Sua santidade Papa Francisco
"No caminho de Abraão para a cidade futura, a Carta aos Hebreus alude à bênção que se transmite dos pais aos filhos (cf. 11, 20-21). O primeiro âmbito da cidade dos homens iluminado pela fé é a família; penso, antes de mais nada, na união estável do homem e da mulher no matrimónio. Tal união nasce do seu amor, sinal e presença do amor de Deus, nasce do reconhecimento e aceitação do bem que é a diferença sexual, em virtude da qual os cônjuges se podem unir numa só carne (cf. Gn 2, 24) e são capazes de gerar uma nova vida, manifestação da bondade do Criador, da sua sabedoria e do seu desígnio de amor.
Fundados sobre este amor, homem e mulher podem prometer-se amor mútuo com um gesto que compromete a vida inteira e que lembra muitos traços da fé: prometer um amor que dure para sempre é possível quando se descobre um desígnio maior que os próprios projectos, que nos sustenta e permite doar o futuro inteiro à pessoa amada. Depois, a fé pode ajudar a individuar em toda a sua profundidade e riqueza a geração dos filhos, porque faz reconhecer nela o amor criador que nos dá e nos entrega o mistério de uma nova pessoa; foi assim que Sara, pela sua fé, se tornou mãe, apoiando-se na fidelidade de Deus à sua promessa (cf. Heb 11, 11).
Em família, a fé acompanha todas as idades da vida, a começar pela infância: as crianças aprendem a confiar no amor de seus pais. Por isso, é importante que os pais cultivem práticas de fé comuns na família, que acompanhem o amadurecimento da fé dos filhos. Sobretudo os jovens, que atravessam uma idade da vida tão complexa, rica e importante para a fé, devem sentir a proximidade e a atenção da família e da comunidade eclesial no seu caminho de crescimento da fé.
Todos vimos como, nas Jornadas Mundiais da Juventude, os jovens mostram a alegria da fé, o compromisso de viver uma fé cada vez mais sólida e generosa. Os jovens têm o desejo de uma vida grande; o encontro com Cristo, o deixar-se conquistar e guiar pelo seu amor alarga o horizonte da existência, dá-lhe uma esperança firme que não desilude.
A fé não é um refúgio para gente sem coragem, mas a dilatação da vida: faz descobrir uma grande chamada — a vocação ao amor — e assegura que este amor é fiável, que vale a pena entregar-se a ele, porque o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus, que é mais forte do que toda a nossa fragilidade.
Uma luz para a vida em sociedade
Assimilada e aprofundada em família, a fé torna-se luz para iluminar todas as relações sociais. Como experiência da paternidade e da misericórdia de Deus, dilata-se depois em caminho fraterno. Na Idade Moderna, procurou-se construir a fraternidade universal entre os homens, baseando-se na sua igualdade; mas, pouco a pouco, fomos compreendendo que esta fraternidade, privada do referimento a um Pai comum como seu fundamento último, não consegue subsistir; por isso, é necessário voltar à verdadeira raiz da fraternidade.
Desde o seu início, a história de fé foi uma história de fraternidade, embora não desprovida de conflitos. Deus chama Abraão para sair da sua terra, prometendo fazer dele uma única e grande nação, um grande povo, sobre o qual repousa a Bênção divina (cf. Gn 12, 1-3). À medida que a história da salvação avança, o homem descobre que Deus quer fazer a todos participar como irmãos da única bênção, que encontra a sua plenitude em Jesus, para que todos se tornem um só. O amor inexaurível do Pai é-nos comunicado em Jesus, também através da presença do irmão. A fé ensina-nos a ver que, em cada homem, há uma bênção para mim, que a luz do rosto de Deus me ilumina através do rosto do irmão.
Quantos benefícios trouxe o olhar da fé cristã à cidade dos homens para a sua vida em comum! Graças à fé, compreendemos a dignidade única de cada pessoa, que não era tão evidente no mundo antigo. No século II, o pagão Celso censurava os cristãos por algo que lhe parecia uma ilusão e um engano: pensar que Deus tivesse criado o mundo para o homem, colocando-o no vértice do universo inteiro. « Porquê pretender que [a verdura] cresça para os homens, em vez de crescer para os mais selvagens dos animais sem razão? » « Se olhássemos a terra do alto do céu, que diferença se nos ofereceria entre as nossas actividades e as das formigas e das abelhas? »
No centro da fé bíblica, há o amor de Deus, o seu cuidado concreto por cada pessoa, o seu desejo de salvação que abraça toda a humanidade e a criação inteira e que atinge o clímax na encarnação, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Quando se obscurece esta realidade, falta o critério para individuar o que torna preciosa e única a vida do homem; e este perde o seu lugar no universo, extravia-se na natureza, renunciando à própria responsabilidade moral, ou então pretende ser árbitro absoluto, arrogando-se um poder de manipulação sem limites.
. Além disso a fé, ao revelar-nos o amor de Deus Criador, faz-nos olhar com maior respeito para a natureza, fazendo-nos reconhecer nela uma gramática escrita por Ele e uma habitação que nos foi confiada para ser cultivada e guardada; ajuda-nos a encontrar modelos de progresso, que não se baseiem apenas na utilidade e no lucro mas considerem a criação como dom, de que todos somos devedores; ensina-nos a individuar formas justas de governo, reconhecendo que a autoridade vem de Deus para estar ao serviço do bem comum.
A fé afirma também a possibilidade do perdão, que muitas vezes requer tempo, canseira, paciência e empenho; um perdão possível quando se descobre que o bem é sempre mais originário e mais forte que o mal, que a palavra com que Deus afirma a nossa vida é mais profunda do que todas as nossas negações. Aliás, mesmo dum ponto de vista simplesmente antropológico, a unidade é superior ao conflito; devemos preocupar-nos também com o conflito, mas vivendo-o de tal modo que nos leve a resolvê-lo, a superá-lo, como elo duma cadeia, num avanço para a unidade.
Quando a fé esmorece, há o risco de esmorecerem também os fundamentos do viver, como advertia o poeta Thomas Sterls Eliot: « Precisais porventura que se vos diga que até aqueles modestos sucessos / que vos permitem ser orgulhosos de uma sociedade educada / dificilmente sobreviveriam à fé, a que devem o seu significado? »
Se tiramos a fé em Deus das nossas cidades, enfraquecer-se-á a confiança entre nós, apenas o medo nos manterá unidos, e a estabilidade ficará ameaçada. Afirma a Carta aos Hebreus: « Deus não Se envergonha de ser chamado o "seu Deus", porque preparou para eles uma cidade » (Heb 11, 16). A expressão « não se envergonha » tem conotado um reconhecimento público: pretende-se afirmar que Deus, com o seu agir concreto, confessa publicamente a sua presença entre nós, o seu desejo de tornar firmes as relações entre os homens.
Porventura vamos ser nós a envergonhar-nos de chamar a Deus « o nosso Deus »? Seremos por acaso nós a recusar-nos a confessá-Lo como tal na nossa vida pública, a propor a grandeza da vida comum que Ele torna possível? A fé ilumina a vida social: possui uma luz criadora para cada momento novo da história, porque coloca todos os acontecimentos em relação com a origem e o destino de tudo no Pai que nos ama."
Fonte: Lumen Fidei
A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Restaurar a propriedade ou destruir a liberdade?
Por Venerável Fulton Sheen
Primeira Parte: Propriedade Privada e Liberdade
" A ditadura do Proletariado - Comunismo -; não é a solução para as nossas desigualdades, pois a história da Rússia com suas carnificinas diárias provam que a ditadura do proletariado significa na prática ditadura SOBRE o proletariado.
Os comunistas estão simplesmente perdendo seu tempo ao atacarem a propriedade produtiva. Atacam-na não porque julguem que a propriedade é intrinsicamenteerrada, mas porque julgam que ela foi roubada pelo capitalismo.
Há uma forte parcela de inveja no ataque comunista contra a propriedade privada. Na verdade, odeia os proprietários particulares, porque os admira; odeia o capitalismo, porque ele próprio quer se tornar um capitalista. Se os comunistas aanalisassem honestamente os seus sentimentos, perceberiam que o que eles realmente procuram é a solução cristã, isto é, a abolição do proletariado como elemento preponderante na sociedade, pois enquanto o proletário viver à disposição de outrem, não será livre, quer viva com o salário dos capitalistas, quer sob a opressão dos Chefes Vermelhos.
A posição da Igreja é que uma mais larga distribuição da propriedade privada é necessária à salvaguarda e proteção da liberdade humana.. Isto não quer dizer que todos devem possuir a propriedade privada, mas que deve possuí-la um número de pessoas sificiente para dar um certo cunho à sociedade.
Por este meio espera a Igreja introduzir a democracia na ordem econômica, como é de supor já exista na ordem política, onde exista uma renascimento das relações humanas, que virá dar ao trabalhador as mesmas oportunidades para manifestar suas necessidades, seus desejos, seus direitos, que como cidadão, tem na democracia política. A liberdade política se desdobrará assim em liberdade econômica, de modo que, correspondendo ao seu voto como cidadão responsável haverá, conforme proconiza o santo padre:algumka participação nos lucros, na administração e ou na propriedade da indústria.
A Igreja sempre foi a favor da propriedade privada, porque defendendo-a ela defende a liberdade, pois não existe neste mundo mais vivo sentimento de liberdade, quando, fechada a porta e sentados mesmo numa cadeira quebrada, contemplamos, como de um trono, o império que podemos chamar nosso.
Alguns séculos atrás a Igreja saía a campo para se bater contra o determinismo calvinista, que asseverava que o homem era predestinado ao céu ou ao inferno independente de seus méritos. Refutando esse erro, sustentou a Igreja a liberdade do homem à santidade. Sai hoje a Igreja para novos campos de batalha, não para defender a liberdade de cada um ser santo, mas a liberdade do homem a ser homem - o direito de ser independente daqueles que agora o possuem por possuírem aquilo que ele trabalha.
A Igreja que outrora lutou para se libertar do fiat teológico de uma vontade soberana arbitrária, luta agora para libertar o homem do fiat econômico do capitalismo arbitrário.
Depois continuamos - valerá a pena!
Fonte: O problema de Liberdade
Primeira Parte: Propriedade Privada e Liberdade
" A ditadura do Proletariado - Comunismo -; não é a solução para as nossas desigualdades, pois a história da Rússia com suas carnificinas diárias provam que a ditadura do proletariado significa na prática ditadura SOBRE o proletariado.
Os comunistas estão simplesmente perdendo seu tempo ao atacarem a propriedade produtiva. Atacam-na não porque julguem que a propriedade é intrinsicamenteerrada, mas porque julgam que ela foi roubada pelo capitalismo.
Há uma forte parcela de inveja no ataque comunista contra a propriedade privada. Na verdade, odeia os proprietários particulares, porque os admira; odeia o capitalismo, porque ele próprio quer se tornar um capitalista. Se os comunistas aanalisassem honestamente os seus sentimentos, perceberiam que o que eles realmente procuram é a solução cristã, isto é, a abolição do proletariado como elemento preponderante na sociedade, pois enquanto o proletário viver à disposição de outrem, não será livre, quer viva com o salário dos capitalistas, quer sob a opressão dos Chefes Vermelhos.
A posição da Igreja é que uma mais larga distribuição da propriedade privada é necessária à salvaguarda e proteção da liberdade humana.. Isto não quer dizer que todos devem possuir a propriedade privada, mas que deve possuí-la um número de pessoas sificiente para dar um certo cunho à sociedade.
Por este meio espera a Igreja introduzir a democracia na ordem econômica, como é de supor já exista na ordem política, onde exista uma renascimento das relações humanas, que virá dar ao trabalhador as mesmas oportunidades para manifestar suas necessidades, seus desejos, seus direitos, que como cidadão, tem na democracia política. A liberdade política se desdobrará assim em liberdade econômica, de modo que, correspondendo ao seu voto como cidadão responsável haverá, conforme proconiza o santo padre:algumka participação nos lucros, na administração e ou na propriedade da indústria.
A Igreja sempre foi a favor da propriedade privada, porque defendendo-a ela defende a liberdade, pois não existe neste mundo mais vivo sentimento de liberdade, quando, fechada a porta e sentados mesmo numa cadeira quebrada, contemplamos, como de um trono, o império que podemos chamar nosso.
Alguns séculos atrás a Igreja saía a campo para se bater contra o determinismo calvinista, que asseverava que o homem era predestinado ao céu ou ao inferno independente de seus méritos. Refutando esse erro, sustentou a Igreja a liberdade do homem à santidade. Sai hoje a Igreja para novos campos de batalha, não para defender a liberdade de cada um ser santo, mas a liberdade do homem a ser homem - o direito de ser independente daqueles que agora o possuem por possuírem aquilo que ele trabalha.
A Igreja que outrora lutou para se libertar do fiat teológico de uma vontade soberana arbitrária, luta agora para libertar o homem do fiat econômico do capitalismo arbitrário.
Depois continuamos - valerá a pena!
Fonte: O problema de Liberdade
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Martírio de São João Batista
Por Bento XVI
" Celebramos a memória do martírio de são João Baptista, o precursor de Jesus. No Calendário romano, é o único santo do qual se celebra tanto o nascimento, a 24 de Junho, como a morte ocorrida através do martírio.
A memória hodierna remonta à dedicação de uma cripta de Sebaste, em Samaria onde, já em meados do século IV, se venerava a sua cabeça. Depois, o culto alargou-se a Jerusalém, às Igrejas do Oriente e a Roma, com o título de Degolação de são João Baptista. No Martirológio romano faz-se referência a uma segunda descoberta da preciosa relíquia, transportada naquela ocasião para a igreja de São Silvestre em Campo Márcio, em Roma.
Estas breves referências históricas ajudam-nos a compreender como é antiga e profunda a veneração de são João Baptista. Nos Evangelhos realça-se muito bem o seu papel em relação a Jesus. De modo particular, são Lucas narra o seu nascimento, a sua vida no deserto e a sua pregação, e no Evangelho de são Marcos fala-nos da sua morte dramática.
João Baptista começa a sua pregação sob o imperador Tibério, em 27-28 d.C., e o convite claro que ele dirige ao povo que acorre para o ouvir é que prepare o caminho para receber o Senhor, e endireitem as veredas tortas da própria vida através de uma conversão radical do coração (cf. Lc 3, 4). Contudo, João Baptista não se limita a pregar a penitência e a conversão mas, reconhecendo Jesus como «o Cordeiro de Deus» que veio para tirar o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29), tem a profunda humildade de mostrar em Jesus o verdadeiro Enviado de Deus, pondo-se de lado a fim de que Jesus possa crescer, ser ouvido e seguido.
Como último gesto, João Baptista testemunha com o sangue a sua fidelidade aos mandamentos de Deus, sem ceder nem desistir, cumprindo a sua missão até ao fim. São Beda, monge do século IX, nas suas Homilias diz assim: «São João, por [Cristo] deu a sua vida; embora não lhe tenha sido imposto que negasse Jesus Cristo, só lhe foi imposto que não dissesse a verdade» (cf. Hom. 23: ccl 122, 354). E ele dizia a verdade, e assim morreu por Cristo, que é a Verdade. Precisamente pelo amor à Verdade, não cedeu a compromissos nem teve medo de dirigir palavras fortes a quantos tinham perdido o caminho de Deus.
Nós vemos esta grande figura, esta força na paixão, na resistência contra os poderosos. Interroguemo-nos: de onde nasce esta vida, esta interioridade tão forte, tão recta e tão coerente, empregue totalmente por Deus e para preparar o caminho para Jesus? A resposta é simples: da relação com Deus, da oração, que é o fio condutor de toda a sua existência. João é o dom divino longamente invocado pelos seus pais, Zacarias e Isabel (cf. Lc 1, 13); uma dádiva grande, humanamente inesperada, porque ambos eram de idade avançada e Isabel era estéril (cf. Lc 1, 7); mas a Deus nada é impossível (cf. Lc 1, 36).
O anúncio deste nascimento verifica-se precisamente no contexto da oração, no templo de Jerusalém; aliás, acontece quando Zacarias recebe o grande privilégio de entrar no lugar mais sagrado do templo para fazer a oferta do incenso ao Senhor (cf. Lc 1, 8-20). Também o nascimento de João Baptista é marcado pela oração: o cântico de alegria, de louvor e de acção de graças que Zacarias eleva ao Senhor e que nós recitamos todas as manhãs nas Laudes, o «Benedictus», exalta a obra de Deus na história e indica profeticamente a missão do filho João: preceder o Filho de Deus que se fez carne, para lhe preparar as estradas (cf. Lc 1, 67-79).
Toda a existência do precursor de Jesus é alimentada pela relação com Deus, de modo particular o período transcorrido em regiões desertas (cf. Lc 1, 80); as regiões desertas que são lugares de tentação, mas também lugares onde o homem sente a própria pobreza, porque desprovido de apoios e certezas materiais, e compreende que o único ponto de referência sólido permanece o próprio Deus. Mas João Baptista não é apenas um homem de oração, do contacto permanente com Deus, mas também um guia para esta relação. Citando a oração que Jesus ensina aos discípulos, o «Pai-Nosso», o evangelista Lucas anota que o pedido é formulado pelos discípulos com estas palavras: «Senhor, ensinai-nos a rezar, como também João ensinou aos seus discípulos» (cf. Lc 11, 1).
Caros irmãos e irmãs, celebrar o martírio de são João Baptista recorda-nos, também a nós cristãos deste nosso tempo, que não se pode ceder a compromissos com o amor a Cristo, à sua Palavra e à Verdade. A Verdade é Verdade, não existem compromissos. A vida cristã exige, por assim dizer, o «martírio» da fidelidade quotidiana ao Evangelho, ou seja, a coragem de deixar que Cristo cresça em nós e que seja Cristo quem orienta o nosso pensamento e as nossas acções.
Mas isto só se verifica na nossa vida se a nossa relação com Deus for sólida. A oração não é tempo perdido, não é roubar espaço às actividades, inclusive às obras apostólicas, mas é precisamente o contrário: se formos capazes de ter uma vida de oração fiel, constante e confiante, o próprio Deus dar-nos-á a capacidade e a força para viver de modo feliz e tranquilo, para superar as dificuldades e testemunhá-lo com coragem. São João Baptista interceda por nós, a fim de sabermos conservar sempre o primado de Deus na nossa vida. Obrigado!"
Fonte AQUI
" Celebramos a memória do martírio de são João Baptista, o precursor de Jesus. No Calendário romano, é o único santo do qual se celebra tanto o nascimento, a 24 de Junho, como a morte ocorrida através do martírio.
A memória hodierna remonta à dedicação de uma cripta de Sebaste, em Samaria onde, já em meados do século IV, se venerava a sua cabeça. Depois, o culto alargou-se a Jerusalém, às Igrejas do Oriente e a Roma, com o título de Degolação de são João Baptista. No Martirológio romano faz-se referência a uma segunda descoberta da preciosa relíquia, transportada naquela ocasião para a igreja de São Silvestre em Campo Márcio, em Roma.
Estas breves referências históricas ajudam-nos a compreender como é antiga e profunda a veneração de são João Baptista. Nos Evangelhos realça-se muito bem o seu papel em relação a Jesus. De modo particular, são Lucas narra o seu nascimento, a sua vida no deserto e a sua pregação, e no Evangelho de são Marcos fala-nos da sua morte dramática.
João Baptista começa a sua pregação sob o imperador Tibério, em 27-28 d.C., e o convite claro que ele dirige ao povo que acorre para o ouvir é que prepare o caminho para receber o Senhor, e endireitem as veredas tortas da própria vida através de uma conversão radical do coração (cf. Lc 3, 4). Contudo, João Baptista não se limita a pregar a penitência e a conversão mas, reconhecendo Jesus como «o Cordeiro de Deus» que veio para tirar o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29), tem a profunda humildade de mostrar em Jesus o verdadeiro Enviado de Deus, pondo-se de lado a fim de que Jesus possa crescer, ser ouvido e seguido.
Como último gesto, João Baptista testemunha com o sangue a sua fidelidade aos mandamentos de Deus, sem ceder nem desistir, cumprindo a sua missão até ao fim. São Beda, monge do século IX, nas suas Homilias diz assim: «São João, por [Cristo] deu a sua vida; embora não lhe tenha sido imposto que negasse Jesus Cristo, só lhe foi imposto que não dissesse a verdade» (cf. Hom. 23: ccl 122, 354). E ele dizia a verdade, e assim morreu por Cristo, que é a Verdade. Precisamente pelo amor à Verdade, não cedeu a compromissos nem teve medo de dirigir palavras fortes a quantos tinham perdido o caminho de Deus.
Nós vemos esta grande figura, esta força na paixão, na resistência contra os poderosos. Interroguemo-nos: de onde nasce esta vida, esta interioridade tão forte, tão recta e tão coerente, empregue totalmente por Deus e para preparar o caminho para Jesus? A resposta é simples: da relação com Deus, da oração, que é o fio condutor de toda a sua existência. João é o dom divino longamente invocado pelos seus pais, Zacarias e Isabel (cf. Lc 1, 13); uma dádiva grande, humanamente inesperada, porque ambos eram de idade avançada e Isabel era estéril (cf. Lc 1, 7); mas a Deus nada é impossível (cf. Lc 1, 36).
O anúncio deste nascimento verifica-se precisamente no contexto da oração, no templo de Jerusalém; aliás, acontece quando Zacarias recebe o grande privilégio de entrar no lugar mais sagrado do templo para fazer a oferta do incenso ao Senhor (cf. Lc 1, 8-20). Também o nascimento de João Baptista é marcado pela oração: o cântico de alegria, de louvor e de acção de graças que Zacarias eleva ao Senhor e que nós recitamos todas as manhãs nas Laudes, o «Benedictus», exalta a obra de Deus na história e indica profeticamente a missão do filho João: preceder o Filho de Deus que se fez carne, para lhe preparar as estradas (cf. Lc 1, 67-79).
Toda a existência do precursor de Jesus é alimentada pela relação com Deus, de modo particular o período transcorrido em regiões desertas (cf. Lc 1, 80); as regiões desertas que são lugares de tentação, mas também lugares onde o homem sente a própria pobreza, porque desprovido de apoios e certezas materiais, e compreende que o único ponto de referência sólido permanece o próprio Deus. Mas João Baptista não é apenas um homem de oração, do contacto permanente com Deus, mas também um guia para esta relação. Citando a oração que Jesus ensina aos discípulos, o «Pai-Nosso», o evangelista Lucas anota que o pedido é formulado pelos discípulos com estas palavras: «Senhor, ensinai-nos a rezar, como também João ensinou aos seus discípulos» (cf. Lc 11, 1).
Caros irmãos e irmãs, celebrar o martírio de são João Baptista recorda-nos, também a nós cristãos deste nosso tempo, que não se pode ceder a compromissos com o amor a Cristo, à sua Palavra e à Verdade. A Verdade é Verdade, não existem compromissos. A vida cristã exige, por assim dizer, o «martírio» da fidelidade quotidiana ao Evangelho, ou seja, a coragem de deixar que Cristo cresça em nós e que seja Cristo quem orienta o nosso pensamento e as nossas acções.
Mas isto só se verifica na nossa vida se a nossa relação com Deus for sólida. A oração não é tempo perdido, não é roubar espaço às actividades, inclusive às obras apostólicas, mas é precisamente o contrário: se formos capazes de ter uma vida de oração fiel, constante e confiante, o próprio Deus dar-nos-á a capacidade e a força para viver de modo feliz e tranquilo, para superar as dificuldades e testemunhá-lo com coragem. São João Baptista interceda por nós, a fim de sabermos conservar sempre o primado de Deus na nossa vida. Obrigado!"
Fonte AQUI
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quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Vinde, Senhor Jesus, vinde! Maranata!
Por Gustavo Corção.
" A Igreja, na sua esfera sobrenatural, também tem seus apolínios e seus dionisíacos, também se diferencia como dois braços abertos, para amparar o mundo à direita e à esquerda.
Desde o princípio da pregação, nos primeiros tempos do Cristianismo, nasceram duas fontes de graça na Igreja visível para cercar as almas em conformidade com a diversidade em suas naturezas. E essas duas fontes são a Igreja dos Sacramentos e a Igreja dos carismas - os bispos e os monges.
Nos momentos mais difíceis da história eles se ampararam e trocaram entre si seus dons e é por isso que hoje os padres não se casam e os monges se ordenam. A Igreja dos Bipos é a Hierarquia que tem o centro em Roma, na Cátedra de Pedro, e pastoreia dispensando às almas o Sacramento e o Magistério.
A Igreja dos monges, enquanto sómente monges, é formada da comunidade que milita sob uma regra na unidade do Espírito Santo: seu papel no mundo é o exemplo ontológico, concreto, duma antecipação do Reino, da Jerusalém celeste. Vivem à espera do Senhor com cintos apertados e as lâmpadas acesas. Por isso pode-se também dizer que sua função no mundo é cantar a Esperança.
O mundo amanhã, que mal entrevemos nessa aurora de sangue, ou voltará a Cristo ou se perderá. A última colheita dos eleitos ficará então entregue à cólera paternal do Rei que manda buscar com violência os convivas nos caminhos. Mas o mundo só poderá voltar ao Cristo substancialemente, isto é, ao Cristo e não essa aquarela esbatida que chamam de civilização cristã.
E duas coisas aparecem com uma urgência insofismável para que essa volta seja realmente uma volta cristã e para que ela seja possível. É preciso insistir, ensinar, restaurar a firmeza de pedra, de Pedro, na objetividade Sacramental do Catolicismo; e também, e principalmente se é verdade que o mundo sofre perticularmente de desespero, é preciso colocar o monaquismo na sua base antiga, paulina, para que os povos inebriados tenham u exemplo de unidade e ouçam o cando da Esperança.
O Evangelho de João não tem como o de Mateus uma longa mensagem de esperança. No Evangelho de João a esperança entra pelo amor e começa logo com as núpcias de Caná. É muito mais tarde, já nas vésperas da Paixão, Jesus diz aos discípulos: ' Ainda um pouco de tempo e vós não me vereis; depois, ainda um pouco de tempo, ver-me-eis novamente'.
Os discípulos O interrogaram sobre esse modicum , esse " ainda um pouco de tempo" e Jesus lhes promete uma alegria que ninguém lhes poderá tirar. A esperança nesse Evangelho está abraçada à caridade e as palavras de Jesus procuram conter no amor a impaciência cristã.
O Homem de Deus também é impaciente, ms em relação ao hóspede que tarda.´É impaciente na parusia, mas paciente no cotidiano. Estamos no tempo, mas não somos do tempo. E como estamos no tempo, somos pacientes; e como não somos do tempo, somos impacientes.
O cristão é realmente segundo a esperança, vigilante como um soldado e confiante como a criança. Cuidadoso como um soldado que o Rei mandou vigiar os confins de seu Império, e descuidado como uma criança que dorme. Nossa impaciência é amorosa porque queremos conhecer os nomes de filhos que nos estão guardados na eternidade; mas nossa paciência ainda é mais amorosa porque é com ela que participamos na Paixão do Senhor.
Somos impacientes como crianças, pacientes como soldados. Impacientes como noivos e pacientes como noivos. Não há conflito ou paradoxo entre a parusia e o cotidiano, como os há entre a parusia e o cotidiano, como não os há entre o enxoval e as núpcias. Há ainda um pouco de tempo...
O tempo já não é nosso inimigo porque, se tem a medida duma separação, tem também a medida duma solicitude , e assim sacralizado na Liturgia, é instrumento de Redenção.
Os anos entram e saem nos arrastando para as idades que o mundo ridiculariza; passam novos solstícios e novos plenilúnios, enquanto a Penélope paciente parece tecer e desmanchar como uma louca diante dos olhos dos pretendentes. Dizem que os ciclos do Natal e Páscoa giram monotamente em torno dum sol alheio e distante.
Mas a Esposa paciente que gira a roca e maneja o fuso tem ouvidos finos e ouve os passos do Bem_Amado que vem correndo pelos montes. Curva-se mais sobre o pano que tece, vigia com mais zelo o óleo de sua lâmpada. Ainda um pouco de tempo, ainda um pouco de tempo...
Os monges, soldados que vigiam e crianças que cantam, curvam-se sobre a imensa tapeçaria litúrgica que paramenta os séculos, e retomam o fio: Advento, Natal, Páscoa; e recomeçam cada dia: Vésperas, Matinas, Laudes; atentos como soldados, confiantes como crianças.....
E a Esposa de ouvidos finos ouve os passos do Bem- Amado que vem correndo pelos montes. Ele aí vem! E cedendo à impaciencia apaixonada que nada mais pode conter, suspende ummomento o fuso, para um instante a roca, esquece a lâmpada, e grita dentro do coração:
- Vinde, Senhor Jesus, vinde! Maranata!
Fonte: a Descoberta do Outro - pags 160 a 163.
Desde o princípio da pregação, nos primeiros tempos do Cristianismo, nasceram duas fontes de graça na Igreja visível para cercar as almas em conformidade com a diversidade em suas naturezas. E essas duas fontes são a Igreja dos Sacramentos e a Igreja dos carismas - os bispos e os monges.
Nos momentos mais difíceis da história eles se ampararam e trocaram entre si seus dons e é por isso que hoje os padres não se casam e os monges se ordenam. A Igreja dos Bipos é a Hierarquia que tem o centro em Roma, na Cátedra de Pedro, e pastoreia dispensando às almas o Sacramento e o Magistério.
A Igreja dos monges, enquanto sómente monges, é formada da comunidade que milita sob uma regra na unidade do Espírito Santo: seu papel no mundo é o exemplo ontológico, concreto, duma antecipação do Reino, da Jerusalém celeste. Vivem à espera do Senhor com cintos apertados e as lâmpadas acesas. Por isso pode-se também dizer que sua função no mundo é cantar a Esperança.
O mundo amanhã, que mal entrevemos nessa aurora de sangue, ou voltará a Cristo ou se perderá. A última colheita dos eleitos ficará então entregue à cólera paternal do Rei que manda buscar com violência os convivas nos caminhos. Mas o mundo só poderá voltar ao Cristo substancialemente, isto é, ao Cristo e não essa aquarela esbatida que chamam de civilização cristã.
E duas coisas aparecem com uma urgência insofismável para que essa volta seja realmente uma volta cristã e para que ela seja possível. É preciso insistir, ensinar, restaurar a firmeza de pedra, de Pedro, na objetividade Sacramental do Catolicismo; e também, e principalmente se é verdade que o mundo sofre perticularmente de desespero, é preciso colocar o monaquismo na sua base antiga, paulina, para que os povos inebriados tenham u exemplo de unidade e ouçam o cando da Esperança.
O Evangelho de João não tem como o de Mateus uma longa mensagem de esperança. No Evangelho de João a esperança entra pelo amor e começa logo com as núpcias de Caná. É muito mais tarde, já nas vésperas da Paixão, Jesus diz aos discípulos: ' Ainda um pouco de tempo e vós não me vereis; depois, ainda um pouco de tempo, ver-me-eis novamente'.
Os discípulos O interrogaram sobre esse modicum , esse " ainda um pouco de tempo" e Jesus lhes promete uma alegria que ninguém lhes poderá tirar. A esperança nesse Evangelho está abraçada à caridade e as palavras de Jesus procuram conter no amor a impaciência cristã.
O Homem de Deus também é impaciente, ms em relação ao hóspede que tarda.´É impaciente na parusia, mas paciente no cotidiano. Estamos no tempo, mas não somos do tempo. E como estamos no tempo, somos pacientes; e como não somos do tempo, somos impacientes.
O cristão é realmente segundo a esperança, vigilante como um soldado e confiante como a criança. Cuidadoso como um soldado que o Rei mandou vigiar os confins de seu Império, e descuidado como uma criança que dorme. Nossa impaciência é amorosa porque queremos conhecer os nomes de filhos que nos estão guardados na eternidade; mas nossa paciência ainda é mais amorosa porque é com ela que participamos na Paixão do Senhor.
Somos impacientes como crianças, pacientes como soldados. Impacientes como noivos e pacientes como noivos. Não há conflito ou paradoxo entre a parusia e o cotidiano, como os há entre a parusia e o cotidiano, como não os há entre o enxoval e as núpcias. Há ainda um pouco de tempo...
O tempo já não é nosso inimigo porque, se tem a medida duma separação, tem também a medida duma solicitude , e assim sacralizado na Liturgia, é instrumento de Redenção.
Os anos entram e saem nos arrastando para as idades que o mundo ridiculariza; passam novos solstícios e novos plenilúnios, enquanto a Penélope paciente parece tecer e desmanchar como uma louca diante dos olhos dos pretendentes. Dizem que os ciclos do Natal e Páscoa giram monotamente em torno dum sol alheio e distante.
Mas a Esposa paciente que gira a roca e maneja o fuso tem ouvidos finos e ouve os passos do Bem_Amado que vem correndo pelos montes. Curva-se mais sobre o pano que tece, vigia com mais zelo o óleo de sua lâmpada. Ainda um pouco de tempo, ainda um pouco de tempo...
Os monges, soldados que vigiam e crianças que cantam, curvam-se sobre a imensa tapeçaria litúrgica que paramenta os séculos, e retomam o fio: Advento, Natal, Páscoa; e recomeçam cada dia: Vésperas, Matinas, Laudes; atentos como soldados, confiantes como crianças.....
E a Esposa de ouvidos finos ouve os passos do Bem- Amado que vem correndo pelos montes. Ele aí vem! E cedendo à impaciencia apaixonada que nada mais pode conter, suspende ummomento o fuso, para um instante a roca, esquece a lâmpada, e grita dentro do coração:
- Vinde, Senhor Jesus, vinde! Maranata!
Fonte: a Descoberta do Outro - pags 160 a 163.
Ó Eterna Verdade e verdadeira Caridade
Por Santo Agostinho.
Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo
(Lib. 7,10.18;10,27: CSEL 33,157-163.255) (Séc.V)
Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade!
"Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável.
Não era como a luz terrena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz.
Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”.
E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste.
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.
Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo
(Lib. 7,10.18;10,27: CSEL 33,157-163.255) (Séc.V)
Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade!
"Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável.
Não era como a luz terrena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz.
Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”.
E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste.
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Procuremos Alcançar a Sabedoria Eterna
Hoje é dia de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho.
Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo
(Lib. 9,10-11: CSEL 33,215-219) (Séc.V)
"Estando bem perto o dia em que ela deixaria esta vida – dia que conhecias e que ignorávamos – aconteceu por oculta disposição tua, como penso, que eu e ela estivéssemos sentados sozinhos perto da janela que dava para o jardim da casa onde nos tínhamos hospedado, lá junto de Óstia Tiberina. Ali, longe do povo, antes de embarcarmos, nos refazíamos da longa viagem.Falávamos a sós, com muita doçura e, esquecendo-nos do passado, com os olhos no futuro, indagávamos entre nós sobre a verdade presente, quem és tu, como seria a futura vida eterna dos santos, que olhos não viram, nem ouvidos ouviram nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9). Mas ansiávamos com os lábios do coração pelas águas celestes de tua fonte, fonte da vida que está junto de ti.
Eu dizia estas coisas, não deste modo nem com estas palavras. No entanto, Senhor, tu sabes que naquele dia, enquanto falávamos, este mundo foi perdendo o valor, junto com todos os seus deleites. Então disse ela: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida. Que faço ainda e por que ainda aqui estou, não sei. Toda a esperança terena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?”
O que lhe respondi, não me lembro bem. Cinco dias depois, talvez, ou não muito mais, caiu com febre. Doente, um dia desmaiou, sem conhecer os presentes. Corremos para junto dela, mas recobrando logo os sentidos, viu-me a mim e a meu irmão e disse-nos, como que procurando algo semelhante: “Onde estava eu?”
Em seguida, olhando-nos, opressos pela tristeza, disse: “Sepultai vossa mãe”. Eu me calava e retinha as lágrimas. Mas meu irmão falou qualquer coisa assim que seria melhor não morrer em terra estranha, mas na pátria. Ouvindo isto, ansiosa, censurando-o com o olhar por pensar assim, voltou-se para mim: “Vê o que diz”. Depois falou a ambos: “Ponde este corpo em qualquer lugar. Não vos preocupeis com ele. Só vos peço que vos lembreis de mim no altar de Deus, onde quer que estiverdes”. Terminando como pôde de falar, calou-se e continuou a sofrer com o agravamento da doença.
Finalmente, no nono dia da sua doença, aos cinquenta e seis anos de idade e no trigésimo terceiro da minha vida, aquela alma piedosa e santa libertou-se do corpo."
Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo
(Lib. 9,10-11: CSEL 33,215-219) (Séc.V)
"Estando bem perto o dia em que ela deixaria esta vida – dia que conhecias e que ignorávamos – aconteceu por oculta disposição tua, como penso, que eu e ela estivéssemos sentados sozinhos perto da janela que dava para o jardim da casa onde nos tínhamos hospedado, lá junto de Óstia Tiberina. Ali, longe do povo, antes de embarcarmos, nos refazíamos da longa viagem.Falávamos a sós, com muita doçura e, esquecendo-nos do passado, com os olhos no futuro, indagávamos entre nós sobre a verdade presente, quem és tu, como seria a futura vida eterna dos santos, que olhos não viram, nem ouvidos ouviram nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9). Mas ansiávamos com os lábios do coração pelas águas celestes de tua fonte, fonte da vida que está junto de ti.
Eu dizia estas coisas, não deste modo nem com estas palavras. No entanto, Senhor, tu sabes que naquele dia, enquanto falávamos, este mundo foi perdendo o valor, junto com todos os seus deleites. Então disse ela: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida. Que faço ainda e por que ainda aqui estou, não sei. Toda a esperança terena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?”
O que lhe respondi, não me lembro bem. Cinco dias depois, talvez, ou não muito mais, caiu com febre. Doente, um dia desmaiou, sem conhecer os presentes. Corremos para junto dela, mas recobrando logo os sentidos, viu-me a mim e a meu irmão e disse-nos, como que procurando algo semelhante: “Onde estava eu?”
Em seguida, olhando-nos, opressos pela tristeza, disse: “Sepultai vossa mãe”. Eu me calava e retinha as lágrimas. Mas meu irmão falou qualquer coisa assim que seria melhor não morrer em terra estranha, mas na pátria. Ouvindo isto, ansiosa, censurando-o com o olhar por pensar assim, voltou-se para mim: “Vê o que diz”. Depois falou a ambos: “Ponde este corpo em qualquer lugar. Não vos preocupeis com ele. Só vos peço que vos lembreis de mim no altar de Deus, onde quer que estiverdes”. Terminando como pôde de falar, calou-se e continuou a sofrer com o agravamento da doença.
Finalmente, no nono dia da sua doença, aos cinquenta e seis anos de idade e no trigésimo terceiro da minha vida, aquela alma piedosa e santa libertou-se do corpo."
Males que afligem a Igreja e a necessidade de Oração
Por Sua Santidade Papa Leão XIII
Males que afligem a Igreja
" A todos são conhecidos os males que Nós deploramos: a luta desapiedada contra os sagrados e intangíveis dogmas, que a Igreja guarda e transmite; a zombaria da integridade da virtude cristã, que a Igreja defende; a trama de calúnias de mil modos urdidas; o ódio fomentado contra a sagrada ordem dos bispos, e principalmente contra o Romano Pontífice; os ataques dirigidos, com a mais impudente audácia e a criminosa impiedade, contra a própria divindade de Cristo, no intuito de extirpar pelas raízes e de destruir a obra divina da Redenção, que força alguma poderá jamais destruir nem cancelar.
Estes ataques não são, certamente, uma novidade para a Igreja militante. Porquanto, depois do aviso dado por Cristo aos Apóstolos, ela sabe que, para instruir os homens no caminho da verdade e guiá-los à salvação eterna, ela deve todo dia descer a campo e travar combate. E, na realidade, nos séculos ela sempre lutou intrepidamente até ao martírio, considerando como sua precípua alegria e glória o poder unir o seu sangue ao do seu Fundador: no qual está depositada a segura esperança da prometida vitória.
Por outra parte, entretanto, não podemos ocultar nos o profundo senso de tristeza que penetra os melhores, ante esta contínua tensão de batalha. De fato, é motivo de imensa tristeza ver o grande número dos que, pela perversidade dos erros e por esta insolente atitude contra Deus, são arrastados para longe e impelidos para o abismo; o grande número dos que, pondo num mesmo plano todas as formas de religião, pode-se dizer que já estão na iminência de abandonar a fé divina; o número notável dos que são cristãos só de nome, e não cumprem os deveres da sua fé.
E ainda mais nos aflige e nos atormenta o ânimo o considerarmos que a causa principal de tais ruinosos e deploráveis males está na exclusão completa da Igreja das ordenações sociais, enquanto de propósito se hostiliza a sua salutar influencia. E nisto é de reconhecer um grande e merecido castigo de Deus, o qual cega miseravelmente as nações que se afastam d’Ele.
A necessidade da oração
Este estado de coisas mostra, com evidência sempre maior, o quanto é necessário que os católicos orem e supliquem a Deus com fervor e perseverança "sem nunca cessar" (1Tim 5, 17); e não somente em particular, porém ainda mais em público. Reunidos nos sagrados templos, conjurem Deus a se dignar, na sua infinita bondade, de livrar a sua Igreja "dos homens insolentes e malvados" (2 Tim 3, 2), e a reconduzir os povos ao caminho da salvação e da razão, na luz e no amor de Cristo.
Espetáculo incrível e maravilhoso! Enquanto o mundo percorre o seu caminho tormentoso, fiado nas suas riquezas, na sua força, nas suas armas e no seu engenho, a Igreja, com passo veloz e seguro, atravessa os séculos, depositando a sua confiança somente em Deus, a quem, de dia e de noite, ergue o olhar e estende as mãos súplices. Porque, embora na sua prudência não desdenhe os socorros humanos que, pela bondade divina, os tempos lhe oferecem, todavia não é nestes meios que ela deposita a sua principal esperança; mas sim na oração, coletiva e insistente, elevada ao seu Deus.
Nesta fonte ela alimenta e fortifica a sua vida; porque, elevando-se, mediante a oração assídua, acima das vicissitudes humanas, e mantendo-se constantemente unida a Deus, é-lhe dado viver, plácida e tranqüila, da própria vida de Cristo. E nisto ela é fiel imagem de Cristo, a quem o horror dos tormentos, sofridos pelo nosso bem, nada diminuiu nem tirou da beatíssima luz e da felicidade que lhe são próprias"
Fonte Aqui
Males que afligem a Igreja
" A todos são conhecidos os males que Nós deploramos: a luta desapiedada contra os sagrados e intangíveis dogmas, que a Igreja guarda e transmite; a zombaria da integridade da virtude cristã, que a Igreja defende; a trama de calúnias de mil modos urdidas; o ódio fomentado contra a sagrada ordem dos bispos, e principalmente contra o Romano Pontífice; os ataques dirigidos, com a mais impudente audácia e a criminosa impiedade, contra a própria divindade de Cristo, no intuito de extirpar pelas raízes e de destruir a obra divina da Redenção, que força alguma poderá jamais destruir nem cancelar.
Estes ataques não são, certamente, uma novidade para a Igreja militante. Porquanto, depois do aviso dado por Cristo aos Apóstolos, ela sabe que, para instruir os homens no caminho da verdade e guiá-los à salvação eterna, ela deve todo dia descer a campo e travar combate. E, na realidade, nos séculos ela sempre lutou intrepidamente até ao martírio, considerando como sua precípua alegria e glória o poder unir o seu sangue ao do seu Fundador: no qual está depositada a segura esperança da prometida vitória.
Por outra parte, entretanto, não podemos ocultar nos o profundo senso de tristeza que penetra os melhores, ante esta contínua tensão de batalha. De fato, é motivo de imensa tristeza ver o grande número dos que, pela perversidade dos erros e por esta insolente atitude contra Deus, são arrastados para longe e impelidos para o abismo; o grande número dos que, pondo num mesmo plano todas as formas de religião, pode-se dizer que já estão na iminência de abandonar a fé divina; o número notável dos que são cristãos só de nome, e não cumprem os deveres da sua fé.
E ainda mais nos aflige e nos atormenta o ânimo o considerarmos que a causa principal de tais ruinosos e deploráveis males está na exclusão completa da Igreja das ordenações sociais, enquanto de propósito se hostiliza a sua salutar influencia. E nisto é de reconhecer um grande e merecido castigo de Deus, o qual cega miseravelmente as nações que se afastam d’Ele.
A necessidade da oração
Este estado de coisas mostra, com evidência sempre maior, o quanto é necessário que os católicos orem e supliquem a Deus com fervor e perseverança "sem nunca cessar" (1Tim 5, 17); e não somente em particular, porém ainda mais em público. Reunidos nos sagrados templos, conjurem Deus a se dignar, na sua infinita bondade, de livrar a sua Igreja "dos homens insolentes e malvados" (2 Tim 3, 2), e a reconduzir os povos ao caminho da salvação e da razão, na luz e no amor de Cristo.
Espetáculo incrível e maravilhoso! Enquanto o mundo percorre o seu caminho tormentoso, fiado nas suas riquezas, na sua força, nas suas armas e no seu engenho, a Igreja, com passo veloz e seguro, atravessa os séculos, depositando a sua confiança somente em Deus, a quem, de dia e de noite, ergue o olhar e estende as mãos súplices. Porque, embora na sua prudência não desdenhe os socorros humanos que, pela bondade divina, os tempos lhe oferecem, todavia não é nestes meios que ela deposita a sua principal esperança; mas sim na oração, coletiva e insistente, elevada ao seu Deus.
Nesta fonte ela alimenta e fortifica a sua vida; porque, elevando-se, mediante a oração assídua, acima das vicissitudes humanas, e mantendo-se constantemente unida a Deus, é-lhe dado viver, plácida e tranqüila, da própria vida de Cristo. E nisto ela é fiel imagem de Cristo, a quem o horror dos tormentos, sofridos pelo nosso bem, nada diminuiu nem tirou da beatíssima luz e da felicidade que lhe são próprias"
Fonte Aqui
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Aquilo contra que estamos combatendo
Por venerável Fulton Sheen
Fonte: Filosofias em Luta
Primeira Parte - AQUI
Segunda Parte - AQUI
Terceira Parte - AQUI
" Totalitarismo: que anti-cristão, anti-humano e anti-democrático e se manifesta em quatro modalidades:
A - Modalidade histórica - Fascismo
B - Modalidade antropológica - Glorificação da raça nórdica - Nazismo
C - Modalidade teológica: identificação da Divindade com uma disnatia - Imperialismo Japonês.
D - Modalidade econômica: Proclamação da luta de classes sobre a base anti-religiosa de uma ditadura do proletariado - Socialismo Marxista.
Na Encíclica de Natal de 1942- Papa Pio XII condenou as quatro. Nenhuma é um Estado, no sentido político de termo; antes constitui cada uma delas uma filosofia da vida operando por intermédio de um Partido Único, que age como substituto do Estado. Todas são concordes em investir de um significado divino as idéias primárias de classe, raça, nação e sangue.
Como está implícito na palavra - totalitário - esses sistemas exigem o domínio total do homem - do homem todo, corpo e alma, e visam o contrôle dos mais recônditos setores do espírito.Neste sentido são religiões; e somente em segundo lugar sistemas políticos. E por serem religiões perseguem judeus e cristãos, a seus olhos religiões rivais.
De fato, reivindicam mais do que o Cristianismo, por este deixou a César o que ra de César, ao passo que esses novos e falsos credos insistem em que até o que é de Deus pertence a César.
Como se originaram esses pseudomisticismos?
Em sua forma européia, surgiram em parte como reação contra os excessos e as deficiências da cultura leiga e materialista do resto do Ocidente, exatamente como se um homem insensato ateasse fogo á sua granja para livrar-se de alguns ratos.
Quem quer que considere a história na perspectiva destes últimos cem anos, há de encontrar o repúdio progressivo dos principais cristãos na vida social, política e econômica, repúdio esse que produziu a nossa presente civilização anti-religiosa ( o comunismo) e, por fim, como reação, o nazismo anti-religioso.
Tempos houve em que existiu uma cultura cristã. Não era perfeita, pois nunca se entendeu do Cristianismo que realizasse a sua perfeição neste mundo. Floresceu na Idade Média. Disse certa vez Chesterton que essa idade é chamada a Idade Sombria por aqueles que estão no escuro em relação a ela.
O fundamento de sua civilização era a lei, a educação, a política, a economia, o serviço social, as artes, as indústrias, o trabalho e o capital construíram-se hierarquicamente em forma de pirâmide, com Deus no ápice. Todo homem, fosse ele um erudito ou um camponês, um senhor ou um servo, um pecador ou um santo, reconhecia o Senhor como Aquele a Quem faveria um dia de volver, para prestar contas do que fizera a Seu serviço.
E assim, a vida estava imbuída de moralidade: política e economia eram ramos da ética e os homens eram unos, porque havia um Senhor, uma Fé, um Batismo.
Essas civilização grandiosa entrou em declínio devido, em parte, ao renascimento de ideias pagãs, à decadencia moral dos indivíduos. Começou então o que chamamos de a Era das Substituições, em que os homens procuraram para a unidade moral bases outras que não a Igreja. Entre esses substitutos, acham-se a Bíblia, a Razão, o Interesse Individual. A cultura secular e irreligiosa de nossos dias brotou dessas raízes.
Bíblia: Esta época teve a grande vantagem de conservar ainda coesa a sociedade, sobre a base supranatural e da inspiração moral de Cristo Filho de Deus. Não conseguiu, porém, preservar essa unidade por muito tempo, antes de tudo porque, quando cada um se tornou intérprete infalível do livro, houve tantas religiões quantas cabeças; e também porque, uma vez desligado o Livro do Conselho de Editores que lhe garantia a inspiração e de uma Côrte Suprema que o interpretava, veio a ser uma base de discórdia, mais do que de harmonia.
Puseram-se depois os homens à cata de um novo vínculo e pelejavam por estabelece-lo na Razão - não há razão iluminada pela Fé, mas razão divorciada da fé. Assim, a chamada "Idade do Racionalismo" foi de fato uma " Era de incredulidade" pois os seus protagonistas eram homens corrosivos como Hume, Kant e Voltaire, que mediam o desenvolver da razão por seu alheamento a Deus, que podia, Ele só, garantir-lhe as conclusões e as libertações.
A soberania da gente raciocinante tomou o lugar da de Deus. Todos os princípios foram rejeitados exceto alguns, evidentes por si, e que se presumia poderem salvaguardar a fraternidade do homem sem a Paternidade de Deus.
Mas a razão não pôde manter a sociedade unida, porque logo cada um se tornou seu ´próprio interprete dela, como anteriormente o fora o Livro.
Depois veremos o terceiro substituto: A entronização do Interesse Privado.
Fiquem com Deus.
Fonte: Filosofias em Luta
Primeira Parte - AQUI
Segunda Parte - AQUI
Terceira Parte - AQUI
" Totalitarismo: que anti-cristão, anti-humano e anti-democrático e se manifesta em quatro modalidades:
A - Modalidade histórica - Fascismo
B - Modalidade antropológica - Glorificação da raça nórdica - Nazismo
C - Modalidade teológica: identificação da Divindade com uma disnatia - Imperialismo Japonês.
D - Modalidade econômica: Proclamação da luta de classes sobre a base anti-religiosa de uma ditadura do proletariado - Socialismo Marxista.
Na Encíclica de Natal de 1942- Papa Pio XII condenou as quatro. Nenhuma é um Estado, no sentido político de termo; antes constitui cada uma delas uma filosofia da vida operando por intermédio de um Partido Único, que age como substituto do Estado. Todas são concordes em investir de um significado divino as idéias primárias de classe, raça, nação e sangue.
Como está implícito na palavra - totalitário - esses sistemas exigem o domínio total do homem - do homem todo, corpo e alma, e visam o contrôle dos mais recônditos setores do espírito.Neste sentido são religiões; e somente em segundo lugar sistemas políticos. E por serem religiões perseguem judeus e cristãos, a seus olhos religiões rivais.
De fato, reivindicam mais do que o Cristianismo, por este deixou a César o que ra de César, ao passo que esses novos e falsos credos insistem em que até o que é de Deus pertence a César.
Como se originaram esses pseudomisticismos?
Em sua forma européia, surgiram em parte como reação contra os excessos e as deficiências da cultura leiga e materialista do resto do Ocidente, exatamente como se um homem insensato ateasse fogo á sua granja para livrar-se de alguns ratos.
Quem quer que considere a história na perspectiva destes últimos cem anos, há de encontrar o repúdio progressivo dos principais cristãos na vida social, política e econômica, repúdio esse que produziu a nossa presente civilização anti-religiosa ( o comunismo) e, por fim, como reação, o nazismo anti-religioso.
Tempos houve em que existiu uma cultura cristã. Não era perfeita, pois nunca se entendeu do Cristianismo que realizasse a sua perfeição neste mundo. Floresceu na Idade Média. Disse certa vez Chesterton que essa idade é chamada a Idade Sombria por aqueles que estão no escuro em relação a ela.
O fundamento de sua civilização era a lei, a educação, a política, a economia, o serviço social, as artes, as indústrias, o trabalho e o capital construíram-se hierarquicamente em forma de pirâmide, com Deus no ápice. Todo homem, fosse ele um erudito ou um camponês, um senhor ou um servo, um pecador ou um santo, reconhecia o Senhor como Aquele a Quem faveria um dia de volver, para prestar contas do que fizera a Seu serviço.
E assim, a vida estava imbuída de moralidade: política e economia eram ramos da ética e os homens eram unos, porque havia um Senhor, uma Fé, um Batismo.
Essas civilização grandiosa entrou em declínio devido, em parte, ao renascimento de ideias pagãs, à decadencia moral dos indivíduos. Começou então o que chamamos de a Era das Substituições, em que os homens procuraram para a unidade moral bases outras que não a Igreja. Entre esses substitutos, acham-se a Bíblia, a Razão, o Interesse Individual. A cultura secular e irreligiosa de nossos dias brotou dessas raízes.
Bíblia: Esta época teve a grande vantagem de conservar ainda coesa a sociedade, sobre a base supranatural e da inspiração moral de Cristo Filho de Deus. Não conseguiu, porém, preservar essa unidade por muito tempo, antes de tudo porque, quando cada um se tornou intérprete infalível do livro, houve tantas religiões quantas cabeças; e também porque, uma vez desligado o Livro do Conselho de Editores que lhe garantia a inspiração e de uma Côrte Suprema que o interpretava, veio a ser uma base de discórdia, mais do que de harmonia.
Puseram-se depois os homens à cata de um novo vínculo e pelejavam por estabelece-lo na Razão - não há razão iluminada pela Fé, mas razão divorciada da fé. Assim, a chamada "Idade do Racionalismo" foi de fato uma " Era de incredulidade" pois os seus protagonistas eram homens corrosivos como Hume, Kant e Voltaire, que mediam o desenvolver da razão por seu alheamento a Deus, que podia, Ele só, garantir-lhe as conclusões e as libertações.
A soberania da gente raciocinante tomou o lugar da de Deus. Todos os princípios foram rejeitados exceto alguns, evidentes por si, e que se presumia poderem salvaguardar a fraternidade do homem sem a Paternidade de Deus.
Mas a razão não pôde manter a sociedade unida, porque logo cada um se tornou seu ´próprio interprete dela, como anteriormente o fora o Livro.
Depois veremos o terceiro substituto: A entronização do Interesse Privado.
Fiquem com Deus.
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