é a única razão dessa decisão que afastará durante séculos duas religiões que têm a mesma raiz e uma esperança escatológica semelhante.

O acontecimento que precipita essa ruptura parcial é a emergência de um nacionalismo judaico radical. Trata-se de um acontecimento surpreendente. O nacionalismo, para os homens de hoje, é uma realidade bastante normal.

Não era assim na época em que o Império Romano se constitui sobre os escombros da República. Naturalmente, os povos dos territórios conquistados por Roma às vezes resistem. Será o caso da Gália. Mas é uma revolta fugaz. As nações não existem. Ademais, Roma não é uma nação, no sentido moderno da palavra. É um Império que estabelece suas leis sobre o mundo conhecido.

Há prova melhor que o Egito? Tratase de um país, uma tradição cultural, uma religião, um sistema econômico. Roma precisa de seus portos, de seu trigo, talvez até de sua ciência. O Egito poderia ter demonstrado seu mau humor, mas funde-se no Império Romano sem resistência aparente, como se essa fusão fosse natural. Certo: Alexandre passou por lá. Ele impôs uma dinastia, mas era um conquistador, isto é, uma espécie de imperador. Não deseja carregar a nação grega em sua bagagem. Aliás, adotou os deuses e os costumes da Ásia. Portanto, há dois mil anos o nacionalismo é um anacronismo.

Mas a nação judaica se revolta, em nome de seu prestigioso passado. Prestigioso para seu povo; os romanos consideram os judeus apenas uma gente insuportável e provocadora.

A batalha começa por volta de 66-67. Durará cerca de quatro anos.

Os judeus não tinham a mínima chance de vencer. Morrem aos milhares. Jerusalém e as principais cidades da Galiléia são aniquiladas. Masada, o último bastião da resistência judaica, animado pelos zelotes, cai em 73d.C. Para o povo judeu, é uma catástrofe. Agora, ele estará reduzido à diáspora; esta, com uma coragem obstinada, começará a repetir: "Ano que vem em Jerusalém" (La ShanaAba ba Iroushalaiin).

Os cristãos viram o drama chegar. Tudo indica que eles se separaram.

Tiago, bispo de Jerusalém, fora apedrejado em 62

A crer nos relatos de testemunhas (duvidosos), os fariseus é que teriam imposto a sentença de morte. Por quê? As relações entre os dois grupos não costumavam ser más.

Eusébio de Cesaréia, escrevendo por volta de 325, considera que os fariseus temiam a influência de Tiago sobre o povo de Jerusalém. Porém, o bispo se opunha ao crescimento do nacionalismo zelote; como a maioria dos cristãos, ele considerava um impasse essa revolta da qual todo mundo falava. O Reino de Jesus não estava na ponta das espadas. A morte de Tiago seria pois um dos prenúncios da batalha que iria começar.

66: a comunidade cristã de Jerusalém retira-se para Péla, na Transjordânia. É uma opção deliberada.

Essa comunidade não quer se deixar arrastar para essa guerra; deseja sobreviver. É Simeão, primo de Jesus e sucessor de Tiago, que conduz esse êxodo limitado. Mas para os judeus, como para os cristãos, está decidido: os dois grupos sabem que já não seguem o mesmo caminho.

No entanto, nem todos os cristãos devem ter se encontrado em Péla. Estima-se hoje que muitos membros das comunidades cristãs próximas do epicentro do abalo foram levadas pelo sismo. Por exemplo, a comunidade da Galiléia, que não deixou qualquer vestígio. Ativa, numerosa antes de 66, desaparece depois de 70.

Em 70, Tito toma Jerusalém e arrasa o Templo; o número de vítimas entre os judeus é ignorado. Mas os romanos são implacáveis. Para eles, os judeus são uma pequena mancha no imenso mapa do Império em formação.

Para os cristãos, a ruptura de fato com a comunidade judaica está feita.

Com isso, a Igreja perde o centro. É certo que Antióquia tem um papel que não é desprezível. Mas jamais será uma capital. A partir desse instante, Roma se impõe por diversas razões.

Primeiro, por ser a capital do Império e pelo fato de que o cristianismo vai se enraizar nas cidades dominantes do mundo conhecido. Depois, por ser o local onde Pedro e Paulo morreram. Pedro provavelmente foi assassinado em 64 por Nero, após o incêndio de Roma. É possível que os romanos só tenham conseguido encontrar o apóstolo graças a uma denúncia anônima, como manda o figurino.

Vemos que o processo é antigo. É óbvio que essa denúncia certamente partia dos meios judaico-cristãos. A guerra pró ou contra o nacionalismo judeu se teria prolongado até Roma. Paulo morrerá em condições semelhantes, em 67. Em todo caso, dois homens já não estavam mais neste mundo quando eclode a revolta.

Para os cristãos, contudo, a morte em Roma dos dois pilares da Igreja é um sinal. Ainda se passarão alguns séculos antes que o bispo de Roma se torne efetivamente o chefe da Igreja. Mas, desde os anos 65-70, está decidido: o centro da Igreja fica em Roma. Simplesmente porque o bispo de Roma é o sucessor de Pedro, e porque este - dizem - está enterrado essa cidade.

Fonte: Tu és Pedro - de George Suffert

Depois veremos: Os Primeiros Cristãos aguardam a volta de Jesus e o fim dos tempos


sábado, 11 de agosto de 2012

Santa Clara





Pelo santo Padre o Papa Bento XVI


"Uma das Santas mais amadas é, sem dúvida, Santa Clara de Assis, que viveu no século XIII, contemporânea de São Francisco. O seu testemunho mostra-nos como a Igreja inteira é devedora a mulheres intrépidas e ricas de fé como ela, capazes de dar um impulso decisivo para a renovação da Igreja.

Portanto, quem era Clara de Assis? Para responder a esta pergunta, dispomos de fontes seguras: não apenas das antigas biografias, como a de Tomás de Celano, mas também das Actas do processo de canonização promovido pelo Papa só poucos meses depois da morte de Clara e que contém os testemunhos daqueles que viveram ao seu lado durante muito tempo.

Tendo nascido em 1193, Clara pertencia a uma família aristocrática e rica. Renunciou à nobreza e à riqueza para viver humilde e pobre, seguindo a forma de vida proposta por Francisco de Assis. Embora os seus parentes, como acontecia nessa época, começavam a programar para ela um matrimónio com uma personalidade importante, Clara, com 18 anos de idade, com um gesto audaz inspirado pelo profundo desejo de seguir Cristo e pela admiração que tinha por Francisco, deixou a casa paterna e, em companhia de uma das suas amigas, Bona de Guelfuccio, uniu-se secretamente aos frades menores na pequena igreja da Porciúncula. Era a tarde do Domingo de Ramos de 1211. Na comoção geral, foi levado a cabo um gesto profundamente simbólico: enquanto os seus companheiros seguravam nas mãos algumas tochas acesas, Francisco cortou-lhe os cabelos e Clara vestiu o rude hábito penitencial. A partir daquele momento, ela tornou-se a virgem esposa de Cristo, humilde e pobre, consagrando-se totalmente a Ele. Como Clara e as suas companheiras, inúmeras mulheres ao longo da história ficaram fascinadas pelo amor a Cristo que, na beleza da sua Pessoa divina, enche o seu coração. E a Igreja inteira, por intermédio da mística vocação nupcial das virgens consagradas, mostra-se como sempre será: a Esposa bonita e pura de Cristo.

Numa das quatro cartas que Clara enviou a Santa Inês de Praga, filha do rei da Boémia, que desejava seguir os seus passos, fala de Cristo, seu amado Esposo, com expressões nupciais que podem causar admiração, mas que comovem: «Amando-o, és casta, tocando-o, serás pura, deixando-te possuir por Ele, és virgem. O seu poder é mais forte, a sua generosidade é mais elevada, o seu aspecto é mais excelso, o amor é mais suave e todas as graças mais sublimes. Já foste conquistada pelo seu abraço, que ornamentou o seu peito com pedras preciosas... coroando-te com um diadema de ouro, marcado com o sinal da santidade» (Primeira Carta: FF, 2862).

Principalmente no início da sua experiência religiosa, Clara encontrou em Francisco de Assis não apenas um mestre cujos ensinamentos devia seguir, mas inclusive um amigo fraterno. A amizade entre estes dois santos constitui um aspecto muito bonito e importante. Com efeito, quando se encontram duas almas puras e inflamadas pelo mesmo amor a Deus, elas haurem da amizade recíproca um estímulo extremamente forte para percorrer o caminho da perfeição. A amizade é um dos sentimentos humanos mais nobres e elevados que a Graça divina purifica e transfigura. Como São Francisco e Santa Clara, também outros Santos viveram uma profunda amizade no caminho rumo à perfeição cristã, como São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca de Chantal. E é precisamente São Francisco de Sales que escreve: «É bom poder amar na terra como se ama no céu, e aprendermos a amar neste mundo como havemos de fazer eternamente no outro. Aqui não me refiro ao simples amor de caridade, porque temos que ter este amor por todos os homens; refiro-me à amizade espiritual, no âmbito da qual duas, três ou mais pessoas permutam entre si a devoção e os afectos espirituais, tornando-se realmente um só espírito» (Introdução à vida devota, III, 19).

Depois de ter transcorrido um período de alguns meses no interior de outras comunidades monásticas, resistindo às pressões dos seus familiares que inicialmente não aprovaram a sua escolha, Clara estabeleceu-se com as primeiras companheiras na igreja de São Damião, onde os frades menores tinham organizado um pequeno convento para si mesmos. Naquele mosteiro ela viveu por mais de quarenta anos, até à morte, ocorrida em 1253. Dispomos de uma descrição de primeira mão, sobre o modo como estas mulheres viviam naqueles anos, nos primórdios do movimento franciscano. Trata-se do relatório admirado de um bispo flamengo em visita à Itália, D. Tiago de Vitry, que afirma ter-se encontrado com um grande número de homens e mulheres, de todas as classes sociais que, «deixando tudo por Cristo, fugiam do mundo. Chamavam-se frades menores e irmãs menores e são tidos em grande consideração pelo Senhor Papa e pelos cardeais... As mulheres... vivem juntas, em diversos hospícios não distantes das cidades. Nada recebem, mas vivem do trabalho das suas próprias mãos. E sentem-se profundamente amarguradas e incomodadas, porque são honradas mais do que desejariam por clérigos e leigos» (Carta de Outubro de 1216: FF, 2205.2207).

Tiago de Vitry tinha reconhecido com perspicácia uma característica da espiritualidade franciscana, à qual Clara era muito sensível: a radicalidade da pobreza, associada à confiança total na Providência divina. Por este motivo, ela agiu com grande determinação, obtendo da parte do Papa Gregório IX ou, provavelmente, já do Papa Inocêncio III, o chamado Privilegium paupertatis (cf. FF, 3279). Com base nisto, Clara e as suas companheiras de São Damião não podiam possuir qualquer propriedade material. Tratava-se de uma excepção verdadeiramente extraordinária em relação ao direito canónico então em vigor, e as autoridades eclesiásticas daquela época concederam-no, valorizando os frutos de santidade evangélica, que reconheciam no estilo de vida de Clara e das suas irmãs. Isto demonstra que, também nos séculos da Idade Média, o papel das mulheres não era secundário, mas considerável. A este propósito, é útil recordar que Clara foi a primeira mulher na história da Igreja que compôs uma Regra escrita, submetida à aprovação do Papa, para que o carisma de Francisco de Assis fosse conservado em todas as comunidades femininas, que se iam estabelecendo em grande número já naquela época e que desejavam inspirar-se no exemplo de Francisco e de Clara.

No convento de São Damião, Clara praticou de maneira heróica as virtudes que deveriam distinguir cada cristão: a humildade, o espírito de piedade e de penitência, a caridade. Não obstante fosse a superiora, ela queria servir pessoalmente as irmãs enfermas, sujeitando-se inclusive a tarefas extremamente humildes: com efeito, a caridade ultrapassa qualquer resistência, e quem ama realiza todo o sacrifício com alegria. A sua fé na presença real da Eucaristia era tão grande que, por duas vezes, se verificou um acontecimento milagroso. Só com a ostensão do Santíssimo Sacramento, ela afugentou os soldados mercenários sarracenos, que estavam prestes a invadir o convento de São Damião e a devastar a cidade de Assis.

Também estes episódios, assim como outros milagres dos quais se conservava a memória, impeliram o Papa Alexandre IV a canonizá-la apenas dois anos depois da sua morte, em 1255, delineando um seu elogio na Bula de canonização, em que lemos: «Como é vivo o poder desta luz e como é forte a resplandecência desta fonte luminosa! Na realidade, esta luz mantinha-se fechada no escondimento da vida claustral, enquanto fora irradiava clarões luminosos; recolhia-se num mosteiro angusto, enquanto fora se difundia em toda a vastidão do mundo. Conservava-se dentro e propagava-se fora. Com efeito, Clara escondia-se, mas a sua vida era revelada a todos. Clara calava-se, mas a sua fama clamava» (FF, 3284). E é precisamente assim, estimados amigos: são os Santos que mudam o mundo para melhor, que o transformam de forma duradoura, infundindo as energias que unicamente o amor inspirado pelo Evangelho pode suscitar. Os Santos são os grandes benfeitores da humanidade!

A espiritualidade de Santa Clara, a síntese da sua proposta de santidade é condensada na quarta Carta a Santa Inês de Praga. Santa Clara recorre a uma imagem muito difundida na Idade Média, de ascendências patrísticas: o espelho. E convida a sua amiga de Praga a reflectir-se naquele espelho de perfeição de todas as virtudes, que é o próprio Senhor. Ela escreve: «Sem dúvida, feliz é aquela a quem é concedido beneficiar desta sagrada união, para aderir com o profundo do coração [a Cristo], Àquele cuja beleza é admirada incessantemente por todas as bem-aventuradas plêiades dos céus, cujo afecto apaixona, cuja contemplação restabelece, cuja benignidade sacia, cuja suavidade satisfaz, cuja recordação resplandece suavemente, diante de cujo perfume os mortos voltarão à vida e cuja visão gloriosa tornará bem-aventurados todos os cidadãos da Jerusalém celeste. E dado que Ele é esplendor da glória, candura da luz eterna e espelho sem mancha, olha todos os dias para este espelho, ó rainha esposa de Jesus Cristo, e nela perscruta continuamente o teu rosto, para que assim tu possas adornar-te inteiramente no interior e no exterior... Neste espelho refulgem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade» (Quarta Carta: FF, 2901-2903).

Gratos a Deus que nos doa os Santos que falam ao nosso coração e nos oferecem um exemplo de vida cristã a imitar, gostaria de concluir com as mesmas palavras de bênção que Santa Clara compôs para as suas irmãs de hábito e que ainda hoje as Clarissas, desempenhando um papel precioso na Igreja com a sua oração e a sua obra, conservam com grande devoção. São expressões em que sobressai toda a ternura da sua maternidade espiritual: «Abençoo-vos na minha vida e após a minha morte, como posso e mais do que posso, com todas as bênçãos com as quais o Pai da misericórdia abençoou e há-de abençoar no céu e na terra os filhos e as filhas, e com as quais um pai e uma mãe espiritual abençoaram e hão-de abençoar os seus filhos e as suas filhas espirituais. Amém!» (FF, 2856).

Fonte: Aqui

Santa Clara, Rogai por nós!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O que queres vir a ser?



Por Tihámer Toht

"Sim, o que queres vir a ser? Supões, talvez, que me interesso aqui pela escolha da tua carreira. Não; não é isso que aqui me interessa. Não te pergunto se queres ser médico ou negociante, engenheiro ou sacerdote, advogado ou industrial; para onde irás, aonde te conduzirão os teus talentos, a tua vocação, as circunstâncias, a tua situação social... pouco me importa isso aqui. Mas o que me importa muito, é que venhas a ser um homem e que cumpras o teu dever na situação que tiveres escolhido.

Sim, mais uma vez, que queres vir a ser? Se eu te faço esta pergunta à maneira de adeus, é porque eu desejaria saber se já alguma vez te perguntaste qual é a verdadeira finalidade, a grande missão do homem neste mundo. Porque, neste mundo, tudo, até o inseto mais minúsculo, até o mais pequeno grão de areia, tem um sentido, uma significação, um encadeamento estreito com o universo inteiro. Muitas vezes, esta finalidade, este destino das coisas, é dificilmente perceptível; não obstante, tudo a tem.

Só o homem não haveria de ter a sua finalidade? A sua é até a mais sublime de todas. E qual é então esta finalidade do homem?... A glorificação de Deus e a sua própria felicidade.

Que quer isto dizer? Isto quer dizer que deves empregar todas as tuas forças para realizar o teu ser essencial, a substância da tua vida na sua inteira totalidade. Por outras palavras: deves vir a ser um homem de caráter, um cristão e um patriota de caráter irrepreensível.

E quem é um homem de caráter? Aquele que ousa afrontar a corrupção moral sob todas as suas formas.

E quem é um cristão e um patriota de caráter irrepreensível? Aquele que não blasona de patriota com palavras teatrais, mas que serve a sua pátria com uma vida honesta e uma fidelidade inviolável ao seu dever.

Meus filhos: com a energia indomável de vossas almas juvenis, trabalhai por virdes a ser cristãos que honram a sua pátria!

A grande nação de tempos antigos - o Império Romano - edificou em Roma uma igreja magnífica. Deram-lhe o nome de "Panteão" e para ela trouxeram todos os deuses dos povos subjugados. Os ídolos mais extravagantes encontraram lugar neste templo construído com arte incomparável, e estas imagens grotescas - sinais de tentativas confusas da alma humana - davam uma nota triste e dissonante no meio de ricos tesouros acumulados sob as maravilhosas arcadas das colunas coríntias.

Um dia, em princípios do século IV, chegaram a esta cidade alguns viajantes estrangeiros: eram cristãos vindos de muito longe. Entraram no Panteão e, à vista de todas estas divindades pagãs de rostos extravagantes, ficaram possuídos de profunda tristeza. Um deles tomou então o seu pequeno crucifixo que trazia ao peito, tendo-o colocado ao pé da enorme estátua de um daqueles deuses, retirou-se em silêncio com os companheiros.

Olha, meu filho: esta pequena cena assemelha-se muito à luta que um jovem cristão deve sustentar hoje no panteão dos ídolos modernos. Ao saíres da escola, também tu hás-de sentir o sopro gélido do paganismo contemporâneo passar sobre o ideal da tua alma juvenil. No mundo, onde mutuamente se empurram e se espezinham uns aos outros para passar à frente, encontrar-te-ás bem depressa diante do panteão de erros e de preconceitos malsãos diante dos quais tantos dos teus compatriotas estarão de joelhos e como que em êxtase, - panteão onde só não terá lugar a adoração ao verdadeiro Deus.

E - quer queiras quer não - serás obrigado a penetrar neste panteão, e a ficar rodeado deste novo paganismo. O que então te importará será precaver-te bem para não te tornares também pagão.

Se trouxeres a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo ao peito e no teu coração, se viveres segundo os princípios cristãos, se não te envergonhares do teu crucifixo no meio dos teus companheiros e de teus amigos, no teu ofício, na sociedade, e isso por toda a tua vida, ficarás cristão, irradiarás luz, alegria, bom exemplo. E, assim, de jovem de caráter, tornar-te-ás homem de caráter.

Fonte:  livro de TOHT, Tihámer. O jovem de caráter.

Aborto e eutanásia no Código Penal Brasileiro. A sua opinião é importante!


 Por Lenise Garcia

Retirado do site: Brasil sem Aborto

"Ligue 0800 612211 e dê a sua opinião!! O Senado precisa ouvir o povo brasileiro. Não podemos deixar que se “terceirize” para uma Comissão de Juristas que não nos representa a mudança do Código Penal.

Historiando e explicando:

Dia 08 de agosto foi instalada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal a Comissão Especial para a reforma do Código Penal Brasileiro (PLS 236/2012). Esta notícia do G1 detalha a mesa diretora e traz também um quadro com os vários pontos polêmicos. Estamos bastante preocupados com os curtos prazos para a análise, que dificultam uma real participação da sociedade em um assunto tão importante. Por exemplo, os senadores poderão propor emendas à Comissão somente até o dia 04/09, isso em plena campanha eleitoral. Por isso, eles precisam saber que desejamos mudanças na proposta.

Nosso destaque para o artigo 128:

Não há crime de aborto se:
I – houver risco à vida ou à saúde da gestante.
II – a gravidez resulta de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida;
III – comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos.
IV – por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições de arcar com a maternidade.”

Destacamos também a criação do crime de Eutanásia, que na verdade equivale a diminuição de pena (pois atualmente é considerado homicídio), além de trazer uma absurda exclusão que permite matar parentes:
Art. 122. Matar, por piedade ou compaixão, paciente em estado terminal, imputável e maior, a seu pedido, para abreviar-lhe sofrimento físico insuportável em razão de doença grave:

Pena – Detenção, de dois a quatro anos.

§ 1º O juiz deixará de aplicar a pena avaliando as circunstâncias do caso, bem como a relação de parentesco ou estreitos laços de afeição do agente com a vítima.

Já fizemos uma avaliação mais detalhada desses pontos aqui:

A POPULAÇÃO BRASILEIRA PODE E DEVE SE MANIFESTAR!!

Empenhemo-nos em enviar mensagens e expor nossas opiniões, existe um modo bastante fácil de fazer isso: o canal “alô senado”. Basta ligar gratuitamente de qualquer fixo ou celular para o numero 0800 612211. As mensagens gravadas são entregues nos gabinetes dos senadores e, quando perguntarem para quem deve ser entregue a mensagem diga: “a todos os senadores, especialmente aos membros Comissão Especial para reforma do Código Penal”. Você também pode se manifestar especificamente aos senadores do seu Estado, que são os seus representantes. Tomemos alguns exemplos de mensagens feitos pelo criador do blog escola sem partido, Miguel Nagib:

“Solicito a Vossa Excelência que, no anteprojeto do novo Código Penal, não descriminalize nem crie novas exceções para o aborto e eutanásia. O direito constitucional à vida deve ser respeitado.”

“Como cidadão, manifesto minha desaprovação à tentativa de descriminalizar o aborto e a eutanásia na reforma do Código Penal. Os nascituros e os doentes devem ser respeitados.”

“Peço que, na reforma do Código Penal, seja mantida a incriminação do aborto em todos os casos e não seja descriminalizada a eutanásia. A vida é um valor fundamental.”

Mensagens como estas podem ser feitas por telefone no número acima ou pela internet neste link. (http://www.senado.gov.br/senado/alosenado/codigo_penal.asp)

É IMPORTANTE E URGENTE A NOSSA MANIFESTAÇÃO. VAMOS MOSTRAR QUE O POVO BRASILEIRO ESTÁ ATENTO E DESEJA O RESPEITO À VIDA DA CONCEPÇÃO À MORTE NATURAL."(grifos meus)

Queridos, vamos fazer nossa parte?

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sola Fide - a Salvação é só pela Fé?




Do Livro: A Legítima  Interpretação da  Bíblia

 De Lúcio Navarro

A Tese do Pastor:

"Bem se pode imaginar com que ânsia, emoção e contentamento o nosso amigo, pastor protestante, se aproximou do microfone, para fazer a sua dissertação pelo rádio, naquele dia. Tratava-se de uma mensagem sensacional, que ele pensara em transmitir. O seu objetivo era nada mais, nada menos que dar uma bonita rasteira em todas as religiões do mundo, sem respeitar nem sequer a Santa lgreja Católica Apostólica Romana, ficando de pé exclusivamente a doutrina dos protestantes. Para isto, idealizou o jovem e fervoroso pastor a argumentação seguinte: "Todas as religiões ensinam que o homem se salva pelas suas próprias obras; o Protestantismo, ao contrário, ensina que o homem se salva pela fé. Ora, sabemos que a Bíblia é a palavra de Deus revelada aos homens;  palavra infalível, porque Deus não pode errar. E a Bíblia tem inúmeros textos que afirma que o homem se salva pela fé. Logo, se vê pela Bíblia que o Protestantismo é a única religião verdadeira, e assim está refutada a doutrina perigosa (perigosa, sim, foi o que disse o pastor, e é o que dizem, em geral, os protestantes),  de que o homem alcança a salvação pelas suas obras"

Textos Evangélicos

Queremos apenas dar uma amostra de como os textos eram mesmo de impressionar o desprevenido ouvinte que não tivesse um conhecimento completo da verdadeira doutrina do Evangelho. Veja-se, por exemplo, o seguinte trecho do Evangelho de S. João:

"Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus" (João III-16 a 18)

Textos como estes que asseveram tão abertamente quem crê em Jesus se salva, quem não crê se condena - seriam suficientes para convencer qualquer pessoa:

 1 - Se não fosse tão ímpio, tão absurdo, e, portanto, tão indigno dos lábios de Jesus o que se quer provar com eles, ou seja, a doutrina de que, para o homem salvar-se, basta que tenha fé em Cristo e nada mais;

2. E se não houvesse outros textos, igualmente claros, dos Evangelhos, para nos provar a necessidade das boas obras para a conquista do Céu, como este por exemplo:  Bom Mestre, que obras devo fazer para ter a vida eterna? - Se tu queres entrar na vida, guarde os Mandamentos - (Mateus XIX-16 e 17).

Conciliação de textos:

É claro que fazer uma boa interpretação da Bíblia não consiste em aferrar-se alguém a uns textos, desprezando, esquecendo, refugando, pondo de lado outros, igualmente valiosos: tudo quanto está na Bíblia é palavra de Deus. A interpretação imparcial, conscienciosa, legítima, procura harmonizar inteligentemente os textos das Escrituras.

E é bastante tomar na devida consideração as duas afirmativas -.- quem crê em Jesus se salva, quem não crê se condena - para entrar na vida eterna, é preciso guardar os mandamentos -  Para se chegar à conclusão de que para a salvação eterna, tanto é necessária a fé nas palavras de Cristo, como a obediência aos mandamentos divinos. É o que nos ensina a Igreja Católica, a qual não afirma que o homem se salva só pelas obras, como queria fazer crer o nosso amigo, pastor protestante, basean-
do a sua argumentação em que tôdas as reÌigiões assim o ensinam; segundo a teoÌogia católica, a fé no ensino de Cristo que nos é apresentado é também indispensável.

Vê-se logo por aí quanto a doutrina da Igreja é desconhecida, até mesmo por aqueles que ardorosamente a combatem. Temos, portanto, que expor a doutrina católica sobre o assunto, máxime, porque ela fala de um terceiro elemento, importantíssimo e igualmente indispensável à salvação, como seja, o auxílio da graça de Deus; explicado êste ponto, se esclarecem muitos textos das Escrituras que tanta confusão provocam na cabeça dos protestantes.

O caso dos pagãos - perante a lógica e a Bíblia

Basta igualmente esta palavra de Cristo - "se tu queres entrur na vida, guarda, os mandamentos" (Mateus XIX-17) - para mostrar que, se o Protestantismo se distingue de tôdas as religiões do mundo ensinando que o homem se salva só pela fé e não pelas obras, isto não é sinal de que seja a única Religião Verdadeira; é sinal, apenas, de que ensina uma coisa que evidentemente está contra a lógica e o bom senso.

Este princípio estabelecido por Jesus Cristo - guardar os mandamentos, para salvar-se - vigora em todas as religiões, porque é também um imperativo da razão humana, e a razáo, assim como a fé, procede de Deus, nosso Criador.

 A Humanidade viveu milhares de anos antes de Jesus Cristo vir a este mundo e, durante todo êsse tempo, excetuando o povo judaico, pequenino povo que tinha a revelação dada por Deus a Moisés e aos profetas, todas as nações da terra estavam imersas no paganismo, desconhecendo as verdades da fé. Mesmo depois da vinda de Jesus Cristo, quantos milhões e milhões de pessoas tem havido e ainda há, como por exemplo entre budistas, bramanistas, confucionistas, mao- metanos, índios selvagens etc, que sem culpa nenhuma sua, desconheceram ou ainda desconhecem a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 Podiam ou podem estes homens salvar-se?

Sim, sem dúvida alguma, porque não é admissível que Deus os condenasse a todos irremediavelmente ao inferno, se eles não tinham culpa nenhuma em desconhecer a revelação cristã. 

Mas salvar-se como?  - Seguindo o que Cristo disse: "Se tu queres entrar na vida, guarda os mandamentos" (Mateus XIX-17).

 E aqui perguntará o leitor: "Se os mandamentos foram revelados aos judeus por intermédio 
de Moisés, e as religiões pagãs não conheciam esta revelação, como  podiam admitir este princípio: - guarda os mandamentos, se queres salvar-te? Conheciam por acaso estes mandamentos?" 

- Conheciam, sim; embora não tão perfeitamente como nós os conhecemos. Porque êstes mandamentos, Deus os gravou no coração do homem. Honrarás pai e mãe, não matarás, não furtarás, não levantarás falso testemunho, não desejarás a mulher de teu próximo etc, são leis que se impõem a todos os homens pela voz imperiosa de sua consciência-  se a Religião tem por fim o aperfeiçoamento moral do homem e a sua união com Deus, esta união, este aperfeiçoamento não se realizam senão, 
quando ele obedece à voz da consciência, que é a própria voz de Deus, falando a sua alma, a seu coração. Só assim podia (ou pode ainda hoje) o pagão que nunca ouviu falar de Cristo, agradar a Deus e, agradando a Deus pelas suas obras, conseguir a salvação. 

- Mas, dirá o protestante, esta história da possibilidade de se salvarem os pagãos, pode-se provar 
petas Escrituras? 

Perfeitamente. Abra-se a Epístola de S. Paulo aos Romanos: Lemos aí "que Deus haverá de retribuir 
a cada um segundo as suas obras; com a vida eterna, por certo, aos que, perseverando em fazer boas obras, buscam a glória, honra e imortalidade, mas com ira e indignação aos que são de contenda e que não  se rendem à verdade, mas que obedecem à injustiça. A tribulação e a angústia virá sobre toda alma do homem que obra mal, ao judeu primeiramente e ao grego, mas a honra glória e a paz será dada a todo obrador do bem, ao judeu primeiramente e ao grego, porque Deus não faz acepção de pessoas.(Romanos II, 6 a II)

O grego que se refere aí S. Paulo, em contraposição ao  judeu, é o gentio, o pagão, o que não conhecia a lei de Moisés. Deus, não tem acepção de pessoas: todo o que opera o bem recebe a vida eterna* 
seja judeu, seja gentio. Porque, como diz em continuação o apóstolo S. Paulo, se os judeus tinham uma lei escrita dada por Deus e os gentios; não a tinham, o que interessa a Deus não é que se ouça a lei que foi  dada por Ele, rnas sim que se pratique o que ordena esta mesma lei. E o gentio, cumprindo a lei que estava escrita no seu coração, se podia tornar também justificado diante de Deus. 

Vejamos as palavras do Apóstolo:Porque diante de Deus não são justos os que ouvem a lei, mas serão tidos por justos os que praticam a lei. os pagãos que não tem a lei, fazendo naturalmente as coisas que são da lei, embora não tenham a lei, a si mesmos servem de lei, eles mostram que o objeto da lei está gravado nos seus corações, dando-lhes testemunho a sua consciência, bem como os seus raciocínios, com os quais se acusam ou se escusam mutuamente.


- Mas perguntará alguém: Não diz a Bíblia que sem a fé é impossível agradar a Deus? Como podiam esses pagãos agradar a Deus  sem a fé? 

- A dificuldade é muito fácil de resolver. Na mesma ocasião em que diz a Bíblia - ser impossível sem a fé agradar a Deus - mostra imediatamente qual o programa mínimo de fé que é exigido desses que 
não cheguem a ter conhecimento da revelação divina; dêles se exige apenas que creiam o seguinte: que existe um Deus e que este Deus recompensa os bons. 

Vejamos o texto: Sem fé, é impossíael, agradar a Deus; porquanto é necessário que o que se chega a Deus creia que há Deus e que é remunerador dos que O buscam (Hebreus XI-6). Se eles estavam ou estão, sem nenhuma culpa sua, na ignorância de muitas outras verdades da fé, Deus se contenta com este mínimo: crer na existência de um Deus Remunerador; é o bastante para se aproximarem de Deus. 

Portanto, se as religiões pagãs que existiram antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo ensinavam que seus adeptos podiam conseguir a recompensa divina mediante as suas obras, se as religiões pagãs ainda hoje existentes ensinam que os seus seguidores (que não têm suficiente conhecimento da doutrina de Jesus Cristo) se salvam peia maneira digna e correta de proceder, essas religiões podem ter lá os seus erros graves em matéria de doutrina, mas neste ponto tem ensinado uma 
coisa certa, confirmada por S. Paulo, quando afirmou que os gentios se salvam obedecendo à lei que está escrita em seus corações (Romanos II-15).

 O caminho do Céu para êles é êste mesmo. Agora, se de fato foram muitos ou foram poucos os que procederam corretamente e obedeceram a esta lei, isto já é outra questão. O homem tem a Sua liberdade; pode usar dela bem ou mal. Infelizmente a tendência desta nossa corrupta Humanidade é mais para usar mal do que para usar bem; porém tinha que haver para os pagãos, assim como para os cristãos (falamos, é claro, dos pagãos de boa fé) algum direito, alguma possibilidade de salvar-se. 

Do contrário Deus seria injusto, não seria bom para todos os homens que O temem. Bem-aventurados todos os que temem ao Senhor, os que andam em seus caminhos (Salmos CXXVII-1). E o pagão que 
não recebeu as luzes da revelação cristã, mas crê na existência de um Deus Justiceiro, embora erre, por ignorância invencível, sôbre a própria natureza da Divindade, não tem outro meio para mostrar que teme o Senhor e que quer andar nos seus caminhos, senão obedecendo fielmente aos ditames da sua própria consciência. 

Depois veremos: O Caso dos cristãos - Perante a lógica e a Bíblia.