Do Sermão sobre os pastores, de Santo Agostinho, bispo
"Já sabeis o que amam os maus pastores. Vede o que descuidam. Ao enfermo não fortificastes; do doente não cuidastes; o machucado, isto é, fraturado, não pensastes; ao desgarrado, não reconduzistes; ao que se perdia não fostes procurar e ao forte oprimistes (Ez 34,4), matastes, destruístes. A ovelha se enfraquece, quer dizer, tem coração débil, imprudente e desprevenido, a ponto de ceder às tentações que sobrevierem.
O pastor negligente, quando alguém se lhe confia, não lhe diz: Filho, vindo para servir a Deus, mantém-te na justiça e prepara-te para a tentação (cf. Eclo 2,1). Quem assim fala fortifica o fraco e de fraco faz firme, de modo que, se lhe forem confiados os bens deste mundo, não se fiará neles. Se, contudo, houver aprendido a fiar-se na prosperidade terena, por esta mesma prosperidade será corrompido; sobrevindo adversidades, ferir-se-á e talvez pereça.
Quem assim o edifica, não o constrói sobre pedra, mas sobre a areia. A pedra era Cristo (cf. 1Cor 10,4). Os cristãos têm de imitar os sofrimentos de Cristo e não ir atrás de prazeres. O fraco se fortifica quando lhe dizem: “Espera, sim, provações neste mundo, mas de todas elas te livrará o Senhor, se teu coração não voltar atrás. Pois para fortalecer teu coração veio padecer, veio morrer, veio ser coberto de escarros, veio ser coroado de espinhos, veio ouvir insultos, veio enfim ser pregado na cruz. Tudo isto por tua causa e tu, nada: não para Ele, mas em teu favor”.
Quais são estes que, por temerem ofender os ouvintes, não apenas não os prepararam para as inevitáveis provações, mas prometem a felicidade neste mundo, que Deus não prometeu a este mundo? Ele predisse labutas e mais labutas, que até o fim sobreviriam a este mundo. E tu queres que o cristão esteja isento destas labutas? Justamente por ser cristão, sofrerá algo mais neste mundo.
Com efeito disse o Apóstolo: Todos aqueles que querem viver sinceramente em Cristo, sofrerão perseguições (2Tm 3,12). Agora tu, pastor insensato, que procuras os teus interesses e não os de Jesus Cristo, deixa que Ele diga: Todos aqueles que querem viver sinceramente em Cristo, sofrerão perseguições. E por tua conta vai dizendo: “Se em Cristo viveres piedosamente, terás abundância de todos os bens. Se não tens filhos, tê-lo-ás e os criarás, e nenhum morrerá”.
É esta tua construção? Olha o que fazes, onde a colocas. Sobre a areia a constróis. Virá a chuva, o rio transbordará, soprará o vento, baterão contra esta casa; ela cairá e será grande sua ruína.Tira-a da areia, põe-na sobre a pedra: esteja em Cristo aquele a quem desejas ver cristão. Observe os injustos sofrimentos de Cristo, observe-o sem pecado, pagando o que não devia, observe a Escritura a lhe dizer: O Senhor castiga todo aquele que reconhece como filho (Hb 12,6). Ou se prepare para ser castigado, ou não procure ser aceito.
(Sermo 46,10-11: CCL 41,536-538) (Séc.V)
A Doutrina Católica, a vida dos Santos, o Itinerário Espiritual do Cristão, me fascinam. Leio tudo incansavelmente e trago para o Blog. Que ele sirva de formação para perseverarmos na verdade da fé, defendendo-nos contra as astúcias do inimigo, para a Glória de Nosso Senhor.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
terça-feira, 16 de setembro de 2014
“Pobres dos fiéis católicos que frequentam as Santas Missas em muitas de nossas igrejas…”
Dom Antonio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen.
“Pobres dos fiéis católicos que frequentam as Santas Missas em muitas de nossas igrejas… Submetidos tantas vezes às arbitrariedades de uma pseudo liturgia pautada por distorções, abusos, ridículas inserções de palmas, agitação de folhetos, danças, símbolos e mais símbolos que não simbolizam nada. Quanto abuso! Quanta arbitrariedade! Quanta falta de respeito não só para com Aquele para quem deveria dirigir-se a celebração, mas também para com os pobres fiéis que são obrigados a engolir esdrúxulas situações falsamente chamadas de ” inculturação liturgica”, mas que na verdade revelam falta de fé ou a ignorância das mais elementares verdades da fé em relação à Eucaristia, à Presença Real e outras.
Pobres fiéis guiados por alguns pastores que arrotam slogans fundados em um palavreado eivado de conceitos atribuídos ao malfadado “espírito do Concílio” que na verdade, de conciliar nada tem… Tal espírito passa longe daquilo que a Igreja de Cristo é e pretendeu favorecer com a reforma litúrgica.
Pobres fiéis, forçados a ter de engolir o que destrói a fé, o que na prática nega a centralidade do Mistério de Cristo, poluindo-o com a tentativa de desfocar este Mistério através da inserção de conceitos ideologizados sobre Deus, o homem, a criação e tantas outras realidades.
A “nobre simplicidade” apregoada pelo Concílio transformou-se em desculpa para um “pobretismo” litúrgico que se expressa em despojamento do elementar, em relaxo, sujeira, descaso e outros defeitos. Dá-se à Liturgia, portanto a Deus, o que há de pior: no mínimo, o que é de gosto duvidoso.
Chegamos ao tempo em que quem obedece as Normas Liturgicas é acusado de rubricista. Ai de quem ousar usar os paramentos prescritos pela legislação litúrgica vigente. No mínimo será caracterizado como “romano”, o que na visão de muitos é considerado como uma ofensa. E quem celebrar usando com fidelidade os livros litúrgicos, “dizendo o que está em letras pretas e fazendo o que está em letras vermelhas” será execrado pelos apregoadores do “autêntico espírito do Concílio”.
Sinceramente, é preciso muita, mas muita fé mesmo para não deixar de acreditar que ‘as portas do inferno não prevalecerão’, como nos ensina Nosso Senhor.”
Fonte: Bíblia Católica News
“Pobres dos fiéis católicos que frequentam as Santas Missas em muitas de nossas igrejas… Submetidos tantas vezes às arbitrariedades de uma pseudo liturgia pautada por distorções, abusos, ridículas inserções de palmas, agitação de folhetos, danças, símbolos e mais símbolos que não simbolizam nada. Quanto abuso! Quanta arbitrariedade! Quanta falta de respeito não só para com Aquele para quem deveria dirigir-se a celebração, mas também para com os pobres fiéis que são obrigados a engolir esdrúxulas situações falsamente chamadas de ” inculturação liturgica”, mas que na verdade revelam falta de fé ou a ignorância das mais elementares verdades da fé em relação à Eucaristia, à Presença Real e outras.
Pobres fiéis guiados por alguns pastores que arrotam slogans fundados em um palavreado eivado de conceitos atribuídos ao malfadado “espírito do Concílio” que na verdade, de conciliar nada tem… Tal espírito passa longe daquilo que a Igreja de Cristo é e pretendeu favorecer com a reforma litúrgica.
Pobres fiéis, forçados a ter de engolir o que destrói a fé, o que na prática nega a centralidade do Mistério de Cristo, poluindo-o com a tentativa de desfocar este Mistério através da inserção de conceitos ideologizados sobre Deus, o homem, a criação e tantas outras realidades.
A “nobre simplicidade” apregoada pelo Concílio transformou-se em desculpa para um “pobretismo” litúrgico que se expressa em despojamento do elementar, em relaxo, sujeira, descaso e outros defeitos. Dá-se à Liturgia, portanto a Deus, o que há de pior: no mínimo, o que é de gosto duvidoso.
Chegamos ao tempo em que quem obedece as Normas Liturgicas é acusado de rubricista. Ai de quem ousar usar os paramentos prescritos pela legislação litúrgica vigente. No mínimo será caracterizado como “romano”, o que na visão de muitos é considerado como uma ofensa. E quem celebrar usando com fidelidade os livros litúrgicos, “dizendo o que está em letras pretas e fazendo o que está em letras vermelhas” será execrado pelos apregoadores do “autêntico espírito do Concílio”.
Sinceramente, é preciso muita, mas muita fé mesmo para não deixar de acreditar que ‘as portas do inferno não prevalecerão’, como nos ensina Nosso Senhor.”
Fonte: Bíblia Católica News
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Lembranças de Minha Vida
Por Bento XVI
Parte I - Aqui
Parte II - Aqui
Parte III - Aqui
Parte IV - Aqui
"Os clássicos gregos e latinos me entusiasmavam; também da matemática já tinha começado a gostar. Sobretudo, descobri a literatura. A leitura de Goethe me fascinava; Schiller me parecia um pouco moralista demais. Eu gostava especialmente dos autores do século XIX: Eichendorff, Morike, Storn, Stifter, enquanto outros, como Raabe e Kleist, continuaram meio estranhos a mim. Naturalmente, eu mesmo comecei a fazer poesias, fervorosamente, e voltava-me com nova alegria para os textos litúrgicos, que tentava traduzir melhor e mais vivamente dos textos originais.
Estava muito disposto, cheio de confiança, diante das grandezas que cada vez mais se abriam no imensurável mundo do espírito. Ao lado disso, porém, havia aquela outra realidade: quase diariamente se lia no jornal a notícia de alguém morto em combate, e quase todo dia se devia celebrar uma missa de réquiem por algum jovem.
Havia, entre eles, cada vez mais colegas do ginásio, que pouco tempo atrás era companheiros cheios de alegria de viver e de esperança.
Serviço Militar e Prisão
Em razão da crescente perda de homens, os poderosos inventaram, em 1943, uma novidade. Haviam constatado que alunos de internatos tinham de viver mesmo em comunidades longe de casa e que, por isso, nada impedia que se mudasse o lugar de seu internato, a saber: para as baterias da defesa aérea (Flak).
Já que de qualquer maneira não podiam estudar o dia inteiro, parecia perfeitamente normal engajá-los durante o tempo livre no serviço de defesa contra aviões inimigos. Eu não morava mais no internato havia muito tempo; juridicamente, porém, eu pertencia ao seminário de Traunstein.
Assim, o pequeno grupo de seminaristas de minha classe – nascidos em 1926 e 1927 – foi convocado para a Flak, em Munique. Aos 16 anos de idade, agora tinha de aceitar um “internato” bem estranho. Tinham nos colocado em barracas como os soldados normais, que formavam uma minoria.
Haviam-nos posto em uniformes semelhantes e tínhamos que prestar essencialmente o mesmo serviço, com a diferença de que ao lado disso recebíamos ainda um reduzido ensino. Lecionavam ali os professores do famoso ginásio Maximiliano, de Munique. Essa foi uma experiência interessante, sob diversos aspectos.
Com os verdadeiros alunos desse ginásio, igualmente convocados para a Flak, formávamos agora uma classe, encontrando-nos diante de um mundo diferente. Nós, os de Traunstein, éramos melhores no latim e no grego; percebíamos, porém, que tínhamos vivido no interior e que a capital, com suas múltiplas ofertas culturais, abrira outros horizontes aos nossos colegas de classe.
Inicialmente, isso provocou muitos choques, mas afinal acabamos formando um grupo bastante homogêneo. Nossa primeira guarnição foi em Ludwigsfedl, ao norte de Munique, onde tínhamos que proteger uma filial da fábrica bávara de motores, onde se produziam motores de avião.
Depois, fomos para Unterfohring, a nordeste de Munique e, por pouco tempo, para Innsbruck, onde a estação da estrada de ferro fora destruída, e uma proteção parecia necessária. Quando cessaram os ataques ali, fomos finalmente transferidos para Gilching, ao norte do lago Ammer, com uma dupla tarefa: tínhamos que defender as fábricas de Dornier, de onde subiam para o ar os primeiros caças a jato, e devíamos, em termos gerais, impedir que os aviões dos aliados, que se ajuntavam nessa região para os ataques contra Munique, avançassem rumo à capital.
Não preciso contar detalhadamente os muitos aborrecimentos que o tempo na Flak trouxe consigo, especialmente para uma pessoa tão pouco militar como eu. Todavia, tenho também uma lembrança muito boa de Gilching. Eu pertencia ao serviço de comunicação telefônica, e o sargento que nos chefiava defendia inexoravelmente a autonomia do nosso grupo. Estávamos isentos de todos os exercícios militares, e ninguém tinha coragem de se intrometer em nosso pequeno mundo.
Essa autonomia chegou a seu ponto mais alto quando me foi concedida uma habitação na bateria vizinha e ali ganhei, por motivos inexplicáveis, um espaço só para mim – por assim dizer, um verdadeiro quarto individual, embora primitivo. Fora das minhas horas de serviço, podia agora fazer o que quisesse e me dedicar sem impedimento a meus interesses.
Além disso, havia lá um grupo surpreendentemente grande de católicos ativos, que organizaram até um ensino religioso e ocasionalmente conseguiam ir à igreja. Assim, paradoxalmente, esses meses ficaram gravados em minha memória como um tempo muito bom, de uma vida bastante independente.
É verdade, porém, que a situação histórica, na grande linha, estava longe de ser animadora. Na primavera houve um ataque direto contra a nossa bateria; conseqüência: um morto e vários feridos. No verão começaram grandes ataques sistemáticos contra Munique.
Nós podíamos ir à cidade três vezes por semana, para assistirmos às aulas no ginásio Max, mas era assustador ver cada vez mais destruição e verificar como a cidade caía aos poucos em ruínas. Cada vez mais a fumaça e o cheiro de incêndios enchiam o ar.
Finalmente, também as viagens normais por trem não eram mais possíveis. Nessa situação, a maioria do nosso grupo considerou a invasão dos aliados ocidentais na França, iniciada em julho, como sinal de esperança: no fundo havia grande confiança nas potências ocidentais, e a esperança de que seu sentimento de justiça ajudasse também a Alemanha a chegar a uma nova e pacífica existência.
Mas quem de nós iria ser testemunha disso? Ninguém podia ter certeza de voltar vivo daquele inferno para casa. No dia 10 de setembro de 1944, tendo chegado à idade militar, fomos dispensados da Flak, na qual tínhamos prestado serviço como estudantes.
Quando cheguei em casa, a convocação para o treinamento básico da infantaria alemã já estava sobre a mesa. No dia 20 de setembro, uma viagem interminável nos levou para a província de Burgenland, onde nos mandaram para um acampamento no triângulo entre a Áustria, a Tchecoslováquia e a Hungria; no grupo havia muitos amigos do ginásio de Traunstein. Aquelas semanas de treinamento são, para mim, uma lembrança deprimente.
Nossos chefes tinham pertencido, em grande parte, à assim chamada Legião Austríaca; eram, pois, nazistas de longa data, que sob o chanceler Dollfusz tinha estado na cadeia: ideólogos fanáticos, que nos tiranizavam brutalmente.
. Uma noite nos mandaram sair da cama e nos reuniram; estávamos sonolentos, vestidos em nossas roupas de treinamento. Um oficial da SS mandou que nos apresentássemos, um por um, e, aproveitando-se do nosso cansaço e confrontando-nos com o grupo reunido, tentou forçar-nos a nos alistarmos “voluntariamente” para o serviço na SS.
Muitos companheiros bondosos foram pressionados a entrar para aquele grupo criminoso. Eu, com mais alguns, tive a felicidade de poder dizer que pretendia me tornar um sacerdote católico. Zombando de nós e nos insultando, eles nos mandaram sair de lá. Mas esses insultos tiveram excelente sabor, pois nos libertaram da ameaça daquela opção “voluntária” e de todas as suas seqüelas.
Primeiramente, fomos treinados naquele ritual, inventado sem dúvida na década de 1930, orientado para uma espécie de culto da pá e do trabalho como força libertadora. Aprendemos cerimoniosamente, com rigor militar, a depor a pá, levantar a pá, jogar a pá no ombro, tudo solenemente; a limpeza da pá, na qual não podia ficar nenhum grãozinho de poeira, fazia parte dos elementos essenciais daquela pseudo-liturgia. Esse mundo de aparências desmoronou-se de um dia para outro quando, em outubro, a vizinha Hungria, em cuja fronteira estávamos localizados, rendeu-se às tropas russas, que nesse meio- tempo já tinham avançado bem dentro do país.
Parecia-nos que estávamos ouvindo de longe o estrondo da artilharia. A frente estava se aproximando. Acabou, então, o ritual da pá; dia após dia tínhamos que sair para levantar o assim chamado “dique do sudeste”: uma barreira contra tanques, trincheiras que tínhamos que cavar em meio à terra fértil das vinhas de Burgenland, com um enorme exército de trabalhadores, supostamente voluntários, de todos os países da Europa.
Como por milagre, ainda não havia sobre a mesa a convocação para o serviço militar, como era de esperar. Foram-me dadas quase três semanas de recuperação externa e interna. Depois fomos chamados para Munique, onde fomos distribuídos por diversos lugares de destino. O oficial responsável evidentemente estava longe de aprovar a guerra e o sistema hitleriano.
Mostrava muita compreensão e tentava conceder-nos o melhor possível, o mais proveitoso para cada um.A mim, por exemplo, ele encaminhou para o quartel de infantaria em Traunstein e me encorajou, com paternal bondade, a desfrutar ainda alguns dias livres em casa e a começar sem pressa. O clima que encontrei no quartel era agradavelmente diferente daquele do treinamento básico.
É verdade que o chefe da companhia gostava de gritar e, evidentemente, ainda acreditava piamente no nazismo. Mas os novos instrutores eram homens experimentados, que conheciam os horrores da guerra de frente, e não queriam tornar as coisas mais pesadas para nós do que já eram. Com o coração apertado, comemoramos o Natal em nossa barraca.
Conosco, os jovens, estavam de serviço na mesma turma vários pais de família, com quase 40 anos de idade, e que, apesar dos problemas de saúde, tinham sido convocados para as armas, no último ano da guerra. A saudade que sentiam das mulheres e dos filhos me comovia.
De qualquer maneira, já era bem ruim para eles estarem sujeitos à disciplina militar conosco, que éramos vinte anos mais novos. Depois dos treinamentos básicos, éramos frequentemente transferidos, cada vez para um lugar diferente nas redondezas de Traunstein, enquanto eu, por ter adoecido, fiquei a maior parte do tempo livre do serviço, a partir do início de fevereiro. É curioso que não tenhamos sido mandados para a frente, que se aproximava cada vez mais.
Depois continuamos
Fiquem com Deus.
Nossa Senhora das Dores
Por São João Crisóstomo
"Viste essa vitória admirável ? Viste os magníficos prodígios da cruz? Posso dizer-te alguma coisa ainda mais admirável? Ouve o modo como se deu a vitória, e hás-de maravilhar-te mais ainda. Cristo venceu o diabo valendo-Se dos meios com que o diabo tinha vencido, e derrotou-o tomando as próprias armas que ele tinha usado. Ouve como o fez.
A virgem, o madeiro e a morte foram os sinais da nossa derrota. A virgem era Eva, pois ainda não conhecera varão. O madeiro era a árvore; a morte, o castigo de Adão. Mas agora, a virgem, o madeiro e a morte, que foram os sinais da nossa derrota, tornaram-se os sinais da nossa vitória. Com efeito, em vez de Eva está Maria; em vez da árvore do bem e do mal está o madeiro da cruz; em vez da morte de Adão está a morte de Cristo.
Vês como o demónio foi vencido pelos mesmos meios por que vencera? Na árvore, o diabo fez cair Adão; na árvore, Cristo derrotou o diabo. A primeira levava à região dos mortos; mas a segunda faz voltar até os que já para ali haviam descido. Do mesmo modo, a primeira árvore ocultou o homem já vencido e nu; esta porém mostrou a todos o vencedor, também nu, levantado ao alto. […]
Todos estes magníficos efeitos nos conseguiu a cruz: a cruz é troféu levantado contra os demónios e uma espada contra o pecado, espada com a qual Cristo trespassou a serpente; a cruz é a vontade do Pai, a glória do seu Filho unigénito, a alegria do Espírito Santo, a honra dos anjos, a segurança da Igreja, o regozijo de São Paulo, a fortaleza dos santos, a luz de toda a terra."
domingo, 14 de setembro de 2014
Exaltação da Santa Cruz.
Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo
"Celebramos a festa da Cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da Cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto a fim de que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus.
A posse da Cruz é tão grande e de tão imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo, com razão, tesouro aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama. Nele, por ele e para ele reside toda a nossa salvação, e é restituída ao seu estado original.
Se não houvesse a Cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a Cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a Cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.
É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande, sim, porque por ela grandes bens se tornaram realidade; e tanto maiores quanto – pelos milagres e sofrimentos de Cristo – tanto mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a cruz é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão e vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo.
É chamada ainda de glória de Cristo, e dita a exaltação de Cristo. Vemo-la como cálice desejável e o termo dos sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja a glória de Cristo, escuta-O a dizer: Agora, o Filho do homem é glorificado e nele Deus é glorificado e logo o glorificará (Jo 13,31-32). E de novo: Glorifica-me tu, Pai, com a glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5). E repete: Pai, glorifica teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e tornarei a glorificar (Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na cruz.
Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando eu for exaltado, atrairei então todos a mim (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a exaltação de Cristo"
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Festas da Igreja,
Santos
Exaltação da Santa Cruz
Por Bento XVI
“Como é admirável possuir a Cruz! Quem a possui, possui um tesouro!” (S. André de Creta, Homilia X na Exaltação da Cruz: PG 97, 1020).
Neste dia em que a liturgia da Igreja celebra a festa da Exaltação da Santa Cruz, o Evangelho que acabastes de ouvir lembra-nos o significado deste grande mistério: Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que os homens sejam salvos (cf. Jo 3,16).
O Filho de Deus tornou-se vulnerável, assumindo a condição de servo, obedecendo até à morte e morte de cruz (cf. Fil 2,8). É pela sua Cruz que estamos salvos. O instrumento de suplício que, na Sexta-Feira Santa, tinha manifestado o juízo de Deus sobre o mundo, tornou-se fonte de vida, de perdão, de misericórdia, sinal de reconciliação e de paz.
“Para ser curados do pecado, olhamos para Cristo crucificado!” dizia Santo Agostinho (Tract. in Johan., XII, 11). Levantando os olhos para o Crucificado, adoramos Aquele que veio para assumir sobre si o pecado do mundo e dar-nos a vida eterna. E a Igreja convida-nos a erguer com ousadia esta Cruz gloriosa, a fim de que o mundo possa ver até onde chegou o amor do Crucificado pelos homens, por todos os homens.
A mesma convida-nos a dar graças a Deus, porque de uma árvore que trouxera a morte surgiu novamente a vida. É sobre este madeiro que Jesus nos revela a sua soberana majestade, nos revela que Ele é exaltado na glória. Sim, “Vinde, adoremo-Lo!”. No meio de nós, encontra-se Aquele que nos amou até ao ponto de dar a sua vida por nós, Aquele que convida todo o ser humano a aproximar-se d’Ele com confiança.""
Fonte: AQUI
“Como é admirável possuir a Cruz! Quem a possui, possui um tesouro!” (S. André de Creta, Homilia X na Exaltação da Cruz: PG 97, 1020).
Neste dia em que a liturgia da Igreja celebra a festa da Exaltação da Santa Cruz, o Evangelho que acabastes de ouvir lembra-nos o significado deste grande mistério: Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que os homens sejam salvos (cf. Jo 3,16).
O Filho de Deus tornou-se vulnerável, assumindo a condição de servo, obedecendo até à morte e morte de cruz (cf. Fil 2,8). É pela sua Cruz que estamos salvos. O instrumento de suplício que, na Sexta-Feira Santa, tinha manifestado o juízo de Deus sobre o mundo, tornou-se fonte de vida, de perdão, de misericórdia, sinal de reconciliação e de paz.
“Para ser curados do pecado, olhamos para Cristo crucificado!” dizia Santo Agostinho (Tract. in Johan., XII, 11). Levantando os olhos para o Crucificado, adoramos Aquele que veio para assumir sobre si o pecado do mundo e dar-nos a vida eterna. E a Igreja convida-nos a erguer com ousadia esta Cruz gloriosa, a fim de que o mundo possa ver até onde chegou o amor do Crucificado pelos homens, por todos os homens.
A mesma convida-nos a dar graças a Deus, porque de uma árvore que trouxera a morte surgiu novamente a vida. É sobre este madeiro que Jesus nos revela a sua soberana majestade, nos revela que Ele é exaltado na glória. Sim, “Vinde, adoremo-Lo!”. No meio de nós, encontra-se Aquele que nos amou até ao ponto de dar a sua vida por nós, Aquele que convida todo o ser humano a aproximar-se d’Ele com confiança.""
Fonte: AQUI
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Papas
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
A sublime dignidade de Maria.
Por Papa Pio XII
" E certo que no sentido pleno, próprio e absoluto, somente Jesus Cristo, Deus e homem, é rei; mas também Maria – de maneira limitada e analógica, como Mãe de Cristo-Deus e como associada à obra do divino Redentor, à sua luta contra os inimigos e ao triunfo deles obtido participa da dignidade real. De fato, dessa união com Cristo-Rei deriva para ela tão esplendente sublimidade, que supera a excelência de todas as coisas criadas: dessa mesma união com Cristo nasce aquele poder real, pelo qual ela pode dispensar os tesouros do reino do Redentor divino; finalmente, da mesma união com Cristo se origina a inexaurível eficácia da sua intercessão junto do Filho e do Pai.
Portanto, não há dúvida alguma que Maria santíssima se avantaja em dignidade a todas as coisas criadas e tem sobre todas o primado, a seguir ao seu Filho. "Tu finalmente, canta s. Sofrônio, superaste em muito todas as criaturas... Que poderá existir mais sublime que tal alegria, ó Virgem Mãe? Que pode existir mais elevado que tal graça, a qual por divina vontade só tu tiveste em sorte?" "A esses louvores acrescenta s. Germano: "A tua honra e dignidade colocam-te acima de toda a criação: a tua sublimidade faz-te superior aos anjos". João Damasceno chega a escrever o seguinte: " É infinita a diferença entre os servos de Deus e a sua Mãe".
Para melhor compreendermos a sublime dignidade, que a Mãe de Deus atingiu acima de todas as criaturas, podemos considerar que a santíssima Virgem, desde o primeiro instante da sua conceição, foi enriquecida de tal abundância de graças, que supera a graça de todos os santos. Por isso, como escreveu na carta apostólica Ineffabilis Deus o nosso predecessor, de feliz memória, Pio IX, Deus "fez a maravilha de a enriquecer, acima de todos os anjos e santos, de tal abundância de todas as graças celestiais hauridas dos tesouros da divindade, que ela – imune de toda a mancha do pecado, e toda bela apresenta tal plenitude de inocência e santidade, que não se pode conceber maior abaixo de Deus, nem ninguém a pode compreender plenamente senão Deus".
Fonte AQUIhttp://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_11101954_ad-caeli-reginam_po.html
" E certo que no sentido pleno, próprio e absoluto, somente Jesus Cristo, Deus e homem, é rei; mas também Maria – de maneira limitada e analógica, como Mãe de Cristo-Deus e como associada à obra do divino Redentor, à sua luta contra os inimigos e ao triunfo deles obtido participa da dignidade real. De fato, dessa união com Cristo-Rei deriva para ela tão esplendente sublimidade, que supera a excelência de todas as coisas criadas: dessa mesma união com Cristo nasce aquele poder real, pelo qual ela pode dispensar os tesouros do reino do Redentor divino; finalmente, da mesma união com Cristo se origina a inexaurível eficácia da sua intercessão junto do Filho e do Pai.
Portanto, não há dúvida alguma que Maria santíssima se avantaja em dignidade a todas as coisas criadas e tem sobre todas o primado, a seguir ao seu Filho. "Tu finalmente, canta s. Sofrônio, superaste em muito todas as criaturas... Que poderá existir mais sublime que tal alegria, ó Virgem Mãe? Que pode existir mais elevado que tal graça, a qual por divina vontade só tu tiveste em sorte?" "A esses louvores acrescenta s. Germano: "A tua honra e dignidade colocam-te acima de toda a criação: a tua sublimidade faz-te superior aos anjos". João Damasceno chega a escrever o seguinte: " É infinita a diferença entre os servos de Deus e a sua Mãe".
Para melhor compreendermos a sublime dignidade, que a Mãe de Deus atingiu acima de todas as criaturas, podemos considerar que a santíssima Virgem, desde o primeiro instante da sua conceição, foi enriquecida de tal abundância de graças, que supera a graça de todos os santos. Por isso, como escreveu na carta apostólica Ineffabilis Deus o nosso predecessor, de feliz memória, Pio IX, Deus "fez a maravilha de a enriquecer, acima de todos os anjos e santos, de tal abundância de todas as graças celestiais hauridas dos tesouros da divindade, que ela – imune de toda a mancha do pecado, e toda bela apresenta tal plenitude de inocência e santidade, que não se pode conceber maior abaixo de Deus, nem ninguém a pode compreender plenamente senão Deus".
Fonte AQUIhttp://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_11101954_ad-caeli-reginam_po.html
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