Por São João Crisóstomo
"A parábola dos talentos diz respeito a todos os homens que, em lugar de ajudarem os seus irmãos com os seus bens, os seus conselhos e outros meios, só vivem para si próprios. [...] Nesta parábola, Jesus quer revelar-nos a enorme paciência de Nosso Senhor, mas, quanto a mim, penso que também faz alusão à ressurreição geral. [...] Antes de mais, os servos que prestam contas da sua gestão reconhecem, sem hesitações, o que era dom do seu senhor e o que era fruto da sua gestão. O primeiro diz: «Senhor, confiaste-me cinco talentos» e o segundo: «Senhor, confiaste-me dois talentos»; reconhecem assim que foi graças à bondade do seu senhor que obtiveram o capital que puseram a render em seu proveito. O seu reconhecimento vai ao ponto de atribuírem todo o mérito e toda a glória do seu sucesso à confiança do seu senhor. E que responde o senhor? «Muito bem, servo bom e fiel.» E não é realmente ser bom aplicar-se a fazer o bem aos seus irmãos? [...] «Entra no gozo do teu senhor»: trata-se da bem-aventurança da vida eterna.
Mas não foi assim com o mau servo. [...] Qual foi, pois, a resposta do senhor? «Servo mau e preguiçoso! [...] Devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros» quer dizer, devias ter falado, exortado, aconselhado os teus irmãos. Mas, replica talvez o servo, as pessoas poderiam não me escutar. Ao que o senhor responde: Isso não te diz respeito. [...] Podias, pelo menos ter depositado esse dinheiro para que eu o recebesse com juros quando regressasse. Esses juros designam as boas obras que procedem da escuta da Palavra que devemos anunciar. Devias ter feito a parte mais fácil do trabalho, deixando a mais difícil a meu cargo. [...] Que significa isto? Aquele que recebeu, a bem dos outros, a graça da palavra e do ensinamento e não fez uso deles verá essa graça ser-lhe tirada. Mas aquele que oferece a graça que recebeu com zelo e sabedoria receberá uma graça ainda mais abundante"
São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho de Mateus, nº 78, 2-3; PG 58, 713-714
A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
O que a Idade Média significou para a Europa
"Comprometi-me a falar sobre a Idade Média. Tentarei ser impiedosamente neutro, deixar de lado tudo de controverso, e não dizer nada que não seja admitido pelos historiadores de praticamente todas as escolas. Entretanto, para começar, quero fazer uma ressalva. Desejo ser justo convosco e, por isso, também desejo que sejais justos comigo. Não sejais tão tendenciosos, supondo previamente que sou preconceituoso.
Como podeis ver, tenho uma desvantagem, já que a própria palavra "medieval" é usada como um termo pejorativo. As pessoas têm chamado de medieval o gás venenoso, embora seja mais moderno do que os telefones. Mas isso porque simplesmente chamam de "medieval" qualquer coisa que não gostam. Ao menos adotai o medievalismo por seus méritos intrínsecos, como fizestes com as grandes culturas da Hélade e da China, sobre as quais trataram dois homens ilustres ao vos dirigir a palavra.
Quando estais aborrecidos com vossa tia, não sibilais a palavra "helênica", mas podeis chamá-la de "medieval", apenas porque tal adjetivo significa que é velha, embora a Grécia Clássica seja muito mais antiga que a Idade Média. Ou, então, dirão: "O sr. Chesterton, com sua mentalidade medieval, acha que a cidade de Lincoln tem uma bela catedral". Mas, não vão dizer: "o sr. Arthur Leigh Ashton (1897-1983), com sua mentalidade mongol, pensa que Confúcio (571-479 a.C.) foi um grande homem".
Permitis que Leigh possa pensar que Confúcio era grande, porque era; permitais que pense que as catedrais são grandes, porque são. Ou ainda, lá vem toda aquela conversa sobre "voltar à Idade Média". Não pensais que o sr. Leigh desejasse que todos deixassem crescer tranças porque elogiou a China, nem é provável que todos saíssem correndo para o oráculo de Delfos, ou adorassem Diana, ou qualquer coisa tão bela. Entretanto, as pessoas "têm" uma ideia confusa de que qualquer elogio a alguma coisa medieval signifique desejar que todos aprendam a utilizar o arco longo ou as técnicas de falcoaria.
Podemos abandonar o uso dessa palavra como um jargão e concordamos em ser mais justos com nossos antepassados como se fossem gregos ou chineses?
O termo "Idade Média" é utilizado de modo pouco rigoroso para o período da longa transição entre o colapso do Império Romano e da expansão comercial e material de hoje, iniciada, grosso modo, com a expansão geográfica europeia que descobriu a América em 1492. Ora, a primeira coisa que me surpreende, a partir de uma leitura bem ampla e sem pretender tornar-me um especialista, é que o Império Romano terminou muito lentamente, ou que ninguém soube exatamente quando acabou. Estamos acostumados a coisas sensacionais acontecendo, nos jornais e noutros lugares, e temos uma vaga ideia de alguém lendo uma manchete: "A queda de Roma". Mas Roma nunca caiu dessa forma. Já existiam chefes locais e pequenos reis em todos os lugares sob o domínio do Império Romano, que gradualmente foram expandindo seus domínios, saindo do feudalismo para as grandes nações, mas mesmo assim o Império se reafirmou como o Sacro Império Romano Germânico na metade da Idade Média.
Tende esta imagem clara -- o pano de fundo do grande império cosmopolita apenas mudando lentamente, porque essa é a chave para muitas coisas medievais, boas e ruins. Assim, como um exemplo do que poderíamos chamar de bom, o mundo era, naquela ocasião, muito mais internacional; agora é muito mais nacional. Esquecemo-nos disso, precisamente porque agora estamos muito ligados à ideia do nacional. Somos ingleses, e espero que patriotas, mas a questão vai muito além. Milhares de nós não podem imaginar qualquer coisa que não seja inglesa, e é assim com a maioria das outras nações modernas.
Isso é bastante característico das nações modernas. São grandes o suficiente para serem limitadas, pois são suficientemente vastas para pensarem ser o mundo quando não o são. Um homem ao viver no meio da Alemanha ou no meio dos Estados Unidos ou da Rússia vive num mundo que se fecha para o mundo. Houve patriotismo local acirrado nas cidades gregas antigas, mas todos sabiam que eram cidades gregas, e foi assim nas repúblicas católicas da Itália medieval ou ainda o é nas modernas repúblicas da América do Sul, onde todos sabem que são repúblicas católicas.
Na Idade Média havia duas coisas: por um lado, a pequena unidade local amada pelos homens que, por vezes, lutavam por ela e, por outro, a grande civilização do Império e da Igreja a que também pertenciam. Mas vivemos numa terceira coisa: a nação imperial, grande o suficiente para parecer universal e que nos torna simplesmente nacionais. O motivo das guerras modernas serem tão imensas e horríveis, e de demorarem tanto tempo, é cada Estado realmente achar que representa os princípios fundamentais do universo. A Idade Média tinha intermináveis disputas locais, mas possuía uma visão mais universal do cosmo.
Havia um homem que andava pelos portões da cidade agitando a lança e bradando as conquistas vindouras; sua cidade estava em guerra com a comuna de Perúgia, que era algo como se existisse uma guerra entre os distritos londrinos de Richmond e Kew. Mas após a paz ser feita esse homem voltou-se para outros interesses. Seu nome era Francisco de Assis (1181-1226). Como o patriota moderno, poderia ser tão bom homem e ter ido para o túmulo acreditando que o objetivo principal de Deus era o extermínio dos peruginos.
Este é um dos resultados do lento declínio da unidade romana que devemos considerar bom: as nações estavam mais próximas umas das outras, porque estavam mais perto de suas origens. Outro exemplo, mas que poderíamos chamar de ruim, é o fato da escravidão do mundo romano antigo ter acabado de forma muito lenta -- há a mesma controvérsia sobre quando teve fim. Basta dizer aqui, e ninguém há de negar que, até onde sei, ao começar a Idade Média os servos eram escravos (no antigo sentido pagão) e, quando ela terminou, os servos de algum modo tinham se tornado algo bastante diferente: eram muito mais parecidos com o que chamamos de camponeses. Se isso foi a evolução econômica ou o lento crescimento da consciência cristã (que é muito lento na maioria de nós) ou qualquer outra coisa, é uma questão controversa e, por isso, não vou contestar. Meu objetivo aqui é simplesmente mostrar outro exemplo da Antiguidade mudando lentamente, sem qualquer ruptura definitiva.
Ouvireis duas críticas ao medievalismo. Ambas ilustram a continuidade romana. A primeira é que o mundo medieval aceitava a autoridade, o que é verdade, mas, curiosamente, não só a autoridade da Igreja, como também, às vezes, a autoridade pagã que quase se opunha à autoridade da Igreja. Por exemplo, o médico de Geoffrey Chaucer (1343-1400) era cético a respeito da religião, mas estava satisfeito com a ciência médica, porque estava baseada na Astrologia. Dificilmente corremos para os hospitais no distrito de Harley Street para consultar um astrólogo. Sabemos que Igreja foi contra a astrologia, mas que Aristóteles (384-322 a.C.) e muitos na antiguidade eram a favor dessa prática.
Em segundo lugar, que o mundo medieval não era progressista, e concordo que não se "sentia" progressista. E, pelo mesmo motivo, lamentava a grande civilização que fora internacional. Não vos assusteis, não falo da Liga das Nações, mas a maioria dos homens modernos procura o internacionalismo no futuro, os medievais buscavam por ele no passado. Na verdade, eram progressistas na prática, não na teoria.
A Idade Média inventou algumas coisas inteiramente novas. Qualquer arquiteto dirá que o gótico foi realmente uma nova invenção da Engenharia. Surgiram os parlamentos e a imprensa foi inventada naquela ocasião, mas esses dois fatores são raramente notados porque, como disse, as pessoas chamam de "medieval" as coisas que não gostam. Caso pensemos, algum dia, ficar enfastiados dos jornais, acho que deveríamos dizer: "A imprensa é uma relíquia medieval"; caso os políticos se tornem impopulares (algo impensável), devemos dizer: "O Parlamento evidencia sua origem medieval bárbara". Então correremos para a radiotelegrafia, e ouviremos que não há nada melhor.
Esta é a grande linha histórica. Embora tenha havido um lento declínio da civilização romana, certamente houve o grande nascimento da civilização medieval. O século XIII foi ápice da inteligência humana -- pelo menos o de algumas mentes humanas. Há passagens em Santo Tomás de Aquino (1225-1274) sobre política que parecem uma utopia moderna, só que mais saudável. Contudo, durante todo o período, à distância de uma flecha do mosteiro, as condições eram quase bárbaras e muitas vezes abomináveis. Não sabemos se os melhores ideais prevaleceram sobre as piores realidades, provavelmente não, mas de qualquer forma, estavam assimetricamente posicionados entre dois grandes fatos históricos, o primeiro a frustrar o progresso e o segundo a matá-lo. Ambos vieram do Oriente, o primeiro, a religião de Maomé (570-632), e o segundo, a Peste Negra.
O maometanismo teve o justo crédito de pregar uma maior igualdade entre um homem e o outro, e uma igualdade, embora menor, entre o homem e a mulher. Foi um verdadeiro rival para o cristianismo, e agora ninguém percebe o quanto verdadeiramente rivalizou. Em grande parte, infelizmente, o efeito da igualdade islâmica foi o aumento de nossa desigualdade. Já havíamos herdado os males da civilização antiga, como a escravidão; os males de sua decadência, como o feudalismo; tínhamos muito da formação militar, em parte da antiguidade, do modelo de Roma e, noutra parte, o da guerra contra os bárbaros. Nessas circunstâncias, vejo que a explosão do Oriente nos paralisou e nos firmou na formação militar.
Todos os títulos nobiliárquicos são simplesmente patentes militares, como nos casos de duque ou marquês e assim por diante. Poderíamos ter desenvolvido melhor a nossa própria religião, não fosse a guerra com uma religião rival. Uma democracia pode organizar uma guerra, mas uma aristocracia não pode, ao mesmo tempo, organizar uma democracia "e" uma guerra. O inimigo lhe abaterá. Havia um perigo permanente. Tomemos as cruzadas. Não me importo o quanto podeis atacar as cruzadas como uma agressão, caso não vos lembreis: elas foram um contra-ataque. Os muçulmanos conquistavam a Espanha e a Sicília, e foram detidos em Tours. Ora, um invasor a vagar no meio da França não pode fingir ser um morador inofensivo, perdido num bairro de Meca. Mas as cruzadas fracassaram, e então, além dessa tragédia, veio no encalço a grande peste, que matou os melhores sacerdotes e o povo, deixando um tipo de gente inferior que havia esquecido o melhor dos ideais medievais, e levou a Idade Média ao fim.
Ao tentar uma síntese, retorno à construção gótica. Em primeiro lugar porque foi realmente uma coisa nova, em segundo lugar porque foi uma nova forma de construção, superior à anterior. Talvez, só dos pináculos, senão do mais exíguo pináculo podeis ver a mais extensa paisagem. A visão medieval era muito universal; não devemos subestimá-la. Não menosprezemos a cavalaria e o romance de Dante Alighieri (1265-1321) e sua Beatriz, que era novo, pois não era o mesmo de Catulo (84-54 a.C.) e Lesbia, e está na história do que se chamava de Vida Nova.
Aldous Huxley (1894-1963) pediu ao mundo moderno, em vão, que seguisse a razão conforme progredisse; não zombemos dos escolásticos, caso tenham seguido a razão um pouco além. O amor e a lógica eram mais novos e livres, embora limitados por más condições, assim como altas igrejas eram quase sempre construídas em ilhas. As comunicações eram ruins. Atualmente, as comunicações são muito boas e temos a maravilhosa tecnologia da radiofonia pela qual falo com pessoas que nunca vi. Portanto, agora não tenho nada a fazer senão emanar uma poesia tão fresca quanto a de Dante e uma filosofia tão grandiosa quanto a "Suma Teológica". Só que agora, quando posso me comunicar com todos, não tenho o que dizer.
---------------------------
Em 27 de março de 1936, G. K. Chesterton deu uma palestra na rádio BBC para as escolas da Grã-Bretanha. O texto do presente ensaio é a transcrição da apresentação, tal como apareceu na edição de 1º de abril de 1936 na revista "Listener".
Em língua portuguesa o artigo foi publicado originalmente, numa versão acrescida de notas do tradutor, no seguinte periódico: "The Chesterton Review (Edição Especial em Português)", Volume II, Número 2, 2010: 7-13.
Este artigo é protegido pelas leis de Direitos Autorais, sua reprodução é proibida sem a autorização do Centro interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP). A publicação do artigo no site Chesterton Brasil foi gentilmente permitida pelo CIEEP.
Fonte: Chesterton Brasil
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Santa Teresa de Ávila [de Jesus]
Por Bento XVI
"Durante as Catequeses que eu quis dedicar aos Padres da Igreja e a grandes figuras de teólogos e de mulheres da Idade Média tive a oportunidade de meditar também sobre alguns Santos e Santas que foram proclamados Doutores da Igreja pela sua doutrina eminente. Hoje gostaria de começar uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja. E começo com uma santa que representa um dos vértices da espiritualidade cristã de todos os tempos: santa Teresa de Ávila [de Jesus].
Nasce em Ávila, na Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Na autobiografia ela menciona alguns pormenores da sua infância: o nascimento de «pais virtuosos e tementes a Deus», numa família numerosa, com nove irmãos e três irmãs. Ainda menina, com menos de 9 anos, tem a ocasião de ler as vidas de alguns mártires que lhe inspiram o desejo do martírio, a tal ponto que improvisa uma breve fuga de casa para morrer mártir e subir ao Céu (cf. Vida 1, 4); «Quero ver Deus», diz a pequena aos pais. Alguns anos depois, Teresa falará da suas leituras da infância e afirmará que nelas descobriu a verdade, que resume com dois princípios fundamentais: por um lado, «o facto de que tudo o que pertence ao mundo daqui, passa»; por outro, que só Deus é «para sempre», tema que retorna na celebérrima poesia «Nada te turbe / nada te espante; / tudo passa. Deus não muda; / a paciência obtém tudo; / quem possui Deus / nada lhe falta / só Deus basta!». Tendo ficado órfã de mãe com doze anos, pede à Virgem Santissima que lhe seja mãe (cf. Vida 1, 7).
Se na adolescência a leitura de livros profanos a tinha levado às distrações de uma vida mundana, a experiência como aluna das monjas agostinianas de Santa Maria das Graças de Ávila e a leitura de livros espirituais, sobretudo clássicos de espiritualidade franciscana, ensinam-lhe o recolhimento e a oração. Com vinte anos entra no mosteiro carmelita da Encarnação, ainda em Ávila; na vida religiosa assume o nome de Teresa de Jesus. Três anos depois adoece gravemente, a ponto de ficar 4 dias de coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Até na luta contra as próprias doenças a santa vê o combate contra as fraquezas e as resistências à chamada de Deus: «Eu desejava viver — escreve — porque entendia bem que não estava a viver, mas sim a lutar com uma sombra de morte, e não tinha alguém que me desse vida, e nem eu a podia tomar, e Aquele que ma podia dar tinha razão de não me socorrer, dado que muitas vezes me dirigira para Ele, e eu O tinha abandonado» (Vida 8, 2).
Em 1543 perde a proximidade dos familiares: o pai falece e todos os seus irmãos emigram, um após o outro, para a América. Na Quaresma de 1554, com 39 anos, Teresa chega ao ápice da luta contra as próprias debilidades. A descoberta da imagem de «um Cristo muito chagado» marca profundamente a sua vida (cf. Vida 9). A santa, que nesse período encontra profunda consonância com o santo Agostinho das Confissões, assim descreve o dia decisivo da sua experiência mística: «Acontece... que de repente tive a sensação da presença de Deus, que de nenhum modo eu podia duvidar que estava dentro de mim, e que eu estava totalmente absorvida nele» (Vida 10, 1).
Paralelamente ao amadurecimento da sua interioridade, a santa começa a desenvolver de modo concreto o ideal de reforma da Ordem carmelita: em 1562 funda em Ávila, com o apoio do Bispo da cidade, D. Alvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e pouco depois recebe também a aprovação do Superior-Geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi. Nos anos seguintes continua as fundações de novos Carmelos, 17 no total. É fundamental o encontro com são João da Cruz com quem, em 1568, constitui em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento de Carmelitas descalços. Em 1580 obtém de Roma a erecção a Província autónoma para os seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem religiosa dos Carmelitas descalços. Teresa termina a sua vida terrena precisamente enquanto está empenhada na tarefa de fundação. Com efeito em 1582, depois de ter constituído o Carmelo de Burgos e enquanto voltava para Ávila, falece na noite de 15 de Outubro em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas expressões: «No fim, morro como filha da Igreja» e «Meu Esposo, chegou a hora de nos vermos». Uma existência consumida na Espanha, mas despendida pela Igreja inteira. Beatificata pelo Papa Paulo V em 1614 e canonizada em 1622 por Gregório XV, é proclamada «Doutora da Igreja» pelo Servo de Deus Paulo VI em 1970.
Teresa de Jesus não tinha uma formação académica, mas sempre valorizou os ensinamentos de teólogos, letrados e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve àquilo que pessoalmente vivera ou vira na experiência do próximo (cf. Prólogo ao Caminho de Perfeição), isto é, a partir da experiência. Teresa consegue manter relações de amizade espiritual com muitos santos, em especial com são João da Cruz. Ao mesmo tempo, alimenta-se com a leitura dos Padres da Igreja, são Jerónimo, são Gregório Magno e santo Agostinho. Entre as suas principais obras deve-se recordar sobretudo a autobiografia, intitulada Livro da vida, ao qual ela chama Livro das Misericórdias do Senhor. Composta no Carmelo de Ávila em 1565, discorre sobre o percurso biográfico e espiritual, escrito como afirma a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do «Mestre dos espirituais», são João de Ávila. A finalidade é evidenciar a presença e a acção de Deus misericordioso na sua vida: por isso, a obra cita com frequência o diálogo de oração com o Senhor. É uma leitura que fascina, porque a santa não só narra, mas mostra que revive a profunda experiência da sua relação com Deus.
Em 1566, Teresa escreve o Caminho de Perfeição, por ela chamado Admoestações e conselhos que Teresa dá de Jesus às suas monjas. Destinatárias são as doze noviças do Carmelo de são José em Ávila. Teresa propõe-lhes um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais preciosos, o comentário ao Pai-Nosso, modelo de oração. A obra mística mais famosa de santa Teresa é o Castelo interior, escrito em 1577, em plena maturidade. Trata-se de uma releitura do próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, de uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a acção do Espírito Santo. Teresa inspira-se na estrutura de um castelo com sete quartos, como imagem da interioridade do homem, introduzindo ao mesmo tempo o símbolo do bicho da seda que renasce como borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural.
A santa inspira-se na Sagrada Escritura, em particular no Cântico dos Cânticos, para o símbolo final dos «dois Esposos», que lhe permite descrever no sétimo quarto o ápice da vida cristã nos seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial. À sua obra de fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o Livro das fundações, escrito de 1573 a 1582, em que fala da vida do grupo religioso nascente. Como na autobiografia, a narração visa frisar sobretudo a acção de Deus na obra de fundação dos novos mosteiros.
Não é fácil resumir em poucas palavras a profunda e minuciosa espiritualidade teresiana. Gostaria de mencionar alguns pontos essenciais. Em primeiro lugar, santa Teresa propõe as virtudes evangélicas como base de toda a vida cristã e humana: em especial, o desapego dos bens, ou pobreza evangélica, e isto diz respeito a todos nós; o amor mútuo como elemento básico da vida comunitária e social; a humildade como amor à verdade; a determinação como fruto da audácia cristã; a esperança teologal, que descreve como sede de água viva. Sem esquecer as virtudes humanas: a afabilidade, veracidade, modéstia, cortesia, alegria e cultura. Em segundo lugar, santa Teresa propõe uma profunda sintonia com as grandes figuras bíblicas e a escuta viva da Palavra de Deus. Ela sente-se em sintonia sobretudo com a esposa do Cântico dos Cânticos e com o apóstolo Paulo, mas também com o Cristo da Paixão e com Jesus Eucarístico.
Depois, a santa realça como a oração é essencial; orar, diz, «significa frequentar com amizade, porque frequentamos face a face Aquele que sabemos que nos ama» (Vida 8, 5). A ideia de santa Teresa coincide com a definição que s. Tomás de Aquino dá da caridade teologal, como «amicitia quaedam hominis ad Deum», um tipo de amizade do homem com Deus, que foi o primeiro a oferecer a sua amizade ao homem; a iniciativa vem de Deus (cf. Summa Theologiae II-II, 23, 1). A oração é vida e desenvolve-se gradualmente com o crescimento da vida cristã: começa com a prece vocal, passa pela interiorização mediante a meditação e o recolhimento, até chegar à união de amor com Cristo e a Santíssima Trindade. Obviamente, não se trata de um desenvolvimento em que subir os degraus mais altos quer dizer deixar o precedente tipo di oração, mas é antes um aprofundar-se gradual da relação com Deus que envolve toda a vida. Mais do que uma pedagogia da oração, a de Teresa é uma verdadeira «mistagogia»: ao leitor das suas obras ensina a rezar, orando ela mesma com ele; com efeito, frequentemente interrompe a narração ou a exposição para irromper em oração.
Outro tema amado pela santa é a centralidade da humanidade de Cristo. Com efeito, para Teresa a vida cristã é relação pessoal com Jesus, que culmina na união com Ele pela graça, amor e imitação. Daqui a importância que ela atribui à meditação da Paixão e à Eucaristia, como presença de Cristo na Igreja, pela vida de cada crente e como centro da liturgia. Santa Teresa vive um amor incondicional à Igreja: manifesta um «sensus Ecclesiae» vivo diante dos episódios de divisão e conflito na Igreja do seu tempo. Reforma a Ordem carmelita com a intenção de melhor servir e defender a «Santa Igreja Católica Romana», disposta a dar a vida por ela (cf. Vida 33, 5).
Um último aspecto essencial da doutrina teresiana, que gostaria de frisar, é a perfeição, como aspiração de toda a vida cristã e sua meta final. A santa tem uma ideia muito clara da «plenitude» de Cristo, revivida pelo cristão. No final do percurso do Castelo interior, no último «quarto», Teresa descreve tal plenitude realizada na morada da Trindade, na união a Cristo através do mistério da sua humanidade.
Caros irmãos e irmãs, santa Teresa de Jesus é verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Na nossa sociedade, muitas vezes carente de valores espirituais, santa Teresa ensina-nos a ser testemunhas indefessas de Deus, da sua presença e acção, ensina-nos a sentir realmente esta sede de Deus que existe na profundidade do nosso coração, este desejo de ver Deus, de O procurar, de dialogar com Ele e de ser seu amigo. Esta é a amizade necessária para todos nós e que devemos buscar de novo, dia após dia. O exemplo desta santa, profundamente contemplativa e eficaz nas suas obras, leve-nos também a nós a dedicar cada dia o justo tempo à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho para procurar Deus, para O ver, para encontrar a sua amizade e assim a vida verdadeira; porque realmente muitos de nós deveriam dizer: «Não vivo, não vivo realmente, porque não vivo a essência da minha vida». Por isso, o tempo da oração não é perdido, é tempo em que se abre o caminho da vida, para aprender de Deus um amor ardente a Ele, à sua Igreja, e uma caridade concreta para com os nossos irmãos. Obrigado!(Grifos meus)
Fonte AQUI
Marcadores:
Festas da Igreja,
Santos
sábado, 13 de outubro de 2012
Onde repousar a cabeça...
Por Pierre Charles
Recolhimento
"Ubi caput reclinet - Não posso deixa-lo de fora, exposto ao vento, à poeira dos caminhos ou ao orvalho frio das noites; não posso permitir que repouse sobre pedras sua divina cabeça toda coberta do rocio noturno, esta mesma cabeça que dentro em breve estará toda molhada de suor e sangue - Caput meum plenumest rore - Minha alma deve ser-lhe uma mansão de paz e recolhimento, na qual, como nos santuários, só se anda a passos leves; na qual, como junto dos que dormem, só se fala em voz baixa.
O motivo do recolhimento - e o melhor maneira de obtê-lo - é esse respeito soberano e penetrado de amor que devemos ao Deus que repousa em nós. - Mansionem apud eum faciemus. - Por isso o recolhimento é como que um ato de fé, e é o Espírito de Cristo que deve infundi-lo em nossas almas: recolhimento feito de silencio e de espera; porque não o velamos como a um morto, mas como a um glorioso ressuscitado; velamo-lo com o coração iluminado de desejos, pois sabemos que é vencedor de todas as trevas e que sua aurora é como a luz do meio dia.
Em sua hora, quando Ele o quiser, erguer-se-á repentinamente de sua imobilidade aparente e passageira, e então todos os olhos o verão... et qui eum pupugerunt. Recolhimento feito de silêncio e espera, e de amor que adora e agradece. O recolhimento é uma homenagem e uma nuvem de incenso. E por que me é ele tão difícil, senão porque minha alma está ainda tão cheia de cuidados estranhos e barulhentos, de afeiçoes clandestinas e exigentes, de sentimentos vulgares e grosseiros?
Todos os meus amores deveriam estar concentrados e fundidos num só, mas estou dissipado na anarquia de meu interior, e por causa de minha confusão e de minha desordem, o sono reparador e calmo é-lhe impossível em minha casa.
E entretanto meu Deus, não sou indiferente ao vosso desejo, nem inerte e frio antes os vossos anelos, e gostaria de merecer a benção daqueles que, vendo-vos desabrigado, abrem-vos a sua porta e vos recolhem. - Horpes eram er collegistis me - Porque recolhendo-vos, nós nos encontramos a nós mesmos, e o repouso que vos preparamos penetra em nós, contagiante, e torna-se nosso por recompensa; e quando podeis dormir em paz em nossa alma, nossa pobre cabeça pode também descansar e desembaraçar-se de seus cuidados...in pace sunt ea quae possidet.
Senhor, bem sabeis que nossas boas disposições iniciais vem sempre de vós, e que sem o vosso auxílio jamais poderemos agradar-vos - tibi sine te placere non possumus - Recolhei minha alma que vos quer recolher e permaneçamos um no outro, prisioneiros de um mesmo amor divino; do amor que me tendes e do amor que vossa graça me inspira. Fazei que eu não tenha nenhum desejo fora de vós, fazei que eu vos prefira sempre a todos os vossos dons; e se vos aprouver ficar silencioso ou imóvel em mim por muito tempo, como no túmulo, dai-me bastante espírito de fé para aceitar vossa disposição, para ama-la como um favor especial e regozijar-me disso ad diem aeternum"
Fonte: A Oração de toda Hora - Pierre Charles - pag 17-18 - Quadrante
Recolhimento
"Ubi caput reclinet - Não posso deixa-lo de fora, exposto ao vento, à poeira dos caminhos ou ao orvalho frio das noites; não posso permitir que repouse sobre pedras sua divina cabeça toda coberta do rocio noturno, esta mesma cabeça que dentro em breve estará toda molhada de suor e sangue - Caput meum plenumest rore - Minha alma deve ser-lhe uma mansão de paz e recolhimento, na qual, como nos santuários, só se anda a passos leves; na qual, como junto dos que dormem, só se fala em voz baixa.
O motivo do recolhimento - e o melhor maneira de obtê-lo - é esse respeito soberano e penetrado de amor que devemos ao Deus que repousa em nós. - Mansionem apud eum faciemus. - Por isso o recolhimento é como que um ato de fé, e é o Espírito de Cristo que deve infundi-lo em nossas almas: recolhimento feito de silencio e de espera; porque não o velamos como a um morto, mas como a um glorioso ressuscitado; velamo-lo com o coração iluminado de desejos, pois sabemos que é vencedor de todas as trevas e que sua aurora é como a luz do meio dia.
Em sua hora, quando Ele o quiser, erguer-se-á repentinamente de sua imobilidade aparente e passageira, e então todos os olhos o verão... et qui eum pupugerunt. Recolhimento feito de silêncio e espera, e de amor que adora e agradece. O recolhimento é uma homenagem e uma nuvem de incenso. E por que me é ele tão difícil, senão porque minha alma está ainda tão cheia de cuidados estranhos e barulhentos, de afeiçoes clandestinas e exigentes, de sentimentos vulgares e grosseiros?
Todos os meus amores deveriam estar concentrados e fundidos num só, mas estou dissipado na anarquia de meu interior, e por causa de minha confusão e de minha desordem, o sono reparador e calmo é-lhe impossível em minha casa.
E entretanto meu Deus, não sou indiferente ao vosso desejo, nem inerte e frio antes os vossos anelos, e gostaria de merecer a benção daqueles que, vendo-vos desabrigado, abrem-vos a sua porta e vos recolhem. - Horpes eram er collegistis me - Porque recolhendo-vos, nós nos encontramos a nós mesmos, e o repouso que vos preparamos penetra em nós, contagiante, e torna-se nosso por recompensa; e quando podeis dormir em paz em nossa alma, nossa pobre cabeça pode também descansar e desembaraçar-se de seus cuidados...in pace sunt ea quae possidet.
Senhor, bem sabeis que nossas boas disposições iniciais vem sempre de vós, e que sem o vosso auxílio jamais poderemos agradar-vos - tibi sine te placere non possumus - Recolhei minha alma que vos quer recolher e permaneçamos um no outro, prisioneiros de um mesmo amor divino; do amor que me tendes e do amor que vossa graça me inspira. Fazei que eu não tenha nenhum desejo fora de vós, fazei que eu vos prefira sempre a todos os vossos dons; e se vos aprouver ficar silencioso ou imóvel em mim por muito tempo, como no túmulo, dai-me bastante espírito de fé para aceitar vossa disposição, para ama-la como um favor especial e regozijar-me disso ad diem aeternum"
Fonte: A Oração de toda Hora - Pierre Charles - pag 17-18 - Quadrante
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Recorrer com fé e confiança à Virgem Maria
Por Lourenzo Scupoli
"Se queres recorrer à Virgem Maria com fé e confiança em qualquer necessidade, poderás consegui-lo levando em conta as seguintes considerações.
Sabe-se por experiência que qualquer vaso que já tenha contido um vinho precioso, mesmo depois de vazio, conserva algo de seu olor, sobretudo se esse líquido esteve dentro do vaso por muito tempo e, mais ainda, se algo desse líquido permaneceu; e, pela mesma razão, quem fica perto de uma grande fogueira conserva por muito tempo o seu calor, ainda que se afaste dela.
Se as coisas são assim, que poderemos dizer do fogo se amor, de misericórdia e piedade que abrasa e alenta o coração da Virgem Maria? Ela, com efeito, levou durante nove meses em seu seio virginal e leva sempre em seu coração o Filho de Deus, que é amor, a misericórdia e a piedade mesma; e que possui todas as virtudes sem nenhum limite ou fim.
Portanto, assim como quem se aproxima de uma grande fogueira não pode deixar de receber o seu calor, assim também nenhum necessitado de auxílio ou graças deixa de receber misericórdia e piedade ao aproximar-se, com humildade e fé, da fogueira de amor que arde no coração da Virgem.
A segunda consideração é que nenhuma criatura amou mais a Jesus Cristo e nem se conformou tanto à Sua vontade quanto a Sua mãe Santíssima. Então, se o próprio Filho de Deus, que deu a sua vida por nós, deu-nos também a Sua mãe como mãe e advogada nossa, para que nos ajude e seja depois dele, instrumento de salvação para nós, como poderia Ela faltar-nos, desobedecendo à ordem de Seu Filho?
Assim, filhinha, recorre com confiança, em todas as necessidades, à Santíssima Mãe de Deus, porque rica e bendita é essa confiança e seguro o refúgio que ela nos concede, pleno de graças e misericórdia"
Fonte: O combate Espiritual pag 132 - 133
Nossa Senhora Aparecida, Rogai por nós!!
"Se queres recorrer à Virgem Maria com fé e confiança em qualquer necessidade, poderás consegui-lo levando em conta as seguintes considerações.
Sabe-se por experiência que qualquer vaso que já tenha contido um vinho precioso, mesmo depois de vazio, conserva algo de seu olor, sobretudo se esse líquido esteve dentro do vaso por muito tempo e, mais ainda, se algo desse líquido permaneceu; e, pela mesma razão, quem fica perto de uma grande fogueira conserva por muito tempo o seu calor, ainda que se afaste dela.
Se as coisas são assim, que poderemos dizer do fogo se amor, de misericórdia e piedade que abrasa e alenta o coração da Virgem Maria? Ela, com efeito, levou durante nove meses em seu seio virginal e leva sempre em seu coração o Filho de Deus, que é amor, a misericórdia e a piedade mesma; e que possui todas as virtudes sem nenhum limite ou fim.
Portanto, assim como quem se aproxima de uma grande fogueira não pode deixar de receber o seu calor, assim também nenhum necessitado de auxílio ou graças deixa de receber misericórdia e piedade ao aproximar-se, com humildade e fé, da fogueira de amor que arde no coração da Virgem.
A segunda consideração é que nenhuma criatura amou mais a Jesus Cristo e nem se conformou tanto à Sua vontade quanto a Sua mãe Santíssima. Então, se o próprio Filho de Deus, que deu a sua vida por nós, deu-nos também a Sua mãe como mãe e advogada nossa, para que nos ajude e seja depois dele, instrumento de salvação para nós, como poderia Ela faltar-nos, desobedecendo à ordem de Seu Filho?
Assim, filhinha, recorre com confiança, em todas as necessidades, à Santíssima Mãe de Deus, porque rica e bendita é essa confiança e seguro o refúgio que ela nos concede, pleno de graças e misericórdia"
Fonte: O combate Espiritual pag 132 - 133
Nossa Senhora Aparecida, Rogai por nós!!
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Creio no Espírito Santo
Sentido e importancia do Artigo
1. Necessidade do conhecer o Esplrito Santo
.
O Apóstolo não tolerou que alguns dos Efesios ignorassem a Pessoa do Espírito Santo. Quando lhes perguntou se tinham recebido o Espírito Santo, eles responderam que nem sabiam sequer da existência do Espirito Santo. Então [logo] se informou: "Em que Batismo, pois, fostes vos batizados?". Com tais palavras, deu a entender a absoluta necessidade de terem os fieis uma noção clara do presente Artigo.
2. Fruto deste conhecimento
Quando os cristãos meditam seriamente que, por mercê e dádiva do Espirito Santo, receberam tudo quanto possuem, o primeiro fruto de tal conhecimento é começarem a ter de si mesmos uma opinião mais modesta e humilde, e a por toda a sua esperança no auxilio de Deus. Este deve ser o primeiro passo do cristão para as alturas da sabedoria e da felicidade.
A Pessoa do Espirito Santo:
Nome: Com toda a propriedade, é atribuído o mesmo nome ao Pai e ao Filho, pois que ambos são Espirito e Santo; e que, de nossa parte, confessamos que Deus é um [puro] espírito. Alem disso, aplicamos a mesma designação aos Anjos e as almas dos justos. Portanto, é preciso atender que o povo não caia em erro, pela ambiguidade de expressao.
a)Significação
.
Espirito Santo indica a Terceira Pessoa da Santissima Trindade, conforme o sentido que ocorre nas Sagradas Escrituras, algumas vezes no Antigo, e com frequencia em o Novo Testamento. Assim rezava Davi: E não tireis de mim o Vosso Espirito Santo! No Livro da Sabedoria lemos a passagem: Quem conhecerá os Vossos desígnios, se Vos Ihe não derdes a sabedoria, e das maiores alturas Ihe não enviardes o Vosso Santo Espirito? E noutro lugar: EIe próprio a criou [ a sabedoria] no E.S
Efeitos do Espírito Santo
Operações em geral: É preciso ainda ensinar que existem certos efeitos sublimes e certos dons preciosos que são próprios do Espírito Santo e d'Ele nascem e se derivam, como de uma fonte enexaurível de bondade. Em o NT recebemos a ordem de sermos batizados"em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". Lemos que a Santíssima Virgem "concebeu no Espírito Santo". São João Batista envia-nos Cristo que "nos batiza no Espírito Santo".
Nome comum
Ninguém deve estranhar que a Terceira Pessoa se não conferisse nome próprio, como foi dado a Primeira e a Segunda. Tem nome proprio a Segunda Pessoa, e chama-se Filho, porque Sua eterna origem do Pai se diz propriamente "geração". Isso foi explicado nos Artigos anteriores. Por conseguinte, como aquela origem é designada pelo nome de geração, assim damos o nome proprio de Filho a Pessoa que descende, e de Pai a Pessoa da qual descende.
Como não se pos designação particular a origem da Terceira Pessoa, mas veio a chamar-se sopro ou processao, segue-se que a Pessoa assim produzida não leva nome próprio.
Motivo de não haver nome próprio
.
A razão de não haver nome proprio para a origem do Espírito Santo, é porque somos obrigados a tirar das coisas criadas os nomes que se atribuem a Deus. Ora, nas criaturas não conhecemos outra maneira de comunicar natureza e essência, senão a que se opera e virtude de geração. Dai nos falta a possibilidade de exprimir, em termo adequado, como Deus Se comunica inteiramente a Si proprio pela força do amor. Este é o motivo de chamarmos a Terceira Pessoa pelo nome comum de "Espirito Santo.
Explicação Real
Verdadeiro Deus... igual ao Pai e ao Filho
Dada a explicação dos termos, deve o povo aprender, em primeiro lugar, que o Espirito Santo é Deus, como o Pai e o Filho, igual a Eles, da mesma onipotência, da mesma eternidade, de suma bondade, e infinita sabedoria, da mesma natureza que a do Pai e do Filho.
.
Esta igualdade é bem expressa pela particula "em", quando dizemos: "Creio no Espirito Santo". Colocamo-la junto ao nome de cada Pessoa da Santissima Trindade para exprimir a extensao de nossa fé.
Prova da Escritura
A - Atos dos Apóstolos
Ora, esta doutrina é tambem corroborada por evidentes testemunhos da Sagrada Escntura. São Pedro disse, nos Atos dos Aóostolos: " Ananias, por que tentou Satanás o teu coracao para mentires ao Espirito Santo?" - e logo acrescentou: " Não mentiste aos homens, mas a Deus". Sem demora designou, como Deus, Aquele que antes chamara "Espirito Santo"
B- Sâo Paulo
.
Na epistola aos Corintios, o Apostolo se referia ao Espirito Santo, quando falou d'Aquele que era Deus. "Há diversas razões, diz ele, mas é o mesmo Deus que tudo opera em todos". E pouco depois acrescentou; "Mas, todas estas coisas são obras de um só e mesmo Espirito, que as distribui a cada um, como é de Seu agrado". De mais a mais, nos Atos dos Apostolos, Sao Paulo atribui ao Espírito Santo o que os Profetas atribuiam unicamente a Deus.
.
C - Isaías
.
Isaias havia declarado: "Ouvi a voz do Senhor que dizia: Quem hei de enviar? E falou-me: Vai, e diras a este povo: Obceca o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos, e cerra-Ihe os olhos, para que não aconteça verem com os proprios olhos, e ouvirem com os proprios ouvidos"
.
O Apóstolo cita estas palavras, e comenta: "Bem falou o Espirito Santo pela boca do profeta Isaias".
.
D - A fórmula do Batismo
.
Não há como duvidar da verdade deste Misterio que a Escritura põe na mesma plana a pessoa do Espirito Santo com o Pai e o Filho; quando ordena, por exemplo, empregar no Batismo o nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo. Realmente se o Pai é Deus, e o Filho é Deus, força nos é confessar que o Espinto Santo tambem é Deus, pois que Lhes fica ligado pelo mesmo grau de dignidade
.
Uma prova a mais é que nenhum fruto se pode tirar do Batismo que fosse conferido em nome de alguma criatura. "Porventura foste vós batizados em nome de Paulo? Pergunta o Apostolo, a fim de mostrar que tal Batismo de nada Ihes adiantaria para a salvação. Portanto, uma vez que nós batizamos em nome do Espirito Santo, cumpre confessar que Ele é Deus
E - São João - Doxologia Litúrgica
.
Esta justaposição das três Pessoas, pela qual se demonstra a divindade do Espírito Santo, podemos averigua-la, quer na Epístola de São João: "Três são os que no céu dão testemunho: O Pai, O Filho e o Espírito Santo e estes três são um só" -, quer naquela gloriosa aclamação da Trindade Santíssima, que remata o Ofício Divino e os Salmos: " Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo"
F- Aplicação dos Atributos divinos
Afinal, uma grande confirmação desta verdade é que as Escrituras aplicam ao Espírito Santo todos os atributos que a fé nos ensina serem próprios de Deus. Reconhece-Lhe a honra dos templos, quando, por exemplo, o Apóstolo declara:"Ignoras, talvez, que vossos membros são templos do Espírito Santo?
Atribui-Lhe também as operações de " santificar", de "vivificar", de "penetrar os arcanos de Deus", de "falar pela boca dos Profetas". de "estar em toda parte". Tudo isso só pode enunciar-se em relação à Majestade Divina.
Fonte: Catecismo Romano
Mais do Símbolo da Fé AQUI
Depois continuamos.
.
Assinar:
Postagens (Atom)





