quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A Bíblia mal compreendida


Por Lúcio Navarro.



Será possível que o Evangelho nos ensine esta doutrina tão ilógica de que as boas obras, o nosso modo de proceder não influem na salvação da nossa alma? É claro que não.  Se os protestantes vivem a ensinar isto e julgam ver nas páginas da Sagrada Escritura uma doutrina tão estranha, é porque eles não entendem certas passagens da Bíblia. Esta é que é a verdade.

E não fiquem de cara amuada os protestantes, não se mostrem ofendidos eonosco, pelo fato de dizermos que eles não entendem certos versículos da Bíblia. A Bíblia tem de fato muitas coisas difíceis de entender, é  ela própria quem o diz, falando a respeito das epístolas de S. Paulo, conforme II Pedro III, 16.

E verá o leitor que é justamente nas epístolas de S. PauÌo, com especialidade, que os protestantes se atrapalham e se confundem, querendo  ver aí uma teoria sobre a salvação que o próprio Paulo nunca ensinou.

Não há nenhuma desonra em não entender a Bíblia, que tem como Autor a Deus, cuja inteligência é infinita. Desonra e crime há, sim. em não entendê-la e ao mesmo tempo meter-se a doutrinador desastrado, apresentando uns textos e desprezando outros, blasfemando daquilo que ignora e incutindo no povo uma doutrina que não passa de uma caricatura da legítima doutrina do EvangeÌho.

Deus nos podia ter deixado uma Bíblia sempre clara e fácil de entender. Por que quis que ela fosse tão obscura e tão difícil em certos pontos? Foi para que ninguém se arvorasse em forjador de doutrinas, quando Deus deixou também aqui na terra a sua Igreja encarregada de ensinar a doutrina da verdade. É portanto, que procuremos, primeiro que tudo, conhecer,  em suas linhas gerais, a doutrina da Igreja sobre a salvação.

Depois veremos como foi que surgiu no século XVI a teoria da salvação pela fé sem as obras. E será interessante ver como foi urn homem que procurou arrancar do Evangelho uma doutrina Muito cômoda, de acordo com os seus interesses pessoais; e depois muitos outros ficaram viciados nesta história de salvação baratíssima.

Finalmente analisaremos os textos apresentados pelos protestantes, com os quais pretendem provar a sua tese de salvação pela fé sem as obras e veremos como todos êles se baseiam numa interpretação errônea, seja porque não tomam a fé no mesmo sentido em que a tomam as Escrituras, seja porque não percebem o verdadeiro mecanismo da salvação, no qual a graça de Deus exerce um papel muito importante, sem excluir, no entanto, a necessária cooperação humana.

Fonte: A Legítima Interpretação da Bíblia

Mais do Estudo AQUI

Depois veremos: A Doutrina Católica sobre  a Salvação

Cardeal Ratzinger e a Teologia da Libertação

domingo, 23 de setembro de 2012

Sem sacrifícios?



Por Tihámer Toth




"Tudo isto, concordo, é admiravelmente belo. E também eu quero possuir um carater forte. Levar uma vida ideal é exatamente o meu desejo. Mas... não poderia encontrar-se um meio mais fácil de lá chegar? Não haverá, positivamente, outros meios? Não poderá obter-se um carater irrepreensível, mais comodamente - sem sacrifícios?

- Não, meu amigo. Neste ponto, é impossível tergiversar. "Aquele que quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" - disse Jesus Cristo. Quem quiser estar junto dEle no reino dos Céus, não pode mais abandoná-LO no caminho pedregoso do Calvário.

De mais, dize-me, meu filho, que é que se dá gratuitamente neste mundo em que vivemos? Nada, absolutamente nada. Olha como os homens se afadigam noite e dia no trabalho, a quantas canseiras se sujeitam para adquirir os bens efêmeros da vida terrestre! Como querias então procurar-te este tesouro incomparável - um bom caráter - sem lhe pagar o preço?

"Oh! como ele é feliz!" - suspira tu, talvez, ao veres um amigo teu divertir-se. "Como deve ser bom viver assim à vontade, distrair-se a seu belo prazer!".

Como te iludes, meu filho, como te enganas! Se pudesses penetrar naquele coração que nada mais faz que sonhar com os gozos da terra, que julgas tu verias lá? - "Alegria e contentamento" - dirás. Ah! não. Não encontrarias lá mais que um grande vazio e um sorriso forçado.

Razão tem a Sagrada Escritura para dizer: "O ímpio assemelha-se ao mar em tempestade" (Is. XXVII, 20). O ímpio é fustigado pela tempestade das paixões, e, quando a tempestade amaina um pouco, balouça-se num sonho amargo.

Ouve o parecer do grande filósofo inglês John Stuart Mill: "Não se pode esperar de um homem que nunca se recusa uma coisa permitida, que ele renuncie a todas as coisas proibidas. Tempo virá, disso não tenho dúvida, em que as crianças e os jovens serão levados ao ascetismo e à abnegação, e em que lhes será ensinado, como nos tempos antigos, a renunciar aos seus desejos, a fazer frente aos perigos, e a impor-se sofrimentos voluntários". É por este mesmo motivo que o Catolicismo prescreve a abnegação, o ascetismo e a formação da vontade.

"Ascetismo?... Brrr!..." - pensarás talvez, porque te repetiram muitas vezes que, para praticar o ascetismo, era necessário martirizar-se a si próprio, renunciar a todos os prazeres e a todas as alegrias da vida.

Ora atende um pouco: o significado original da palavra grega de que esta expressão deriva é este: "trabalho delicado, minucioso" - e os gregos queriam significar com isto o treino e a sobriedade a que se sujeitavam os concorrentes que se preparavam para a luta a fim de porem em ação, chegado o dia próprio, o máximo das forças latentes dos seus corpos.

Também o caráter é o resultado de muitas lutas e de um longo treino. Jamais conseguiremos fazer "trabalho delicado" em nós mesmos, se não nos exercitamos nisso, e são precisamente exercícios de abnegação que a nossa religião santa nos prescreve para nos ajudar na formação do caráter.

Todos os grandes triunfos terrestres exigem renúncia e sacrifícios. - E tu querias obter o maior dos triunfos - a nobreza de caráter - assentado sobre fofa almofada!

Bem sabes, meu filho, que, se alguém quiser preparar-se para um concurso, o seu treino deve incidir sobre dois pontos bem diferentes. De um lado, deve exercitar diariamente os músculos. Suponhamos que se trata de um concurso de remadores. O concorrente levanta-se cedo e dirige-se a pé para o porto da associação. Salta para o barquinho e põe-se a remar. Três horas depois, regressa, todo banhado em suor, tostado do sol, a cair de fadiga. No dia seguinte recomeça, no outro dia também, e isto durante semanas, meses.

- Por outro lado, vive também o mais sobriamente possível, e priva-se dos prazeres que amolecem. Tem cuidado com a alimentação, para não aumentar de peso, abstém-se de fumar; do álcool também e por maioria de razão. Deita-se cedo e sempre à mesma hora, etc. Para que todas estas renúncias?

Por uma medalhinha de prata, pela gloria de chegar primeiro... - E parece-te a luta demasiado dura quando se trata de ganhar um caráter!

Repara ainda no que vou dizer-te:

Na vida toda a gente faz sacrifícios - este por uma coisa, aquele por outra. Olha o avaro: priva-se de todo o bem-estar e impõe-se uma vida de miséria. Come mal e só usa roupas velhas e quase rasgadas. Nunca passeia, para não gastar os sapatos. Refreia os mais pequenos e legítimos desejos. Vive sem alegrias e sem amigos. E para que tudo isto? Para amontoar riquezas. O avaro sacrifica a sua personalidade, a sua dignidade, mesmo a própria honra, ao dinheiro. São privações de mais, não é verdade?... - E objetivos cem vezes mais elevados e mais sublimes não mereceriam também alguns sacrifícios?

Sim, o avaro afadiga-se, dia e noite, sem pausa nem descanso, para adquirir uma fortuna - a maior fortuna possível. O vaidoso está pronto para arriscar a vida para granjear um nome. O jovem, em busca de prazeres, sacrifica o sono para correr de baile em baile; sua e agita-se noites seguidas... - Fariam eles metade que fosse de todos estes incômodos para ajudar o próximo?

"Um Santo e um malfeitor escondem-se em todo ser humano" - dizia Lacordaire, grande orador francês. O malfeitor, em ti, meu filho, não tem necessidade de ser bem tratado - cresce por si. Mas é-te necessário um treino perpétuo e, por vezes, penoso para assegurar o reino do Santo na tua alma.

Isto, com efeito, não pode fazer-se sem luta. O escultor que quiser produzir uma obra-prima tem de trabalhar o mármore bruto com indizível paciência; - aquele que quiser tornar a sua alma perfeita deve trabalhá-la do mesmo modo. Uma estátua perfeita exige tempo e trabalho árduo, devendo o artista ter sempre o ideal diante dos olhos. Quanto mais não exige o caráter! Aconselho-te, meu filho, que adotes a máxima de Carlos V: "Plus! Ultra!". Mais! Mais além!

Quando perguntaram a Zeuxis porque trabalhava os seus quadros com tanta minúcia, respondeu: "porque trabalho para a eternidade!" É exatamente, meu filho, o que tu deves fazer. Deves trabalhar para a eternidade. Poderia um tal trabalho ser pago demasiadamente caro?
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*Extaído do livro: TOHT, Tihámer. O jovem de caráter. [S.L]: Coimbra, 1963

sábado, 22 de setembro de 2012

Padre Pio de Pietrelcina






«Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gál 6, 14).

Tal como o apóstolo Paulo, o Padre Pio de Pietrelcina colocou, no vértice da sua vida e do seu apostolado, a Cruz do seu Senhor como sua força, sabedoria e glória. Abrasado de amor por Jesus Cristo, com Ele se configurou imolando-se pela salvação do mundo. Foi tão generoso e perfeito no seguimento e imitação de Cristo Crucificado, que poderia ter dito: «Estou crucificado com Cristo; já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gál 2, 19). E os tesouros de graça que Deus lhe concedera com singular abundância, dispensou-os ele incessantemente com o seu ministério, servindo os homens e mulheres que a ele acorriam em número sempre maior e gerando uma multidão de filhos e filhas espirituais.

Este digníssimo seguidor de S. Francisco de Assis nasceu no dia 25 de Maio de 1887 em Pietrelcina, na arquidiocese de Benevento, filho de Grazio Forgione e de Maria Giuseppa de Nunzio. Foi baptizado no dia seguinte, recebendo o nome de Francisco. Recebeu o sacramento do Crisma e a Primeira Comunhão, quando tinha 12 anos.

Aos 16 anos, no dia 6 de Janeiro de 1903, entrou no noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, em Morcone, tendo aí vestido o hábito franciscano no dia 22 do mesmo mês, e ficou a chamar-se Frei Pio. Terminado o ano de noviciado, fez a profissão dos votos simples e, no dia 27 de Janeiro de 1907, a dos votos solenes.

Depois da Ordenação Sacerdotal, recebida no dia 10 de Agosto de 1910 em Benevento, precisou de ficar com sua família até 1916, por motivos de saúde. Em Setembro desse ano de 1916, foi mandado para o convento de São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até à morte.

Abrasado pelo amor de Deus e do próximo, o Padre Pio viveu em plenitude a vocação de contribuir para a redenção do homem, segundo a missão especial que caracterizou toda a sua vida e que ele cumpriu através da direcção espiritual dos fiéis, da reconciliação sacramental dos penitentes e da celebração da Eucaristia. O momento mais alto da sua actividade apostólica era aquele em que celebrava a Santa Missa. Os fiéis, que nela participavam, pressentiam o ponto mais alto e a plenitude da sua espiritualidade.

No campo da caridade social, esforçou-se por aliviar os sofrimentos e misérias de tantas famílias, principalmente com a fundação da «Casa Sollievo della Sofferenza» (Casa Alívio do Sofrimento), que foi inaugurada no dia 5 de Maio de 1956.

Para o Padre Pio, a fé era a vida: tudo desejava e tudo fazia à luz da fé. Empenhou-se assiduamente na oração. Passava o dia e grande parte da noite em colóquio com Deus. Dizia: «Nos livros, procuramos Deus; na oração, encontramo-Lo. A oração é a chave que abre o coração de Deus». A fé levou-o a aceitar sempre a vontade misteriosa de Deus.

Viveu imerso nas realidades sobrenaturais. Não só era o homem da esperança e da confiança total em Deus, mas, com as palavras e o exemplo, infundia estas virtudes em todos aqueles que se aproximavam dele.O amor de Deus inundava-o, saciando todos os seus anseios; a caridade era o princípio inspirador do seu dia: amar a Deus e fazê-Lo amar. A sua particular preocupação: crescer e fazer crescer na caridade.

A máxima expressão da sua caridade para com o próximo, ve-mo-la no acolhimento prestado por ele, durante mais de 50 anos, às inúmeras pessoas que acorriam ao seu ministério e ao seu confessionário, ao seu conselho e ao seu conforto. Parecia um assédio: procuravam-no na igreja, na sacristia, no convento. E ele prestava-se a todos, fazendo renascer a fé, espalhando a graça, iluminando. Mas, sobretudo nos pobres, atribulados e doentes, ele via a imagem de Cristo e a eles se entregava de modo especial.

Exerceu de modo exemplar a virtude da prudência; agia e aconselhava à luz de Deus.

O seu interesse era a glória de Deus e o bem das almas. A todos tratou com justiça, com lealdade e grande respeito.

Nele refulgiu a virtude da fortaleza. Bem cedo compreendeu que o seu caminho haveria de ser o da Cruz, e logo o aceitou com coragem e por amor. Durante muitos anos, experimentou os sofrimentos da alma. Ao longo de vários anos suportou, com serenidade admirável, as dores das suas chagas.

Quando o seu serviço sacerdotal esteve submetido a investigações, sofreu muito, mas aceitou tudo com profunda humildade e resignação. Frente a acusações injustificáveis e calúnias, permaneceu calado, sempre confiando no julgamento de Deus, dos seus superiores directos e de sua própria consciência.

Recorreu habitualmente à mortificação para conseguir a virtude da temperança, conforme o estilo franciscano. Era temperante na mentalidade e no modo de viver.

Consciente dos compromissos assumidos com a vida consagrada, observou com generosidade os votos professados. Foi obediente em tudo às ordens dos seus Superiores, mesmo quando eram gravosas. A sua obediência era sobrenatural na intenção, universal na extensão e integral no cumprimento. Exercitou o espírito de pobreza, com total desapego de si próprio, dos bens terrenos, das comodidades e das honrarias. Sempre teve uma grande predilecção pela virtude da castidade. O seu comportamento era, em todo o lado e para com todos, modesto.

Considerava-se sinceramente inútil, indigno dos dons de Deus, cheio de misérias e ao mesmo tempo de favores divinos. No meio de tanta admiração do mundo, ele repetia: «Quero ser apenas um pobre frade que reza».

Desde a juventude, a sua saúde não foi muito brilhante e, sobretudo nos últimos anos da sua vida, declinou rapidamente. A irmã morte levou-o, preparado e sereno, no dia 23 de Setembro de 1968; tinha ele 81 anos de idade. O seu funeral caracterizou-se por uma afluência absolutamente extraordinária de gente.

No dia 20 de Fevereiro de 1971, apenas três anos depois da morte do Padre Pio, Paulo VI, dirigindo-se aos Superiores da Ordem dos Capuchinhos, disse dele: «Olhai a fama que alcançou, quantos devotos do mundo inteiro se reúnem ao seu redor! Mas porquê? Por ser talvez um filósofo? Por ser um sábio? Por ter muitos meios à sua disposição? Não! Porque celebrava a Missa humildemente, confessava de manhã até à noite e era – como dizê-lo?! – a imagem impressa dos estigmas de Nosso Senhor. Era um homem de oração e de sofrimento».

Já gozava de larga fama de santidade durante a sua vida, devido às suas virtudes, ao seu espírito de oração, de sacrifício e de dedicação total ao bem das almas.

Nos anos que se seguiram à sua morte, a fama de santidade e de milagres foi crescendo cada vez mais, tornando-se um fenómeno eclesial, espalhado por todo o mundo e em todas as categorias de pessoas.

Assim Deus manifestava à Igreja a vontade de glorificar na terra o seu Servo fiel. Não tinha ainda passado muito tempo quando a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos empreendeu os passos previstos na lei canónica para dar início à Causa de beatificação e canonização. Depois de tudo examinado, como manda o Motu proprio «Sanctitas Clarior», a Santa Sé concedeu o nihil obstat no dia 29 de Novembro de 1982. O Arcebispo de Manfredónia pôde assim proceder à introdução da Causa e à celebração do processo de averiguação (1983-1990). No dia 7 de Dezembro de 1990, a Congregação das Causas dos Santos reconheceu a sua validade jurídica. Ultimada a Positio, discutiu-se, como é costume, se o Servo de Deus tinha exercitado as virtudes em grau heróico. No dia 13 de Junho de 1997, realizou-se o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos, com resultado positivo. Na Sessão Ordinária de 21 de Outubro seguinte, tendo como Ponente da Causa o Ex.mo e Rev.mo D. Andrea Maria Erba, Bispo de Velletri-Segni, os Cardeais e Bispos reconheceram que o Padre Pio de Pietrelcina exercitou em grau heróico as virtudes teologais, cardeais e anexas.

No dia 18 de Dezembro de 1997, na presença do Papa João Paulo II foi promulgado o Decreto sobre a heroicidade das virtudes. Para a beatificação do Padre Pio, a Postulação apresentou ao Dicastério competente a cura da senhora Consiglia de Martino, de Salerno. Sobre o caso desenrolou-se o Processo canónico regular no Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Salerno-Campanha-Acerno, desde Julho de 1996 até Junho de 1997. Na Congregação das Causas dos Santos, realizou-se, no dia 30 de Abril de 1998, o exame da Consulta Médica e, no dia 22 de Junho do mesmo ano, o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos. No dia 20 de Outubro seguinte, reuniu-se no Vaticano a Congregação Ordinária dos Cardeais e Bispos, membros do Dicastério, e, no dia 21 de Dezembro de 1998, foi promulgado, na presença do Papa João Paulo II, o Decreto sobre o milagre.

No dia 2 de Maio de 1999, durante uma solene Celebração Eucarística na Praça de São Pedro, Sua Santidade João Paulo II, com sua autoridade apostólica, declarou Beato o Venerável Servo de Deus Pio de Pietrelcina, estabelecendo no dia 23 de Setembro a data da sua festa litúrgica.

Para a canonização do Beato Pio de Pietrelcina, a Postulação apresentou ao competente Dicastério o restabelecimento do pequeno Matteo Pio Collela de São Giovanni Rotondo. Sobre este caso foi elaborado um processo canónico no Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Manfredonia-Vieste, que decorren de 11 de Junho a 17 de Outubro de 2000. No dia 23 de Outubro de 2000, a documentação foi entregue à Congregação das Causas dos Santos. No dia 22 de Novembro de 2001 é aprovado, na Congregação das Causas dos Santos, o exame da Consulta Médica. No dia 11 de Dezembro de 2001, é julgado pelo Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos e, no dia 18 do mesmo mês, pela Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos. No dia 20 de Dezembro, na presença do Papa João Paulo II, foi promulgado o Decreto sobre o milagre; no dia 26 de Fevereiro de 2002, foi publicado o Decreto sobre a sua canonização.





Fonte: AQUI

A Adoração dos Magos - Iconografia Cristã


 Nos diz o Santo Padre o Papa Bento XVI a respeito da iconografia cristã:

" A iconografia cristã é riquíssima e vasta. A partir da secular tradição conciliar, aprendemos que também a imagem é pregação evangélica. Os artistas de todos os tempos ofereceram à contemplação e à admiração dos fiéis os fatos salientes do mistério da salvação, apresentando-os no esplendor da cor e na perfeição da beleza. Isso é um indício de como hoje, mais que nunca, na civilização da imagem, a imagem sagrada pode exprimir muito mais que a própria palavra, uma vez que é muito eficaz o seu dinamismo de comunicação e de transmissão da mensagem evangélica"  (Introdução - Compendio do Catecismo)

Obra de Gentile da Fabriano - (1423) - Galeria Uffizi, Florença.

                                     

" Esta esplêndida obra-prima da Adoração dos Magos (cf. Mt 2,1-12) representa a revelação de Jesus a todos os povos. A Encarnação é um dom não somente à fé de Maria, de José , das mulheres, dos pastores, da gente simples do povo de israel, mas também à fé desses estrangeiros vindos do Oriente para adorar o recém-nascido Messias e apresentar-lhe os seus dons: " Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e olhes ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra" ( Mt 2,11).

Os magos constituem as primícias dos povos chamados à fé, que se aproximaram de Jesus com as mãos vazias, mas com as riquezas das suas terras e das suas culturas.

O Evangelho de Jesus é a palavra salvífica para toda humanidade. Dizia São Leão Magno: " Todos os povos, representados pelos três magos, adorem o Criador do universo, e Deus seja conhecido não só na Igreja, mas em toda a terra, para que em todo o Israel seja grande o seu nome (cf. Sl 75,2)" (Sermão 3 para a Epifania)

Fonte: Compendio do Catecismo da Igreja Católica


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O Inicio da expansão - Quem é o sucessor de Pedro?

Por Georges Suffert


" Os documentos, desconfia-se, são extremamente raros. Apenas dois nomes que Irineu (século II) amavelmente menciona sem comentários: Lino [67-79 (?)] e Cleto [79-90 (?)].

Eles teriam dirigido a comunidade de Roma nesse período. Ou seja, por mais de vinte anos.
Só por volta do ano 100 é que vai surgir um personagem - o papa Clemente - que parece ter a constituição de um responsável. Clemente é conhecido pela epístola que dirige aos coríntios. Nessa carta, ele descreve com detalhes a comunidade de Roma, que compreende epíscopos e diáconos (os primeiros se tornarão bispos, os segundo "fiscais" e "intendentes"). Ele, Clemente, é o chefe de duas hierarquias paralelas. Menciona os martírios de Pedro e Paulo. Parece tê-los conhecido no início de sua conversão. Evita dar qualquer recomendação que seja. Apenas participa sua experiência. Evidentemente, é um papa preciso e modesto.



É preciso então esclarecer o significado do termo papa nesse início do século II.

O que é uma comunidade cristã em 100 d.C.? É, bem entendido, um grupo de mulheres e homens dispersos no seio de uma cidade. Em lugar nenhum a evangelização começou pelo campo. Entre os cristãos, há artesãos, comerciantes, pescadores, aos quais deve-se acrescentar funcionários, às vezes oficiais, e com freqüência o que chamaríamos de notáveis.

Na maioria dos casos, a assembléia reúne-se pelo menos uma vez por semana. Muitas vezes, na noite de sábado para domingo. O bispo preside a cerimônia religiosa. Trata-se de orar junto e compartilhar o pão e o vinho. Obviamente, é a missa começando a se desenhar sob nossos olhos. Porém, só muio tempo depois ela encontrará sua forma atual. Muitas vezes foi escrito que essas reuniões, em Roma, realizavam-se nas catacumbas (ad catacumbas - Literalmente: "perto da comba ou da ravina").

De fato, tratava-se de cemitérios subterrâneos usados como locais de culto, mas cuja existência nada tinha de secreta. A polícia os conhecia e os invadia com freqüência. Essas reuniões nas catacumbas foram bastante raras. Em tempos normais, a cerimônia era realizada na sala comum da casa de um dos cristãos. Isto é que faz as vezes de igreja. Ainda levará muitos anos para que elas comecem a desenhar o território do que será a cristandade.

Não conhecemos todos os detalhes da cerimônia. Um texto de Justino - um filósofo pagão que se converteu e morreu como mártir, decapitado em 165 - nos dá algumas indicações. Justino redige suas Apologias (justificativas) por volta de 150. Mas o que ele descreve é muito antigo.

Primeira certeza: lemos as memórias dos apóstolos. Porém, elas ainda não constituem um conjunto fixo. Parece que assistimos ao nascimento da forma pública dos Evangelhos. Essas leituras são um momento privilegiado, já que narram para a assembléia os sermões relativos aos atos de Jesus.

Segunda certeza: recitam-se os "escritos dos profetas". Justino não diz de que textos se trata. Mas devem ser as epístolas de Paulo e de Pedro que são lidas para os participantes. Naturalmente, é preciso acrescentar alguns textos selecionados do Antigo Testamento. Não estamos muito longe da divisão atual das leituras. Os fiéis ouvirão em seguida a homilia. Depois rezarão em conjunto por esta ou aquela intenção dita em voz alta. Trocarão o beijo da paz; finalmente receberão o pão e o vinho consagrados.

A invenção do que será a missa então é antiga

Observe-se que hoje já desapareceu uma prática da qual nada resta, e que tinha lugar antes do início da cerimônia propriamente dita: a confissão coletiva. Sem dúvida uma herança judaica, levou muito tempo para desaparecer. Foi necessário reconhecer o sacramento da penitência e, especificamente, a confissão individual. Esperaremos muitos séculos"

Fonte: Tu és Pedro

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

28 - A Resposta Católica: Pedro e o Primado Papal

A Segunda Besta


 Por Scott Hahn



Esta besta vem da terra e tem chifres como um cordeiro. A imagem do cordeiro é dissonante, já que a esta altura já nos acostumamos a associá-la com coisas sagradas. Scott crê que o uso dela por meio de João é intencional, pois ele acha que essa besta tem a finalidade de sugerir o sacerdócio corrupto na Jerusalém do séc.I.

O primeiro indício é que esta besta sobe "da terra", que no grego original também poderia significar "do solo" ou "do campo", em oposição a "do mar", que gera os animais dos pagãos (veja Dn 7). Além disso, é provável que João desse testemunho da transigência da autoridade sacerdotal, ocorrida apenas alguns anos antes. Em um momento histórico dramático, a autoridade religiosa jurou fidelidade à autoridade governamental corrupta, em vez de jurá-la a Deus.

Jesus, o Cordeiro de Deus, Rei supremo e sumo sacerdote, ficou em pé diante de Pilatos e dos sumos sacerdotes dos judeus. Pilatos disse aos judeus: "Eis o vosso rei!"Eles se puseram a gritar: "À morte! À morte! Crucifica-o!" Pilatos replicou: "Devo eu crucificar o vosso rei?" Os sumos sacerdotes responderam: "Nós não temos outro rei, senão César" (veja Jo 19,15).

Na verdade, foi o sumo sacerdote em pessoa, Caifás, quem primeiro falou do sacrifício de Jesus como "do interesse" do povo (veja Jo 11,47-52). Assim, rejeitaram Cristo e elevaram César. Rejeitaram o Cordeiro e adoraram a besta. Com certeza, César era o governante e, como tal, merecia respeito (Veja Lc 20,21-25). Mas César queria mais que respeito. Exigia adoração sacrifical, que os sumos sacerdotes lhe concederam ao entregar-lhe o Cordeiro de Deus.

A besta se parece com um cordeiro em alguns aspectos superficiais. Vemos que tudo que faz é arremedo e zombaria da obra salvífica do Cordeiro. O Cordeiro está de pé como se tivesse sido imolado; a besta recebe um ferimento mortal, mas se recupera. Deus entroniza o Cordeiro; o dragão entroniza a besta. Os que adoram o Cordeiro recebem seu selo na fronte (Ap 7,2-4); os que adoram a besta usam a marca da besta.

O que nos leva à difícil pergunta: qual é a marca da besta?

João nos diz que é o nome da besta, ou o número de seu nome. O que é isso? João responde com uma charada: "È o momento de ter discernimento. Quem tiver inteligência, interprete o número da besta, pois é um número de homem. E o seu número é 666" (Ap 13,18).

Em um nível, talvez o número represente o imperador romano Nero, pois esse nome transliterado em hebraico tem, na verdade, o valor 666. Contudo, há muitas outras possibilidades, diferentes ou adicionais. Considere que 666 era o número de talentos de ouro que o rei Salomão recebia anualmente das nações (veja IRs 10). Considere também que Salomão foi o primeiro sacerdote-rei desde Melquisedec (veja Sl 110). Além disso, João diz que no discernimento do número da besta " está a sabedoria" (Ap 13,18 nota), o que alguns intérpretes entenderam como outra referencia a Salomão, célebre por sua sabedoria.

Por fim, 666 pode ser interpretado como degradação do número sete, que, na tradição israelita, representava perfeição, santidade e aliança. O sétimo dia, por ex., foi declarado santo por Deus e destacado para descanso e adoração. O trabalho era feito em seis dias, entretanto, era santificado na adoração sacrifical representada pelo sétimo dia.

O número 666, então, representa um homem paralizado no sexto dia, servindo à besta, que se preocupa em comprar e vender (veja Ap 13,17) sem descanso para a adoração. Embora o trabalho seja santo, torna-se mau quando o homem se recusa a oferecê-lo a Deus.

Contudo, precisamos ser claros quanto a uma coisa. Essa interpretação não deve levar nenhum cristão a justificar o anti-semitismo. O livro do Apocalípse demontra de maneira completa dignidade de Israel - seu Templo, seus profetas, suas alianças.

O Apocalípse deve, antes, levar-nos a um maior apreço por nosso patrimônio em Israel - a uma consideração sansata de nossa responsabilidade diante de Deus. Vivemos conforme nossa aliança com Deus? somos fiéis a nosso sacerdócio? O livro representa uma advertencia a todos nós.

A mensagem incômoda é esta: combatemos forças espirituais, forças imensas, depravadas, malévolas. Se tivéssemos de combate-las sozinho, seríamos derrotados. Mas eis a boa notícia: há um jeito de termos esperança de vencer. A solução tem de medir forças com o problema, poder espiritual com poder espiritual, beleza imensa com feiúra imensa, santidade com depravação, amor com malevolência.

A solução é a MISSA, quando o céu vem salvar a terra sitiada

Fonte: O Banquete do Cordeiro

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Depois veremos: Anjos