A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Creio no Espírito Santo
Sentido e importancia do Artigo
1. Necessidade do conhecer o Esplrito Santo
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O Apóstolo não tolerou que alguns dos Efesios ignorassem a Pessoa do Espírito Santo. Quando lhes perguntou se tinham recebido o Espírito Santo, eles responderam que nem sabiam sequer da existência do Espirito Santo. Então [logo] se informou: "Em que Batismo, pois, fostes vos batizados?". Com tais palavras, deu a entender a absoluta necessidade de terem os fieis uma noção clara do presente Artigo.
2. Fruto deste conhecimento
Quando os cristãos meditam seriamente que, por mercê e dádiva do Espirito Santo, receberam tudo quanto possuem, o primeiro fruto de tal conhecimento é começarem a ter de si mesmos uma opinião mais modesta e humilde, e a por toda a sua esperança no auxilio de Deus. Este deve ser o primeiro passo do cristão para as alturas da sabedoria e da felicidade.
A Pessoa do Espirito Santo:
Nome: Com toda a propriedade, é atribuído o mesmo nome ao Pai e ao Filho, pois que ambos são Espirito e Santo; e que, de nossa parte, confessamos que Deus é um [puro] espírito. Alem disso, aplicamos a mesma designação aos Anjos e as almas dos justos. Portanto, é preciso atender que o povo não caia em erro, pela ambiguidade de expressao.
a)Significação
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Espirito Santo indica a Terceira Pessoa da Santissima Trindade, conforme o sentido que ocorre nas Sagradas Escrituras, algumas vezes no Antigo, e com frequencia em o Novo Testamento. Assim rezava Davi: E não tireis de mim o Vosso Espirito Santo! No Livro da Sabedoria lemos a passagem: Quem conhecerá os Vossos desígnios, se Vos Ihe não derdes a sabedoria, e das maiores alturas Ihe não enviardes o Vosso Santo Espirito? E noutro lugar: EIe próprio a criou [ a sabedoria] no E.S
Efeitos do Espírito Santo
Operações em geral: É preciso ainda ensinar que existem certos efeitos sublimes e certos dons preciosos que são próprios do Espírito Santo e d'Ele nascem e se derivam, como de uma fonte enexaurível de bondade. Em o NT recebemos a ordem de sermos batizados"em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". Lemos que a Santíssima Virgem "concebeu no Espírito Santo". São João Batista envia-nos Cristo que "nos batiza no Espírito Santo".
Nome comum
Ninguém deve estranhar que a Terceira Pessoa se não conferisse nome próprio, como foi dado a Primeira e a Segunda. Tem nome proprio a Segunda Pessoa, e chama-se Filho, porque Sua eterna origem do Pai se diz propriamente "geração". Isso foi explicado nos Artigos anteriores. Por conseguinte, como aquela origem é designada pelo nome de geração, assim damos o nome proprio de Filho a Pessoa que descende, e de Pai a Pessoa da qual descende.
Como não se pos designação particular a origem da Terceira Pessoa, mas veio a chamar-se sopro ou processao, segue-se que a Pessoa assim produzida não leva nome próprio.
Motivo de não haver nome próprio
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A razão de não haver nome proprio para a origem do Espírito Santo, é porque somos obrigados a tirar das coisas criadas os nomes que se atribuem a Deus. Ora, nas criaturas não conhecemos outra maneira de comunicar natureza e essência, senão a que se opera e virtude de geração. Dai nos falta a possibilidade de exprimir, em termo adequado, como Deus Se comunica inteiramente a Si proprio pela força do amor. Este é o motivo de chamarmos a Terceira Pessoa pelo nome comum de "Espirito Santo.
Explicação Real
Verdadeiro Deus... igual ao Pai e ao Filho
Dada a explicação dos termos, deve o povo aprender, em primeiro lugar, que o Espirito Santo é Deus, como o Pai e o Filho, igual a Eles, da mesma onipotência, da mesma eternidade, de suma bondade, e infinita sabedoria, da mesma natureza que a do Pai e do Filho.
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Esta igualdade é bem expressa pela particula "em", quando dizemos: "Creio no Espirito Santo". Colocamo-la junto ao nome de cada Pessoa da Santissima Trindade para exprimir a extensao de nossa fé.
Prova da Escritura
A - Atos dos Apóstolos
Ora, esta doutrina é tambem corroborada por evidentes testemunhos da Sagrada Escntura. São Pedro disse, nos Atos dos Aóostolos: " Ananias, por que tentou Satanás o teu coracao para mentires ao Espirito Santo?" - e logo acrescentou: " Não mentiste aos homens, mas a Deus". Sem demora designou, como Deus, Aquele que antes chamara "Espirito Santo"
B- Sâo Paulo
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Na epistola aos Corintios, o Apostolo se referia ao Espirito Santo, quando falou d'Aquele que era Deus. "Há diversas razões, diz ele, mas é o mesmo Deus que tudo opera em todos". E pouco depois acrescentou; "Mas, todas estas coisas são obras de um só e mesmo Espirito, que as distribui a cada um, como é de Seu agrado". De mais a mais, nos Atos dos Apostolos, Sao Paulo atribui ao Espírito Santo o que os Profetas atribuiam unicamente a Deus.
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C - Isaías
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Isaias havia declarado: "Ouvi a voz do Senhor que dizia: Quem hei de enviar? E falou-me: Vai, e diras a este povo: Obceca o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos, e cerra-Ihe os olhos, para que não aconteça verem com os proprios olhos, e ouvirem com os proprios ouvidos"
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O Apóstolo cita estas palavras, e comenta: "Bem falou o Espirito Santo pela boca do profeta Isaias".
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D - A fórmula do Batismo
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Não há como duvidar da verdade deste Misterio que a Escritura põe na mesma plana a pessoa do Espirito Santo com o Pai e o Filho; quando ordena, por exemplo, empregar no Batismo o nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo. Realmente se o Pai é Deus, e o Filho é Deus, força nos é confessar que o Espinto Santo tambem é Deus, pois que Lhes fica ligado pelo mesmo grau de dignidade
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Uma prova a mais é que nenhum fruto se pode tirar do Batismo que fosse conferido em nome de alguma criatura. "Porventura foste vós batizados em nome de Paulo? Pergunta o Apostolo, a fim de mostrar que tal Batismo de nada Ihes adiantaria para a salvação. Portanto, uma vez que nós batizamos em nome do Espirito Santo, cumpre confessar que Ele é Deus
E - São João - Doxologia Litúrgica
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Esta justaposição das três Pessoas, pela qual se demonstra a divindade do Espírito Santo, podemos averigua-la, quer na Epístola de São João: "Três são os que no céu dão testemunho: O Pai, O Filho e o Espírito Santo e estes três são um só" -, quer naquela gloriosa aclamação da Trindade Santíssima, que remata o Ofício Divino e os Salmos: " Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo"
F- Aplicação dos Atributos divinos
Afinal, uma grande confirmação desta verdade é que as Escrituras aplicam ao Espírito Santo todos os atributos que a fé nos ensina serem próprios de Deus. Reconhece-Lhe a honra dos templos, quando, por exemplo, o Apóstolo declara:"Ignoras, talvez, que vossos membros são templos do Espírito Santo?
Atribui-Lhe também as operações de " santificar", de "vivificar", de "penetrar os arcanos de Deus", de "falar pela boca dos Profetas". de "estar em toda parte". Tudo isso só pode enunciar-se em relação à Majestade Divina.
Fonte: Catecismo Romano
Mais do Símbolo da Fé AQUI
Depois continuamos.
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domingo, 7 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
A Bíblia mal compreendida
Por Lúcio Navarro.
Será possível que o Evangelho nos ensine esta doutrina tão ilógica de que as boas obras, o nosso modo de proceder não influem na salvação da nossa alma? É claro que não. Se os protestantes vivem a ensinar isto e julgam ver nas páginas da Sagrada Escritura uma doutrina tão estranha, é porque eles não entendem certas passagens da Bíblia. Esta é que é a verdade.
E não fiquem de cara amuada os protestantes, não se mostrem ofendidos eonosco, pelo fato de dizermos que eles não entendem certos versículos da Bíblia. A Bíblia tem de fato muitas coisas difíceis de entender, é ela própria quem o diz, falando a respeito das epístolas de S. Paulo, conforme II Pedro III, 16.
E verá o leitor que é justamente nas epístolas de S. PauÌo, com especialidade, que os protestantes se atrapalham e se confundem, querendo ver aí uma teoria sobre a salvação que o próprio Paulo nunca ensinou.
Não há nenhuma desonra em não entender a Bíblia, que tem como Autor a Deus, cuja inteligência é infinita. Desonra e crime há, sim. em não entendê-la e ao mesmo tempo meter-se a doutrinador desastrado, apresentando uns textos e desprezando outros, blasfemando daquilo que ignora e incutindo no povo uma doutrina que não passa de uma caricatura da legítima doutrina do EvangeÌho.
Deus nos podia ter deixado uma Bíblia sempre clara e fácil de entender. Por que quis que ela fosse tão obscura e tão difícil em certos pontos? Foi para que ninguém se arvorasse em forjador de doutrinas, quando Deus deixou também aqui na terra a sua Igreja encarregada de ensinar a doutrina da verdade. É portanto, que procuremos, primeiro que tudo, conhecer, em suas linhas gerais, a doutrina da Igreja sobre a salvação.
Depois veremos como foi que surgiu no século XVI a teoria da salvação pela fé sem as obras. E será interessante ver como foi urn homem que procurou arrancar do Evangelho uma doutrina Muito cômoda, de acordo com os seus interesses pessoais; e depois muitos outros ficaram viciados nesta história de salvação baratíssima.
Finalmente analisaremos os textos apresentados pelos protestantes, com os quais pretendem provar a sua tese de salvação pela fé sem as obras e veremos como todos êles se baseiam numa interpretação errônea, seja porque não tomam a fé no mesmo sentido em que a tomam as Escrituras, seja porque não percebem o verdadeiro mecanismo da salvação, no qual a graça de Deus exerce um papel muito importante, sem excluir, no entanto, a necessária cooperação humana.
Fonte: A Legítima Interpretação da Bíblia
Mais do Estudo AQUI
Depois veremos: A Doutrina Católica sobre a Salvação
domingo, 23 de setembro de 2012
Sem sacrifícios?
Por Tihámer Toth
"Tudo isto, concordo, é admiravelmente belo. E também eu quero possuir um carater forte. Levar uma vida ideal é exatamente o meu desejo. Mas... não poderia encontrar-se um meio mais fácil de lá chegar? Não haverá, positivamente, outros meios? Não poderá obter-se um carater irrepreensível, mais comodamente - sem sacrifícios?
- Não, meu amigo. Neste ponto, é impossível tergiversar. "Aquele que quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" - disse Jesus Cristo. Quem quiser estar junto dEle no reino dos Céus, não pode mais abandoná-LO no caminho pedregoso do Calvário.
De mais, dize-me, meu filho, que é que se dá gratuitamente neste mundo em que vivemos? Nada, absolutamente nada. Olha como os homens se afadigam noite e dia no trabalho, a quantas canseiras se sujeitam para adquirir os bens efêmeros da vida terrestre! Como querias então procurar-te este tesouro incomparável - um bom caráter - sem lhe pagar o preço?
"Oh! como ele é feliz!" - suspira tu, talvez, ao veres um amigo teu divertir-se. "Como deve ser bom viver assim à vontade, distrair-se a seu belo prazer!".
Como te iludes, meu filho, como te enganas! Se pudesses penetrar naquele coração que nada mais faz que sonhar com os gozos da terra, que julgas tu verias lá? - "Alegria e contentamento" - dirás. Ah! não. Não encontrarias lá mais que um grande vazio e um sorriso forçado.
Razão tem a Sagrada Escritura para dizer: "O ímpio assemelha-se ao mar em tempestade" (Is. XXVII, 20). O ímpio é fustigado pela tempestade das paixões, e, quando a tempestade amaina um pouco, balouça-se num sonho amargo.
Ouve o parecer do grande filósofo inglês John Stuart Mill: "Não se pode esperar de um homem que nunca se recusa uma coisa permitida, que ele renuncie a todas as coisas proibidas. Tempo virá, disso não tenho dúvida, em que as crianças e os jovens serão levados ao ascetismo e à abnegação, e em que lhes será ensinado, como nos tempos antigos, a renunciar aos seus desejos, a fazer frente aos perigos, e a impor-se sofrimentos voluntários". É por este mesmo motivo que o Catolicismo prescreve a abnegação, o ascetismo e a formação da vontade.
"Ascetismo?... Brrr!..." - pensarás talvez, porque te repetiram muitas vezes que, para praticar o ascetismo, era necessário martirizar-se a si próprio, renunciar a todos os prazeres e a todas as alegrias da vida.
Ora atende um pouco: o significado original da palavra grega de que esta expressão deriva é este: "trabalho delicado, minucioso" - e os gregos queriam significar com isto o treino e a sobriedade a que se sujeitavam os concorrentes que se preparavam para a luta a fim de porem em ação, chegado o dia próprio, o máximo das forças latentes dos seus corpos.
Também o caráter é o resultado de muitas lutas e de um longo treino. Jamais conseguiremos fazer "trabalho delicado" em nós mesmos, se não nos exercitamos nisso, e são precisamente exercícios de abnegação que a nossa religião santa nos prescreve para nos ajudar na formação do caráter.
Todos os grandes triunfos terrestres exigem renúncia e sacrifícios. - E tu querias obter o maior dos triunfos - a nobreza de caráter - assentado sobre fofa almofada!
Bem sabes, meu filho, que, se alguém quiser preparar-se para um concurso, o seu treino deve incidir sobre dois pontos bem diferentes. De um lado, deve exercitar diariamente os músculos. Suponhamos que se trata de um concurso de remadores. O concorrente levanta-se cedo e dirige-se a pé para o porto da associação. Salta para o barquinho e põe-se a remar. Três horas depois, regressa, todo banhado em suor, tostado do sol, a cair de fadiga. No dia seguinte recomeça, no outro dia também, e isto durante semanas, meses.
- Por outro lado, vive também o mais sobriamente possível, e priva-se dos prazeres que amolecem. Tem cuidado com a alimentação, para não aumentar de peso, abstém-se de fumar; do álcool também e por maioria de razão. Deita-se cedo e sempre à mesma hora, etc. Para que todas estas renúncias?
Por uma medalhinha de prata, pela gloria de chegar primeiro... - E parece-te a luta demasiado dura quando se trata de ganhar um caráter!
Repara ainda no que vou dizer-te:
Na vida toda a gente faz sacrifícios - este por uma coisa, aquele por outra. Olha o avaro: priva-se de todo o bem-estar e impõe-se uma vida de miséria. Come mal e só usa roupas velhas e quase rasgadas. Nunca passeia, para não gastar os sapatos. Refreia os mais pequenos e legítimos desejos. Vive sem alegrias e sem amigos. E para que tudo isto? Para amontoar riquezas. O avaro sacrifica a sua personalidade, a sua dignidade, mesmo a própria honra, ao dinheiro. São privações de mais, não é verdade?... - E objetivos cem vezes mais elevados e mais sublimes não mereceriam também alguns sacrifícios?
Sim, o avaro afadiga-se, dia e noite, sem pausa nem descanso, para adquirir uma fortuna - a maior fortuna possível. O vaidoso está pronto para arriscar a vida para granjear um nome. O jovem, em busca de prazeres, sacrifica o sono para correr de baile em baile; sua e agita-se noites seguidas... - Fariam eles metade que fosse de todos estes incômodos para ajudar o próximo?
"Um Santo e um malfeitor escondem-se em todo ser humano" - dizia Lacordaire, grande orador francês. O malfeitor, em ti, meu filho, não tem necessidade de ser bem tratado - cresce por si. Mas é-te necessário um treino perpétuo e, por vezes, penoso para assegurar o reino do Santo na tua alma.
Isto, com efeito, não pode fazer-se sem luta. O escultor que quiser produzir uma obra-prima tem de trabalhar o mármore bruto com indizível paciência; - aquele que quiser tornar a sua alma perfeita deve trabalhá-la do mesmo modo. Uma estátua perfeita exige tempo e trabalho árduo, devendo o artista ter sempre o ideal diante dos olhos. Quanto mais não exige o caráter! Aconselho-te, meu filho, que adotes a máxima de Carlos V: "Plus! Ultra!". Mais! Mais além!
Quando perguntaram a Zeuxis porque trabalhava os seus quadros com tanta minúcia, respondeu: "porque trabalho para a eternidade!" É exatamente, meu filho, o que tu deves fazer. Deves trabalhar para a eternidade. Poderia um tal trabalho ser pago demasiadamente caro?
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*Extaído do livro: TOHT, Tihámer. O jovem de caráter. [S.L]: Coimbra, 1963
sábado, 22 de setembro de 2012
Padre Pio de Pietrelcina
«Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gál 6, 14).
Tal como o apóstolo Paulo, o Padre Pio de Pietrelcina colocou, no vértice da sua vida e do seu apostolado, a Cruz do seu Senhor como sua força, sabedoria e glória. Abrasado de amor por Jesus Cristo, com Ele se configurou imolando-se pela salvação do mundo. Foi tão generoso e perfeito no seguimento e imitação de Cristo Crucificado, que poderia ter dito: «Estou crucificado com Cristo; já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gál 2, 19). E os tesouros de graça que Deus lhe concedera com singular abundância, dispensou-os ele incessantemente com o seu ministério, servindo os homens e mulheres que a ele acorriam em número sempre maior e gerando uma multidão de filhos e filhas espirituais.
Este digníssimo seguidor de S. Francisco de Assis nasceu no dia 25 de Maio de 1887 em Pietrelcina, na arquidiocese de Benevento, filho de Grazio Forgione e de Maria Giuseppa de Nunzio. Foi baptizado no dia seguinte, recebendo o nome de Francisco. Recebeu o sacramento do Crisma e a Primeira Comunhão, quando tinha 12 anos.
Aos 16 anos, no dia 6 de Janeiro de 1903, entrou no noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, em Morcone, tendo aí vestido o hábito franciscano no dia 22 do mesmo mês, e ficou a chamar-se Frei Pio. Terminado o ano de noviciado, fez a profissão dos votos simples e, no dia 27 de Janeiro de 1907, a dos votos solenes.
Depois da Ordenação Sacerdotal, recebida no dia 10 de Agosto de 1910 em Benevento, precisou de ficar com sua família até 1916, por motivos de saúde. Em Setembro desse ano de 1916, foi mandado para o convento de São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até à morte.
Abrasado pelo amor de Deus e do próximo, o Padre Pio viveu em plenitude a vocação de contribuir para a redenção do homem, segundo a missão especial que caracterizou toda a sua vida e que ele cumpriu através da direcção espiritual dos fiéis, da reconciliação sacramental dos penitentes e da celebração da Eucaristia. O momento mais alto da sua actividade apostólica era aquele em que celebrava a Santa Missa. Os fiéis, que nela participavam, pressentiam o ponto mais alto e a plenitude da sua espiritualidade.
No campo da caridade social, esforçou-se por aliviar os sofrimentos e misérias de tantas famílias, principalmente com a fundação da «Casa Sollievo della Sofferenza» (Casa Alívio do Sofrimento), que foi inaugurada no dia 5 de Maio de 1956.
Para o Padre Pio, a fé era a vida: tudo desejava e tudo fazia à luz da fé. Empenhou-se assiduamente na oração. Passava o dia e grande parte da noite em colóquio com Deus. Dizia: «Nos livros, procuramos Deus; na oração, encontramo-Lo. A oração é a chave que abre o coração de Deus». A fé levou-o a aceitar sempre a vontade misteriosa de Deus.
Viveu imerso nas realidades sobrenaturais. Não só era o homem da esperança e da confiança total em Deus, mas, com as palavras e o exemplo, infundia estas virtudes em todos aqueles que se aproximavam dele.O amor de Deus inundava-o, saciando todos os seus anseios; a caridade era o princípio inspirador do seu dia: amar a Deus e fazê-Lo amar. A sua particular preocupação: crescer e fazer crescer na caridade.
A máxima expressão da sua caridade para com o próximo, ve-mo-la no acolhimento prestado por ele, durante mais de 50 anos, às inúmeras pessoas que acorriam ao seu ministério e ao seu confessionário, ao seu conselho e ao seu conforto. Parecia um assédio: procuravam-no na igreja, na sacristia, no convento. E ele prestava-se a todos, fazendo renascer a fé, espalhando a graça, iluminando. Mas, sobretudo nos pobres, atribulados e doentes, ele via a imagem de Cristo e a eles se entregava de modo especial.
Exerceu de modo exemplar a virtude da prudência; agia e aconselhava à luz de Deus.
O seu interesse era a glória de Deus e o bem das almas. A todos tratou com justiça, com lealdade e grande respeito.
Nele refulgiu a virtude da fortaleza. Bem cedo compreendeu que o seu caminho haveria de ser o da Cruz, e logo o aceitou com coragem e por amor. Durante muitos anos, experimentou os sofrimentos da alma. Ao longo de vários anos suportou, com serenidade admirável, as dores das suas chagas.
Quando o seu serviço sacerdotal esteve submetido a investigações, sofreu muito, mas aceitou tudo com profunda humildade e resignação. Frente a acusações injustificáveis e calúnias, permaneceu calado, sempre confiando no julgamento de Deus, dos seus superiores directos e de sua própria consciência.
Recorreu habitualmente à mortificação para conseguir a virtude da temperança, conforme o estilo franciscano. Era temperante na mentalidade e no modo de viver.
Consciente dos compromissos assumidos com a vida consagrada, observou com generosidade os votos professados. Foi obediente em tudo às ordens dos seus Superiores, mesmo quando eram gravosas. A sua obediência era sobrenatural na intenção, universal na extensão e integral no cumprimento. Exercitou o espírito de pobreza, com total desapego de si próprio, dos bens terrenos, das comodidades e das honrarias. Sempre teve uma grande predilecção pela virtude da castidade. O seu comportamento era, em todo o lado e para com todos, modesto.
Considerava-se sinceramente inútil, indigno dos dons de Deus, cheio de misérias e ao mesmo tempo de favores divinos. No meio de tanta admiração do mundo, ele repetia: «Quero ser apenas um pobre frade que reza».
Desde a juventude, a sua saúde não foi muito brilhante e, sobretudo nos últimos anos da sua vida, declinou rapidamente. A irmã morte levou-o, preparado e sereno, no dia 23 de Setembro de 1968; tinha ele 81 anos de idade. O seu funeral caracterizou-se por uma afluência absolutamente extraordinária de gente.
No dia 20 de Fevereiro de 1971, apenas três anos depois da morte do Padre Pio, Paulo VI, dirigindo-se aos Superiores da Ordem dos Capuchinhos, disse dele: «Olhai a fama que alcançou, quantos devotos do mundo inteiro se reúnem ao seu redor! Mas porquê? Por ser talvez um filósofo? Por ser um sábio? Por ter muitos meios à sua disposição? Não! Porque celebrava a Missa humildemente, confessava de manhã até à noite e era – como dizê-lo?! – a imagem impressa dos estigmas de Nosso Senhor. Era um homem de oração e de sofrimento».
Já gozava de larga fama de santidade durante a sua vida, devido às suas virtudes, ao seu espírito de oração, de sacrifício e de dedicação total ao bem das almas.
Nos anos que se seguiram à sua morte, a fama de santidade e de milagres foi crescendo cada vez mais, tornando-se um fenómeno eclesial, espalhado por todo o mundo e em todas as categorias de pessoas.
Assim Deus manifestava à Igreja a vontade de glorificar na terra o seu Servo fiel. Não tinha ainda passado muito tempo quando a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos empreendeu os passos previstos na lei canónica para dar início à Causa de beatificação e canonização. Depois de tudo examinado, como manda o Motu proprio «Sanctitas Clarior», a Santa Sé concedeu o nihil obstat no dia 29 de Novembro de 1982. O Arcebispo de Manfredónia pôde assim proceder à introdução da Causa e à celebração do processo de averiguação (1983-1990). No dia 7 de Dezembro de 1990, a Congregação das Causas dos Santos reconheceu a sua validade jurídica. Ultimada a Positio, discutiu-se, como é costume, se o Servo de Deus tinha exercitado as virtudes em grau heróico. No dia 13 de Junho de 1997, realizou-se o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos, com resultado positivo. Na Sessão Ordinária de 21 de Outubro seguinte, tendo como Ponente da Causa o Ex.mo e Rev.mo D. Andrea Maria Erba, Bispo de Velletri-Segni, os Cardeais e Bispos reconheceram que o Padre Pio de Pietrelcina exercitou em grau heróico as virtudes teologais, cardeais e anexas.
No dia 18 de Dezembro de 1997, na presença do Papa João Paulo II foi promulgado o Decreto sobre a heroicidade das virtudes. Para a beatificação do Padre Pio, a Postulação apresentou ao Dicastério competente a cura da senhora Consiglia de Martino, de Salerno. Sobre o caso desenrolou-se o Processo canónico regular no Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Salerno-Campanha-Acerno, desde Julho de 1996 até Junho de 1997. Na Congregação das Causas dos Santos, realizou-se, no dia 30 de Abril de 1998, o exame da Consulta Médica e, no dia 22 de Junho do mesmo ano, o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos. No dia 20 de Outubro seguinte, reuniu-se no Vaticano a Congregação Ordinária dos Cardeais e Bispos, membros do Dicastério, e, no dia 21 de Dezembro de 1998, foi promulgado, na presença do Papa João Paulo II, o Decreto sobre o milagre.
No dia 2 de Maio de 1999, durante uma solene Celebração Eucarística na Praça de São Pedro, Sua Santidade João Paulo II, com sua autoridade apostólica, declarou Beato o Venerável Servo de Deus Pio de Pietrelcina, estabelecendo no dia 23 de Setembro a data da sua festa litúrgica.
Para a canonização do Beato Pio de Pietrelcina, a Postulação apresentou ao competente Dicastério o restabelecimento do pequeno Matteo Pio Collela de São Giovanni Rotondo. Sobre este caso foi elaborado um processo canónico no Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Manfredonia-Vieste, que decorren de 11 de Junho a 17 de Outubro de 2000. No dia 23 de Outubro de 2000, a documentação foi entregue à Congregação das Causas dos Santos. No dia 22 de Novembro de 2001 é aprovado, na Congregação das Causas dos Santos, o exame da Consulta Médica. No dia 11 de Dezembro de 2001, é julgado pelo Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos e, no dia 18 do mesmo mês, pela Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos. No dia 20 de Dezembro, na presença do Papa João Paulo II, foi promulgado o Decreto sobre o milagre; no dia 26 de Fevereiro de 2002, foi publicado o Decreto sobre a sua canonização.
Fonte: AQUI
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A Adoração dos Magos - Iconografia Cristã
Nos diz o Santo Padre o Papa Bento XVI a respeito da iconografia cristã:
" A iconografia cristã é riquíssima e vasta. A partir da secular tradição conciliar, aprendemos que também a imagem é pregação evangélica. Os artistas de todos os tempos ofereceram à contemplação e à admiração dos fiéis os fatos salientes do mistério da salvação, apresentando-os no esplendor da cor e na perfeição da beleza. Isso é um indício de como hoje, mais que nunca, na civilização da imagem, a imagem sagrada pode exprimir muito mais que a própria palavra, uma vez que é muito eficaz o seu dinamismo de comunicação e de transmissão da mensagem evangélica" (Introdução - Compendio do Catecismo)
Obra de Gentile da Fabriano - (1423) - Galeria Uffizi, Florença.
" A iconografia cristã é riquíssima e vasta. A partir da secular tradição conciliar, aprendemos que também a imagem é pregação evangélica. Os artistas de todos os tempos ofereceram à contemplação e à admiração dos fiéis os fatos salientes do mistério da salvação, apresentando-os no esplendor da cor e na perfeição da beleza. Isso é um indício de como hoje, mais que nunca, na civilização da imagem, a imagem sagrada pode exprimir muito mais que a própria palavra, uma vez que é muito eficaz o seu dinamismo de comunicação e de transmissão da mensagem evangélica" (Introdução - Compendio do Catecismo)
Obra de Gentile da Fabriano - (1423) - Galeria Uffizi, Florença.

" Esta esplêndida obra-prima da Adoração dos Magos (cf. Mt 2,1-12) representa a revelação de Jesus a todos os povos. A Encarnação é um dom não somente à fé de Maria, de José , das mulheres, dos pastores, da gente simples do povo de israel, mas também à fé desses estrangeiros vindos do Oriente para adorar o recém-nascido Messias e apresentar-lhe os seus dons: " Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e olhes ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra" ( Mt 2,11).
Os magos constituem as primícias dos povos chamados à fé, que se aproximaram de Jesus com as mãos vazias, mas com as riquezas das suas terras e das suas culturas.
O Evangelho de Jesus é a palavra salvífica para toda humanidade. Dizia São Leão Magno: " Todos os povos, representados pelos três magos, adorem o Criador do universo, e Deus seja conhecido não só na Igreja, mas em toda a terra, para que em todo o Israel seja grande o seu nome (cf. Sl 75,2)" (Sermão 3 para a Epifania)
Fonte: Compendio do Catecismo da Igreja Católica
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