sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Finalidade da Criação


Continuamos hoje, nosso estudo sobre a vida interior, importante para nos levar a Deus. É um excelente estudo.

Primeira Parte: A Vida Interior


Deus criou tudo:

Deus criou; tudo foi feito por Ele, nada foi feito sem Ele (Jo 1,3) Ele falou e tudo foi feito, Ele ordenou e tudo foi criado (Sl 148,5). É nele que vivemos, nos movemos e somos (At,17,28) - Essa verdade, a razão me demonstra e a Fé me faz adorar.

Tudo Deus criou para Si mesmo, pois tudo que criou não foi em vão. As criaturas, saídas de suas mãos, receberam dele: Finalidade e ordenamento.

Finalidade: Não pode ser outra se não o próprio Deus. Pois, se Deus tivesse criado tudo para outro fim, teria dirigido e subordinado sua ação para este fim, e Ele mesmo se teria subordinado, uma vez que sua ação é Ele mesmo. Essa finalidade, então, estaria acima de Deus, e nesse caso Deus não seria Deus. Portanto, as criaturas não podem existir se não para Deus e para sua glória.

"Eis o que diz o Senhor Deus, que criou os céus e os estendeu, que firmou a Terra e tudo o que nela cresce, que concedeu o alento aos que habitam, e a vida aos que se movem sobre ela: Eu sou Iahweh, esse é o meu nome, e não cederei minha glória a nenhum outro"(Is 42,5.8) - "É por causa de mim mesmo, só de mim mesmo, que vou agir; como poderia permitir que meu nome fosse profanado? A minha glória, não a darei a outrem. Ouve-me Jacó, ouve-me Israel: Eu sou o primeiro e sou também o ultimo"(Is 48,11 s). "Sou o alfa e o ômega, o princípio e o fim"(Ap 1,8)

Tudo foi feito por Deus e para Deus. Nada existe sem Ele e tudo existe para Ele. Tudo vem dele e a Ele se destina. Ele é o princípio único e o fim total. Tudo e Ele procede e a tudo ultrapassa. Nada pode existir sem o seu Poder, nada tem outra razão que não a Sua Glória.

Como princípio, seu poder é única razão de ser de todas as coisas.
Como fim, sua glória é a única razão de ser de todas as coisas.

Glória de Deus, bem essencial dos seres.

Se a glória de Deus é a única razão de ser e o único fim das coisas, ela é também seu único bem; pois não pode haver, para um ser, outro bem essencial além do seu único fim.

"O que o bem"? - pergunta São Tomás - "É aquilo a que todo ser aspira; ora, aquilo a que se aspira é o fim que se busca; e, portanto, o bem se identifica com o fim"(S. Tom, S, Th. 1,q.5,a.4,c.)

"O soberano bem é chamado fim"- diz Santo Agostinho -"precisamente porque é por causa dele que desejamos os demais bens; mas, a ele, desejamos por ele mesmo" (A Cidade de Deus, 8,8.)

Os meios empregados para atingir o fim, somente são bens na medida em que servem ao fim e a ele conduzem; nisso consiste seu único bem.

A minha finalidade:

Deus me criou: - Tudo vem de Deus, portanto; eu também venho dele. Somos feitos por Ele, por isso pertencemos a ele, não a nós mesmos. (Sl 99,3). Suas mãos me formaram e modelaram (Jó 10,8). Obra prima da criação visível, imagem de Deus o homem é o último e supremo elo dos seres terrestres; com ele se encerra a obra criadora. Por ter corpo e alma - material e espiritual -, ele toca o mundo visível e invisível. Por trazer no corpo a semelhança dos seres inferiores e em sua alma a semelhança do próprio Deus, ele está colocado entre as criaturas e Deus, como ponto de união da matéria com o espírito, a ligação do céu e da terra.

Para sua Glória:
Se tudo foi feito por Deus, eu e você também fomos feitos para Ele e unicamente para Ele. Ele é nosso fim último e supremo, e nossa única razão de ser é a Sua Glória. É para Ele que vivemos, morremos e viveremos na eternidade. "Nenhum de nós vive para si, e ninguém morre para si.Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor" (Rm 14,7)"todos aqueles que trazem meu nome, e que criei para minha glória"(Is 43,7)

Nisso está todo homem:

A glória de Deus, finalidade da minha vida, é meu tudo e sou eu todo; se para ela não contribuo, já não tenho nenhuma razão de ser, não sirvo para nada, não sou nada."Em conclusão: tudo bem entendido, teme a Deus e observa seus preceitos, nisso está todo homem" (Ecle 12,13)

Nisso está todo homem! "Como - diz Santo Agostinho -, exprimir mais brevemente uma verdade mais salutar? Teme a Deus e guarda seus mandamentos, porque nisso está todo homem. Guardião dos mandamentos de Deus: quem não o for, não será nada. Não se pode formar a imagem do tudo ali onde persiste a imagem do nada"(A cidade de Deus, 20,3)

Nisso está todo homem, na terra e no céu: toda a sua vida mortal e toda sua vida eterna. Pois tenho este duplo sentido do tempo e da eternidade; ou melhor, esse único destino composto de dois períodos; o tempo prepara a eternidade.

Na terra:

Por que devo crescer aqui na terra? Para Deus e para sua glória. Tudo o que recebi de forças e de recursos, tudo que me é imposto como obrigações ou leis, tudo que me é dado como meios e como ajuda, o é em vista dessa meta final, superior, absoluta, infinita: a glorificação da soberana Majestade. Tudo que sou, tudo que passo, tudo que vivo e até minha morte: tudo deve louvar a Deus. Nisso consiste a plenitude de minha existência. Somente assim sou alguma coisa, nisso eu existo. Fora disso não sou nada.

No céu:

Nisso está todo homem também no céu. Pois os que fazem os santos nos esplendores da glória? - Uma única coisa, aquela mesma que começaram fazer em sua vida de transição: louvam a Deus. No céu há um grande louvor a Deus, que tudo preenche, que basta aos anjos e aos homens, que ocupa toda eternidade. Nesse concerto celeste para a Trindade santa, cada um tem sua parte própria, segundo as qualidades de sua vida e de sua vocação; cada um tem seu lugar marcado no grande corpo. A eterna comunhão dos santos louvado a Trindade num hino supremo que alegra o coração de Deus - É a vida eterna! E então a expressão do texto sagrado atingirá sua plenitude: Nisso está todo homem!

Para minha felicidade:

Ao criar-me para Ele, Deus manifestou para comigo o amor essencial que Ele tem por Si mesmo. Deus é amor (I Jo 4,8) e criou por amor: amor por si mesmo antes de tudo, pois tudo foi feito para sua glória. Mas Ele também criou por amor a mim, e tudo fez para minha felicidade. Este seu desígnio revela um novo aspecto da minha vocação: pois minha bem-aventurança faz parte, juntamente com a glória divina, da razão pela qual fui criada. Fui chamada a glorifica-lo, devotar-lhe amor eterno, glorificando-o, mas também Deus quer me cumular de beatitude. Isto também faz parte da minha finalidade.

Tudo em mim aspira à felicidade, deseja a reclama a felicidade: é uma necessidade irresistível da minha natureza. Deus dispôs meu ser para procura-la. Aspiro pela saciedade seja neste mundo ou na eternidade e ela é tão profunda que somente o infinito pode satisfaze-la. Sentidos, alma , coração: tudo em mim é feito para o infinito. Deus permite que eu conheça já aqui múltiplas alegrias, pelo progresso de minha vida em direção a Ele. Este crescimento do ser constitui minha existência temporal, e quis, finalmente, que eu encontre na eternidade este gozo único e infinito, último e completo repouso da minha alma, que se chama salvação. A felicidade, neste mundo e no outro, é também minha finalidade.

União das duas finalidades:

Terá minha existência, então, duas finalidades?

Sim e não.

Sim, porque há nela a parte de Deus e a minha parte, os direitos de sua glória e a minha herança de felicidade.

Não, porque na mente de Deus, essas duas finalidades não se separam jamais. Aprouve-lhe unir minha vida à sua, meu ser ao seu, minha felicidade à sua honra. E minha conduta somente lhe agradará se eu souber "não separar o que Deus uniu"(Mt 19,6). Ele deseja ser glorificado em mim, e que eu seja saciado nele. Tudo o que Ele fez desde o princípio e tudo o que continua a fazer a cada instante, visa sempre conduzir-me a esse supremo termo onde serei consumado na unidade com Ele (Jo 17,23). Preciso estão, saber, por minha vez, a condições dessa aliança e os meios de conduzi-la à sua perfeição. Uma delas, é sem dúvida, a subordinação do homem a Deus.

Próximo assunto: O Ordenamento de minhas relações divinas

Baseado no livro: A Vida Interior de François de Sales Pollien

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