Adaptação do livro A Vida Interior - de François Sales Pollien
Primeira parte: A Vida que herdamos
Segunda parte: A finalidade da criação
Terceira parte: O ordenamento de minhas relações divinas
Quarta parte: A anterioridade de Deus
Quinta parte: A superioridade de Deus.
Sexta parte: O uso das Criaturas.
Variedade dos prazeres criados:
" Fica entendido: As criaturas são apenas o canal e não a fonte da felicidade que experimento em meu crescimento para Deus. Deus é a fonte, o único princípio da minha felicidade.
Mas as criaturas são ainda portadoras de um outro tipo de satisfações: as satisfações criadas.Elas contém, semeadas para mim pelas mãos do seu Autor, uma variedade infinita de prazeres.: prazeres materiais da vista, do ouvido, do olfato, do paladar e do tato, belezas da natureza e das artes, encantos da música, perfume das flores, sabores dos alimentos, etc. Prazeres morais da família, da amizade, da literatura e da ciência, da descoberta e da contemplação da verdade, prazeres sobrenaturais da oração, das práticas religiosas e dos toques divinos da graça.
Quantos prazeres! E como são variados e extensos!
Que representam eles para Deus que os fez, e qual é a sua função?
A - A gota de óleo:
As criaturas são instrumentos de Deus para nós, Ele destinou a nosso uso. Minha faculdades se desgastam rapidamente e se fatigam, e por isso necessitam da gota de óleo que suaviza, da gota de água que refresca, da lima que aguça. Elas precisam de ânimo e vigor, de entusismo e de força, de destreza e alegria.
Necessitam, pois, segundo extensão e as exigências de seus deveres, dessa alegria do Senhor que é a sua força. (Ne 8,10). Quando as engrenagens da alma estão lubrificadas e engraxadas, os lábios cantam com alegria e facilidade os louvores de Deus. (Sl 62,6). Eis portanto o papel desse óleo de alegria, colocado por Deus nas criaturas, a serviço das almas que querem amar a justiça e odiar a iniquidade (Sl 44,8).
B - Antes e depois do pecado:
No plano divino inicial, todas as criaturas eram instrumentos, nenhuma era obstáculo; e cada uma trazia consigo sua gota de óleo, isto é, sua alegria, que tornava mais fácil o seu uso em função de Deus. Infelizmente, porém, o pecado transtornou essa ordem perfeita; encontramos obstáculos a cada passo e dores a cada momento.
Deus não havia feito nem os obstáculos, nem as dores; elas são consequências do pecado. Ao restaurar a ordem degradada Jesus Cristo não suprimiu os obstáculos, nem as dores, mas deu a ambos uma utilidade, que estudaremos mais adiante.
Apesar do pecado, ainda restam múltiplos prazeres, que não deixam faltar totalmente o óleo da alegria às minhas faculdades. Em toda parte onde há deveres a cumprir, encontro também instrumentos suficientes, com frequência portadores da doçura que facilita seu uso - Assim, por que existe o prazer da família? - Para facilitar aos pais e aos filhos o grande dever da educação. - Por que o prazer da amizade? - Para impulsionar para o bem as almas unidas por seus laços - Por que o prazer dos alimentos: - Para me ajudar a responder ao dever fundamental da conservação corporal. - Por que o prazer da oração, dos sacramentos e dos favores espirituais?- Para favorecer o grande e sagrado dever das relações divinas.
O prazer sempre responde a um dever, para facilitar o seu cumprimento e será tanto mais intenso, quanto mais importante for o dever.
C - Prazer unicamente instrumental:
Esse prazer é, pois, verdadeiramente uma satisfação, já que responde a uma necessidade. das minhas faculdades e satisfaz essa necessidade. Mas é uma satisfação apenas instrumental, da qual devo me servir e não uma satisfação final, na qual eu possa descansar. É um meio e não um fim.
Quando digo que sou feito para a felicidade e que a felicidade é o fim secundário da minha existência, não me refiro, de forma alguma, a esse prazer que me vem das criaturas. Nestas não há para mim, nenhum vestígio de finalidade; minha finalidade e felicidade estão em Deus e as criaturas contém unicamente meios.
Quando alguém se engana a respeito do prazer criado e vive para desfruta-lo, isso transforma terrivelmente o plano divino. Tal transtorno infelizmente é muito frequente! É sobre este ponto que me engano, cada vez que saio da ordem. - ou seja, é uma desordem.
O prazer é bom, certamente, quando eu uso de forma ordenada. Quando dele abuso, torna-se o pior de forma ordenada. Quando dele abuso, torna-se o pior dos males e a fonte de minhas aberrações. Feliz o homem que dele se serve! Oxalá eu aprenda a nunca perverter o pensamento de Deus. Se o prazer não é mau em si, o seu abuso pode terna-lo mau.
Todo prazer que serve para facilitar o cumprimento do dever é sadio, fortifica e eleva. Quando contraria o dever torna-se pernicioso, deletério, aviltante. No primeiro caso alimenta as virtudes, no segundo, produz monstros. Cabe a mim decidir como utiliza-los, mas é preciso que seja sempre com moderação, uma vez que, depois do pecado original, as satisfações mais legítimas - e sobretudo as dos sentidos - tornaram-se um perigo.
Não somente elas correm o risco de assumir o primeiro plano na intenção, como também é difícil, para quem enelas toma gosto, desejar apenas as que são legítimas; quem se deixa escorregar pelo declive de sua natureza decaída, logo buscará também as demais.
Para manter o controle sobre nossas inclinações, é preciso dirigi-las com rédeas curtas. Dai vem a necessidade de mortificação, para levar um vida verdadeiramente cristã e essa necessidade será ainda maior na medida que buscamos a santidade e esforçar-nos para amar a Deus de todo coração, despojando-nos de qualquer apego às satisfações criadas.
Depois veremos: O ordenamento de minhas relações com as criaturas.
Estudo sobre Mortificação AQUI
A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Lembranças de Minha Vida
Por Bento XVI
Primeira parte: Aqui
Segunda parte: Aqui
( Casa onde nasceu Bento XVI)
"Não se comungava tão frequentemente como hoje, mas havia datas marcadas para que todos recebessem os sacramentos, e a isso dificilmente alguém se subtraía; quem não pudesse mostrar sua ficha de confissão pascal era considerado um paria.
Quando hoje se diz que tudo isso era muito formal e superficial, reconheço de bom grado que, sem dúvida, não poucas pessoas agiam mais por coação social do que por convicção interna. Todavia, não deixava de ter valor que na Páscoa também os fazendeiros, que a bem dizer eram grandes proprietários, tivessem que se ajoelhar no confessionário e acusar-se como pecadores, exatamente como seus empregados e empregadas, que naquele tempo ainda eram numerosos. Esse momento de auto humilhação, em que todas as distinções de classe caíam, certamente não era totalmente sem efeito.
O ano litúrgico imprimia seu ritmo ao tempo, e desde criança, aliás especialmente como criança, senti isso com muita gratidão e alegria. No Advento, as missas em honra dos anjos eram celebradas muito festivamente, de manhã cedinho, em uma igreja escura, iluminada apenas por velas. A alegre expectativa do Natal dava àqueles dias escuros um caráter todo especial. Todos os anos nosso presépio ganhava mais algumas figuras, e era sempre uma alegria especial buscar no mato, com nosso pai, o musgo, o zimbro e os galhos de pinheiro.
Nas quintas-feiras da Quaresma realizavam-se as comemorações do Monte das Oliveiras; sua seriedade e confiante esperança sempre me penetravam profundamente na alma. Especialmente impressionante era, depois, na noite do Sábado Santo, a celebração da ressurreição.
Durante toda a Semana Santa, cortinas pretas cobriam as janelas da igreja, deixando todo aquele espaço, também durante o dia, em uma misteriosa penumbra. Quando o vigário cantava as palavras: “Cristo ressuscitou”, as cortinas de repente eram recolhidas e uma luz radiante fluía pelo espaço. Era a mais impressionante representação da ressurreição do Senhor de que posso me lembrar.
O movimento litúrgico, que naquele tempo chegou a seu auge, não deixou de atingir também nossa aldeia. O pároco começou a organizar missas comunitárias para a meninada da escola; os textos da missa eram lidos do “Schott”, e todos juntos rezavam as respostas.
O que era o “Schott”?
No fim do século XIX, Anselm Schott, um beneditino de Beuron, tinha traduzido o missal para o alemão. Havia edições com o texto apenas em alemão; outras em que somente alguns trechos estavam impressos em latim e em alemão; e outras que traziam todo o texto em latim, com a tradução alemã ao lado. Um vigário progressista deu o “Schott” de presente a meus pais no dia de seu casamento, em 1920; assim, esse livro de orações esteve presente em nossa família desde o começo.
Nossos pais ajudaram-nos desde cedo a nos familiarizar com a liturgia: havia um livro de orações para crianças que se apoiava no missal, e no qual os momentos sucessivos do ato sagrado eram representados por imagens, de sorte que era fácil acompanhar o que estava acontecendo.
Ao lado havia sempre uma oração em que o essencial das diversas fases da liturgia estava resumido e acessível para a oração de uma criança. Algum tempo depois, ganhei um “Schott” para crianças, no qual os textos essenciais da liturgia já estavam impressos; em seguida, o “Schott” dominical, em que a liturgia dos domingos e dias de festa já estava completamente reproduzida; finalmente, o missal completo para todos os dias.
Cada novo degrau no acesso à liturgia era, para mim, um grande acontecimento. Cada livro novo me era uma preciosidade, e eu não podia sonhar com nada mais lindo. Foi para mim uma aventura cativante esse lento acesso ao misterioso mundo da liturgia, que lá no altar, diante de nós, se realizava.
Tornou-se cada vez mais claro para mim que eu me encontrava aí diante de uma realidade que não foi inventada por uma pessoa qualquer, e não havia sido criada por uma autoridade ou grande personagem. Essa misteriosa fusão de textos e ações tinha nascido da fé da Igreja, através dos séculos.
. Carregava dentro de si o peso de toda a história, mas era, ao mesmo tempo, muito mais do que um produto da história humana. Cada século tinha contribuído com seus vestígios. As introduções nos ensinavam o que tinha vindo da Igreja primitiva, da Idade Média, dos tempos modernos.
Nem tudo era lógico.Tudo era bastante complicado; nem sempre era fácil a gente se orientar. Mas exatamente por isso aquela estrutura era maravilhosa, e nos sentíamos em casa.
Como criança, eu naturalmente não percebi tudo isso em detalhe, mas meu caminho com a liturgia foi um processo contínuo de crescimento, penetrando numa grandiosa realidade, que supera todas as individualidades e gerações, o que me levava a sempre renovadas surpresas e descobertas.
A inesgotável realidade da liturgia católica acompanhou-me em todas as fases de minha vida; por isso, não posso deixar de voltar continuamente a esse assunto.
O Comunismo e a destruição da Família
Por Orlando Figes
Livro: Sussurros
Resumo de uma parte do Capítulo: Crianças de 1917.
"Declarou Stalin em 1926: 'As atitudes e os hábitos que herdamos da antiga sociedade são os inimigos mais perigosos do socialismo'. Anatoly Lunacharsky escreveu em 1927: ' A dita esfera da vida privada não pode nos escapar, porque é precisamente nela que o objetivo final da revolução deve ser alcançado'.
A família foi a primeira arena na qual os bolcheviques começaram a luta. Na década de 1920, eles consideravam a nocividade social da 'família burguesa' uma verdade inquestionável: ela olhava para dentro de si própria e era conservadora, uma fortaleza da religião, da superstição, da ignorância e do preconceito; ela fomentava o egotismo e as aquisições materiais, além de oprimir mulheres e crianças.
Os bolcheviques esperavam que a família desaparecesse conforme a Rússia se desenvolvesse até se transformar em um sistema totalmente socialista, no qual o Estado assumiria a responsabilidade por todas as funções básicas do lar, oferecendo creches, lavanderias e refeitórios em centros públicos e em prédios residenciais. Liberadas do trabalho em casa, as mulheres ficariam livres para ingressar na força de trabalho em um nível igual ao dos homens. O casamento patriarcal, com suas correspondentes morais sexuais, morreria - para ser substituído, acreditavam os radicais, por 'uniões livres de amor'.
Para os bolcheviques as famílias eram o maior obstáculo à socialização das crianças. 'Por amar a criança, a família a torna um ser egotista, encorajando-a a ver-se como o centro do universo', escreveu a pensadora educacional soviética. Teóricos bolcheviques concordavam com a necessidade esse amor egotista pelo amor racional de uma 'família social'mais ampla. O ABC do comunismo (1919) vislumbrava uma sociedade futura na qual os pais deixariam de utilizar a palavra 'eu'em referência a um filho, pois se importariam com todas as crianças na comunidade.
Para acelerar a desintegração da família várias estratégias foram tomadas, como forçar as famílias ricas a dividirem seus apartamentos com os pobres urbanos. Os proprietários ocupavam os cômodos principais, enquanto os quartos dos fundos eram ocupados por outras famílias. A política tinha um apelo ideológico forte não somente como uma guerra contra o privilégio, como foi apresentada na propaganda do novo regime: 'Guerra contra os palácios!, mas também como parte da cruzada para projetar um modo de vida mais coletivo.
Para eles, desaparecendo o espaço e a propriedade privada, a família individual burguesa, seria substituída pela fraternidade e por oraganizações comunistas e a vida do indivíduo passaria a ser imersa na comundade.
A partir da metade da decada de 1920 os arquitetos construtivistas propuseram a obliteração completa da esfera privada construindo 'casas comunais', nas quais toda a propriedade, incluindo roupas e roupas intimas seriam compartilhadas, onde tarefas domésticas seriam designadas rotativamente a grupos e onde todos dormiriam em um grande dormitório, dividido por gênero, com quartos particulares para práticas sexuais.
O Novo Código da Casamento e da Família (1918) estabeleceu uma estrutura legislativa que visava claramente facilitar a ruptura da família tradicional, removendo a influência da Igreja sobre o casamento e o divórcio, tornando-os simples processos de registro com o Estado, e assegurando direitos legais iguais aos casamentos de facto (casais vivendo juntos) e aos casamentos legais. O Código tornou o divórcio acessível para todos. Resultado: maior indice de divorcios do mundo - à medida que o colapso da ordem cristã - patriarcal e o caos dos anos revolucionarios afrouxaram a moral sexual e os laços familiares e comunais.
Nos primeiros anos do poder soviético, a ruptura familiar era tão comum entre os ativistas revolucionários que quase constituía um risco do trabalho. Relações casuais eram praticamente a norma nos círculos bolcheviques, quando qualer camarada podia ser enviado de uma hora para outra para algum setor diante do front.
Os ativistas do partido e os jovens participantes da Liga Jovem Comunista eram ensinados a colocar o o compromentimento com o proletariado acima do amor romântico ou da família. A promiscuidade sexual era mais acentuada nos escalões jovens do que entre a juventude soviética de modo geral. Muitos viam a licença sexual como uma forma de libertação de convenções morais burguesas e um sinal da " modernidade soviética". Alguns até defendiam a promiscuidade como um modo de reagir à formação de relações burguesas bígamas que separavam os amantes do coletivo e os afastavam da lealdade do Partido.
Era comum que os bolcheviques fossem maus pais e maridos porque a exigências do patido os afastavam de casa. " Nós comunistas, não conhecemos nossas próprias famílias", observou um bolchevique de Moscou." Você sai cedo e chega tarde em casa. Você vê a esposa raramente e quase nunca vê os filhos"
Depois continuamos.
Na foto abaixo vemos crianças que sofreram os horrores do comunismo, com sua fome e suas desgraças. No comunismo todo mundo é igual, na miséria e na fome. Que Deus tenha misericórdia de nós e do mundo inteiro.
Livro: Sussurros
Resumo de uma parte do Capítulo: Crianças de 1917.
"Declarou Stalin em 1926: 'As atitudes e os hábitos que herdamos da antiga sociedade são os inimigos mais perigosos do socialismo'. Anatoly Lunacharsky escreveu em 1927: ' A dita esfera da vida privada não pode nos escapar, porque é precisamente nela que o objetivo final da revolução deve ser alcançado'.
A família foi a primeira arena na qual os bolcheviques começaram a luta. Na década de 1920, eles consideravam a nocividade social da 'família burguesa' uma verdade inquestionável: ela olhava para dentro de si própria e era conservadora, uma fortaleza da religião, da superstição, da ignorância e do preconceito; ela fomentava o egotismo e as aquisições materiais, além de oprimir mulheres e crianças.
Os bolcheviques esperavam que a família desaparecesse conforme a Rússia se desenvolvesse até se transformar em um sistema totalmente socialista, no qual o Estado assumiria a responsabilidade por todas as funções básicas do lar, oferecendo creches, lavanderias e refeitórios em centros públicos e em prédios residenciais. Liberadas do trabalho em casa, as mulheres ficariam livres para ingressar na força de trabalho em um nível igual ao dos homens. O casamento patriarcal, com suas correspondentes morais sexuais, morreria - para ser substituído, acreditavam os radicais, por 'uniões livres de amor'.
Para os bolcheviques as famílias eram o maior obstáculo à socialização das crianças. 'Por amar a criança, a família a torna um ser egotista, encorajando-a a ver-se como o centro do universo', escreveu a pensadora educacional soviética. Teóricos bolcheviques concordavam com a necessidade esse amor egotista pelo amor racional de uma 'família social'mais ampla. O ABC do comunismo (1919) vislumbrava uma sociedade futura na qual os pais deixariam de utilizar a palavra 'eu'em referência a um filho, pois se importariam com todas as crianças na comunidade.
Para acelerar a desintegração da família várias estratégias foram tomadas, como forçar as famílias ricas a dividirem seus apartamentos com os pobres urbanos. Os proprietários ocupavam os cômodos principais, enquanto os quartos dos fundos eram ocupados por outras famílias. A política tinha um apelo ideológico forte não somente como uma guerra contra o privilégio, como foi apresentada na propaganda do novo regime: 'Guerra contra os palácios!, mas também como parte da cruzada para projetar um modo de vida mais coletivo.
Para eles, desaparecendo o espaço e a propriedade privada, a família individual burguesa, seria substituída pela fraternidade e por oraganizações comunistas e a vida do indivíduo passaria a ser imersa na comundade.
A partir da metade da decada de 1920 os arquitetos construtivistas propuseram a obliteração completa da esfera privada construindo 'casas comunais', nas quais toda a propriedade, incluindo roupas e roupas intimas seriam compartilhadas, onde tarefas domésticas seriam designadas rotativamente a grupos e onde todos dormiriam em um grande dormitório, dividido por gênero, com quartos particulares para práticas sexuais.
O Novo Código da Casamento e da Família (1918) estabeleceu uma estrutura legislativa que visava claramente facilitar a ruptura da família tradicional, removendo a influência da Igreja sobre o casamento e o divórcio, tornando-os simples processos de registro com o Estado, e assegurando direitos legais iguais aos casamentos de facto (casais vivendo juntos) e aos casamentos legais. O Código tornou o divórcio acessível para todos. Resultado: maior indice de divorcios do mundo - à medida que o colapso da ordem cristã - patriarcal e o caos dos anos revolucionarios afrouxaram a moral sexual e os laços familiares e comunais.
Nos primeiros anos do poder soviético, a ruptura familiar era tão comum entre os ativistas revolucionários que quase constituía um risco do trabalho. Relações casuais eram praticamente a norma nos círculos bolcheviques, quando qualer camarada podia ser enviado de uma hora para outra para algum setor diante do front.
Os ativistas do partido e os jovens participantes da Liga Jovem Comunista eram ensinados a colocar o o compromentimento com o proletariado acima do amor romântico ou da família. A promiscuidade sexual era mais acentuada nos escalões jovens do que entre a juventude soviética de modo geral. Muitos viam a licença sexual como uma forma de libertação de convenções morais burguesas e um sinal da " modernidade soviética". Alguns até defendiam a promiscuidade como um modo de reagir à formação de relações burguesas bígamas que separavam os amantes do coletivo e os afastavam da lealdade do Partido.
Era comum que os bolcheviques fossem maus pais e maridos porque a exigências do patido os afastavam de casa. " Nós comunistas, não conhecemos nossas próprias famílias", observou um bolchevique de Moscou." Você sai cedo e chega tarde em casa. Você vê a esposa raramente e quase nunca vê os filhos"
Depois continuamos.
Na foto abaixo vemos crianças que sofreram os horrores do comunismo, com sua fome e suas desgraças. No comunismo todo mundo é igual, na miséria e na fome. Que Deus tenha misericórdia de nós e do mundo inteiro.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
São Domingos de Gusmão
Por Bento XVI
" Gostaria de vos falar de um santo que ofereceu uma contribuição fundamental para a renovação da Igreja do seu tempo. Trata-se de São Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores, também conhecidos como Padres Pregadores.
O seu sucessor na orientação da Ordem, Beato Jordão da Saxónia, oferece um retrato completo de São Domingos no texto de uma oração famosa: "Inflamado de zelo por Deus e de ardor sobrenatural, pela tua caridade sem confins e o fervor do espírito veemente, consagraste-te inteiramente com o voto da pobreza perpétua à observância apostólica e à pregação evangélica". É ressaltada precisamente esta característica fundamental do testemunho de Domingos: ele falava sempre com Deus e de Deus. Na vida dos santos, o amor pelo Senhor e pelo próximo, a busca da glória de Deus e da salvação das almas caminham sempre juntos.
Domingos nasceu em Caleruega, na Espanha, por volta de 1170. Pertencia a uma nobre família da Velha Castilha e, ajudado por um tio sacerdote, formou-se numa célebre escola de Palência. Distinguiu-se imediatamente pelo interesse no estudo da Sagrada Escritura e pelo amor aos pobres, a tal ponto que chegou a vender os livros, que na sua época constituíam um bem de grande valor, para socorrer com o lucro as vítimas de uma carestia.
Tendo sido ordenado sacerdote, foi eleito cónego do cabido da Catedral na sua Diocese de origem, Osma. Embora esta nomeação pudesse representar para ele algum motivo de prestígio na Igreja e na sociedade, ele não a interpretou como um privilégio pessoal, nem como o início de uma carreira eclesiástica brilhante, mas como um serviço a prestar com dedicação e humildade. Não é porventura uma tentação, a da carreira, do poder, uma tentação da qual não estão imunes nem sequer aqueles que desempenham um papel de animação e de governo na Igreja? Recordei-o há alguns meses, durante a consagração de alguns Bispos: "Não procuremos o poder, o prestígio e a estima para nós mesmos... Sabemos como as coisas na sociedade civil e, com frequência, também na Igreja sofrem pelo facto de que muitos deles, aos quais foi conferida uma responsabilidade, trabalham para si mesmos e não para a comunidade" (Homilia durante a Capela Papal para a Ordenação episcopal de cinco Excelentíssimos Prelados, 12 de Setembro de 2009).
O Bispo de Osma, que se chamava Diogo, um pastor verdadeiro e zeloso, observou depressa as qualidades espirituais de Domingos, e quis valer-se da sua colaboração. Juntos, partiram para o Norte da Europa a fim de realizar missões diplomáticas que lhes eram confiadas pelo rei de Castilha. Viajando, Domingos descobriu dois desafios enormes para a Igreja do seu tempo: a existência de povos ainda não evangelizados, nas extremidades setentrionais do continente europeu, e a laceração religiosa que debilitava a vida cristã no Sul da França, onde a acção de alguns grupos heréticos criava confusão e o afastamento da verdade da fé.
A acção missionária a favor daqueles que não conheciam a luz do Evangelho e a obra de reevangelização das comunidades cristãs tornaram-se assim as metas apostólicas que Domingos se propôs alcançar. O Papa, que o Bispo Diogo e Domingos visitaram para pedir conselho, pediu a este último que se dedicasse à pregação aos Albigenses, um grupo herético que defendia uma concepção dualista da realidade, ou seja, com dois princípios criadores igualmente poderosos, o Bem e o Mal. Por conseguinte, este grupo desprezava a matéria como proveniente do princípio do mal, rejeitando até o matrimónio, chegando mesmo a negar a encarnação de Cristo, os sacramentos em que o Senhor nos "toca" através da matéria, e a ressurreição dos corpos. Os Albigenses apreciavam a vida pobre e austera – neste sentido, eram também exemplares – e criticavam a riqueza do Clero daquela época.
Domingos aceitou com entusiasmo esta missão, que realizou precisamente com o exemplo da sua existência pobre e austera, com a pregação do Evangelho e com debates públicos. A esta missão de pregar a Boa Nova ele dedicou o resto da sua vida. Os seus filhos teriam realizado inclusive os outros sonhos de São Domingos: a missão ad gentes, ou seja, àqueles que ainda não conheciam Jesus, e a missão àqueles que viviam nas cidades, sobretudo nas universitárias, onde as novas tendências intelectuais eram um desafio para a fé dos cultos.
Este grande santo recorda-nos que no coração da Igreja deve sempre arder um fogo missionário, que impele incessantemente a fazer o primeiro anúncio do Evangelho e, onde for necessário, a uma nova evangelização: com efeito, Cristo é o bem mais precioso que os homens e as mulheres de todos os tempos e lugares têm o direito de conhecer e de amar! E é consolador ver que até na Igreja de hoje são muitos – pastores e fiéis leigos, membros de antigas ordens religiosas e de novos movimentos eclesiais – que com alegria despendem a sua vida por este ideal supremo: anunciar e testemunhar o Evangelho!
Depois, a Domingos de Gusmão uniram-se outros homens, atraídos pela mesma aspiração. Deste modo, progressivamente, da primeira fundação de Toulouse teve origem a Ordem dos Pregadores. Com efeito, Domingos em plena sintonia com as directrizes dos Papas do seu tempo, Inocêncio III, Honório III, adoptou a antiga Regra de Santo Agostinho, adaptando-a às exigências de vida apostólica que o levaram, bem como os seus companheiros, a pregar passando de um lugar para outro, mas depois voltando aos próprios conventos, lugares de estudo, oração e vida comunitária. De modo particular, Domingos quis dar relevo a dois valores considerados indispensáveis para o bom êxito da missão evangelizadora: a vida comunitária na pobreza e o estudo.
Antes de tudo, Domingos e os Padres Pregadores apresentavam-se como mendicantes, isto é, sem vastas propriedades de terrenos para administrar. Este elemento tornava-os mais disponíveis ao estudo e à pregação itinerante, e constituía um testemunho concreto para as pessoas. O governo interno dos conventos e das províncias dominicanas estruturou-se segundo o sistema de cabidos, que elegiam os seus próprios Superiores, sucessivamente confirmados pelos Superiores maiores; portanto, uma organização que estimulava a vida fraterna e a responsabilidade de todos os membros da comunidade, exigindo fortes convicções pessoais.
A escolha deste sistema nascia precisamente do facto que os Dominicanos, como pregadores da verdade de Deus, tinham que ser coerentes com quanto anunciavam. A verdade estudada e compartilhada na caridade com os irmãos constitui o fundamento mais profundo da alegria. O Beato Jordão da Saxónia diz de São Domingos: "Ele acolhia cada homem no grande seio da caridade e, dado que amava todos, todos o amavam. Fez para si uma lei pessoal de se alegrar com as pessoas felizes e de chorar com aqueles que choravam" (Libellus de principiis Ordinis Praedicatorum autore Iordano de Saxonia, ed. H. C. Scheeben [Monumenta Historica Sancti Patris Nostri Dominici, Romae, 1935]).
Em segundo lugar, com um gesto intrépido, Domingos quis que os seus seguidores adquirissem uma formação teológica sólida e não hesitou em enviá-los às Universidades dessa época, embora não poucos eclesiásticos vissem com desconfiança estas instituições culturais. As Constituições da Ordem dos Pregadores atribuem muita importância ao estudo como preparação para o apostolado. Domingos queria que os seus Padres se dedicassem a isto sem poupar esforços, com diligência e piedade; um estudo fundado na alma de todo o saber teológico, ou seja, na Sagrada Escritura, e respeitador das interrogações formuladas pela razão. O desenvolvimento da cultura impõe àqueles que desempenham o ministério da Palavra, a vários níveis, que sejam bem preparados.
Domingos, que quis fundar uma Ordem religiosa de pregadores-teólogos, lembra-nos que a teologia tem uma dimensão espiritual e pastoral, que enriquece a alma e a vida. Os presbíteros, os consagrados e também todos os fiéis podem encontrar uma profunda "alegria interior" na contemplação da beleza da verdade que vem de Deus, verdade sempre actual e viva. O lema dos Padres Pregadores – contemplata aliis tradere – ajuda-nos a descobrir, além disso, um anseio pastoral no estudo contemplativo de tal verdade, pela exigência de comunicar aos outros o fruto da própria contemplação.
Quando Domingos faleceu, em 1221 em Bolonha, a cidade que o declarou padroeiro, a sua obra já tinha alcançado grande sucesso. A Ordem dos Pregadores, com o apoio da Santa Sé, difundiu-se em muitos países da Europa, em benefício da Igreja inteira. Domingos foi canonizado em 1234, e é ele mesmo que, com a sua santidade, nos indica dois meios indispensáveis a fim de que acção apostólica seja incisiva. Em primeiro lugar, a devoção mariana, que ele cultivou com ternura e deixou como herança preciosa aos seus filhos espirituais, que na história da Igreja tiveram o grande mérito de difundir a recitação do santo Rosário, tão querida ao povo cristão e tão rica de valores evangélicos, uma autêntica escola de fé e de piedade. Em segundo lugar Domingos, que assumiu o cuidado de alguns mosteiros femininos na França e em Roma, acreditou até ao fundo no valor da oração de intercessão pelo bom êxito do afã apostólico. Só no Paraíso compreenderemos quão eficazmente a oração das irmãs claustrais acompanham a obra apostólica! A cada uma delas dirijo o meu pensamento grato e carinhoso.
Estimados irmãos e irmãs, a vida de Domingos de Gusmão estimule todos nós a sermos fervorosos na oração, corajosos na vivência da fé e profundamente apaixonados por Jesus Cristo. Por sua intercessão, peçamos a Deus que enriqueça sempre a Igreja com autênticos pregadores do Evangelho.
Para ver como São Domingos recebeu o Rosário de Nossa Senhora, leia AQUI
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quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Filosofias em Luta - Guerra e Revolução
Por venerável Fulton Sheen
Parte II
Primeira parte AQUI
" A guerra que travamos não se parece com nenhuma outra. Quando ela cessar, não retornaremos ao presente modo de viver. Ela não é uma interrupção do normal, porém, uma desintegração do anormal. Achamo-nos indubitavelmente no término de uma era da história. Secaram os antigos poços; o bastão do progresso ilimitado em que nos apoiávamos, trespassou nossas mãos; as areias movediças de nossa crença na bondade absoluta da natureza humana, submergiram a superestrutura de um mundo materialista.
Defrontamos-nos agora com o fato que alguns reacionários ainda ignoram, a saber, que uma sociedade pode tornar-se inumana, muito embora preservando todas as vantagens técnicas e materiais de uma civilização que se proclama adiantada. O mundo está recolhendo suas tendas, a humanidade pôs-se em marcha. Morreu o mundo antigo!
Isto nos trás a esta guerra. Há dois grandes acontecimentos em nossos dias: A guerra e a revolução.
Uma guerra envolve nações, alianças, homens, exércitos, fábricas de armamentos. canhões e tanques. Uma revolução envolve idéias. Uma guerra move-se num plano horizontal de terra. territórios e homens; uma revolução move-se no plano vertical da ideologia, da doutrina, dos dogmas, credos e filosofias de vida.
Esta distinção é muito importante, porque explica como nações podem estar do mesmo lado numa guerra e em partidos opostos na revolução.Alemanha e Rússia em guerra tinham o mesmo ideal, pois tanto o comunismo como o nazismo são destruidores da liberdade humana. Opostos na guerra, unidos na ideologia.
A guerra é apenas um episódio da revolução - algo de contingente. É a fase militar através da qual se processa a revolução. Esta é que importa de fato, pois se trata de conflitos de ideologias, uma luta de dogmas e credos. A verdadeira luta se dá a nível de idéias. De muito mais alcance do que a pergunta "Quem vai ganhar a guerra? é a pergunta: "Quem vai ganhar a revolução? "Ou por outras palavras, que espécie de ideologias ou filosofias da vida vão dominar o mundo?
Quantas filosofias de vida estão envolvidas na revolução? Está muito geralmente aceita a falsa assertiva de que apenas duas: Democracia e Totalitarismo, ou a cristã e a anticristã. Prouvera Deus que fosse tão simples!
Há atualmente três grandes filosofias da vida em litígio:
1 - Totalitarismo: Anticristão, anti-semita e anti-humano
2 - Conceito secularista do mundo: É humanistico e democrático, mas procura preservar estes valores sobre fundamentos irreligiosos e amorais, identificando a moral com o interesse privado e não com a vontade de Deus.
3 - Concepção cristã do mundo: se assenta nos valores humanos e democráticos do Ocidente numa base moral e religiosa. Aqui inclui não somente os cristãos, mas também os judeus, que historicamente são as raízes da tradição cristã e religiosamente formam um bloco com aqueles, na adoração de Deus e na aceitação da lei moral como reflexo da Eterna Razão Divina.
Depois continuamos.
Fiquem com Deus!
Fonte: Filosofias em Luta
Parte II
Primeira parte AQUI
" A guerra que travamos não se parece com nenhuma outra. Quando ela cessar, não retornaremos ao presente modo de viver. Ela não é uma interrupção do normal, porém, uma desintegração do anormal. Achamo-nos indubitavelmente no término de uma era da história. Secaram os antigos poços; o bastão do progresso ilimitado em que nos apoiávamos, trespassou nossas mãos; as areias movediças de nossa crença na bondade absoluta da natureza humana, submergiram a superestrutura de um mundo materialista.
Defrontamos-nos agora com o fato que alguns reacionários ainda ignoram, a saber, que uma sociedade pode tornar-se inumana, muito embora preservando todas as vantagens técnicas e materiais de uma civilização que se proclama adiantada. O mundo está recolhendo suas tendas, a humanidade pôs-se em marcha. Morreu o mundo antigo!
Isto nos trás a esta guerra. Há dois grandes acontecimentos em nossos dias: A guerra e a revolução.
Uma guerra envolve nações, alianças, homens, exércitos, fábricas de armamentos. canhões e tanques. Uma revolução envolve idéias. Uma guerra move-se num plano horizontal de terra. territórios e homens; uma revolução move-se no plano vertical da ideologia, da doutrina, dos dogmas, credos e filosofias de vida.
Esta distinção é muito importante, porque explica como nações podem estar do mesmo lado numa guerra e em partidos opostos na revolução.Alemanha e Rússia em guerra tinham o mesmo ideal, pois tanto o comunismo como o nazismo são destruidores da liberdade humana. Opostos na guerra, unidos na ideologia.
A guerra é apenas um episódio da revolução - algo de contingente. É a fase militar através da qual se processa a revolução. Esta é que importa de fato, pois se trata de conflitos de ideologias, uma luta de dogmas e credos. A verdadeira luta se dá a nível de idéias. De muito mais alcance do que a pergunta "Quem vai ganhar a guerra? é a pergunta: "Quem vai ganhar a revolução? "Ou por outras palavras, que espécie de ideologias ou filosofias da vida vão dominar o mundo?
Quantas filosofias de vida estão envolvidas na revolução? Está muito geralmente aceita a falsa assertiva de que apenas duas: Democracia e Totalitarismo, ou a cristã e a anticristã. Prouvera Deus que fosse tão simples!
Há atualmente três grandes filosofias da vida em litígio:
1 - Totalitarismo: Anticristão, anti-semita e anti-humano
2 - Conceito secularista do mundo: É humanistico e democrático, mas procura preservar estes valores sobre fundamentos irreligiosos e amorais, identificando a moral com o interesse privado e não com a vontade de Deus.
3 - Concepção cristã do mundo: se assenta nos valores humanos e democráticos do Ocidente numa base moral e religiosa. Aqui inclui não somente os cristãos, mas também os judeus, que historicamente são as raízes da tradição cristã e religiosamente formam um bloco com aqueles, na adoração de Deus e na aceitação da lei moral como reflexo da Eterna Razão Divina.
Depois continuamos.
Fiquem com Deus!
Fonte: Filosofias em Luta
A família é um centro de amor.
Por Papa Francisco
"O que é a família?", pergunta-se Francisco . "Indo além dos seus problemas prementes e das suas necessidades peremptórias, a família é um 'centro de amor', onde reina a lei do respeito e da comunhão, capaz de resistir aos embates da manipulação e da dominação dos ‘centros de poder mundanos’", responde. O papa acrescenta que, "no lar, a pessoa se integra natural e harmonicamente em um grupo humano, superando a falsa oposição entre indivíduo e sociedade". Do mesmo modo, ele recorda que, no seio da família, ninguém é descartado: "Tanto o idoso quanto o bebê encontram acolhimento". A cultura do encontro e do diálogo, da abertura à solidariedade e da transcendência tem na família o seu berço, afirma o papa.
A seguir, Francisco destaca duas contribuições primordiais na mensagem: a estabilidade e a fecundidade.
"As relações baseadas no amor fiel até a morte, como o matrimônio, a paternidade, a filiação e a irmandade, se aprendem e se vivem no núcleo da família", afirma Francisco. Deste modo, quando essas relações formam o tecido básico de uma sociedade humana, elas lhe dão coesão e consistência. "Não é possível fazer parte de um povo, sentir-se próximo, levar em conta os mais afastados e desfavorecidos se no coração do homem essas relações básicas estão fraturadas, porque são elas que lhe oferecem segurança na sua abertura aos outros", indica.
O amor familiar é fecundo, diz o papa, e não só porque gera novas vidas, mas porque "amplia o horizonte da existência, gera um mundo novo; nos faz crer, contra toda desesperança e derrotismo, que uma convivência baseada no respeito e na confiança é possível". O pontífice reconhece que, diante de uma visão materialista do mundo, "a família não reduz o homem ao estéril utilitarismo, mas canaliza os seus desejos mais profundos".
Por outro lado, Francisco afirma que, a partir da experiência fundamental do amor familiar, "o homem cresce ainda na sua abertura a Deus como Pai". É que, na família, "reflete-se a imagem de Deus, que também é uma família em seu mistério mais profundo, e, deste modo, permite ver o amor humano como sinal e presença do amor divino". Na família, acrescenta ele, a fé se mistura com o leite materno. A este respeito, ele põe como exemplo "esse gesto singelo e espontâneo de pedir a bênção, que se conserva em muitos dos nossos povos", porque, segundo o Santo Padre, "ele recolhe perfeitamente a convicção bíblica de que a bênção de Deus se transmite de pais para filhos".
Finalmente, o papa Francisco adverte que é importante encorajar as famílias "a cultivarem relações sadias entre os seus membros, a saberem dizer 'desculpe', 'obrigado' e 'por favor' uns aos outros e a se dirigirem a Deus com o lindo nome de Pai".
Para encerrar a mensagem, o papa pede à Virgem de Guadalupe que "alcance de Deus abundantes bênçãos para os lares da América e os torne sementeiras de vida, de concórdia e de uma fé robusta, alimentada pelo Evangelho e pelas boas obras". E, como é costume do papa argentino, Francisco também pede que rezem por ele.
Papa Francisco na mensagem ao primeiro Congresso Latino-Americano de Pastoral Familiar, que acontece no Panamá de 4 a 9 de agosto. O encontro tem como lema "Família e Desenvolvimento Social para a Vida Plena” e foi promovido pelo Departamento de Família, Vida e Juventude do CELAM.
Fonte Zenit
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Nefastos efeitos do divórcio
Por sua Santidade Papa Pio XII
" A vida doméstica, outrossim, se, observada a lei de Cristo, floresce de verdadeira felicidade, assim também, quando repudia o Evangelho, perece miseravelmente e é devastada pelos vícios: "O que procura conhecer a lei será saciado com ela, mas para o hipócrita ela é um escândalo" (Eclo 32, 19)
8. Que pode haver na terra mais jucundo e alegre que a família cristã? Nascida junto ao altar do Senhor, onde o amor foi proclamado santo vínculo indissolúvel, consolida-se e cresce no mesmo amor que a graça superna alimenta. E então "é por todos honrado o matrimônio e imaculado o tálamo" (Hb 13,4); as paredes tranqüilas não ressoam de litígios nem são testemunhas de secretos martírios pela revelação de astutos manejos de infidelidade; a solidíssima confiança mútua afasta o espinho das suspeitas; no recíproco afeto de benevolência se aliviam as dores, e se acrescentam as alegrias.
Lá os filhos não são considerados peso insuportável, senão dulcíssimos penhores; nem uma condenável razão utilitária ou a procura de estéril prazer fazem que se impeça o dom da vida e que caia em desuso o suave nome de irmão e irmã.
Com que solicitude cuidam os pais que cresçam os filhos não apenas fisicamente vigorosos, senão que, seguindo a tradição dos antepassados, que lhes são freqüentemente relembrados, sejam adornados da luz que lhes comunica a profissão da fé puríssima e a honestidade moral!
Comovidos por tantos benefícios, os filhos cumprem seu máximo dever, isto é, honram a seus progenitores, secundam os seus desejos, sustentam-nos na velhice com seu auxílio fiel, tornam jucundas suas cãs com um afeto que, inalterado pela morte, no céu se há de tornar ainda mais glorioso e completo. Os membros da família cristã, não queixosos na adversidade, não ingratos na prosperidade, sempre estão plenos de confiança em Deus, a cujo império obedecem, a cujo querer se confiam, cujo socorro jamais esperam em vão.
9. Aqueles, pois, que nas Igrejas exercem funções diretivas ou de magistério, exortem assiduamente os fiéis a que constituam e mantenham famílias segundo a norma da sabedoria do Evangelho, buscando assim com assíduo cuidado preparar para o Senhor um povo perfeito. Pelo mesmo motivo, cumpre também sumamente atender a que o dogma, que por divino direito afirma a unidade e indissolubilidade do matrimônio, seja compreendido em sua importância religiosa e santamente respeitado por todos os que contraem núpcias.
Que tal capital ponto da doutrina católica tenha validíssima eficácia para a sólida estrutura da família, para o bem-estar crescente da sociedade civil, para a saúde do povo e para uma civilização cuja luz não seja falsa, reconhecem-no também não poucos, que, embora afastados da nossa fé, são todavia notáveis pelo senso político.
Ah! se vossa pátria houvesse conhecido por experiência alheia e não por exemplos domésticos o cúmulo de males que produz a licença dos divórcios! Que a reverência para com a religião, a piedade para com o grande povo persuadam a que o mal, infelizmente grassante, seja radicalmente curado e afastado.
As conseqüências desse mal, assim as descreveu o Papa Leão XIII, em termos incisivos: "Mercê dos divórcios, o contrato nupcial é sujeito à instabilidade: diminui-se a afeição, originam-se perniciosos estímulos à infidelidade conjugal; recebem dano o cuidado e a educação da prole, prepara-se ocasião de romper-se a sociedade doméstica: lançam-se sementes de discórdia entre a família; diminui-se e se deprime a dignidade da mulher, que corre risco de se ver abandonada depois que serviu de instrumento de prazer ao marido. E, visto que para arruinar as famílias e solapar o poder das nações nada é mais eficaz que a corrupção dos costumes, infere-se facilmente que o divórcio é o que há de mais nocivo à prosperidade das famílias e ao bem dos Estados".( Encíclica Arcanum.)
10. Quanto às núpcias, em que uma das partes não aceita o dogma católico ou não tenha recebido o sacramento do batismo, estamos seguros de que observais com diligência as determinações do Código de direito canônico. Na verdade, tais matrimônios, como de longa experiência sabeis, raramente são felizes, e soem ocasionar graves perdas à Igreja católica.
Fonte: Aqui
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