segunda-feira, 16 de junho de 2014

Santo Agostinho e a Igreja de Cristo



"Tu, Igreja Católica,  conduzes e instruis as crianças com ternura, os jovens com força, os velhos com calma, como o comporta a idade não somente do corpo, mas ainda da alma. Sujeitas as mulheres aos maridos por uma casta e fiel obediência, não para cevar a paixão, mas para propagar a espécie e constituir a sociedade da família. Dás autoridade aos maridos sobre as mulheres, não para zombarem do sexo, mas para seguirem as leis de um sincero amor. Subordinas os filhos aos pais por uma espécie de servidão livre e prepões os pais aos filhos por uma espécie de terna autoridade. Unes não só em sociedade, mas numa espécie de fraternidade, os cidadãos aos cidadãos, as nações às nações e os homens entre si pela lembrança dos primeiros pais. Ensinas os reis a velarem sobre os povos, e prescreves aos povos submeter-se aos reis. Ensinas com cuidado a quem é que é devida a honra, a quem a afeição, a quem o respeito, a quem o temor, a quem a consolação, a quem a advertência, a quem o incentivo, a quem a correção, a quem a reprimenda, a quem o castigo; e fazes saber como, se nem todas essas coisas são devidas a todos, a todos é devida a caridade, e a ninguém a injustiça”

Santo Agostinho, citado pelo Papa Leão XIII - Immortele Dei

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A família e o Estado

Por Papa Leão XIII



"Entretanto, esses direitos, que são inatos a cada homem considerado isoladamente, apresentam-se mais rigorosos ainda, quando se consideram nas suas relações e na sua conexão com os deveres da vida doméstica. Ninguém põe em dúvida que, na escolha dum género de vida, seja lícito cada um seguir o conselho de Jesus Cristo sobre a virgindade, ou contrair um laço conjugal.

Nenhuma lei humana poderia apagar de qualquer forma o direito natural e primordial de todo o homem ao casamento, nem circunscrever o fim principal para que ele foi estabelecido desde a origem: «Crescei e multiplicai-vos». Eis, pois, a família, isto é, a sociedade doméstica, sociedade muito pequena certamente, mas real e anterior a toda a sociedade civil, à qual, desde logo, será forçosamente necessário atribuir certos direitos e certos deveres absolutamente independentes do Estado. Assim, este direito de propriedade que Nós, em nome da natureza, reivindicamos para o indivíduo, é preciso agora transferi-lo para o homem constituído chefe de família. Isto não basta: passando para a sociedade doméstica, este direito adquire aí tanto maior força quanto mais extensão lá recebe a pessoa humana.

A natureza não impõe somente ao pai de família o dever sagrado de alimentar e sustentar seus filhos; vai mais longe. Como os filhos reflectem a fisionomia de seu pai e são uma espécie de prolongamento da sua pessoa, a natureza inspira-lhe o cuidado do seu futuro e a criação dum património que os ajude a defender-se, na perigosa jornada da vida, contra todas as surpresas da má fortuna. Mas, esse património poderá ele criá-lo sem a aquisição e a posse de bens permanentes e produtivos que possam transmitir-lhes por via de herança?

Assim como a sociedade civil, a família, conforme atrás dissemos, é uma sociedade propriamente dita, com a sua autoridade e o seu governo paterno, é por isso que sempre indubitavelmente na esfera que lhe determina o seu fim imediato, ela goza, para a escolha e uso de tudo o que exigem a sua conservação e o exercício duma justa independência, de direitos pelo menos iguais aos da sociedade civil. Pelo menos iguais, dizemos Nós, porque a sociedade doméstica tem sobre a sociedade civil uma prioridade lógica e uma prioridade real, de que participam necessariamente os seus direitos e os seus deveres. E se os indivíduos e as famílias, entrando na sociedade, nela achassem, em vez de apoio, um obstáculo, em vez de protecção, uma diminuição dos seus direitos, dentro em pouco a sociedade seria mais para se evitar do que para se procurar.

Querer, pois, que o poder civil invada arbitrariamente o santuário da família, é um erro grave e funesto. Certamente, se existe algures uma família que se encontre numa situação desesperada, e que faça esforços vãos para sair dela, é justo que, em tais extremos, o poder público venha em seu auxílio, porque cada família é um membro da sociedade. Da mesma forma, se existe um lar doméstico que seja teatro de graves violações dos direitos mútuos, que o poder público intervenha para restituir a cada um os seus direitos. Não é isto usurpar as atribuições dos cidadãos, mas fortalecer os seus direitos, protegê-los e defendê-los como convém.

Todavia, a acção daqueles que presidem ao governo público não deve ir mais além; a natureza proíbe-lhes ultrapassar esses limites. A autoridade paterna não pode ser abolida, nem absorvida pelo Estado, porque ela tem uma origem comum com a vida humana. «Os filhos são alguma coisa de seu pai»; são de certa forma uma extensão da sua pessoa, e, para falar com justiça, não é imediatamente por si que eles se agregam e se incorporam na sociedade civil, mas por intermédio da sociedade doméstica em que nasceram. Porque os «filhos são naturalmente alguma coisa de seu pai... devem ficar sob a tutela dos pais até que tenham adquirido o livre arbítrio» (S. Tomás, Sum. Teol., 11-II, q. 10, a. 12.). Assim, substituindo a providência paterna pela providência do Estado, os socialistas vão contra a justiça natural e quebram os laços da família"


Fonte: Rerum Novarum

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Introdução ao Espírito da Liturgia

Joseph Ratzinger - Bento XVI

Parte III



O Sinai, Deus e Israel:

" No Sinai o povo não recebe somente as prescrições cultuais, mas uma organização jurídica  e uma regra de vida completas. Somente deste modo ele se constitui como povo. Sem uma organização jurídica comunitária, um povo não subsiste. Cai na anarquia, paródia da liberdade, a anulação do arbítrio de cada um, que é a sua total ausência da liberdade. Na organização da aliança, estão envolvidos, além do culto, direito e vida que se entrelaçam. Na idade moderna, vimos que houve um desmembramento que acabou por conduzir á total secularização do direito e excluiu totalmente toda referência a Deus na elaboração desse direito e " Um direito que não se baseia na moral se torna injustiça; uma moral e um direito que não tem sua origem na referência a Deus degradam o ser humano, porque o privam de sua medida mais elevada e de sua possibilidade mais alta, visto que lhe negam a visão do infinito e do eterno; com essa aparente libertação ele é submetido à ditadura da maioria dominante, a critérios humanos limitados que terminam por submete-lo á violência" 

Essência do Culto e da Liturgia

" Uma organização das coisas humanas que desconhece a Deus diminui o ser humano. Por isso culto e direito não podem ficar completamente separados entre si: Deus tem direito à resposta do ser humano, tem direito ao próprio homem, e onde esse direito de Deus desaparece por completo também se dissolve a organização jurídica humana, porque lhe falta a pedra angular que mantém o conjunto unido"


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Orações e jejum pela Síria

Nossa Senhora de Saidnaya -  Nossa Senhora na Síria. 

Rogai por todos nós e que haja paz naquele país!



Amanhã,  Sete de setembro  -,somos convidados pelo Papa Francisco a um dia de oração, de jejum e penitencia pela paz na Síria. Unamo-nos a ele.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Jejum e Orações pela Síria

Rezemos junto ao Santo Padre pelos cristãos que sofrem na Síria.



"Hoje, queridos irmãos e irmãs, queria fazer-me intérprete do grito que se eleva, com crescente angústia, em todos os cantos da terra, em todos os povos, em cada coração, na única grande família que é a humanidade: o grito da paz! É um grito que diz com força: queremos um mundo de paz, queremos ser homens e mulheres de paz, queremos que nesta nossa sociedade, dilacerada por divisões e conflitos, possa irromper a paz! Nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra! A paz é um dom demasiado precioso, que deve ser promovido e tutelado.

Vivo com particular sofrimento e com preocupação as várias situações de conflito que existem na nossa terra; mas, nestes dias, o meu coração ficou profundamente ferido por aquilo que está acontecendo na Síria, e fica angustiado pelos desenvolvimentos dramáticos que se preanunciam.

Dirijo um forte Apelo pela paz, um Apelo que nasce do íntimo de mim mesmo! Quanto sofrimento, quanta destruição, quanta dor causou e está causando o uso das armas naquele país atormentado, especialmente entre a população civil e indefesa! Pensemos em quantas crianças não poderão ver a luz do futuro! Condeno com uma firmeza particular o uso das armas químicas! Ainda tenho gravadas na mente e no coração as imagens terríveis dos dias passados! Existe um juízo de Deus e também um juízo da história sobre as nossas ações aos quais não se pode escapar! O uso da violência nunca conduz à paz. Guerra chama mais guerra, violência chama mais violência.

Com todas as minhas forças, peço às partes envolvidas no conflito que escutem a voz da sua consciência, que não se fechem nos próprios interesses, mas que olhem para o outro como um irmão e que assumam com coragem e decisão o caminho do encontro e da negociação, superando o confronto cego. Com a mesma força, exorto também a Comunidade Internacional a fazer todo o esforço para promover, sem mais demora, iniciativas claras a favor da paz naquela nação, baseadas no diálogo e na negociação, para o bem de toda a população síria.

Que não se poupe nenhum esforço para garantir a ajuda humanitária às vítimas deste terrível conflito, particularmente os deslocados no país e os numerosos refugiados nos países vizinhos. Que os agentes humanitários, dedicados a aliviar os sofrimentos da população, tenham garantida a possibilidade de prestar a ajuda necessária.
O que podemos fazer pela paz no mundo? Como dizia o Papa João XXIII, a todos corresponde a tarefa de estabelecer um novo sistema de relações de convivência baseados na justiça e no amor (cf. Pacem in terris, [11 de abril de 1963]: AAS 55 [1963], 301-302).

Possa uma corrente de compromisso pela paz unir todos os homens e mulheres de boa vontade! Trata-se de um forte e premente convite que dirijo a toda a Igreja Católica, mas que estendo a todos os cristãos de outras confissões, aos homens e mulheres de todas as religiões e também àqueles irmãos e irmãs que não creem: a paz é um bem que supera qualquer barreira, porque é um bem de toda a humanidade.

Repito em alta voz: não é a cultura do confronto, a cultura do conflito, aquela que constrói a convivência nos povos e entre os povos, mas sim esta: a cultura do encontro, a cultura do diálogo: este é o único caminho para a paz.

Que o grito da paz se erga alto para que chegue até o coração de cada um, e que todos abandonem as armas e se deixem guiar pelo desejo de paz.

Por isso, irmãos e irmãs, decidi convocar para toda a Igreja, no próximo dia 7 de setembro, véspera da Natividade de Maria, Rainha da Paz, um dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Oriente Médio, e no mundo inteiro, e convido também a unir-se a esta iniciativa, no modo que considerem mais oportuno, os irmãos cristãos não católicos, aqueles que pertencem a outras religiões e os homens de boa vontade.

No dia 7 de setembro, na Praça de São Pedro, aqui, das 19h00min até as 24h00min, nos reuniremos em oração e em espírito de penitência para invocar de Deus este grande dom para a amada nação síria e para todas as situações de conflito e de violência no mundo. A humanidade precisa ver gestos de paz e escutar palavras de esperança e de paz! Peço a todas as Igrejas particulares que, além de viver este dia de jejum, organizem algum ato litúrgico por esta intenção.

Peçamos a Maria que nos ajude a responder à violência, ao conflito e à guerra com a força do diálogo, da reconciliação e do amor. Ela é mãe: que Ela nos ajude a encontrar a paz; todos nós somos seus filhos! Ajudai-nos, Maria, a superar este momento difícil e a nos comprometer a construir, todos os dias e em todo lugar, uma autêntica cultura do encontro e da paz. Maria, Rainha da paz, rogai por nós!"

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Introdução ao Espírito da Liturgia

Joseph Ratzinger - Bento XVI

Parte II

A Partida de Israel:

Israel não parte para ser um povo como todos os outros povos; mas para servir a Deus.

A meta do Êxodo é a montanha  de Deus, ainda desconhecida e a finalidade: prestar serviço a Deus. Alguns poderiam pensar que o  acento posto no culto ao longo das negociações com o faraó  foi  de natureza tática.O verdadeiro e único  objetivo do êxodo não seria o culto, e sim a terra, que aliás, constitui o real objeto da promessa feita a Abraão. Não creio, diz Bento XVI -; ' que com isso se possa justificar a gravidade que se percebe nos textos. 

No fundo, diz ele, a contraposição de terra e culto não tem sentido: " a terra é ofertada  para ser um lugar de veneração do Deus verdadeiro. A mera posse da terra , a mera autonomia nacional fariam Israel descer ao nível dos outros povos. Essa finalidade levaria a ignorar a especificidade da eleição: A história  inteira dos juízes e dos Reis, mostra justamente que a terra como tal, vista em si mesma, permanece como um bem  indeterminado, que se torna bem autêntico,verdadeiro dom da promessa cumprida só se aí reinar Deus,  e se a terra  não existir como  uma espécie de estado independente, mas se for o espaço da obediência, onde se cumpre a vontade de Deus e, assim, se realiza a maneira correta da existência humana"

Vejamos a análise do texto bíblico:


Nela vemos a relação entre as duas finalidades do Êxodo. Após três dias, o Israel peregrino ainda não compreendeu que tipo de sacrifício Deus espera dele. Três meses depois, porém, " da saída  dos filhos de Israel da  terra do Egito, naquele dia chegaram ao deserto do Sinai" (Ex 19,1). No terceiro dia, Deus desce no cume da montanha (19,16.20). Deus fala ao povo, manifesta a sua vontade nas dez santas palavras (20,1-17), e sela com Moisés a aliança (Ex 24), que se concretiza 'numa forma de culto minuciosamente regulamentado'.


Israel aprende então, a adorar a Deus do modo desejado por Ele. E dessa adoração  faz parte o culto, a liturgia em sentido restrito, mas exige viver segundo a vontade de Deus, que é uma parte imprescindível na verdadeira adoração. E o culto serve, portanto, para oferecer o olhar à Deus e assim dar a vida, que se torna glória para Deus.

***


Depois retornamos para ver como Israel se constitui verdadeiro povo de Deus e como a Liturgia, o culto são peças chaves na história deste povo.


Leia aqui a Primeira parte do estudo.