quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Vinde, Senhor Jesus, vinde! Maranata!

Por Gustavo Corção.


" A Igreja, na sua esfera sobrenatural, também tem seus apolínios e seus dionisíacos, também se diferencia como dois braços abertos, para amparar o mundo à direita e à esquerda.

Desde o princípio da pregação, nos primeiros tempos do Cristianismo, nasceram duas fontes de graça na Igreja visível para cercar as almas em conformidade com a diversidade em suas naturezas. E essas duas fontes são a Igreja dos Sacramentos e a Igreja dos carismas - os bispos e os monges.

Nos momentos mais difíceis da história eles se ampararam e trocaram entre si seus dons e é por isso que hoje os padres não se casam e os monges se ordenam. A Igreja dos  Bipos é a Hierarquia que tem o centro em Roma, na Cátedra de Pedro, e pastoreia dispensando às almas o Sacramento e o Magistério.

A Igreja dos monges, enquanto sómente monges, é formada da comunidade que milita sob uma regra na unidade do Espírito Santo: seu papel no mundo é o exemplo ontológico, concreto, duma antecipação do Reino, da Jerusalém celeste. Vivem à espera do Senhor com cintos apertados e as lâmpadas acesas. Por isso pode-se também dizer que sua função no mundo é cantar a Esperança.

O mundo amanhã, que mal entrevemos nessa aurora de sangue, ou voltará a Cristo ou se perderá. A última colheita dos eleitos ficará então entregue à cólera paternal do Rei que manda buscar com violência os convivas nos caminhos. Mas o mundo só poderá voltar ao Cristo substancialemente, isto é, ao Cristo e não essa aquarela esbatida que chamam de civilização cristã.

E duas coisas aparecem com uma urgência insofismável para que essa volta seja realmente uma volta cristã e para que ela seja possível. É preciso insistir, ensinar, restaurar a firmeza de pedra, de Pedro, na objetividade Sacramental do Catolicismo; e também, e principalmente se é verdade que o mundo sofre perticularmente de desespero, é preciso colocar o monaquismo na sua base antiga, paulina, para que os povos inebriados tenham u exemplo de unidade e ouçam o cando da Esperança.

O Evangelho de João não tem como o de Mateus uma longa mensagem de esperança. No Evangelho de João a esperança entra pelo amor e começa logo com as núpcias de Caná. É muito mais tarde, já nas vésperas da Paixão, Jesus diz aos discípulos: ' Ainda um pouco de tempo e vós não me vereis; depois, ainda um pouco de tempo, ver-me-eis novamente'.

Os discípulos O interrogaram sobre esse modicum , esse " ainda um pouco de tempo" e Jesus lhes promete uma alegria que ninguém lhes poderá tirar. A esperança nesse Evangelho está abraçada à caridade e as palavras de Jesus procuram conter no amor a impaciência cristã.

O Homem de Deus também é impaciente, ms em relação ao hóspede que tarda.´É impaciente na parusia, mas paciente no cotidiano. Estamos no tempo, mas não somos do tempo. E como estamos no tempo, somos pacientes; e como não somos do tempo, somos impacientes.

O cristão é realmente segundo a esperança, vigilante como um soldado e confiante como a criança. Cuidadoso como um soldado que o Rei mandou vigiar os confins de seu Império, e descuidado como uma criança que dorme. Nossa impaciência é amorosa porque queremos conhecer os nomes de filhos que nos estão guardados na eternidade; mas nossa paciência ainda é mais amorosa porque é com ela que participamos na Paixão do Senhor.

Somos impacientes como crianças, pacientes como soldados. Impacientes como noivos e pacientes como noivos.  Não há conflito ou paradoxo entre a parusia e o cotidiano, como os há entre a parusia e o cotidiano,  como não os há entre o enxoval e as núpcias. Há ainda  um pouco de tempo...

O tempo já não é nosso inimigo porque, se tem a medida duma separação, tem também a medida duma solicitude , e assim sacralizado na Liturgia, é instrumento de Redenção.

Os anos entram e saem nos arrastando para as idades  que o mundo ridiculariza; passam novos solstícios e novos plenilúnios, enquanto a Penélope paciente parece tecer e desmanchar como uma louca diante dos olhos dos pretendentes. Dizem que os ciclos do Natal e Páscoa giram monotamente em torno dum sol alheio e distante.

Mas a Esposa paciente que gira a roca e maneja o fuso tem ouvidos finos e ouve os passos do Bem_Amado que vem correndo pelos montes. Curva-se  mais sobre o pano que tece, vigia com mais zelo  o óleo de sua lâmpada. Ainda um pouco de tempo, ainda um pouco de tempo...

Os monges, soldados que vigiam e crianças que cantam, curvam-se sobre a imensa tapeçaria litúrgica que paramenta os séculos, e retomam o fio: Advento, Natal, Páscoa; e recomeçam cada dia: Vésperas, Matinas, Laudes; atentos como soldados, confiantes como crianças.....

E a Esposa de ouvidos finos ouve os passos do Bem- Amado que vem correndo pelos montes. Ele aí vem! E cedendo à impaciencia apaixonada que nada mais pode conter, suspende ummomento o fuso, para um instante a roca, esquece a lâmpada, e grita dentro do coração:

 - Vinde, Senhor Jesus, vinde! Maranata!

Fonte: a Descoberta do Outro - pags 160 a 163.





Ó Eterna Verdade e verdadeira Caridade

Por  Santo Agostinho.


Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo
(Lib. 7,10.18;10,27: CSEL 33,157-163.255) (Séc.V)

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade!

"Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável.

Não era como a luz terrena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz.

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”.

E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste.

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Procuremos Alcançar a Sabedoria Eterna

Hoje é dia de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho.



Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo
(Lib. 9,10-11: CSEL 33,215-219) (Séc.V)

"Estando bem perto o dia em que ela deixaria esta vida – dia que conhecias e que ignorávamos – aconteceu por oculta disposição tua, como penso, que eu e ela estivéssemos sentados sozinhos perto da janela que dava para o jardim da casa onde nos tínhamos hospedado, lá junto de Óstia Tiberina. Ali, longe do povo, antes de embarcarmos, nos refazíamos da longa viagem.Falávamos a sós, com muita doçura e, esquecendo-nos do passado, com os olhos no futuro, indagávamos entre nós sobre a verdade presente, quem és tu, como seria a futura vida eterna dos santos, que olhos não viram, nem ouvidos ouviram nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9). Mas ansiávamos com os lábios do coração pelas águas celestes de tua fonte, fonte da vida que está junto de ti.

Eu dizia estas coisas, não deste modo nem com estas palavras. No entanto, Senhor, tu sabes que naquele dia, enquanto falávamos, este mundo foi perdendo o valor, junto com todos os seus deleites. Então disse ela: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida. Que faço ainda e por que ainda aqui estou, não sei. Toda a esperança terena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?”

O que lhe respondi, não me lembro bem. Cinco dias depois, talvez, ou não muito mais, caiu com febre. Doente, um dia desmaiou, sem conhecer os presentes. Corremos para junto dela, mas recobrando logo os sentidos, viu-me a mim e a meu irmão e disse-nos, como que procurando algo semelhante: “Onde estava eu?”

Em seguida, olhando-nos, opressos pela tristeza, disse: “Sepultai vossa mãe”. Eu me calava e retinha as lágrimas. Mas meu irmão falou qualquer coisa assim que seria melhor não morrer em terra estranha, mas na pátria. Ouvindo isto, ansiosa, censurando-o com o olhar por pensar assim, voltou-se para mim: “Vê o que diz”. Depois falou a ambos: “Ponde este corpo em qualquer lugar. Não vos preocupeis com ele. Só vos peço que vos lembreis de mim no altar de Deus, onde quer que estiverdes”. Terminando como pôde de falar, calou-se e continuou a sofrer com o agravamento da doença.

Finalmente, no nono dia da sua doença, aos cinquenta e seis anos de idade e no trigésimo terceiro da minha vida, aquela alma piedosa e santa libertou-se do corpo."

Males que afligem a Igreja e a necessidade de Oração

Por Sua Santidade Papa Leão XIII



Males que afligem a Igreja

" A todos são conhecidos os males que Nós deploramos: a luta desapiedada contra os sagrados e intangíveis dogmas, que a Igreja guarda e transmite; a zombaria da integridade da virtude cristã, que a Igreja defende; a trama de calúnias de mil modos urdidas; o ódio fomentado contra a sagrada ordem dos bispos, e principalmente contra o Romano Pontífice; os ataques dirigidos, com a mais impudente audácia e a criminosa impiedade, contra a própria divindade de Cristo, no intuito de extirpar pelas raízes e de destruir a obra divina da Redenção, que força alguma poderá jamais destruir nem cancelar.

Estes ataques não são, certamente, uma novidade para a Igreja militante. Porquanto, depois do aviso dado por Cristo aos Apóstolos, ela sabe que, para instruir os homens no caminho da verdade e guiá-los à salvação eterna, ela deve todo dia descer a campo e travar combate. E, na realidade, nos séculos ela sempre lutou intrepidamente até ao martírio, considerando como sua precípua alegria e glória o poder unir o seu sangue ao do seu Fundador: no qual está depositada a segura esperança da prometida vitória.

 Por outra parte, entretanto, não podemos ocultar nos o profundo senso de tristeza que penetra os melhores, ante esta contínua tensão de batalha. De fato, é motivo de imensa tristeza ver o grande número dos que, pela perversidade dos erros e por esta insolente atitude contra Deus, são arrastados para longe e impelidos para o abismo; o grande número dos que, pondo num mesmo plano todas as formas de religião, pode-se dizer que já estão na iminência de abandonar a fé divina; o número notável dos que são cristãos só de nome, e não cumprem os deveres da sua fé.

E ainda mais nos aflige e nos atormenta o ânimo o considerarmos que a causa principal de tais ruinosos  e deploráveis males está na exclusão completa da Igreja das ordenações sociais, enquanto de propósito se hostiliza a sua salutar influencia. E nisto é de reconhecer um grande e merecido castigo de Deus, o qual cega miseravelmente as nações que se afastam d’Ele.

A necessidade da oração 

 Este estado de coisas mostra, com evidência sempre maior, o quanto é necessário que os católicos orem e supliquem a Deus com fervor e perseverança "sem nunca cessar" (1Tim 5, 17); e não somente em particular, porém ainda mais em público. Reunidos nos sagrados templos, conjurem Deus a se dignar, na sua infinita bondade, de livrar a sua Igreja "dos homens insolentes e malvados" (2 Tim 3, 2), e a reconduzir os povos ao caminho da salvação e da razão, na luz e no amor de Cristo.

Espetáculo incrível e maravilhoso! Enquanto o mundo percorre o seu caminho tormentoso, fiado nas suas riquezas, na sua força, nas suas armas e no seu engenho, a Igreja, com passo veloz e seguro, atravessa os séculos, depositando a sua confiança somente em Deus, a quem, de dia e de noite, ergue o olhar e estende as mãos súplices. Porque, embora na sua prudência não desdenhe os socorros humanos que, pela bondade divina, os tempos lhe oferecem, todavia não é nestes meios que ela deposita a sua principal esperança; mas sim na oração, coletiva e insistente, elevada ao seu Deus.

Nesta fonte ela alimenta e fortifica a sua vida; porque, elevando-se, mediante a oração assídua, acima das vicissitudes humanas, e mantendo-se constantemente unida a Deus, é-lhe dado viver, plácida e tranqüila, da própria vida de Cristo. E nisto ela é fiel imagem de Cristo, a quem o horror dos tormentos, sofridos pelo nosso bem, nada diminuiu nem tirou da beatíssima luz e da felicidade que lhe são próprias"

Fonte Aqui

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Aquilo contra que estamos combatendo

Por venerável Fulton Sheen

Fonte: Filosofias em Luta

Primeira Parte - AQUI
Segunda Parte - AQUI
Terceira Parte - AQUI

" Totalitarismo:  que anti-cristão, anti-humano e anti-democrático e se manifesta em quatro modalidades:

A - Modalidade histórica - Fascismo
B - Modalidade antropológica - Glorificação da raça nórdica - Nazismo
C - Modalidade teológica: identificação da Divindade com uma disnatia  - Imperialismo Japonês.
D - Modalidade econômica: Proclamação da luta de classes sobre a base anti-religiosa de uma ditadura do proletariado - Socialismo Marxista.

Na Encíclica de Natal de 1942- Papa Pio XII condenou as quatro. Nenhuma é um Estado, no sentido político de termo; antes constitui cada uma delas uma filosofia da vida operando por intermédio de um Partido Único, que age como substituto do Estado. Todas são concordes em investir de um significado divino as idéias primárias de classe, raça, nação e sangue.

Como está implícito na palavra - totalitário - esses sistemas exigem o domínio total do homem - do homem todo, corpo e alma, e visam o contrôle dos mais recônditos setores do espírito.Neste sentido são religiões; e somente em segundo lugar sistemas políticos. E por serem religiões perseguem judeus e cristãos, a seus olhos religiões rivais.

De fato, reivindicam mais do que o Cristianismo, por este deixou a César o que ra de César, ao passo que esses novos e falsos credos insistem em que até o que é de Deus pertence a César.

Como se originaram esses pseudomisticismos?

Em sua forma européia, surgiram em parte como reação contra os excessos e as deficiências da cultura leiga e materialista do resto do Ocidente, exatamente como se um homem insensato ateasse fogo á sua granja para livrar-se de alguns ratos.

Quem quer que considere a história na perspectiva destes últimos cem anos, há de encontrar o repúdio progressivo dos principais cristãos na vida social, política e econômica, repúdio esse que produziu a nossa presente civilização anti-religiosa ( o comunismo) e, por fim,  como reação, o nazismo anti-religioso.

Tempos houve em que existiu uma cultura cristã. Não era perfeita, pois nunca se entendeu do Cristianismo que realizasse a sua perfeição neste mundo. Floresceu na Idade Média. Disse certa vez Chesterton que essa idade é chamada a Idade Sombria por aqueles  que estão no escuro em relação a ela.

O fundamento de sua civilização era a lei, a educação, a política, a economia, o serviço social, as artes, as indústrias, o trabalho e o capital construíram-se hierarquicamente em forma de pirâmide, com Deus no ápice. Todo homem, fosse ele um erudito ou um camponês, um senhor ou um servo, um pecador ou um santo, reconhecia o Senhor como Aquele a Quem faveria um dia de volver, para prestar contas do que fizera a Seu serviço.

E assim, a vida estava imbuída de moralidade: política e economia eram ramos da ética e os homens eram unos, porque havia um Senhor, uma Fé, um Batismo.

Essas civilização grandiosa entrou em declínio devido, em parte, ao renascimento de ideias pagãs, à decadencia moral dos indivíduos. Começou então o que chamamos de a Era das Substituições, em que os homens procuraram para a unidade moral bases outras que não a Igreja. Entre esses substitutos, acham-se a Bíblia, a Razão, o Interesse Individual. A cultura secular e irreligiosa de nossos dias brotou dessas raízes.

 Bíblia: Esta época teve a grande vantagem de conservar ainda coesa a sociedade, sobre a base supranatural e da inspiração moral de Cristo Filho de Deus. Não conseguiu, porém, preservar essa unidade por muito tempo, antes de tudo porque, quando cada um se tornou  intérprete infalível do livro, houve tantas religiões quantas cabeças; e também porque, uma vez desligado o Livro do Conselho de Editores que lhe garantia a inspiração e de uma Côrte Suprema que o interpretava, veio a ser uma base de discórdia, mais do que de harmonia.

Puseram-se depois os homens à cata de um novo vínculo e pelejavam por estabelece-lo  na Razão - não há razão iluminada pela Fé, mas razão divorciada da fé. Assim, a chamada "Idade do Racionalismo" foi de fato uma " Era de incredulidade" pois os seus protagonistas eram homens corrosivos como Hume, Kant e Voltaire, que mediam o desenvolver da razão por seu alheamento a Deus, que podia, Ele só, garantir-lhe as conclusões e as libertações.

A soberania da gente raciocinante tomou o lugar da de Deus. Todos os princípios foram rejeitados exceto alguns, evidentes por si, e que se presumia poderem salvaguardar a fraternidade do homem sem a Paternidade de Deus.

Mas a razão não pôde manter a sociedade unida, porque logo cada um se tornou seu ´próprio interprete dela, como anteriormente o fora o Livro.

Depois veremos o terceiro substituto: A entronização do Interesse Privado.

Fiquem com Deus.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O conservador esclarecido

Por Russel Kirk



“ O conservador esclarecido não acredita que o fim ou o propósito da vida seja a competição, o sucesso, o prazer, a longevidade, o poder ou as posses. Acredita, ao contrário, que o propósito da vida é o amor.

Sabe que a sociedade justa e ordenada é aquela em que o amor nos governa, tanto quanto o amor pode nos reger neste mundo de dores; e sabe que a sociedade anárquica ou tirânica é aquela em que o amor está corrompido.

Aprendeu que o amor é a fonte de todo ser, e que o próprio inferno é ordenado pelo amor. Compreende que a morte, quando findar a parte que nos couber, é a recompensa do amor. Percebe que  a verdade de que a maior felicidade já dada ao homem é privilégio de ser feliz na hora da morte. Não tem intenção de converter esta nossa sociedade humana em uma máquina eficiente para operadores de máquinas eficientes, dominados por mecânicos –chefes.

Os homens vêm a este mundo, conclui, para lutar, para sofrer, para combater o mal que está no próximo e neles mesmos, e para ansiar pelo triunfo do amor. Vêm ao mundo para viver como homens, e para morrer como homens. Buscam preservar a sociedade que permite aos homens atingir a própria humanidade, e não aquela que os mantém presos aos laços da infância perpétua. Com Dante, ergue os olhos para além desde lamaçal, deste mundo de górgonas e quimeras, em direção à luz que oferece seu amor  para esta Terra e para todas as estrelas”

Fonte: Política da Prudência -  Russel Kirk

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Nossa Senhora Rainha

Por sua santidade Papa Pio XII


Pio XII assim fala de Nossa Senhora Rainha: "Procurem, pois, acercar-se agora com maior confiança do que antes, todos quantos recorrem ao trono de graça e de misericórdia da Rainha e Mãe Nossa, para implorar auxílio nas adversidades, luz nas trevas, conforto na dor e no pranto ... Há, em muitos países da terra, pessoas injustamente perseguidas por causa da sua profissão cristã, e privadas dos direitos humanos e divinos da liberdade ... A estes filhos atormentados e inocentes, volva os seus olhos misericordiosos, cuja luz serena as tempestades e dissipa as nuvens, a poderosa Senhora das coisas e dos tempos, que sabe aplacar as violências com o seu pé virginal; e à todos conceda que em breve possam gozar da merecida liberdade ... Todo aquele, pois, que honra a Senhora dos celestes e dos mortais, invoque-a como Rainha sempre presente, Medianeira de paz".

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Propriedade Privada e Liberdade.

Por venerável Fulton Sheen



" A liberdade está plantada no espírito. Só as criaturas espirituais e racionais são livres. Só o homem tem determinação própria. Porque, dotado de razão, pode assentar os seus próprios projetos e propósitos e escolher os meios de usa-los. Sua suprema liberdade é obtida quando age dentro da lei de seu ser e escolhe dentre as boas coisas com o fim de alcançar o mais completo enriquecimento e a plenitude de sua personalidade em Deus.

A base de nossa liberdade, bem sabemos -, é nossa alma racional. Mas existe uma garantia externa de nossa liberdade, já que não somos puramente espirituais, mas porque somos compostos de corpo e alma, matéria e espírito, necessitamos de algum sinal visível e externo de nossa invisível liberdade espiritual. Ou, se o homem é livre porque tem uma alma espiritual, não deverá haver um sinal externo para essa liberdade interna, algo que possa chamar de seu no mundo exterior, assim como chama a sua alma propriedade dentro de si?

Liberdade significa responsabilidade ou domínio de seus atos.. Como pode, porém, esta responsabilidade interna melhor revelar-se externamente do que por meio da posse de alguma coisa material sobre a qual se possa exercer controle? O homem é mais livre em seu íntimo, quando possui alguma coisa no mundo exterior que possa chamar de seu , que possa dar cunho a sua personalidade.

Se o homem não possuísse nenhuma coisa que se pudesse tornar responsável, não seria livre nem dentro, nem fora de si. Dêem-lhe, porém, alguma coisa que possa afeiçoar à sua própria imagem e semlhança, assim como Deus o fez à sua imagem e semelhança e o homem será economicamente livre. Tal coisa é a propriedade privada.

A propriedade privada, então, é a garantia econômica da liberdade, tal como a alma é sua garantia espiritual - a prova de que é tao livre em seus atos externos quanto em seu fôro íntimo; a garantia de que é a fonte da responsabilidade não somente no que se refere ao que ele é, mas também ao que possui.

O direito à propriedade privada baseia-se na dignidade da pessoa humana e não num privilégio do Estado. O Estado pode confirmar o direito natural, mas em nenhum sentido o cria. O direito á propriedade  está, portanto, fundado na natureza humana. Não é o Estado que nos dá este direito. O homem tem esse direito antes do Estado e o Estado não pode destruí-lo sem destruir a natureza do homem.

Pelo fato de a propriedade em suas relações externas ser o sinal da liberdade, é que a Igreja tem feito da larga distribuição da propriedade privada a pedra angular de seu programa social. " A riqueza, constantemente aumentada pelo progresso econcômico e social, deve ser distrubuída por entre os vários indivíduos e classes de modo tal que seja alcançado o bem comum de todos" ( Quadragesimo Anno)

A Igreja por saber que a propriedade privada é a  garantia econômica de uma pessoa ou família, luta por ela. Porque renunciar à propriedade é ficar alguém sujeito a outrem. Se renunciar ao meu direito è propriedade, ficarei sujeito, quer:

1 - Ao Estado ou coletividade, como no comunismo,
2 - Ao próximo, como o capitalismo selvagem o quer
3 - A Deus, como no voto de pobreza.( neste caso, ele tudo possui, mas a tudo renuncia, pois nada tem a desejar)

Porque a abolição da propriedade é o começo da escravidão, opõe-se a Igreja ao capitalismo selvagem que encerra a propriedade nas mãos de poucos e ao comunismo, que confisca inteiramente em nome da coletividade.

Profundamente interessada na liberdade do homem, recorre a Igreja a um meio eficaz: sugere-lhe aquilo que o fará livre, isto é, dá-lhe alguma coisa que ele possa chamar de seu.


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Depois veremos: Restaurar a propriedade ou destruir a liberdade?

Fonte: O problema da Liberdade