Por venerável Fulton Sheen
" A liberdade está plantada no espírito. Só as criaturas espirituais e racionais são livres. Só o homem tem determinação própria. Porque, dotado de razão, pode assentar os seus próprios projetos e propósitos e escolher os meios de usa-los. Sua suprema liberdade é obtida quando age dentro da lei de seu ser e escolhe dentre as boas coisas com o fim de alcançar o mais completo enriquecimento e a plenitude de sua personalidade em Deus.
A base de nossa liberdade, bem sabemos -, é nossa alma racional. Mas existe uma garantia externa de nossa liberdade, já que não somos puramente espirituais, mas porque somos compostos de corpo e alma, matéria e espírito, necessitamos de algum sinal visível e externo de nossa invisível liberdade espiritual. Ou, se o homem é livre porque tem uma alma espiritual, não deverá haver um sinal externo para essa liberdade interna, algo que possa chamar de seu no mundo exterior, assim como chama a sua alma propriedade dentro de si?
Liberdade significa responsabilidade ou domínio de seus atos.. Como pode, porém, esta responsabilidade interna melhor revelar-se externamente do que por meio da posse de alguma coisa material sobre a qual se possa exercer controle? O homem é mais livre em seu íntimo, quando possui alguma coisa no mundo exterior que possa chamar de seu , que possa dar cunho a sua personalidade.
Se o homem não possuísse nenhuma coisa que se pudesse tornar responsável, não seria livre nem dentro, nem fora de si. Dêem-lhe, porém, alguma coisa que possa afeiçoar à sua própria imagem e semlhança, assim como Deus o fez à sua imagem e semelhança e o homem será economicamente livre. Tal coisa é a propriedade privada.
A propriedade privada, então, é a garantia econômica da liberdade, tal como a alma é sua garantia espiritual - a prova de que é tao livre em seus atos externos quanto em seu fôro íntimo; a garantia de que é a fonte da responsabilidade não somente no que se refere ao que ele é, mas também ao que possui.
O direito à propriedade privada baseia-se na dignidade da pessoa humana e não num privilégio do Estado. O Estado pode confirmar o direito natural, mas em nenhum sentido o cria. O direito á propriedade está, portanto, fundado na natureza humana. Não é o Estado que nos dá este direito. O homem tem esse direito antes do Estado e o Estado não pode destruí-lo sem destruir a natureza do homem.
Pelo fato de a propriedade em suas relações externas ser o sinal da liberdade, é que a Igreja tem feito da larga distribuição da propriedade privada a pedra angular de seu programa social. " A riqueza, constantemente aumentada pelo progresso econcômico e social, deve ser distrubuída por entre os vários indivíduos e classes de modo tal que seja alcançado o bem comum de todos" ( Quadragesimo Anno)
A Igreja por saber que a propriedade privada é a garantia econômica de uma pessoa ou família, luta por ela. Porque renunciar à propriedade é ficar alguém sujeito a outrem. Se renunciar ao meu direito è propriedade, ficarei sujeito, quer:
1 - Ao Estado ou coletividade, como no comunismo,
2 - Ao próximo, como o capitalismo selvagem o quer
3 - A Deus, como no voto de pobreza.( neste caso, ele tudo possui, mas a tudo renuncia, pois nada tem a desejar)
Porque a abolição da propriedade é o começo da escravidão, opõe-se a Igreja ao capitalismo selvagem que encerra a propriedade nas mãos de poucos e ao comunismo, que confisca inteiramente em nome da coletividade.
Profundamente interessada na liberdade do homem, recorre a Igreja a um meio eficaz: sugere-lhe aquilo que o fará livre, isto é, dá-lhe alguma coisa que ele possa chamar de seu.
***
Depois veremos: Restaurar a propriedade ou destruir a liberdade?
Fonte: O problema da Liberdade
A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Os Anos de Ginásio em Traunstein
Por Bento XVI
Primeira Parte AQUI
Segunda Parte AQUI
Terceira Parte AQUI
"Os policiais daquele tempo aposentavam-se ao completar 60 anos de idade, por causa dos consideráveis esforços físicos que a profissão exigia. Meu pai esperou ansiosamente por esse dia. Os freqüentes serviços noturnos que faziam parte de suas tarefas o incomodavam.
Mais pesada ainda lhe era a situação política em que tinha que cumprir seu serviço. Ele conseguiu uma licença médica mais demorada, durante a qual, muitas vezes, foi caminhar comigo, contando-me coisas de sua vida. Finalmente, no dia 6 de março de 1937, ele completou seus 60 anos.
Em 1933 meus pais tinham conseguido comprar, por baixo preço, uma velha casa de fazenda, do ano de 1726 (assim estava escrito, se me recordo bem, numa viga do telhado), na periferia de Traunstein. Os proprietários de outrora tinham dissipado as terras; à casa pertencia ainda um gramado grande, no qual se erguiam duas imponentes cerejeiras, além de uns pés de maçã, pêra e ameixa. Esse terreno estava delimitado por um bosque de carvalhos, a uma distância de poucos passos da casa, além do qual se estendia uma floresta de pinheiros, até uma distância de muitas horas.
A casa tinha sido construída no estilo alpino da região de Salzburgo: celeiros e estábulos debaixo de um só teto com a moradia. O teto dos estábulos e celeiros ainda era coberto de telhas de madeira, que o peso de pedras protegia contra o vento.
Não havia água corrente; em compensação, um poço na frente da casa tinha uma água deliciosa, fresquinha. Mais tarde, porém, quando surgiram outras casas com poços na vizinhança,o nosso, em épocas sem chuva, acabava secando. As janelas do quarto de dormir, onde nós, meninos, estávamos alojados, abriam-se para o sul. Quando, de manhã cedo, abríamos as cortinas, estavam lá, quase ao nosso alcance, o Hochfellen e o Hochgern, as duas montanhas “caseiras” de Traunstein.
No descurso dos anos, nossa mãe transformou em um lar maravilhoso aquela casa, inicialmente meio estragada, que nosso pai mandara reformar. Nas janelas havia jardineiras com flores, e mamãe plantou dois canteiros nos quais crescia tudo o que era útil, os quais, por sua vez, estavam também cercados por uma abundância de flores.
A meu pai, o estado desta nossa casa, desta nossa nova morada, causou muita preocupação, mas para nós foi um paraíso, como não poderíamos ter sonhado mais belo.
Havia lá alpendres espaçosos cheios de mistérios, além de uma oficina de tecelagem, em que os proprietários anteriores, sem dúvida, haviam trabalhado, e depois: o gramado, o poço, as árvores e a floresta... Foi aí que, depois de muitas mudanças, encontramos finalmente o nosso lar, para onde sempre voltam as minhas gratas lembranças.
Nunca vou me esquecer da primeira impressão: o caminhão da mudança já tinha ido mais cedo; nós chegamos ao carro da dona da casa em Aschau, e a primeira coisa que vimos foi o gramado, salpicado de prímulas. Era o início de abril.
Com a mudança para Traunstein, porém, começou também para mim uma vida mais séria. Poucos dias depois de nossa chegada, a escola abriu suas portas; entrei para o primeiro ano no “ginásio humanístico”, que hoje seria chamado “ginásio para línguas antigas”.
Tinha que andar meia hora até a escola, tempo suficiente para observar e pensar, mas também para repetir o que tinha aprendido na escola. A escola primária de Aschau, a bem dizer, não dera muito resultado. Agora, encontrava-me diante de uma nova matéria e uma nova exigência, ainda mais porque eu era o mais novo e um dos mais baixinhos de toda a turma.
Ainda se ensinava o latim, com aquele vigor e solidez de antigamente, como base de todo o ensino, o que me deixou grato pelo restante da vida; como teólogo não tive dificuldade para ler as fontes em latim e grego; e em Roma, durante o Concílio, pude me adaptar rapidamente ao latim dos teólogos que lá se falava, embora nunca tivesse ouvido palestras nessa língua.
Também no ginásio de Traunstein o nazismo ainda não tinha conseguido mudar muita coisa. Da velha guarda dos filósofos das línguas antigas, ninguém tinha aderido ao partido, apesar da considerável pressão exercida sobre os funcionários. Pouco depois de minha entrada no ginásio, o vice-reitor foi demitido porque não agradou aos novos senhores.
Uma retrospectiva me faz pensar que a formação pela antiguidade greco-latina criava uma atitude espiritual que se opunha às seduções da ideologia totalitária.
Folheando nosso livro de cânticos daquela época, que, além das valiosas músicas antigas, continha também uma série de cantos nazistas, vi que nosso professor de música, um católico sincero, havia mandado riscar, com muita tinta, as palavras“Judá den Tod” [a Judá a morte] e escrever no seu lugar: “Wend die Not” [acaba com a miséria].
Mas um ano depois de minha entrada no ginásio, houve uma reforma radical. Até aquela época o ginásio e a escola profissionalizante tinham existido separadamente, como duas instituições distintas.
Fundiram-se, então, em um novo tipo de escola, a chamada OBERSCHULE (escola secundária), da qual o ensino do grego desapareceu totalmente e o latim foi consideravelmente reduzido, começando apenas no terceiro ano, ao passo que as línguas modernas, especialmente o inglês, e as ciências naturais ganharam mais peso.
Com o novo tipo de escola chegou também uma outra geração, mais nova, de professores, alguns excelentes, sem dúvida, mas entre eles também havia, naturalmente, propagadores entusiastas do novo regime. Daí a mais três anos o ensino religioso foi excluído da escola, enquanto a prática dos esportes aumentou proporcionalmente.
Ao ginásio, condenados a acabar, eles preservaram amplamente sua forma antiga, graças a Deus. Enquanto isso, os trovões da história mundial também já ressoavam mais alto.
No início de 1938 houve inúmeros movimentos de tropas; falava-se de uma guerra contra a Áustria, até que um dia chegou a notícia de uma invasão do exército alemão a esse país e de sua anexação ao Reich alemão, que daí para frente seria chamado “Groszdeutschland” [Grande Alemanha].
Para nós, a tomada do poder na Áustria pelos potentados marrons teve também um lado positivo: Hitler tinha fechado as fronteiras para o país vizinho. Ainda me lembro de que um dia fizemos uma excursão de Aschau para a amada Tittmoning, mas a ponte sobre o Salzach, que tantas vezes tínhamos atravessado, estava fechada; já não era ponte, mas fronteira.
Agora a Áustria estava novamente aberta, infelizmente a um preço alto demais. Daí em diante fomos muitas vezes, com nossos pais, para a vizinha Salzburgo; disso sempre fazia parte uma romaria para Maria Plain e uma visita às magníficas igrejas, sentindo a influência do ambiente daquela excepcional cidade.
Dentro em pouco, meu irmão tomou a iniciativa de conhecer ainda uma outra dimensão de Salzburgo: por causa da guerra, o festival tinha perdido seu público internacional. Podíamos conseguir ingressos realmente bons por preços muito baixos.
Assim, assistimos à Nona Sinfonia de Beethoven, dirigida por Knappertsbusch, à Missa em Dó Menor de Mozart, a um concerto do coral da catedral de Ratisbona e a muitos outros concertos inesquecíveis.
Neste meio- tempo, vivi uma mudança bem decisiva em minha vida.
Durante dois anos tinha ido diretamente, com muito prazer, de nossa casa para a escola, mas agora o pároco insistia para que eu entrasse para o seminário, a fim de ser introduzido, sistematicamente, na vida espiritual. Para meu pai, cuja aposentadoria era bem parca, isso foi um grande sacrifício.
De outro lado, minha irmã, depois de terminar o ensino médio e o ano de estudo de agronomia, obrigatório para as meninas, conseguira um emprego no escritório de uma grande empresa em Traunstein, aliviando, com isso, o orçamento familiar.
Assim, a decisão foi tomada, e eu entrei para o seminário na Páscoa de 1939, alegre e com grande expectativa, porque meu irmão me tinha contado muitas coisas bonitas a esse respeito, e eu vivia em boa amizade com os seminaristas da minha classe.
Mas sou um daqueles seres humanos que não foram criados para viver em internato. Em casa eu tinha vivido com muita liberdade, tinha estudado como queria, tinha construído meu próprio mundo infantil.
Ser colocado agora em uma sala de estudo com mais uns sessenta meninos era, para mim, uma tortura, e aprender, coisa que tinha sido tão fácil, agora me parecia quase impossível.
Porém, o mais difícil para mim era que todos os dias, de acordo com as idéias progressistas de educação, estavam prescritas duas horas de esporte na grande quadra ao lado da casa; e, além disso, os meus colegas eram todos mais velhos do que eu, alguns até três anos, e em força física eu era muito inferior a quase todos.
Assim, aquilo se tornou um verdadeiro tormento.
É preciso dizer, no entanto, que meus colegas eram na verdade muito tolerantes, mas com o tempo torna-se desagradável depender da tolerância dos outros e saber que só atrapalhamos o time em que somos colocados.
Enquanto isso, agrava-se o drama da história, em conseqüência dos atos do Terceiro Reich.
Surgiu a crise dos sudetos, sendo depois esquentada com uma maquinaria de mentiras, transparente até para os ingênuos. Era evidente que o acordo de Munique, que havia sancionado a anexação da região dos Sudetos, era um adiamento, não uma solução do problema.
Meu pai não conseguia entender que os franceses, que ele tanto estimava, parecessem aceitar quase como algo normal uma série de atos ilegais de Hitler. Na primavera de 1939, seguiu a ocupação da Tchecoslováquia, e no dia 1º. De setembro do mesmo ano, depois de uma nova campanha no mesmo estilo, agora contra a Polônia, a guerra eclodiu.
A guerra ainda estava longe de nós, mas o futuro nos parecia inquietante, ameaçador e imprevisível.
Uma conseqüência imediata da eclosão da guerra foi que o seminário foi declarado hospital militar, e eu, então com meu irmão, podia novamente ir à pé de nossa casa para a escola.
Mas o diretor conseguiu um outro alojamento, primeiro no sanatório da cidade (que o vigário Kneipp teria gostado de transformar em uma grande cidade, a ser chamada de “Kneipp”), depois no instituto para meninas, das Damas Inglesas, em Sparz, na parte alta da cidade.
Como os nazistas tinham fechado as escolas conventuais, a casa estava vazia, e a comunidade do seminário podia agora encontrar lá seu alojamento. Mas não havia área de esportes.
Em vez disso, caminhávamos na parte da tarde, juntos, pelos bosques da redondeza, e brincávamos à beira do córrego que descia da montanha. Construíamos barragens, pescávamos etc.
Era uma vida alegre, de meninos mesmo. Então reconciliei-me com o seminário e vivi um período maravilhoso. Tive que aprender a me adaptar ao grupo e a sair de minha excentricidade, construindo, no dar e receber, uma comunidade com os demais. Sou grato por essa experiência; ela foi importante para a minha vida.
Inicialmente, a guerra parecia quase irreal. Depois que Hitler, com a União Soviética, derrubou a Polônia, estabeleceu-se um silêncio. As potências ocidentais pareciam indecisas, e na fronteira com a França não acontecia praticamente nada.
O ano de 1940 foi marcado, então, pelos grandes triunfos de Hitler: a Dinamarca e a Noruega foram ocupadas; Holanda, Bélgica, Luxemburgo e França foram derrotados em pouco tempo.
Até as pessoas que eram adversárias do nazismo sentiam uma espécie de satisfação patriótica.
O grande historiador do Concílio, Hubert Jedin, mais tarde meu colega em Bonn, foi obrigado, sendo meio judeu, a fugir da Alemanha; passou os anos de Hitler no Estado do Vaticano, em exílio involuntário; mas em suas memórias ele descreveu profundamente o curioso dilema de sentimentos que lhe provocaram os acontecimentos daqueles dias.
Meu pai enxergava muito precisamente, com incorruptível clarividência, que a vitória de Hitler não seria uma vitória da Alemanha, mas uma vitória do anticristo, que introduziria tempos apocalípticos para todos os crentes, e não apenas para eles.
A guerra continuou seu implacável caminho. Os Bálcãs foram a próxima região a ser submetida ao domínio de Hitler. Mas o fato de a invasão da Inglaterra, grandiosamente anunciada, ser sempre adiada, suscitou dúvidas e inquietação.
Continua inesquecível, para mim, aquele domingo ensolarado do ano de 1941, em que nos surpreendeu a notícia de que a Alemanha, com seus aliados, em uma frente que ia do Pólo Norte até o Mar Negro, tinha iniciado um ataque contra a União Soviética.
Minha turma tinha combinado para esse dia um pequeno passeio de barco em uma lagoa vizinha.
O passeio foi lindo, mas a notícia da nova extensão da guerra nos abatia, como um pesadelo, e paralisava a alegria. Aquilo não podia dar certo.
Pensávamos em Napoleão; pensávamos nas vastíssimas dimensões da Rússia, nas quais a invasão alemã devia, em algum ponto, se dispesar. Em breve os efeitos apareceram: chegavam grandes levas de soldados, a maioria terrivelmente ferida; precisava-se, agora, de toda a capacidade do hospital militar.
Todas as casas disponíveis, também aquela em Sparz, foram ocupadas.
Os seminaristas provenientes de outros lugares (praticamente todos) tiveram que procurar alojamento em casas particulares. Meu irmão e eu voltamos definitivamente para casa. Agora, porém, era também evidente que a guerra ainda demoraria muito, e ela se aproximava cada vez mais ameaçadoramente de nossa vida. Meu irmão tinha 17 anos de idade; eu, 14.
Talvez eu fosse poupado, mas podia-se prever que meu irmão não escaparia.
De fato, no verão de 1942 ele foi convocado para o treinamento básico da infantaria; no outono seguiu a convocação para o exército, onde ele foi colocado no Serviço de Informação, como telegrafista.
Depois de uma permanência na França, na Holanda e na Tchecoslováquia, ele foi mandado para a frente italiana, onde foi ferido. Assim, ele veio parar, afortunadamente, no seminário de Traunstein, lugar de tantos anos agradáveis para ele, agora hospital militar. Depois de curado, ele teve que voltar para a frente na Itália.
Quanto a mim, aguardava-me ainda – apesar daquele sinistro contexto histórico- um belo ano em casa e no seminário de Traunstein.
Depois continuamos.
Fonte: Lembranças de Minha Vida.
Eis aqui a Mulher a quem amamos!
Por venerável Fulton Sheen
" Dissemos que cada um de nós tráz impressa no coração a imagem do seu amor ideal. Os melhores amores humanos, por mais profundos que sejam, estão sempre condenados a acabar- e nada existe Perfeito que acabe. Se há alguém, de quem se possa afirmar: " Este é o derradeiro abraço" - então, não existe, de fato, amor perfeito.
E daí que alguns, que ignoram o Amor divino, tentem experimentar uma multiplicidade de amores que lhes supram o amor ideal; mas é isso o mesmo que dizer que, para executar uma obra prima musical, devemos tocar uma dúzia de violinos diferentes.
Todo homem que procura uma jovem, toda a jovem que deseja ser escolhida, toda a aspiração de amizade neste mundo, busca um amor que não seja apenas amor dele ou dela , mas alguma coisa que os inunde a ambos e a que eles possam chamar o nosso amor.
Cada um de nós se enamora de amor ideal, de um amor que transcende a carne e a faz cair no esquecimento. Todos nós amamos para lá do nosso amor. Logo que cesse tal aspiração, acabou o amor. Como disse o poeta: " Não poderia meu amor, amar-te tanto, se não te adorasse ainda mais que te amo".
Este amor ideal que nós vemos para lá de todo o amor humano, para o qual instintivamente nos voltamos quando o amor dos sentidos deixa de existir, é o mesmo ideal que Deus experimentou em seu coração, desde toda a eternidade, pela Senhora a quem Ele chama Minha Mâe. É a ela que todos os homens amam quando amam uma mulher - quer o saibam ou não. É Ela aquilo que, no fundo, toda a mulher deseja ser. É Ela a mulher com quem todos os homens casam idealmente quando recebem esposa.. É Ela o ideal secreto da mulher infeliz que sofre com agressividade carnal do homem. É Ela o inefável desejo que toda a mulher tem de ser respeitada e protegida, de ser amada, em virtude da beleza de tudo aquilo que constitui o seu bem: o seu corpo e sua alma.
E esse amor, impresso no coração de Deus, que Deus amou antes de o mundo ser mundo, essa Mulher de Sonho que existiu antes de a mulher ter sido criada, é Aquela a quem todos os corações podem dizer, do mais profundo de si próprios: Eis aqui a Mulher a quem amamos!
Fonte: O primeiro Amor do Mundo - pag:21-22 - Fulton Sheen
" Dissemos que cada um de nós tráz impressa no coração a imagem do seu amor ideal. Os melhores amores humanos, por mais profundos que sejam, estão sempre condenados a acabar- e nada existe Perfeito que acabe. Se há alguém, de quem se possa afirmar: " Este é o derradeiro abraço" - então, não existe, de fato, amor perfeito.
E daí que alguns, que ignoram o Amor divino, tentem experimentar uma multiplicidade de amores que lhes supram o amor ideal; mas é isso o mesmo que dizer que, para executar uma obra prima musical, devemos tocar uma dúzia de violinos diferentes.
Todo homem que procura uma jovem, toda a jovem que deseja ser escolhida, toda a aspiração de amizade neste mundo, busca um amor que não seja apenas amor dele ou dela , mas alguma coisa que os inunde a ambos e a que eles possam chamar o nosso amor.
Cada um de nós se enamora de amor ideal, de um amor que transcende a carne e a faz cair no esquecimento. Todos nós amamos para lá do nosso amor. Logo que cesse tal aspiração, acabou o amor. Como disse o poeta: " Não poderia meu amor, amar-te tanto, se não te adorasse ainda mais que te amo".
Este amor ideal que nós vemos para lá de todo o amor humano, para o qual instintivamente nos voltamos quando o amor dos sentidos deixa de existir, é o mesmo ideal que Deus experimentou em seu coração, desde toda a eternidade, pela Senhora a quem Ele chama Minha Mâe. É a ela que todos os homens amam quando amam uma mulher - quer o saibam ou não. É Ela aquilo que, no fundo, toda a mulher deseja ser. É Ela a mulher com quem todos os homens casam idealmente quando recebem esposa.. É Ela o ideal secreto da mulher infeliz que sofre com agressividade carnal do homem. É Ela o inefável desejo que toda a mulher tem de ser respeitada e protegida, de ser amada, em virtude da beleza de tudo aquilo que constitui o seu bem: o seu corpo e sua alma.
E esse amor, impresso no coração de Deus, que Deus amou antes de o mundo ser mundo, essa Mulher de Sonho que existiu antes de a mulher ter sido criada, é Aquela a quem todos os corações podem dizer, do mais profundo de si próprios: Eis aqui a Mulher a quem amamos!
Fonte: O primeiro Amor do Mundo - pag:21-22 - Fulton Sheen
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Virgem Santíssima
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Filosofias em Luta
Por venerável Fulton Sheen
Parte I - AQUI
Parte II - AQUI
" À luz dessas três filosofias, nossa tarefa é tripla:
1 - O totalitarismo anticristão, anti-semita e anti-humano deve ser derrotado e destruído não exatamente por constituir um sistema político ou econômico contrário ao nosso, mas porque é anti-humano e é anti-humano por ser contra Deus.
Nossa guerra contra ele é movida não em nome da democracia, porém da humanidade. Devemos a todo custo repudiar o materialismo, o egoísmo e o ateísmo, que devoram que o temos de vital: a Justiça e a Igualdade. Tendo recuperado a fidelidade à Divina Lei Moral, estaremos à altura da nossa missão de conduzir o mundo a uma paz nascida da justiça e da caridade de Deus, pois " a menos que o Senhor edifique a casa, vão terá sido o trabalho dos que a construíram. A menos que o Senhor preserve a cidade em vão vigiará quem a guarda".
Esta é a decisão que o mundo tem de tomar: a saber, se o homem é instrumento do Estado, como julga o totalitarismo; se é um animal, como acredita a tradição leiga do mundo ocidental ; ou ainda se é criatura feita à imagem e semelhança de Deus, como creêm os cristãos.
Esta é a essência do conflito.
Enfrentamos nesta guerra um inimigo dual e não singular. Temos que desbaratar a barbárie ativa do exterior e a barbárie passiva do interior. Temos que usar nossas espadas num golpe contra o totalitarismo externo e a sua rude barbárie; mas também dentro de nós, para decepar nossa própria mansa barbárie.
Cada um de nós deve dizer: cumpre-me lutar contra o inimigo do homem, contra mim mesmo, quando sou eu próprio o pior de meus inimigos.
Precisamos ganhar uma guerra e ganhar uma revolução. Uma guerra, aniquilando o poder combativo do inimigo; uma paz, tornando-nos dignos de impo-la. A vitória no campo de batalha dominará a barbárie bruta. O arrependimento e a cartase do espírito, tão somente, poderão abater a mansa barbárie. Canhões, aviões, navios, dinamite, fábricas e bombas abaterão o primeiro desses males.
Somente a oração, o pesar, o arrependimento, a purificação de nossas almas e nossos corações, a meditação, a reparação, o sacrifício e uma volta a Deus poderão aniquilar o segundo.
Se nos limitarmos a vencer a barbárie bruta, perdendo a outra, estaremos no início de guerras cíclicas, que tornarão e retornarão até sermos flagelados e purificados e alquebrados num desespero criador, que nos levará de novo a Deus.
Esta é a verdadeira revolução. Todas as outras, no sec XX foram de fora para dentro; desta vez queremos uma revolução de dentro para fora. As revoluções que abalaram a Europa nos últimos vinte e cinco anos, apenas deslocaram o poder de uma classe para outra, os despojos de uma bolsa para outra, a autoridade de partido para outro.
Desta vez queremos uma revolução que mude os corações. Uma revolução semelhante à que descreve o "Magníficat", que foi mil vezes mais revolucionário do que o manifesto de Karl Marx, em 1848. O mal de todas as revoluções políticas e econômicas, é que elas não são suficientemente revolucionárias! Deixam ainda ódio no coração do homem! "
Depois veremos: Aquilo contra que estamos combatendo.
Fiquem com Deus!
Parte I - AQUI
Parte II - AQUI
" À luz dessas três filosofias, nossa tarefa é tripla:
1 - O totalitarismo anticristão, anti-semita e anti-humano deve ser derrotado e destruído não exatamente por constituir um sistema político ou econômico contrário ao nosso, mas porque é anti-humano e é anti-humano por ser contra Deus.
Nossa guerra contra ele é movida não em nome da democracia, porém da humanidade. Devemos a todo custo repudiar o materialismo, o egoísmo e o ateísmo, que devoram que o temos de vital: a Justiça e a Igualdade. Tendo recuperado a fidelidade à Divina Lei Moral, estaremos à altura da nossa missão de conduzir o mundo a uma paz nascida da justiça e da caridade de Deus, pois " a menos que o Senhor edifique a casa, vão terá sido o trabalho dos que a construíram. A menos que o Senhor preserve a cidade em vão vigiará quem a guarda".
Esta é a decisão que o mundo tem de tomar: a saber, se o homem é instrumento do Estado, como julga o totalitarismo; se é um animal, como acredita a tradição leiga do mundo ocidental ; ou ainda se é criatura feita à imagem e semelhança de Deus, como creêm os cristãos.
Esta é a essência do conflito.
Enfrentamos nesta guerra um inimigo dual e não singular. Temos que desbaratar a barbárie ativa do exterior e a barbárie passiva do interior. Temos que usar nossas espadas num golpe contra o totalitarismo externo e a sua rude barbárie; mas também dentro de nós, para decepar nossa própria mansa barbárie.
Cada um de nós deve dizer: cumpre-me lutar contra o inimigo do homem, contra mim mesmo, quando sou eu próprio o pior de meus inimigos.
Precisamos ganhar uma guerra e ganhar uma revolução. Uma guerra, aniquilando o poder combativo do inimigo; uma paz, tornando-nos dignos de impo-la. A vitória no campo de batalha dominará a barbárie bruta. O arrependimento e a cartase do espírito, tão somente, poderão abater a mansa barbárie. Canhões, aviões, navios, dinamite, fábricas e bombas abaterão o primeiro desses males.
Somente a oração, o pesar, o arrependimento, a purificação de nossas almas e nossos corações, a meditação, a reparação, o sacrifício e uma volta a Deus poderão aniquilar o segundo.
Se nos limitarmos a vencer a barbárie bruta, perdendo a outra, estaremos no início de guerras cíclicas, que tornarão e retornarão até sermos flagelados e purificados e alquebrados num desespero criador, que nos levará de novo a Deus.
Esta é a verdadeira revolução. Todas as outras, no sec XX foram de fora para dentro; desta vez queremos uma revolução de dentro para fora. As revoluções que abalaram a Europa nos últimos vinte e cinco anos, apenas deslocaram o poder de uma classe para outra, os despojos de uma bolsa para outra, a autoridade de partido para outro.
Desta vez queremos uma revolução que mude os corações. Uma revolução semelhante à que descreve o "Magníficat", que foi mil vezes mais revolucionário do que o manifesto de Karl Marx, em 1848. O mal de todas as revoluções políticas e econômicas, é que elas não são suficientemente revolucionárias! Deixam ainda ódio no coração do homem! "
Depois veremos: Aquilo contra que estamos combatendo.
Fiquem com Deus!
Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau
Visita de sua santidade Bento XVI à Polônia.
" Tomar a palavra neste lugar de horror, de acúmulo de crimes contra Deus e contra o homem sem igual na história, é quase impossível e é particularmente difícil e oprimente para um cristão, para um Papa que provém da Alemanha. Num lugar como este faltam as palavras, no fundo pode permanecer apenas um silêncio aterrorizado um silêncio que é um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto? É nesta atitude de silêncio que nos inclinamos profundamente no nosso coração face à numerosa multidão de quantos sofreram e foram condenados à morte; todavia, este silêncio torna-se depois pedido em voz alta de perdão e de reconciliação, um grito ao Deus vivo para que jamais permita uma coisa semelhante.
Há 27 anos, no dia 7 de Junho de 1979, estava aqui o Papa João Paulo II; então ele disse: "Venho hoje aqui... Quantas vezes! E desci muitas vezes à cela da morte de Maximiliano Kolbe e detive-me diante do muro do extermínio e passei entre as ruínas dos fornos crematórios de Birkenau.
O Papa João Paulo II veio aqui como um filho do povo polaco. Hoje eu vim aqui como um filho do povo alemão, e precisamente por isto devo e posso dizer como ele: não podia deixar de vir aqui. Tinha que vir. Era e é um dever perante a verdade e o direito de quantos sofreram, um dever diante de Deus, de estar aqui como sucessor de João Paulo II e como filho do povo alemão filho daquele povo sobre o qual um grupo de criminosos alcançou o poder com promessas falsas, em nome de perspectivas de grandeza, de recuperação da honra da nação e da sua relevância, com previsões de bem-estar e também com a força do terror e da intimidação, e assim o nosso povo pôde ser usado e abusado como instrumento da sua vontade de destruição e de domínio. Sim, não podia deixar de vir aqui.
Quantas perguntas surgem neste lugar! Sobressai sempre de novo a pergunta: Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou? Como pôde tolerar este excesso de destruição, este triunfo do mal? Vêm à nossa mente as palavras do Salmo 44, a lamentação de Israel que sofre: "... Tu nos esmagaste na região das feras e nos envolveste em profundas trevas... por causa de ti, estamos todos os dias expostos à morte; tratam-nos como ovelhas para o matadouro. Desperta, Senhor, por que dormes? Desperta e não nos rejeites para sempre! Por que escondes a tua face e te esqueces da nossa miséria e tribulação? A nossa alma está prostrada no pó, e o nosso corpo colado à terra. Levanta-te! Vem em nosso auxílio; salva-nos, pela tua bondade!" (Sl 44, 20.23-27). Este grito de angústia que Israel sofredor eleva a Deus em períodos de extrema tribulação, é ao mesmo tempo um grito de ajuda de todos os que, ao longo da história ontem, hoje e amanhã sofrem por amor de Deus, por amor da verdade e do bem; e há muitos, também hoje.
Nós não podemos perscrutar o segredo de Deus vemos apenas fragmentos e enganamo-nos se pretendemos eleger-nos a juízes de Deus e da história. Não defendemos, nesse caso, o homem, mas contribuiremos apenas para a sua destruição.
Não em definitiva, devemos elevar um grito humilde mas insistente a Deus: Desperta! Não te esqueças da tua criatura, o homem! E o nosso grito a Deus deve ao mesmo tempo ser um grito que penetra o nosso próprio coração, para que desperte em nós a presença escondida de Deus para que aquele seu poder que Ele depositou nos nossos corações não seja coberto e sufocado em nós pela lama do egoísmo, do medo dos homens, da indiferença e do oportunismo.
Emitamos este grito diante de Deus, dirijamo-lo ao nosso próprio coração, precisamente nesta nossa hora presente, na qual incumbem novas desventuras, na qual parecem emergir de novo dos corações dos homens todas as forças obscuras: por um lado, o abuso do nome de Deus para a justificação de uma violência cega contra pessoas inocentes; por outro, o cinismo que não conhece Deus e que ridiculariza a fé n'Ele.
Nós gritamos a Deus, para que impulsione os homens a arrepender-se, para que reconheçam que a violência não cria a paz, mas suscita apenas outra violência uma espiral de destruição, na qual todos no fim de contas só têm a perder. O Deus, no qual nós cremos, é um Deus da razão mas de uma razão que certamente não é uma matemática neutral do universo, mas que é uma coisa só com o amor, com o bem. Nós rezamos a Deus e gritamos aos homens, para que esta razão, a razão do amor e do reconhecimento da força da reconciliação e da paz prevaleça sobre as ameaças circunstantes da irracionalidade ou de uma falsa razão, separada de Deus.
O lugar no qual nos encontramos é um lugar da memória, é o lugar do Shoá. O passado nunca é apenas passado. Ele refere-se a nós e indica-nos os caminhos que não devem ser percorridos e os que o devem ser. Como João Paulo II, percorri o caminho ao longo das lápides que, nas várias línguas, recordam as vítimas deste lugar: são lápides em bielo-russo, checo, alemão, francês, grego, hebraico, polaco, russo, rom, romeno, eslovaco, sérvio, ucraniano, judaico-hispânico, inglês.
Todas estas lápides comemorativas falam de dor humana, deixam-nos intuir o cinismo daquele poder que tratava os homens como material e não os reconhecia como pessoas, nas quais resplandece a imagem de Deus. Algumas lápides convidam a uma comemoração particular. Há uma em língua hebraica. Os poderosos do Terceiro Reich queriam esmagar o povo judeu na sua totalidade; eliminá-lo do elenco dos povos da terra. Então as palavras do Salmo: "estamos todos os dias expostos à morte; tratam-nos como ovelhas para o matadouro", verificam-se de modo terrível.
No fundo, aqueles criminosos violentos, com a aniquilação deste povo, pretendiam matar aquele Deus que chamou Abraão, que falando no Sinai estabeleceu os critérios orientadores da humanidade que permanecem válidos para sempre. Se este povo, simplesmente com a sua existência, constitui um testemunho daquele Deus que falou ao homem e o assumiu, então aquele Deus devia finalmente estar morto e o domínio devia pertencer apenas ao homem àqueles que se consideravam os fortes que tinham sabido apoderar-se do mundo. Com a destruição de Israel, com o Shoa, queriam, no fim de contas, arrancar também a raiz sobre a qual se baseia a fé cristã, substituindo-a definitivamente com a fé feita por si, a fé no domínio do homem, do forte.
Depois, há a lápide em língua polaca: numa primeira fase e antes de tudo queria-se eliminar a élite cultural e cancelar assim o povo como sujeito histórico autónomo para o reduzir, na medida em que continuava a existir, a um povo de escravos. Outra lápide, que convida particularmente a reflectir, é a que está escrita na língua dos Sint e dos Rom. Também aqui se pretendia fazer desaparecer um povo inteiro que vive migrando entre os outros povos. Ele estava inserido entre os elementos inúteis da história universal, numa ideologia na qual só devia contar o útil medível; tudo o resto, segundo os seus conceitos, era classificado como lebensunwertes Leben uma vida indigna de ser vivida.
Depois há a lápide em russo que evoca o imenso número das vidas sacrificadas entre os soldados russos no confronto com o regime do terror nazista; mas, ao mesmo tempo, faz-nos reflectir sobre o trágico duplo significado da sua missão: libertaram os povos de uma ditadura, mas submetendo também os mesmos povos a uma nova ditadura, a de Estalin e da ideologia comunista.
Também todas as outras lápides nas numerosas línguas da Europa nos falam do sofrimento de homens de todo o continente; tocariam profundamente o nosso coração, se não fizéssemos apenas memória das vítimas de modo global, mas se víssemos, ao contrário, os rostos das pessoas individualmente que acabaram naquele terror escuro.
Senti como um dever íntimo deter-me de modo particular também diante da lápide em língua alemã. Dela emerge diante de nós o rosto de Edith Stein, Theresa Benedicta da Cruz: judia e alemã desaparecida, juntamente com a irmã, no horror da noite do campo de concentração alemão-nazista; como cristã e judia, aceitou morrer juntamente com o seu povo e por ele.
Os alemães, que então foram conduzidos a Auschwitz-Birkenau e aqui morreram, eram vistos como Abschaum der Nation como o refugo da nação. Mas agora nós reconhecemo-los com gratidão como as testemunhas da verdade e do bem, que também no nosso povo tinha desaparecido. Agradecemos a estas pessoas, porque não se submeteram ao poder do mal e agora estão diante de nós como luz numa noite escura. Com profundo respeito e gratidão inclinamo-nos diante de todos os que, como os três jovens diante da ameaça da fornalha babilónica, souberam responder: "Só o nosso Deus nos pode salvar. Mas também se não nos libertares, sabe, ó rei, que nós nunca serviremos os teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que erigistes" (cf. Dn 3, 17s).
Sim, por detrás destas lápides encerra-se o destino de inumeráveis seres humanos. Eles despertam a nossa memória, despertam o nosso coração. Não querem provocar em nós o ódio: ao contrário, demonstram-nos como é terrível a obra do ódio. Querem conduzir a razão a reconhecer o mal como mal e a rejeitá-lo; querem suscitar em nós a coragem do bem, da resistência contra o mal. Querem dar-nos aqueles sentimentos que se expressam nas palavras que Sófocles coloca nos lábios de Antígona face ao horror que a circunda: "Estou aqui não para odiar mas para, juntos, amar".
A humanidade atravessou em Auschwitz-Birkenau um "vale escuro". Por isso desejo, precisamente neste lugar, concluir com a oração de confiança com um Salmo de Israel que é, ao mesmo tempo, uma oração da cristandade: "O Senhor é o meu pastor: nada me falta. Em verdes prados me fez descansar e conduz-me às águas refrescantes. Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos rectos, por amor do seu nome. Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo. A tua vara e o teu cajado dão-me confiança... habitarei na casa do Senhor para todo o sempre" (Sl 23, 1-4.6).
Fonte: AQUI
" Tomar a palavra neste lugar de horror, de acúmulo de crimes contra Deus e contra o homem sem igual na história, é quase impossível e é particularmente difícil e oprimente para um cristão, para um Papa que provém da Alemanha. Num lugar como este faltam as palavras, no fundo pode permanecer apenas um silêncio aterrorizado um silêncio que é um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto? É nesta atitude de silêncio que nos inclinamos profundamente no nosso coração face à numerosa multidão de quantos sofreram e foram condenados à morte; todavia, este silêncio torna-se depois pedido em voz alta de perdão e de reconciliação, um grito ao Deus vivo para que jamais permita uma coisa semelhante.
Há 27 anos, no dia 7 de Junho de 1979, estava aqui o Papa João Paulo II; então ele disse: "Venho hoje aqui... Quantas vezes! E desci muitas vezes à cela da morte de Maximiliano Kolbe e detive-me diante do muro do extermínio e passei entre as ruínas dos fornos crematórios de Birkenau.
O Papa João Paulo II veio aqui como um filho do povo polaco. Hoje eu vim aqui como um filho do povo alemão, e precisamente por isto devo e posso dizer como ele: não podia deixar de vir aqui. Tinha que vir. Era e é um dever perante a verdade e o direito de quantos sofreram, um dever diante de Deus, de estar aqui como sucessor de João Paulo II e como filho do povo alemão filho daquele povo sobre o qual um grupo de criminosos alcançou o poder com promessas falsas, em nome de perspectivas de grandeza, de recuperação da honra da nação e da sua relevância, com previsões de bem-estar e também com a força do terror e da intimidação, e assim o nosso povo pôde ser usado e abusado como instrumento da sua vontade de destruição e de domínio. Sim, não podia deixar de vir aqui.
Quantas perguntas surgem neste lugar! Sobressai sempre de novo a pergunta: Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou? Como pôde tolerar este excesso de destruição, este triunfo do mal? Vêm à nossa mente as palavras do Salmo 44, a lamentação de Israel que sofre: "... Tu nos esmagaste na região das feras e nos envolveste em profundas trevas... por causa de ti, estamos todos os dias expostos à morte; tratam-nos como ovelhas para o matadouro. Desperta, Senhor, por que dormes? Desperta e não nos rejeites para sempre! Por que escondes a tua face e te esqueces da nossa miséria e tribulação? A nossa alma está prostrada no pó, e o nosso corpo colado à terra. Levanta-te! Vem em nosso auxílio; salva-nos, pela tua bondade!" (Sl 44, 20.23-27). Este grito de angústia que Israel sofredor eleva a Deus em períodos de extrema tribulação, é ao mesmo tempo um grito de ajuda de todos os que, ao longo da história ontem, hoje e amanhã sofrem por amor de Deus, por amor da verdade e do bem; e há muitos, também hoje.
Nós não podemos perscrutar o segredo de Deus vemos apenas fragmentos e enganamo-nos se pretendemos eleger-nos a juízes de Deus e da história. Não defendemos, nesse caso, o homem, mas contribuiremos apenas para a sua destruição.
Não em definitiva, devemos elevar um grito humilde mas insistente a Deus: Desperta! Não te esqueças da tua criatura, o homem! E o nosso grito a Deus deve ao mesmo tempo ser um grito que penetra o nosso próprio coração, para que desperte em nós a presença escondida de Deus para que aquele seu poder que Ele depositou nos nossos corações não seja coberto e sufocado em nós pela lama do egoísmo, do medo dos homens, da indiferença e do oportunismo.
Emitamos este grito diante de Deus, dirijamo-lo ao nosso próprio coração, precisamente nesta nossa hora presente, na qual incumbem novas desventuras, na qual parecem emergir de novo dos corações dos homens todas as forças obscuras: por um lado, o abuso do nome de Deus para a justificação de uma violência cega contra pessoas inocentes; por outro, o cinismo que não conhece Deus e que ridiculariza a fé n'Ele.
Nós gritamos a Deus, para que impulsione os homens a arrepender-se, para que reconheçam que a violência não cria a paz, mas suscita apenas outra violência uma espiral de destruição, na qual todos no fim de contas só têm a perder. O Deus, no qual nós cremos, é um Deus da razão mas de uma razão que certamente não é uma matemática neutral do universo, mas que é uma coisa só com o amor, com o bem. Nós rezamos a Deus e gritamos aos homens, para que esta razão, a razão do amor e do reconhecimento da força da reconciliação e da paz prevaleça sobre as ameaças circunstantes da irracionalidade ou de uma falsa razão, separada de Deus.
O lugar no qual nos encontramos é um lugar da memória, é o lugar do Shoá. O passado nunca é apenas passado. Ele refere-se a nós e indica-nos os caminhos que não devem ser percorridos e os que o devem ser. Como João Paulo II, percorri o caminho ao longo das lápides que, nas várias línguas, recordam as vítimas deste lugar: são lápides em bielo-russo, checo, alemão, francês, grego, hebraico, polaco, russo, rom, romeno, eslovaco, sérvio, ucraniano, judaico-hispânico, inglês.
Todas estas lápides comemorativas falam de dor humana, deixam-nos intuir o cinismo daquele poder que tratava os homens como material e não os reconhecia como pessoas, nas quais resplandece a imagem de Deus. Algumas lápides convidam a uma comemoração particular. Há uma em língua hebraica. Os poderosos do Terceiro Reich queriam esmagar o povo judeu na sua totalidade; eliminá-lo do elenco dos povos da terra. Então as palavras do Salmo: "estamos todos os dias expostos à morte; tratam-nos como ovelhas para o matadouro", verificam-se de modo terrível.
No fundo, aqueles criminosos violentos, com a aniquilação deste povo, pretendiam matar aquele Deus que chamou Abraão, que falando no Sinai estabeleceu os critérios orientadores da humanidade que permanecem válidos para sempre. Se este povo, simplesmente com a sua existência, constitui um testemunho daquele Deus que falou ao homem e o assumiu, então aquele Deus devia finalmente estar morto e o domínio devia pertencer apenas ao homem àqueles que se consideravam os fortes que tinham sabido apoderar-se do mundo. Com a destruição de Israel, com o Shoa, queriam, no fim de contas, arrancar também a raiz sobre a qual se baseia a fé cristã, substituindo-a definitivamente com a fé feita por si, a fé no domínio do homem, do forte.
Depois, há a lápide em língua polaca: numa primeira fase e antes de tudo queria-se eliminar a élite cultural e cancelar assim o povo como sujeito histórico autónomo para o reduzir, na medida em que continuava a existir, a um povo de escravos. Outra lápide, que convida particularmente a reflectir, é a que está escrita na língua dos Sint e dos Rom. Também aqui se pretendia fazer desaparecer um povo inteiro que vive migrando entre os outros povos. Ele estava inserido entre os elementos inúteis da história universal, numa ideologia na qual só devia contar o útil medível; tudo o resto, segundo os seus conceitos, era classificado como lebensunwertes Leben uma vida indigna de ser vivida.
Depois há a lápide em russo que evoca o imenso número das vidas sacrificadas entre os soldados russos no confronto com o regime do terror nazista; mas, ao mesmo tempo, faz-nos reflectir sobre o trágico duplo significado da sua missão: libertaram os povos de uma ditadura, mas submetendo também os mesmos povos a uma nova ditadura, a de Estalin e da ideologia comunista.
Também todas as outras lápides nas numerosas línguas da Europa nos falam do sofrimento de homens de todo o continente; tocariam profundamente o nosso coração, se não fizéssemos apenas memória das vítimas de modo global, mas se víssemos, ao contrário, os rostos das pessoas individualmente que acabaram naquele terror escuro.
Senti como um dever íntimo deter-me de modo particular também diante da lápide em língua alemã. Dela emerge diante de nós o rosto de Edith Stein, Theresa Benedicta da Cruz: judia e alemã desaparecida, juntamente com a irmã, no horror da noite do campo de concentração alemão-nazista; como cristã e judia, aceitou morrer juntamente com o seu povo e por ele.
Os alemães, que então foram conduzidos a Auschwitz-Birkenau e aqui morreram, eram vistos como Abschaum der Nation como o refugo da nação. Mas agora nós reconhecemo-los com gratidão como as testemunhas da verdade e do bem, que também no nosso povo tinha desaparecido. Agradecemos a estas pessoas, porque não se submeteram ao poder do mal e agora estão diante de nós como luz numa noite escura. Com profundo respeito e gratidão inclinamo-nos diante de todos os que, como os três jovens diante da ameaça da fornalha babilónica, souberam responder: "Só o nosso Deus nos pode salvar. Mas também se não nos libertares, sabe, ó rei, que nós nunca serviremos os teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que erigistes" (cf. Dn 3, 17s).
Sim, por detrás destas lápides encerra-se o destino de inumeráveis seres humanos. Eles despertam a nossa memória, despertam o nosso coração. Não querem provocar em nós o ódio: ao contrário, demonstram-nos como é terrível a obra do ódio. Querem conduzir a razão a reconhecer o mal como mal e a rejeitá-lo; querem suscitar em nós a coragem do bem, da resistência contra o mal. Querem dar-nos aqueles sentimentos que se expressam nas palavras que Sófocles coloca nos lábios de Antígona face ao horror que a circunda: "Estou aqui não para odiar mas para, juntos, amar".
A humanidade atravessou em Auschwitz-Birkenau um "vale escuro". Por isso desejo, precisamente neste lugar, concluir com a oração de confiança com um Salmo de Israel que é, ao mesmo tempo, uma oração da cristandade: "O Senhor é o meu pastor: nada me falta. Em verdes prados me fez descansar e conduz-me às águas refrescantes. Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos rectos, por amor do seu nome. Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo. A tua vara e o teu cajado dão-me confiança... habitarei na casa do Senhor para todo o sempre" (Sl 23, 1-4.6).
Fonte: AQUI
O pudor cristão
Por sua santidade Papa Pio XII
" Bem melhor fariam os educadores da juventude clerical, inculcando-lhe as normas do pudor cristão, que tanto contribui para manter incólume a virgindade, e bem pode chamar-se a prudência da castidade. O pudor adivinha o perigo, obsta a que se afronte, e leva a evitar aquelas mesmas ocasiões de que não se acautelam os menos prudentes. Ao pudor não agradam as palavras torpes ou menos honestas, e aborrece-lhe a mais leve imodéstia. Ele afasta-se da familiaridade suspeita com pessoas do outro sexo, porque enche a alma de profundo respeito pelo corpo, membro de Cristo (cf. l Cor 6, 15), e templo do Espírito Santo (l Cor 6, 19). A alma cristãmente pudica tem horror de qualquer pecado de impureza e retira-se ao primeiro assomo da sedução.
O pudor sugere ainda aos pais e educadores os termos apropriados para formar, na castidade, a consciência dos jovens. Evidentemente, como lembrávamos há pouco numa alocução, "este pudor não se deve confundir com o silêncio perpétuo que vá até excluir, na formação moral, que se fale com sobriedade e prudência dessas matérias". Contudo, com freqüência demasiada nos nossos dias, certos professores e educadores julgam-se obrigados a iniciar as crianças inocentes nos segredos da geração duma maneira que lhes ofende o pudor. Ora, nesse assunto tem de se observar a justa moderação que exige o pudor.
. Alimenta-se esse do temor de Deus, temor filial baseado numa profunda humildade, o qual inspira horror ao menor pecado. Já o afirmava o nosso predecessor são Clemente I: "Aquele que é casto no seu corpo, não se glorie, pois deve saber que recebeu de outro o dom da continência".
Mas ninguém mostrou melhor que santo Agostinho a importância da humildade cristã para a defesa da virgindade: "Sendo a continência perpétua, e sobretudo a virgindade um grande bem nos santos de Deus, deve-se evitar com o maior cuidado que se corrompa com a soberba... Quanto maior vejo é este bem que eu vejo, mais temo que a soberba o roube. Esse bem virginal ninguém o conserva senão o próprio Deus que o deu: e 'Deus é caridade' (1 Jo 4, 8). Portanto, a guardiã da virgindade é a caridade; e a morada dessa guardiã é a humildade".
" Bem melhor fariam os educadores da juventude clerical, inculcando-lhe as normas do pudor cristão, que tanto contribui para manter incólume a virgindade, e bem pode chamar-se a prudência da castidade. O pudor adivinha o perigo, obsta a que se afronte, e leva a evitar aquelas mesmas ocasiões de que não se acautelam os menos prudentes. Ao pudor não agradam as palavras torpes ou menos honestas, e aborrece-lhe a mais leve imodéstia. Ele afasta-se da familiaridade suspeita com pessoas do outro sexo, porque enche a alma de profundo respeito pelo corpo, membro de Cristo (cf. l Cor 6, 15), e templo do Espírito Santo (l Cor 6, 19). A alma cristãmente pudica tem horror de qualquer pecado de impureza e retira-se ao primeiro assomo da sedução.
O pudor sugere ainda aos pais e educadores os termos apropriados para formar, na castidade, a consciência dos jovens. Evidentemente, como lembrávamos há pouco numa alocução, "este pudor não se deve confundir com o silêncio perpétuo que vá até excluir, na formação moral, que se fale com sobriedade e prudência dessas matérias". Contudo, com freqüência demasiada nos nossos dias, certos professores e educadores julgam-se obrigados a iniciar as crianças inocentes nos segredos da geração duma maneira que lhes ofende o pudor. Ora, nesse assunto tem de se observar a justa moderação que exige o pudor.
. Alimenta-se esse do temor de Deus, temor filial baseado numa profunda humildade, o qual inspira horror ao menor pecado. Já o afirmava o nosso predecessor são Clemente I: "Aquele que é casto no seu corpo, não se glorie, pois deve saber que recebeu de outro o dom da continência".
Mas ninguém mostrou melhor que santo Agostinho a importância da humildade cristã para a defesa da virgindade: "Sendo a continência perpétua, e sobretudo a virgindade um grande bem nos santos de Deus, deve-se evitar com o maior cuidado que se corrompa com a soberba... Quanto maior vejo é este bem que eu vejo, mais temo que a soberba o roube. Esse bem virginal ninguém o conserva senão o próprio Deus que o deu: e 'Deus é caridade' (1 Jo 4, 8). Portanto, a guardiã da virgindade é a caridade; e a morada dessa guardiã é a humildade".
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Relacionar-se com Nossa Senhora
Por Papa Francisco
" Aconselho-vos o que vos disse há pouco, procurar refúgio... Um bom relacionamento com Nossa Senhora; relação com Nossa Senhora ajuda-nos a ter um bom relacionamento com a Igreja: as duas são Mães...
Conheceis o lindo trecho de santo Isaac, abade da Estrela: ' o que se pode dizer de Maria pode dizer-se da Igreja e também da nossa alma. As três são femininas, as três são mães, as três dão vida. A relação com Nossa Senhora é uma relação de filho'... Vigiar sobre isto: se não tivermos um bom relacionamento com Nossa Senhora, haverá um pouco de orfandade no meu coração.
Recordo-me, uma vez, há 30 anos, estava no Norte da Europa: tinha que ir lá para a educação da Universidade de Córdova, da qual naquele momento eu era vice-chanceler. E convidou-me uma família de católicos praticantes; aquele era um país secularizado demais. E no jantar, tinham muitos filhos, eram católicos praticantes, ambos professores universitários, e também catequistas. A um certo ponto, falando de Jesus Cristo — entusiastas de Jesus Cristo, falo de há trinta anos — disseram: «Sim, graças a Deus superámos a etapa de Nossa Senhora...». E que significa isto, perguntei. «Sim, porque descobrimos Jesus Cristo, e já não precisamos dela». Senti-me um pouco contristado, não compreendi bem. E falámos um pouco sobre este aspecto. Não é esta a maturidade! Não é maturidade, esquecer a mãe é mau... E, dizendo de outro modo: se não quiseres Nossa Senhora por Mãe, sem dúvida tê-la-ás por sogra! E isto não é bom! Obrigado."
" Aconselho-vos o que vos disse há pouco, procurar refúgio... Um bom relacionamento com Nossa Senhora; relação com Nossa Senhora ajuda-nos a ter um bom relacionamento com a Igreja: as duas são Mães...
Conheceis o lindo trecho de santo Isaac, abade da Estrela: ' o que se pode dizer de Maria pode dizer-se da Igreja e também da nossa alma. As três são femininas, as três são mães, as três dão vida. A relação com Nossa Senhora é uma relação de filho'... Vigiar sobre isto: se não tivermos um bom relacionamento com Nossa Senhora, haverá um pouco de orfandade no meu coração.
Recordo-me, uma vez, há 30 anos, estava no Norte da Europa: tinha que ir lá para a educação da Universidade de Córdova, da qual naquele momento eu era vice-chanceler. E convidou-me uma família de católicos praticantes; aquele era um país secularizado demais. E no jantar, tinham muitos filhos, eram católicos praticantes, ambos professores universitários, e também catequistas. A um certo ponto, falando de Jesus Cristo — entusiastas de Jesus Cristo, falo de há trinta anos — disseram: «Sim, graças a Deus superámos a etapa de Nossa Senhora...». E que significa isto, perguntei. «Sim, porque descobrimos Jesus Cristo, e já não precisamos dela». Senti-me um pouco contristado, não compreendi bem. E falámos um pouco sobre este aspecto. Não é esta a maturidade! Não é maturidade, esquecer a mãe é mau... E, dizendo de outro modo: se não quiseres Nossa Senhora por Mãe, sem dúvida tê-la-ás por sogra! E isto não é bom! Obrigado."
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