segunda-feira, 7 de maio de 2012

Os Movimentos de Apostolado



Por Padre Leo Trese

15:00

"A escrivaninha está livre de correspondência. Mais precisamente, as cartas foram lidas e arrumadas junto com as que não tiveram resposta. Se não me espevito e respondo com brevidade a algumas delas, não me restará um só amigo neste mundo. Mas agora preciso dar uma olhada no Novo Testamento. Margie está para chegar.

Foi-lhe confiada a terefa de comentar o Evangelho na reunião semanal de dirigentes da Ação Católica e combinou vir às quatro para que a ajude a preparar-se. Depois dela virá Jean, as quatro e meia, para falarmos do Corpo Místico.

Há uma coisa de que estou certo: a Ação Católica suscita dentro de mim o mesmo sentimento de fracasso que tantas outras iniciativas boas que vicejam na paróquia. O apostolado da oração, a cruzada do Rosário, a renovação litúrgica, o movimento rural, as escolas de ação social inflamam a minha imaginação pelo seu bem potencial, mas depois deixam-me desiludido ao encontrar- me diante da compacta lista de encontros e obrigações anotadas no meu caderno.

É muito fácil dizer: " Deixemos de lado o menos importante". Mas o que é menos importante? Eu não posso abandonar os doentes, membros sofredores de Cristo. Não posso esquecer as crianças da escola, que são o meu rebanho e o dEle.

Não posso ser superficial quando instruo os conversos. Não posso atirar para um canto os que vem, preocupados e tristes, pedir-me um conselho. Nem mesmo posso esquivar-me à administração material da paróquia, uma vez que os consertos e reparações, as compras e a contabilidade também se relacionam, embora indiretamente, com a salvação das almas.

Talvez pudesse deixar os movimentos de apostolado entregues a si próprios, mas, sem um sacerdote, depressa pereceriam, e eu perderia contacto com os meus adultos.

É um verdadeiro dilema, um dilema em que as coisas que gostaria de fazer se opõem ao que ao que devo fazer. Mas, ao encará-lo de frente, a solução aparece-me nítida e afiada como espada que cortará o nó górdio em que estou envolvido.

Não é uma solução nova, certamente. Mas é uma solução que facilmente se ignora e se contorna na hipertensa atividade da paróquia moderna. É a mesma solução que São Bernardo dava ao Papa Eugenio, quando o advertia do perigo de se dar completamente aos outros que nada restasse para si próprio; o perigo, diríamos hoje, de nos exaurirmos.

A solução é : maior santidade pessoal. À primeira vista, parece uma solução difícil: é muito mais fácil trabalhar os outros do que trabalharmos a nós mesmos. Mas é a única solução para um sacerdote acossado, que vê tanto que fazer e tão pouco tempo disponível para faze-lo. Ainda está por nascer o movimento de apostolado que seja um sucedâneo da santidade sacerdotal.

Em contrapartida, a santidade sacerdotal poderá substituir qualquer outra coisa, em caso de necessidade.

Precisamos de dirigentes? É Cristo quem chama os seus dirigentes, e eles ouvirão o seu apelo e o acatarão quando Ele se fizer reconhecer na vida de um sacerdote santo. É o amor a liturgia que procuramos? O povo amará a Missa e aproximar-se-a dos sacramentos quando se evidenciar em cada gesto do celebrante um profundo amor e uma fé ardente. É justiça social que queremos promover urgentemente, uma caridade inflamada que queremos suscitar? Certamente a palavra de Deus não poderá sair do coração transbordante de um sacerdote verdadeiramente " à medida do coração de Cristo", durante cinquenta e dois domingos por ano, sem acender uma centelha nova nalgum coração renovado.

...Sei tudo isso. Sei também que é perfeitamente inutil escudar-me na frase feita "Padre de sacristia" se, por padre de sacristia, queremos dizer "padre de poltrona".  Mas se, por padre de sacristia, entendo um padre com um profundo amor a Cristo nos seus mistérios, um padre que passa mais tempo na Igreja do que em ler o jornal e a revista da semana - então, sim, poderei falar de um homem que nos fins das contas faz mais por Cristo do que muitos cujos os nomes aparecem no semanário diocesano.

Esta lógica esmaga-me. Prevejo a conclusão... mas se se impõe que eu escolha entre mais oração e sacrificio, por um lado e mais desapontamento e fracasso por outro, talvez conviesse que os meus joelhos trabalhassem um pouco mais e os braços um pouco menos.

Bem, Margie está a porta. É necessário ajudá-la a preparar o evangelho da Missa de Pentecostes. "Se alguém me ama...meu Pai o amará, e viremos a Ele e faremos Nele a nossa morada...Não se assuste o vosso coração".

É precisamente isto oque diz, e está tudo muito claro.

Fonte: Vaso de Argila.

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