sábado, 1 de setembro de 2012

Sacerdotes católicos unem-se a líderes evangélicos na defesa dos valores cristãos e do povo brasileiro


 Retirado do Site Christo Nihil Praeponere - de Padre Paulo Ricardo

Precisamos entrar nesta luta!



No dia 30 de agosto de 2012, Padre Paulo Ricardo esteve no Senado Federal, juntamente com o Padre Berardo Graz, o Padre Luis Carlos Lodi, o Sr. Paulo Fernando, Prof. Felipe Nery e Profª Janaína, a fim de discutir as propostas de mudança para o novo Código Penal.

Além de participar da sessão pública e falar ao Senador Pedro Taques (PDT-MT), Padre Paulo Ricardo e os demais reuniram-se também com o Senador Gim Argello, líder do PTB e o Senador Renan Calheiros, líder do PMDB, entre outros senadores.

A eles, expuseram a impossibilidade de uma apreciação digna e de uma votação condizente com a vontade da população brasileira das propostas para o novo Código Penal no prazo exíguo de trinta dias, além de outros pontos específicos que causam estranheza e rejeição, como a descriminalização do aborto, a liberação da maconha, o consentimento sexual a partir dos 12 anos de idade (que liberaria a pedofilia), entre outros.

O encontro foi articulado pela chamada Bancada Parlamentar Evangélica e conseguiu ao menos um ponto positivo: a prorrogação do prazo para análise das propostas em mais trinta dias.

Ao final, o Padre Paulo e o Sr. Paulo Fernando concederam uma entrevista para o Portal Fé em Jesus, que pode ser assistida aqui:

Por favor, vejam o Vídeo Aqui

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Estranho remédio para os males do mundo


 Do livro: A Legítima interpretação da Bíblia

Primeira Parte:   A Tese do Pastor - o Caso dos pagãos

Segunda Parte:  O Caso dos Cristãos  - Pela lógica e a Bíblia




Lúcio Navarro

"Quem quiser ouvir ensinamentos que aberram contra toda lógica e bom senso, é só prestar bem sentido à doutrina da salvação, à doutrina do Evangelho tal qual vem sendo apresentada pelos protestantes.

Nós sabemos que o mundo sempre foi perverso e corrompido, e especialmente nos dias de hoje. Isto decorre da decadência da nossa natureza humana, fortemente inclinada para o mal. O homem tem que lutar contra suas paixões: há de vencê-las pelo sacrifício, pela mortificação e pela renúncia ou há
de sucumbir a elas. Abrace qual religião abraçar, esta luta continuará sempre. Mesmo que se eleve à mais alta santidade, está sujeito a cair, pois continua sempre livre e sempre inclinado para o mal.

É claro que a doutrina do Evangelho é uma doutrina santificadora, que estimula o homem a dominar-se, a cantar vitória sobre si mesmo, sobre seus instintos, que o eleva à prática da virtude, a qual muitas
e muitas vezes requer heroísmo. Esta se apresentará, assim, como um incentivo para o bem, a contrapor-se à maléfica influência do mundo que, posto no maligno (1 João v-19), arrasta o homem para o mal, com suas máximas funestas, seus escândalos e seus maus exemplos.

Mas qual é a doutrina que traz o Protestantismo para o mundo corrupto de hoje?

Dizem os protestantes:

Há quem ensine que a salvação se alcança:
praticando boas obras;
fazendo penitências;
fazendo sacrifícios e renúncias:
rezando;
recebendo sacramentos ete, etc.

Nada disto! A salvação se alcança simplesmente pela fé em Jesus.

E em que consiste a fé em Jesus, segundo a doutrina protestante?

Consiste apenas nisto: em adorar a Cristo como nosso único e suficiente salvador, como nosso salvador pessoal

Se o pecador se arrepende de seus pecados e aceita a Cristo  como seu Salvador, está salvo e, segundo ensina um grande número de seitas protestantes, está salvo para sempre, não pode perder-se jamais, irá para o céu, com toda certeza. A salvação lhe é dada de graça. Basta estender a mão para recebe-la. Não é premio de virtudes, nem de boas obras, nem de prática da Religião, nem da observância da lei de Deus

E quando se objeta que esta salvação assim dada "de graça" está barata demais, os protestantes respondem que é uma loucura recusar-se uma coisa, só porque é dada de graça: a luz do sol e o ar que respiramos também nos são dados gratuitamente e ninguém os vai recusar por isto... É este o Evangelho que vai regenerar e santificar o homem, segundo o ensino protestante! Não se fala na necessidade da mortificação, do sacrifício para ganhar o Céu; barateia-se a salvação para que ela fique ao alcance de todos.

Onde está o desmantelo? 

 Ora, percebe-se claramente que existe neste sistema uma bruta falsificação da doutrina do Evangelho. Enquanto o Protestantismo ensina que o remédio para os males do mundo, a salvação do homem está na fé em Jesus, tudo vai muito bem. Porque é realmente seguindo a Doutrina que Jesus ensinou, que a Humanidade encontra o bom caminho e o homem se salva. Todo o mal do homem está em não crer em Jesus, ou em crer, mas não viver de acôrdo com a sua crença, o que seria uma fé morta, uma fé contradita, negada e desmoralizada pelas obras.

 Mas, quando o Protestantismo nos vem dizer que a fé em Jesus consiste exclusivamente ern aceitar a Cristo como nosso SaÌvador, aí é que está a" completa e escandalosa adulteração do Evangelho". Esta noção de fé é mera invenção de Lutero; procura-se assim misturar a verdade evangélica com o êrro luterano. Não há dúvida que, se o Evangelho nos diz que o homem se salva crendo em Cristo, compete ao próprio Evangelho dizer-nos esta fé em que consiste.

 É isto o que vamos examinar minuciosamente com a Bíblia na mão. Mas se os protestantes dizem só admitir aquilo que está na Bíblia, em que parte da Bíblia êles viram que esta fé em Cristo, esta fé que nos salva, consiste somente em aceitar a Cristo como Salvador? Quem autorizou os protestantes a andar pregando pelo mundo esta aceitação cle Cristo, tão mesquinha, tão parcial e tão incompleta?

 Por que motivo havemos de aceitar a Cristo como nosso Salvador e não havemos de aceita-lo também como nosso LEGISLADOR, que nos impôs uma lei, a qual terernos de observar, se quisermos aÌcançar a salvação? Por que motivo não havemos de aceitar a Cristo como o MESTRE, que nos ensinou uma Doutrina, um conjunto de verdades, que estamos obrigados a aceitar, porque Ele é Deus e Deus não pode errar? Por que motiyo não havemos de aceitar a Cristo como FUNDADOR DE UMA IGREJA que Êle deixou aqui na terra, inseparavelmente unida a Ele que é a cabeça do corpo da Igreja (Colos- senses I-18) ? Não falam tanto os protestantes na adesão a Nosso Senhor Jesus Cristo? E como é que acham que vão para o céu aquêles que vêem em Cristo urn Salvador e nada mais?

Depois veremos: Aceitação Integral  a Cristo

Pelo amor que sentes por teus pais, mede o que deves a Deus e à Igreja


Santo Agostinho



"Aos que abrasa o amor, ou melhor, para atear neles a chama deste amor, o Senhor disse: Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim (Mt 10, 37.38).

Ele não suprimiu o amor que devemos ter por nossos pais, por uma esposa ou filhos, mas apenas estabeleceu uma ordem entre eles. É o que a Igreja declara no Cântico dos Cânticos: Ele ordenou em mim a caridade (Ct 2, 4).

Ama teu pai, mas ama de preferência o teu Senhor; ama quem te deu à luz, mas ama ainda mais quem te deu o ser. Teu pai te gerou, mas não foi ele quem formou teus membros. Teu pai te alimentou; mas, sozinho, não teria sabido onde conseguir o pão que te dava. Enfim, quanto aos bens que teu pai te destina, é preciso que ele se vá, para que possas herdá-los e assim, por sua morte, te ceda o lugar nesta vida; mas os bens que Deus te reserva, ele os guarda consigo: possuirás a herança junto com ele próprio; não terás de esperar que ele se vá para então suceder-lhe, mas te unirás a ele para ficares sempre com ele. Ama, portanto, teu pai, mas guarda-te de preferi-lo a Deus. Ama tua mãe, mas guarda-te de preferi-la à Igreja, que te gerou para a vida eterna.

Em síntese, pelo amor que sentes por teus pais, mede o que deves a Deus e à Igreja. Com efeito, se deves tanto reconhecimento aos que te geraram para morrer, qual não será nosso amor para com aqueles que nos geraram para chegar à eternidade. Ama teu esposo, ama teus filhos, conforme Deus, a fim de levá-los contigo a honrar a Deus, que, reunindo-vos em seu seio, não mais permitirá que vos separeis. Portanto, não se deve amar os pais mais que a Deus; e não se preocupar em conduzi-los a Deus é amá-los pessimamente".

Sermão 344, 2
(Patrologia Latina 39, 1512 )

Santo Agostinho de Hipona


Por Bento XVI



" Depois das grandes festas de Natal, gostaria de voltar às meditações sobre os Padres da Igreja e falar hoje do maior Padre da Igreja latina, Santo Agostinho: homem de paixão e de fé, de grande inteligência e incansável solicitude pastoral, este grande santo e doutor da Igreja é muito conhecido, pelo menos de fama, também por quem ignora o cristianismo ou não tem familiaridade com ele, porque deixou uma marca muito profunda na vida cultural do Ocidente e de todo o mundo.

 Pelo seu singular relevo, Santo Agostinho teve uma influência vastíssima, e poder-se-ia afirmar, por um lado, que todas as estradas da literatura latina cristã levam a Hipona (hoje Annaba, à beira-mar da Argélia), o lugar onde era Bispo e, por outro, que desta cidade da África romana, da qual Agostinho foi Bispo de 395 até à morte em 430, se ramificam muitas outras estradas do cristianismo sucessivo e da própria cultura ocidental.

Raramente uma civilização encontrou um espírito tão grande, que soubesse acolher os seus valores e exaltar a sua intrínseca riqueza, inventando ideias e formas das quais se alimentariam as gerações vindouras, como ressaltou também Paulo VI: "Pode-se dizer que todo o pensamento da antiguidade conflui na sua obra e dela derivam correntes de pensamento que permeiam toda a tradição doutrinal dos séculos sucessivos" (AAS 62, 1970, p. 426). Além disso, Agostinho é o Padre da Igreja que deixou o maior número de obras.

 O seu biógrafo Possídio diz: parecia impossível que um homem pudesse escrever tantas coisas durante a vida.  Hoje a nossa atenção concentra-se sobre a sua vida, que se reconstrói bem pelos escritos, e em particular pelas Confessiones, a extraordinária autobiografia espiritual, escrita em louvor a Deus, que é a sua obra mais famosa. E são precisamente as Confessiones agostinianas, com a sua atenção à interioridade e à psicologia, que constituem um modelo único na literatura ocidental, e não só, também não religiosa, até à modernidade. Esta atenção à vida espiritual, ao mistério do eu, ao mistério do Deus que se esconde no eu, é uma coisa extraordinária sem precedentes e permanece para sempre, por assim dizer, um "vértice" espiritual.
Mas, falando da sua vida, Agostinho nasceu em Tagaste na Província de Numídia, na África romana a 13 de Novembro de 354, filho de Patrício, um pagão que depois se tornou catecúmeno, e de Mónica, cristã fervorosa. Esta mulher apaixonada, venerada como santa, exerceu sobre o filho uma grandíssima influência e educou-o na fé cristã. Agostinho recebeu também o sal, como sinal de acolhimento no catecumenato. E permaneceu sempre fascinado pela figura de Jesus Cristo; aliás, ele diz que amou sempre Jesus, mas que se afastou cada vez mais da fé eclesial, da prática eclesial, como acontece hoje com muitos jovens.

Agostinho tinha também um irmão, Navígio, e uma irmã, da qual não sabemos o nome e que, tendo ficado viúva, chefiou depois um mosteiro feminino. O jovem, de inteligência aguda, recebeu uma boa educação, mesmo se nem sempre foi um estudante exemplar. Contudo ele estudou bem a gramática, primeiro na sua cidade natal, depois em Madaura, e a partir de 370 rectórica em Cartago, capital da África romana: dominava perfeitamente a língua latina, mas não conseguiu dominar do mesmo modo o grego nem aprendeu o púnico, falado pelos seus conterrâneos. Precisamente em Cartago Agostinho leu pela primeira vez o Hortensius, um escrito de Cícero que depois se perdeu, o qual está na base do seu caminho rumo à conversão. De facto, o texto de Cícero despertou nele o amor pela sabedoria, como escreverá, já Bispo, nas Confessiones: "Aquele livro mudou verdadeiramente o meu modo de sentir", a ponto que "de repente perdeu valor qualquer esperança vã e desejava com um incrível fervor do coração a imortalidade da sabedoria" (III, 4, 7).

Mas estando convencido de que sem Jesus não se pode dizer que se encontrou efectivamente a verdade, e dado que neste livro apaixonante lhe faltava aquele nome, logo após tê-lo lido começou a ler a Escritura, a Bíblia. Mas ficou desiludido. Não só porque o estilo latino da tradução da Sagrada Escritura era insuficiente, mas também porque o próprio conteúdo lhe pareceu insatisfatório. Nas narrações da Escritura sobre guerras e outras vicissitudes humanas não encontrava a altura da filosofia, o esplendor de busca da verdade que lhe é próprio. Contudo, não queria viver sem Deus e assim procurava uma religião que correspondesse ao seu desejo de verdade e também ao seu desejo de se aproximar de Jesus. Caiu assim na rede dos maniqueus, que se apresentavam como cristãos e prometiam uma religião totalmente racional. Afirmavam que o mundo está dividido em dois princípios: o bem e o mal. E assim se explicaria toda a complexidade da história humana. Agostinho apreciava também a moral dualista, porque implicava uma moral muito alta para os eleitos: e para quem, como ele, a ela aderia, era possível uma vida muito mais adequada à situação do tempo, sobretudo para um homem jovem. Portanto, tornou-se maniqueu, convencido naquele momento de ter encontrado a síntese entre racionalidade, busca da verdade e amor a Jesus Cristo. E teve também uma vantagem concreta para a sua vida: de facto, a adesão aos maniqueus abria perspectivas fáceis para fazer carreira.

 Aderir àquela religião que contava muitas personalidades influentes permitia-lhe prosseguir a relação estabelecida com uma mulher e continuar a sua carreira. Desta mulher teve um filho, Adeodato, por ele muito querido, muito inteligente, que estará depois presente na preparação para o baptismo junto do lago de Como, participando naqueles "Diálogos" que Santo Agostinho nos transmitiu. Infelizmente o jovem faleceu prematuramente. Professor de gramática aos vinte anos na sua cidade natal, regressou cedo a Cartago, onde foi um brilhante e celebrado mestre de rectórica. Todavia, com o tempo, Agostinho começou a afastar-se da fé dos maniqueus, que o desiludiram precisamente sob o ponto de vista intelectual porque não esclareceram as suas dúvidas, e transferiu-se para Roma, e depois para Milão, onde na época residia a corte imperial e onde obtivera um lugar de prestígio graças ao interesse e às recomendações do prefeito de Roma, o pagão Símaco, hostil ao Bispo de Milão, Santo Ambrósio.

Em Milão Agostinho adquiriu o costume de ouvir inicialmente para enriquecer a sua bagagem rectórica as lindíssimas pregações do Bispo Ambrósio, que tinha sido representante do imperador para a Itália setentrional, e pela palavra do grande prelado milanês o rectórico africano sentiu-se fascinado; e não só pela sua rectórica, sobretudo o conteúdo atingiu cada vez mais o seu coração. O grande problema do Antigo Testamento, da falta de beleza rectórica, de elevação filosófica resolveu-se, nas pregações de santo Ambrósio, graças à interpretação tipológica do Antigo Testamento: Agostinho compreendeu que todo o Antigo Testamento é um caminho rumo a Jesus Cristo. Encontrou assim a chave para compreender a beleza, a profundidade também filosófica do Antigo Testamento e percebeu toda a unidade do mistério de Cristo na história e também a síntese entre filosofia, racionalidade e fé no Logos, em Cristo Verbo eterno que se fez carne.

Em breve tempo Agostinho deu-se conta de que a literatura alegórica da Escritura e a filosofia neoplatónica praticadas pelo Bispo de Milão lhe permitiam resolver as dificuldades intelectuais que, quando era jovem, na sua primeira abordagem aos textos bíblicos, lhe pareciam insuperáveis.

À dos escritos dos filósofos Agostinho fez seguir-se a leitura renovada da Escritura e sobretudo das Cartas paulinas. A conversão ao cristianismo, a 15 de Agosto de 386, colocou-se no ápice de um longo e atormentado percurso interior, do qual falaremos noutra catequese, e o africano transferiu-se para o campo a norte de Milão, nas proximidades do lago de Como com a mãe Mónica, o filho Adeodato e um pequeno grupo de amigos a fim de se preparar para o baptismo. Assim, aos trinta e dois anos, Agostinho foi baptizado por Ambrósio a 24 de Abril de 387, durante a vigília pascal, na Catedral de Milão.

Depois do baptismo, Agostinho decidiu regressar à África com os amigos, com a ideia de praticar uma vida comum, de tipo monástico, ao serviço de Deus. Mas em Óstia, à espera de partir, a mãe improvisamente adoeceu e pouco mais tarde faleceu, dilacerando o coração do filho. Regressando finalmente à pátria, o convertido estabeleceu-se em Hipona para ali fundar um mosteiro. Nesta cidade da beira-mar africana, apesar das suas resistências, foi ordenado presbítero em 391 e iniciou com alguns companheiros a vida monástica na qual pensava há tempos, dividindo os seus dias entre a oração, o estudo e a pregação. Ele desejava estar só ao serviço da verdade, não se sentia chamado à vida pastoral, mas depois compreendeu que a chamada de Deus era para ser pastor entre os outros, e oferecer assim o dom da verdade aos demais. Em Hipona, quatro anos mais tarde, em 395, foi consagrado Bispo. Continuando a aprofundar o estudo das Escrituras e dos textos da tradição cristã, Agostinho foi um Bispo exemplar no seu incansável compromisso pastoral: pregava várias vezes por semana aos seus fiéis, apoiava os pobres e os órfãos, cuidava da formação do clero e da organização de mosteiros femininos e masculinos. Em pouco tempo o antigo rectórico afirmou-se como um dos representantes mais importantes do cristianismo daquele tempo: muito activo no governo da sua diocese com notáveis influências também civis nos mais de 35 anos de episcopado, o Bispo de Hipona exerceu grande influência na guia da Igreja católica da África romana e mais em geral no cristianismo do seu tempo, enfrentando tendências religiosas e heresias tenazes e desagregadoras como o maniqueísmo, o donatismo e o pelagianismo, que punham em perigo a fé cristã no Deus único e rico em misericórdia.

E a Deus se confiou Agostinho todos os dias, até ao extremo da sua vida: atingido por febre, quando havia três meses que Hipona estava assediada pelos vândalos invasores, o Bispo narra o amigo Possídio na Vita Augustini pediu para transcrever em letras grandes os salmos penitenciais "e fez pregar as folhas na parede, de modo que estando de cama durante a sua doença os podia ver e ler, e chorava ininterruptamente lágrimas quentes" (31, 2). Transcorreram assim os últimos dias da vida de Agostinho, que faleceu a 28 de Agosto de 430, quando ainda não tinha completado 76 anos. Dedicaremos os próximos encontros às suas obras, à sua mensagem e à sua vicissitude interior.

Fonte: AQUI

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A Fé desaparecerá quando a sociedade amadurecer?


Por Alfonso Aguilló



"Em um dos seus livros, López Quintás conta que um dia, ao entardecer, depois de visitar a catedral de Notre-Dame, enquanto vagueava pela velha Paris, deparou, sem querer, com um pequeno edifício abandonado com as suas sórdidas janelas cruzadas por sarrafos de madeira. Aquela construção quase em ruínas era o famoso “Templo da Nova Religião da Ciência” que o filósofo francês Augusto Comte tinha erigido fazia século e meio.

O contraste foi tão brusco como expressivo. O templo com o qual se pretendera dar culto ao progresso científico estava em ruínas.

A velha catedral, pelo contrário, irradiava as suas melhores galas, como na sua brilhante época medieval. A música combinava nela coma harmonia das linhas arquitetônicas, com as belas palavras dos oradores, com o magnífico esplendor litúrgico que num dia de Natal, anos atrás, emocionara o grande poeta Claudel, até levá-lo à conversão.

A história daquele templo esquecido está aparentada com a da Ilustração, que no seu tempo se ergueu com o sonho de “despojar o homem dos grilhões irracionais das crenças e conhecimentos supersticiosos baseados na autoridade e nos costumes”. O pensamento ilustrado da Enciclopédia considerava os conhecimentos religiosos como “simples e ingênuas explicações sobre a vida dadas pelo homem não - científico”.

Na sua aversão à fé, uma multidão de pensadores deleitava-se em atribuir a origem mais baixa possível ao sentimento religioso. Concebiam os nossos antepassados como “seres perpetuamente atemorizados, empenhados em conjurar as forças hostis do céu e da terra mediante práticas irracionais”. Viam a Deus como um simples “produto do medo das civilizações primitivas, num tempo em que esses espíritos atrasados ainda acreditavam em fábulas”.

A teoria de Comte sobre a evolução humana através dos três estados – religiosidade, pensamento filosófico e conhecimento científico – gozou na sua época de grande aceitação e em sua honra foi erigido aquele templo dedicado à “Nova Religião da Ciência”.

- Não é curioso que a ciência adquirisse essa faceta religiosa?

Foi efetivamente em curioso fenômeno de substituição. Fascinado pela ciência, o homem elevou-a até ocupar o lugar do sagrado. Mas não era um simples conflito entre a ciência e a fé.  Com efeito, entronizar uma bonita mocinha parisiense na catedral de Notre – Dame – como fizeram durante a Revolução Francesa - , dando –lhe o título de “Deusa Razão”, não parece que fizesse parte das ciências experimentais.

Por trás de tudo aquilo latejava o empenho ateu de proclamar a salvação da humanidade por si mesma, e o advento de uma sociedade iluminada unicamente pela razão humana. Passaram-se menos de dois séculos, e o estado de abandono em que se encontra hoje aquele templo laico é talvez um fiel reflexo do abandono da concepção do homem que tanta força teve na sua época.

Aquela ilusão segundo a qual o advento da era científica permitiria eliminar o mal do mundo acabou por ser um doloroso engano. As suas hipóteses acabaram por estar mais impregnadas de ingenuidade do que a que eles atribuíam às épocas históricas anteriores.

Depois veremos: A ciência pode explicar tudo?

Veja mais do livro: É Razoável Crer?

domingo, 26 de agosto de 2012

Os Primeiros Cristãos aguardam a volta de Jesus e o fim dos tempos


Por Georges Suffert 

 1 - Introdução
 2- Jesus ou Aquele que precedeu a Igreja
 3- A estratégia inicial dos Apóstolos 
 4- A Igreja de Jerusalém: Ascensão e Queda
 5 - A Irrupção de Paulo 
 6 - O Primeiro Concílio da História
 7 - A ruptura entre cristãos e judeus



" É difícil para nós, imaginar os apóstolos e aqueles que começam a se reunir em volta deles, por volta de 50-60. Para muitas dessas pessoas, Jesus é decerto o Messias, o Filho de Deus. A fé é que lhes permitirá entrar num universo desconhecido. No entanto, elas não conheceram Jesus.

Imaginam sua silhueta, inúmeras vezes descrita; só isso. O passeante de Tiberíades mergulha nas brumas do tempo. É certo que as pessoas ouvem a pregação dos discípulos e participam das reuniões de oração. Seu desejo oculto é se aproximar de seu modelo. Sua esperança é a volta d'Ele. Pois Ele assim prometeu. Voltará. Então, a antiga terra terá acabado, outra surgirá do nada. O mundo terá enfim se tornado esse jardim cheio de leite e mel descrito na Bíblia. O fim dos tempos - isto é, o advento do reino dos pobres - será também o Reino de Deus. Isto também foi anunciado por Jesus.

Essa incrível revelação precisa ser o quanto antes transmitida aos homens do mundo inteiro. Quantos são eles? Onde estão? Mistério. Para esses cristãos das origens, seu universo familiar vai do eixo Nazaré-Cafarnaum ao de Jerusalém-Hebron. É a antiqüíssima terra prometida a Moisés. Ademais, toda a evangelização iniciada se desenrola nesse país do tamanho de um lenço. No entanto, os apóstolos sabem que precisarão se afastar dessa população judaica que os ouve com sentimentos acalmados. O que está além do país das origens os aguarda.

É aí que nossa imaginação escorrega.

O que é o Império Romano para esses judeus que, em geral, nunca viram o mar, mesmo que saibam perfeitamente situá-lo? Esses judeus para quem cidades como Antióquia ou Gaza são remotas e meio fabulosas?

Naturalmente, há a diáspora dos judeus. Há quase dois séculos, comunidades mais ou menos importantes vêm sendo implantadas em Roma, Éfeso e Alexandria. A população destas cidades aumentará maciçamente logo depois da guerra. Mas desde os anos 50-60, elas podem servir de pouso, se é possível dizer. Em seu seio, as pessoas encontram pelo menos uma maneira de viver, de comer, de rezar.

Com os judeus da diáspora, elas podem se expressar na língua comum: o aramaico, às vezes o hebraico. Na verdade, os que ousarem deixar o ninho original se beneficiarão, bem ou mal, da existência desses grupos afastados. As disputas continuarão, como no atrio do Templo de Jerusalém.

É verdade, e no entanto é uma derradeira ilusão. Chegará um momento - muito rápido - em que será necessário realmente deixar o mundo judeu. Fora dele está o Império, uma potência universal que a maioria dos judeus detesta, mas cuja imensidão tem algo de apavorante. Roma tem os povos, os portos, as estradas; seu exército é onipresente. Mais grave: tem seus deuses, seus ritos, sua língua.

A que romano se dirigir para tentar lhe ensinar a revelação cristã?

Pois que uma evidência perturba o espírito da minúscula Igreja das origens: a Grécia.

Ela está relativamente próxima. Inventou tudo, afirma-se; em todo caso, a filosofia, pelo menos. Não só os gregos dispõem de uma língua universal - o que não intimida muito os judeus - como também sabem pensar. Pode-se fingir ignorá-los, mas, na verdade, isso é impossível. Será necessário então transpor esse rio imenso. Apóstolos e discípulos têm consciência desses obstáculos? Não explicitamente. O que não impede que cada um dos Evangelhos tenha como alvo - sem que isso seja dito - uma população determinada.

É evidente que Paulo em geral se dirige às comunidades helenizadas. Lucas escreverá para elas também, o que não basta. Mais uma vez o grego não é somente a língua - que a maioria dos judeus instruídos compreende -, é também uma maneira de estar no mundo.

Se os cristãos querem transmitir a revelação a seus vizinhos do Norte e do Sul, se querem ser bem compreendidos tanto em Atenas quanto em Alexandria, é preciso que a passagem de Jesus por esta terra entre nas categorias intelectuais gregas; é o preço a pagar para que o mundo se torne cristão.

Teriam esses primeiros cristãos consciência da extravagância do desafio que lançavam à mais alta cultura da Antiguidade? Sem dúvida não, mas não importa. Eles têm fé. Seus ouvintes não crêem em mais nada. Os cristãos partiram então para a conquista da cultura grega

Depois veremos: O Inicio da expansão
Quem é o sucessor de Pedro?

Fonte: Tu és Pedro.