segunda-feira, 30 de junho de 2014

Constituição Benedictus Deus


Por  Bento XII



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Por esta constituição, que permanecerá perpetuamente em vigência, Nós, com apostólica autoridade, definimos:
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Que, conforme a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos que partiram deste mundo antes da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, assim como as dos santos apóstolos, mártires, confessores, virgens e dos outros fiéis que morreram após o recebimento do santo batismo de Cristo – dado que não tinham necessidade de serem purificadas ao morreram, ou não há de ser quando no futuro morrerem, ou se, então, nelas tiver havido algo a purificar e tiverem sido purificadas após a morte – e as almas das crianças renascidas pelo mesmo batismo de Cristo e das que serão quando forem batizadas, e morreram antes do uso do livre-arbítrio, logo depois de sua morte e da purificação mencionada aos que precisavam de tal purificação, mesmo antes de reassumir os seus corpos e antes do juízo universal, após a ascensão ao céu de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, estiveram, estão e estarão no céu, no reino dos céus e no paraíso celeste, com Cristo, junto da companhia dos santos Anjos.

 E que depois da paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face – sem a mediação de qualquer criatura como objeto de visão, mas a essência divina se revela a eles de forma imediata, desnuda, clara e manifesta –; e que aqueles que vêem assim, gozam plenamente da mesma essência divina, e, dessa forma, por essa visão e fruição, as almas daqueles que já morreram são verdadeiramente bem-aventuradas e possuem a vida e o descanço eterno, como também as dos que mais tarde hão de morrer verão a essência divina e gozarão dela antes do juízo universal; e que esta visão da essência divina a sua fruição fazem cessar nessas almas os atos de fé e de esperança, uma vez que a fé e a esperança são propriamente virtudes teologais; e, depois que esta visão intuitiva face a face e esta fruição teve e tiver nelas início, esta visão e fruição – sem qualquer interrupção ou privação desta visão e fruição –, permanecem ininterruptos e hão de assim continuar até o juízo final e, a partir dele, por toda a eternidade.
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Definimos também que, de acordo com a geral disposição de Deus, as almas daqueles que morrem em pecado mortal atual, logo depois de sua morte descem ao inferno, onde com as penas infernais são atormentadas, e que, todavia, no dia do juízo, todos os homens hão de comparecer “diante do tribunal de Cristo” com os seus corpos para prestar contas de suas ações, “para que cada um receba o que lhe toca segundo o que fez quando estava no corpo, seja de bem ou de mal” (II Cor. V, 10).
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Decretado no 29º dia de janeiro, do ano de Nosso Senhor de 1336, segundo de nosso pontificado.
Bento PP. XII
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[Traduzido por Marcos Vinicius Mattke]

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Santificação do Clero

Rezemos hoje, pela Santificação do Clero:



Por Santo Afonso de Ligório

Não pode a Igreja inteira, sem os padres, prestar a Deus tanta honra, nem obter dele tantas graças, como um só padre que celebra uma missa. Com efeito, sem os padres, não poderia a Igreja oferecer a Deus sacrifício mais honroso que o da vida de todos os homens: mas o que era a vida de todos os homens, comparada com a de Jesus Cristo, cujo sacrifício tem um valor infinito? O que são todos os homens diante de Deus senão um pouco de pó, ou antes um nada? Isaías diz: São como uma gota de água... e todas as nações são diante dele, como se não fossem. Assim, o sacerdote que celebra uma missa rende a Deus uma honra infinitamente maior, sacrificando-lhe Jesus Cristo, do que se todos os homens, morrendo por ele, lhe fizessem o sacrifício das suas vidas. Mais ainda, por uma só missa, dá o sacerdote a Deus maior glória, do que lhe têm dado e hão de dar todos os anjos e santos do Paraíso, incluindo também a Virgem santíssima; porque não lhe podem dar um culto infinito, como o faz um sacerdote celebrando no altar. . Pelo contrário, foi necessária a morte de Jesus Cristo para fazer um padre: pois, doutro modo, — onde se encontraria a Vítima que os padres da lei nova oferecem hoje a Deus, Vítima santíssima, sem mancha, só por si suficiente para honrar a Deus duma maneira condigna de Deus? O sacrifício da vida de todos os anjos e de todos os homens não seria capaz, como acabamos de dizer, de prestar a Deus a honra infinita, que lhe presta um padre com uma só missa” 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Creio na Santa Igreja Católica

 Por São Francisco Xavier




"Todos os fiéis cristãos somos obrigados a crer, sem duvidar, o que creram de Jesus Cristo os apóstolos e discípulos e mártires e todos os santos, crendo de Jesus Cristo tudo o que é necessário crer para nossa salvação, acerca de sua divindade e humanidade, depois que Jesus Cristo foi Deus e homem verdadeiro.

 E também em geral somos obrigados a crer firmemente, sem duvidar, em tudo o que crêem os que regem e governam a Igreja universal de Jesus Cristo, pois pelo Espírito Santo são inspirados e regidos do que hão-de fazer, acerca da governação da Igreja universal e das cousas da nossa santa fé, nas quais não podem errar, porque são regidos pelo Espírito Santo.

 De maneira que, das escrituras, da nossa lei, de Jesus Cristo, [continuando] pelo demais que somos obrigados a crer, como são santos cânones e concílios, que são ordenados da Igreja, feitos pelo Papa e cardeais, patriarcas, arcebispos, bispos e prelados da Igreja, quando em todas estas cousas crermos, sem duvidar, cremos tudo o que crêem os que regem e governam a Igreja universal de Jesus Cristo e o que nos encomendou o apóstolo e evangelista São Mateus, quando disse: Creio na santa Igreja Católica.""


Obras completas de São Francisco Xavier, pág 299

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Contrição

Imitação de Cristo




"Chora e geme por estares ainda tão carnal e mundano, tão pouco mortificado nas paixões, tão cheio de movimentos de concupiscência; tão pouco diligente na guarda dos sentidos exteriores, tão envolto muitas vezes em vãs imaginações; tão inchado às coisas exteriores, tão negligente nas interiores, tão fácil ao riso e à dissipação, tão duro para as lágrimas e compunção; tão disposto à relaxação e regalos da carne, tão lento para seguir vida austera e fervorosa; tão curioso para ouvir novidades e ver coisas formosas, tão remisso em abraçar as humildes e desprezadas; tão cobiçoso de ter muito, tão apertado em dar, tão avarento em reter; tão inconsiderado em falar, tão pouco acautelado no calar; tão pouco regulado nos costumes, tão indiscreto nas ações; tão intemperante no comer e beber, tão surdo às vozes de Deus; tão pronto para o descanso, tão preguiçoso para o trabalho; tão desperto para ouvir contos e fábulas, tão sonolento para velar na oração; tão impaciente por chegar ao fim, e tão vago na atenção, tão negligente em rezar o ofício divino, tão tíbio em celebrar a missa, tão indevoto na comunhão; tão fácil em te distraíres, tão difícil em te recolheres, tão ligeiro em irar-te, tão fácil em admoestar os outros; tão precipitado em julgar, tão rigoroso em repreender; tão alegre na prosperidade, tão abatido na desgraça; tão fecundo em bons propósitos e tão estéril em boas obras..."(KEMPIS, T. A. Imitação de Cristo. Rio de Janeiro: Ediouro, 1968. Livro 4, Cap. VI)

Reconcilia-te com Deus.

Por Santo Agostinho


“Queres reconciliar-te com Deus? Repara como procedes contigo, para que Deus te seja propício. Presta atenção ao Salmo, onde lemos: ' Porque se quisesses um sacrifício, eu o faria certamente; não te causam prazer os holocaustos'. Então ficarás sem sacrifício para oferecer? Nada oferecerás? Com nenhuma oblação tornarás Deus propício? Que dissestes? Se quisesses um sacrifício, eu o faria certamente; não te causam prazer holocaustos. Continua, escuta e dize:  Sacrifíco para Deus é o espírito contrito; o coração contrito e humilhado Deus não o despreza. Rejeitado aquilo que oferecias, encontraste o que oferecer. Como os antepassados, oferecias vítimas de animais, ditos sacrifício: Se quisesses um sacrifício, eu o faria certamente. Não te queres este gênero de sacrifícios, no entanto procuras um sacrifíco. Não te causam prazer os holocaustos. Se não tens prazer com os holocaustos, ficarás sem sacrifício? De modo algum. Sacrifício para Deus é um espírito contrito e humilhado Deus não o despreza. Tens o que oferecer. Não examine o rebanho, não aprestes navios e não atravesses as mais longíquas regiões em busca de perfumes. Procura em teu coração aquilo que Deus gosta. O coração deve ser esmagado. Por que temes que o esmagado pareça? Lê-se aqui: Cria em mim, ó Deus um coração puro. Para que seja criado o coração puro, esmague-se o impuro”.

Fonte:  (Santo Agostinho Bispo de Hipona e Doutor da Igreja in AQUINO, Felipe: Alimento Sólido. Editora Canção Nova, Cachoeira Paulista: 2005. 1ª Ed. p. 92)

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Santo Agostinho e a Igreja de Cristo



"Tu, Igreja Católica,  conduzes e instruis as crianças com ternura, os jovens com força, os velhos com calma, como o comporta a idade não somente do corpo, mas ainda da alma. Sujeitas as mulheres aos maridos por uma casta e fiel obediência, não para cevar a paixão, mas para propagar a espécie e constituir a sociedade da família. Dás autoridade aos maridos sobre as mulheres, não para zombarem do sexo, mas para seguirem as leis de um sincero amor. Subordinas os filhos aos pais por uma espécie de servidão livre e prepões os pais aos filhos por uma espécie de terna autoridade. Unes não só em sociedade, mas numa espécie de fraternidade, os cidadãos aos cidadãos, as nações às nações e os homens entre si pela lembrança dos primeiros pais. Ensinas os reis a velarem sobre os povos, e prescreves aos povos submeter-se aos reis. Ensinas com cuidado a quem é que é devida a honra, a quem a afeição, a quem o respeito, a quem o temor, a quem a consolação, a quem a advertência, a quem o incentivo, a quem a correção, a quem a reprimenda, a quem o castigo; e fazes saber como, se nem todas essas coisas são devidas a todos, a todos é devida a caridade, e a ninguém a injustiça”

Santo Agostinho, citado pelo Papa Leão XIII - Immortele Dei