segunda-feira, 17 de setembro de 2012

28 - A Resposta Católica: Pedro e o Primado Papal

A Segunda Besta


 Por Scott Hahn



Esta besta vem da terra e tem chifres como um cordeiro. A imagem do cordeiro é dissonante, já que a esta altura já nos acostumamos a associá-la com coisas sagradas. Scott crê que o uso dela por meio de João é intencional, pois ele acha que essa besta tem a finalidade de sugerir o sacerdócio corrupto na Jerusalém do séc.I.

O primeiro indício é que esta besta sobe "da terra", que no grego original também poderia significar "do solo" ou "do campo", em oposição a "do mar", que gera os animais dos pagãos (veja Dn 7). Além disso, é provável que João desse testemunho da transigência da autoridade sacerdotal, ocorrida apenas alguns anos antes. Em um momento histórico dramático, a autoridade religiosa jurou fidelidade à autoridade governamental corrupta, em vez de jurá-la a Deus.

Jesus, o Cordeiro de Deus, Rei supremo e sumo sacerdote, ficou em pé diante de Pilatos e dos sumos sacerdotes dos judeus. Pilatos disse aos judeus: "Eis o vosso rei!"Eles se puseram a gritar: "À morte! À morte! Crucifica-o!" Pilatos replicou: "Devo eu crucificar o vosso rei?" Os sumos sacerdotes responderam: "Nós não temos outro rei, senão César" (veja Jo 19,15).

Na verdade, foi o sumo sacerdote em pessoa, Caifás, quem primeiro falou do sacrifício de Jesus como "do interesse" do povo (veja Jo 11,47-52). Assim, rejeitaram Cristo e elevaram César. Rejeitaram o Cordeiro e adoraram a besta. Com certeza, César era o governante e, como tal, merecia respeito (Veja Lc 20,21-25). Mas César queria mais que respeito. Exigia adoração sacrifical, que os sumos sacerdotes lhe concederam ao entregar-lhe o Cordeiro de Deus.

A besta se parece com um cordeiro em alguns aspectos superficiais. Vemos que tudo que faz é arremedo e zombaria da obra salvífica do Cordeiro. O Cordeiro está de pé como se tivesse sido imolado; a besta recebe um ferimento mortal, mas se recupera. Deus entroniza o Cordeiro; o dragão entroniza a besta. Os que adoram o Cordeiro recebem seu selo na fronte (Ap 7,2-4); os que adoram a besta usam a marca da besta.

O que nos leva à difícil pergunta: qual é a marca da besta?

João nos diz que é o nome da besta, ou o número de seu nome. O que é isso? João responde com uma charada: "È o momento de ter discernimento. Quem tiver inteligência, interprete o número da besta, pois é um número de homem. E o seu número é 666" (Ap 13,18).

Em um nível, talvez o número represente o imperador romano Nero, pois esse nome transliterado em hebraico tem, na verdade, o valor 666. Contudo, há muitas outras possibilidades, diferentes ou adicionais. Considere que 666 era o número de talentos de ouro que o rei Salomão recebia anualmente das nações (veja IRs 10). Considere também que Salomão foi o primeiro sacerdote-rei desde Melquisedec (veja Sl 110). Além disso, João diz que no discernimento do número da besta " está a sabedoria" (Ap 13,18 nota), o que alguns intérpretes entenderam como outra referencia a Salomão, célebre por sua sabedoria.

Por fim, 666 pode ser interpretado como degradação do número sete, que, na tradição israelita, representava perfeição, santidade e aliança. O sétimo dia, por ex., foi declarado santo por Deus e destacado para descanso e adoração. O trabalho era feito em seis dias, entretanto, era santificado na adoração sacrifical representada pelo sétimo dia.

O número 666, então, representa um homem paralizado no sexto dia, servindo à besta, que se preocupa em comprar e vender (veja Ap 13,17) sem descanso para a adoração. Embora o trabalho seja santo, torna-se mau quando o homem se recusa a oferecê-lo a Deus.

Contudo, precisamos ser claros quanto a uma coisa. Essa interpretação não deve levar nenhum cristão a justificar o anti-semitismo. O livro do Apocalípse demontra de maneira completa dignidade de Israel - seu Templo, seus profetas, suas alianças.

O Apocalípse deve, antes, levar-nos a um maior apreço por nosso patrimônio em Israel - a uma consideração sansata de nossa responsabilidade diante de Deus. Vivemos conforme nossa aliança com Deus? somos fiéis a nosso sacerdócio? O livro representa uma advertencia a todos nós.

A mensagem incômoda é esta: combatemos forças espirituais, forças imensas, depravadas, malévolas. Se tivéssemos de combate-las sozinho, seríamos derrotados. Mas eis a boa notícia: há um jeito de termos esperança de vencer. A solução tem de medir forças com o problema, poder espiritual com poder espiritual, beleza imensa com feiúra imensa, santidade com depravação, amor com malevolência.

A solução é a MISSA, quando o céu vem salvar a terra sitiada

Fonte: O Banquete do Cordeiro

Capítulos anteriores AQUI

Depois veremos: Anjos

domingo, 16 de setembro de 2012

Aceitação Integral a Cristo

Por Lucio Navarro


Se aceitamos a Cristo exclusivamente como Salvador, se tapamos a sua boca quando Ele nos vai doutrinar, se não Lhe damos outro direito senão o de estender os braços sobre a cruz e morrer por nós, então é fácil lançarmos mão do Evangelho e fazermos a salvação do tamanho que a quisermos; mas se aceitamos a Cristo integralmente, se O deixamos falar como nosso Legislador, como nosso Mestre, como fundador da sua e nossa Igreja, logo chegaremos à conclusão de que para a salvação, é necessária:

- A observância dos Mandamentos: " Se tu queres entrar na vida, guarde os mandamentos" (Mateus XIX-12);

 - São necessárias as boas obras, como se deduz claramente da descrição do juízo final (Mateus XXV-81 a 46):

  - É de grande importância a penitência: "ai de ti, Corozain; ai de ti, Betsaida; que se em Tiro e Sidônia se tivessem, obrado as maravilhas que se obraram entre vós, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza. Por isso haverá no dia do juízo menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada até aos infernos (Lc X-18 e 14)

 - É preciso fazer sacrifícios e renúncias: ,"Se Teu olho te escandaliza, arranca-o fora, melhor te é entrar no reino de Deus sem um olho, do que tendo dois, ser lançado ao fogo do inferno"(Mc IX-46) "Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome sua Cruz cada dia e siga-me"(Lc IX - 23)
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 - É preciso orar para se obter a graça, pois sem a graça não se pode praticar a virtude: "Importa orar sempre  e não cessar de o fazer". "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação"

 - É preciso receber os Sacramentos: "Quem, não renascer da água e do Espírito Santo não pode entrar no reino de Deus". "Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue não tereis a vida em vós" (João VI-54). "Aos que vós perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e aos que vós os reterdes, ser-lhes-ão eles retidos (João xx-23) ;

 - É preciso obedecer à lgreja: "Tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos Céus, e tudo o que desatares sôbre o terra será desatado também, nos Céus" (Mateus XVI-19), disse Jesus a Pedro, pedra da Igreja. E se não ouvir a, Igreja, tenha-o por um gentio ou um publicano (Mateus
xvrrr-17

E veremos que, em vez desta salvação baratíssima, Ele nos prega uma salvação árdua e penosa: "Larga é a porta e espaçoso o caminho que guia, para a perdição e muitos são os que entram por ela. Que estreita é a porta, que apertado o caminho que guia para a vida e que poucos são os que acertam por ele (Mateus VII - 13,14)

Por que motivo então havemos de aceitar a Cristo como Aquêle quenos dá a salvação e não havemos de aceita-Lo como Aquêle que tem o direito de nos impor, de nos indicar as condições em que esta salvação é obtida?

Reduzindo a fé que salva à simples aceitação de Cristo como Salvador e ao mesmo tempo dando a cada um o direito de interpretar a Bíblia como bem entende, o Protestantismo abre o Céu de par em par a todos os hereges. Isto de doutrina, de ensinamentos de Cristo passa a ter muito pouca importância, cada um os aceita como acha mais conveniente; o que vale somente para a vida eterna é aceitar a Cristo como SALVADOR.

Como veremos mais adiante  há, entre os protestantes, uns que negam a Santíssima Trindade e outros
que a admitem; uns que dizem que Jesus Cristo é Deus, e outros, que é um simples homem: uns que crêem na existência do inferno e outros que a rejeitam; uns que admitem a imortalidade da alma e outros que a negam; uns que crêem que Jesus está realmente presente na Eucaristia e outros que dizem que a Eucaristia não é mais do que pão e vinho; uns que batizam e outros que não batizam etc, etc.

Todos êstes entram de roldão no Céu. Pois a pergunta de ordem é somente esta: Aceitais a Cristo como vosso único e Suficiente Salvador, como vosso Salvador Pessoal? 

 - Aceitamos - respondem todos.

Pois então, todos estais salvos.

Não se podia inventar uma doutrina que fôsse mais a gôsto para contentar a todos os hereges. Além disto (e a questão agora é com aqueles inúmeros protestantes que acham que aquele que aceitou a Cristo como Salvador já não se pode perder mais) perguntamos: "Um homem se arrependeu de seus pecados e aceitou a Cristo como Salvador. De agora por diante, que homem vai ser êle? O mesmo homem combatido pelas paixões próprias e pelas tentações do inimigo, livre para pecar ou deixar de pecar - ou um homem impecável?

 Cada um olhe sinceramente para si e veja se se tornou impecável, depois que aceitou a Cristo como Salvador... Se este homem depois peca, engolfa-se no pecado, não se arrepende mais, não quer mais emendar-se, como pode ter já  neste mundo a salvação garantida? A salvação dada por Cristo será uma licença ampla para cada um fazer o que bem lhe apraz e ir para o Céu de qualquer jeito? Ou, por acaso, estão os protestantes confiados em que aquêle que pecava quando tinha medo da condenação eterna, agora espontaneamente, vai deixar de pecar, depois que se considera já com a salvação garantida? Isto seria ser ingênuo demais e não ter nenhum conhecimento do que é a nossa natureza humana.

Fonte: A Legítima Interpretação da Bíblia - Lúcio Navarro

Mais do Estudo AQUI

Depois veremos: A Bíblia mal compreendida



sábado, 15 de setembro de 2012

Nossa Senhora das Dores








NOSSA SENHORA DAS DORES, memória

De pé a Mãe dolorosa,
junto da cruz, lacrimosa,
via Jesus que pendia.

No coração transpassado
sentia o gládio enterrado
de uma cruel profecia.

Mãe entre todas bendita,
do Filho único, aflita,
à imensa dor assistia.

E, suspirando, chorava,
e da cruz não se afastava,
ao ver que o Filho morria.

Pobre mãe, tão desolada,
ao vê-la assim transpassada,
quem de dor não choraria?

Quem na terra há que resista,
se a mãe assim se contrista
ante uma tal agonia?

Para salvar sua gente,
eis que seu Filho inocente
suor e sangue vertia.

Na cruz por seu Pai chamando,
vai a cabeça inclinando,
enquanto escurece o dia.

Quando chegar minha hora,
dai-me, Jesus, sem demora,
a intercessão de Maria.

Adoremos o Cristo Jesus Salvador, que à sua paixão quis unir sua Mãe.

Oremos.
Ó Deus, quando o vosso Filho foi exaltado, quisestes que sua Mãe estivesse de pé junto à cruz, sofrendo com ele. Dai à vossa Igreja, unida a Maria na paixão de Cristo,
participar da ressurreição do Senhor. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.



Donde há de vir julgar os vivos e os mortos


O Tríplice Ministério de Cristo






Jesus Cristo honra e engrandece a Sua Igreja com três importantes Ministerios: de Redentor, de Protetor, e de Juiz.

Pelos Artigos anteriores, já sabemos que Ele remiu o gênero humano pela Sua Paixão e Morte, e que pela Ascensão se tornou o perpétuo advogado e defensor de nossa causa. No presente Artigo, só resta explicar a Sua funçao de juiz. O Artigo quer dizer que Cristo Nosso Senhor, naquele dia supremo, há de julgar todo o gênero humano.


O Dia do Senhor

As Sagradas Escrituras atestam que são duas as vindas do Filho de Deus:

1 - A primeira foi quando assumiu carne, para nos salvar, e Se fez homem no seio da Virgem; a segunda será, quando vier para julgar todos os homens, na consumação dos séculos.

Nas Escrituras, esta segunda vinda se chama Dia do Senhor, do qual diz o Apostólo: "O dia do Senhor há de vir como o ladrão de noite Aquele dia, porém, e aquela hora, ninguém os conhece - declara o próprio Salvador"
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Sua realidade

Em prova do Juízo Final, basta citar esta passagem do Apóstolo: "Todos nós teremos de comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba retribuição do bem ou do mal, que tiver praticado em sua vida terrena".

Objeto de nossa esperança
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Se desde o início do mundo, todos ansiavam por aquele primeiro dia em que o Senhor se revestiu de nossa carne, porquanto nesse mistério havia a esperança de seu resgate, também agora devemos - depois da Morte e Ascenção do Filho de Deus suspirar ardentemente pelo segundo Dia do Senhor, aguardando a ditosa esperança e o aparecimento da glória do grande Deus.
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Dois Juízos
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Teremos de atender as duas ocasiões, em que todo homem deve comparecer na presenca do Senhor, para dar contas de todos os seus pensamentos, ações e palavras, e para aceitar finalmente a sentença imediata do Juiz.

a) o particular
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A primeira ocasião e o momento em que cada um de nós deixa este mundo; a alma é levada incontinenti ao tribunal de Deus, onde se examina com a máxima justeza, tudo o que o homem jamais fez, disse, e pensou em sua vida. É o que chamamos Juizo Particular.
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b) o universal
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A segunda ocasião, porém, há de ser quando todos os homens terão de comparecer juntos, no mesmo dia e no mesmo lugar, perante o tribunal do juiz, para que, na presença de todos os homens de todos os seculos, cada um venha saber a sentença, que a seu respeito foi lavrada.

Para os impios e malvados, esta declaração de sentença não constituirá a menor parte de suas penas e castigos; ao passo que os virtuosos e justos nela terão uma boa parte de sua alegria e galardão. Naquele instante, será pois revelado o que foi cada individuo, durante a sua vida mortal. Este Juizo se chama universal.

Motivos para o juízo universal

1 - Abrir todas as conciências
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Ora, os mortos deixam as vezes filhos que imitam os pais; parentes e discipulos que seguem e propagam seus exemplos em palavras e obras. Esta circunstancia deve aumentar os prêmios ou castigos dos próprios mortos.

Tal influencia, que a muitos empolga, em seu carater benefico ou maligno, não acabará senão quando romper o ultimo dia do mundo. Convinha, pois, fazer-se entao uma perfeita averiguação de todas essas obras e palavras, quer sejam boas, quer sejam más. O que, porém, não seria possivel sem um julgamento geral de todos os homens.

b) Reabilitar os justos
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Muitas vezes, os justos são lesados em sua reputação, porquanto os impios passam por grandes e virtuosos. Pede a divina justiça que, numa convocação para publico julgamento de todos os homens, possam os justos recuperar a boa fama, que lhes fora iniquamente roubada aos olhos do mundo.

c) responsabilizar também o corpo
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Alem disso, em tudo o que façam durante a vida, os bons e os maus não prescindem da cooperação de seus corpos. Dai decorre, necessariamente, que as boas ou más ações praticadas devem atribuir-se tambem aos corpos, que delas foram instrumentos.

Era, pois, de suma conveniência que os corpos partilhassem, com as almas dos prêmios da eterna glória ou dos suplícios, conforme houvessem merecido. Isto, porém, não poderia efetuar-se, sem a ressurreição de todos os homens, e sem um julgamento universal.

d) Justificar a Providencia de Deus

Como também a fortuna e a desgraça não fazem escolha entre bons e maus, era necessário provar que tudo é dirigido e governado pela infinita sabedona e justiça de Deus. Convinha, pois, só reservar premios aos bons e castigos aos maus, na vida futura, mas também decretá-los num juizo publico e universal, que os tornasse mais claros e evidentes a todos os homens.

Desta forma, todos renderão louvor a Deus pela sua justiça e providencia, em desagravo daquela injusta queixa com que as vezes os próprios Santos, por fraqueza humana, se lastimavam, ao verem os maus na posse de grandes cabedais e dignidades.

O Profeta dizia: "Meus pés estiveram a ponto de vacilar. Por pouco se não transviaram os meus passos, porque me enchi de zelo contra os maus, quando observava a vida bonancosa dos pecadores". E mais adiante:" Eis que, sendo pecadores, e favorecidos pelo mundo, eles conseguiram riquezas. E eu disse: Então não me adiantou guardar puro o meu coração, e lavar em inocencia as minhas mãos; em ser torturado o dia inteiro, e padecer aflição desde o romper da madrugada"

Por conseguinte, era preciso haver um Juizo Universal, a fim de que os homens se não pusessem a comentar que Deus passeia pelos quadrantes do ceu, e que pouco se Lhe da a sorte das coisas terrenas. Com toda a razao foi incluida a formula desta verdade nos doze Artigos do Credo, para apoiar, com a força de sua doutrina, os animos que duvidem da providência e justic,a de Deus.

e) alentar os bons e aterrar os maus
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Sobretudo, era mister que a lembrança do Juízo alentasse os bons e aterrasse os maus. Conhecendo a justiça de Deus, aqueles nao viriam a desfalecer; estes seriam arredados do mal, gracas ao temor e a expectacao dos eternos castigos.
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Por isso, falando do Último Dia. Nosso Senhor e Salvador declarou que haveria um Juízo Universal. Descreveu os sinais do tempo em que ha de chegar, para que, ao ve-los, reconhecessemos estar perto o fim do mundo. Depois, no momento de subir aos ceus, enviou Anjos que consolassem os Apostolos, tristes com Sua ausencia, e Ihes dissessem as seguintes palavras: Este Jesus que de vosso meio foi arrebatado ao ceu, há de vir assim como O vistes subir ao ceu"

O juiz..

Ensinaram as Sagradas Escrituras, que a Cristo Nosso Senhor foi entregue o julgamento, não só enquanto Deus, mas tambem enquanto Homem. Ainda que o poder de julgar é comum a todas as Pessoas da Santissima Trindade, contudo o atribuimos ao Filho de modo particular, por dizermos que Lhe compete tambem a sabedoria. Uma declaração do Senhor confirma que Ele, enquanto Homem, há de julgar o mundo:"Assim como o Pai tem a vida em Si mesmo, assim concedeu também ao Filho ter a vida em Si mesmo, conferiu-lhe o poder de julgar, porque é o Filho do Homem" Jo 5,26

A - Por que será Cristo?
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Esse juízo será efetuado por Cristo Nosso Senhor. Já que os julgados são os homens, ser-lhes-á possível ver o juiz com os olhos corporais, e com os próprios ouvidos escutar a sentença que lhes for lavrada e pelos sentidos chegar ao perfeito conhecimento da ação judicial.
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De mais a mais, era de suma justiça que aquele Homem, que fora condenado pela mais iniqua das sentenças humanas, tomasse assento à vista de todos, para julgar todos os homens. Por isso é que, depois de expor, em casa de Cornélio, os pontos capitais da religiao cristã; depois de ensinar que Cristo fora crucificado e morto pelos Judeus, mas que ao terceiro dia havia ressurgido. - o Principe dos Apostolos nao deixou de acrescentar: E deu-nos ordem de pregar ao povo, e testemunhar que Ele foi por Deus instituído Juiz dos vivos e dos mortos
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4. O Julgamento que precede o juízo
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Como sinais que precedem o Juizo, as Sagradas Escrituras enumeram três principais: a pregação do Evangelho pelo mundo inteiro, a apostasia, o anticristo.

Com efeito, assim falou Nosso Senhor: Será pregado este Evangelho do Reino por todo o mundo, para servir de testemunho a todos os povos, e depois ha de vir a consumação. E o Apostolo nos adverte que ninguém se iluda, como se o Dia do Senhor esteja vizinho; porquanto nao se fará o juízo, "sem que venha antes a apostasia, e tenha aparecido o homem do pecado"

O Julgamento
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A sentença dos bons
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As circunstâncias do Juízo, poderemos ve-las comodamente nas profecias de Daniel(7,9), na doutrina dos santos Evangelhos e do Apóstolo Sao Paulo. Neste lugar, o que merece maior atenção e a sentença que pelo será pronunciada.

Cristo Nosso Senhor lançara um olhar de jubilosa complacência para os justos colocados a direita, e com extremos de bondade Ihes dirá a seguinte sentença: "Vinde, benditos de Meu Pai, tomai posse do Reino, que vos esta preparado desde o principio do mundo".

Não se poderá ouvir palavra mais suave do que esta! Assim há de averigua-lo quem a cotejar com a condenação dos maus; quem levar em conta tal sentença chama os homens bons e justos, da labuta ao descanso, deste vale de lágrimas aos cimos de alegria, das tribulações à eterna bem aventurança, que eles merecem por suas obras de caridade.
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A sentença dos maus
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Volvendo-se, então, para aqueles que estarão à esquerda, lançará sobre eles o rigor de Sua justiça, usando as palavras: "Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno que foi preparado ao demônio e seus anjos"

As palavras: "apartai-vos de Mim" exprimem a maior das penas que atingirá os maus quando forem lançados o mais longe possível da presença de Deus, sem que os possa consolar a esperança de virem jamais a gozar de um bem perfeito.

.. a pena de dano
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Esta é a pena que os teólogos chamam pena de dano, porque os reprobos no inferno ficarao para sempre privados da luminosa visao de Deus.

O acrescimo " malditos" agrava-lhes a miseria e desgraça, de uma maneira pavorosa. Se, na verdade, ao serem escorraçados da presenca de Deus, fossem pelo menos julgados dignos de alguma bencao, nao ha duvida que disso poderiam ter grande consolacao. Mas, como nao lhes é dado esperar consolo semelhante para mitigar sua desgraca, de pleno direito a justiça divina os perseguira, com todas as maldiçoes, a partir do momento em que são [inteiramente] repudiados.
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a pena dos sentidos
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Seguem-se entao as palavras: "para o fogo eterno". A esta segunda especie de tormentos chamam os teologos pena dos sentidos, porque empolga os sentidos do corpo, como acontece nos açoites, flagelações, e outros generos de suplicios mais pesados.

Não é para duvidar que, entre eles, a tortura do fogo causa a mais intensa sensação de dor. Como tal suplicio deve durar para todo o sempre, temos nessa circunstancia uma prova de que o castigo dos réprobos concentra em si todos os suplicios possiveis.

Mostram-no, com maior clareza as ultimas palavras da condenação: "que foi preparado para o demonio e seus anjos". Por índole nossa, nao sentimos tanto os sofrimentos, quando temos algum parceiro a repartir conosco o infortúnio, e que ate certo ponto nos assiste e conforta, com sua prudencia e bondade. Qual não será, porem, a miséria dos condenados, uma vez que em tantas aflições não poderão jamais apartar-se da companhia dos mais perversos demonios?

Muito justa será, naturalmente, a condenação que Nosso Senhor e Salvador ha de proferir contra os maus; porque eles vilipendiaram todas as obras de verdadeira piedade. Não deram de comer, nem de beber ao faminto e ao sequioso; não agasalharam o peregrino; não cobriram o desnu; não visitaram o preso, nem o enfermo.

Frutos destas verdades

Quem aceita estas verdades com espírito de fé, a verdade que vai neste Artigo, ela tem grande virtude para refrear as depravações da alma, e para arredar os homens do pecado. Por esse motivo diz o eclesiastico: "Em todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e não pecaras eternamente"

a) para a conversão do pecador
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Na verdade, dificilmente alguem se arrojará em pecados, com tanta cegueira, que não seja de novo atraído pelo amor a virtude, em se lembrando que um dia dará contas a um juiz de suma justiça, não só de todas as suas ações e palavras, mas até dos mais ocultos pensamentos; que tera de satisfazer pelas penas que merecidamente tiver incorrido.
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b - para a perseverança do justo
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De sua parte, ainda que a vida lhe decorra em privações, calúnias e sofrimentos, pode o justo afervorar-se cada vez mais na pratica da virtude, e dar largas a sua alegria, quando se lembra daquele dia em que, apos as lutas desta vida laboriosa, será aclamado vencedor, na presença de todos os homens, e recebido na Pátria Celestial, onde Deus lhe dara o quinhão das honras eternas.

Só resta, pois, que os fieis sejam exortados a procurarem uma santa maneira de viver, a adestrarem- se em todas as obras de piedade . Isto Ihes permitira aguardar, com maior firmeza de animo, o grande Dia do Senhor que esta próximo; e almejar, até, a Sua vinda com o mais vivo amor e empenho, como convem a filhos [de Deus].

Fonte: Catecismo Romano - pags 145 - 151

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Subiu aos céus, está sentado... à mão direita de Deus Pai Todo Poderoso .


Catecismo Romano

Ao contemplar, cheio do Espírito de Deus, a bem-aventurada Ascensão de Nosso Senhor, o profeta David exorta o mundo inteiro a celebrar o Seu triunfo, em transportes de alegria e satisfação. "Nações todas, diz ele, batei palmas, louvai a Deus em cantos de alegria! Subiu Deus no meio de aclamações"

Cristo subiu

1. Como homem

Os fieis devem crer, sem a menor dúvida, que Jesus Cristo, depois de consumar o misterio de nossa Redenção, subiu aos céus enquanto Homem, com corpo e alma; enquanto Deus, nunca de lá se ausentou, pois que enche todos os lugares com Sua Divindade.

2 - Por conta própria

Cristo não foi arrebatado por uma força estranha, mas subiu por conta própria. Nâo foi como Elias que foi levado ao céu num carro de fogo, nem como Habacuc ou o diácono Filipe que, transportados através dos ares por uma virtude divina venceram as distancias de terras longínquas.

Como Deus e como Homem

Entretanto, não subiu aos céus só pela virtude de Sua onipotencia, mas também em Sua condição de Homem. Isto nao podia acontecer por força da natureza; mas, pela virtude de que estava munida, podia a gloriosa Alma de Cristo mover o corpo a seu grado. Tendo ja a posse da glória, o Corpo obedecia, sem dificuldade, a direção que a alma que lhe dava, em seus movimentos. Desta maneira é que acreditamos ter Cristo subido aos céus, por virtude própria, como Deus e como Homem.

Está sentado a direita de Deus Pai

Para maior facilidade de compreensão, atribuímos a Deus afetos e membros humanos, apesar de não podermos imaginar nada de corpóreo em Deus, porque é [puro] espírito. Mas, como nas relações sociais julgamos dar maior honra a quem colocamos à nossa direita, assim aplicamos também o mesmo princípio as coisas do céu. Confessamos que Cristo está a direita do Pai, para exprimir a glória que, como Homem, alcançou acima de todas as criaturas. O "estar sentado" nao exprime aqui uma postura de corpo, mas põe em evidencia a posse segura e inabalável do regio poder e da gloria infinita, que [Cristo] recebeu de Seu Pai.

Disso fala o Apostolo: "Ressuscitou-O da morte, e colocou-O a Sua direita no céu, acima de todos os principados e potestades, virtudes e dominações, e de todas as dignidades que possa haver não só neste mundo, mas também no mundo futuro. Pos-Lhe aos pes todas as coisas" - Ef 1,20ss

Destas palavras inferimos que tal glória é tão própria e particular de Nosso Senhor, que não pode convir a nenhuma outra natureza criada. Eis porque o Apostolo declara em outro lugar: "A qual dos Anjos disse jamais: Senta-te a Minha direita? - Hb 1,13 . Será preciso antes de tudo observar que todos os outros mistérios se referem Ascensão como a um ponto final, que resume a perfeição e consumação de todos. Com efeito, assim como pela Encarnação do Senhor começam todos os misterios de nossa Religiao, assim tambem pela Ascensao e que termina a peregrinação de Cristo neste mundo. Confessar que Cristo subiu aos céus, e está sentado à direita de Deus Pai não existe expressao mais sublime e grandiosa, para nos dar uma ideia de Sua glória suprema e divina majestade.

Razões do porque Cristo subiu aos céus

a) Dar ao corpo uma morada gloriosa: Antes de tudo, subiu aos céus, porque o Seu Corpo, dotado de glória imortal desde a Ressurreição, já não lhe convinha esta obscura morada da terra, mas antes a elevada e esplendorosa mansão dos céus.

b)Diligenciar nossa Glorificação: E não foi só para tomar posse do trono de glória e poder, merecido pelo Seu próprio Sangue; mas também para diligenciar tudo o que diz respeito a nossa salvação.

c) Mostrar que Seu Reino não é deste mundo: Os reinos do mundo são terrenos e passageiros, apoiam-se em grandes cabedais e na força proveniente da carne. Ora, o Reino de Cristo não era terrestre, como os judeus esperavam, mas espiritual e eterno. Colocando Seu trono nos céus, o próprio Cristo demonstrou que as forças e riquezas de Seu reino eram de natureza espiritual. Neste Reino, os mais ricos e os mais providos com a abundancia de todos os bens são aqueles que [na terra] procuram com maior ardor as coisas de Deus. São Tiago, com efeito, declara que Deus escolheu os pobres neste mundo, para serem ricos na fé, e herdeiros do Reino que Deus prometeu aqueles que O amam.

d) Elevar ao céu nosso pensamento : Pela Ascensão, Nosso Senhor queria que, subindo Ele aos céus, continuassemos nós a segui-lO com saudosos pensamentos. Com efeito, pela Sua Morte e Ressurreção, deixou-nos um exemplo que nos mostra como devemos morrer e ressurgir espiritualmente. Pela Sua Ascensão também nos ensina e educa a erguermos nossa mente ao céu, enquanto vivemos ainda aqui na terra - e que aqui somos hóspedes e peregrinos a procura da verdadeira pátria.

e - Enviar-nos o Espírito Santo: A eficácia e a grandeza dos inefáveis benefícios que a bondade de Deus derramou sobre nós [por meio deste mistério], desde muito as havia vaticinado o santo profeta Davi: Subindo ao alto, arrebatou consigo os escravos e distribuiu seus dons aos homens. Neste sentido é que São Paulo interpreta esta passagem. Efetivamente, ao cabo de 10 dias, enviou Cristo o Espírito Santo, de cuja virtude e exuberância encheu a multidão de fieis ali presentes. Então é que cumpriu verdadeiramente aquela grandiosa promessa: Para vós convém que Eu me vá. Se Eu não for, não virá a vós o Consolador, mas se for, Eu vo-lO enviarei

f - Por ser nosso advogado: Pela carta aos Hebreus, vemos que Cristo tbem subiu aos céus " para Se apresentar agora ante a face de Deus em nosso favor", e exercer perante o Pai o ofício de advogado. "Filhinhos meus, diz São João, eu vos escrevo para que não venhais a pecar. No entanto, se alguem pecar. por advogado junto ao Pai, temos Jesus Cristo, o justo. Ele próprio é propiciação pelos nossos pecados" Nada pode inspirar aos fieis maior alegria e felicidade, do que verem a Jesus Cristo feito patrono de nossa causa e intercessor pela nossa salvação, ele que goza junto ao Eterno Pai de suma influencia e autoridade

g - Preparar-nos um lugar: Afinal, preparou-nos um lugar conforme havia prometido. Foi em nome de todos nós que Jesus Cristo, como nosso Chefe, entrou na posse da glória celeste. Com Sua ida para o céu, abriu as portas que se tinha fechado, em consequência do pecado de Adão. Franqueou-nos um caminho para chegarmos à celestial bem-aventurança, conforme predissera aos Discípulos na última Ceia. Para confirmar Sua presença com a realidade dos fatos, levou consigo, para a mansão da eterna bem-aventurança, as almas dos justos que tinha arrancado dos infernos.

Frutos imediatos de Sua Ascensão:

- Aumenta-nos a fé: Esta admirável abundancia de dons celestes vem acompanhada de uma valiosa série de frutos e vantagens. Primeiramente o mérito de nossa fé cresce até o último grau, porquanto a fé se refere a coisas que são inacessíveis à nossa vista e que ficam fora de alcance para nosa razão e inteligencia. Portanto, se o Senhor Se não se apartara de nós, diminuir-se-ia o mérito de nossa fé; pois Ele próprio exalta como bem aventurado " os que não viram, mas creram"

- Confirma-nos a esperança: Ademais, a subida de Cristo aos céus tem a grande força de confirmar a esperança que se aninha em nossos corações. Crendo que Cristo subiu aos céus, enquanto Homem e colocou [Sua] natureza humana a direita de Deus Pai, grande é a nossa esperança de que também nós para lá havemos de subir, como membros Seus, e de unir-nos [a Ele] como nossa cabeça. Foi o que Nosso Senhor asseverou pessoalmente: Pai, quero que, onde Eu estou, estejam comigo também aqueles, que Vos me destes

Espiritualiza nosso amor: Além disso, um dos maiores benefícios que auferimos [da Ascensão], foi o de Cristo arrebatar consigo para o céu o nosso amor, e de abrasa-lo no Espírito de Deus. É uma grande verdade o que se disse: Nosso coração está onde estiver o nosso tesouro

E tira-lhe o caráter terreno: Realmente, permanecesse Jesus Cristo conosco na terra, todas as nossas considerações se concentrariam em Seu porte e trato humano. Nele veriamos apenas um homem, que nos cumulou de assinalados beneficios, e por Ele teríamos certa afeição natural e terrena. No entanto, pelo fato de ter subido aos céus, [Cristo] espiritualizou nosso amor; fez-nos amar e venerar, como Deus, Aquele que sabemos estar ausente [com Sua humanidade].

Nós o verificamos no exemplo dos Apóstolos. Enquanto o Senhor estava no meio deles, parecia que O consideravam por um prisma muito humano. De outro lado, o proprio Senhor no-lo afirma com Sua palavra: Para vós é bom que Eu vá. Aquele amor perfeito com que [os Apostolos] amavam a Jesus Cristo humanamente presente, devia ser aperfeiçoado pelo amor divino, e por sinal a vinda do Espinto Santo. Razão porque Cristo logo acrescentou: Se Eu nao me ausentar, nao virá a vós o Consolador"

Dilata a sua Igreja: Acresce que assim Nosso Senhor dilatou Sua casa na terra, que é a Igreja, cujo governo devia ser dirigido pela virtude e assistência do Espírito Santo. Como pastor e chefe supremo de toda a Igreja deixou entre os homens a Pedro, o Príncipe dos Apóstolos. Além disso, a uns constituiu "Apóstolos, a outros profetas, a outros evangelistas, a outros pastores e mestres". E sentado que está à direita do Pai, não cessa de distribuir, a uns e a outros, os dons que Ihes convém a eles, como diz o Apóstolo: A cada um de nos foi dada a graça, segundo a medida com que Cristo a distribuiu

Nossa perfeita salvação, nós a devemos aos sofrimentos de Cristo; e Seus méritos patentearam aos justos a entrada para o céu. Fora isso, a Ascenção de Cristo se nos apresenta como um modelo, que nos ensina a olhar para o alto e transportar-nos ao céu em espírito. Ela Também nos dá uma força divina, que nos põe em condições de faze-lo

Fonte: Catecismo Romano - Pags 140 - 145


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Para a menina Unwin. Acerca do objectivo da vida


 20 Maio 1969

Cartas de Tolkien




"Lamento o atraso da minha resposta. Espero que chegue a tempo. Que grande pergunta! Acho que as «opiniões», sejam de quem forem, não servem de muito sem uma explicação da forma como se formaram, mas, nesta questão, não é fácil ser breve.

 O que significa realmente a pergunta? É preciso definir Objectivo e Vida. É uma pergunta puramente humana e moral ou refere-se ao Universo? Pode querer dizer: Como devo tentar utilizar o tempo de vida que me é dado? OU: Que objectivo/desígnio servem os seres vivos ao viverem? No entanto, a resposta à primeira pergunta só será possível após considerarmos a segunda.

 Parece-me que as perguntas sobre o «objectivo» só são realmente úteis quando se referem aos objectivos ou objectos conscientes dos seres humanos ou às utilizações das coisas por eles concebidos e criados. Quanto às «outras coisas», o seu valor reside nelas próprias: elas SÃO, existiriam mesmo que nós não existíssemos. Mas, uma vez que existimos, uma das suas funções é serem contempladas por nós.

Se subirmos a escala da existência até «outras coisas vivas», como, por exemplo, uma pequena planta, esta apresenta forma e organização: um «padrão» reconhecível (com variações) nos seus parentes e descendentes, e isso é profundamente interessante, pois essas são «outras» coisas e não fomos nós que as fizemos. Parecem derivar de uma fonte de invenção incrivelmente mais rica do que a nossa.

 A curiosidade humana em breve coloca a questão COMO: como foi que isto passou a existir? E uma vez que o «padrão» reconhecível sugere o desígnio, pode passar a colocar a questão PORQUÊ? Mas o PORQUÊ, neste sentido, pode apenas referir-se a uma MENTE. Apenas uma Mente pode ter objectivos em qualquer sentido ou relacionados com os objectivos humanos. Por isso, a pergunta «Porque é que a vida, a comunidade de seres vivos, apareceu no Universo físico?» introduz imediatamente a pergunta: será que existe um Deus, um Criador/Designer, uma Mente com que as nossas mentes sejam aparentadas (tendo origem nela) de modo a tornar-se, em parte, inteligível?

 Chegamos, assim, à religião e às ideias morais que dela derivam. Quanto a isso, direi apenas que as «morais» têm duas faces, devido ao facto de sermos indivíduos (como, em certo grau, todos os seres vivos), mas não vivermos, nem podermos viver, em isolamento, e de termos uma ligação com todas as outras coisas, mais próxima da ligação absoluta à nossa própria espécie humana. Assim, as morais deverão ser um guia para os nossos objectivos humanos, para a conduta das nossas vidas: (a) a forma como os nossos talentos individuais podem ser desenvolvidos sem que os desperdicemos ou façamos mau uso deles; e (b) sem prejudicar os outros membros da nossa espécie ou interferir com o seu desenvolvimento. (Para além e acima de tudo isto, encontra-se o sacrifício pessoal por amor).

 Mas estas são apenas respostas à pergunta menor. Para a maior, não existe resposta, pois essa exige um conhecimento completo de Deus, o que é inatingível. Se perguntarmos porque é que Deus nos incluiu no seu Desígnio, só poderemos responder: porque sim. Se não acreditarmos num Deus pessoal, não será possível perguntar nem responder à pergunta: «Qual é o objectivo da vida?". A quê ou a quem dirigiríamos a pergunta?

Mas, uma vez que num estranho canto (ou estranhos cantos) do Universo, as coisas se desenvolveram com mentes que fazem perguntas e tentam dar-lhes resposta, poderia dirigir-lhe uma destas peculiares questões. Se eu fosse uma dessas mentes, poderia ousar dizer (falando com absurda arrogância pelo Universo): «Sou como sou. Não há nada a fazer. Podem continuar a tentar descobrir o que sou, mas nunca conseguirão. E não sei porque querem saber. Talvez o desejo de saber apenas por saber esteja relacionado com as orações que alguns de voz dirigem àquele a quem chamam Deus. Nos seus momentos mais elevados, estas parecem simplesmente louvá-Lo por existir, tal como é, e por ter feito aquilo que faz tal como o fez.»

 Aqueles que acreditam num Deus, num Criador pessoal, não pensam que o próprio Universo é digno de ser louvado, embora estudá-lo aplicadamente possa ser uma das formas de O honrar. E se, como criaturas vivas, fazemos parte dele, as nossas ideias sobre Deus e as nossas formas de as expressarmos serão, em larga medida, extraídas da contemplação do mundo que nos rodeia. (Embora exista também uma revelação dirigida simultaneamente a todos os homens e a cada pessoa em particular). Assim, pode-se dizer que o principal objectivo da vida, para cada um de nós, é aumentar, de acordo com a nossa capacidade, o nosso conhecimento de Deus, recorrendo a todos os meios de que dispomos para que esse conhecimento nos conduza a orar e a dar graças.

Fazer o que dizemos em Gloria in Excelsis: Laudamus te, benedicamus te, adoramus te, gloroficamus te, gratias agimus tibi propter magnam gloriam tuam. Louvamos-te, chamamos-te santo, adoramos-te, proclamamos a tua glória, agradecemos a grandiosidade do teu esplendor. E, em momentos de exaltação, podemos apelar a todas as coisas criadas para que se juntem ao nosso coro, dando-lhes voz, como no Salmo 148 e no Cântico das Três Crianças em Daniel 2: LOUVAI O SENHOR [...] todas as montanhas e montes, pomares e florestas, coisas rastejantes e aves que voam. Isto é demasiado longo, e também demasiado curto, para responder a tal questão" Com os melhores cumprimentos, J. R. R. Tolkien.(grifos meus)

Fonte: Portal Tolkienianos

( Esta carta foi traduzida por Ana Margarida Pereira Marcos e cedida por Mellon-fa)