A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
sábado, 20 de abril de 2013
Os meus paroquianos não-católicos
Por padre Léo Trese
19,30
"Ainda que a família Marks chegue às sete e meia, devo ter tempo para responder a uma ou duas cartas entre tantas que deixei sem resposta. Os Marks chegam sempre atrasados, o que é compreensível visto serem seis. Querem entrar na Igreja católica todos juntos, incluída a pequena Doreen, de quatro anos, e o bebê, que dorme pacificamente durante as minhas explicações sobre o Credo.
Foi uma feliz coincidência a que me animou a visitá-los há três meses.
Philip, o pai, viera à porta da minha cozinha pedir-me o favor de deixá-lo telefonar ao médico, pois a esposa estava doente.A minha governanta (o FBI de todas as casas paroquiais) deduziu da conversa telefônica que ele estava desempregado e andava mal de finanças. Contou-me isso durante o jantar, e quando, no dia seguinte, passei perto da casa dos Marks, parei e entrei para ver se podia ajudá-los nalguma coisa.
Como não eram católicos, mostraram-se um pouco embaraçados com a presença de um padre, e o pequenino chegou a chorar quando me viu. Mas no fim todos vieram até à porta despedir-se de mim, assegurando-me cortesmente que tudo corria bem. Um mês depois, Sara, de treze anos, veio dizer-me que não estava batizada e que a sua mãe gostaria de que eu a batizasse...Fiz-lhe ver que a coisa não era tão simples assim: os pais deveriam dar o seu consentimento e ela teria que aprender o catecismo...
Moral da história: daqui a seis semanas todos os Marks se reunirão à volta da pia batismal para se tornarem membros do Corpo Místico de Cristo.
É estranho, penso agora, que tenha levado tanto tempo a perceber que todas as almas da minha paróquia são membros dela. Em teoria, sabia disso. Mas muitos anos se passaram até que começasse a lembrar-me, muito em especial durante a Missa, dos membros não-católicos do meu rebanho.
E foi ainda mais tarde que adquiri o hábito mental, quando apertava a mão ao pastor metodista, de ver nele um dos “meus”,de quem um dia terei que prestar contas a Deus. Há uma notável diferença entre considerar os meus paroquianos não-católicos como adversários irredutíveis e como possíveis freqüentadores da minha igreja. É uma disposição de espírito que parece facilitar-me a comunicação com eles.
Nota-se que sentem em mim uma sinceridade e interesse autênticos, que não existiam quando me deixava conduzir por uma atitude que vinha a dizer mais ou menos o seguinte: “Não desrespeitemos as normas da cortesia, mas guardemos as distâncias”.
Hoje, quando um dos meus não-católicos se casa com uma divorciada ou morre num desastre, preocupo-me quase tanto como se isso acontecesse a um dos meus paroquianos registrados nos livros da paróquia.
Mas talvez não esteja tão preocupado por eles como por mim próprio. Não faço por eles tudo o que deveria. Tudo, isto é, toda a oração e penitência que deveria. Afinal, são esses os dois únicos instrumentos de que disponho para trabalhar. Não tenho o dom da eloqüência que subjuga, nem uma personalidade magnética que arraste.
Nem mesmo tenho o tempo necessário para seguir todas as técnicas promocionais recomendadas pelos livros para converter almas. Mas poderia orar com mais freqüência, mortificar-me mais, para conseguir as graças de que o meu rebanho, quer esteja ou não dentro do redil, tanto necessita. Até hoje, nunca fiz uma oração premente – unida a um ato de mortificação – sem que apalpasse imediatamente os resultados.
Às vezes, é tão eficaz que chega a deixar-me mudo de espanto, como se tivesse introduzido distraidamente uma moeda num “caça-níqueis” e de lá jorrasse uma cascata.
Com certeza a maioria dos sacerdotes compreendeu muito mais rapidamente isto que eu demorei tanto a perceber: que o apostolado mais frutífero é o do sacerdote santo e não o do “grande realizador”. Frutífero, entendamos, a longo prazo. Frutífero através dos anos, como a semente enterrada bem fundo, cujas raízes crescem lentamente, mas perduram anos e anos.
Talvez estas reflexões não se devam à sabedoria, mas aos cabelos grisalhos. Talvez não sejam um começo de piedade, mas uma certa espécie de cansaço. Dá a impressão de que, ao envelhecermos, nós os sacerdotes nos tornamos um pouco cínicos.
Aderimos com tanta freqüência à última “panacéia” para reformar a fé e a moral! Tantas vezes recorremos febrilmente ao método mais recente de transformar as nossas paróquias! No fim das contas, para quê? Para vermos (nós ou os nossos sucessores) esgotar-se o nosso frenesi e morrer no nosso entusiasmo, e termos de voltar mais uma vez ao ponto de partida.
Portanto,e com toda a razão , vamo-nos apoiando mais e mais na graça de Deus. Ou, melhor, compreendemos por fim a verdade que estava sempre diante dos nossos olhos, isto é,que quando pensávamos estar removendo montanhas, era o dedo mindinho de Deus, secundado pela oração e penitência de desconhecidos, que realmente fazia o milagre.
De qualquer modo, é reconfortante compreender finalmente, com o passar dos anos, que existe um atalho:que mais horas junto do Sacrário e menos indulgência para com o egoísmo próprio conseguem aquilo que o nosso ativismo ultra-sônico nunca será capaz de conseguir.
É reconfortante olhar à volta com os olhos já sem escamas e ver que são os bons sacerdotes – aqueles que se movem no meio do seu rebanho com bondade, educação, paciência e amizade verdadeira – os que pastoreiam, falando espiritualmente, os rebanhos mais bem nutridos.
Sinto passos junto à porta de entrada. Devem ser os Marks. A caneta na minha mão não começou sequer a primeira das duas cartas que queria escrever.
E, apesar das minhas reflexões, amanhã ou depois lerei provavelmente alguma coisa sobre outro método infalível de converter a minha paróquia numa comunidade de santos.Tentarei experimentá-lo, trabalhando até esgotar-me, e mais uma vez a balança ora et labora - ora e trabalha - se inclinará pesadamente do lado da palavra mais longa.
Fonte: Vaso de Argila
Mais AQUI
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Igreja não pode ser babá dos leigos
Papa Francisco

"O poder do Batismo leva os cristãos à valentia de anunciar Jesus, inclusive sem seguranças, até em meio a perseguições": esta foi a mensagem do Papa Francisco durante a Missa que celebrou ontem na Casa Santa Marta, na presença de um grupo de trabalhadores do Banco Vaticano.
A homilia do Papa se centrou em uma passagem dos Atos dos Apóstolos: a primeira comunidade cristã de Jerusalém vivia em paz e caridade, mas, imediatamente depois do martírio de São Estêvão, começou uma violenta perseguição. "Isso, observou o Pontífice, é um pouco do estilo de vida da Igreja: entre a paz da caridade e a perseguição."
É o que acontece sempre na história, "porque é o estilo de Jesus". Com a perseguição, muitos fiéis fogem para a Judeia e Samaria, e lá anunciam o Evangelho, apesar de estarem sozinhos, sem sacerdotes, porque os apóstolos tinham ficado em Jerusalém. "Deixaram suas casas, levaram poucas coisas consigo; não tinham segurança, mas foram de lugar em lugar anunciando a Palavra. Carregavam a riqueza que possuíam: a fé. Esta riqueza que o Senhor lhes havia dado. Eram simples fiéis, batizados há cerca de um ano. Mas tinham essa valentia de ir anunciar. E as pessoas acreditavam neles. E eles faziam milagres." "Estes primeiros cristãos tinham somente a força do Batismo, que lhes dava a valentia apostólica, a força do Espírito Santo", afirmou o Papa.
"Então eu penso em nós, batizados, se nós temos esta força. E penso: mas nós acreditamos nisso? Acreditamos que o Batismo é suficiente para evangelizar? Ou esperamos que o padre peça, que o bispo peça? Mas e nós?"
"A graça do Batismo está um pouco fechada e nós estamos endurecidos pelos nossos pensamentos, pelas nossas coisas. Ou às vezes pensamos: 'Não, nós somos cristãos; eu recebi o Batismo, a Crisma, fiz a primeira comunhão, ou seja, o documento de identidade está em dia'. E agora você dorme tranquilo: você é cristão. Mas onde está a força do Espírito Santo que faz você seguir em frente?"
Para o Papa, "é necessário ser fiéis ao Espírito para anunciar Jesus com a nossa vida, com o nosso testemunho e com as nossas palavras". "Quando fazemos isso, a Igreja se torna uma Igreja Mãe que gera filhos, filhos e filhos, para que nós, filhos da Igreja, levemos isso. Mas quando não o fazemos, a Igreja não se torna Mãe, e sim Igreja babá, que nina a criança para dormir. É uma Igreja dormente. Pensemos em nosso Batismo, na responsabilidade do nosso Batismo."
O Papa recordou as perseguições no Japão, no século 17, quando os missionários católicos foram expulsos e as comunidades cristãs permaneceram 200 anos sem sacerdotes. Ao voltar, os missionários encontraram "todas as comunidades bem, todos batizados, todos catequizados, todos casados pela Igreja": graças à ação dos batizados. "Existe uma grande responsabilidade para nós, batizados: anunciar Cristo, levar adiante a Igreja, essa maternidade fecunda da Igreja.
Ser cristão não é fazer carreira num escritório para se tornar um advogado ou um médico cristão. Não! Ser cristão é um dom que nos faz ir em frente com a força do Espírito no anúncio de Jesus Cristo", disse.
Durante a perseguição dos primeiros cristãos, recordou finalmente o Papa, Maria orava muito e incentivava os batizados a seguir adiante com valentia.
"Peçamos ao Senhor a graça de ser batizados corajosos e confiantes em que o Espírito, que temos em nós, recebido no Batismo, nos incentive sempre a proclamar Jesus Cristo com nossa vida, com o nosso testemunho e também com as nossas palavras", concluiu Francisco.
(© Rádio Vaticano)
quarta-feira, 17 de abril de 2013
terça-feira, 16 de abril de 2013
A Graça Habitual ou Santificante
Primeira parte AQUI
Segunda parte AQUI
Deus Nosso Senhor, querendo, na sua infinita bondade, elevar-nos até Si, na medida em que o permite a nossa fraca natureza, dá - nos um princípio vital sobrenatural, deiforme: é a graça habitual, graça que se chama criada, por oposição à graça incriada, que consiste na habitação do Espírito Santo em nós.
Segunda parte AQUI
Deus Nosso Senhor, querendo, na sua infinita bondade, elevar-nos até Si, na medida em que o permite a nossa fraca natureza, dá - nos um princípio vital sobrenatural, deiforme: é a graça habitual, graça que se chama criada, por oposição à graça incriada, que consiste na habitação do Espírito Santo em nós.
Esta graça torna-nos semelhantes a Deus e
une-nos a Ele duma maneira estreitíssima.
É uma qualidade sobrenatural, inerente à nossa
alma, que nos faz particípar, dum modo real, formal, mas acidental, da natureza
e vida divinas.
1 - É, pois, uma realidade da ordem
sobrenatural, não porém substância, pois que substância nenhuma criada pode ser
sobrenatural; é uma maneira de ser, um estado da alma, uma qualidade inerente à
substância da nossa alma, que a transforma e eleva
acima de todos os seres naturais, ainda os mais perfeitos; qualidade
permanente, de sua natureza, que fica em nós enquanto a não expelimos da alma
cometendo voluntariamente algum pecado mortal.
«É, diz o
Cardeal Mercier, apoiando-se em Bossuet,
essa qualidade espiritual que Jesus difunde em nossas almas; que penetra o mais
íntimo da nossa substância; que se imprime no mais secreto de nos almas e se
derrama (pelas virtudes) em todas as potências e faculdades da alma; que,
tomando posse dela interiormente, a torna pura e agradável aos olhos deste
divino Salvador e a faz seu santuário, seu templo, seu tabernáculo, enfim seu
lugar de delícias»
Esta qualidade torna-nos, segundo a expressão
de São Pedro, participantes da natureza divina; faz-nos entrar, diz São Paulo,
em comunicação com o Espírito Santo; em sociedade com o Pai e o Filho, ajunta
São João.
Ora a graça habitual é já uma preparação para
a visão beatífica e um como antegosto desse favor, é o botão que já contém
flor, se bem que esta não haja de desabrochar senão mais tarde; é, pois, do
mesmo gênero que a própria visão beatífica e participa da sua natureza.
Esta participação da vida divina é, não
simplesmente virtual senão formal. Uma participação virtual não nos faz possuir
uma qualidade senão de maneira diversa daquela que se encontra na causa
principal, assim a razão é uma participação virtual da inteligência divina,
porque nos faz conhecer a verdade, mas de modo bem diferente do conhecimento
que dela tem Deus. Não assim a visão beatífica, e, guardada toda a proporção, a
fé: estas fazem-nos conhecer a Deus como Ele se conhece a si mesmo, não sem
dúvida no mesmo grau, mas da mesma maneira.
Esta
participação não é substancial, senão acidental. Assim se distingue da geração
do Verbo, que recebe toda a substância do Pai, bem como da união hipostática,
que é uma união substancial da natureza humana e da natureza divina na única
Pessoa do Verbo: nós, efetivamente, conservamos a nossa personalidade, e a
nossa únião com Deus não é substancial.
Para nos fazerem compreender esta divina
semelhança, empregam os santos Padres diversas comparações:
1 - A nossa alma, dizem, é uma imagem viva da
Santíssima Trindade uma espécie de retrato em miniatura, pois que o próprio
Espírito se vem imprimir em nós, como um sinete sobre cera branda, e a sua
divina semelhança. Daqui concluem que a alma em
estado de graça é duma beleza arrebatadora, pois que o artista, que nela pinta
esta imagem, é infinitamente perfeito, visto ser o próprio Deus.
Para
mostrarem que esta semelhança não fica à superfície, se não que penetra até o
mais íntimo da nossa alma, recorrem à comparação do fogo. Assim como, dizem
eles, uma barra de ferro, metida em água ardente, adquire bem depressa o
brilho, o calor e maleabilidade do fogo, assim a nossa alma, mergulhada na
fornalha do amor divino, ali se desembaraça das escórias, tornando-se
brilhante, ardente e dócil às divinas inspirações
Faze-se, efetivamente, essa união, por
intermédio da graça santificante, «acidente» acrescentado à substância da alma;
ora, na linguagem escolástica, a união num acidente e de uma substância
chama-se união «acidental» .
Nem por isso é menos verdade que a união da
alma com Deus se pode dizer uma união de substância a substância , que o homem
e Deus estão em contato tão íntimo como o ferro e o fogo que o envolve e
penetra, como o cristal e a luz.
Para
tudo resumir numa palavra, a união hipostática faz um Homem-Deus, a união da
graça faz homens divinizados; e, assim como as ações de Cristo são
divino-humanas ou teândricas, assim as do justo são deiformes, feitas em comum
por Deus e por nós, e, por este título, meritórias da vida eterna, que não é
outra coisa senão uma união imediata com a divindade.
Assim como na ordem da natureza necessitamos
do concurso de Deus a passarmos da potência ao ato, assim na ordem
sobrenatural não podemos pôr em ação as nossas faculdades sem o auxílio da
graça atual.
Depois veremos sobre a graça atual.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
O que fazer com o Império?
Por Georges Suffert
Qual é a situação da Igreja nessa época indecisa que se segue às mortes de Pedro e de Paulo e sobretudo à derrota dos judeus?
A Igreja deve enfrentar quatro problemas distintos.
Primeiro: precisar seu pensamento, preparar sua pregação. Mas esta logo vai esbarrar com a primeira semi-heresia, filha conjunta do judaísmo e do cristianismo: a "gnose". Ela será uma heresia resistente porque, sob outras formas, o gnosticismo existe até hoje.
Depois, a Igreja deverá assimilar as múltiplas influências intelectuais que pesarão sobre ela. Para começar, o cristianismo, nascido aramaico-hebraico, se tornará grego. Sem essa metamorfose, talvez tivesse sido impossível o discurso cristão penetrar no mundo "civilizado" de então.
E depois a Igreja deverá ouvir os discurso de outras tradições religiosas. A Pérsia, entre outras, difundirá sua religião. As comunidades judaicas e cristãs das origens levarão isso em conta sem sequer terem consciência do peso da religião de Zaratustra. Os essênios, por sua vez, conheceram essa religião. Até o Evangelho de João tem, aqui e ali, marcas da oposição radical entre a luz e as trevas a luz e as trevas.
Finalmente, a Igreja deverá inventar comportamentos em relação ao Império; não poderá recusá-lo, nem aceitá-lo como está. Decerto, a preocupação dos cristãos não é afrontar o imperador.
Mas, à medida que aumenta a importância das comunidades cristãs, as autoridades romanas começam a ficar de olho nessa seita judaica de um tipo diferente. Roma experimentará sucessivamente diversas políticas - uma a uma, elas fracassarão. O núcleo cristão foge aliás às classificações da polícia: não pertence nem ao universo político nem ao das religiões clássicas. Nessa época, ele não é confundido verdadeiramente com o dos judeus. Em resumo, as autoridades romanas hesitam entre a repressão e a tolerância.
As perseguições - que foram menos numerosas do que a história lendária afirma não terão muito efeito na rápida progressão do cristianismo. Se foram relativamente poucas, foram violentas e em geral cruéis.
Eis algumas das perguntas que os bispos da época se fazem. Porém, eles estão geograficamente afastados uns dos outros. Comunicam-se apenas por carta, às vezes por mensageiros. É demorado. Pois que cada comunidade tenta superar os obstáculos particulares que encontra. Por isso, pode-se dizer que há três zonas distintas de influência cristã: a Igreja de Roma, a da Asia e a da Africa. O novo centro que se constitui lentamente em Roma deverá reunir as peças desse quebra-cabeça dispersado. O que exigirá Tempo
No fundo, as heresias - que pululam durante todo o século II e o III - são conseqüência ao mesmo tempo desse desaparecimento e da fragilidade teológica desse primeiro cristianismo. Será necessário esperar os verdadeiros encontros entre a Revelação de um lado e o pensamento grego de outro para que o conjunto tome forma.
O caso das seitas gnósticas é exemplar. A gnose é, no início, um meio de reconciliar, após o fracasso da insurreição, os temas cristãos, a tradição judaica e a razão grega. É a aparição do sincretismo que deseja casar os temas judaico-cristãos com os das escolas filosóficas da época .
A gnose nasce às margens do judaísmo ortodoxo; o que conta para judeus é a iminência do fim dos tempos. Para eles, o mundo viveu bastante e o apocalipse é dissimulado no canto do calendário. Essa época é perspassada por essa obsessão, à qual os cristãos são tão sensíveis quanto os outros. Eles aguardam para a breve a volta do Messias e a virada da história. Alguns judeus-cristãos agravarão essa angústia. Para eles, jogou-se tudo.
Aliás,"Jesus é Cristo - isto é, uma pessoa que foi dirigida e abençoada Deus -, mas é sobretudo um homem como os outros".
Este é um que encontraremos até a passagem do século V ao VI. Se preferimos, Jesus é o profeta anunciado por Moisés, foi escolhido por Deus, mas não é seu filho. Embora possamos localizar e datar o nascimento daquilo que nem chega a ser uma heresia - os gnósticos não pertencem verdadeiramente à cepa cristã -, foi em Péla que tudo teria começado; cristãos, talvez os essênios, é que foram para lá com a comunidade de Jerusalém para escapar da cilada da guerra.
Eles professam que existem dois princípios que animam o universo: O bem e o Mal. Mas acham que o mal é parte integrante da criação do universo.
Depois veremos: Os Gnósticos - o bem e o mal
Estudo AQUI
Qual é a situação da Igreja nessa época indecisa que se segue às mortes de Pedro e de Paulo e sobretudo à derrota dos judeus?
A Igreja deve enfrentar quatro problemas distintos.
Primeiro: precisar seu pensamento, preparar sua pregação. Mas esta logo vai esbarrar com a primeira semi-heresia, filha conjunta do judaísmo e do cristianismo: a "gnose". Ela será uma heresia resistente porque, sob outras formas, o gnosticismo existe até hoje.
Depois, a Igreja deverá assimilar as múltiplas influências intelectuais que pesarão sobre ela. Para começar, o cristianismo, nascido aramaico-hebraico, se tornará grego. Sem essa metamorfose, talvez tivesse sido impossível o discurso cristão penetrar no mundo "civilizado" de então.
E depois a Igreja deverá ouvir os discurso de outras tradições religiosas. A Pérsia, entre outras, difundirá sua religião. As comunidades judaicas e cristãs das origens levarão isso em conta sem sequer terem consciência do peso da religião de Zaratustra. Os essênios, por sua vez, conheceram essa religião. Até o Evangelho de João tem, aqui e ali, marcas da oposição radical entre a luz e as trevas a luz e as trevas.
Finalmente, a Igreja deverá inventar comportamentos em relação ao Império; não poderá recusá-lo, nem aceitá-lo como está. Decerto, a preocupação dos cristãos não é afrontar o imperador.
Mas, à medida que aumenta a importância das comunidades cristãs, as autoridades romanas começam a ficar de olho nessa seita judaica de um tipo diferente. Roma experimentará sucessivamente diversas políticas - uma a uma, elas fracassarão. O núcleo cristão foge aliás às classificações da polícia: não pertence nem ao universo político nem ao das religiões clássicas. Nessa época, ele não é confundido verdadeiramente com o dos judeus. Em resumo, as autoridades romanas hesitam entre a repressão e a tolerância.
As perseguições - que foram menos numerosas do que a história lendária afirma não terão muito efeito na rápida progressão do cristianismo. Se foram relativamente poucas, foram violentas e em geral cruéis.
Eis algumas das perguntas que os bispos da época se fazem. Porém, eles estão geograficamente afastados uns dos outros. Comunicam-se apenas por carta, às vezes por mensageiros. É demorado. Pois que cada comunidade tenta superar os obstáculos particulares que encontra. Por isso, pode-se dizer que há três zonas distintas de influência cristã: a Igreja de Roma, a da Asia e a da Africa. O novo centro que se constitui lentamente em Roma deverá reunir as peças desse quebra-cabeça dispersado. O que exigirá Tempo
No fundo, as heresias - que pululam durante todo o século II e o III - são conseqüência ao mesmo tempo desse desaparecimento e da fragilidade teológica desse primeiro cristianismo. Será necessário esperar os verdadeiros encontros entre a Revelação de um lado e o pensamento grego de outro para que o conjunto tome forma.
O caso das seitas gnósticas é exemplar. A gnose é, no início, um meio de reconciliar, após o fracasso da insurreição, os temas cristãos, a tradição judaica e a razão grega. É a aparição do sincretismo que deseja casar os temas judaico-cristãos com os das escolas filosóficas da época .
A gnose nasce às margens do judaísmo ortodoxo; o que conta para judeus é a iminência do fim dos tempos. Para eles, o mundo viveu bastante e o apocalipse é dissimulado no canto do calendário. Essa época é perspassada por essa obsessão, à qual os cristãos são tão sensíveis quanto os outros. Eles aguardam para a breve a volta do Messias e a virada da história. Alguns judeus-cristãos agravarão essa angústia. Para eles, jogou-se tudo.
Aliás,"Jesus é Cristo - isto é, uma pessoa que foi dirigida e abençoada Deus -, mas é sobretudo um homem como os outros".
Este é um que encontraremos até a passagem do século V ao VI. Se preferimos, Jesus é o profeta anunciado por Moisés, foi escolhido por Deus, mas não é seu filho. Embora possamos localizar e datar o nascimento daquilo que nem chega a ser uma heresia - os gnósticos não pertencem verdadeiramente à cepa cristã -, foi em Péla que tudo teria começado; cristãos, talvez os essênios, é que foram para lá com a comunidade de Jerusalém para escapar da cilada da guerra.
Eles professam que existem dois princípios que animam o universo: O bem e o Mal. Mas acham que o mal é parte integrante da criação do universo.
Depois veremos: Os Gnósticos - o bem e o mal
Estudo AQUI
Imitação de Cristo
quarta-feira, 10 de abril de 2013
A Redenção de Cristo e sua maravilhosa Graça.
Depois da queda de Adão, coube então a Jesus, o novo Adão, pela sua Paixão, Morte e Ressurreição, restaurar pelos méritos que adquiriu na Cruz,
este homem, que estava depois do pecado, condenado a viver eternamente longe de
Deus.
Justamente porque, pelo pecado, perdeu a graça
santificante que o capacitaria a vê-lo e viver eternamente com Ele. Por isso
Jesus se fez homem, para ser um como nós e se oferecer em nosso lugar. Homem
sem pecado e nascido de uma mulher sem pecado, para ser o representante
legítimo da criatura feita a imagem de Deus e Deus perfeitíssimo, para oferecer
e ser vítima de expiação em nosso favor.
A Encarnação, este bem precioso, por si só, já
é motivo de júbilo, é um dos maravilhosos atos de amor do Pai para com os seus
filhos. Pois se não fora o pecado original, não é certo que o Verbo se
encarnaria. Por isso cantamos: O felix culpa!! Em vez de Adão, chefe bem
dotado, sem dúvida, mas falível e pecável, temos por cabeça o Filho eterno de
Deus, que revestido de nossa natureza, é homem tão verdadeiro, como é
verdadeiro Deus. Pela maravilhosa bondade de Deus, veio Este em favor do homem caído e condenado, para refazer este homem desfigurado pela culpa e o repõe em certo sentido, num estado melhor que o anterior à queda.
Jesus desde este momento foi constituído
cabeça da raça humana, é que estava reservado "Expiar as nossas culpas e
instituir o Sacramento da Regeneração, para transmitir a cada Batizado a graça
perdida pelo primeiro homem
Jesus não contente em reparar, pela Sua
satisfação a ofensa feita a Deus e de nos reconciliar com Ele, merece-nos
todas as graças que havíamos perdido pelo pecado e outras ainda, entre elas a graça santificante tem a
primazia, com ela vem em cortejo de virtudes infusas e dons do Espírito Santo.
Jesus também institui os Sacramentos, sinais sensíveis da graça invisível que nos
será dada em cada fase de nossa vida. Eles são os canais da graça que
tanto os homens necessitarão enquanto viverem neste mundo. E os deixou à sua
Igreja para que ela os administrasse, por isso a fundou a preço de seu sangue.
O Deus que vem habitar em nós pela graça, é o
Deus vivo, a Santíssima Trindade, fonte infinita da vida divina que nada mais
ardentemente deseja do que fazer-nos participar da sua santidade. Nossa alma passa a ser o trono de Deus e ali
Ele distribui seus favores celestes e o adorna de todas as virtudes. Ele é
então princípio de nossa santificação, a fonte da nossa vida interior.. Ele é
também, causa exemplar e como filhos devemos imitar nosso Pai.
A partir do Batismo o homem começa seu Exodo –
recebe a graça, sai do pecado para a vida nova – travando a partir daí a luta
entre o bem e o mal, para sair vitorioso em Cristo .
Já os dons Preternaturais - o dom da
Integridade, é restituído de uma forma progressiva. O Homem ainda de posse da
concuspicência, tem agora forças para combater e vencer as tentações que certamente virão. E que
luta haverá de travar para vencer em Cristo!
E os auxílios são
muitos:
1 - entre elas as virtudes o robustece
e podem ele alcançar os merecimentos de que por ela tem agora direito. As
virtudes infusas nos capacitam a agir de maneira sobrenatural, de julgar as
coisas à luz da revelação divina e agir de acordo com que a fé nos mostra.
Dispõe a nossa inteligencia e a nossa vontade para a união com Deus, mas não
nos confere por si mesmas a facilidade de pensar e agir segundo as luzes da fé.
Por isso é necessário que elas sejam reforçadas
por hábitos moralmente bons, que se adquirem por atos correspondentes,
realizados com intensidade e de maneira repetida. .
Jesus é o exemplo a seguir e sua cruz o grande
estímulo para a luta e as graças atuais que o Senhor merece facilitam e
muito os esforços e vitórias. A ajuda das graças atuais que o Senhor não nega
às almas que as pedem com o coração desejoso de ama-Lo e de servi-Lo, entra em
ação, nos capacitando a chegarmos ao termo final.
E para receber estas graças atuais, - (que nos
iluminam a inteligência, fortificam a vontade e ajudam a praticar atos e a
aumentar assim o capital de graça santificante ou habitual que nos foi
concedido) -, são imprescindíveis os dons do Espírito Santo, que são
disposições ou hábitos sobrenaturais que faz com que a alma elevada já à vida
sobrenatuaral pela graça santificante, se torne capaz de receber estas
inspirações divinas.
Os dons portanto, intervem necessariamente em
todo ato sobrenatural.
Entendamos pois, que o homem em estado de
graça, todos os seus atos, são realizados com ajuda de Deus. É Ele que opera em
nós e por nós. Por isso, qualquer ação que fazemos, tem méritos de vida eterna.
São Paulo, na carta aos Colossenses no cap. 3, vers 17 – nos diz que “tudo quanto
fizermos, por palavras ou por obras, que façamos em Nome de Jesus Cristo dando
por Ele, graças a Deus Pai.”
Nossa caridade, nosso amor, nossos atos,
nenhum deles são desperdiçados, pois o fazemos em Deus e para Deus. Ao abrirmos
nossos olhos, saibamos que a menor de nossas ações devem ser oferecidas a Deus
e devemos pedir que tudo naquele dia seja feito com Sua ajuda santíssima.
Assim, nosso coração se torna um coração descansado, já que nos unimos a Deus
que tudo realiza.
Esta vida da graça, se bem que distinta da
vida natural, não lhe é simplesmente sobreposta, senão que por completo a
penetra, transforma e diviniza. Assimila tudo quanto há de bom em nossa
natureza, educação, hábitos adquiridos, aperfeiçoa e sobrenaturaliza todos
estes elementos, orientando-os para o último fim, isto é, para a posse de Deus,
pela visão beatífica e amor que a acompanha.
É esta a esta vida sobrenatural que compete
dirigir a vida natural, em virtude do princípio geral, que os seres inferiores
são subordinados aos superiores . É que, na verdade, não pode durar nem se
desenvolver-se, se não domina e conserva sob a sua influência os atos da
inteligência, da vontade e das outras faculdades; e com isso não destrói nem
diminui a natureza, antes a exalta e aperfeiçoa.
Depois veremos: A Graça
Habitual ou Santificante
terça-feira, 9 de abril de 2013
Sacerdotes, dignos ministros de Deus.
«Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina”«Oh como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. (…) Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e encerra-se numa pequena hóstia». «Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem a há-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. (…) Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu».«Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. (…) Sem o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra (…) Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, senão houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecónomo do bom Deus; o administrador dos seus bens (…) Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. (…) O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós». (Santo Cura d’Ars – Padroeiro do Clero - citado por Papa Bento XVI em sua carta aos Sacerdotes, no inicio do ano sacerdotal
Cristo é o modelo para todos os sacerdotes.
Jesus quando partiu o pão, ao instituir a Sagrada Eucaristia, deu graças! e dar graças deve ser o motivo da vida de todo sacerdote, pois foi constituido pelo próprio Senhor, - este que o ama, que o acolhe com a sua Providência, e acompanha-os com intervenções contínuas de salvação -, para que fossem seus ministros neste mundo. Um espírito agradecido deve sempre ser cultivado, pois receberam do Senhor muitos dons e são eles os distribuidores destes dons aos filhos de Deus. Grande responsabilidade e honra mereceu estes escolhidos, pois apesar de toda fraquesa podem confiantemente cantar a se alegrar em Deus que os auxilia na caminhada, fazendo deles verdadeiros arautos da fé que receberam e do serviço a que foram chamados, arautos de fato do ministério da salvação. Dignos ministros, dignos servos de Deus.
Sua dignidade supera a dignidade humana, nos diz Santo Inácio, exatamente pelas funções que exercem, pois o sacerdote está entre Deus e os homens, trazendo a eles a maior riqueza que se pode ter neste mundo, o próprio Deus. Portanto por sua excelsa função são dignos diante de Deus a quem são consagrados e dos homens a quem servem.
Pelo Sacramento da Ordem que é o sacramento da nova aliança recebem o poder espiritual para dirigir os que o Senhor os conferiu para serem seus guias. Os sacerdotes são pastores de almas, e por elas devem ser ouvidos e amados. Basta saber-se que, no dizer do próprio Jesus Cristo, os padres devem ser tratados como a sua pessoa: “Quem vos escuta, a mim escuta; e quem vos despreza, a mim despreza”.Honrar o sacerdote de Cristo, é honrar o Cristo; e fazer injúria ao sacerdote de Cristo, é fazê-la a Cristo. Considerando a dignidade dos sacerdotes, Maria d’Oignies beijava a terra em que eles punham os pés.
Quando Jesus instituiu a Eucaristia disse: « Fazei isto em memória de Mim ». Por isso, a Eucaristia não recorda simplesmente um fato; recorda-o a Ele. Para o sacerdote, o fato de repetir cada dia, in persona Christi, as palavras do « memorial » é um convite a desenvolver uma « espiritualidade da memória ». Por isso o sacerdote é chamado a ser no meio de seu povo, o povo de Deus -, um homem com a memória fiel de Cristo e de todo seu mistério e deve faze-lo de forma obediente, na retidão.
O sacerdote nunca deverá perder a condição de assombro diante do mistério a que foi chamado celebrar. Diante dele e pelas suas palavras consagratórias, o pão e o vinho se transformam pelo poder da palavra de Cristo e da ação do Espírito Santo, na substância do corpo e do sangue de Cristo. Assim, sobre o altar, está « verdadeira, real e substancialmente » presente Cristo morto e ressuscitado, com toda a sua humanidade e divindade. Trata-se, portanto, de realidade eminentemente sagrada! Por isso, a Igreja circunda de tanta reverência este Mistério, e vigia atentamente por que sejam observadas as normas litúrgicas que tutelam a santidade de tão grande Sacramento.(Bento XVI)
Os sacerdotes, são os celebrantes, mas também os guardiões deste sacrossanto Mistério. Por isso suas vidas devem ser eternamente e diariamente consagradas para celebrarem dignamente e com toda reverência o Santo Sacrificio. Santo Sacrifício este que tem força expiatória diante do Pai. “Oferecer In persona Christi, quer dizer mais que “em nome”ou também “em vez”. “In persona”, isto é, na identificacão específica Sacramental com o Sumo e Eterno Sacerdote que é o autor e o Sujeito principal deste seu próprio sacrifício no que em verdade, não pode ser substituído por ninguém, somente Ele Cristo, podia e pode ser sempre verdadeira e efetiva ‘propiciatio pro peccatus nostris…sed etian totus mund’( Carta a todos Bispos n. 8)
«É o mesmo Sacerdote, Jesus Cristo, de quem realmente o ministro faz as vezes. Se realmente o ministro é assimilado ao Sumo-Sacerdote, em virtude da consagração sacerdotal que recebeu, goza do direito de agir pelo poder do próprio Cristo que representa 'virtute ac persona ipsius Christi'» (Pio XII. Enc. Mediator Dei: AAS 39 (1947) 548.).
Nos diz Santo Afonso de Ligório que ”Não pode a Igreja inteira, sem os padres, prestar a Deus tanta honra, nem obter dele tantas graças, como um só padre que celebra uma missa. Com efeito, sem os padres, não poderia a Igreja oferecer a Deus sacrifício mais honroso que o da vida de todos os homens: mas o que era a vida de todos os homens, comparada com a de Jesus Cristo, cujo sacrifício tem um valor infinito? O que são todos os homens diante de Deus senão um pouco de pó, ou antes um nada? Isaías diz: São como uma gota de água... e todas as nações são diante dele, como se não fossem. Assim, o sacerdote que celebra uma missa rende a Deus uma honra infinitamente maior, sacrificando-lhe Jesus Cristo, do que se todos os homens, morrendo por ele, lhe fizessem o sacrifício das suas vidas. Mais ainda, por uma só missa, dá o sacerdote a Deus maior glória, do que lhe têm dado e hão de dar todos os anjos e santos do Paraíso, incluindo também a Virgem santíssima; porque não lhe podem dar um culto infinito, como o faz um sacerdote celebrando no altar. . Pelo contrário, foi necessária a morte de Jesus Cristo para fazer um padre: pois, doutro modo, — onde se encontraria a Vítima que os padres da lei nova oferecem hoje a Deus, Vítima santíssima, sem mancha, só por si suficiente para honrar a Deus duma maneira condigna de Deus? O sacrifício da vida de todos os anjos e de todos os homens não seria capaz, como acabamos de dizer, de prestar a Deus a honra infinita, que lhe presta um padre com uma só missa”
«Cristo é a fonte de todo o sacerdócio: pois o sacerdócio da [antiga] lei era figura d'Ele, ao passo que o sacerdote da nova lei age na pessoa d'Ele»(«Christus est fons totius sacerdotii: nam sacerdos legalis erat figura ipsius, sacerdos autem novae leis in persona ipsius operatur»: São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 22, a. 4. e: Ed. Leon. 11, 260.).
Os sacerdotes devem ser amados, pois através deles recebemos nossa filiação divina, pelo Batismo por eles administrados. Recebemos toda vez que pecamos e arrependidos recorremos a eles, o perdão dos pecados, pois ele age na pessoa de Cristo para desatar tudo que nos amarrava.
Sua Santidade o Papa Pio XI escrevia: ”quando vemos um homem exercer esta faculdade (perdoar os pecados) não podemos pelo menos deixar de repetir – não com escândalo farisaico, mas com reverente assombro – aquelas palavras: “Quem é este que até perdoa pecados?” (Lc 7,49). Foi o Homem-Deus que tinha e tem o “poder de perdoar os pecados na terra” (Lc 5,24), quem quis transmiti-lo aos Seus sacerdotes para encher com a liberalidade da misericórdia divina, a necessidade de purificação que sente a consciência humana. Daí brota uma grande consolação para o homem culpável, que sofre com os remorsos e que, arrependido, ouve a palavra do sacerdote, que em nome de Deus lhe diz: ”Eu te absolvo dos teus pecados”. Ouvir isto da boca de alguém que por sua vez terá a necessidade de pedir as mesmas palavras a outro sacerdote, não degrada o dom misericordioso de Deus, mas sublima-o, já que através da frágil criatura se vê na mão de Deus que opera este prodígio” (Carta Encíclica -Ad Catholici Sacerdotti, n. 6 – Sobre o Sacerdócio Católico)
Os sacerdotes são pontes que nos levam a Deus. Rezemos por eles, para que amem a Cristo e Sua Igreja acima de todas as coisas, que sejam fieis, santos para glorificar com suas vidas o Deus que os chamou a tão digna vocação. Que tenham confiança em Jesus Cristo, o Amigo, pois Ele não os abandona, Ele que sustenta seu ministério . Demos graças a Deus, pelos nossos sacerdotes, santos e fieis sacerdotes.
Jesus quando partiu o pão, ao instituir a Sagrada Eucaristia, deu graças! e dar graças deve ser o motivo da vida de todo sacerdote, pois foi constituido pelo próprio Senhor, - este que o ama, que o acolhe com a sua Providência, e acompanha-os com intervenções contínuas de salvação -, para que fossem seus ministros neste mundo. Um espírito agradecido deve sempre ser cultivado, pois receberam do Senhor muitos dons e são eles os distribuidores destes dons aos filhos de Deus. Grande responsabilidade e honra mereceu estes escolhidos, pois apesar de toda fraquesa podem confiantemente cantar a se alegrar em Deus que os auxilia na caminhada, fazendo deles verdadeiros arautos da fé que receberam e do serviço a que foram chamados, arautos de fato do ministério da salvação. Dignos ministros, dignos servos de Deus.
Sua dignidade supera a dignidade humana, nos diz Santo Inácio, exatamente pelas funções que exercem, pois o sacerdote está entre Deus e os homens, trazendo a eles a maior riqueza que se pode ter neste mundo, o próprio Deus. Portanto por sua excelsa função são dignos diante de Deus a quem são consagrados e dos homens a quem servem.
Pelo Sacramento da Ordem que é o sacramento da nova aliança recebem o poder espiritual para dirigir os que o Senhor os conferiu para serem seus guias. Os sacerdotes são pastores de almas, e por elas devem ser ouvidos e amados. Basta saber-se que, no dizer do próprio Jesus Cristo, os padres devem ser tratados como a sua pessoa: “Quem vos escuta, a mim escuta; e quem vos despreza, a mim despreza”.Honrar o sacerdote de Cristo, é honrar o Cristo; e fazer injúria ao sacerdote de Cristo, é fazê-la a Cristo. Considerando a dignidade dos sacerdotes, Maria d’Oignies beijava a terra em que eles punham os pés.
Quando Jesus instituiu a Eucaristia disse: « Fazei isto em memória de Mim ». Por isso, a Eucaristia não recorda simplesmente um fato; recorda-o a Ele. Para o sacerdote, o fato de repetir cada dia, in persona Christi, as palavras do « memorial » é um convite a desenvolver uma « espiritualidade da memória ». Por isso o sacerdote é chamado a ser no meio de seu povo, o povo de Deus -, um homem com a memória fiel de Cristo e de todo seu mistério e deve faze-lo de forma obediente, na retidão.
O sacerdote nunca deverá perder a condição de assombro diante do mistério a que foi chamado celebrar. Diante dele e pelas suas palavras consagratórias, o pão e o vinho se transformam pelo poder da palavra de Cristo e da ação do Espírito Santo, na substância do corpo e do sangue de Cristo. Assim, sobre o altar, está « verdadeira, real e substancialmente » presente Cristo morto e ressuscitado, com toda a sua humanidade e divindade. Trata-se, portanto, de realidade eminentemente sagrada! Por isso, a Igreja circunda de tanta reverência este Mistério, e vigia atentamente por que sejam observadas as normas litúrgicas que tutelam a santidade de tão grande Sacramento.(Bento XVI)
Os sacerdotes, são os celebrantes, mas também os guardiões deste sacrossanto Mistério. Por isso suas vidas devem ser eternamente e diariamente consagradas para celebrarem dignamente e com toda reverência o Santo Sacrificio. Santo Sacrifício este que tem força expiatória diante do Pai. “Oferecer In persona Christi, quer dizer mais que “em nome”ou também “em vez”. “In persona”, isto é, na identificacão específica Sacramental com o Sumo e Eterno Sacerdote que é o autor e o Sujeito principal deste seu próprio sacrifício no que em verdade, não pode ser substituído por ninguém, somente Ele Cristo, podia e pode ser sempre verdadeira e efetiva ‘propiciatio pro peccatus nostris…sed etian totus mund’( Carta a todos Bispos n. 8)
«É o mesmo Sacerdote, Jesus Cristo, de quem realmente o ministro faz as vezes. Se realmente o ministro é assimilado ao Sumo-Sacerdote, em virtude da consagração sacerdotal que recebeu, goza do direito de agir pelo poder do próprio Cristo que representa 'virtute ac persona ipsius Christi'» (Pio XII. Enc. Mediator Dei: AAS 39 (1947) 548.).
Nos diz Santo Afonso de Ligório que ”Não pode a Igreja inteira, sem os padres, prestar a Deus tanta honra, nem obter dele tantas graças, como um só padre que celebra uma missa. Com efeito, sem os padres, não poderia a Igreja oferecer a Deus sacrifício mais honroso que o da vida de todos os homens: mas o que era a vida de todos os homens, comparada com a de Jesus Cristo, cujo sacrifício tem um valor infinito? O que são todos os homens diante de Deus senão um pouco de pó, ou antes um nada? Isaías diz: São como uma gota de água... e todas as nações são diante dele, como se não fossem. Assim, o sacerdote que celebra uma missa rende a Deus uma honra infinitamente maior, sacrificando-lhe Jesus Cristo, do que se todos os homens, morrendo por ele, lhe fizessem o sacrifício das suas vidas. Mais ainda, por uma só missa, dá o sacerdote a Deus maior glória, do que lhe têm dado e hão de dar todos os anjos e santos do Paraíso, incluindo também a Virgem santíssima; porque não lhe podem dar um culto infinito, como o faz um sacerdote celebrando no altar. . Pelo contrário, foi necessária a morte de Jesus Cristo para fazer um padre: pois, doutro modo, — onde se encontraria a Vítima que os padres da lei nova oferecem hoje a Deus, Vítima santíssima, sem mancha, só por si suficiente para honrar a Deus duma maneira condigna de Deus? O sacrifício da vida de todos os anjos e de todos os homens não seria capaz, como acabamos de dizer, de prestar a Deus a honra infinita, que lhe presta um padre com uma só missa”
«Cristo é a fonte de todo o sacerdócio: pois o sacerdócio da [antiga] lei era figura d'Ele, ao passo que o sacerdote da nova lei age na pessoa d'Ele»(«Christus est fons totius sacerdotii: nam sacerdos legalis erat figura ipsius, sacerdos autem novae leis in persona ipsius operatur»: São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 22, a. 4. e: Ed. Leon. 11, 260.).
Os sacerdotes devem ser amados, pois através deles recebemos nossa filiação divina, pelo Batismo por eles administrados. Recebemos toda vez que pecamos e arrependidos recorremos a eles, o perdão dos pecados, pois ele age na pessoa de Cristo para desatar tudo que nos amarrava.
Sua Santidade o Papa Pio XI escrevia: ”quando vemos um homem exercer esta faculdade (perdoar os pecados) não podemos pelo menos deixar de repetir – não com escândalo farisaico, mas com reverente assombro – aquelas palavras: “Quem é este que até perdoa pecados?” (Lc 7,49). Foi o Homem-Deus que tinha e tem o “poder de perdoar os pecados na terra” (Lc 5,24), quem quis transmiti-lo aos Seus sacerdotes para encher com a liberalidade da misericórdia divina, a necessidade de purificação que sente a consciência humana. Daí brota uma grande consolação para o homem culpável, que sofre com os remorsos e que, arrependido, ouve a palavra do sacerdote, que em nome de Deus lhe diz: ”Eu te absolvo dos teus pecados”. Ouvir isto da boca de alguém que por sua vez terá a necessidade de pedir as mesmas palavras a outro sacerdote, não degrada o dom misericordioso de Deus, mas sublima-o, já que através da frágil criatura se vê na mão de Deus que opera este prodígio” (Carta Encíclica -Ad Catholici Sacerdotti, n. 6 – Sobre o Sacerdócio Católico)
Os sacerdotes são pontes que nos levam a Deus. Rezemos por eles, para que amem a Cristo e Sua Igreja acima de todas as coisas, que sejam fieis, santos para glorificar com suas vidas o Deus que os chamou a tão digna vocação. Que tenham confiança em Jesus Cristo, o Amigo, pois Ele não os abandona, Ele que sustenta seu ministério . Demos graças a Deus, pelos nossos sacerdotes, santos e fieis sacerdotes.
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