segunda-feira, 21 de julho de 2014

A liturgia não é um show..

Por Joseph Ratzinger



“A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado.

Muitos pensaram e disseram que a liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém , terminou por dispersar o “propium litúrgico” que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer.

Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se : o que nela se manifesta e o absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável : discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão… Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na “actuosa participatio” também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio, em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio”.

Por fim e, porque, sendo a Liturgia um “Bem de todos”, temos o direito de encontrarmos a Deus n’Ela – pela ação do Espírito Santo. Ou seja, temos o direito a uma celebração harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo, superando tentativas de reduzi-la à banalidade e à mediocridade de eventos de auditório e, sobremaneira especial, aos achismos de outrem que insiste em se intitular “litúrgo”; “romano”; ou coisas do tipo.

Fonte: Introdução ao Espírito de Liturgia

A dança serve como expressão litúrgica?

Por Joseph Ratzinger



" A dança não é uma forma de expressão litúrgica. No século III. círculos gnósticos- docetistas tentaram introduzi-la na liturgia cristã. Para eles, a crucificação não passava de aparência: antes da Paixão, Cristo deixara o corpo que jamais assumiu como seu; por isso, em lugar da liturgia da cruz podia entrar a dança, visto que a cruz tinha sido apenas aparência.

As danças cultuais de várias religiões possuem diferentes finalidades - exorcismo, fetiche analógico, êxatese m[istico; nenhuma destas formas corresponde à orientação interior da liturgia do ' sacrifício conforme a palavra'.

É completamente contraditória, na tentativa de tornar a ' liturgia mais atraente', introduzindo nela pantomimas sob a forma de dança - onde é possível, por meio de grupos de dançarinos  - que em geral terminam em aplausos. Lá, onde explodem os aplausos para a obra humana na liturgia, estamos diante de um sinal certo de que se perdeu completamente a essência da liturgia e de que ela foi substituída por uma espécie de entretenimento de fundo religioso.

Tal atração não dura muito; no mercado de ofertas para o lazer, que assume cada vez mais do religioso visando despertar a curiosidade do público, a concorrência não possui controle. Existe algo que afaste mais de uma penitência, do que uma dança substituir o ato penitencial?

A liturgia só pode atrair as pessoas se não olhar para si mesma, mas para Deus, e se Lhe permite estar presente e agir. Então, acontece o extraordinário, sem igual, e as pessoas  sentem que aqui ocorre algo mais que um simples arranjo de lazer. Nenhum rito cristão conhece a dança"

Fonte: Introdução ao Espírito de Liturgia - pag 164.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Eles começam pelas crianças.


Por Gustavo Corção.


" A lepra inundou os costumes, envenenou os espetáculos públicos, ganhou as instituições oficiais, e conquistou lugar de honra nos institutos católicos. Sob o eufemismo de educação sexual o que se faz é erotização precoce e infinitamente perversa. Degradam-se as mulheres, maculam-se as consciências infantis, e com essas duas pontas de lança da ofensiva dos infernos, não se vê como será possível a reconquista da dignidade do Homem.

 Será sempre possível, com a graça de Deus, mas tememos muito que somente através de sofrimentos inconcebíveis poderá a humanidade lavar-se em um novo dilúvio. O ponto a que chegamos é sinistro: eles começam pelas crianças. Os novos pedagogos que nas Américas e na Europa querem libertar o sexo do universo moral, começam pela dessensibilização dos inocentes.

 Esse horror tem valia apologética, por tornar menos repulsiva a ideia de Inferno. Por aí, por um primeiro temor, por uma leve e inicial desconfiança talvez comece a onda de repressão. E nós podemos meditar nestas palavras que não passarão com as modas: “O que escandalizar porém a um destes que crê em Mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço a pedra da mó e que lançassem no fundo do mar”. (Mateus, XVIII, 6).



Fonte: Gustavo CORÇÃO. Depravação do corpo: "eles" começam pelas crianças. Editorial Permanência, n°18, Ano III, Março de 1970. via

quinta-feira, 17 de julho de 2014

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Eu Quisera - Eugênio Jorge

São Camilo de Léllis

14 de Julho - São Camilo de Léllis


Camila Compelli e João de Lellis eram já idosos quando o filho foi anunciado. Ele, um militar de carreira, ficou feliz, embora passasse pouco tempo em casa. Ela também, mas um pouco constrangida, por causa dos quase sessenta anos de idade. Do parto difícil, nasceu Camilo, uma criança grande e saudável, apenas de tamanho acima da média. Ele nasceu no dia 25 de maio de 1550, na pequena Bucchianico, em Chieti, no sul da Itália.

Cresceu e viveu ao lado da mãe, uma boa cristã, que o educou dentro da religião e dos bons costumes. Ela morreu quando ele tinha treze anos de idade. Camilo não gostava de estudar e era rebelde. Foi então residir com o pai, que vivia de quartel em quartel, porque, viciado em jogo, ganhava e perdia tudo o que possuía. Apesar do péssimo exemplo, era um bom cristão e amava o filho. Percebendo que Camilo, aos catorze anos, não sabia nem ler direito, colocou-o para trabalhar como soldado. O jovem, devido à sua grande estatura e físico atlético, era requisitado para os trabalhos braçais e nunca passou de soldado, por falta de instrução.

Tinha dezanove anos de idade quando o pai morreu e deixou-lhe como herança apenas o punhal e a espada. Na ocasião, Camilo já ganhara sua própria fama, de jogador fanático, briguento e violento, era um rapaz bizarro. Em 1570, após uma conversa com um frade franciscano, sentiu-se atraído a ingressar na Ordem, mas foi recusado, porque apresentava uma úlcera no pé. Ele então foi enviado para o hospital de São Tiago, em Roma, que diagnosticou o tumor incurável.

Sem dinheiro para o tratamento, conseguiu ser internado em troca do trabalho como servente. Mesmo assim, afundou-se no jogo e foi posto na rua. Sabendo que o mosteiro dos capuchinhos estava sendo construído, ofereceu-se como ajudante de pedreiro e foi aceito.

O contato com os franciscanos foi fundamental para sua conversão.

Um dia, a caminho do trabalho, teve uma visão celestial, nunca revelada a ninguém. Estava com vinte e cinco anos de idade, largou o jogo e pediu para ingressar na Ordem dos Franciscanos. Não conseguiu, por causa de sua ferida no pé.

Mas os franciscanos o ajudaram a ser novamente internado no hospital de São Tiago, que, passados quatro anos, estava sob a sua direção. Camilo, já tocado pela graça, dessa vez, além de tratar a eterna ferida passou a cuidar dos outros enfermos, como voluntário. Mas preferia assistir aos doentes mais repugnantes e terminais, pois percebeu que os funcionários, apesar de bem remunerados, abandonavam-nos à própria sorte, deixando-os passar privações e vexames.

Neles, Camilo viu o próprio Cristo e por eles passou a viver. Em 1584, sob orientação do amigo e contemporâneo, também fundador e santo, padre Filipe Néri, constituiu uma irmandade de voluntários para cuidar dos doentes pobres e miseráveis, depois intitulada Congregação dos Ministros Camilianos. Ainda com a ajuda de Filipe Néri, estudou e vestiu o hábito negro com a cruz vermelha de sua própria Ordem, pois sua congregação, em 1591, recebeu a aprovação do Vaticano, sendo elevada à categoria de ordem religiosa.

Eleito para superior, dirigiu por vinte anos sua Ordem dos padres enfermeiros, dizem que com "mão de ferro" e a determinação militar recebida na infância e juventude. Depois, os últimos sete anos de vida preferiu ficar ensinado como os doentes deviam ser tratados e conviver entre eles. Mesmo sofrendo terríveis dores nos pés, Camilo ia visitar os doentes em casa e, quando necessário, chegava a carregá-los nas costas para o hospital. Nessa hora, agradecia a Deus a estatura física que lhe dera.

Recebeu o dom da cura pelas palavras e orações, logo a sua fama de padre milagreiro correu entre os fiéis, que, ricos e pobres, procuravam sua ajuda. Era um homem muito querido em toda a Itália, quando morreu em 14 de julho de 1614. Foi canonizado em 1746. São Camilo de Lellis, em1886, foi declarado Padroeiro dos Enfermos, dos Doentes e dos Hospitais.

Fonte: www.paulinas.org.br

domingo, 13 de julho de 2014

Venerável Fulton Sheen



"Esquecemos que, de 1914 a 1919, o nosso clamor era 'livrai o mundo do Kaiser e teremos paz'. Livramo-nos do Kaiser e, não obstante, não tivemos paz. Pelo contrário, preparamo-nos para uma nova guerra, no decorrer de vinte e um anos. Bradamos agora 'livrai o mundo de Hitler e teremos paz'. Não, não teremos! Devemos livrar o mundo de Hitler, porém só teremos paz se nós mesmos proporcionarmos as forças morais e espirituais cuja carência produziu Hitler." (Arcebispo Fulton Sheen, "Filosofias em Luta", AGIR, 1957, pág. 12)